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domingo, 12 de dezembro de 2010

ESTA CASA ESTÁ CAINDO

A casa condenada em foto de fevereiro de 2009 (Douglas Nascimento)

A casa supostamente mais antiga, ou uma das mais antigas, construída na rua Augusta e ainda de pé, está caindo. Na quinta-feira, dia 9, passei por ela a pé e ela ainda estava ali, abandonada, mas em seu estado "normal". Ontem, dois dias depois, foi vista cercada e com placa da demolidora. Ou seja: cairá, provavelmente nesta semana que começa. É uma casa que fica na esquina da rua Augusta (lado par) com a Dona Antonia de Queiroz (lado par).

Mais para cima, na rua Augusta, quatro casas antigas, mas já bastante alteradas aguardam também o seu dia (Ralph M. Giesbrecht, 9/12/2010)

Notem os senhores que, pela foto, pelo menos no seu exterior ela ainda parece estar no seu estado original. Sua queda é uma grande perda para o patrimônio da cidade. Não me digam que, como sai nos jornais, a construção de prédios é a "melhor forma de se revitalizar um local". A restauração dessa casa, seja para que uso fosse, também seria. A mera manutenção dela fechada, com a pintura externa da fachada, já seria bom.

No caso de demolição, a manutenção de sua fachada e a demolição do resto seria uma solução aceitável (a pior solução, antes da demolição, mas seria melhor que a sua derrubada). Mesmo porque o provável destino do terreno será um estacionamento (suposição minha). Entretanto, se for a construção de um galpão para alguma loja ou mesmo de um prédio, em que a fachada mantida atrapalharia?

Não adianta. Quando aprendermos, já será tarde demais.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A MEMÓRIA PAULISTANA

Bela fachada na esquina das ruas Guaicurus e Faustolo, na Vila Romana, situada à antiga estrada velha de Campinas (rua Guaicurus). Toda pichada, ainda é muito bonita e o imóvel segue sendo utilizado. Foto Ralph M. Giesbrecht em 3/7/2010

Algumas atualizações sobre o estado da memória paulistana hoje. Deu no jornal que uma chaminé industrial foi tombada na Mooca. Apenas uma chaminé para ser mantida no meio de um novo (e certamente desnecessário) condomínio de edifícios "de alto padrão" que será construído no local. Melhor que nada, dirão. Sim, essas chaminés geralmente são muito bonitas e imponentes, mas sozinha, cercada de prédios, representará o quê?

Por outro lado, na Lapa, um prédio que começou a ser construído de forma ilegal 15 anos atrás, tornando-se um esqueleto de concreto com cerca de dez andares de altura depois de "abortado", foi finalmente condenado à demolição. Bom para um bairro somente de casas e já tombado, teoricamente, desde seu loteamento, há 90 anos. É duro se fazer cumprir a lei neste País. Às vezes se consegue, mas com a geração de uma porção imensa de entulho.

Seria mais fácil se as pessoas se conscientizassem de algumas possibilidades de se manter construções antigas e representativas histórica e/ou arquitetonicamente, sem prejudicar os interesses econômico-financeiros: em construções com mais de 50 anos e que tenham sido feitas à beira da calçada (ou seja, sem recuos frontais), a demolição de suas fachadas seria proibida, fazendo com que se possibilite a demolição no restante do terreno, mas que fosse mantida a fachada como entrada.

Não é uma ideia nova nem original: alguns prédios recentes já se valeram deste artifício tanto na Capital como em cidades do interior. Falei já sobre isto na minha postagem do dia 28 de julho deste ano. Seria uma forma de se manter as poucas fachadas antigas que ainda restam na cidade sem atrapalhar ninguém.

Está mais do que na hora de pararmos para pensar. Se dá para equilibrar o fator dinheiro com o fator memória, por quê não?