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terça-feira, 12 de julho de 2011

LIMITES PAULISTANOS

Fotografia tomada em 10/7/2010 - blog http://peruspirapora.blogspot.com/

Dentre os inúmeros pontos de divisa do município de São Paulo com os municípios vizinhos, este é um deles: na divisa com Cajamar, a ponte ferroviária sobre o rio Santa Fé, não muito longe do quilômetro 30 da rodovia Anhanguera.

Este ponto é inalcançável por automóvel. Só mesmo pelo trólei da E. F. Perus-Pirapora. Sobre a ponte metálica, os trilhos foram roubados. As pessoas que aparecem na foografia estão do lado de Cajamar. Para cá, São Paulo.

O trólei atualmente vai até a beira da ponte no lado paulistano e cruza-se a ponte a pé.

Esta divisa tem quase 400 anos de existência. Originalmente foi estabelecida em 1625, quando o município de Parnahyba - hoje Santanade Parnaíba - separou-se do de São Paulo. Em 1959, com a autonomia de Cajamar, desmembrado de Santana de Parnaíba, a divisa passou a ser São Paulo-Cajamar.

sábado, 18 de junho de 2011

NOMES DESAPARECIDOS

Às vezes não é tão fácil assim ler algum livro ou jornal histórico. Ou seja, que foram escritos há, por exemplo, cem anos atrás.

Aparecem nomes que hoje não são utilizados... como localizá-los no espaço da época? Falando especificamente sobre o município de São Paulo (embora isto aconteça no Brasil inteiro), hoje descobri um nome que nunca tinha lido ou ouvido: alguém sabe onde era o Morro Vermelho? O cruzamento da rua Apeninos com a Pires da Mota ficava nesse bairro.

E o Itararé, que ficava onde hoje é o bairro do Ferreira, na Francisco Morato? Os Campos da Escolástica, onde hoje fica a praça Irmãos Karmann, na avenida Sumaré? O bairro do Cerqueira César, que hoje é aquele que fica no quadrilátero Paulista/Nove de Julho/Estados Unidos/Rebouças, mas que até 50 anos atrás era onde hoje é o quadrilátero Rebouças/Henrique Schaumann/Cardeal Arcoverde/Doutor Arnaldo?

O Botequim, na esquina das avenidas Francisco Morato com a rua Puréus? O Marco, que ficava onde hoje é o Belenzinho? Da Coroa, onde hoje está o Shopping Center Norte?

Enfim, os nomes e referências em São Paulo e em outros lugares mudaram muito. Ninguém sabe mais nomes de córregos, que, até 50 anos atrás, eram referências de localização e de divisas de bairros. Boa parte desses córregos está hoje canalizado e entubado, invisível para nós. O Sapateiro (que ia da Vila Mariana até próximo à ponte da Cidade Jardim), do Verde (da Doutor Arnaldo até o Clube Pinheiros), do córrego da Várzea (que passa sob a Nove de Julho desde a alameda Jaú e sob a Cidade Jardim, desaguando junto à estação Cidade Jardim da CPTM), do Uberaba (que cortava Moema e Vila Olimpia), da Traição (sob a avenida dos Bandeirantes e que um dia foi o limite dos municípios de São Paulo e de Santo Amaro)...

Enfim, é sempre bom conhecer esses nomes quando olhamos para o passado.

domingo, 10 de abril de 2011

MONTES CLAROS, 1952

As fotos acima são de uma página de álbum de família, cujo dono não tenho a menor ideia quem tenha sido. Adquiri algumas páginas deste álbum, soltas mesmo, na feira da praça Benedito Calixto, em São Paulo, há cerca de cinco anos atrás.

Esta página mostra cenas do aeroporto da cidade mineira de Montes Claros no ano de 1952. Quem conhece a cidade e o aeroporto pode apreciá-la mais. Eu, particularmente, não conheço a cidade.

Em tempo: onde foi escrito "estação", leia-se a estação do aeroporto, ou seja, o local de embarque e desembarque que qualquer aeroporto tem. Hoje em dia não se chama mais assim. Lembrar que os escritos, em máquina de escrever, foram feitos por quem montou o álbum.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A DIVISA MUNICIPAL ENTRE SÃO PAULO E SANTANA DE PARNAÍBA

Na imagem do Google Maps, na parte de baixo vemos em amarelo o túnel do Rodoanel seguindo dali para nordeste. A estrada da fazenda Itaiê acompanha o córrego do Itaim e segue para noroeste - essa é parte da divisa atual dos dois municípios
Eu gostaria de fazer um levantamento das divisas atuais do município de São Paulo com os limítrofes. Haja tempo. Por enquanto, fico com o que está mais perto.

A divisa da Capital com o município de Santana de Parnaíba, a antiga Parnahyba, data de 1625. Porém, desde essa época, muita coisa se alterou nessa divisa. Por exemplo, o que é hoje o município de Barueri pertencia a São Paulo e somente em 1809 foi anexado a Parnahyba.
O relatório acima mostra as divisas dos dois municípios em 1908. Hoje é muito menor
Enfim, se considerarmos as divisas de 1908 - cem anos depois da anexação de Barueri por Parnahyba -, veremos que naquela época a divisa entre os dois municípios era muito maior. Os desmembramentos posteriores de Osasco, Barueri, Carapicuíba e Cajamar reduziram bastante essa divisa. Em 1908, ela começava junto ao quertel de Quitaúna e dali subia o Tietê, entrava pelo córrego Vermelho até suas cabeceiras (este córrego hoje divide Barueri e Osasco passando por duas ruas: Diretriz e Alagoinhas. Das cabeceiras seguia até o topo do morro Catanumi (também chamado de Jaraguá-Mirim), onde nasce o córrego do Garcia, que segue para oeste e hoje divide Barueri de Santana de Parnaíba. Sob esse morro passa um dos túneis do Rodoanel.
Aqui, a divisa continua no córrego Itaim, difícil de ser identificado na imagem, mas à direita do bairro que aparece no quarto esquerdo baixo da imagem do Google Maps, mais ou menos no centro da imagem de sul a norte
Aí começa hoje a divisa atual dos dois municípios, seguindo para noroeste acompanhando tanto o córrego Itaim quanto a estrada da Fazenda Itaiê. A divisa toda está na mata, descendo a enconta do Catanumi. Por aí descia (em 1908) até o desague do rio córrego no rio Juqueri. Hoje, o final da divisa se dá antes: mais precisamente, onde o córrego do Paiol Velho se encontra com o do Itaim, fazendo uma divisa tripla Santana de Parnaíba-São Paulo-Cajamar.
Aqui, dois córregos fazendo a divisa tripla citada no texto. O tubo é o Itaim entubado, e ele continua no sentido da curva do canal. Em primeiro plano, a chegada do rio Paiol Velho. Na foto, à direita do muro branco e também o automóvel estão em São Paulo. À esquerda do córrego do Paiol Velho, em primeiro plano, é Cajamar; à direita do mesmo, até o tubo, é Santana de Parnaíba, bairro de Colinas da Anhanguera.
Nesse ponto, a área urbana já chegou (o bairro ali pertence a Parnaíba e se chama Colinas do Anhanguera), mas é um trecho curto. Boa parte da divisa aqui em quetão corre dentro da Fazenda Itaiê em áreas de mata ou rurais.

terça-feira, 1 de março de 2011

KASSAB: GOVERNE, PÔ!!!

Chove copiosamente na Praça do Patriarca às 11 e meia da manhã de segunda-feira, 28 de fevereiro. O que parece neblina na foto é um chuvão.
O prefeito Gilberto Kassab está muito preocupado em fazer política, decidir se sai do DEM, se monta um novo partido, se fica no DEM, se vai para algum partido que já existe e outras decisões que somente interessam a ele. Enquanto isso, a cidade de São Paulo fica à deriva.

O lixo nas ruas e córregos existe hoje numa quantidade que nunca existiu no passado recente. As inundações são frequentes. É certo que ele não é o único responsável por elas. Todo esse problema já vem de um passado distante. Mas é certo também que ele não faz nem o mínimo do que podia fazer. O que, afinal, ele pode fazer? Por exemplo, dar manutenção às bombas nos túneis do Anhangabaú, que sempre inunda com qualquer chuva. Dar manutenção nos piscinões, que, sim, são insuficientes, mas que precisam de manutenção constante.

Precisa limpar ruas e limpar bueiros. Que diabo, faça as empresas de limpeza contratadas trabalharem direito! Dar vassouras para garis que limpam as ruas não adianta: a quantidade deles e o tempo que se dedica a esta limpeza é claramente insuficiente. Hoje eles limpam, amanhã está sujo e assim fica até eles voltarem. A única solução é obrigar os proprietários de terrenos, casas e edifícios a se responsabilizar pela limpeza de suas próprias calçadas e bocas de lobo sob pena de pesadas multas se tal não for feito. Mas o Sr. Kassab está preocupado com outras coisas hoje.

É realmente uma piada ler o que o jornal O Estado de S. Paulo escreve hoje como manchete na primeira página do caderno Metrópole: algo como (não estou com o jornal aqui no momento): "O problema das enchentes somente será resolvida daqui a 40 anos em São Paulo". Na verdade, o jornal apenas reproduz o que alguém do governo lhe falou.

Ora: já vimos essa notíci no passado. Muda a quantidade de anos, apenas. Não é difícil que, trinta anos atrás, algum prefeito ou secretário tenha dito a mesma coisa, falando que somente em 2010 o problema estaria resolvido. Assim como Maluf disse que os piscinões resolveriam o problema. Claro - desde que fossem construídos em tamanho suficiente e a eles fosse dada manutenção contínua.

E enquanto isso, continua a construção indiscriminada de prédios altíssimos, concretagem de terrenos acima do esperado, falta de infraestrutura, e por aí vai. Não temos prefeito. Temos penas um sujeito no cargo que fica olhando e contornando os problemas, dando entrevistas e falando nada que seja aproveitável. Uma pena. E não, não espere o problema das enchentes resolvido daqui a 40 anos. Aliás, quem de nós pode imaginar o que será esta cidade daqui a 40 anos? Alguém arrisca um palpite?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

UMA PRAÇA QUE (COMO OUTRAS) NÃO EXISTE

Passei hoje no final da tarde de ônibus pela praça Clemente Ferreira. Como? Onde é esta praça? Ora, é uma das inúmeras praças de São Paulo que tem nome, mas não são praças, são somente um jardinzinho um pouco mais largo do que outros de calçadas ou de canteiros centrais de avenidas. Somente me lembro do nome porque, de repente, bati com os olhos na placa azul.

Esta, no entanto, tem este nome desde tempos mais antigos, quando ela era efetivamente uma pracinha. Eu me lembro dela, ainda sem aquele viaduto em cima, que efetivamente, deixou apenas um mini-jardim ao lado de uma enorme coluna de concreto. Este logradouro fica entre as avenidas Rebouças e Doutor Arnaldo, no local exato em que elas começam, pouco antes do Hospital das Clínicas, para quem vem da rua da Consolação.
Em 1930, a praça Clemente Ferreira não tinha nome nem tinha o canteiro triangular que nos anos 1960 possuía. Ela está na bifurcação das avenidas Rebouças e Doutor Arnaldo; não confundir com a outra pracinha ao lado, entre a Rebouças e a Consolação, com a alameda Santos
Até 1967-68, quando começaram as obras para se fazer o túnel que hoje liga a avenida Rebouças com a avenida Doutor Arnaldo e rua Major Natanael (aquela ladeira que sai da frente do Instituto Emílio Ribas e desce para o Estádio do Pacaembu), essa pracinha - que, como disse, já tinha esse nome - era em "campo aberto" e triangular. Funcionava como uma espécie de "rotunda" ou "balão", como nós paulistanos a chamamos.

Quem vinha da rua da Consolação (ainda estreita na época) para a Doutor Arnaldo seguia para esta costeando a praça pela direita, na parte alta. Os trilhos do bonde acompanhavam esse caminho. Nesse início da Doutor Arnaldo, a rua era pista simples. Para esses carros que vinham do centro e queriam descer a Rebouças, eles entravam à esquerda no lado menor da pracinha triangular, na época, reto e não em arco como é hoje e entravam à direita na pista que descia a Rebouças.

Para quem vinha da Rebouças de Pinheiros, bastava seguir reto pela hipotenusa da praça (que era a continuação da Rebouças e tinha duas pistas com um canteirinho central, como o resto desta avenida) e entrar na Consolação direto para o centro. As duas pistas tinham a mesma mão, para cima, já que ali já era a Rebouças, em desnível com a Doutor Arnaldo.

As obras dilapidaram tudo isso. A Rebouças manteve suas duas pistas, agora rebaixadas e a que segue para Pinheiros é acessada por um túnel que tem as outras bocas na Paulista e na Consolação. A praça, como escrevi, praticamente sumiu, mas manteve o nome, de forma a atrapalhar quem quer se localizar. O túnel foi mal feito, de forma que uma curva muito fechada para a direita na saída da Major Natanael tornou-se, e o é até hoje, uma curva perigosíssima, onde as marcas de raspagens de automóveis na parede esquerda do túnel após a bifurcação interna são sempre visíveis.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

UM CASARÃO DESAPARECIDO

Casarão de J. Moreira
Na avenida Brigadeiro Luiz Antonio existiu, pelo menos até os anos 1960, talvez início dos 1970, um casarão raro na cidade de São Paulo. Ele ficava num terreno elevado em relação à rua e no seu ponto mais alto, deixando uma ampla área para um grande e bem tratado jardim. Ficava na esquina superior com a rua dos Ingleses.

A sua fotografia me foi enviada pelo Douglas, do São Paulo Antiga, que a recebeu de Eli Mendes de Moraes. O casarão pertencia a um empresário paulistano de nome J. Moreira. O ano da fotografia é 1914.

Hoje, no lugar desta bela casa e jardim existe um prédio de escritórios horroroso e ocupado pela Embratel. Deve ter sido construído nos anos 1970. É certo que, pelo menos até 1958, o casarão ainda estava ali.
Mapa Sara Brasil - 1930 - o casarão está ao centro do mapa. Mais à direita, para cima, o outro na esquina da Santa Madalena com a Alfredo Ellis.
No mapa da Sara Brasil de 1930, a casa ainda está lá com o seu jardim. Ver nesta página. Dá para ver que havia outra casa com amplo jardim na esquina da Brigadeiro com a alameda Ribeirão Preto, mas, como ali não existe uma elevação, a casa não teria o mesmo aspecto, construída numa área mais alta do terreno. É esta característica da casa de J. Moreira que a torna rara.

Se olharmos o mesmo mapa, veremos que há uma casa que pode ter tido esta característica, na esquina das ruas Santa Madalena e Alfredo Ellis. O muro e o terreno estão lá até hoje, servindo como estacionamento, mas a casa foi demolida e nunca vi fotos dela. Como a entrada era pela esquina das duas ruas (vê-se pelo muro ainda existente) e o terreno sobe, esta característica pode ter sido a mesma.

São relíquias que não mais existem e que faziam São Paulo ser uma cidade muito mais bela do que o é hoje.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CHAMEM O CLARK (KENT)


Ainda estou com problemas na Internet na minha casa. Estou postando do meu escritório. Ao mesmo tempo, vejo problemas enormes nas empresas de eletricidade. Lá em Alphaville, onde moro, falta de luz é corriqueiro. Em São Paulo City, tem havido apagões: o último foi ontem, na região dos Jardins, pelo que entendi. Semana passada, apagão geral na região nordeste do Brasil, sem incluir o Maranhão, terra do coronel cujo-nome-todos-sabem-qual-é-e-eu-não-escrevo-para-não-dar-a-ele-mais-publicidade-ainda. Coincidência, já que um dos seus afilhados é ministro das Minas e Energia sem entender uma linha sobre o assunto?

Liguei agora há pouco para o consultório do meu médico, daqueles que existem diversos médicos e poucas secretárias, e ela me esqueceu na linha. Na segunda vez, ninguém atendeu ao telefone. Na terceira, atenderam e me deixaram pendurado um tempo. Só aí consegui falar.

Nos clientes da empresa de minha esposa, para quem trabalho (marido dedicado é isso), receber os pagamentos por serviços prestados é uma luta. Considerando que 99% dos clientes são empresas multinacionais, uma delas entre as dez maiores do mundo, a alegação quando são cobrados é sempre a mesma: erro interno, quem recebeu o boleto estava de férias, quem recebeu o boleto não estava de férias, mas a quem repassou diz que não recebeu, a pessoa que recebe os e-mails não leu o e-mail, a pessoa que recebeu o e-mail com o boleto recebeu o e-mail mas não o leu inteiro e não viu que tinha um anexo, enfim - 50% das notas emitidas não são pagas em dia e quando são pagas finalmente fazem-no sem pagar juros e multas, na maior cara-de-pau.

Os fatos relatados acima mostram, no caso da Internet e da eletricidade, que o governo não tem controle algum sobre a infraestrutura que é necessária para atender às necessidades do povo e das empresas que necessitam dessa estrutura. Não é preciso dizer que eletricidade e internet são hoje imprescindíveis para se viver. Claro, a não ser que você se "eremitize". As agências reguladoras não regulam nada e a colocação de novos projetos para atender a demanda que cresce chega - quando chega - muito depois do aumento da demanda. Nunca antes, nunca há uma previsão.

Já no caso das empresas citadas, multinacionais ou consultórios médicos, é visível a falta de mão-de-obra para atender o que seria necessário atender. Nem vou discutir treinamento. O que digo é que na enorme maioria dos casos o pessoal necessário para trabalhar com cobrança (no caso citado) e para atendimento de telefone ou serviço a ser prestado para os profissionais liberais de um consultório é insuficiente. Não adianta vomitar eficiência - tem de ter a eficiência. Para isso, há de se reduzir lucros e não custos.

Enfim, o capitalismo está falindo. Ou já faliu. Alternativas? Certamente não Karl Marx, mas a alternativa clara parece ser inaceitável para os seres humanos que compõe a sociedade: trabalhar para ter o necessário, não para se entupir de dinheiro enquanto metade da população do mundo esteja na miséria.

Aí, vão reflexões de todos os tipos e eu concordo, mas também é fato que ninguém pões efetivamente as cartas na mesa e senta-se para discutir isso. Apenas diz que vai fazer sem realmente querer fazê-lo. E chega, acabou meu momento "salvador do mundo" de hoje.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

SHOPPING CENTERS

Até o prédio da Light, construído junto ao vale do Anhangabaú no final dos anos 1920 em São Paulo, virou shopping center...

Detesto shopping centers. Para começar, eu sou chato mesmo e acho que eles deveriam se chamar Centro de Compras, que é a tradição literal, e não ter nome em inglês. Ou então, aportuguesar a palavra: "Xopin Center". Não, palavras que começam com X são muito esquisitas. O fato, porém, é que não há "sh" na língua portuguesa.

Aliás, mais curioso ainda é o fato de que o americano, que inventou esse triste centro de consumismo, não chama o que chamamos de shopping centers de shopping centers. Os nossos shopping centers para eles são os shopping malls. Em compensação, o que eles chamam de shopping centers são, na verdade, aqueles shoppings pequenininhos que muitas vezes ficam em esquinas com meia dúzia de pequenas lojas e onde os automóveis estacionam na frente delas.

Hoje tive de ir em um shopping. Normalmente, só vou a eles quando é absolutamente necessário. Entro, tento ir direto à loja em que preciso comprar ou conferir alguma coisa, compro, pago e saio de volta para o carro. Hoje não deu. Por diversos motivos que não vêm ao caso, acabei permanecendo cerca de uma hora e meia lá dentro, e na mesma loja. Dela somente saí para ir ao banheiro e para comprar um refrigerante. Ah, sim: aproveitei para ir ao banco, já que havia um lá dentro bem próximo à loja em que eu estava.

Você já experimentou achar um banheiro num shopping? Claro, se você vai sempre a eles, já descobriu onde eles estão. Mas para quem não vai nunca, achar um banheiro é tarefa hercúlea. Normalmente não há placa indicando onde eles estão. E quando há, mesmo seguindo as placas, você não chega no banheiro. Hoje, por exemplo, no andar em que eu estava não havia banheiro. Perguntei a um guarda onde era e ele me mandou descer a escada e entrar à direita. Que absurdo! Mudar de andar num enorme shopping só para ir ao banheiro.

Outra coisa que não me agrada nos shoppings é a reverberação imensa e insuportável a ponto de não se conseguir conversar direito. Você senta com sua esposa ou com amigos numa mesa para conversar mas não consegue, graças ao insuportável festival de vozes que retumba pelo amplo salão. E mais: restaurantes e barzinhos estão frequentemente cheios demais.

Enfim, reclamo demais, concordo. Mas que continuarei indo a shoppings somente quando precisar muito, ah, isso vai continuar... Prefiro mil vezes caminhar pelas ruas. Pode ser mais inseguro, mas pelo menos me sinto livre sem um teto enorme em cima de mim e sem a luz do sol.

sábado, 29 de janeiro de 2011

SONHOS

Ao lado de minha linda Ana Maria, qualquer cidade é um sonho

Meus amigos acham estranho quando eu lhes conto sobre a minha viagem a Viena, em 1995. Sim, Viena, na Áustria. O meu sonho – ou um deles – sempre foi conhecer Viena. Tive a oportunidade de viajar para Milão, numa das duas únicas viagens que fiz à Europa em minha vida, ambas a serviço. Ao final de duas semanas trabalhando, peguei um avião de Milão para Viena num dia de semana e cheguei às 6 da tarde em Viena. Ali, fui para o hotel, deixei as malas e saí – a pé – andando pelas margens do Danúbio até o Anel, como se chama a área mais antiga da cidade, e onde existem os grandiosos palacetes que regiam a Áustria Imperial e que hoje ainda estão lá, numa imponência de fazer inveja a qualquer construção. Andei ao redor do Anel e dentro dele, até quase 11 horas da noite. Aí voltei para o hotel. Na manhã seguinte, bem cedo, peguei o metrô numa estação subterrânea ao lado do Danúbio e segui até o Palácio de Schönbrunn, aonde a Família Imperial ia durante parte do ano. Não pude entrar no atual museu, era muito cedo, mas os jardins e a visão do prédio valeram a pena. Voltei para o hotel, eram cerca de 9 e meia da manhã quando tomei o ônibus de volta para o aeroporto. Acabou-se a curta viagem. Dali, numa seqüência de troca de aviões, fui-me embora para o Brasil, onde cheguei na manhã seguinte. De Viena trouxe algumas fotos, algumas memórias e algumas folhas de plátano caídas nas ruas. Era outono. Valeu muito a pena, apesar do tempo curtíssimo.

A Viena de meus sonhos era diferente da realidade. Neles, aquele velho Imperador de bigodes brancos e às vezes com um chapéu de tirolês, Francisco José, era feliz com sua esposa, a Imperatriz Sissi, aquela, dos dois ou três filmes dos anos 1950 em que Romy Schneider fazia o papel de esposa feliz. Na realidade, Sissi separou-se do marido, foi assassinada mais tarde em Linz e seu filho Rodolfo, herdeiro do trono, suicidou-se antes mesmo da morte dela. Francisco José, que acompanhava feliz as valsas em seu castelo, não percebeu que o mundo à sua volta mudara e morreu ao som dos canhões da Primeira Guerra Mundial. Seu sobrinho-neto, que o sucedeu, foi deposto dois anos depois e morreu quatro anos mais tarde. O Império acabou. Afinal, Habsburgo quer dizer castelo de abutres. O que se esperar de uma família com esse nome?

Mas qual é o seu sonho? Num recente seriado de televisão a cabo, no capítulo de abertura, o médico rico famoso e insensível tanto com os clientes e com a família em Nova York tem a sua vida virada de cabeça para baixo quando sua esposa morre num acidente de carro. Sentindo-se culpado pela sua morte e por não ter dado a atenção que ela merecia dele, o médico volta nos dias seguintes ao hospital e pouco antes de operar um paciente desenganado, desite da operação e lhe faz uma pergunta. “Onde você gostaria de estar agora?” A resposta vem seguida do nome de uma cidade pequena na Pensilvânia. “Então vá para lá” – diz o médico – “vá aproveitar o que ainda tem de vida na cidade que você ama, porque essa é a melhor solução para você agora. Se você for operado, você não poderá ir para lá e não terá mais tempo de vida que sem a operação”. Por sua vez, ele se muda com os dois filhos para uma cidadezinha nas montanhas do Colorado. Era essa cidade que sua esposa, anos antes, havia dito que era ali que queria viver. Ela somente a conhecia por fotografias e reportagens.

Qual é o seu sonho? Qual é a cidade em que você gostaria de viver hoje? Aquela em que você vive? Ou outra, que você conheceu em alguma época em sua vida? Pequena ou grande? São Paulo? Santana de Parnaíba? Curitiba? Santa Cruz das Palmeiras? Rio de Janeiro? Salvador? Ribeirão Preto? Porto União? São Carlos? Ponta Grossa? Joinville? A cidade da qual gostamos pode ser bonita ou feia, pode ter os nossos amigos ou podemos dela ter uma lembrança inesquecível da única vez em que eventualmente fomos lá. As cidades que listei foram as que vieram primeiro à minha cabeça, cidades de que, por um motivo ou por outro, eu gosto, eu me lembro com satisfação. E quando pensamos em cidades muito grandes, como São Paulo, a pergunta é: Qual São Paulo? A Vila Mariana de minha infância? A Higienópolis de minha namorada, que hoje é minha esposa? O Sumaré onde eu morava? O centro velho, para onde eu ia de bonde? Várias das lembranças que tenho das cidades existem ainda, outras não. Em algumas cidades as quais revisitei depois de muitos anos, eu não consegui nem sequer achar o local que eu tinha na memória – a cidade, o local mudou tanto, que nada mais existia. Aí vem a frustração. Onde era a chácara de meu avô em Mogi das Cruzes, que eu visitava nos anos 1960? Tentei achar, mas não consegui nada, nem uma informação – mal sei em que parte da cidade ela ficava.

Mas temos de ter sonhos. Temos de ter um objetivo, para quando, se tivermos de escolher onde vamos viver o resto de nossas vidas, tenhamos o que escolher.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O PASSADO GLORIOSO DE SÃO PAULO


Existem, é claro, diversas razões para a cidade de São Paulo, e por conseguinte o Estado, tenham uma importância muito grande na Federação brasileira. A principal delas é, claro, a coincidência de fatores. Mas, que fatores?

É certo que o Estado de São Paulo, anteriormente província e, mais antigamente, capitania sempre teve uma importância grande para o império português, mesmo na época em que era apenas um amontoado de cidades distantes, todas elas paupérrimas. Isto incluía a cidade de São Paulo. Originalmente, a capitania paulista se formou a partir da junção das capitanias de São Vicente e de Santo Amaro, além da de Santana. Em teoria, estas capitanias chegavam até a linha de Tordesilhas, que, em termos de hoje, passa mais ou menos pelas cidades de Olímpia, Catanduva, Bauru, Cerqueira César e Itararé.

A capital era São Vicente, promovida a município, o primeiro do Brasil, em 1532. A cidade de São Paulo tornou-se capital apenas a partir do final do século XVII. Nessa época, a capitania se estendia ao que hoje são os estados de São Paulo, Paraná, Samta Catarina, parte do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondonia e Goiás.

A descoberta da riqueza do ouro em Minas Gerais, também no fim do século XVII, acabou sendo péssimo para a capitania: o governo português, para facilitar o seu monopólio de compra desse ouro e evitar sua evasão, separou a capitania de Minas Gerais em 1720. Até 1748, São Paulo acabou por perder todas as outras, menos a do Paraná. No mesmo ano, Portugal decretou a extinção da capitania e incoporou-a à do Rio de Janeiro.

O erro foi desfeito em 1765. A capitania do Rio de Janeiro não tinha condições de controle sobre o território paulista e paranaense: ademais, o reino sempre dependeram da valentia e experiência com o conhecimento das terras desse território dos paulistas. Por que eles eram tão bons e fieis assim? Difícil dizer, mas eram; ao mesmo tempo, queriam também a retribuição. Retribuição não era, com certeza, uma perda de autonomia administrativa: junto com a restauração da capitania, Lisboa mandou para cá como Governador o Morgado de Mateus, experiente político com a função de povoar a pobre e inabitada província paulista.

A capital seria movida de São Paulo para Santos; porém, na última hora, isto não aconteceu e São Paulo reouve seu status de 1748. As providências tomadas pelo Morgado e seus sucessores, como o Lorena, foram facilitar a fundação de cidades no chamado oeste paulista: Campinas e Araraquara foram algumas delas. A construção de uma estrada melhor ligando a capital ao porto também foi uma delas: a calçada do Lorena, que segue aproximadamante o que veio a ser o Caminho do Mar mais tarde, equiparou-se às melhores estradas de rodagem européias da época. Isto facilitaria o transporte da região de Campinas e Araraquara aos portos para o seu transporte para Portugal. A partir de então, Santos, que era um dos portos do litoral paulista, passou a crescer mais em relação aos outros da costa. Com a chegada da estrada de ferro, em 1867, firmou-se como tal e os outros foram desaparecendo aos poucos.

A cidade de São Paulo, mesmo antes de tornar-se capital, tinha uma importância muito grande como boca de sertão: mesmo as cidades que foram surgindo depois da fundação de São Paulo, como Santana de Parnaíba e Mogi das Cruzes, também bocas-de-sertão, ainda dependiam do posto avançado que era São Paulo em relação ao litoral.

Quais foram os fatores que levaram a cidade de São Paulo ao seu crescimento econômico? Primeiro, o fato de ser a principal ligação com os portos do litoral. Também o fato de estar no início do rio Tietê, a verdadeira porta para o oeste. Graças à navegação por este rio, a capitania ganhou todos aqueles imensos territórios a oeste e ao norte - embora a colonização ao longo deste rio praticamente não tenha existido até o século XX.

Depois, o estabelecimento do governo da capitania na cidade; com a proclamação da independência (aliás, em terras paulistanas e não na corte, que era o Rio de Janeiro), teve a implantação dos cursos jurídicos no largo de São Francisco pelo governo imperial; finalmente, como centro nevrálgico da São Paulo Railway, teve a gradativa mudança dos ricos fazendeiros do interior paulista para a cidade, pois, com o transporte por trem, o seu deslocamento para as fazendas tornava-se fácil, ao mesmo tempo em que, passando mais tempo no Capital, podiam influenciar o governo provincial com mais facilidade para atender seus interesses.

Como a população era muito baixa na Província, podia-se dizer que seus interesses eram basicamente os da província. Metade do território, a metade oeste, no entanto, cvontinuava praticamente inexplorada. Mas o seu povoamento viria mais tarde, num atraso que foi até bom para o desenvolvimento da parte do território já então povoada. A imigração europeia a partir da segunda metade do século XIX beneficiou muito a mão-de-obra, que até então contava praticamente somente com a escrava, totalmente desmotivada, por motivos óbvios: não se espere um bom trabalho de quem trabalha sem ganhar sem ter direito algum.

A partir de então, veio o que a lógica já fazia adivinhar: investimentos, fábricas, mais ferrovias, mais estradas de rodagem... tudo se concentrando na capital de São Paulo, graças às facilidades com que ela passou a contar. Indústria na Capital e agricultura no interior. Melhores salários na Capital, piores no interior. Superpovoamento na Capital e êxodo rural no interior.

Há muitas coisas mais a serem contadas. Livros e mais livros foram e ainda poderão e deverão ser escritos sobre São Paulo. O desenvolvimento e o sentimento por São Paulo, cidade e estado, existe por causa de tudo isso e muito mais. Seria bom, no entanto, que ambas as entidades, através de seu povo, ricos e pobres, patrões e empregados, parassem neste feriado municipal em que a cidade de São Paulo completa 457 anos de idade (e 451 de município) para pensar que é preciso mudar a mentalidade para que daqui a poucos anos a cidade não se torne inabitável pelo fato de crescer tanto.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

RUA SANTO ANTONIO EM TRÊS ÉPOCAS

Casa de chácara na rua Santo Antonio, 31 (numeração da época) em 1905, da família Ribeiro Branco. Ficava onde hoje está a Praça da Bandeira (Acervo Ubirajara Ribeiro)

Em pouco mais de cem anos, a cidade de São Paulo mudou muito. Claro, cresceu de cerca de 200 mil habitantes para mais de onze milhões. Isto fez com que inúmeras regiões - e também o centro da cidade - se desfigurassem, tanto em termos imobiliários quanto em mapa viário.
Mapa de 1905 do centro de São Paulo
Um exemplo disto está aqui - a região onde se iniciava a rua Santo Antonio, na Bela Vista. Nessa época (1905) ela se iniciava no largo da Memória - que era o nome do antigo Piques, ou largo do Piques. Originalmente, no entanto, a rua levava à Igreja de Santo Antonio, na rua Direita, entre as ruas Líbero Badaró e São Bento (a igreja existe até hoje, no mesmo local, que hoje está na praça do Patriarca, criada em 1922). A razão do nome da rua era a igreja. Notem agora que no mapa de 1905 (acima), ela passava pela rua da Abolição e seguia adiante. Esta esquina era a única pela qual a Santo Antonio passava antes de chegar à rua Major Quedinho e ao Velódromo, antigo campo de futebol e que durou até 1915.
Mapa de 1930 do centro de São Paulo (Sara Brasil)
No mapa de 1930, já se pode ver que houve mudanças. Embora o largo da Memória ainda existisse, o Parque do Anhangabaú já existia e "encostava" nele. O Velodromo já havia desaparecido e no seu lugar já existiam construções, a rua Florisbela (que não aparece no mapa, está mais à esquerda e que depois se chamou Nestor Pestana) e a rua Martins Fontes, ainda não completada. A rua João Adolfo também já existia e a avenida Anhangabaú era um esboço do início da futura Nove de Julho.
Mapa de 1997 do centro de São Paulo (O Guia Mapograf)
No mapa de 1997, mais mudanças: inúmeras casas já haviam sido demolidas para a construção, nos anos 1960, da atual Praça da Bandeira. Desapareceram com isso o largo da Memória e partes das casas das ruas Santo Amaro e Santo Antonio, além de inúmeras casas arrasadas para a cosntrução da praça e do viaduto que lá existe hoje. Na rua Santo Antonio há o encontro entre os viadutos Jacareí e Maria Paula, além do da rua Major Quedinho. A Nove de Julho e a 23 de Maio já existem há tempos - mais de 30 anos. A rua João Adolfo, que chegava na Santo Antonio, para hoje na Nove de Julho. O Parque do Anhangabaú virou avenida, depois foi concretada com túneis em baixo e sem os jardins que tinha.

Duas curiosidades: o viaduto Jacareí tem esse nome por causa de uma pequena rua que passava quase em baixo dele e que hoje ainda existe, diminuída em seu tamanho: basta comparar os mapas (em 1930 ela existe, mas ficou fora do mapa que pus aqui). Da mesma forma, já existia uma rua Maria Paula.
Interior da chácara da rua Santo Antonio dos Ribeiro Branco. As casas que se vêem fora estavam muito provavelmente na rua Santo Amaro nessa época (1905) (Acervo Ubirajara Ribeiro)
A outra: uma das casas que existia comprovadamente em 1905 na rua Santo Antonio era uma chácara onde morava a mesma família - Ribeiro Branco - que mais tarde se mudou para a Vila Mariana, na rua Madre Cabrini, e em 1927, para a rua Domingos de Morais, na belíssima Chácara Conceição, da qual já falei neste blog e que desapareceu em 1969 (a casa) e em 1991 (os maravilhosos jardins) para a construção de prédios.

No mapa de 1930, que mostra as construções, ela provavelmente não existia mais, pois a quantidade de casas que existem no local onde mais tarde foi construída a Praça da Bandeira era muito grande. O local possivelmente foi loteado. A comprovar.

(Nota: alterado em 30/8/2017 - o autor)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SÃO PAULO SE AFOGA

A cidade de São Paulo realmente não aguenta mais. Mesmo assim, o prefeito não vê e muito menos as construtoras: continua se liberando a construção de prédios e mais prédios na cidade.

Hoje, mais uma chuva daquelas na cidade alagou diversos bairros. Meu filho estava vindo da Lapa de Baixo para a Bela Vista no final da tarde, e, parado na maior parte do tempo dentro de seu carro, sem nada o que fazer, digita seu celular e emite twiters quase que desesperados. Seguem os twits:

18h35 Estou saindo da Lapa. Não consegui nem entrar na Ermano Marchetti. Bobeei: era para ter ido por trás.

Cotovelo da Rua Emilio Goeldi totalmente alagado. Na alternativa, Rua do Curtume, caminhão manobrando ocupa toda a rua.

O último quarteirão da Emilio Goeldi antes da Ermano Marchetti está alagado, mas (ainda) dá para passar Passei lá agora.

19h01 A Marquês de São Vicente começou a andar depois da Nicolas Boer.

A esquina da Avenida Norma Giannotti com a Rua Anhanguera, que alaga com qualquer chuvinha, está normal.

A Rio Branco está travada no sentido Centro desde o Viaduto Orlando Mugel. Saí pela Eduardo Prado e peguei a Barão de Limeira. Bom negócio.

Vamos ver como está a Praça da República. Imagino que esteja um inferno.

Desisti da Praça da República: está entupida até o Largo do Arouche e Praça Julio de Mesquita.

Esquina das alamedas Nothmann e Barão de Campinas tem um grande alagamento, mas uma das faixas ainda não submergiu.

São 19:30 agora. Pode ser que ele ainda poste mais deles. Mas quem conhece a cidade sabe que a situação não é boa, só lendo essas mensagens.

O parágrafo anterior foi a última postagem dele, pelo menos na hora que fechei esta minha postagem aqui. Fora isso, sei pelas notícias que a Zona Leste e a Zona Sul têm enormes pontos de alagamento. E certamente mais diversos lugares. Está mesmo na hora de tomar vergonha na cara, parar e tentar a partir do que existe hoje consertar o que for possível. Alguém competente e corajoso se habilita para peitar os interesses excusos?

domingo, 12 de dezembro de 2010

ESTA CASA ESTÁ CAINDO

A casa condenada em foto de fevereiro de 2009 (Douglas Nascimento)

A casa supostamente mais antiga, ou uma das mais antigas, construída na rua Augusta e ainda de pé, está caindo. Na quinta-feira, dia 9, passei por ela a pé e ela ainda estava ali, abandonada, mas em seu estado "normal". Ontem, dois dias depois, foi vista cercada e com placa da demolidora. Ou seja: cairá, provavelmente nesta semana que começa. É uma casa que fica na esquina da rua Augusta (lado par) com a Dona Antonia de Queiroz (lado par).

Mais para cima, na rua Augusta, quatro casas antigas, mas já bastante alteradas aguardam também o seu dia (Ralph M. Giesbrecht, 9/12/2010)

Notem os senhores que, pela foto, pelo menos no seu exterior ela ainda parece estar no seu estado original. Sua queda é uma grande perda para o patrimônio da cidade. Não me digam que, como sai nos jornais, a construção de prédios é a "melhor forma de se revitalizar um local". A restauração dessa casa, seja para que uso fosse, também seria. A mera manutenção dela fechada, com a pintura externa da fachada, já seria bom.

No caso de demolição, a manutenção de sua fachada e a demolição do resto seria uma solução aceitável (a pior solução, antes da demolição, mas seria melhor que a sua derrubada). Mesmo porque o provável destino do terreno será um estacionamento (suposição minha). Entretanto, se for a construção de um galpão para alguma loja ou mesmo de um prédio, em que a fachada mantida atrapalharia?

Não adianta. Quando aprendermos, já será tarde demais.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

RUA IGUATEMI

A rua Iguatemi, saindo da rua de Pinheiros no sentido sul, em mapa de 1930 (Sara Brasil). Era estreita. A rua Boaventura Rosa é a atual Rebouças. Note que a Eusébio Matoso e a continuação da Rebouças não existiam.

A rua Iguatemi, em São Paulo, teria sido aberta em meados do século XIX. Essa data me vem à cabeça agora e preciso depois conferí-la, ms o fato é que, nos mapas antigos, ela começava na rua de Pinheiros e terminava na rua Joaquim Floriano, no atual Itaim. Na verdade, a numeração dela segue o sentido inverso, mas eu diria que ela teria sido traçada a partir de Pinheiros.

Por que afirmo isto? Porque o bairro de Pinheiros é um bairro muito antigo, que existe desde o século XVI e que, portanto, deveria irradiar suas ruas mais do que um local como o Itaim-Bibi, que nem existia no início do século XX. No entanto, também poderia ter surgido do lado contrário, no sentido de ligar a casa de Leopoldo Couto Magalhães Jr. o Bibi, hoje em ruínas, com a vila de Pinheiros. Será?

Por Pinheiros passava a Estrada da Boiada, que no século XX teve diversos de seus trechos desmembrados e renomeados. Diz a história que a Estrada da Boiada se iniciava na estação da Lapa, onde desembarcavam os vagões de gado que seguiam para o Matadouro Municipal, que, a partir de 1887, ficava na Vila Mariana - o prédio hoje abriga a Cinemateca. Porém, a estação da Lapa data de 1898! Faria sentido isto? Essa estrada somente seria traçada nessa época? Não, provavelmente uma ligação da estação para uma estrada que já existia foi construída quando uma estação ferroviária passou a "despejar" gado na Lapa.

Rua Iguatemi, em 1933. É a rua que cruza a imagem da esquerda para a direita, no alto da foto. Marcado em vermelho, o terreno que abrigaria o Museu da Casa Brasileira. Em primeiro plano, o espaço entre a rua Iguatemi e o rio Pinheiros. À esquerda, o Clube Germânia, hoje Pinheiros. (Acervo Clube Pinheiros).

Essa estrada seguia da Lapa - esse trecho é, desde 1958, chamado de avenida Diógenes Ribeiro de Lima (mais um atentado à memória paulistana) - para Pinheiros. Seu trecho entre o córrego das Corujas e a praça Omaguás (o atual início da avenida Brigadeiro Faria Lima) tomou o nome de rua dos Macunis no final dos anos 1920, quando um pequeno loteamento residencial foi ali instalado. Da praça até o largo de Pinheiros, a estrada tinha o nome de rua Fernão Dias e, dali para a frente, seguia pela rua de Pinheiros até a rua Joaquim Antunes de hoje. Dali seguia pelo que hoje é a rua Groenlãndia (que recebeu este nome quando foi estabelecida como limite do Jardim América, instalado pela Cia. City na primeira metade dos anos 1910) e depois, possivelmente cruzando os campos do Virapoeira (Parque do Ibirapuera), chegava até o Matadouro.

A boiada fazia todo esse caminho para vir da Lapa até esse ponto e, dizem alguns, entrava pela rua Iguatemi também, seguindo depois por um caminho indeterminado mas que de alguma forma chegava também até o Matadouro da Vila Mariana. Muitos localizam uma estrada da Boiada também na Iguatemi.

Rua Iguatemi, no início dos anos 1990. Ao fundo, no alto, a avenida Faria Lima. Este trecho da rua Iguatemi é o que sobra até hoje (Foto O Estado de S. Paulo).

Esta rua possivelmente ganhou o nome devido à região do rio do mesmo nome, afluente mato-grossense do rio Paraná, palco de invasões paraguaias na época da guerra do Paraguai nos anos 1860. Vale lembrar que existe até hoje uma Estrada do Iguatemi nas bandas do bairro de Sapopemba, zona leste da Capital. Inclusive, parte dela trocou o nome já há muitos anos para Avenida Ragueb Chohfi.

Avenida Brigadeiro Faria Lima, antiga Iguatemi, estreita até 1970. A foto foi tomada hoje por mim, sentido Itaim. Para referência, a rua que sai à esquerda, no alto da foto, é a rua Sampaio Vidal, ex-Doutor Rosa (no mapa da Sara Brasil)

Da rua Iguatemi original do título hoje somente sobra um pedaço, que vai da rua Joaquim Floriano até pouco depois da rua Pedroso de Alvarenga. Nesse trecho, ela ainda possui a largura e numeração originais. Depois disso, no final dos ans 1960, ela foi alargada até a Teodoro Sampaio e recebeu, logo depois de pronta, o nome do prefeito Faria Lima, que havia acabado de falecer. Nos anos 1990, ela foi prolongada, de um lado, até a rua Pedroso de Morais, na esquina com a Praça Omaguás; de outro, da rua Amaury até a rua Nova Cidade, na Vila Olímpia.

Foi então que a numeração da avenida, que ainda mantinha a da rua Iguatemi original, foi totalmente modificada: passou a ter o número zero em Pinheiros, o que fez com que o lado par virasse lado ímpar e vice-versa. Já o nome do Shopping Center Iguatemi, o primeiro de São Paulo, inaugurado em 1966 e que foi batizado por causa da rua, tornou-se um nome muito famoso no país, existindo hoje diversos shoppings com o mesmo nome em outras cidades brasileiras.

Da rua Iguatemi original, no entanto, sobrou muito pouco.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O PROFETA DO CAOS

Vista de Pinheiros (à esquerda) e do Shopping Eldorado em construção em 1979. Ao fundo, os prédios da avenida Faria Lima e no horizonte a avenida Paulista. 30 anos atrás, e já se previam problemas. A foto foi tirada por mim

Insistindo em um tema no qual tenho escrito várias vezes neste blog: a situação de São Paulo - e provavelmente de outras cidades do mesmo tamanho populacional - já é crítica e ninguém está fazendo algo que realmente possa fazer a cidade voltar a funcionar.

Como autêntico "profeta do caos", daqui a pouco vamos viver em uma cidade onde a melhor coisa a fazer vai ser não sair de casa. Não estou nem falando de segurança, mas de possibilidade de locomoção. Assim como não é tão fácil andar a pé em determinadas calçadas (mesmo que sejam calçadões), já é muito difícil dirigir qualquer automóvel, ônibus, caminhão, o que seja, na cidade.

Quando aqui escrevo lamentando o fato de uma ou várias casas terem sido derrubadas, e na maioria das vezes o são para a construção de edifícios de apartamentos ou de escritórios cada vez maiores, não falo somente no sentido de se perder a memória, mas também no fato de que cada casa que cai é substituída por prédios com uma quantidade de gente muito, mas muito maior, concentrando demais pessoas no mesmo lugar.

Já está mais do que na hora de São Paulo parar. Não somente São Paulo, mas também as outras cidades da área metropolitana. Considerando o número de prédios que são terminados por ano e o número de moradias e escritórios que cada deles oferece, chegamos a um número grande (não, não sei o número), mas é humanamente impossível acreditar que todos eles sejam preenchidos por novos moradores - definindo novos como gente que vem de outras cidades. A população não cresce tão rápido assim. Portanto, há inúmeros locais vazios, tanto novos quanto velhos.

Por que não se usar o que já existe para fazer retrofit, ou seja, transformar casas, prédios, galpões e fábricas em moradias modernas (tipo loft, por exemplo), sem aumentar a área construída? Será que isso representaria o fim da construção civil ou não mudaria muito os números? (também não sei a resposta).

Sempre se dirá que o congelamento da construção de novas unidades habitacionais ou de prédios de escritório causará problemas no nível de emprego. Mas o retrofit não poderia mantê-los? E devemos acabar de vez com nossas cidades somente para manter o nível de emprego?

Enfim, depois de passar hoje (como praticamente todos os dias) pela rua Diogo Moreira, estreita rua no bairro de Pinheiros e que liga em diagonal as avenidas Brigadeiro Faria Lima e Eusébio Matoso, em Pinheiros, eu vi um retrato do desespero: rua curta, com dois quarteirões, aberta nos anos 1940 com terrenos para belas casinhas, hoje nela não mora ninguém. Ali existem dois prédios (um é hotel, outro é escritório), dois enormes buracos onde se começam as obras de dois prédios (um na esquina com a Faria Lima e outro dando fundos para a rua Cariris), o resto são casas que viraram restaurantes ou escritórios.

A rua vive congestionada, e dois prédios vão torná-la praticamente intransitável. A rua Cariris, atrás, vai se tornar um inferno; hoje é uma rua tranquila (basta olhar um mapa e ver a posição desta rua). Agora, quantas ruas Diogo Moreira e Cariris existem em São Paulo sofrendo do mesmo mal? Muitas, infelizmente.

Está na hora da população acordar. Aliás, muito mais que na hora, pois o pesadelo já chegou.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

SÃO PAULO EM 1934


O mapa acima foi encontrado nos arquivos de meu avô e data de 1934. Mostra o município de São Paulo pouco antes da anexação do município de Santo Amaro, que se deu em 1935. Nessa época, Sud Mennucci, que trabalhava na comissão estadual que estudava a redivisão municipal do Estado, defendia a progressiva anexação de diversos municípios em volta da Capital, com a opinião de que isto melhoraria a administração. Graças a Deus ele não conseguiu seu intento... ou mudou de ideia depois e parou de pressionar para tal.

A divisa com Santo Amaro ia desde a nascente do rio Carapicuíba em linha reta até a foz do córrego da Traição no Pinheiros. A partir dali, acompanhava o córrego (atual avenida dos Bandeirantes) até o ponto mais alto do morro da Divisa, o que era a divisa tripla dos município da Capital, Santo Amaro e São Bernardo (hoje, essa parte deste último é Diadema). A partir dali, a divisa não difere das atuais - o que mudou foi o fracionamento dos municípios limítrofes. Reparar que o número de municípios que tinham divisa com a Capital era de sete, apenas.

Na zona oeste, no entanto, houve alteração depois. Osasco ainda era um bairro de São Paulo. O limite oriental era numa reta que unia a nascente do rio Carapicuíba com o Quartel de Quitaúna, que estava então dividido entre São Paulo e Parnaíba. Hoje, a divisa de Osasco (separado da Capital em 1959) com Carapicuíba (e não mais Cotia) é exatamente o córrego Carapicuíba, que desagua no final da plataforma da atual estação da CPTM, General Miguel Costa.

As linhas férreas estão bem mostradas: Sorocabana, Cantareira, Central (já existia a variante de Poá) e S. P. R. (Santos-Jundiaí). Lá no norte, acima do bairro de Caieiras, existia um enclave, dentro do município de Juqueri, pertencente à Capital: era onde ficava o Hospital do Juqueri, depois Franco da Rocha, bem como também essa parte oeste de Juqueri - que por sua vez virou Mairiporã em 1944.

A zona urbana e mais adensada de edifícios era a que está hachureada no mapa. O resto eram campos, mata e alagados, pontilhados por pequenos vilarejos que mais tarde cresceram e se tornaram os bairros de hoje, alguns bastante deteriorados, alguns ricos, a maioria pobre. A importância das ferrovias era notória: elas apareciam em destaque no mapa, enquanto nenhuma rodovia ou estrada aparece - embora já existissem. Já existiam, mas nesse tempo não ainda a Anchieta, a Anhanguera, a Dutra, a Castelo Branco e muito menos as mais recentes ainda Ayrton Senna, Imigrantes, Bandeirantes.

Como uma lembrança de mapas mais antigos, aparecem também rios e córregos, coisa rara nos dias de hoje, onde exceto os três maiores, Tietê, Pinheiros e Tamanduateí, os pequenos nem são citados, quando não foram entubados.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A MEMÓRIA PAULISTANA

Bela fachada na esquina das ruas Guaicurus e Faustolo, na Vila Romana, situada à antiga estrada velha de Campinas (rua Guaicurus). Toda pichada, ainda é muito bonita e o imóvel segue sendo utilizado. Foto Ralph M. Giesbrecht em 3/7/2010

Algumas atualizações sobre o estado da memória paulistana hoje. Deu no jornal que uma chaminé industrial foi tombada na Mooca. Apenas uma chaminé para ser mantida no meio de um novo (e certamente desnecessário) condomínio de edifícios "de alto padrão" que será construído no local. Melhor que nada, dirão. Sim, essas chaminés geralmente são muito bonitas e imponentes, mas sozinha, cercada de prédios, representará o quê?

Por outro lado, na Lapa, um prédio que começou a ser construído de forma ilegal 15 anos atrás, tornando-se um esqueleto de concreto com cerca de dez andares de altura depois de "abortado", foi finalmente condenado à demolição. Bom para um bairro somente de casas e já tombado, teoricamente, desde seu loteamento, há 90 anos. É duro se fazer cumprir a lei neste País. Às vezes se consegue, mas com a geração de uma porção imensa de entulho.

Seria mais fácil se as pessoas se conscientizassem de algumas possibilidades de se manter construções antigas e representativas histórica e/ou arquitetonicamente, sem prejudicar os interesses econômico-financeiros: em construções com mais de 50 anos e que tenham sido feitas à beira da calçada (ou seja, sem recuos frontais), a demolição de suas fachadas seria proibida, fazendo com que se possibilite a demolição no restante do terreno, mas que fosse mantida a fachada como entrada.

Não é uma ideia nova nem original: alguns prédios recentes já se valeram deste artifício tanto na Capital como em cidades do interior. Falei já sobre isto na minha postagem do dia 28 de julho deste ano. Seria uma forma de se manter as poucas fachadas antigas que ainda restam na cidade sem atrapalhar ninguém.

Está mais do que na hora de pararmos para pensar. Se dá para equilibrar o fator dinheiro com o fator memória, por quê não?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O METRÔ DE SÃO PAULO 110 ANOS ATRÁS

Estação da Vila Prudente, a mais nova do metrô de São Paulo, inaugurada no último sábado. Foto Rafael Asquini em 23/8/2010.

Se o metrô de São Paulo já existisse com os percursos que tem hoje, no ano 1900, como seriam os nomes das estações? É apenas um exercício de passadologia (o contrário de "futurologia"), imaginação de alguém que, às vezes, fica pensando nisso. É só ver o que existia em volta das estações de hoje... naquele tempo.

Vamos lá, estação por estação - o nome antigo sem parênteses, o atual entre eles; quando o nome é igual, um nome somente. Linha 1: Santana - Carandiru - Tietê - Ponte Pequena (Armênia) - Tiradentes - Luz - São Bento - Sé - Liberdade - São Joaquim - Vergueiro - Corrêa Dias (Paraíso) - Ana Rosa - Vila Mariana - Vila Clementino (Santa Cruz) - Praça da Árvore - Encontro (São Judas) - Conceição - Jabaquara.

Linha 2: Araçá (Vila Madalena) - Pacaembu de Cima (Sumaré) - Isolamento (Clínicas) - Caaguaçu (Consolação) - Saracura (Trianon) - Estrada de Santo Amaro (Brigadeiro) - Corrêa Dias (Paraíso) - Ana Rosa - Estrada do Vergueiro (Klabin) - Rio Ipiranga (Imigrantes) - Capão do Rego (Alto do Ipiranga) - Moinho Velho (Sacoman) - Tamanduateí - Córrego da Mooca (Vila Prudente).

Linha 3: Barra Funda - Palmeiras (Marechal Deodoro) - Santa Cecília - República - Anhangabaú - Sé - Várzea do Carmo (Dom Pedro II) - Braz - Belenzinho (Bresser) - Marco da Meia Légua (Belém) - Tatuapé - Villa Gomes Cardim (Carrão) - Penha - Dona Escolástica (Vila Matilde) - Rincão (Guilhermina-Esperança) - ??? (Patriarca) - Santa Luzia (Artur Alvim) - Água da Pedreira (Itaquera).

Mudou tanto assim?

domingo, 22 de agosto de 2010

CIDADE MONÇÕES E O BROOKLYN

Vista aérea do Brooklyn/Monções (parcial) em 1958, extraída do site GEOPORTAL em 22/8/2010. No canto inferior direito, a av. Santo Amaro. No centro da foto, a Hípica. O córrego que corta no alto/direita é o córrego da Traição, hoje avenida dos Bandeirantes.

Sobre a postagem deste blog do último dia 20, onde falei "Brooklyn, ou Cidade Monções, como queiram", Carlos Augusto Leite Pereira me deu uma verdadeira aula sobre este bairro da capital paulista, que transcrevo abaixo como sendo a postagem de hoje. O texto a seguir é todo dele.

A Cidade Monções é apenas o núcleo central do Brooklyn. Foi um conjunto de casinhas térreas feitas para a classe média, na década de 1940, pela construtora monções do arquiteto Artacho Jurado. As casinhas eram todas iguais, com um terraço com arcos e uma garagem no fundo do quintal. Quem comprava uma casa ganhava um Ford Prefect. Quando me mudei para o bairro, em 1959, ainda havia muitos desses carros circulando por lá. Até alguns anos atrás ainda havia algumas poucas casas com a arquitetura original.

Hoje, quase todas foram reformadas e muitas transformadas em sobradinhos. Os quarteirões tinham 100 x 50 mts e ficavam entre as ruas Califórnia e Guaraiúva e entre a antiga avenida Central (atual Padre Antonio José dos Santos) e a rua Flórida. Entre essas duas ficava a rua Pensilvânia. Havia uma quadra separada das demais que ficava entre as ruas Michigan e Arizona, Ribeiro do Vale e Mangoatá.

A construtora Monções pavimentou todas as ruas com uma camada muito fina de asfalto e quando conheci o bairro este asfalto já estava todo esfarelado e as ruas esburacadas. Só a av. Central, que era mão dupla e tinha ônibus, tinha um asfalto de boa qualidade. A Guaraiúva, entre a Central e a Flórida, e esta, entre a Guaraíuva e a Ribeiro do Vale, eram calçadas com paralelepípedos. Na Flórida ficava uma padaria, uma farmácia, um ponto de táxi e lotação (daquelas antigas que eram feitas por automóveis) e o ponto terminal do ônibus Cidade Monções, que era da CMTC. No início dos anos 1960 a linha passou para a recém criada Viação Monções que também operava a linha Hípica Paulista e que faliu no início dos anos 1970 sendo substituída pela Viação Campo Belo.

Até o final dos anos 1970 havia, na rua Pensilvania, um empório que tinha nos fundos uma caixa d'agua de uns 6 metros de altura. Segundo moradores antigos do bairro, havia alí um poço artesiano que fornecia água para todo o bairro. As demais ruas de monções eram: Miami, Los Angeles, Hollywood, Filadélfia, Chicago e Cincinati.

A região da Berrini, próxima da rua Guararapes era chamada de Hípica Paulista. No extremo oposto, próxima da atual avenida Jornalista Roberto Marinho, onde as ruas têm nome de cientistas, fica o Jardim Edith.