Uma das inundações recentes no Jardim Rochedale, em Osasco, SP (Jornal Pagina Zero)
O ano novo começou com muita chuva no sul do País. Em muitos dos locais atingidos por elas isto significa tragédia.
Em muitas das inundações causadas por elas nos últimos dias, não houve mortes. No entanto, houve-algumas, o que já é suficiente para enlutar brasileiros que, para piorar a coisa, perdem muitas vezes a quase totalidade dos seus bens.
A quem culpar por tudo isto? Os governos? Bom, sempre há sua parcela de culpa, mas, em muitas das situações, esta culpa pode remontar há décadas. Estes culpados já estão, em muitos casos, mortos. Culpados de terem aprovado (ou de nada terem feito para impedir) loteamentos legalmente constituídos ou clandestinos em áreas que já sofriam alagamentos constantes.
Algumas das inundações são inevitáveis. Algumas podem ser raras onde apareceram, mas nada poderia evitá-las.
Em outros casos, no entanto, e aí se incluem geralmente as áreas urbanas no meio de cidades grandes, esses alagamentos são evitáveis. Ou melhor, teriam sido, se as áreas não estivessem em áreas que se tornaram alagadas por causa da imensa impermeabilização do solo em volta, da mal-feita canalização de córregos e rios na região e da quantidade de lixo amontoada nas ruas e em áreas públicas, que incluem lixo jogado nas ruas e córregos e lixo que ainda não havia sido recolhido pelos caminhões da Prefeitura.
Esqueci de algo?
O fato é que, em muitas situações, não há outra solução, além de se evacuar o bairro e reflorestá-lo, deixando ali um mínimo de impermeabilização, para constituir um parque, por exemplo. Se isto não for feito, o sofrimento constante continuará. Piscinões podem ser a solução, mas não em todos os casos. Mais: o equipamento precisa passar por manutenção constante, o que não é um procedimento comum em terras brasileiras.
Apesar de tudo o que tem ocorrido desde tempos coloniais e imperiais, povo e governantes não aprenderam.
Um exemplo muito recente: o tal Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, inaugurado nos últimos dias de 2015. Sem entrar na existência do museu em si, há uma série de erros que foram feitos em sua construção, sendo o principal deles, o concretamento do piso entre ele e o prédio do antigo jornal "A Noite", uma vasta área que, de verde, tem apenas uma ou outra árvore plantada no meio de pequenos círculos no concreto. O correto, e mais que óbvio tendo em vista os problemas citados mais acima neste artigo, seria deixar a área gramada e bastante arborizada. Claro que não seria fácil manter a grama; porém, ainda assim, seria melhor arriscar ter esse terreno apenas com terra (e as árvores) a céu aberto, por mais absurdo que isso possa parecer.
Vemos que nossos governantes não aprendem, mesmo.
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
sexta-feira, 1 de maio de 2015
OH MEU DEUS - O TREM NÃO CHEGOU!
A foto tem uma má reprodução, mas mostra o volume de águas no Salto de Avanhandava, que, aliás, nem existe mais hoje, no Alto Tietê
.
Incrível, mas essa expressão foi dita ou pensada inúmeras vezes durante muitos anos em diversas cidades brasileiras - hoje, em muitas delas, nem trilhos existem e muitos habitantes nem sabem que um dia sua cidade dependeu praticamente inteiramente do trem.
Por exemplo, as cidades do Sul de Minas, Tres Corações, Brasopolis, Itajubá e outras tinham problemas com os péssimos serviços, reclamando constantemente da Rede de Viação Sul-Mineira e da . F. Sapucaí, duas antecessoras da Rede Mineira de Viação, na década de 1910. As cargas não eram recolhidas, mercadorias não chegavam, passageiros atrasavam seus compromissos, porque as rodovias eram não mais do que picadas melhoradas, automóveis e ônibus eram raridades e eram as máquinas a vapor que determinavam o progresso das cidades.
Em 1929, uma enorme enchente no Estado de São Paulo, quando choveu como nunca nos meses de janeiro e fevereiro e deixou diversas cidades sem transporte e com os mesmos problemas citados nos casos das cidades minieras.
Convém ressaltar que me referi apenas a dois casos isolados em épocas diferentes escolhidas por acaso. O tempo ruim, greves, os problemas mecânicos que ocorriam com as ferrovias que não eram muito sérias, eram acontecimentos relativamente comuns.
Isso foi mudando. Quando a Segunda Guerra Mundial acabou, as ferrovias rapidamente perderam seu quase-monopólio. Em 1946, por exemplo, uma reportagem da época falava sobre a cidade de Espírito Santo do Pinhal, na fronteira de São Paulo com Minas Gerais, atendida por um curto ramal da Mogiana que saía de Mogi-Guaçu. A reportagem sugeria que os visitantes se utilizassem de "duas ëxcelentes jardineiras" e "não dos "vagarosos trens" do ramal. A partir dos anos 1960, trens raramente eram citados pelos jornais como meios de transporte para as cidades paulistas - embora o último trem de passageiros paulista de longa distância tenha corrido em março de 2001 - a esta altura, pouca gente sequer sabia que ele ainda existia.
Como exemplo, em 1929, o jornal O Estado de S. Paulo de 9 de fevereiro mostrava que mais estava sofrendo eram as cidades atendidas pela Sorocabana. Em Faxina (hoje Itapeva), "a E. F. Sorocabana ainda não tem horário certo, chegando os trens aqui com grande atraso. Sente-se a falta dos trens de carga, estando a praça um tanto desfalcada dos principais generos alimentícios." Neste ramal, o de Itararé, houve quedas de barreiras sobre a linha em três pontos diferentes. A linha-tronco (São Paulo-Presidente Epitácio) sofreu pelo menos sete quedas de barreiras e um deslizamento de aterro. "Em consequencia destes estragos na linha os trens NO-1 e N-1 estão retidos em Piramboia e os PO-1 e P-1 em Laranjal. Foram suprimidos os trens PO-2 e N-2, de Botucatu a São Paulo; o P-5, de São João (hoje São João Novo) a Sorocaba; o NS-1 de São João a Mailasky (Este um percurso bastante curto); os trens N-1, NO-1, N-2 e NO-2 entre Botucatu e São Paulo; os trens PY-5 e 6 entre Piracicaba e São Pedro; os MY-5 e 6 entre Costa Pinto (estes dois últimos na linha da antiga Ytuana).
Em Pontal, "até a Paulista chega com atraso" (...) a correnteza arrastou uma ponte de automóveis sobre o rio Mogy-Guassu. Os automoveis são agora despachados por estrada de ferro." Esta cidade era atendida tanto por linhas da Paulista quanto da Mogiana.
Era assim, um dia os trens reinaram. Faz tempo...
.
Incrível, mas essa expressão foi dita ou pensada inúmeras vezes durante muitos anos em diversas cidades brasileiras - hoje, em muitas delas, nem trilhos existem e muitos habitantes nem sabem que um dia sua cidade dependeu praticamente inteiramente do trem.
Por exemplo, as cidades do Sul de Minas, Tres Corações, Brasopolis, Itajubá e outras tinham problemas com os péssimos serviços, reclamando constantemente da Rede de Viação Sul-Mineira e da . F. Sapucaí, duas antecessoras da Rede Mineira de Viação, na década de 1910. As cargas não eram recolhidas, mercadorias não chegavam, passageiros atrasavam seus compromissos, porque as rodovias eram não mais do que picadas melhoradas, automóveis e ônibus eram raridades e eram as máquinas a vapor que determinavam o progresso das cidades.
Em 1929, uma enorme enchente no Estado de São Paulo, quando choveu como nunca nos meses de janeiro e fevereiro e deixou diversas cidades sem transporte e com os mesmos problemas citados nos casos das cidades minieras.
Convém ressaltar que me referi apenas a dois casos isolados em épocas diferentes escolhidas por acaso. O tempo ruim, greves, os problemas mecânicos que ocorriam com as ferrovias que não eram muito sérias, eram acontecimentos relativamente comuns.
Isso foi mudando. Quando a Segunda Guerra Mundial acabou, as ferrovias rapidamente perderam seu quase-monopólio. Em 1946, por exemplo, uma reportagem da época falava sobre a cidade de Espírito Santo do Pinhal, na fronteira de São Paulo com Minas Gerais, atendida por um curto ramal da Mogiana que saía de Mogi-Guaçu. A reportagem sugeria que os visitantes se utilizassem de "duas ëxcelentes jardineiras" e "não dos "vagarosos trens" do ramal. A partir dos anos 1960, trens raramente eram citados pelos jornais como meios de transporte para as cidades paulistas - embora o último trem de passageiros paulista de longa distância tenha corrido em março de 2001 - a esta altura, pouca gente sequer sabia que ele ainda existia.
Como exemplo, em 1929, o jornal O Estado de S. Paulo de 9 de fevereiro mostrava que mais estava sofrendo eram as cidades atendidas pela Sorocabana. Em Faxina (hoje Itapeva), "a E. F. Sorocabana ainda não tem horário certo, chegando os trens aqui com grande atraso. Sente-se a falta dos trens de carga, estando a praça um tanto desfalcada dos principais generos alimentícios." Neste ramal, o de Itararé, houve quedas de barreiras sobre a linha em três pontos diferentes. A linha-tronco (São Paulo-Presidente Epitácio) sofreu pelo menos sete quedas de barreiras e um deslizamento de aterro. "Em consequencia destes estragos na linha os trens NO-1 e N-1 estão retidos em Piramboia e os PO-1 e P-1 em Laranjal. Foram suprimidos os trens PO-2 e N-2, de Botucatu a São Paulo; o P-5, de São João (hoje São João Novo) a Sorocaba; o NS-1 de São João a Mailasky (Este um percurso bastante curto); os trens N-1, NO-1, N-2 e NO-2 entre Botucatu e São Paulo; os trens PY-5 e 6 entre Piracicaba e São Pedro; os MY-5 e 6 entre Costa Pinto (estes dois últimos na linha da antiga Ytuana).
Em Pontal, "até a Paulista chega com atraso" (...) a correnteza arrastou uma ponte de automóveis sobre o rio Mogy-Guassu. Os automoveis são agora despachados por estrada de ferro." Esta cidade era atendida tanto por linhas da Paulista quanto da Mogiana.
Era assim, um dia os trens reinaram. Faz tempo...
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domingo, 1 de abril de 2012
OS TRILHOS DO MAL (VIII): SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Mato onde antes passava o Cruzeiro do Sul e o Santa CruzEnquanto eu estava no hotel em São José dos Campos nesta última terça-feira, o céu desabou sobre a cidade. Chuva na horizontal e, ainda por cima, vista do quinto andar do prédio na avenida João Guilhermino, esquina da Nelson D'Ávila. Bem no centro da cidade, onde a chuva, que caiu no município todo por volta das cinco da tarde, caiu mais forte no centro e mais tranquila nas partes baixas da cidade.
Rua João Guilhermino inundadaComo consequência, a rua João Guilhermino, exatamente embaixo de onde eu a tudo assistia, inundou. Bocas-de-lobo sujas, com certeza. Como em São Paulo e em outras cidades, ninguém se preocupou em limpar preventivamente. Tanto que, até pelo menos dez horas da noite, embora a luz já houvesse retornado e a chuva tivesse parado quatro horas antes, a inundação pouco diminuiu. Como dava para os carros passarem, jogando muita água para as calçadas, o trânsito não foi tão afetado ali. Na mesma rua, no sentido da avenida Nove de Julho, três árvores caíram sobre a posta, interrompendo pelo menos uma das faixas de tráfego. Isto sim segurou o trânsito.
No dia seguinte, fui ver como estava o leito da linha antiga em São José, que eu sabia que já havia sido retirada. Fizeram-no, claro, para construir ali uma avenida (claro! Prefeitos adoram avenidas). Fui até o ponto onde o Banhado está para começar, mais ou menos no lugar onde até 1925 a linha mais antiga ainda começava a sua subida para a estação velha, lá no alto.
O pequeno viaduto que dava acesso sobre a linha para o bairro Esplanada já não serve para nada: certamente irá para o chão, mas, como arrancaram os trilhos e nem começaram a fazer qualquer coisa, ainda existe uma vala que precisa ser aplainada embaixo do viadutinho. Do outro lado dele, sentido estação tecelagem Parahyba, só mato; do lado "de cá", está limpo. Vêem-se ainda as pedras de lastro da linha ao lado da pequena rua que a acompanha.
Eu (quem sou eu?!?!) sugeri neste mesmo blog, há mais de ano, que se usassem as linhas da variante de 1925, essas que foram retiradas, para se fazer um VLT para São José dos Campos. Há dias, um leitor me disse que esse VLT não seria viável, pois ligaria o nada a lugar nenhum, "como o de Campinas". Que ele me permita discordar. O VLT seria um meio não-poluente (se fosse eletrificado) ou pouco poluente (se fosse a diesel ou gasolina) de ligar o oeste ao leste do município sem passar pelo centro da cidade. E com interligações com eventuais outras linhas de VLT ou de ônibus, fato inevitável, seria viável, sim. E a linha poderia ser utilizada como leito de um trem regional unindo Jacareí e São José e, se fosse permitido usar a linha da MRS, seguir pelo menos até Taubaté ou mesmo Pindamonhangaba com esse trem. Com certeza, valeria a pena para os usuários. Alguém pensa nisso? Não. Só o sonhador aqui.
Trilhos arrancados (à direita, na foto) e o viaduto ao fundoHá poucas semanas publiquei aqui o despacho do procurador do Ministério Público Federal de Ribeirão Preto, que dizia serem absurdas as reivindicações da Prefeitura dessa cidade de retirar os trilhos do ramal de Sertãozinho para, entre outras coisas, construir uma avenida. Mais ainda: se não havia plano nenhum aprovado de construção de avenida no leito ou de qualquer outra coisa, por que gastar dinheiro retirando trilhos? Que se aguardasse haver algo concreto. Repito a frase por ele usada aqui: "Também é absolutamente impensável que o MUNICÍPIO adquira a área em questão sem saber ao certo o que fazer com ela. Ou, pior, que a adquira com um intuito momentâneo que, implementado às pressas ou sem maior reflexão, precise ser alterado futuramente, por não se revelar adequado, o que remete ao triste exemplo do Minhocão. Ora, uma vez eliminados os ramais – assim entendidos não apenas os dormentes, trilhos e demais equipamentos férreos, mas principalmente a adequada conformação do solo e do terreno –, sua reposição, após constatar-se que o corredor de ônibus não passa de uma quimera política, afigurar-se-ia no mínimo canhestra."
Trilhos arrancados, sentido Banhado. Na sargeta da rua, ainda há um pedaço que não foi arrancado do asfalto, aparecendoFoi exatamente isto que aconteceu em São José: arrancaram-se os trilhos e absolutamente nada aconteceu. Os trilhos não atrapalhavam em nada e até agora nenhum ganho houve para a cidade: apenas os enormes custos de arrancamento de trilhos. Só que, neste caso, o MPF de São José não se manifestou.
domingo, 15 de janeiro de 2012
AS FERROVIAS E AS CHUVAS
Ponte ferroviária em Ribeirão Vermelho, MG, 2012A chuva já acabou com muitas ferrovias no Brasil. Temporariamente ou definitivamente. As chuvas de 1974, por exemplo, acabaram com um ramal inteiro da E. F. Teresa Cristina, em Santa Catarina, que jamais foi refeito: ele era, na verdade, um trecho da linha-tronco original de 1884 e que ligava a cidade de Tubarão à cidade de Lauro Müller.
Em 1983, as chuvas que deixaram boa parte dos Estados do Paraná e de Santa Catarina debaixo d'água foram uma excelente desculpa para que a RFFSA acabasse de vez com os trens de passageiros da ex-Rede de Viação Paraná-Santa Catarina, que eram então já apenas lentos trens mistos. Sobraram apenas o Curitiba-Paranaguá, que virou turístico, e a litorina ligando Curupá a São Francisco do Sul, que se arrastou até 1991. Também sobrou o trem Curitiba-Rio Branco do Sul, que era então o único trem de subúrbios de que Curitiba dispunha na época, mas ele também se foi em 1991.
Há várias notícias de cheias, enchentes, inundações (chame pelo nome que quiser) causados por chuvas excessivas e que afetaram ferrovias. Há alguns anos, a linha Barra Mansa-Angra dos Reis, já operada então pela FCA, sofreu arraste de aterros e trilhos na baixada de Angra. Até hoje não circulam mais trens para Angra por causa disso. A FCA, com o trabalho usual que as concessionárias das ferrovias brasileiras têm dispensado às suas linhas, jamais se preocupou em recuperar a linha.
Desabamento em Sapucaia, RJ, 2012As linhas da Leopoldina, em Minas e no Rio, sofreram bastante com as chuvas por toda a sua história. E, é claro, mesmo depois da retirada dos trilhos em diversas cidades mineiras e fluminenses, a chuva causou estragos nas cidades da região antes coberta por ferrovias - e se estas estivessem ali, teriam ido de roldão mais uma vez. O ano passado foi a vez de Nova Friburgo, que não tem linhas desde 1967. Este ano foi em Além Paraíba, Cantagalo (ambas ainda com trilhos) e Cardoso Moreira (esta sem eles desde 1970 aproximadamente).
Campos dos Goitacazes teve a ponte rodoviária arrastada pelas águas do Paraíba do Sul em 2006. A ferroviária, construída em 1907, aguentou o tranco e se fez um trem de emergência para que as pessoas pudessem ir mais rapidamente de um lado para o outro do rio. O "metrô" de Campos, como foi chamado. Tão logo a ponte rodoviária foi refeita (obras rodoviárias sempre se fizeram rápido. Por que será? Lobby?), o "metrô" foi cancelado, mesmo com os protestos dos usuários.
Estação de Cataguases, MG, inundada no centro da cidade, 2012Este ano, Cardoso Moreira, cidade que surgiu em volta da estação antes chamada de Cachoeiro, não se apercebeu que estava em zona de inundação do rio Muriaé. Várias vezes sofreu com as chuvas. Este ano, mais ainda, a chuva foi mais forte. A ferrovia (ali, o ramal de Carangola da Leopoldina) havia sido retirada em 1970 - mas as inundações continuaram. Errou a E. F. de Carangola (mais tarde vendida para a Leopoldina) ao construí-la passando por ali? Com certeza, mas errou mais ainda o povo que resolveu se fixar em volta da estação. Agora, surgem ideias de mudar a cidade dali para outro ponto, mas a população não quer. Há vezes que não se entende a espécie humana. Não age com lógica, mesmo sendo supostamente inteligente. Prefere sofrer.
Central do Brasil e Rede Mineira de Viação, nos mesmos Estados acima, também já cansaram de ter problemas com inundações em suas linhas. Vide Ribeirão Vermelho, região de Lavras, que pela enésima vez agora ficou debaixo d'água.
Igreja de Cardoso Moreira, RJ, inundada, 2012Lá no Nordeste, em 2009, Alagoas e o sul de Pernambuco tiveram a linha da antiga Great Western arrancadas em muitos trechos pela fúria das águas. Esses trilhos não estavam tendo serventia, por total desinteresse e desleixo da concessionária CFN. Pouco tempo antes, ela recebeu a ordem de cumprir um dos termos da concessão, que era manter a linha mesmo sem ser usada. Ela então cortou o mato e recolocou dormentes e trilhos - foram estes que a chuva levou. Acham que depois disso isso foi refeito? Não mesmo. Ficou por isso mesmo.
Falei em seis Estados, mas as tragédias já ocorreram em São Paulo, Rio Grande do Sul e outro Estados também, no passado. Enquanto escrevia este texto, não me lembrei de nenhum acidente desses por aqui, mas sei que existiram. Basta ver o que sofre a CPTM dentro da área metropolitana da cidade de São Paulo em época de enchentes.
Ao contrário de outros países, parece que no Brasil a história se repete sempre. As pessoas são teimosas, para não dizer burras. Todas? Não, certamente. Porém, a quantidade de desastres causados por chuvas não se reduz com o tempo, pois, mesmo sabendo dos riscos, em alguns casos iminentes, nada se faz, nem pelos dirigentes políticos, nem pela prórpia população, que parece que nasceu para (só) reclamar, em vez de trabalhar para resolver seus problemas e melhorar suas vidas.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
VELHAS PONTES SOBRE O TIETÊ
Foto da ponte de madeira sobre o rio Tietê. Do outro lado, o bairro dos Remédios. Citada como sendo em 1968. Acervo Eliana Belo Silva
Para quem como nós, moradores de São Paulo há tantos anos, que estamos acostumados a ver tantas pontes de concreto altas sobre o rio Tietê hoje em dia, pontes que são mais viadutos do que outra coisa, visto saírem de bem antes das margens do rio sobre as avenidas Marginais...
Pois então, poucos de nós chegamos a ver ou nos lembramos das pontes antigas de madeira ou mesmo de concreto saindo das margens do rio e não "lá de trás".
Hoje numa lista de discussão discutíamos sobre algumas delas, pelo fato de ter aparecido a fotografia de uma datada de 1968.
Aliás, essa data parece não ser correta, possivelmente é de alguns poucos anos antes, justamente por estar ela sobre o rio Tietê entre a atual barragem do Retiro (na fos do Pinheiros no Tietê) e o obelisco da rodovia Castelo Branco. Ela foi certamente destruída na época da construção da então rodovia do Oeste, que foi inaugurada justamente em 1968.
Além dessa ponte, comentou-se de velhas pontes de madeira e de concreto que cruzavam o rio, como uma na Vila Guilherme. Houve quem se lembrasse de mais duas em Osasco (uma na vila Castanhal). Mas existiam outras em São Paulo, que foram desaparecendo à medida que se retificava o rio (anos 1930 a 1970). E de mais uma no Itaim Paulista, que desapareceu e não foi mais reconstruída depois de uma enchente no final de 1976. Esta deve ter sido uma das últimas.
Note-se que essa ponte e mais outras tinham boias para sustentação sobre a água, em vez de pilares.
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terça-feira, 1 de março de 2011
KASSAB: GOVERNE, PÔ!!!
Chove copiosamente na Praça do Patriarca às 11 e meia da manhã de segunda-feira, 28 de fevereiro. O que parece neblina na foto é um chuvão.O prefeito Gilberto Kassab está muito preocupado em fazer política, decidir se sai do DEM, se monta um novo partido, se fica no DEM, se vai para algum partido que já existe e outras decisões que somente interessam a ele. Enquanto isso, a cidade de São Paulo fica à deriva.
O lixo nas ruas e córregos existe hoje numa quantidade que nunca existiu no passado recente. As inundações são frequentes. É certo que ele não é o único responsável por elas. Todo esse problema já vem de um passado distante. Mas é certo também que ele não faz nem o mínimo do que podia fazer. O que, afinal, ele pode fazer? Por exemplo, dar manutenção às bombas nos túneis do Anhangabaú, que sempre inunda com qualquer chuva. Dar manutenção nos piscinões, que, sim, são insuficientes, mas que precisam de manutenção constante.
Precisa limpar ruas e limpar bueiros. Que diabo, faça as empresas de limpeza contratadas trabalharem direito! Dar vassouras para garis que limpam as ruas não adianta: a quantidade deles e o tempo que se dedica a esta limpeza é claramente insuficiente. Hoje eles limpam, amanhã está sujo e assim fica até eles voltarem. A única solução é obrigar os proprietários de terrenos, casas e edifícios a se responsabilizar pela limpeza de suas próprias calçadas e bocas de lobo sob pena de pesadas multas se tal não for feito. Mas o Sr. Kassab está preocupado com outras coisas hoje.
É realmente uma piada ler o que o jornal O Estado de S. Paulo escreve hoje como manchete na primeira página do caderno Metrópole: algo como (não estou com o jornal aqui no momento): "O problema das enchentes somente será resolvida daqui a 40 anos em São Paulo". Na verdade, o jornal apenas reproduz o que alguém do governo lhe falou.
Ora: já vimos essa notíci no passado. Muda a quantidade de anos, apenas. Não é difícil que, trinta anos atrás, algum prefeito ou secretário tenha dito a mesma coisa, falando que somente em 2010 o problema estaria resolvido. Assim como Maluf disse que os piscinões resolveriam o problema. Claro - desde que fossem construídos em tamanho suficiente e a eles fosse dada manutenção contínua.
E enquanto isso, continua a construção indiscriminada de prédios altíssimos, concretagem de terrenos acima do esperado, falta de infraestrutura, e por aí vai. Não temos prefeito. Temos penas um sujeito no cargo que fica olhando e contornando os problemas, dando entrevistas e falando nada que seja aproveitável. Uma pena. E não, não espere o problema das enchentes resolvido daqui a 40 anos. Aliás, quem de nós pode imaginar o que será esta cidade daqui a 40 anos? Alguém arrisca um palpite?
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
ÁREAS DE RISCO
Wilton Junior/AE - 15/1/2011As frases abaixo foram transcritas de duas edições do jornal O Estado de S. Paulo, dos dias 9/1/2011 e 18/2/2011, portanto nos últimos dez dias.
"A Justiça determinou que a Prefeitura não faça a remoção dos moradores da favela do Tanque, uma área de risco na zona leste". "Em 2008, a Defensoria Pública conseguiu liminar que impediu a Prefeitura de remover sete famílias que moravam próximas ao córrego Taboão em Itaquera". "A construção de um piscinão que poderia ajudar a evitar enchentes no bairro esbarrou em ação movida por moradores da rua Abegoaria. Vinte famílias temiam a desvalorização dos imóveis e barraram a obra". "Após 20 anos, ação (para remover moradias irregulares de uma área de risco em Teresópolis) para tirar casas fica sem conclusão".
Quero esclarecer que os artigos não foram transcritos na íntegra, mas todos os casos acima tratam de áreas de risco, tanto de desabamento quanto de enchentes. No caso de Teresópolis, eram 30 casas; hoje, já há mais de 300 no local e a decisão não saiu ainda. Aliás, o que é "área de risco" exatamente? Em teoria, toda área é de risco... cidades já foram destruídas por terremotos, tsunamis, enchentes, incêndios, desabamentos, avalanches, erupções de vulcões. Até um meteoro poderia cair sobre uma cidade e destruí-las. A questão é saber quanto risco existe, certo?
Em casos de encostas e vales, os riscos são grandes: porém, parece que a Justiça brasileira age de forma a desconhecer o perigo e basta ler os textos acima para perceber isto. Quando se culpa "o governo" pelos mortos dos desabamentos em Teresópolis, não se culpa também o Judiciário? O fato, porém, é que quando os administradores das cidades querem de fato tomar providências para eliminar habitações em áreas de riscos, não conseguem fazer isto por diversos motivos, sendo um deles, a justiça brasileira. Outros motivos? Bem, o fato de se eliminar favelas e logo em seguida aparecerem novas no mesmo local é um deles. Haja fiscalização.
Assim como existem de fato cidades que tentam impedir pelo menos a expansão de loteamentos clandestinos, há outras que usam o povoamento "por baixo do pano" para angariar novos votos. Estas últimas não são poucas. Por fim, a maioria delas não age no sentido de impedir o povoamento irregular, tanto por pobres quanto por ricos.
É lógico que as tragédias vão continuar, infelizmente. E já deu para ver que não são somente os políticos que nos administram os culpados.
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
AS ÁGUAS ROLARAM
Nova Friburgo (Jadson Marques/AE)Mais uma vez as águas rolaram no verão. E vão continuar a rolar cada vez mais, por causa da imprudência das pessoas que insistem em viver nas encostas, dos governos que se omitem, do excesso de chuvas combinado com a impermeabilização dos solos, do excesso populacional (ou da concentração populacional) e de múltiplos outros fatores.
As tragédias estão em todos os jornais. Desta vez foi Nova Friburgo, Teresópolis, Franco da Rocha, Jaguariúna, São Paulo. O ano passado foram outros locais e no ano que vem serão ainda outros.
Como no ano passado, o fato será esquecido em breve. A verdade é que não se pode culpar somente os governos por tudo isto. O fato é que os próprios municípios deveriam se unir e incentivar a criação de organismos sérios por parte dos próprios munícipes. Como é claro que as enchentes não são necessariamente originadas no próprio município e sim em outros, esse organismo deveria ser composto de pessoas sérias das diversas cidades de uma mesma bacia hidrográfica (por exemplo) e que realmente conhecessem o assunto, de forma a poder pelo menos prever um problema como esse de forma a avisar a população com uma antecedencia viável. E trabalhar constantemente com objetivos sérios.
Está na hora de parar de depender do poder público. Na verdade, este organismo poderia ser a própria Defesa Civil de que tanto se fala, só que trabalhando de forma diferente do que atua hoje. Eu realmente não sei como ela atua, mas está mais do que claro que ela, como está, não está resolvendo.
Enquanto isso, os governos deveriam retirar mais do que imediatamente a população dos lugares de risco, que não são poucos. É claro que, infelizmente, a tarefa é dificílima, mas há de se ter vontade política.
A floresta nativa recuperar-se-á rapidamente nos locais que hoje são manchas de barro causadas pelos arrastes, mas se não se tomar cuidado essas manchas tornar-se-ão comunidades em vez de seram abandonadas para a construção, baseado no célebre lema "um raio não cai duas vezes no mesmo lugar".
Esperemos que o nosso Brasil ponha a cabeça no lugar.
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domingo, 18 de julho de 2010
A HISTÓRIA DE SEMPRE
Fotografia - Agência Estado - 23/6/2010No dia 19 de junho passado e durante alguns dias seguintes, diversas cidades do norte do Estado de Alagoas e do sul de Pernambuco foram devastadas por enchentes de diversos rios da região: os rios Paraíba, Mundaú, Canhoto, Jacuípe e Camaragibe arrastaram casas, pontes, pessoas e animais.
Somente em Alagoas, a catástrofe destruiu boa parte de algumas das 28 cidades e causarem a morte e o desaparecimento de pelo menos 56 pessoas, deixando ao lado disso mais de 27 mil pessoas desabrigadas e mais de 44 mil desalojadas. Pelos números, dá para se ter uma idéia da devastação.
Um mês depois, duas delas ainda estão sem água encanada e mais onze estão com o sistema deficiente. Oito estão sem energia elétrica na zona rural - lembrando que são cidades pequenas com uma média de habitantes na zona rural bem maiores do que a média nacional.
Segundo o que se lê nas notícias, a maior preocupação das autoridades em saúde pública é com a proliferação de doenças como a leptospirose e com a dengue, já que o Estado vive a maior epidemia da história. A primeira é uma doença que tipicamente surge após as enchentes - até aqui, nenhuma surpresa. Mas a segunda já estava lá antes - e com águas paradas, empoçadas, tende a piorar. Se já ia mal e não era combatida corretamente, imagine agora, com os acontecimentos fora de controle.
Os desabrigados e desalojados até hoje não estão abrigados como deviam - ou, pelo menos, como foi a eles prometido. Como sempre, a ajuda do governo vem tarde, atrasadíssima. Infelizmente, aqui, também nenhuma surpresa.
Porém, ninguém fala no seguinte: qual foi a causa das enchentes? Alguns falaram em rompimento de barragens. Outros, em represamento de água por algumas pontes baixas e estreitas. Outros, em excesso de chuvas. Ora, se isso for uma tendência, não seria o caso de não se recontruírem essas cidades , ou, pelo menos, seus bairros ribeirinhos no mesmo local? Alguém analisou isso?
É certo que muitas dessas cidades existem há mais de cem anos à margem dos rios, mas, se algo mudou, por que não pensar nisso?
É isso que não vejo nas notícias e que deveria ser uma preocupação. E que ajudem essa gente, por favor, sem pensar em demagogia ou em burocracia para liberar verbas.
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
UTOPIA NECESSARIA – OU SOCOOOOORRRRROOOO!!!!!
Prédios, prédios e mais prédios.Bom, todos os paulistanos souberam e/ou viram ou, pior ainda, e/ou sentiram o que aconteceu na cidade ontem. “Paulistanos”. No caso, pode se estender aos habitantes das 39 cidades em volta do município que formam a área metropolitana de São Paulo ou mesmo se estende ainda mais.
A cidade ficou debaixo d’água, com já ficou várias vezes. Desta vez atingiu mais a zone oeste e sul do que a zona leste, que vinha sido escolhida pela Natureza nas últimas enchentes. Os prejuízos particulares e públicos, além dos empresariais (CEASA) foram imensos. Estes (os valores do prejuízo) podem até ter sido exagerados, mas o fato é que são difíceis de se calcular, e, mais ainda, existem os prejuízos indiretos, que envolvem a dificuldade de se chegar ou sair do trabalho, paralisação de transportes etc.
Fora isto, morreram pelo menos oito pessoas, pelo que se lê nos jornais. Aqui, o valor é incalculável.
Está mais do que claro que cidades com o tamanho de São Paulo não podem mais existir da forma que está. Ainda mais como aqui, sendo uma cidade que teve um crescimento totalmente desordenado sem nenhum planejamento. Quando se começou a fazê-los (vide zoneamento, no início dos anos 1970), não foram seguidos à risca e, em alguns casos, desviaram-se totalmente dos objetivos, sempre para o lado do interesse financeiro e prejudicial ao ambiente.
As enchentes em São Paulo sempre existiram. Só que, até o início do século 20, alagavam áreas onde pouca gente vivia. Com o crescimento da cidade, as áreas alagadiças foram sendo locais de construções, legais ou ilegais. E as prefeituras jamais se importaram com isso.
É preciso urgentemente se proibir novas construções em São Paulo. Passar a permitir somente reformas dos prédios, grandes ou pequenos, transformar galpões velhos em habitáveis ou comerciais — enfim, não aumentar mais a área construída. Da mesma forma, transformar todas as áreas cimentadas em áreas gramadas ou mesmo com terra aparente.
Loucura? Sonho? Utopia? Talvez, mas fisicamente impossível. Ou as catástrofes seguirão aumentando em número e em tamanho, pessoas continuarão morrendo, prejuízos tornar-se-ão cada vez mais altos em valor.
Que se combatam os interesses em contrário. Que as empresas construtoras que hoje constroem prédios e mais prédios, aumentando a concentração de gente e dificultando a infraestrutura, passem a ser empresas que reformam o que está abandonado — sem aumentar a área construída. E, claro, arrumem o que precisa ser arrumado na cidade, como as bombas dos piscinões e túneis, que precisam de manutenção mensal, não sei se vocês sabem. “Ah, mas esse Ralph é um louco! Internem-no num hospício.” Sim, façam isso. Mas, por favor, procurem um hospício que não alague.
E continuem esperando pelas próximas catástrofes. Elas virão cada vez mais vezes e em intervalos mais curtos. E o prefeito continuará dizendo que a culpa é das administrações anteriores e que ele está fazendo obras para impedir que isto não mais ocorra. E vocês continuarão acreditando em Papai Noel.
A cidade ficou debaixo d’água, com já ficou várias vezes. Desta vez atingiu mais a zone oeste e sul do que a zona leste, que vinha sido escolhida pela Natureza nas últimas enchentes. Os prejuízos particulares e públicos, além dos empresariais (CEASA) foram imensos. Estes (os valores do prejuízo) podem até ter sido exagerados, mas o fato é que são difíceis de se calcular, e, mais ainda, existem os prejuízos indiretos, que envolvem a dificuldade de se chegar ou sair do trabalho, paralisação de transportes etc.
Fora isto, morreram pelo menos oito pessoas, pelo que se lê nos jornais. Aqui, o valor é incalculável.
Está mais do que claro que cidades com o tamanho de São Paulo não podem mais existir da forma que está. Ainda mais como aqui, sendo uma cidade que teve um crescimento totalmente desordenado sem nenhum planejamento. Quando se começou a fazê-los (vide zoneamento, no início dos anos 1970), não foram seguidos à risca e, em alguns casos, desviaram-se totalmente dos objetivos, sempre para o lado do interesse financeiro e prejudicial ao ambiente.
As enchentes em São Paulo sempre existiram. Só que, até o início do século 20, alagavam áreas onde pouca gente vivia. Com o crescimento da cidade, as áreas alagadiças foram sendo locais de construções, legais ou ilegais. E as prefeituras jamais se importaram com isso.
É preciso urgentemente se proibir novas construções em São Paulo. Passar a permitir somente reformas dos prédios, grandes ou pequenos, transformar galpões velhos em habitáveis ou comerciais — enfim, não aumentar mais a área construída. Da mesma forma, transformar todas as áreas cimentadas em áreas gramadas ou mesmo com terra aparente.
Loucura? Sonho? Utopia? Talvez, mas fisicamente impossível. Ou as catástrofes seguirão aumentando em número e em tamanho, pessoas continuarão morrendo, prejuízos tornar-se-ão cada vez mais altos em valor.
Que se combatam os interesses em contrário. Que as empresas construtoras que hoje constroem prédios e mais prédios, aumentando a concentração de gente e dificultando a infraestrutura, passem a ser empresas que reformam o que está abandonado — sem aumentar a área construída. E, claro, arrumem o que precisa ser arrumado na cidade, como as bombas dos piscinões e túneis, que precisam de manutenção mensal, não sei se vocês sabem. “Ah, mas esse Ralph é um louco! Internem-no num hospício.” Sim, façam isso. Mas, por favor, procurem um hospício que não alague.
E continuem esperando pelas próximas catástrofes. Elas virão cada vez mais vezes e em intervalos mais curtos. E o prefeito continuará dizendo que a culpa é das administrações anteriores e que ele está fazendo obras para impedir que isto não mais ocorra. E vocês continuarão acreditando em Papai Noel.
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