segunda-feira, 19 de abril de 2021

RUA CAIO PRADO, SP (1895-2021)

 

O posto da Shell está ali no mesmo local da antiga mansão

Quem passa de carro ou a pé pela esquina das ruas Caio Prado (a rua no canto inferior direito, na foto acima) e a rua da Consolação (a outra rua, do lado esquerdo da mesma foto), não pode imaginar que, há 26 anos, ali existia uma mansão, ocupando o mesmo terreno (ou, possivelmente, mais alguns).

Como era o exterior dessa mansão, não consegui descobrir, mas, pelo menos é possível saber o que ela tinha dentro, no ano de 1895, quando o seu dono, Sr. Oscar Horschitz, comerciante, decidiu mudar-se de mala e cuia para a Europa e fazer um grande leilão de suas peças e móveis, sem, entretanto, falar o que faria com a casa.

Bem, ela certamente foi demolida. Pelo menos, ela não existia mais já em fins da década de 1950, quando, salvo engano, eu comecei, junto com meu pai, a passar por ali todos os dias com seu Studebaker 1951 e, depois, com suas Kombis VW. 

O endereço? Rua Caio Prado, 1. Hoje, o número certamente é outro, pelo menos desde os anos 1930, quando a numeração da Capital passou a usar o "método americano" de numeração, ou seja, métrica. Na antiga, o número 1 se referia à primeira casa (ou terreno) do lado esquerdo da rua. Realmente, a Caio Prado começava - e ainda começa - ali. Qual será o número do posto hoje? Só indo lá e verificando, mas pode até ser um número da rua da Consolação.

Alguma construção ainda existia, no terreno onde hoje é o posto, em 1930, como se pode ver pelo mapa de 1930, logo abaixo (Mapa Sara Brasil), que mostra a mesma esquina da fotografia atual, no topo deste artigo. Acredito que não fosse um posto ainda. 

Agora, pode-se pelo menos imaginar como era a decoração interna do casarão, lendo a relação dos móveis e peças que seriam leiloados, e que podem ser vistos abaixo no anúncio publicado no jornal O Estado de S. Paulo, de 11 de novembro de 1895. Boa diversão.


(Postagem modificada em 27/4/2021 pelo autor)
 


terça-feira, 6 de abril de 2021

ALTERNATIVAS PARA UMA VIAGEM SÃO PAULO-RIO (1880)


ACIMA: A viagem por mar e ferrovia em 1880 (O Estado de S. Paulo, 23/01/1880).

As alternativas para viajar de São Paulo ao Rio de Janeiro durante o tempo dos cavalos e mesmo das carruagens não eram muitas. 

Deve ter começado com a tração animal: no lombo de burro, jumentos e cavalos. Afinal, São Paulo estava no alto da serra e o Rio, no litoral. Então, antes de descer a serra para Santos e dali ir para o Rio, era mais fácil sair pela serra mesmo e depois descê-la com tração animal lá nas bandas do Vale do Paraíba.

O tempo pode ter demorado para passar, mas, depois da Faculdade de Direito ser aqui implantada, a cidade começava a ter muita importância. 

Em 1877, a ferrovia foi finalmente implantada no trajeto. A Capital paulista foi finalmente ligada ao Rio por trilhos. Havia mudança de bitola em Cachoeira Paulista, mas havia trem.

Isso não significava que todos viajassem agora por trem. Alguns viajaram, por muitos anos ainda, por navio no trecho Rio-Santos e nesta cidade tomavam o trem da São Paulo Railway para São Paulo.

E isso durou muitos anos. Difícil de saber por quanto tempo, mas, dos anos 1870 a 1890 ainda este tipo de viagem era feita. Em 1908 ficou mais fácil: a bitola do ramal da Central do Brasil foi unificada, havendo a partir daí mais velocidade e menos tempo para ligar as duas cidades.

Os automóveis e ônibus, a partir dos anos 1920, passaram a viajar pela Estrada Velha Rio-São Paulo por muito mais vezes. Em 1952, a estrada foi modernizada, retificada e duplicada em quase todo o trecho: era a Via Dutra.

Nos anos 1960, a duplicação foi construída pela Serra do Mar a partir do Alto Vale do Paraíba. Hoje, são cinco horas em média entre uma cidade e outra, fora os congestionamentos de praxe nas áreas metropolitanas paulistana e fluminenses. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O FIM DO VELHO TREM DE SUBÚRBIO DE SALVADOR (2021)


Nota: todo o texto abaixo foi transcrito do Correio 24 horas de 15/2/2021. A fotografia acima é de autoria de Arisson Marinho, na mesma reportagem.

Após mais de 160 anos, Trem do Subúrbio encerra atividades; usuários se despedem

Correio 24 Horas – Depois de mais de 160 anos de serviço, o Trem do Subúrbio vai ser aposentado nessa segunda-feira (15), e os cerca de seis mil usuários dos trens de Salvador têm até este sábado, às 19h30, para se despedir deles. Pela última vez, os velhos trens vão correr os 13,5 km de trilhos que ligam Paripe e Calçada e fazem parada em dez estações em bairros do Subúrbio Ferroviário.

Fim de uma era para a chegada de outra. O governo do estado vai dar início à nova etapa das obras do Veículo Leve de Transporte (VLT). Entre os usuários, uns defendem a mudança e focam nos benefícios, e outros lamentam o aumento de preços e o apagamento de tanta história.

Jacira Silva, de 68 anos, desenvolveu uma relação especial com o trem. Professora de História, ela leva, todos os anos, seus alunos para conhecerem o modal, enquanto conta a história ferroviária de Salvador. Na sexta (12), foi dia de fazer a última viagem, desta vez sem os alunos, por conta da pandemia, apenas ao lado do filho.

Para a professora, o VLT poderia ser implantado sem a desativação dos trens. “Acabar com o trem é acabar com a história, deixar ela somente para os livros. Ver isso tudo ruir de repente dá um nó na garganta. Eu não acredito que o progresso signifique destruição da história”, diz ela, emocionada.

Para a despedida, o plano foi parar em cada estação e relembrar a história de cada uma delas. “Hoje eu vim fazer a minha última viagem. Quero perpetuar essa história na minha memória e poder continuar passando ela adiante, mantendo ela viva de alguma forma”, conclui Jacira.

Quem também vai sentir falta do serviço é a comerciante Rose Freitas, de 33 anos. Ela mora no Lobato e utiliza o trem todos os dias, para chegar na estação da Calçada, onde tem uma barraquinha de frutas. Ela diz que o novo custo da passagem vai pesar no bolso e teme que, com a desativação, as vendas entrem em queda.

“Agora vai aumentar muito o nosso gasto. Eu gastava um real por dia, vou gastar quase nove. Vai pesar muito, até por conta do comércio, que é forte por causa do ponto na porta da estação. Aqui é passagem mesmo de todo mundo. Vou tentar uma ou duas semanas aqui, para ver como fica. Todos os ambulantes aqui estão muito desanimados, preocupados”, diz Rose.

Segundo a Companhia de Transportes da Bahia (CTB), a passagem custa R$ 0,50 (inteira) e R$ 0,25 (meia), com viagens a cada 40 ou 45 minutos. Os trens operam das 6h às 20h, e a passagem é gratuita para maiores de 60 anos. Com a mudança, os passageiros terão que passar a desembolsar R$ 4,20 por viagem.

Uma pesquisa realizada em 2019 pelo Bákó Escritório Público de Engenharia e Arquitetura da Ufba, Ministério Público estadual e Tec&Mob, apontou que 42% dos usuários do trem ganhavam, à época da pesquisa, menos que um quarto do salário mínimo e estavam abaixo da linha da pobreza.

O perfil traçado apontou ainda que 90% dos usuários eram negros, 80% chegavam à estação do trem a pé e cerca de 70% afirmaram que deixarão de utilizar a linha ou reduzirão o uso após a mudança do modal.

Devido a esse cenário, o Ministério Público estadual, por meio da promotora de Justiça Hortênsia Pinho, ajuizou na quinta-feira (11) uma petição para solicitar que a Justiça impeça a paralisação do trem do subúrbio marcada para a próxima segunda-feira (15). Segundo a promotora de Justiça, a paralisação deve ocorrer de forma escalonada e deve ser divulgada para a população com prazo mínimo de 30 dias, possibilitando uma prévia adaptação dos usuários que não têm condições de arcar com a alteração de valor. “A divulgação ocorreu apenas dez dias antes da paralisação. Um total desrespeito com aqueles que dependem do modal para se locomover”, destacou Hortênsia Pinho.

Mas há também quem concorde com a desativação dos trens. Para a aposentada Marizete Araújo, de 65 anos, o VLT vai valorizar a região mais carente da cidade. “Vai ser ótimo para o Subúrbio, para a periferia. A gente precisa de melhorias, de modernidade. É um desrespeito com o ser humano isso aqui ainda estar funcionando, porque toda hora quebra, é um perigo. Já passou da hora de mudar isso aqui”, opina Marizete, que diz evitar pegar o trem, preferindo outros meios de transporte.

Mudança

Segundo informações da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), a implantação do VLT vai provocar a realocação de aproximadamente 360 famílias do local. Ainda de acordo com a Companhia, todas elas terão seus imóveis avaliados individualmente e receberão as indenizações justas. A escolha do novo lar será feita com assistência, e as famílias receberão desde apoio jurídico para a aquisição da nova casa, até suporte para a mudança.

 

A região do Subúrbio, após a conclusão das obras do VLT, ganhará um museu ferroviário e um centro comercial de serviços na região.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Sedur), com o VLT, serão 25 estações e 23 km de extensão. O investimento a ser aplicado é de R$ 2 bilhões e a previsão é de geração de 2.200 empregos.

O percurso terá duas linhas. A principal vai sair da Ilha de São João, em Simões Filho, passando por todo o Subúrbio, Estação Acesso Norte, Lapa, Aeroporto, Iguatemi e Pirajá. A outra linha, na altura da Via Expressa, passa pelo Comércio, com estação final no Instituto do Cacau.

Segundo a Sedur, a desativação dos trens e implantação do VLT é uma questão necessária. “O trem já pararia naturalmente, porque é um trem cinquentenário, que você não acha mais peça de reposição. Na gestão João Henrique, tentaram fazer uma modernização de três unidades, que não vingou. Temos hoje só dois funcionando e outros dois de reserva”, explica o secretário da pasta, Nelson Pelegrino.

Pelegrino também destaca as vantagens que a mudança trará para a população. Segundo ele, quem leva cerca de duas horas para chegar ao destino final vai passar a fazer viagens de 50 minutos, contando com ar-condicionado e Wi-fi. Além disso, o tempo de espera, hoje de cerca de uma hora, será de quatro minutos.

“Assim como o metrô foi uma revolução, que transportava 400 mil pessoas por dia antes da pandemia, isso acontecerá no subúrbio. É uma revolução. Vamos sair de um sistema precário para um sistema moderno”, completou o secretário.

O secretário Nelson Pelegrino informou ainda que ainda não há definição de qual destino será dado aos trens, mas que eles devem compor museus da capital e também de outros estados.

História

A linha, que hoje se resume às dez estações da cidade de Salvador, costumava cortar toda a Bahia, aproximando o território aos estados vizinhos numa malha que interligava o país. A via férrea foi inaugurada em 1860, conectando Salvador a Alagoinhas. Era a quinta ferrovia a ser construída no Brasil e a primeira na Bahia.

Com o passar dos anos, o número de estações foi reduzindo e a distância, com as reformas, também. Em 1972, a viagem ia até Simões Filho. O desenho atual é do início dos anos 1980. Em 2005, a gestão do trecho ferroviário entre as estações da Calçada e Paripe era de responsabilidade da Prefeitura de Salvador, porém em maio de 2013 o sistema foi transferido para o Estado, juntamente com as obras do metrô, passando a ser administrado pela Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB).

Operação especial

Com o fim da operação dos trens no Subúrbio de Salvador, a Secretaria de Mobilidade (Semob) montou uma operação assistida para atender a nova demanda de passageiros que devem passar a utilizar o transporte público através dos ônibus na região. A operação terá início na segunda-feira (15), mesmo dia em que os trens deixarão de circular.

Os agentes de trânsito e transporte estarão na região para observar a demanda de passageiros e realizar os ajustes necessários. Veículos da frota reguladora ficarão em pontos estratégicos, reforçando o atendimento, principalmente nos horários de pico.

Serão oito veículos das 5h30 às 9h, dos quais quatro ficarão em frente ao centro de abastecimento de Paripe e quatro no Largo do Luso. No pico da tarde, das 16h às 19h, oito veículos da frota reguladora ficarão à disposição no Terminal da França.

Integração

Os passageiros que utilizarem os ônibus poderão agora contar com a integração, opção que não era contemplada pela operação de trens. A integração poderá ser feita entre ônibus convencionais, Stec ou mesmo com o metrô, pagando apenas uma passagem pelo período de 2h, utilizando o Salvador Card. Após a conclusão das obras do VLT, a integração também irá contemplar o novo modal.

Equipes do Salvador Card estarão com promotores de vendas no ponto de ônibus do Centro de Abastecimento de Paripe, na Estação do Trem de Periperi e no Largo do Luso entregando o Bilhete Avulso, que pode ser utilizado por qualquer pessoa sem a necessidade de uma identificação. A entrega será gratuita apenas para o cartão, que custa normalmente R$5. Já as passagens devem ser adquiridas pelo usuário.

Fonte: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/apos-mais-de-160-anos-trem-do-suburbio-encerra-atividades-usuarios-se-despedem/


 


domingo, 17 de janeiro de 2021

VERGONHA NACIONAL

Foto: monitormercantil.com

O texto abaixo foi escrito por Paulo Skaf. Ele registra, por acaso, tudo que eu penso desta vergonha que está disseminada neste Estado e neste País. 

Como pode um governador, em plena pandemia, aumentar impostos desta forma?

Segue o texto:

GOVERNADOR JOÃO DORIA AUMENTA IMPOSTOS E DESCUMPRE A PALAVRA PUBLICAMENTE EMPENHADA

Os decretos sobre ICMS publicados nesta sexta-feira (15/01) pelo governo de São Paulo são uma decepção para todos os contribuintes do estado. Pressionado pela ameaça de protestos, o governador João Doria havia se comprometido publicamente a rever a alta generalizada de impostos. Chegou a dizer que não permitiria que a “população mais vulnerável” fosse penalizada com o aumento da carga tributária.

Infelizmente, o que o governador Doria fala, não se escreve.

Os três decretos publicados hoje são um tímido recuo diante da ruinosa tragédia fiscal que o governo Doria quer colocar em prática.

Foi anulado de imediato o aumento de impostos de forma integral apenas para quatro operações, dentre as DUZENTAS atingidas pela medida do governo Doria.

As operações de venda de insumos agrícolas, por exemplo, tiveram suspenso o aumento de alíquotas, mas apenas para vendas dentro do estado de São Paulo. Nas vendas das empresas paulistas para todas as outras 26 unidades da federação, a alta de impostos segue valendo — o que gera problemas óbvios de competitividade.

Para algumas operações como venda de carne bovina e eletrônicos, o aumento do tributo permanece, mas há uma previsão de redução do aumento para o dia 1º de abril, popularmente conhecido no Brasil como o dia da mentira. Piada pronta.

As medidas de hoje deixam claro que o governo quer manter o aumento para produtos como DERIVADOS DE LEITE, CARNE, INSUMOS HOSPITALARES (inclusive seringas) e INSUMOS DAS INDÚSTRIAS, entre tantos outros.

Numa época de agravamento da pandemia, forte crescimento dos infectados e mortos pela COVID, e que milhões de pessoas que perderam seus empregos enfrentam dificuldade na obtenção do sustento de sua família, se esse plano seguir em frente, viver em São Paulo ficará mais caro. Produzir em São Paulo ficará mais caro. Gerar empregos em São Paulo ficará mais caro. É dramático que o governo tente impor um plano desses em plena pandemia.

Até agora, a única manifestação pública do governo sobre o assunto limita-se a um infantil jogo de palavras, por meio do qual tenta gritar aos quatro ventos que "aumento de alíquota praticada" ou de "base de arrecadação" é diferente de "aumento de imposto”. Não é diferente. Qualquer um que pague impostos sabe disso, aqui ou em qualquer outra parte do mundo.

Aumentar qualquer imposto é inaceitável. Por isso, a Fiesp luta na Justiça para reverter os aumentos de tributos de todos os setores atingidos, pois ameaçam o consumo das famílias e os empregos de São Paulo. Iremos até o fim contra essa tirania praticada por aqueles que deveriam zelar pelo bem de nosso estado.

Paulo Skaf
Presidente da Fiesp e do Ciesp

 


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

OS ABSURDOS DE SE VIVER NO BRASIL

 


Já houve tempo em que eu me preocupava em escrever um artigo por dia neste blog, criado em 2009.

Nos últimos anos, cheguei a escrever um artigo por mês e olhe lá. 

Tenho tentado recuperar a vontade de escrever, mas não está fácil, por uma série de motivos que não vêm ao caso agora, mas, realmente não está fácil. Especialmente quando o assunto é sério demais. Isto mesmo. Afinal, quem vai mudar de ideia só por que um entre doze milhões de pessoas (exatamente, a população aproximada da cidade de São Paulo)  escreve aqui para dizer que o governo municipal resolveu aprovar outra lei para reajustar os salários em aproximadamente 45% de vereadores, secretários municipais, Prefeito e vice-prefeito de nosso município já estupidamente inchados de pessoas e de despesas, esta última valendo para a dos os contribuintes e para a dos agraciados com o reajuste de salários citado logo acima.

Pois foi isto que a Cãmara Municipal acabou de aprovar, com duas votações efetuadas em apenas dois dias.

Conversando com várias pessoas durante e depois desta votação espúria, todas se declararam estupefatas com tal decisão. Então, se os vereadores votaram em causa própria e ainda estenderam a benesse para o poder executivo sem ter nenhum escrúpulo, o que devemos fazer? Aceitar, pura e ximplesmente? Cercar o prédio da Câmara? Invadir a avenida Paulista com ou sem carros de som? Invadir a Câmara? 

Eu não sei. Se esta decisão de aumento abusiva já seria um acinte em épocas normais, imagine agora em época de pandemia, quando as pessoas estão com medo de sair de casa para não se contaminar com o já famosos e odiado virus COVID-19. Se não fossem tempos de COVID-19, certamente o assunto não seria menos nojento. Há pessoas passando fome nas ruas por falta de emprego e do auxílio emergencial.

Parece que o prefeito Covas não se importou com isto. Quando vetou a lei, anteontem, não fez qualquer comentário justificando o assalto. Nada. Vetar a lei seria o mínimo que ele deveria fazer. Aliás, os jornais e os portais de Internet, bem como a imprensa falada e as rádios, bem como os canais de televisão pouco fizeram para tentar convencer seus ouvintes, assistentes e leitores. Pouco achei sobre o assunto. Alguns minutos por dia, no máximo.

E mais: Se este fosse um assunto isolado, já seria, repito, nojento. Mas parece que somente alguns poucos mortais se importaram com isto.. 

Qual é o motivo para tanta necessidade de aumento? Afinal, o sujeito tenta se eleger, ou reeleger, sabendo que o salário é o que existe hoje. Então, não pode reclamar que ele seria um valor "baixo" para que o elemento sobreviva. Agora, não satisfeitos com o "baixo" salário, aumentaram-no. São ratos, mesmo. 

Enquanto isso, outros acontecimentos continuam a engrossar o célebre mar de lama.

O Congresso Federal tentou passar por cima da Constituição para reeleger seus comandantes (Rodrigo Maia, da Câmara, e Daniel Alcolumbre, do Senado). Na Constituição está claramente escrito que reeleições, só em determinados casos. Este caso não é um deles. Mesmo assim eles tentaram e STF confirmou que não pode. Agora os integrantes das duas casas estão tentando sair do imbroglio que eles mesmos criaram, pois não esperavam o veto do Supremo. 

Mas eu ainda pergunto: vai mudar alguma coisa? Não.

Afinal, o STF ainda está entupido de processos qinda não decididos, alguns de anos e anos atrás. Nem pensam em solucionar todos esses casos.

Alguns prefeitos e vereadores, na eleição de 12 de novembro, foram eleitos, mesmo com "fichas sujas". Muitos estão ao ponto de não conseguirem tomas posse em 1o de janeiro, tentando decisões judiciais que os impeçam de conseguir seus intentos. Alguém acha que eles serão impedidos de tomar posse? Mas, afinal, por que eleitores continuam votando em políticos impedidos de ser votados? Falta de vergonha na cara, suponho. Mas é por causa destes eleitores que todos nós perdemos a confiança neles e nos votados. 

A jogada agora é tentar afirmar que a perda do direito de ser eleito por ter praticado crimes deve ser de 8 anos e este prazo só deveria existir não após a condenação, mas sim após a condenação em todas as instâncias jurídicas. Conhecendo este país como conhecemos e quanto duram os julgamentos, é fácil compreender que a lei será inútil se tivermos de esperar que o suspeito seja inelegível aomente depois da condenação em última intância.

E os condenados e presos da Operação Lava-Jato? Quando serão julgados? Os processos estão todos parados (claro, deve haver exceções, mas com uma lentidão nos processos que faria inveja a Lucifer. 

E os presos que são liberados no Natal, no Dia dos Pais, no dia das Mães etc.etc.etc, alguns com indulto, ou seja, não precisam mais voltar, outros por apenas uma semana ou duas - como se explica isto? Boa parte dos que saem voltam a praticar crimeas nos dias seguintes. E nada acontece, Claro, há os que voltam nos dias marcados. São até uma maioria. Mas a minoria, alguns deles presos perigosos, não volta e fogem - além de praticar crimes. claro.

E aquele chefe de facção que demorou anos depois de fugir para ser recapturado: Quando o foi, foi libertado de novo por uma bobagem qualquer da lei. Logo que foi solto, fugiu. Quem sabe onde ele está?

Caros leitores, existem centenas, talvez milhares, de outros casos que ainda podem ser citados aqui. Mas minha memória não dá para tanto. Ficam estes mesmos para pensarmos em casa.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

SUGESTÕES ABSURDAS PARA UM PAÍS QUE NUNCA FOI SÉRIO

O Brasil já foi um reino. Já foi um império. Já foi uma república. Já foi parlamentarista. Já foi uma ditadura. Já foi uma ditadura militar. Já foi uma república socialista (neste caso, tentou ser mas não deu certo). Já teve golpes de estado. Já teve presidente militar e civil. Já teve presidentes depostos.

Há hoje uma opção: ser governado pela imprensa, ninguém tentou ainda esta opção ridícula, não é verdade? Elejamos então um dos canais de televisão como presidente. Este presidente variaria durante o dia, pois os âncoras de TV mudam, dependendo da ordem do dia. Sugiro a rede Globo. Mas como, dirão vocês, uma tv como governo? E logo a rede Globo, com os seus jornalistas mal-humorados e sonegadores de informação, fornecendo informações inúteis para o povo iletrado deste país? Direi eu: sim, a Globo. Afinal, ela se julga a dona da verdade.

Afinal, outros (presidentes) também se acharam, mas se ferraram, levando sempre o povo para o buraco junto com eles. ´

Não há outras opções? Sim, um jornal. Mas este sempre dará as notícias com atraso, sempre na manhã do dia seguinte, quando tudo já aconteceu e não é mais novidade. E – não é muito diferente de um canal de televisão.

Pronto: o Brasil estará salvo. Resta saber quanto tempo a dona da verdade vai aguentar. Mas, assim, pelo menos já eliminaremos mais um tipo de governo de nossas listas de possibilidade e talvez as emissoras venham a se tornar-se mais humildes e passem a não inventar mais notícias.

E viva o Brasil!

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

PROMESSAS E INTENÇÕES (1893-1908)




ACIMA: Reportagem de O Estado de S. Paulo, 7/9/1893

Em 1893, São Paulo já era um Estado rico, mas que ainda tinha terras desconhecidas em seu território. Entre Bauru e o rio Paraná a oeste e o Paranapanema ao sul, era uma imensa a área que continha apenas alguns pequenos vilarejos, como pode ser visto no mapa (de 1908, 15 anos mais tarde, mostrado mais abaixo.

Muitos dos nomes que nele aparecem podiam - e efetivamente tiveram - ter seus nomes, ou mesmo suas posições, alteradas nos anos seguintes. Eram vilarejos ou mesmo pequenos sítios que muitas vezes estavam nas mãos de posseiros.

Um deles era o já município de Campos Novos, mas havia outros, como Sãnta Cruz do Rio Pardo, ou mesmo Bauru, que em 1893 era praticamente nada, mas que em 1908 já possuía duas ferrovias, como a Sorocabana e a Noroeste.

Até Ourinho aparece como um lugarejo no Estado do Paraná, onde ficava um lugarejo que era ponto de passagem para quem tomava os trens da Sorocabana vindo de Tomazina, Paraná, município a quem pertencia esse Ourinho e que acabou pegando na estação, inaugurada em 1908, mas em São Paulo, com um "s" a mais.

Falar sobre todos os locais que aparecem no mapa de 1908 não é o ponto neste texto, porém. Talvez eu nem tenha dados agora para isto. 

O fato é que em vários dessas cidades, vilas e acampamentos existiam muitas ofertas de terras. Algumas reais, outras, duvidosas. Campos Novos não era uma delas. Embora esta cidade tenha sobrevivido até os dias de hoje, passou por maus bocados tentando obter uma linha de trens para poder embarcar ou desembarcar seus produtos. 

Em 1908 o terreno era mais bem conhecido e explorado que no tempo da notícia de O Estado de S. Paulo de 1893. E até, no mapa, apareciam linhas - todas em planos da Sorocabana - ali, as únicas linhas que estão mostradas como ferrovias já construídas e em funcionamento eram a chamada linha do Tibagy, que chegava próxima a Salto Grande e partia de Bauru e o ramal de Santa Cruz do Rio Pardo. Estão em vermelho cheio.

Campos Novos deveria ter, segundo promessas e intenções, sua própria linha, uma que partiria de Santa Cruz do Rio Pardo e outra que ligaria esse ramal, junto à cidade, até a linha do Tibagy. Esta última foi feita e era o tronco da Sorocabana, terminada em 1922 em Presidente Epitácio. Já a ligação entre esta e a continuação do ramal de Santa Cruz do Rio Pardo nunca foram feitas e Campos Novos ficou sem ferrovia alguma.

Emfim, quem comprou terras em Campos Novos pode até ter se dado bem, mas compraram gato por lebre. Campos Novos nem teve ferrovia e muito menos ficava perto do rio Tibagy ou da linha do Tibagy, que, embora mantendo este nome até os anos 1930, também não chegou na foz do tal rio no Paranapanema.

ACIMA: O mapa da E. F. Sorocabana em 1908 mostra todos os meandros e até cidades que mudaram seus nomes ou o mantiveram até hoje. Linhas em vermelho cheio são as até 1908 estavam construídas. As outras eram, de novo, promessas e intenções. O pedaço desse mapa aqui mostrado mostra linhas da Sorocabana, da Paulista e da Noroeste. Clique sobre ele para vê-lo maior e melhor.