segunda-feira, 19 de abril de 2021

RUA CAIO PRADO, SP (1895-2021)

 

O posto da Shell está ali no mesmo local da antiga mansão

Quem passa de carro ou a pé pela esquina das ruas Caio Prado (a rua no canto inferior direito, na foto acima) e a rua da Consolação (a outra rua, do lado esquerdo da mesma foto), não pode imaginar que, há 126 anos, ali existia uma mansão, ocupando o mesmo terreno (ou, possivelmente, mais alguns).

Como era o exterior dessa mansão, não consegui descobrir, mas, pelo menos é possível saber o que ela tinha dentro, no ano de 1895, quando o seu dono, Sr. Oscar Horschitz, comerciante, decidiu mudar-se de mala e cuia para a Europa e fazer um grande leilão de suas peças e móveis, sem, entretanto, falar o que faria com a casa.

Bem, ela certamente foi demolida. Pelo menos, ela não existia mais já em fins da década de 1950, quando, salvo engano, eu comecei, junto com meu pai, a passar por ali todos os dias com seu Studebaker 1951 e, depois, com suas Kombis VW. 

O endereço? Rua Caio Prado, 1. Hoje, o número certamente é outro, pelo menos desde os anos 1930, quando a numeração da Capital passou a usar o "método americano" de numeração, ou seja, métrica. Na antiga, o número 1 se referia à primeira casa (ou terreno) do lado esquerdo da rua. Realmente, a Caio Prado começava - e ainda começa - ali. Qual será o número do posto hoje? Só indo lá e verificando, mas pode até ser um número da rua da Consolação.

Alguma construção ainda existia, no terreno onde hoje é o posto, em 1930, como se pode ver pelo mapa de 1930, logo abaixo (Mapa Sara Brasil), que mostra a mesma esquina da fotografia atual, no topo deste artigo. Acredito que não fosse um posto ainda. 

Agora, pode-se pelo menos imaginar como era a decoração interna do casarão, lendo a relação dos móveis e peças que seriam leiloados, e que podem ser vistos abaixo no anúncio publicado no jornal O Estado de S. Paulo, de 11 de novembro de 1895. Boa diversão.


(Texto da postagem modificada em 18/7/2021 pelo autor)
 


terça-feira, 6 de abril de 2021

ALTERNATIVAS PARA UMA VIAGEM SÃO PAULO-RIO (1880)


ACIMA: A viagem por mar e ferrovia em 1880 (O Estado de S. Paulo, 23/01/1880).

As alternativas para viajar de São Paulo ao Rio de Janeiro durante o tempo dos cavalos e mesmo das carruagens não eram muitas. 

Deve ter começado com a tração animal: no lombo de burro, jumentos e cavalos. Afinal, São Paulo estava no alto da serra e o Rio, no litoral. Então, antes de descer a serra para Santos e dali ir para o Rio, era mais fácil sair pela serra mesmo e depois descê-la com tração animal lá nas bandas do Vale do Paraíba.

O tempo pode ter demorado para passar, mas, depois da Faculdade de Direito ser aqui implantada, a cidade começava a ter muita importância. 

Em 1877, a ferrovia foi finalmente implantada no trajeto. A Capital paulista foi finalmente ligada ao Rio por trilhos. Havia mudança de bitola em Cachoeira Paulista, mas havia trem.

Isso não significava que todos viajassem agora por trem. Alguns viajaram, por muitos anos ainda, por navio no trecho Rio-Santos e nesta cidade tomavam o trem da São Paulo Railway para São Paulo.

E isso durou muitos anos. Difícil de saber por quanto tempo, mas, dos anos 1870 a 1890 ainda este tipo de viagem era feita. Em 1908 ficou mais fácil: a bitola do ramal da Central do Brasil foi unificada, havendo a partir daí mais velocidade e menos tempo para ligar as duas cidades.

Os automóveis e ônibus, a partir dos anos 1920, passaram a viajar pela Estrada Velha Rio-São Paulo por muito mais vezes. Em 1952, a estrada foi modernizada, retificada e duplicada em quase todo o trecho: era a Via Dutra.

Nos anos 1960, a duplicação foi construída pela Serra do Mar a partir do Alto Vale do Paraíba. Hoje, são cinco horas em média entre uma cidade e outra, fora os congestionamentos de praxe nas áreas metropolitanas paulistana e fluminenses.