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sábado, 7 de janeiro de 2012

UMA SÃO PAULO DESERTA

Rua Teodoro Sampaio em 1915, próxima ao largo de Pinheiros. Lá no fundo, os pinheiros de Pinheiros e a rua dos Pinheiros saindo para a direita. Hoje, a estação do metrô Faria Lima está mais ou menos no local da construção à esquerda.

A "Grande Barreira de Prédios" que hoje (infelizmente) caracteriza o município de São Paulo nem sempre existiu.
Rua Teodoro Samppaio em 1928. Onde, meu Deus? Acredito que para o fundo esteja o bairro de Pinheiros. Os morros devem ser os que hoje são galgados logo no início pela antiga Estrada de Itapecerica, hoje Francisco Morato...

Fotografias garimpadas aqui e ali mostram locais hoje completamente diferentes numa época em que a maior parte da área do município era deserta. E até bonita.
Rua Catumbi, próxima aonde hoje é a avenida Marginal, em 1921

As lentes de fotógrafos anônimos foram capturando locais em bairros afastados do Centro Histórico da cidade que hoje são praticamente irreconhecíveis.
Lá embaixo - o ano é 1927: a ponte da avenida Cidade Jardim - não a de hoje, mas a que existia então, reta e não em curva como é hoje. O bonde 51 passava por ela e chegava onde hoje está a entrada do túnel que sai da avenida Magnolias e chega à Juscelino Kubitschek... As casas estão no eixo da rua Iguatemi. Mais para trás, os Jardins. A vista foi tomada do alto do atual bairro da Cidade Jardim, próximo ao alto da atual Francisco Morato

Algumas cenas reproduzidas aqui são de uma beleza e de simplicidade quase que inacreditável.
Avenida Carlos de Campos, no Pari, em 1921

Vejam e admirem. Ou preferem a "Grande Barreira de Prédios" de hoje?
E aqui, Estrada (hoje avenida) de Santo Amaro, esquina com a rua Araguari, em 1928. Esta fotografia foi mostrada neste blog há três dias.

Se sim, que Deus esteja convosco...

terça-feira, 19 de julho de 2011

PINHEIROS NA HORA DO ALMOÇO

Andando na hora do almoço pelo centro do bairro de Pinheiros, em São Paulo - bairro praticamente tão antigo quanto o centro da cidade paulistana - no meio da sujeira podemos ver uma casa com seus ornamentos marrons na antiga fachada, já hoje escondida por um muro e prestes a ser demolida.

Mais adiante, na rua Teodoro Sampaio, uma casinha simpática do ano de 1923, hoje transformada numa lojinha.
O que dói é ver que em pleno centro do v elho bairro a deterioração, a pichação, a sujeira, as placas amassadas e os postes empapelados com bobagens tornam tudo muito pior do que poderia ser. E o trânsito intenso de veículos por ruas estreitas somados à fiação tornam as fotografias bem mais difíceis.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CHICLETES, LIXO, ODORES E SAÚDE

A fotografia foi tirada por mim há sete meses atrás, mas esta calçada no antigo largo da Batata é hoje uma das mais sujas de São Paulo.
Hoje, pouco depois do almoço, saí do escritório e fui a pé até a rua do Sumidouro, em Pinheiros. Tudo conforme esperado: um monte de gente nas calçadas, muito trânsito nas ruas, calçadas semi-destruídas e com muito lixo.

Mas, muito lixo, mesmo. Entre a Eusébio Matoso e a rua de Pinheiros, andando pela Faria Lima, as calçadas estão com buracos de todos os tipos e tamanhos, fora as manchas pretas. Estas manchas são os chicletes que as pessoas cospem no chão e que, com tantas pisadas, se juntam com a poeira preta e vão se assentando no piso, tornando-se manchas negras. São feias e dão uma impressão de sujeira muito grande, mas ruim mesmo é para os primeiros que pisam nelas, que levam metade do material gosmento com eles e vão espalhando-o durante os passos seguintes (e não há o que fazer).

Atravessando a rua dos Pinheiros e logo depois a Teodoro Sampaio, onde hoje está a entrada da estação Faria Lima do metrô, cruza-se logo em seguida a Cardeal Arcoverde. A partir daí, a calçada vira um lixão. Depois que elas foram destruídas e não reconstruídas pelas obras do metrô, ainda por cima recebem todo tipo de lixo: bitucas de cigarro, papel, plásticos, restos de comida... que vem não somente dos pedestres que passam por lá, mas também dos bares que existem no trecho, que é o remanescente do antigo largo da Batata.

Estes bares simplesmente varrem a sujeira do chão e jogam sobre a calçada, ou espalhando tudo ou fazendo um montinho. Num dia muito quente como foi hoje, o cheiro torna-se insuportável. Ainda por cima, entra de volta nos bares, lojas e cabeleireiros que permanecem, claro, de portas escancaradas. O cheiro é nauseante, pude senti-lo hoje.

A prefeitura não limpa coisa alguma, pelo visto. Se limpa, fá-lo mal feito com um antiquado sistema de vassourinhas e funcionários totalmente desmotivados. O negócio, enfim, é: ou se cria uma lei que obriga os estabelecimentos, prédios e casas a limparem as calçadas (e fiscalizando, claro) ou se compram aquelas máquinas que aspiram a sujeira num instante.

Porém, o fato é que se o próprio povo pouco se importa com o lixo que está espalhado e causando mau cheiro e ainda por cima ainda contribui jogando-o nas ruas, então por que a Prefeitura deveria se importar em limpá-lo?

No fim, é exatamente o que acontece. Alguns poucos Ralph vão seguir reclamando da vida e os outros continuam vivendo como na idade média. Haja saúde.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

RUA IGUATEMI

A rua Iguatemi, saindo da rua de Pinheiros no sentido sul, em mapa de 1930 (Sara Brasil). Era estreita. A rua Boaventura Rosa é a atual Rebouças. Note que a Eusébio Matoso e a continuação da Rebouças não existiam.

A rua Iguatemi, em São Paulo, teria sido aberta em meados do século XIX. Essa data me vem à cabeça agora e preciso depois conferí-la, ms o fato é que, nos mapas antigos, ela começava na rua de Pinheiros e terminava na rua Joaquim Floriano, no atual Itaim. Na verdade, a numeração dela segue o sentido inverso, mas eu diria que ela teria sido traçada a partir de Pinheiros.

Por que afirmo isto? Porque o bairro de Pinheiros é um bairro muito antigo, que existe desde o século XVI e que, portanto, deveria irradiar suas ruas mais do que um local como o Itaim-Bibi, que nem existia no início do século XX. No entanto, também poderia ter surgido do lado contrário, no sentido de ligar a casa de Leopoldo Couto Magalhães Jr. o Bibi, hoje em ruínas, com a vila de Pinheiros. Será?

Por Pinheiros passava a Estrada da Boiada, que no século XX teve diversos de seus trechos desmembrados e renomeados. Diz a história que a Estrada da Boiada se iniciava na estação da Lapa, onde desembarcavam os vagões de gado que seguiam para o Matadouro Municipal, que, a partir de 1887, ficava na Vila Mariana - o prédio hoje abriga a Cinemateca. Porém, a estação da Lapa data de 1898! Faria sentido isto? Essa estrada somente seria traçada nessa época? Não, provavelmente uma ligação da estação para uma estrada que já existia foi construída quando uma estação ferroviária passou a "despejar" gado na Lapa.

Rua Iguatemi, em 1933. É a rua que cruza a imagem da esquerda para a direita, no alto da foto. Marcado em vermelho, o terreno que abrigaria o Museu da Casa Brasileira. Em primeiro plano, o espaço entre a rua Iguatemi e o rio Pinheiros. À esquerda, o Clube Germânia, hoje Pinheiros. (Acervo Clube Pinheiros).

Essa estrada seguia da Lapa - esse trecho é, desde 1958, chamado de avenida Diógenes Ribeiro de Lima (mais um atentado à memória paulistana) - para Pinheiros. Seu trecho entre o córrego das Corujas e a praça Omaguás (o atual início da avenida Brigadeiro Faria Lima) tomou o nome de rua dos Macunis no final dos anos 1920, quando um pequeno loteamento residencial foi ali instalado. Da praça até o largo de Pinheiros, a estrada tinha o nome de rua Fernão Dias e, dali para a frente, seguia pela rua de Pinheiros até a rua Joaquim Antunes de hoje. Dali seguia pelo que hoje é a rua Groenlãndia (que recebeu este nome quando foi estabelecida como limite do Jardim América, instalado pela Cia. City na primeira metade dos anos 1910) e depois, possivelmente cruzando os campos do Virapoeira (Parque do Ibirapuera), chegava até o Matadouro.

A boiada fazia todo esse caminho para vir da Lapa até esse ponto e, dizem alguns, entrava pela rua Iguatemi também, seguindo depois por um caminho indeterminado mas que de alguma forma chegava também até o Matadouro da Vila Mariana. Muitos localizam uma estrada da Boiada também na Iguatemi.

Rua Iguatemi, no início dos anos 1990. Ao fundo, no alto, a avenida Faria Lima. Este trecho da rua Iguatemi é o que sobra até hoje (Foto O Estado de S. Paulo).

Esta rua possivelmente ganhou o nome devido à região do rio do mesmo nome, afluente mato-grossense do rio Paraná, palco de invasões paraguaias na época da guerra do Paraguai nos anos 1860. Vale lembrar que existe até hoje uma Estrada do Iguatemi nas bandas do bairro de Sapopemba, zona leste da Capital. Inclusive, parte dela trocou o nome já há muitos anos para Avenida Ragueb Chohfi.

Avenida Brigadeiro Faria Lima, antiga Iguatemi, estreita até 1970. A foto foi tomada hoje por mim, sentido Itaim. Para referência, a rua que sai à esquerda, no alto da foto, é a rua Sampaio Vidal, ex-Doutor Rosa (no mapa da Sara Brasil)

Da rua Iguatemi original do título hoje somente sobra um pedaço, que vai da rua Joaquim Floriano até pouco depois da rua Pedroso de Alvarenga. Nesse trecho, ela ainda possui a largura e numeração originais. Depois disso, no final dos ans 1960, ela foi alargada até a Teodoro Sampaio e recebeu, logo depois de pronta, o nome do prefeito Faria Lima, que havia acabado de falecer. Nos anos 1990, ela foi prolongada, de um lado, até a rua Pedroso de Morais, na esquina com a Praça Omaguás; de outro, da rua Amaury até a rua Nova Cidade, na Vila Olímpia.

Foi então que a numeração da avenida, que ainda mantinha a da rua Iguatemi original, foi totalmente modificada: passou a ter o número zero em Pinheiros, o que fez com que o lado par virasse lado ímpar e vice-versa. Já o nome do Shopping Center Iguatemi, o primeiro de São Paulo, inaugurado em 1966 e que foi batizado por causa da rua, tornou-se um nome muito famoso no país, existindo hoje diversos shoppings com o mesmo nome em outras cidades brasileiras.

Da rua Iguatemi original, no entanto, sobrou muito pouco.

domingo, 10 de outubro de 2010

O FIM DE UMA RUA PAULISTANA

Uma das casinhas que ainda sobra na rua Cardeal Arcoverde, na altura da rua Alves Guimarães

A rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, era uma rua relativamente calma até os anos 1960, pelo que me lembro dela. Afinal, eu morava a apenas três quarteirões do seu início na avenida Doutor Arnaldo. No final dessa década, o trânsito que descia a rua Teodoro Sampaio - então com duas mãos e bondes - foi transferido para a Cardeal. Esta passou a ter mão única no sentido Pinheiros e a Teodoro ficou com a mão inversa.

Como sempre acontece, o enorme afluxo de trânsito de automóveis e principalmente de ônibus começou a afugentar os seus moradores. As muitas casinhas que existiam na rua começaram a ser substituídas ou fortemente descaracterizadas para a instalação de estabelecimentos comerciais. Alguns prédios chegaram a ser construídos, mas o trânsito também não era muito receptivo para eles.

De qualquer forma, até cerca de um ano atrás, você poderia dirigir do início ao fim dessa rua com seu carro. Congestionamento constante, mas era possível. No final do ano passado (2009), a rua foi seccionada em sua parte baixa na região do centro do bairro de Pinheiros. Na rua Cunha Gago, a rua seguia com uma curva para a esquerda, cruzando depois a avenida Brigadeiro Faria Lima e depois a Teodoro Sampaio para atingir o seu final na avenida Eusébio Matoso. A partir do fechamento do quarteirão entre a Cunha Gago e a Faria Lima, seu trânsito foi desviado para a rua que seguia em frente quando ela virava para a esquerda e depois entrou pelo meio do bairro depois da Faria Lima.

Quando abriram novamente o trecho fechado, verificou-se que a rua foi seccionada. Quam entra pelo antigo trecho é obrigado a entrar em uma pequena rua à esquerda num terminal de ônibus que começa agora a funcionar. Ou seja, de carro, não é mais possível chegar à Faria Lima pela velha rua.

Pode-se pegá-la novamente a partir da Faria Lima até a Eusébio Matoso - mas esse é o trecho mais deteriorado de toda a artéria. Está bem, em termos de trânsito, isso são contingências. Porém, espero que no futuro o trecho seccionado não venha a ter seu nome tradicional alterado.

Além do mais, diversas das poucas casas que ainda sobrevivem na parte mais alta da rua, ainda no antigo bairro de Cerqueira César, começam a ser demolidas. Quatro delas o foram na semana passada;neste sábado, já estavam em ruínas com uma placa de uma construtora que diz que vai aumentar a sua qualidade de vida demolindo as velhas casinhas. Para mim, isso é um verdadeiro despropósito. Seja o que for construído ali, prédio ou estacionamento, isso apenas deteriorará mais ainda a velha rua.

Seu trecho mais alto, para quem não sabe, é registrado em um mapa pela primeira vez em 1897, seguindo até a altura de onde ela cruza um dos braços do rio Verde, na rua João Moura. O nome era apenas Arcoverde, em outros mapas, Joaquim Arcoverde, e, mais tarde, nos anos 1910-20, começa a aparecer Cardeal Arcoverde. Esperamos que, dado a religiosidade do nome, Deus não se esqueça desta rua.