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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

RUA SANTO ANTONIO EM TRÊS ÉPOCAS

Casa de chácara na rua Santo Antonio, 31 (numeração da época) em 1905, da família Ribeiro Branco. Ficava onde hoje está a Praça da Bandeira (Acervo Ubirajara Ribeiro)

Em pouco mais de cem anos, a cidade de São Paulo mudou muito. Claro, cresceu de cerca de 200 mil habitantes para mais de onze milhões. Isto fez com que inúmeras regiões - e também o centro da cidade - se desfigurassem, tanto em termos imobiliários quanto em mapa viário.
Mapa de 1905 do centro de São Paulo
Um exemplo disto está aqui - a região onde se iniciava a rua Santo Antonio, na Bela Vista. Nessa época (1905) ela se iniciava no largo da Memória - que era o nome do antigo Piques, ou largo do Piques. Originalmente, no entanto, a rua levava à Igreja de Santo Antonio, na rua Direita, entre as ruas Líbero Badaró e São Bento (a igreja existe até hoje, no mesmo local, que hoje está na praça do Patriarca, criada em 1922). A razão do nome da rua era a igreja. Notem agora que no mapa de 1905 (acima), ela passava pela rua da Abolição e seguia adiante. Esta esquina era a única pela qual a Santo Antonio passava antes de chegar à rua Major Quedinho e ao Velódromo, antigo campo de futebol e que durou até 1915.
Mapa de 1930 do centro de São Paulo (Sara Brasil)
No mapa de 1930, já se pode ver que houve mudanças. Embora o largo da Memória ainda existisse, o Parque do Anhangabaú já existia e "encostava" nele. O Velodromo já havia desaparecido e no seu lugar já existiam construções, a rua Florisbela (que não aparece no mapa, está mais à esquerda e que depois se chamou Nestor Pestana) e a rua Martins Fontes, ainda não completada. A rua João Adolfo também já existia e a avenida Anhangabaú era um esboço do início da futura Nove de Julho.
Mapa de 1997 do centro de São Paulo (O Guia Mapograf)
No mapa de 1997, mais mudanças: inúmeras casas já haviam sido demolidas para a construção, nos anos 1960, da atual Praça da Bandeira. Desapareceram com isso o largo da Memória e partes das casas das ruas Santo Amaro e Santo Antonio, além de inúmeras casas arrasadas para a cosntrução da praça e do viaduto que lá existe hoje. Na rua Santo Antonio há o encontro entre os viadutos Jacareí e Maria Paula, além do da rua Major Quedinho. A Nove de Julho e a 23 de Maio já existem há tempos - mais de 30 anos. A rua João Adolfo, que chegava na Santo Antonio, para hoje na Nove de Julho. O Parque do Anhangabaú virou avenida, depois foi concretada com túneis em baixo e sem os jardins que tinha.

Duas curiosidades: o viaduto Jacareí tem esse nome por causa de uma pequena rua que passava quase em baixo dele e que hoje ainda existe, diminuída em seu tamanho: basta comparar os mapas (em 1930 ela existe, mas ficou fora do mapa que pus aqui). Da mesma forma, já existia uma rua Maria Paula.
Interior da chácara da rua Santo Antonio dos Ribeiro Branco. As casas que se vêem fora estavam muito provavelmente na rua Santo Amaro nessa época (1905) (Acervo Ubirajara Ribeiro)
A outra: uma das casas que existia comprovadamente em 1905 na rua Santo Antonio era uma chácara onde morava a mesma família - Ribeiro Branco - que mais tarde se mudou para a Vila Mariana, na rua Madre Cabrini, e em 1927, para a rua Domingos de Morais, na belíssima Chácara Conceição, da qual já falei neste blog e que desapareceu em 1969 (a casa) e em 1991 (os maravilhosos jardins) para a construção de prédios.

No mapa de 1930, que mostra as construções, ela provavelmente não existia mais, pois a quantidade de casas que existem no local onde mais tarde foi construída a Praça da Bandeira era muito grande. O local possivelmente foi loteado. A comprovar.

(Nota: alterado em 30/8/2017 - o autor)

sábado, 5 de junho de 2010

NÃO DÁ PARA LER

Vila Itororó. Autor desconhecido.

Está mesmo na hora de se demitir todos os vereadores, deputados estaduais e federais, além dos senadores, e economizar para o Tesouro uma boa quantia de dinheiro. Afinal, eles não servem para nada. Além de — de acordo com a imprensa dos últimos 188 anos — constantemente aplicarem mal o dinheiro público, eles fazem leis que não são seguidas. Se não são seguidas, eles não servem para nada. Para que fazer leis que não são seguidas nem pelos políticos — ou principalmente por eles?

Basta abrir o jornal hoje. Na cidade de São Paulo, uma lei de 2003 determina que sejam abertas 31 centrais de triagens de lixo reciclável. Não estou aqui discutindo as vantagens ou desvantagens delas. Mas o fato é que elas não foram criadas, sete anos depois. Então, para que a lei? Também está escrito que o presidente Lula foi multado pela quinta vez por fazer propaganda política indevida. Ora, se ele já descumpriu a lei cinco vezes, o que faz pensar que ele não descumprirá mais? Principalmente porque a punição é a multa — que os políticos, sabe-se, jamais pagam. Enfim: para que serve essa lei? É melhor não gastarmos dinheiro pagando para pessoas fazê-las.

Ainda no jornal, a remoção das famílias que moram na Vila Itororó, na rua Martiniano de Carvalho, na Bela Vista. Tombada pelo Patromônio Histórico, construída nos anos 1920, era uma vila de casas tão comum (essa, na verdade, não era "comum", era diferente das outras, por suas características arquitetônicas únicas) então na cidade e habitada por diversas famílias. Está malcuidada, mas continua sendo habitada por moradores. Pô-los para fora por quê? (serão removidos para um prédio da COHAB ali perto.) O local vai ser transformado em centro cultural. Para quê? Se centro cultural desse cultura, o povo brasileiro seria o mais culto do mundo, pois tudo que é prédio velho, estação ferroviária, armazém, fábrica velha, vira centro cultural. E não somos cultos, não...

Enfim, se a função da vila é abrigar moradores, que os deixemos lá morando. Apenas coloquemos ordem na bagunça: sujeira e criminosos (se é que existem ali), não. E pronto, tudo resolvido, e que se abra para visitas de quem queira a vila. Afinal, vilas são públicas. Transformá-la em cinema e centro cultural, embora mantenha sua arquitetura, o que é ótimo, vai descaracterizá-la.

Seguindo adiante, pichadores foram surpreendidos emporcalhando um prédio na Consolação. A polícia foi chamada e um deles caiu no chão e foi levado ao hospital. Não morreu. Porém, o jeito que a imprensa publica essas coisas dá a nítida impressão de que os culpados são os policiais e quem os avisou, não esses idiotas que arriscam a vida para sujar e enfeiar a cidade. E o site da UOL de ontem condenava uma repórter de televisão que havia usado esse termo para se referir aos pichadores.

Enfim: é ótimo ler jornais pela manhã. Nós sempre nos surpreendemos com as coisas que cada vez parecem mais absurdas que lemos.