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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SÃO PAULO SE AFOGA

A cidade de São Paulo realmente não aguenta mais. Mesmo assim, o prefeito não vê e muito menos as construtoras: continua se liberando a construção de prédios e mais prédios na cidade.

Hoje, mais uma chuva daquelas na cidade alagou diversos bairros. Meu filho estava vindo da Lapa de Baixo para a Bela Vista no final da tarde, e, parado na maior parte do tempo dentro de seu carro, sem nada o que fazer, digita seu celular e emite twiters quase que desesperados. Seguem os twits:

18h35 Estou saindo da Lapa. Não consegui nem entrar na Ermano Marchetti. Bobeei: era para ter ido por trás.

Cotovelo da Rua Emilio Goeldi totalmente alagado. Na alternativa, Rua do Curtume, caminhão manobrando ocupa toda a rua.

O último quarteirão da Emilio Goeldi antes da Ermano Marchetti está alagado, mas (ainda) dá para passar Passei lá agora.

19h01 A Marquês de São Vicente começou a andar depois da Nicolas Boer.

A esquina da Avenida Norma Giannotti com a Rua Anhanguera, que alaga com qualquer chuvinha, está normal.

A Rio Branco está travada no sentido Centro desde o Viaduto Orlando Mugel. Saí pela Eduardo Prado e peguei a Barão de Limeira. Bom negócio.

Vamos ver como está a Praça da República. Imagino que esteja um inferno.

Desisti da Praça da República: está entupida até o Largo do Arouche e Praça Julio de Mesquita.

Esquina das alamedas Nothmann e Barão de Campinas tem um grande alagamento, mas uma das faixas ainda não submergiu.

São 19:30 agora. Pode ser que ele ainda poste mais deles. Mas quem conhece a cidade sabe que a situação não é boa, só lendo essas mensagens.

O parágrafo anterior foi a última postagem dele, pelo menos na hora que fechei esta minha postagem aqui. Fora isso, sei pelas notícias que a Zona Leste e a Zona Sul têm enormes pontos de alagamento. E certamente mais diversos lugares. Está mesmo na hora de tomar vergonha na cara, parar e tentar a partir do que existe hoje consertar o que for possível. Alguém competente e corajoso se habilita para peitar os interesses excusos?

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A MEMÓRIA PAULISTANA

Bela fachada na esquina das ruas Guaicurus e Faustolo, na Vila Romana, situada à antiga estrada velha de Campinas (rua Guaicurus). Toda pichada, ainda é muito bonita e o imóvel segue sendo utilizado. Foto Ralph M. Giesbrecht em 3/7/2010

Algumas atualizações sobre o estado da memória paulistana hoje. Deu no jornal que uma chaminé industrial foi tombada na Mooca. Apenas uma chaminé para ser mantida no meio de um novo (e certamente desnecessário) condomínio de edifícios "de alto padrão" que será construído no local. Melhor que nada, dirão. Sim, essas chaminés geralmente são muito bonitas e imponentes, mas sozinha, cercada de prédios, representará o quê?

Por outro lado, na Lapa, um prédio que começou a ser construído de forma ilegal 15 anos atrás, tornando-se um esqueleto de concreto com cerca de dez andares de altura depois de "abortado", foi finalmente condenado à demolição. Bom para um bairro somente de casas e já tombado, teoricamente, desde seu loteamento, há 90 anos. É duro se fazer cumprir a lei neste País. Às vezes se consegue, mas com a geração de uma porção imensa de entulho.

Seria mais fácil se as pessoas se conscientizassem de algumas possibilidades de se manter construções antigas e representativas histórica e/ou arquitetonicamente, sem prejudicar os interesses econômico-financeiros: em construções com mais de 50 anos e que tenham sido feitas à beira da calçada (ou seja, sem recuos frontais), a demolição de suas fachadas seria proibida, fazendo com que se possibilite a demolição no restante do terreno, mas que fosse mantida a fachada como entrada.

Não é uma ideia nova nem original: alguns prédios recentes já se valeram deste artifício tanto na Capital como em cidades do interior. Falei já sobre isto na minha postagem do dia 28 de julho deste ano. Seria uma forma de se manter as poucas fachadas antigas que ainda restam na cidade sem atrapalhar ninguém.

Está mais do que na hora de pararmos para pensar. Se dá para equilibrar o fator dinheiro com o fator memória, por quê não?