A ponte de madeira em 1919 - Acervo Zezinho Scarpa
No município de Santana de Parnaíba, situado a 40 quilômetros da Praça da Sé, somente existe uma ponte sobre o rio Tietê.
A atual foi construída em 1955, quando a Light terminou as obras da segunda retificação do rio neste município, quando transformou a usina hidrelétrica da cidade - a primeira do Estado - em barragem.
Antes, havia outra ponte - de madeira. Por ela passavam pessoas e automóveis. Quando esta foi construída, não se sabe exatamente, O que se sabe é que já existia uma ponte no início do século XIX.
Não existem muitas fotografias desta antiga ponte. Uma dessas fotos é de 1919, segundo a pessoa que a tem. Outro fato: a ponte não ficava no mesmo lugar em que a atual está situada, ou seja, no final da rua Padre Luiz Alves de Siqueira Castro, rua que foi construída nos anos 1950 exatamente para dar acesso à nova ponte.
Em vermelho: local da antiga ponte de madeira. Ao norte desta, a ponte atual.
O local da antiga ponte, ao que se pôde concluir, ficava no final da rua Meatinga. Com a retificação do rio nos anos 1950, a rua Meatinga teve sua parte final destruída e parte dela foi submergida. A nova ponte seria, então, construída alguns metros a jusante do Tietê.
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terça-feira, 24 de janeiro de 2017
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
LOCALIDADES COM NOMES ESTRANHOS...
Estação de Manuel Feio, em 2001. Foto Ricardo Corte
Recentemente soube que o pessoal de Itaquaquecetuba quer mudar o nome da segunda estação ferroviária do município, chamada Manuel Feio, hoje atendendo a CPTM. O nome existe desde a inauguração da estação, em 1927.
Concordo que Manoel Feio é um nome estranho, mas o engenheiro da Centrsl do Brasil que foi homenageado era esse mesmo. A Central era mestra em colocar nomes "de gente" em suas estações. Bom, apesar de o nome ser um tanto... feio, eu jamais concordo com a mudança de nomes em logradouros que já os têm.
Já basta a recente mudança de nome do Minhocão paulistano, de "Presidente Costa e Silva" para "Presidente João Goulart, este um picareta que só não é o pior presidente que este país já teve, porque ele foi superado pela "presidenta" Dilma, recentemente deposta. Quem foram os imbecis que aprovaram esta mudança? Vereadores do defunto PT e seus aliados, claro. Nesse caso, sou favorável à volta do nome anterior. Costa e Silva não foi nenhuma maravilha, mas neste caso foi sacaneado simplesmente por ter sido um presidente da era dos militares.
Se acham o nome Manoel Feio feio, imaginem o que os paulistanos pensariam de um bairro de Pistoia, Itália, que se chama "Femmina Morta", ou seja, "mulher morta". Quando estive nesta cidade, onde mora minha querida filha Veronica, vi passarem diversos ônibus que se dirigiam para este bairro, ostentando o nome no seu dístico acima das janelas frontais do veículo. Não me consta que ninguém na cidade esteja reclamando do nome.
No assunto nomes estranhos, temos um bairro em São Paulo que se chama "Chora Menino", que, apesar de estranho, é muito bonito e poético. O Tramway da Cantareira passava por lá, depois de deixar a estação de Santana e rodar por alguns quarteirões da rua Alfredo Pujol. O cemitério que fica no bairro tem este nome. Provavelmente o nome do bairro foi tirado do do cemitério.
Aqui no município de Santana de Parnaíba, onde moro, há dois nomes curiosos: um é o bairro do 120. Sim, "cento e vinte", também com direito a ônibus com o nome no dístico. Ele fica no norte da cidade e seu nome vem dos anos 1940/50, quando, segundo se conta, era caminho para a fábrica de cal da Matarazzo que ali existia e nessa região existiam duas bombas para levar água para a fábrica. Uma era de 80 cavalos e outra, de 120. Então, quando se começaram a construir cass no caminho, o lugar ficou conhecido pelo nome numérico.
E não muito longe dali, há o bairro "Várzea do Souza". O curioso é que ninguém sabe exatamente quem foi o Souza que morava - ou era dono - dessa várzea, tanto que ninguém parece usar esse nome antigo, próximo ao 120 e, segundo moradores mais antigos, o local que gerou a região mais rica do município, chamada com o nome amplo de Fazendinha. O nome Várzea do Souza pode não ser muito conhecido hoje, mas o que tem de ônibus - inclusive, um que vem de São Paulo, Capital - até hoje com esse nome no dístico não é brincadeira.
Ainda em Santana de Parnaíba, um dos bairros que existem entre o Alphaville e o centro do município de Santana de Parnaíba sempre se chamou "Tanquinho". Agora, o nome está desaparecendo, pois os loteamentos "chiques" e mesmo as lojas e oficinas que estão se estabelecendo na Estrada da Bela Vista (na região) acham "esquisito" ter um nome tão, digamos, simplório como Tanquinho e insistem então em dizer que estão em Alphaville, mais chique. E assim vai se perdendo mais um nome tradicional da região.
Da mesma forma, em Barueri, havia um bairro de nome "Passa-Três", situado exatamente onde a rodovia Castelo Branco passou com seu asfalto no final dos anos 1960. O bairro sumiu e o nome, também. Na divisa deste município com o de Santana de Parnaíba havia outro bairro com o nome "Passa Dois", que é o nome do córrego que cruza ali a Estrada dos Romeiros, vindo dos lados do Jardim Isaura. Hoje em dia, ninguém sabe o nome do bairro e do córrego. Este último, aliás, quase desapareceu, tendo sido em parte canalizado sob a terra.
E nessa brincadeira, vamos perdendo nossa história e nossas tradições.
Recentemente soube que o pessoal de Itaquaquecetuba quer mudar o nome da segunda estação ferroviária do município, chamada Manuel Feio, hoje atendendo a CPTM. O nome existe desde a inauguração da estação, em 1927.
Concordo que Manoel Feio é um nome estranho, mas o engenheiro da Centrsl do Brasil que foi homenageado era esse mesmo. A Central era mestra em colocar nomes "de gente" em suas estações. Bom, apesar de o nome ser um tanto... feio, eu jamais concordo com a mudança de nomes em logradouros que já os têm.
Já basta a recente mudança de nome do Minhocão paulistano, de "Presidente Costa e Silva" para "Presidente João Goulart, este um picareta que só não é o pior presidente que este país já teve, porque ele foi superado pela "presidenta" Dilma, recentemente deposta. Quem foram os imbecis que aprovaram esta mudança? Vereadores do defunto PT e seus aliados, claro. Nesse caso, sou favorável à volta do nome anterior. Costa e Silva não foi nenhuma maravilha, mas neste caso foi sacaneado simplesmente por ter sido um presidente da era dos militares.
Se acham o nome Manoel Feio feio, imaginem o que os paulistanos pensariam de um bairro de Pistoia, Itália, que se chama "Femmina Morta", ou seja, "mulher morta". Quando estive nesta cidade, onde mora minha querida filha Veronica, vi passarem diversos ônibus que se dirigiam para este bairro, ostentando o nome no seu dístico acima das janelas frontais do veículo. Não me consta que ninguém na cidade esteja reclamando do nome.
No assunto nomes estranhos, temos um bairro em São Paulo que se chama "Chora Menino", que, apesar de estranho, é muito bonito e poético. O Tramway da Cantareira passava por lá, depois de deixar a estação de Santana e rodar por alguns quarteirões da rua Alfredo Pujol. O cemitério que fica no bairro tem este nome. Provavelmente o nome do bairro foi tirado do do cemitério.
Aqui no município de Santana de Parnaíba, onde moro, há dois nomes curiosos: um é o bairro do 120. Sim, "cento e vinte", também com direito a ônibus com o nome no dístico. Ele fica no norte da cidade e seu nome vem dos anos 1940/50, quando, segundo se conta, era caminho para a fábrica de cal da Matarazzo que ali existia e nessa região existiam duas bombas para levar água para a fábrica. Uma era de 80 cavalos e outra, de 120. Então, quando se começaram a construir cass no caminho, o lugar ficou conhecido pelo nome numérico.
E não muito longe dali, há o bairro "Várzea do Souza". O curioso é que ninguém sabe exatamente quem foi o Souza que morava - ou era dono - dessa várzea, tanto que ninguém parece usar esse nome antigo, próximo ao 120 e, segundo moradores mais antigos, o local que gerou a região mais rica do município, chamada com o nome amplo de Fazendinha. O nome Várzea do Souza pode não ser muito conhecido hoje, mas o que tem de ônibus - inclusive, um que vem de São Paulo, Capital - até hoje com esse nome no dístico não é brincadeira.
Ainda em Santana de Parnaíba, um dos bairros que existem entre o Alphaville e o centro do município de Santana de Parnaíba sempre se chamou "Tanquinho". Agora, o nome está desaparecendo, pois os loteamentos "chiques" e mesmo as lojas e oficinas que estão se estabelecendo na Estrada da Bela Vista (na região) acham "esquisito" ter um nome tão, digamos, simplório como Tanquinho e insistem então em dizer que estão em Alphaville, mais chique. E assim vai se perdendo mais um nome tradicional da região.
Da mesma forma, em Barueri, havia um bairro de nome "Passa-Três", situado exatamente onde a rodovia Castelo Branco passou com seu asfalto no final dos anos 1960. O bairro sumiu e o nome, também. Na divisa deste município com o de Santana de Parnaíba havia outro bairro com o nome "Passa Dois", que é o nome do córrego que cruza ali a Estrada dos Romeiros, vindo dos lados do Jardim Isaura. Hoje em dia, ninguém sabe o nome do bairro e do córrego. Este último, aliás, quase desapareceu, tendo sido em parte canalizado sob a terra.
E nessa brincadeira, vamos perdendo nossa história e nossas tradições.
sexta-feira, 29 de julho de 2016
BARUERI E O TERMINAL DE ÔNIBUS
Comparem a deliciosa Barueri de 1900 com a foto de ontem tirada de um local muito próximo à de 1900
Quando olhamos a Baruery de 1900 (a fotografia que deu origem ao desenho acima, bastante fiel, deve ter sido tirada entre 1900 e 1920), vemos uma cidadezinha cativante, o sonho de todos que querem "morar em uma pequena vila do interior".
Esta foto foi tirada por mim ontem (28 de julho) de cima da plataforma da estação atual. O que dá para ver? O leito da rua e mais nada... todo o resto é diferente. Na época, Barueri era chamada de "estação de Baruery", havia um pequeno largo em frente à igreja e na saída da estaçãozinha, a Sorocabana passava ali todos os dias mas longe da frequência com que a CPTM passa hoje, com trens a cada cinco minutos, dependendo do horário. A sede do município era Parnahyba, distante dali cerca de 12 quilômetros e alcançada depois de se percorrer a pé ou a cavalo um caminho de terra de nome Estrada Velha de Ytu, subindo e descendo diversas colinas que até hoje existem.
Este caminho corria aproximadamente no mesmo leito da hoje chamada de Estrada dos Romeiros. Ali, em frente à igreja, ela adquiriu, provavelmente na época da foto, o nome de rua Campos Salles, nome que ainda mantém. O largo em frente à igreja era o largo de São João e o córrego do mesmo nome ainda estava meio escondido ao pé do morro que se vê em primeiro plano.
O trem que ali chegava o fazia apitando. Barueri era um povoado que não tinha mais de 200 habitantes. Porcos e vacas pastavam e galinhas ciscavam pelas ruas. O caminho que se via morro acima era parte da estrada citada.
Rua Anhanguera, sentido Carapicuiba. Aí ela segue o leito da antiga estrada de Itu. À direita, o morro de dima do qual deve ter sido tirada a foto de 1900. Só que ele foi cortado depois disso para o alargamento da estrada, então, hoje, para tirar a foto do mesmo local, teríamos de estar suspensos no ar. À esquerda, os trilhos da CPTM não podem ser vistos pois há um desnível entre eles e a avenida e sua calçada.
Tudo isso mudou. Hoje, cem anos depois, o município desmembrou-se de Santana de Parnaíba e se tornou um dos vinte mais ricos do Brasil. Santana de Parnaíba, pobre que era, melhorou um pouco mas está longe de ter a arrecadação da vizinha rica. Barueri, no entanto, pagou o preço da riqueza. Cresceu e hoje alcançou 300 mil habitantes (Parnaíba não passa de 120 mil). O rio foi canalizado e entubado. Desapareceu das vistas. A igreja da pintura foi derrubada e mudou-se dali. O largo não é mais largo e está coberto por um horroroso terminal de ônibus (não há como ter terminais de ônibus bonitos). O sol sumiu do antigo largo. A estação pequena deu lugar a uma grande, um monstrengo de concreto. Bastante funcional, mas... feia.
Embaixo dos trilhos, na foto, a rua Anhanguera e além dela terrenos do Exército. Google Maps
A cidade não tem mais porcos e galinhas, mas tem a fumaça dos ônibus - já o trem é elétrico. A fotografia tirada ontem por mim não mostra exatamente a mesma posição, mas vê-se claramente que não há mais igreja e nem a pequena estação. Acho que a de 1900 foi tomada de cima de um morro que existe "para lá" da linha, num ponto que ele foi cortado, portanto, somente a programação de um drone naquela altura poderia conseguir uma foto igual à antiga.
A única salvação para o centro de Barueri, para que ele recupere o antigo largo e este volte a ter o sol das manhãs, é transferir-se o terminal para o outro lado da linha. Ali há uma área de descampados grandes, que, creio, pertence ao Exército, sendo este o motivo de que tenha sobrevivido praticamente virgem até hoje. Seria uma obra cara. O terminal teria de ser mais amplo para ter mais ônibus e pelo menos duas passagens subterrâneas para os ônibus teriam de ser construídas. Pelo mesmo duas passarelas elétricas teriam de ligar a estação ao terminal. Obra cara e que leva tempo. Mas liberaria o estreito largo ("estreito largo"? Expressão estranha) e melhoraria o terminal hoje pequeno e espremido de ônibus.
Foto do Google Maps. A grande cobertura retangular no centro da foto é do terminal de ônibus, que ocupa todo o local onde um dia foi o largo São João. A rua à sua direita é a Estrada Velha de Ytu, hoje rua Campos Salles, início da Estrada dos Romeiros. As linhas da CPTM são facilmente localizáveis pelas compridas coberturas das plataformas. Entre a linha e o terminal está o prédio da estação atual da CPTM.
Uns querem mudar a estação e o terminal de lugar. Não vale a pena. Os comerciantes perderiam tudo o que conseguiram e não se vai conseguir evitar que os mesmos ou novos interessados encham novamente a área da estação e do terminal.
De qualquer forma que analisemos a mudança da cidade em cem anos, não há como deixar de concluir que tudo isto foi inevitável, ainda mais para uma cidade tão próxima de uma das cinco maiores cidades do planeta Terra - a São Paulo de todos nós.
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sexta-feira, 3 de junho de 2016
NA INCOMPETÊNCIA BRASILEIRA, QUEM PAGA O PATO É VOCÊ!
Monotrilho Morumbi-Aeroporto de Congonhas. Autor desconhecido.
No Brasil, o governo (federal, estadual, municipal) cobra multas extorsivas e também juros e correção monetária, isto quando não cobra despesas advocatícias (que muitas vezes não existem) dos contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, quando estes não pagam os impostos e taxas em dia.
Vale ressaltar que o limite de multa de 2% para atrasos de pagamentos não vale para os impostos e taxas dos governos. Por que? Ah, porque eles sim, podem te extorquir; já as empresas às quais você deve, estão não podem cobrar "altas multas".
Cabe assinalar também que há outros motivos além de você ser safado e não pagar os impostos: em boa parte das vezes, você não paga porque você não tem o dinheiro para fazê-lo. Numa situação como a de hoje, quando você passou os últimos anos sem um governo de verdade, e tinha dívidas, de quem foi a culpa de você ter "quebrado" e não poder pagar seus impostos? A culpa foi somente sua, que pode ter sido incompetente na hora de gerir seus negócios ou a economia de sua família?
Bom, vamos então ver o outro lado. A lista é extensa em termos de dinheiro mal administrado pelos governos. Tão extensa que ser-me-ia absolutamente impossível colocá-las todas num artigo só. Primeiro, por que eu jamais conseguiria ter acesso às obras não pagas, em atraso ou simplesmente não feitas pela União, Estados e municípios. Segundo, por que se as soubesse todas, não teria tempo para listá-las. Terceiro, o artigo ficaria absurdamente longo, a ponto de você precisar de meses para poder lê-lo inteiramente.
Então, vamos listar alguns deles, reportados nos últimos dias, que versam sobre obras ferroviárias no país.
Antes, porém, vou falar sobre uma avenida que estão construindo aqui no município onde moro, Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Aliás, esta avenida também tem uma parte que está sendo construída no município de Barueri. Como ela fica próxima à minha casa, passo praticamente todos os dias por esta obra, percorrendo inclusive parte dela que já está parcialmente pronta.
Vamos lá. A obra é de responsabilidade da Prefeitura de Santana de Parnaíba e do Governo do Estado de São Paulo, com informação de diversas placas colocadas ao longo da tal avenida. Não encontrei, ainda, nenhuma placa que diga que a Prefeitura de Barueri participa com alguma coisa (embora as obras também tenham parte neste município).
As placas do Governo do Estado informam que a obra foi iniciada em 1o de dezembro de 2014 e têm prazo de um ano para ficarem prontas - portanto, já estão atrasadas. Já as placas de Santana de Parnaíba dizem que a obras foram iniciadas em 2014 e não dão prazo para ficarem prontas.
Embora passe por lá diversas vezes, é bastante raro encontrar pessoal trabalhando. Às vezes vejo alguns, manobrando tratores, fazendo guias e sarjetas e outros quetais. Em muitos dos dias em que por lá ando não vejo absolutamente ninguém trabalhando.
Do serviço que já está pronto, vejo calçadas muito mal cimentadas, asfalto vagabundo já com remendos, desnível do asfalto nos bueiros (ótimos para quebrar rodas e furar pneus), pequenos aterros já desmoronando, canteiros quadrados (com árvores no meio, que já existiam ao longo da rua que já existia e que agora está sendo alargada) tão mal feitos que é impossível se achar um igual ao outro em tamanho e em alinhamento, etc.
Parece-me haver fiscalização das obras precaríssimas. O custo informado pelo Estado é de pouco mais de 6 milhões de reais, em dinheiro de dezembro de 2014. Quanto já terá sido gasto? Quem pagas os dias e horas não trabalhadas? Qual o gasto até agora? É quase certo que, com tudo que relatei, o orçamento já tenha estourado. Houve mais de dez por ceno de inflação desde que a obra se iniciou. Enfim, o preço a ser pago por esta obra que está longe de acabar será certamente mais alto do que o previsto. Quem vai pagar pelo excesso? Eu. Você.
Entrando nas ferrovias, há atrasos no VLT de Santos (que, embora já tenha começado a operar, tem um grande trecho ainda por ser entregue); no VLT de Fortaleza; no VLT de Cuiabá, sendo que este último deveria ter sido entregue pronto na Copa de 2014 e até hoje não tem um metro de linha sequer colocada. Há quase dois anos se briga por diversos motivos e a obra ficou parada por este tempo.
Os dois monotrilhos que estão sendo construídos na cidade de São Paulo (Estação Morumbi-Aeroporto de Congonhas e Oratório-Cidade Tiradentes) estão com obras lentas. O preço desta última linha já está em 70% a maior que o previsto. Na do Aeroporto, subiu 83 por cento. Além disso, nesta última, há um terminal de ônibus debaixo do monotrilho e junto ao cruzamento das avenidas Roberto Marinho (Águas Espraiadas) e Engenheiro Luiz Carlos Berrini que, depois de pronto, teve de ser refeito, pois descobriu-se que há um trecho em que os ônibus não conseguiriam fazer as curvas. Da mesma forma, no monotrilhos do Oratório, descobriu-se ano passado que havia um córrego em parte do seu percurso que não foi "descoberto" durante o projeto. A obra teve de ser interrompida para reprogramação.
No Rio de Janeiro, uma das linhas do metrô não consegue financiamento para sua construção, pois a Prefeitura tem débitos com o BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento. Quando construir, se construir, o preço já será outro.
Quem está pagando toda esta incompetência no Rio, São Paulo, Mato Grosso e Ceará? Eu. Você. O que vai acontecer com o pessoal que está construindo tudo isto - Prefeitos, governadores, presidente da República? Nada. Quem vai bancar isto? Eu. Você. Os mesmos que têm de pagar multas altíssimas porque não conseguiram liquidar suas dívidas com o governo, porque a economia do país vai mal e você está desempregado.
E fique feliz por que eu não consigo relacionar o resto das obras com problemas.
Mas não fique preocupado, porque o Governo já deu aumento de salário para os seus funcionários. Mas como você e eu não somos funcionários públicos e nem temos empregos, vamos ficar somente babando.
No Brasil, o governo (federal, estadual, municipal) cobra multas extorsivas e também juros e correção monetária, isto quando não cobra despesas advocatícias (que muitas vezes não existem) dos contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, quando estes não pagam os impostos e taxas em dia.
Vale ressaltar que o limite de multa de 2% para atrasos de pagamentos não vale para os impostos e taxas dos governos. Por que? Ah, porque eles sim, podem te extorquir; já as empresas às quais você deve, estão não podem cobrar "altas multas".
Cabe assinalar também que há outros motivos além de você ser safado e não pagar os impostos: em boa parte das vezes, você não paga porque você não tem o dinheiro para fazê-lo. Numa situação como a de hoje, quando você passou os últimos anos sem um governo de verdade, e tinha dívidas, de quem foi a culpa de você ter "quebrado" e não poder pagar seus impostos? A culpa foi somente sua, que pode ter sido incompetente na hora de gerir seus negócios ou a economia de sua família?
Bom, vamos então ver o outro lado. A lista é extensa em termos de dinheiro mal administrado pelos governos. Tão extensa que ser-me-ia absolutamente impossível colocá-las todas num artigo só. Primeiro, por que eu jamais conseguiria ter acesso às obras não pagas, em atraso ou simplesmente não feitas pela União, Estados e municípios. Segundo, por que se as soubesse todas, não teria tempo para listá-las. Terceiro, o artigo ficaria absurdamente longo, a ponto de você precisar de meses para poder lê-lo inteiramente.
Então, vamos listar alguns deles, reportados nos últimos dias, que versam sobre obras ferroviárias no país.
Antes, porém, vou falar sobre uma avenida que estão construindo aqui no município onde moro, Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Aliás, esta avenida também tem uma parte que está sendo construída no município de Barueri. Como ela fica próxima à minha casa, passo praticamente todos os dias por esta obra, percorrendo inclusive parte dela que já está parcialmente pronta.
Vamos lá. A obra é de responsabilidade da Prefeitura de Santana de Parnaíba e do Governo do Estado de São Paulo, com informação de diversas placas colocadas ao longo da tal avenida. Não encontrei, ainda, nenhuma placa que diga que a Prefeitura de Barueri participa com alguma coisa (embora as obras também tenham parte neste município).
As placas do Governo do Estado informam que a obra foi iniciada em 1o de dezembro de 2014 e têm prazo de um ano para ficarem prontas - portanto, já estão atrasadas. Já as placas de Santana de Parnaíba dizem que a obras foram iniciadas em 2014 e não dão prazo para ficarem prontas.
Embora passe por lá diversas vezes, é bastante raro encontrar pessoal trabalhando. Às vezes vejo alguns, manobrando tratores, fazendo guias e sarjetas e outros quetais. Em muitos dos dias em que por lá ando não vejo absolutamente ninguém trabalhando.
Do serviço que já está pronto, vejo calçadas muito mal cimentadas, asfalto vagabundo já com remendos, desnível do asfalto nos bueiros (ótimos para quebrar rodas e furar pneus), pequenos aterros já desmoronando, canteiros quadrados (com árvores no meio, que já existiam ao longo da rua que já existia e que agora está sendo alargada) tão mal feitos que é impossível se achar um igual ao outro em tamanho e em alinhamento, etc.
Parece-me haver fiscalização das obras precaríssimas. O custo informado pelo Estado é de pouco mais de 6 milhões de reais, em dinheiro de dezembro de 2014. Quanto já terá sido gasto? Quem pagas os dias e horas não trabalhadas? Qual o gasto até agora? É quase certo que, com tudo que relatei, o orçamento já tenha estourado. Houve mais de dez por ceno de inflação desde que a obra se iniciou. Enfim, o preço a ser pago por esta obra que está longe de acabar será certamente mais alto do que o previsto. Quem vai pagar pelo excesso? Eu. Você.
Entrando nas ferrovias, há atrasos no VLT de Santos (que, embora já tenha começado a operar, tem um grande trecho ainda por ser entregue); no VLT de Fortaleza; no VLT de Cuiabá, sendo que este último deveria ter sido entregue pronto na Copa de 2014 e até hoje não tem um metro de linha sequer colocada. Há quase dois anos se briga por diversos motivos e a obra ficou parada por este tempo.
Os dois monotrilhos que estão sendo construídos na cidade de São Paulo (Estação Morumbi-Aeroporto de Congonhas e Oratório-Cidade Tiradentes) estão com obras lentas. O preço desta última linha já está em 70% a maior que o previsto. Na do Aeroporto, subiu 83 por cento. Além disso, nesta última, há um terminal de ônibus debaixo do monotrilho e junto ao cruzamento das avenidas Roberto Marinho (Águas Espraiadas) e Engenheiro Luiz Carlos Berrini que, depois de pronto, teve de ser refeito, pois descobriu-se que há um trecho em que os ônibus não conseguiriam fazer as curvas. Da mesma forma, no monotrilhos do Oratório, descobriu-se ano passado que havia um córrego em parte do seu percurso que não foi "descoberto" durante o projeto. A obra teve de ser interrompida para reprogramação.
No Rio de Janeiro, uma das linhas do metrô não consegue financiamento para sua construção, pois a Prefeitura tem débitos com o BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento. Quando construir, se construir, o preço já será outro.
Quem está pagando toda esta incompetência no Rio, São Paulo, Mato Grosso e Ceará? Eu. Você. O que vai acontecer com o pessoal que está construindo tudo isto - Prefeitos, governadores, presidente da República? Nada. Quem vai bancar isto? Eu. Você. Os mesmos que têm de pagar multas altíssimas porque não conseguiram liquidar suas dívidas com o governo, porque a economia do país vai mal e você está desempregado.
E fique feliz por que eu não consigo relacionar o resto das obras com problemas.
Mas não fique preocupado, porque o Governo já deu aumento de salário para os seus funcionários. Mas como você e eu não somos funcionários públicos e nem temos empregos, vamos ficar somente babando.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
E SE A SOROCABANA PASSASSE PELA AVENIDA 9 DE JULHO?
Parada de Cotia em 1877. Está localizada onde hoje está a estação de Itapevi, que se desmembrou de Cotia em 1953 e ficou com a estação. Aliás, Itapevi existe por causa dessa estação. Por outro lado, a Sorocabana deixou de passar pelo município de Cotia.
O velho livro de Antonio Francisco Gaspar coloca certas histórias bem interessantes.
Uma delas é que a Sorocabana construiu três túneis em seu percurso original: Pinheirinhos, Inhaíba e dos Simões (este, no km 91). Não que isso seja uma novidade, mas esse túnel dos Simões não resistiu à primeira modificação da linha, realizada em 1908. Em 1927, quando estavam sendo feitas as obras da segunda modificação (a que retificou alguns trechos e duplicou toda a linha de São Paulo a Santo Antonio - hoje Iperó), o túnel já era ruínas. Há uma fotografia no livro que as mostra.
Outra coisa interessante foi a definição das estações da linha: Ipanema (hoje Varnhagen), Sorocaba, São Roque e São Paulo. Só.
A linha passava por apenas cinco municípios, naqueles tempos de 1872: Sorocaba, São Roque, Cotia, Parnahyba (Santana de Parnaíba) e São Paulo. As estações estariam, então, nas sedes dos municípios, exceto de Cotia e de Parnahyba. Estas duas somente foram definidas durante a construção da linha (a de Parnahyba se chamava Baruery, pois estava muito próxima ao bairro rural de Aldeia de Baruery). Cotia acabou ganhando somente uma parada modestíssima. Baruery ganhou uma estação, mesmo. Por que ela sim e Cotia não, não se sabe. E Ipanema estava em Sorocaba, mas localizada dentro da fábrica de ferro.
Barueri acabou se tornando município, desmembrando-se de Parnahyba em 1949.
Mas a maior história, para mim, é a da alternativa de trajeto que não vingou. Não vingou, mas foi a primeira a ser aceita pelos diretores. Eles estavam preocupados que os pântanos da várzea do rio Pinheiros (ainda longe de estar retificada) poderia causar maiores despesas na construção da linha do que o esperado.
Por isso, escolheram um trajeto que, depois de cruzar o rio Bussocaba (hoje, Osasco), seguiria para o sul e cruzaria o rio Pinheiros próximo ao ponto em que a Estrada de Sorocaba cruzava este rio - ou seja, a veja, na velha ponte de ferro de Pinheiros. De lá, com uma inclinação de 1,5%, cruzaria o morro do Caaguaçu (que eles também chamaram de Morro do Cemitério) numa baixada, na chácara do Capitão Benedito. A única baixada que este morro, que é por onde passa hoje a Avenida Paulista tinha era onde hoje está o Museu de Arte, que em fins do século XIX foi aterrado para impedir que a Paulista tivesse ladeiras.
Dali, passaria pela Chácara do Dr, Freitas, no Largo do Arouche e chegaria à estação da Luz (mais ou menos por onde hoje passa a avenida Duque de Caxias) a Estação da Luz, próxima do qual seria construída a estação da Sorocabana.
Do que se pode imaginar que o provável caminho da linha seria pelo vale do córrego da Várzea (hoje entubado debaixo das ruas Prof. Arthur Ramos, parte da av. Cidade Jardim e avenida Nove de Julho até o Caaguaçu), depois o vale do Saracura (avenida Nove de Julho do túnel até a cidade) e dali seguindo até o largo do Arouche e Duque de Caxias.
Vale ressaltar que nenhuma das ruas citadas existia na época - os córregos corriam a céu aberto. Nem a rua Duque de Caxias, depois avenida, existia.
Este trajeto mudaria totalmente a conformação da cidade como existe hoje.
Porém, logo após a aprovação desta alternativa, alguém a vetou - possivelmente por causa do Caaguaçu - e então a linha como o é hoje acabou sendo aceita e construída.
O velho livro de Antonio Francisco Gaspar coloca certas histórias bem interessantes.
Uma delas é que a Sorocabana construiu três túneis em seu percurso original: Pinheirinhos, Inhaíba e dos Simões (este, no km 91). Não que isso seja uma novidade, mas esse túnel dos Simões não resistiu à primeira modificação da linha, realizada em 1908. Em 1927, quando estavam sendo feitas as obras da segunda modificação (a que retificou alguns trechos e duplicou toda a linha de São Paulo a Santo Antonio - hoje Iperó), o túnel já era ruínas. Há uma fotografia no livro que as mostra.
Outra coisa interessante foi a definição das estações da linha: Ipanema (hoje Varnhagen), Sorocaba, São Roque e São Paulo. Só.
A linha passava por apenas cinco municípios, naqueles tempos de 1872: Sorocaba, São Roque, Cotia, Parnahyba (Santana de Parnaíba) e São Paulo. As estações estariam, então, nas sedes dos municípios, exceto de Cotia e de Parnahyba. Estas duas somente foram definidas durante a construção da linha (a de Parnahyba se chamava Baruery, pois estava muito próxima ao bairro rural de Aldeia de Baruery). Cotia acabou ganhando somente uma parada modestíssima. Baruery ganhou uma estação, mesmo. Por que ela sim e Cotia não, não se sabe. E Ipanema estava em Sorocaba, mas localizada dentro da fábrica de ferro.
Barueri acabou se tornando município, desmembrando-se de Parnahyba em 1949.
Mas a maior história, para mim, é a da alternativa de trajeto que não vingou. Não vingou, mas foi a primeira a ser aceita pelos diretores. Eles estavam preocupados que os pântanos da várzea do rio Pinheiros (ainda longe de estar retificada) poderia causar maiores despesas na construção da linha do que o esperado.
Por isso, escolheram um trajeto que, depois de cruzar o rio Bussocaba (hoje, Osasco), seguiria para o sul e cruzaria o rio Pinheiros próximo ao ponto em que a Estrada de Sorocaba cruzava este rio - ou seja, a veja, na velha ponte de ferro de Pinheiros. De lá, com uma inclinação de 1,5%, cruzaria o morro do Caaguaçu (que eles também chamaram de Morro do Cemitério) numa baixada, na chácara do Capitão Benedito. A única baixada que este morro, que é por onde passa hoje a Avenida Paulista tinha era onde hoje está o Museu de Arte, que em fins do século XIX foi aterrado para impedir que a Paulista tivesse ladeiras.
Dali, passaria pela Chácara do Dr, Freitas, no Largo do Arouche e chegaria à estação da Luz (mais ou menos por onde hoje passa a avenida Duque de Caxias) a Estação da Luz, próxima do qual seria construída a estação da Sorocabana.
Do que se pode imaginar que o provável caminho da linha seria pelo vale do córrego da Várzea (hoje entubado debaixo das ruas Prof. Arthur Ramos, parte da av. Cidade Jardim e avenida Nove de Julho até o Caaguaçu), depois o vale do Saracura (avenida Nove de Julho do túnel até a cidade) e dali seguindo até o largo do Arouche e Duque de Caxias.
Vale ressaltar que nenhuma das ruas citadas existia na época - os córregos corriam a céu aberto. Nem a rua Duque de Caxias, depois avenida, existia.
Este trajeto mudaria totalmente a conformação da cidade como existe hoje.
Porém, logo após a aprovação desta alternativa, alguém a vetou - possivelmente por causa do Caaguaçu - e então a linha como o é hoje acabou sendo aceita e construída.
domingo, 2 de agosto de 2015
1875: A ABERTURA DA SOROCABANA, BARUERI, PARNAHYBA E PIRAPORA
A estação de Barueri por volta de 1880. Este prédio durou até 1928, quando foi substituída por um novo, que foi demolido em 1882, quando se construiu o atual, utilizado pela CPTM.
Aberta em 1875, a estação de Barueri foi uma das estações originais da linha São Paulo-Sorocaba. Seu nome derivou não do município ao qual pertencia na época, Parnahyba (hoje Santana de Parnaíba), mas sim da Aldeia de Barueri, núcleo fundado no final do século XVI e que ficava a cerca de 2 km dali.
Quando esta estação foi aberta em 10 de julho de 1875, já existia um minúsculo povoado ali, formado pelos operários da construção da ferrovia e da estação e por comerciantes que haviam ali se estabelecido, pois Aldeia de Barueri, a Barueri original, ficava longe (ver acima).
No dia anterior (9/7/2015) à abertura da linha, o jornal A Provincia de S. Paulo atentava para o fato de o acesso à estação ser difícil, tanto para cargas, quanto para passageiros.
"Da ponte do Baruery, perto da estação (1), é preciso com toda a urgencia o atalho para facilitar a chegada dos passageiros na estação, e mesmo para os carros (2), e cargueiros não darem tamanha volta e sobre perigos de vida, e muitos prejuízos. Muitos passageiros têm perdido o trem (3) por causa da grande volta do caminho para chegar à estação. Pede-se encarecidamente ao bem do público que o governo atenda os reclamos, e a digna directoria da Estrada de Ferro Sorocabana perderá muito, se deixar passar o tempo das festas em Pirapora (4); o commercio tem sofrido difficuldades por não ter a ponte aterro para chegar na estação. Com pouco dinheiro, talvez se faça a ponte e aterro. Espera-se que sejam attendidos os interesses a bem do publico, e do commercio de Parnahyba e Pirapora".
Notas do autor deste artigo sobre o texto transcrito acima:
(1) nota do autor desta página: tratava-se da ponte sobre o córrego de São João, hoje canalizado em quase todo o seu percurso dentro do atual município de Barueri.
(2) nota do autor: não se tratavam, é claro, de automóveis, e sim de carroças e afins.
(3) nota do autor: isto mostra que, mesmo antes da inauguração da linha em 10 de julho, houve trens provisórios passando por ali e transportando passageiros.
(4) nota do autor: esperava-se que as festas em Pirapora do Bom Jesus, sempre mais no mês de agosto, fossem as grandes beneficiadas com a estação, apesar de ficarem a vinte quilômetros desta; as estradas de São Paulo para lá eram péssimas nesta época.
No dia seguinte ao da nota no jornal, 10 de julho, foi realizada a viagem inaugural do trem da Sorocabana, com a presença do Imperador D. Pedro II. O trem parou em Barueri, onde diversas pessoas da Câmara de Parnahyba estiveram ali presentes.
Como consequência da abertura oficial da linha, a estrada que ligava Barueri a Parnahyba (sede do município) e Pirapora (então um distrito de Parnahyba, mas que, por causa das festas religiosas, era nesta época considerada mais importante pelos paulistanos do que a sede, então pobre e decadente) foi totalmente reformada, e, em 1922, com algumas retificações efetuadas pelo Governo do Estado, tornou-se a atual Estrada dos Romeiros. Até este ano, era parte da chamada de Estrada de Ytu.
Aberta em 1875, a estação de Barueri foi uma das estações originais da linha São Paulo-Sorocaba. Seu nome derivou não do município ao qual pertencia na época, Parnahyba (hoje Santana de Parnaíba), mas sim da Aldeia de Barueri, núcleo fundado no final do século XVI e que ficava a cerca de 2 km dali.
Quando esta estação foi aberta em 10 de julho de 1875, já existia um minúsculo povoado ali, formado pelos operários da construção da ferrovia e da estação e por comerciantes que haviam ali se estabelecido, pois Aldeia de Barueri, a Barueri original, ficava longe (ver acima).
No dia anterior (9/7/2015) à abertura da linha, o jornal A Provincia de S. Paulo atentava para o fato de o acesso à estação ser difícil, tanto para cargas, quanto para passageiros.
"Da ponte do Baruery, perto da estação (1), é preciso com toda a urgencia o atalho para facilitar a chegada dos passageiros na estação, e mesmo para os carros (2), e cargueiros não darem tamanha volta e sobre perigos de vida, e muitos prejuízos. Muitos passageiros têm perdido o trem (3) por causa da grande volta do caminho para chegar à estação. Pede-se encarecidamente ao bem do público que o governo atenda os reclamos, e a digna directoria da Estrada de Ferro Sorocabana perderá muito, se deixar passar o tempo das festas em Pirapora (4); o commercio tem sofrido difficuldades por não ter a ponte aterro para chegar na estação. Com pouco dinheiro, talvez se faça a ponte e aterro. Espera-se que sejam attendidos os interesses a bem do publico, e do commercio de Parnahyba e Pirapora".
Notas do autor deste artigo sobre o texto transcrito acima:
(1) nota do autor desta página: tratava-se da ponte sobre o córrego de São João, hoje canalizado em quase todo o seu percurso dentro do atual município de Barueri.
(3) nota do autor: isto mostra que, mesmo antes da inauguração da linha em 10 de julho, houve trens provisórios passando por ali e transportando passageiros.
(4) nota do autor: esperava-se que as festas em Pirapora do Bom Jesus, sempre mais no mês de agosto, fossem as grandes beneficiadas com a estação, apesar de ficarem a vinte quilômetros desta; as estradas de São Paulo para lá eram péssimas nesta época.
No dia seguinte ao da nota no jornal, 10 de julho, foi realizada a viagem inaugural do trem da Sorocabana, com a presença do Imperador D. Pedro II. O trem parou em Barueri, onde diversas pessoas da Câmara de Parnahyba estiveram ali presentes.
Como consequência da abertura oficial da linha, a estrada que ligava Barueri a Parnahyba (sede do município) e Pirapora (então um distrito de Parnahyba, mas que, por causa das festas religiosas, era nesta época considerada mais importante pelos paulistanos do que a sede, então pobre e decadente) foi totalmente reformada, e, em 1922, com algumas retificações efetuadas pelo Governo do Estado, tornou-se a atual Estrada dos Romeiros. Até este ano, era parte da chamada de Estrada de Ytu.
domingo, 21 de dezembro de 2014
BARUERI E PARNAÍBA, 2014 - UMA SENDO ESMAGADA POR PRÉDIOS, OUTRA PELA FALTA DE PREFEITO
Barueri antiga, provavelmente anos 1940 (Wikipedia). Fotografia tomada da plataforma da estação da Soocabana (a antiga, que durou de 1928 a 1982). O largo em frente é o largo São João. O topo do morro ao fundo é onde, hoje, está a Castelo Branco. O largo foi totalmente coberto com uma cobertura sobre um terminal de ônibus que não é suficiente para a cidade. Portanto, o largo desapareceu, assim como a igreja à direita, demolida em 1968 e que hoje está longe dali. A rua que sai ao fundo, subindo o morro, é a Capos Salles
.
Barueri e Santana de Parnaíba, dois municípios um ao lado do outro na zona este da Grande São Paulo. O primeiro foi desvinculado do segundo em 1949. Na época, Parnaíba vivia da mesma forma que durante os duzentos anos anteriores: em decadência e sem praticamente nenhuma importância. Já Barueri, cuja primeira aldeia datava de vinte anos antes (1560) da fundação de Parnaíba (1580), foi, desde a sua transferência de sede para o largo de São João - fato que se deu por causa da construção da segunda estação da Sorocabana no mesmo local em que se encontra hoje (segunda, por que era a primeira parada do trem depois de sua saída de São Paulo, em 1875), apenas um pequeno vilarejo, que, em 1919, quando foi elevdo a distrito de paz, contava com apenas 200 habitantes.
A zona oeste da atual região metropolitana de São Paulo foi a que mais demorou para se desenvolver no século XX. Até os anos 1970, poucos municípios da região tinham importância. Mesmo as estações de trem juntaram durante cem anos vilarejos que se tornaram cidades somente de 70 a 100 anos depois.
Porém, a pressão da cidade de São Paulocontra o oeste foi criando bairros que "entravam" nos municípios vizinhos do Oeste, criando bairros e cidades-dormitórios que, somente a partir do final dos anos 1970, começaram realmente a se desenvolver. Santana de Parnaíba, sem trem, foi uma das últimas. Uma das fontes consultadas em 1968 cita o município - que, na zona Oeste, é um maiores em área - com bem menos de 10 mil habitantes.
Em 1974, foi criado, na área da Fzenda Tamboré, o bairro de Alphaville, trazendo, pela nova rodovia Castelo Branco, muitas indústrias e escritórios para Barueri e também lançando em paralelo condomínios fechados. Com outros nomes e donos, eles se espalharam rapidamente pela área, e as indústrias também. Barueri é hoje um dos municípios mais ricos do Brasil, com mais de 240 mil habitantes em 2010. Parnaíba chega a 110 mil, num crescimento que somente realmente se expandiu fortemente por volta de 1990.
Isso não fez com que os municípios aprendessem muita coisa. Barueri, no entanto, aprendeu bem mais e tinha bem mais dinheiro e aplicou-o bem, limpando a cidade, asfaltando praticamente todas suas ruas e ajardinando praças, colocando esgoto e ampliando a oferta de água, numa sequência de bons governantes desde 1978, com todos os defeitos que possam ter. Parnaíba tinha quase 100 mil em 2010.
Porém, a inundação de edifícios enormes de escritórios que começou com o Alphaville e hoje invade o Tamboré (barueriense e parnaibano), e boa parte dos outros bairros de Barueri (em Parnaíba ainda não), mostra que, como inúmeros outros prefeitos brasileiros (os de São Paulo inclusive), não para, mesmo com boa parte da população manifestando-se contra.
Numa hora em que falta água em São Paulo e municípios adjacentes, é uma temeridade continuar liberando prédios e mais prédios cada vez maiores por toda essa área.
O centro de Barueri, sem nome no Google Maps, está mais ou menos onde está assinalado o "Ginasio Poliesporivo José Correa). A lagoa de Carapicuíba está à direita, facilmente vista
.
Tudo isso acima para criticar o governo municipal de Barueri, que precisa fazer algo com a lagoa de Carapicuíba (que, apesar do nome e da localização, ao lado do centro do município vizinho de Carapicuíba, pertence a Barueri e é uma área inundada que pertencia ao leito do Tietê antes da retificação, virou porto de extração de areia, foi obrigado a parar e encheu-se totalmente de água nos últimos anos, está totalmente poluída (segundo diz a Folha de Alphaville, inclusive com lixo hospitalar) e sendo aterrada aos poucos com terra extraída do canal do rio Tietê, que passa ao lado norte da lagoa.
Alguns vereadores querem transforma'-la em uma lagoa limpa (o que não será fácil e barato, dado o nível de poluição), outros querem drená-la, aterra'-la e fazer edifícios. Parece brincadeira, mas não é. Preciso comentar algo a mais?
Enquanto isso, Parnaíba não tem um prefeito, apenas provisórios, faz dois anos. A justiça não julga o que poderia ser decidido em uma sessão de tribunal. Mas, no Brasil, tudo demora anos. Agora, o atual prefeito provisório - que, curiosamente, é o mesmo que foi eleito e não conseguiu assumir por que era ficha-suja (olhem só - prefeito mesmo ele não pode ser, mas provisório, pode por que é o Presidente da Câmara Municipal), vai perder o cargo porque um novo presidente foi escolhido para a Câmara - e ele assumirá daqui a alguns dias. Liminares para lá e para cá, nada se resolve. Como se governa uma cidade dessa forma?
.
Barueri e Santana de Parnaíba, dois municípios um ao lado do outro na zona este da Grande São Paulo. O primeiro foi desvinculado do segundo em 1949. Na época, Parnaíba vivia da mesma forma que durante os duzentos anos anteriores: em decadência e sem praticamente nenhuma importância. Já Barueri, cuja primeira aldeia datava de vinte anos antes (1560) da fundação de Parnaíba (1580), foi, desde a sua transferência de sede para o largo de São João - fato que se deu por causa da construção da segunda estação da Sorocabana no mesmo local em que se encontra hoje (segunda, por que era a primeira parada do trem depois de sua saída de São Paulo, em 1875), apenas um pequeno vilarejo, que, em 1919, quando foi elevdo a distrito de paz, contava com apenas 200 habitantes.
A zona oeste da atual região metropolitana de São Paulo foi a que mais demorou para se desenvolver no século XX. Até os anos 1970, poucos municípios da região tinham importância. Mesmo as estações de trem juntaram durante cem anos vilarejos que se tornaram cidades somente de 70 a 100 anos depois.
Porém, a pressão da cidade de São Paulocontra o oeste foi criando bairros que "entravam" nos municípios vizinhos do Oeste, criando bairros e cidades-dormitórios que, somente a partir do final dos anos 1970, começaram realmente a se desenvolver. Santana de Parnaíba, sem trem, foi uma das últimas. Uma das fontes consultadas em 1968 cita o município - que, na zona Oeste, é um maiores em área - com bem menos de 10 mil habitantes.
Em 1974, foi criado, na área da Fzenda Tamboré, o bairro de Alphaville, trazendo, pela nova rodovia Castelo Branco, muitas indústrias e escritórios para Barueri e também lançando em paralelo condomínios fechados. Com outros nomes e donos, eles se espalharam rapidamente pela área, e as indústrias também. Barueri é hoje um dos municípios mais ricos do Brasil, com mais de 240 mil habitantes em 2010. Parnaíba chega a 110 mil, num crescimento que somente realmente se expandiu fortemente por volta de 1990.
Isso não fez com que os municípios aprendessem muita coisa. Barueri, no entanto, aprendeu bem mais e tinha bem mais dinheiro e aplicou-o bem, limpando a cidade, asfaltando praticamente todas suas ruas e ajardinando praças, colocando esgoto e ampliando a oferta de água, numa sequência de bons governantes desde 1978, com todos os defeitos que possam ter. Parnaíba tinha quase 100 mil em 2010.
Porém, a inundação de edifícios enormes de escritórios que começou com o Alphaville e hoje invade o Tamboré (barueriense e parnaibano), e boa parte dos outros bairros de Barueri (em Parnaíba ainda não), mostra que, como inúmeros outros prefeitos brasileiros (os de São Paulo inclusive), não para, mesmo com boa parte da população manifestando-se contra.
Numa hora em que falta água em São Paulo e municípios adjacentes, é uma temeridade continuar liberando prédios e mais prédios cada vez maiores por toda essa área.
O centro de Barueri, sem nome no Google Maps, está mais ou menos onde está assinalado o "Ginasio Poliesporivo José Correa). A lagoa de Carapicuíba está à direita, facilmente vista
.
Tudo isso acima para criticar o governo municipal de Barueri, que precisa fazer algo com a lagoa de Carapicuíba (que, apesar do nome e da localização, ao lado do centro do município vizinho de Carapicuíba, pertence a Barueri e é uma área inundada que pertencia ao leito do Tietê antes da retificação, virou porto de extração de areia, foi obrigado a parar e encheu-se totalmente de água nos últimos anos, está totalmente poluída (segundo diz a Folha de Alphaville, inclusive com lixo hospitalar) e sendo aterrada aos poucos com terra extraída do canal do rio Tietê, que passa ao lado norte da lagoa.
Alguns vereadores querem transforma'-la em uma lagoa limpa (o que não será fácil e barato, dado o nível de poluição), outros querem drená-la, aterra'-la e fazer edifícios. Parece brincadeira, mas não é. Preciso comentar algo a mais?
Enquanto isso, Parnaíba não tem um prefeito, apenas provisórios, faz dois anos. A justiça não julga o que poderia ser decidido em uma sessão de tribunal. Mas, no Brasil, tudo demora anos. Agora, o atual prefeito provisório - que, curiosamente, é o mesmo que foi eleito e não conseguiu assumir por que era ficha-suja (olhem só - prefeito mesmo ele não pode ser, mas provisório, pode por que é o Presidente da Câmara Municipal), vai perder o cargo porque um novo presidente foi escolhido para a Câmara - e ele assumirá daqui a alguns dias. Liminares para lá e para cá, nada se resolve. Como se governa uma cidade dessa forma?
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sexta-feira, 29 de agosto de 2014
PORTUGUÊS ANTIGO
Eu já li muita coisa em português antigo. Relatórios de ferrovias, por exemplo. Afinal, os mais antigos que vi datam dos anos 1870. Houve também as atas da Câmara de Santana de Parnaíba, escritas a mão e muitas vezes não inteligíveis. Pelo menos em parte. Usava-se também muitas abreviaturas. A mais interessante que li foi como abreviavam os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro: respectivamente,
Meu maior problema sempre foi: o que era o português antigo? Como os livros mais antigos que li datam de meados do século XX, o português mais antigo que li datam dessa época.
Mais antigo, esqueçam. Houve os Lusíadas e outros textos, impressos ou escritos, mas, esses, estão fora da minha alça de pesquisa.
Lendo textos que datam de 1830 em diane, vejo o português sempre diferente. Pergunto se havia regras mesmo, ou se cada um escrevia como achava que devia. Letras duplas eram comum (além dos ss, cc e rr que ainda existem), bem como a colocação de h ente vogis (nos hiatos como Bahia, a única que sobrou).
Acentos nas palavras eram raros. Aliás, eles começaram a aparecer em profusão nas mudanças que Getúlio Varga decretou nos anos 1930 e 1940. O problema é que parece que as coisas iam e vinham, ou seja, parecia que se arreendiam de algumas mudanás e voltavam atrás, e depois voltavam atrás de novo. Era muito mais simples de se escrever as palavras sem acentos. Existiam o til, o acento agudo, o circunflexo, o acento grave, mas eram muito mais raros do que hoje. O til era muito comum.
Em textos escitos por meu avô Sud Mennucci em 134 e em 1935 apresentavam uma curiosidade: os de 1934 estvam escritos em um português muito mais parecido com o dos anos 1940 e os de 1935, com um português praticamente igual ao dos anos 1920. Teria havido um recuo nas decisões no final de 1934?
O atual "à" craseado com acento grave era escrito como "á", com acento agudo e não grave. A letra "c" no meio de palavras, como facto, acto, ainda usada em Portugal, praticamente desapareceu no Brasil. Havia várias delas.
E é curioso: a maioria das palavras que inglês ou italiano que hoje em dia continuam escritas com letras duplas (pp, dd, gg, ll, mm, nn e outras) tinham suas similares em português também com letras duplas - isto quando as palavras são similares. Obviamente, quando são de raízes diferentes, isto não se aplica, pois as plavras são completamente diferentes em outra língua. Essas letras duplas tinham pronúncia diferente da mesma palavra se fosse escrita sem a letra duplicada. Eram uma espécie de acento - mas sem acento. Quem tinha pronúncia diferente era a vogal seguinte. Em italiano é assim.
Exemplo: até os anos 1930 pelo menos, escrevia-se accordo, cavallo, estrella, communicação... somente para citar alguns exemplos. Temos hoje cavallo em italiano, accord em inglês, communication em inglês, stella em italiano.
As regras devem ter mudado inúmeras vezes, mas as mais recentes foram a do tempo de Vargas, a de 1971 e a atual - que ainda não está completamente estabelecida e com a qual eu não me importo muito, pois mais confundiu do que facilitou. Em 1971, por exemplo, lembro-me que desapareceu o acento diferencial e o acento agudo que virava grave quando a palavra era proparoxítona e a ela se adicionava o sufixo mente. Exemplo: rápido e ràpidamente. Já algumas das poucas palavras que mantiveram o diferencial foram por (preposição) e pôr (verbo) e pode (3a pessoa do singular do verbo poder) e pôde (terceira pessoa do pretérito perfeito do verbo poder).
Mas a questão do acento diferencial em alguns pontos era ridícula; três exemplos sempre citados eram as palavras fôr (futuro do subjuntivo do verbo ir) com for (por incrível que pareça, uma palavra que existe, mas que ninguém usa mais e que significava "para" - a preposição, aliás, como no inglês). As palavras mêdo e medo (nesta última, um indivíduo do povo dos medos, na antiga Persia), para seguir com a palavra tôda, que não podia ser confundida com toda - um pássaro que ninguém conhece. Em todos esses casos (e muitos outros), os acentos foram suprimidos.
Isoladamente, algumas palavras que me lembro de ter lido: assúcar (açúcar), chimica (química), pharmacia (farmácia), kilometro (quilômetro), jahu (jaú), scena (cena), theatro (teatro), Nichterohy (Niterói), Bethlem (Belém), venderão (hoje venderam, quando se trata da terceira pessoa do pretérito perfeito no plural) - esta substituição do "ão" pelo "am" deu-se em todos os verbos, mas a pronúncia continua sendo de "ão". Claro que quando se trata do verbo no futuro, "venderão", são palavras oxítonas e a escrita se manteve. Aliás, repare-se que o furuto do presente e o futuro do pretérito de todos os verbos são apenas uma modificação que ocorreu durante os séculos para um futuro antes composto: "eles hão de vender" para "eles de vender hão" e finalmente "eles "venderão". Ou seja, derivam das terminações do verbo haver no presente e no pretérito imperfeito do indicativo.
Finalmente, ei gostava de um dicionário que pertenceu ao meu avô e que ficou com minha mãe, para depois desaparecer, infelizmente: era um dicionário dos anos 1940, já com a ortografia de 1943 a 1971, mas onde cada palavra que era escrita diferentemente na ortografia imediatamente mais antiga aparecia escrita da velha forma, entre parênteses, ap's a palavra "nova" no dicionário. Hoje isto não acontece.
Tudo isto que escrevi aqui decorre de simples e constante observação de ortografia de textos que li durante anos. Há muito mais observações a se fazer e certamente muitas eu desconheço.
7bro , 8bro
, 9bro e 10bro .
Meu maior problema sempre foi: o que era o português antigo? Como os livros mais antigos que li datam de meados do século XX, o português mais antigo que li datam dessa época.
Mais antigo, esqueçam. Houve os Lusíadas e outros textos, impressos ou escritos, mas, esses, estão fora da minha alça de pesquisa.
Lendo textos que datam de 1830 em diane, vejo o português sempre diferente. Pergunto se havia regras mesmo, ou se cada um escrevia como achava que devia. Letras duplas eram comum (além dos ss, cc e rr que ainda existem), bem como a colocação de h ente vogis (nos hiatos como Bahia, a única que sobrou).
Acentos nas palavras eram raros. Aliás, eles começaram a aparecer em profusão nas mudanças que Getúlio Varga decretou nos anos 1930 e 1940. O problema é que parece que as coisas iam e vinham, ou seja, parecia que se arreendiam de algumas mudanás e voltavam atrás, e depois voltavam atrás de novo. Era muito mais simples de se escrever as palavras sem acentos. Existiam o til, o acento agudo, o circunflexo, o acento grave, mas eram muito mais raros do que hoje. O til era muito comum.
Em textos escitos por meu avô Sud Mennucci em 134 e em 1935 apresentavam uma curiosidade: os de 1934 estvam escritos em um português muito mais parecido com o dos anos 1940 e os de 1935, com um português praticamente igual ao dos anos 1920. Teria havido um recuo nas decisões no final de 1934?
O atual "à" craseado com acento grave era escrito como "á", com acento agudo e não grave. A letra "c" no meio de palavras, como facto, acto, ainda usada em Portugal, praticamente desapareceu no Brasil. Havia várias delas.
E é curioso: a maioria das palavras que inglês ou italiano que hoje em dia continuam escritas com letras duplas (pp, dd, gg, ll, mm, nn e outras) tinham suas similares em português também com letras duplas - isto quando as palavras são similares. Obviamente, quando são de raízes diferentes, isto não se aplica, pois as plavras são completamente diferentes em outra língua. Essas letras duplas tinham pronúncia diferente da mesma palavra se fosse escrita sem a letra duplicada. Eram uma espécie de acento - mas sem acento. Quem tinha pronúncia diferente era a vogal seguinte. Em italiano é assim.
Exemplo: até os anos 1930 pelo menos, escrevia-se accordo, cavallo, estrella, communicação... somente para citar alguns exemplos. Temos hoje cavallo em italiano, accord em inglês, communication em inglês, stella em italiano.
As regras devem ter mudado inúmeras vezes, mas as mais recentes foram a do tempo de Vargas, a de 1971 e a atual - que ainda não está completamente estabelecida e com a qual eu não me importo muito, pois mais confundiu do que facilitou. Em 1971, por exemplo, lembro-me que desapareceu o acento diferencial e o acento agudo que virava grave quando a palavra era proparoxítona e a ela se adicionava o sufixo mente. Exemplo: rápido e ràpidamente. Já algumas das poucas palavras que mantiveram o diferencial foram por (preposição) e pôr (verbo) e pode (3a pessoa do singular do verbo poder) e pôde (terceira pessoa do pretérito perfeito do verbo poder).
Mas a questão do acento diferencial em alguns pontos era ridícula; três exemplos sempre citados eram as palavras fôr (futuro do subjuntivo do verbo ir) com for (por incrível que pareça, uma palavra que existe, mas que ninguém usa mais e que significava "para" - a preposição, aliás, como no inglês). As palavras mêdo e medo (nesta última, um indivíduo do povo dos medos, na antiga Persia), para seguir com a palavra tôda, que não podia ser confundida com toda - um pássaro que ninguém conhece. Em todos esses casos (e muitos outros), os acentos foram suprimidos.
Isoladamente, algumas palavras que me lembro de ter lido: assúcar (açúcar), chimica (química), pharmacia (farmácia), kilometro (quilômetro), jahu (jaú), scena (cena), theatro (teatro), Nichterohy (Niterói), Bethlem (Belém), venderão (hoje venderam, quando se trata da terceira pessoa do pretérito perfeito no plural) - esta substituição do "ão" pelo "am" deu-se em todos os verbos, mas a pronúncia continua sendo de "ão". Claro que quando se trata do verbo no futuro, "venderão", são palavras oxítonas e a escrita se manteve. Aliás, repare-se que o furuto do presente e o futuro do pretérito de todos os verbos são apenas uma modificação que ocorreu durante os séculos para um futuro antes composto: "eles hão de vender" para "eles de vender hão" e finalmente "eles "venderão". Ou seja, derivam das terminações do verbo haver no presente e no pretérito imperfeito do indicativo.
Finalmente, ei gostava de um dicionário que pertenceu ao meu avô e que ficou com minha mãe, para depois desaparecer, infelizmente: era um dicionário dos anos 1940, já com a ortografia de 1943 a 1971, mas onde cada palavra que era escrita diferentemente na ortografia imediatamente mais antiga aparecia escrita da velha forma, entre parênteses, ap's a palavra "nova" no dicionário. Hoje isto não acontece.
Tudo isto que escrevi aqui decorre de simples e constante observação de ortografia de textos que li durante anos. Há muito mais observações a se fazer e certamente muitas eu desconheço.
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sábado, 8 de setembro de 2012
VOTAE! MAS... (PELO AMOR DE DEUS) VOTAE CORRETAMENTE!

De dois em dois anos, eleições. Lá vamos nós de novo votar, na maioria das vezes, em gente que não conhecemos. Dentro dessas, também em sua maior parte são gente que sabidamente não são pessoas confiáveis e que têm um histórico bastante, digamos, complicado. Acabamos muitas vezes votando no tipo "rouba-mas faz" e tendo a consciência culpada. E há os ingênuos, que votam porque acham o candidato "o máximo", "um bom homem", "não acreditam nos jornais mentirosos", "ele dá comida para os pobres" e por aí vai.
Ouvindo no rádio e na televisão pequenas partes de horários políticos - e sempre por acaso, quando somos "pegos desprevenidos" pela televisão ou pelo rádio já ligados, eu pessoalmente ouço e vejo propaganda de seis cidades: São Paulo, Barueri, Santana de Parnaíba, Joinville (porque estive quatro dias ali), Arujá e Itanhaém (porque, sabe Deus o motivo, duas rádios que costumo ouvir em São Paulo passam propaganda política delas).
Nada muda. As mesmas músicas comoventes de fundo. As mesmas cenas de sempre. Candidatos abraçando o povo (sempre pobres). Candidatos com bebês no colo. Candidatos comendo no barzinho da esquina. Candidatos visitando a mãe, que obviamente fala que ele sempre foi um bom rapaz. Promessas mil, algumas inexequíveis pelas próprias atribuições do cargo.
É fantástico ver atuais ocupantes dos cargos tentando a reeleição afirmando que vão fazer coisas que já estão pendentes há anos e anos. Por que ele não fez no primeiro mandato? Se não fez, por que votar nele novamente?
Papos como: "a cidade já pode voltar a sorrir". Por que? A cidade só chorava? "Para a cidade voltar a crescer" ou "continuar crescendo". Pergunta-se: crescer para que? Qual a vantagem de crescer? Oferecer empregos? E destruir outras riquezas com isso? É realmente, em todos os casos, necessário que uma cidade cresça? E, se é, n]ao seria o caso de, neste instante, parar de crescer para arrumar o que está incompleto, insuficiente ou funcionando mal? Ou colocar o que não existe?
Fazer a saúde, educação e segurança (esta limitada, pois segurança pública é atribuição do Estado e, quando há guarda civil, ela vive às turras com a Polícia do Estado, a PM) funcionarem bem é muito mais urgente do que qualquer outra coisa que se pense. Fazer a manutenção e resolver problema de infraestrutura (água e esgotos, por exemplo) é muito mais urgente do que, por exemplo, asfaltar ruas que muitas vezes são construídas em locais proibidos (e que agora se quer regulamentar).
Parar de autorizar novas construções é fundamental em cidades saturadas ou mais do que saturadas. Resolver o problema de hospitais e postos de saúde municipais é fundamental. Qual cidade pode dizer que tem tudo isso em ordem? São Paulo, por exemplo, tem problemas de todos os tipos nessa área, inclusive higiene, o mais básico de todos! Educação, nem se fala. Professores que ganham mal e são despreparados trabalham em escolas sem material, sem limpeza e sem poder ter autoridade sobre alunos quando isto se faz necessário.
Sem resolver isto, prometer o que? Obras e leis para minorias? Esqueça as minorias, eles que se virem! Afinal, em teoria, minorias não existem, pois todos os habitantes são iguais perante a lei, pela Constituição. Porém, para os governos municipais, estaduais e federal, isto não ocorre - cada minoria tem leis específicas. Por que? Agredir um membro de uma minoria específica é mais grave que agredir um membro que não é minoria?
Passem para o que é importante! Resolvam o básico primeiro, para atacar o resto em outra hora. Há muito trabalho para fazer. E isto, ninguém fala, ou, se fala, o faz em termos genéricos, sem um programa de trabalho, sem nada. E, obviamente, não vai fazer. Vai empurrar com a barriga.
Enfim, pelo menos, NÃO VOTE EM QUEM NÃO ESTÁ FAZENDO O QUE DEVIA. MUDE! MAS MUDE PARA ALGUÉM QUE SEJA SÉRIO COM SEUS PROGRAMAS. O problema, porém, será: existem essas pessoas?
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sábado, 28 de julho de 2012
SÃO PAULO: EMPREGOS VS. DECADÊNCIA
Propaganda de prédio a ser construído em Higienópolis, bairro próximo ao centro de São Paulo, em 1944: a verticalização começava a sair do centro novo e do centro velho já nessa época (Folha da Manhã, 1944)Este autor já escreveu sobre o excesso de construções e a falta de infraestrutura para sustentar as mudanças que elas causam em várias cidades do País. As que mais acompanho com esse problema são São Paulo, Barueri e Santana de Parnaíba.
Infelizmente, meu blog é lido por não mais do que 400 pessoas por dia - isto, considerando-se que todos as pessoas que aparecem como "acompanhantes" realmente se preocupem em ler o que escrevo - antes, todos os dias, hoje, cerca de três a quatro dias por semana, por absoluta falta de tempo.
Se fosse lido por muitas mais, se eu fosse um sujeito famoso, seria melhor, claro - e não somente para mim. É mais do que evidente que o problema a que me refiro hoje é realmente um problema e, por isso, deveria ser visto com mais calma pelos governantes.
Os três municípios citados pertencem à área metropolitana de São Paulo e, neles, a cada semana, aparecem mais e mais construções de edifícios com mais de 20 ou 30 andares, cada um deles com um a quatro apartamentos por andar. Ou mais, em alguns casos.
A infraestrutura das cidades - eletricidade, água, gás, trânsito gerado, sistemas viários, estacionamentos para automóveis, transporte público e outros menos cotados - não acompanha o aumento da concentração da população nessas novas moradias ou escritórios. Não é preciso ser engenheiro ou administrador para perceber isto.
Hoje no jornal está noticiada a construção de mais um prédio de mais de 30 andares na cidade de Santos. Discute-se (é uma reportagem sobre ele e não um anúncio de vendas) os problemas que ele ele deve causar e fala-se da revolta de diversos vizinhos. Há casas tombadas à sua volta, as ruas não darão conta e não há nenhuma previsão de aumento de área carroçável na área em que ele se localizará.
Também se comenta no mesmo jornal (O Estado de S. Paulo) a demolição de um quarteirão inteiro na Capital para a construção de mais um conjunto de edifícios. A primeira pergunta que sempre faço é: essas cidades precisam mesmo desses empreendimentos? A segunda: alguém nas prefeituras está realmente fazendo o que deveria fazer para compensar esse imenso aumento de afluxo de pessoas para esses quarteirões? Terceiro: por que as prefeituras ainda permitem essas construções? Não estaria mais do que na hora de se proibir por vários anos o aumento de área construída nas cidades que já estão saturadas, não somente pelo número de pessoas como pelo sistema viário jamais previsto para ter todos esses mosntrengos em volta (se São Paulo nunca teve planejamento algum, imagine Barueri, cheio de ruas estreitas e tortas: não há bairro algum com ruas quadriculadas, por exemplo).
Diversas pessoas contra-argumentarão dizendo que isso gera empregos. Ora, a reforma e restauro do que já existe, abandonado ou não, também gerará, sem aumentar a área construída de velhas casas, prédios, galpões, fábricas, etc. Pergunto: estamos condenados a destruir nossas cidades somente para gerar empregos? Lembrem-se que outra indústria, a automotiva, também gera uma grande quantidade de empregos, mas com isso o número de automóveis aumenta cada vez mais (a poluição atmosférica também) e não cabem mais nas ruas. Também devemos manter essa geração de empregos fazendo, por outro lado, o trânsito parar?
Meu Deus do céu, prefeitos e vereadores: chega de autorizar a construção de novos edifícios nas quatro cidades citadas aqui! Está na hora de proibir tudo isso por vários anos e de se fazer um estudo realmente sério sobre o que realmente queremos e podemos! Nem vou dizer que "antes que seja tarde"... porque já é tarde.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
O TELEFONE FANTASMA

Eu e a Ana Maria compramos um terreno em Alphaville em 1979, no município de Santana de Parnaíba. Um ano depois, eu deixei a Shell e fui trabalhar na DuPont, que, na época, estava no início da rua da Consolação, em frente à Biblioteca Nacional.
Na época que eu entrei lá, nós já havíamos decidido construir uma casa no terreno. É a casa em que moramos até hoje. Entrar na DuPont foi coincidência: eu não sabia que eles também estavam construindo no mesmo bairro - só que no lado de Barueri.
Em julho de 1981, mudamos de escritório. Saímos do centro de São Paulo para trabalhar no isolado mundo de Alphaville, Barueri. Agora, eu, que já estava construindo desde o início do ano, poderia facilmente ir todos os dias à obra. Eu, nessa época, estava morando no bairro do Sumaré. Trânsito nas Marginais e na Castelo Branco? Nem pensar, nunca era problema nessa época. Para ir do escritório à obra, então, eram cinco minutos.
Eu havia comprado um telefone pelo plano de expansão da Telesp no final do ano anterior. Perspectiva de instalação? Sem informações. Garantiam apenas que em dois anos seria instalado. Porém, Santana de Parnaíba, na época, não tinha telefone de sete algarismos e muito menos DDD.
Em agosto, eu precisei verificar um probleminha da obra na prefeitura de Parnaíba. Porém, ir até lá pela Estrada dos Romeiros demorava cerca de meia hora a partir do escritório da DuPont. A estrada atual que liga Alphaville a Parnaíba era praticamente inexistente. Pedi para a telefonista da empresa que ligasse para lá, ao que ela me respondeu: "Parnaíba? É na Bahia, não é"? Respondi-lhe: "olhe pela janela para aquelas montanhas no fundo. Do outro lado é Parnaíba". Surpresa, ela me perguntou por que o eu não ligava pelo DDD? "É tudo 011, não é?" Respondi-lhe que não havia o sistema lá. "Passe o telefone", disse ela. Eu falei: "256". Ela disse: "e o resto?" Finalizei: "acabou". Incrédula, ela tentou a ligação. Cinco minutos depois, disse-me que a conexão demoraria meia hora e ela me chamaria.
Desisti. Peguei o carro e fui até a prefeitura. Afinal, não havia o trânsito de hoje. Resolvi o problema e voltei, uma hora e pouco depois.
Em setembro, a Telesp apareceu no terreno e instalou o telefone no barraco de obras. No residencial, deveria haver naquele momento cerca de nove obras apenas; nenhuma casa pronta ainda. Eles disseram que o telefone deveria funcionar apenas quando a central telefônica da cidade ficasse pronta, o que deveria ocorrer em novembro e levaria meu telefone e os da cidade a passar a utilizar da nova estação 424. Na semana seguinte, eu resolvi tentar telefonar do Sumaré para a obra, usando o telefone que eu já sabia qual era: 424-1261. Surpreendentemente, um dos pedreiros atendeu. Funcionava!
A conta não veio quando esperada. A cidade de Parnaíba continuava com seus telefones de três algarismos, mas o meu telefone funcionava. Liguei para a Telesp para perguntar quando viria a conta, ao que eles responderam que tal somente ocorreria quando o telefone funcionasse. Eu falei: "já funciona, estou falando dele". Responderam que isso não era possível e que eu deveria estar enganado. Deixei para lá. A primeira conta somente veio um mês depois da abertura da estação no final do ano. A cidade ganhava um telefone decente, mais de dez anos depois da implantação do DDD no estado.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
VERONICA
Veronica, de branco, ao centro: o retrato da felicidadeEstive praticamente ausente deste blog durante os últimos vinte dias. Deve ter, claro, dado para os leitores perceberem. Se não perceberam, é por que este blogueiro é fraco demais.
O motivo da quase parada total foi o casamento de minha filha. A mais nova de meus três filhos e a única mulher. Quatro anos mais nova que meu segundo filho e cinco anos que meu primogênito, a jovem Verônica, com sua voz eterna de criança e seus olhos lindos e tristes conseguiu encontrar seu príncipe encantado.
O rapaz, seis anos mais velho que ela, mora no Rio de Janeiro há seis anos e é italiano. Nasceu e viveu a vida inteira em Pistoia, na Toscana, a vinte quilômetros de Lucca e quarenta de Florença, a bela Firenze.
Enquanto isso, Veronica viveu a vida toda em Santana de Parnaíba, tendo nascido na Pro-Matre de São Paulo. Estudou na Capital e se formou em administração há nove anos. Seu pai - eu - sou paulistano, enquanto sua mãe, Ana Maria, é carioca de Niterói - nasceu na cidade do Rio mas foi registrada do outro lado da baía. Mais para trás, os avôs paternos eram, ele, de Ponta Grossa, PR, neto de alemães, enquanto ela, minha mãe, paulistana. Meu avô, bisavô de Veronica, era de Piracicaba. Seus pais, de Lucca, Toscana. Casaram-se em Pistoia, nos anos 1880. Veronica fecha um ciclo.
Veronica merecia uma festa no seu casamento. Ela foi feita em nossa casa, em Santana de Parnaíba. Ana Maria e sua irmã Daisy transformaram a casa em um salão de festas. Foi um trabalho magnífico, em que as duas irmãs mostraram que são mulheres fantásticas que sabem o que querem e que conseguem chegar a um objetivo: fazer Veronica gostar demais de uma festa da qual se lembrará pelo resto de sua vida.
Muitos amigos e amigas do casal e as famílias. Dele, pai, mãe e uma tia, que vieram de Pistoia e que para isso saíram da Italia pela primeira vez em suas vidas. Saíram de uma cidade de nem cem mil habitantes para uma chamada Grande São Paulo com dezenove milhões. É verdade que Parnaíba tem pouco mais de cem mil, mas quem nota que a cidade, praticamente incorporada hoje à Capital, existe?
Que minha filha seja a mulher mais feliz do mundo. Para mim, será sempre a minha menininha. Para sua mãe também. Veronica viverá na Toscana. Dizem que é a região mais bonita da Italia. Minha filha merece. Serão doze mil quilômetros de distância de seus pais, mas que não a separará de nós.
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
SÃO PAULO, 458 ANOS (OU 459?)
Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, hoje José Diniz, por volta de 1966Neste novo aniversário da cidade de São Paulo, lembro-me da cidade da minha infância, com o bairro do Sumaré já cheio de casas (final dos anos 1950 - início dos 1960) e com ruas de paralelepípedos, uma avenida Sumaré ainda de terra a partir das ruas Atalaia e Grajaú, inúmeras ruas de terra nas Perdizes e na Pompéia, bondes na Paulista e na Domingos de Moraes - sendo que, a partir da Sena Madureira e por toda a av. Jabaquara, eles corriam no canteiro central - bondes numa rua da Consolação estreita e de paralelepípedos, trilhos já sem bondes na rua Augusta, a FFCL da USP ainda de pé e funcionando (alive and kicking, como dizem os americanos) na Glette...
De meus colegas indo embora para casa ao meio-dia pegando ônibus e bondes (até a alemãozada rica que morava no Brooklin!), das festas em casas de amigos (e não em salões de festas) onde meu pai me levava e buscava, do guarda civil que durante mais de dez anos permanecia rodando a pé em frente ao colégio Porto Seguro na Praça Roosevelt, das feiras-livres na mesma praça toda quarta e sábado, de passear na cidade a pé quando havia aula à tarde...
Da Vila Mariana onde morava minha avó, do córrego do Sapateiro ainda a céu aberto em boa parte de seu curso, da Chácara Conceição na rua Domingos de Moraes, da rua Iguatemi estreitinha (onde hoje passa boa parte da Faria Lima), do meu amigo que morava numa chácara na Oscar Freire, de outro que morava na Vila Nova Conceição tendo à frente de sua casinha um circo montado permanentemente num imenso terreno baldio, do mesmo bairro sem um edifício de apartamentos sequer, da avenida Ibirapuera com bondes em toda a extensão, seguindo pela Rodrigues Alves (hoje José Diniz) e só existindo um leito de bondes (somente havia pistas para automóveis também, entre a avenida República do Líbano e a avenida dos Eucaliptos)...
Tudo saudosismo, sim. Mas era legal pacas!
Quanto aos 458 anos, serão 459 se considerarmos que a fundação de Santo André da Borda do Campo como município se deu no ano anterior (1553) e em 1554 a sede desse município foi transferida para São Paulo, Se ainda lembramos que o município de São Paulo somente foi instituído oficialmente (como vila) em 1560, então poderiam ser só 452 anos... e como a vila foi promovida a cidade em 1711, seriam somente 301 anos... Aspectos técnicos que são hoje mera curiosidade.
Para mim, são 60 anos e 2 meses, idade que tenho, pois nasci em São Paulo. Moro desde 1982 em Santana de Parnaíba, mas meu coração está na velha Paulicéia, onde trabalho todos os dias.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
FERIADOS SEM SENTIDO
Ontem, 15 de novembro, foi feriado nacional. O problema é que anteontem, dia 14, também foi, pelo menos na cidade onde mantenho a conta bancária da empresa. Ou seja, isso atrapalhou todo o fluxo de caixa e de recebimentos da empresa. Como ela está situada em São Paulo, e não em Santana de Parnaíba, entrei nessa fria.
Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Ainda não me acostumei a essa aberração que ocorre, lógico, todos os anos. Não mudo a conta de agência por vários motivos, mas tenho que aguentar essa.
Vêm-me à cabeça então as mesmas perguntas: para que ainda existem esses dois feriados? Comecemos com o da República. Hoje, depois de passados cento e vinte e dois anos do golpe de Estado que a criou, quem liga para ela? No fim das contas, o que adiantou trocar um Imperador por um presidente?
Na reprodução da primeira pagina do jornal O Estado de S. Paulo de cem anos atrás, a primeira página mostrava uma alegoria de comemoração pelos então vinte e dois anos passados, enquanto o resto era tomado por um enorme texto engrandecendo o fato. No dia de ontem, não havia absolutamente nada lembrando a efeméride. Posso estar enganado, mas no resto do jornal também não vi coisa alguma. Para que se manter o feriado, então? Somente para que possamos ir à praia e ou para roncarmos na frente da televisão?
O feriado de dois dias atrás, então, é pior. Santana de Parnaíba completou 486 anos da sua promoção a município. Foi, se não me engano, o sétimo município a ser criado na então capitania e o terceiro no planalto. Hoje, no entanto, o que significa isto? Nada. Nenhuma comemoração na cidade e muito menos no resto do país, mesmo tendo sido esta uma das cidades mais poderosas do Sul do país pelo menos nos cem anos seguintes.
Para que então mantemos estes dois feriados? O último, então, deveria ser comemorado em um dia único em todo o país. Todos os cinco mil e quinhentos e sei lá quantos municípios do país inteiro deveriam ter sua data comemorada em algo como "o dia do município", por exemplo, no dia da criação do primeiro deles, São Vicente. Isto evitaria aberrações como ser feriado na sua cidade só e não no resto do mundo.
Estas coisas, no entanto, somente podem ser feitas por governos sérios, coisa que não temos aqui há um bom tempo...
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
O DIA EM QUE O PREFEITO DE PARNAHYBA FOI PARA A CADEIA
Largo da Matriz em Santana de Parnaíba, em 1966 (Quatro Rodas)Era um domingo, 6 de agosto de 1928, dia de festa no então distrito de Pirapora, com romaria e tudo o mais. O prefeito do município de Parnahyba, João José de Oliveira, juntamente com seu secretário, aproveitou sua presença no local para, pessoalmente, cobrar as taxas municipais dos veículos estacionados, com placas de outros municípios.
Naquele tempo, a legislação de trânsito era de competência municipal e este tipo de taxa era devida - o estranho foi o prefeito em pessoa fazer isso. Quando os dois - prefeito e secretário - estavam com os blocos nas mãos, aproximou-se do prefeito o comandante do destacamento de Pirapora, um cabo da polícia, que lhe deu voz de prisão. Surpreso com o fato, perguntou ao policial se ele sabia quem ele era. Como o cabo dissesse que não, o prefeito afirmou que, sendo ele quem era, era supostamente uma figura conhecida de todos.
O policial então disse que “se o senhor é o prefeito, a sua Câmara é uma ladra!” e que teria de levá-lo preso. E o prefeito foi realmente recolhido ao xadrez juntamente com o secretário Antonio Branco, que “também pertencia à quadrilha”. O delegado de polícia de Pirapora foi avisado e pediu que os presos fossem escoltados à sua presença na sua residência, no Largo da Matriz (de Pirapora). Depois da ida à delegacia, foram obrigados pelo delegado a devolver todas as multas arrecadadas aos multados!
De acordo com o relato do prefeito à Câmara dois dias depois, “assim foi feito. Escoltado por várias praças e sob a chacota do populacho fomos à casa do Dr. Delegado de Polícia de quem só merecemos audiência depois de espera de mais de um quarto de hora na praça pública. O Dr. Delegado, ao invés de se impressionar com o fato na realidade grave, antes pareceu achar nele pouca importância, por isso que, fugindo à espera de ação a que o obrigava o cargo entrou de fazer crítica à atitude da Prefeitura, discutindo, à força de argumentos jurídicos, a ilegalidade dos impostos que estavam sendo arrecadados. Concluiu, afinal, que as taxas arrecadadas deveriam ser devolvidas às partes! Lamentável porém real incidente!
Entretanto, desacatado em plena praça pública, vilipendiado pelos insultos reiterados de soldados e populares sem educação, e sobretudo convencido da minha nenhuma garantia, diante do ato sobremodo censurável mas indiscutível do chefe da força armada, diante de tudo isso dizemos, só nos restava abandonar os interesses da Câmara (...) Assim fiz, devolvi aos interessados as taxas arrecadadas segundo me fora ordenado pelo Dr. Delegado, retirando-me, em seguida, para a sede do município”.
O delegado de polícia de Pirapora foi avisado e pediu que os presos fossem escoltados à sua presença na sua residência, no Largo da Matriz (de Pirapora). Depois da ida à delegacia, foram obrigados pelo delegado a devolver todas as multas arrecadadas aos multados! A Câmara publicou moção de desagravo ao Prefeito e seu secretário, citando o ocorrido em detalhes, baseando-se no relato do prefeito.
Não é mentira, está tudo nas atas da Câmara Municipal de Santana de Parnaíba. O secretário, Antonio Branco, tornou-se interventor poucos anos mais tarde. Pirapora hoje é o município de Pirapora do Bom Jesus.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
LIMITES PAULISTANOS
Fotografia tomada em 10/7/2010 - blog http://peruspirapora.blogspot.com/Dentre os inúmeros pontos de divisa do município de São Paulo com os municípios vizinhos, este é um deles: na divisa com Cajamar, a ponte ferroviária sobre o rio Santa Fé, não muito longe do quilômetro 30 da rodovia Anhanguera.
Este ponto é inalcançável por automóvel. Só mesmo pelo trólei da E. F. Perus-Pirapora. Sobre a ponte metálica, os trilhos foram roubados. As pessoas que aparecem na foografia estão do lado de Cajamar. Para cá, São Paulo.
O trólei atualmente vai até a beira da ponte no lado paulistano e cruza-se a ponte a pé.
Esta divisa tem quase 400 anos de existência. Originalmente foi estabelecida em 1625, quando o município de Parnahyba - hoje Santanade Parnaíba - separou-se do de São Paulo. Em 1959, com a autonomia de Cajamar, desmembrado de Santana de Parnaíba, a divisa passou a ser São Paulo-Cajamar.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
O BRASIL E A TOUPEIRA PAULISTANA

Os devotos que acompanham meu blog devem ter estranhado a falta de postagens diárias nas últimas duas-três semanas. Qual terá sido o motivo? Fácil: falta de vontade de escrever. Não foi falta de ideias, desta vez. É falta de paciência para escrever sempre a mesma coisa: criticar especificamente as ferrovias brasileiras e criticar a política e fatos brasileiros, mais constantemente da cidade de São Paulo, onde nasci e trabalho (embora more em Santana de Parnaíba, num bairro distante cerca de 35 km da Praça da Sé).
De manhã, leio o jornal - dependendo do tempo disponível, mais a fundo ou mais "por alto". E já aí começa o que poderia ser "um dia de fúria" (famoso filme com Michael Douglas), mas nunca é. Será um dia? Tenho sérias dúvidas.
Porém, é duro ver, só lendo a seção de cartas dos leitores, que lei nenhuma é cumprida neste país. As empresas das quais os leitores se queixam - analisando pelas cartas, na enorme maioria com completa razão - não aplicam a lei do consumidor de 1991, no mínimo - quando não, roubam mesmo. É de dar raiva. E note-se que uma quantidade pequena de queixas em relação ao que verdadeiramente acontece é publicada...
Aí, vêm as notícias do jornal: falcatruas nos governos federal, estaduais e municipais rolando solta. Os jornais gritam, o povo nas cartas (mais uma vez) grita, mas não acontece absolutamente nada. As desculpas para a existência das falcatruas - quase nunca reconhecidas - são as mais absurdas possíveis. E mesmo quando vem um sujeito que reconhece as mutretas, nada acontece.
A Justiça é lenta e totalmente irreal em muitas decisões. Vejam o caso do mensalão: são já sete anos de história. Quem foi condenado? Ninguém. Será que ninguém tem culpa de nada? E vejam - mesmo que, analisemos como hipótese, tudo nesse caso tenha sido um lamentável engano e os enredados sejam santos - e os outros casos? Casos que pipocam dia após dia nas áreas citadas - federal, estaduais e municipais - são muitíssimos. Será que existe uma turma de jornalistas e de leitores que se especializou em contar mentiras para acusar políticos por algo que eles não fizeram? Sei, sei - que contem outra. São tantas as acusações que pelo menos uma parte tem de ser verdade. Atualmente, no entanto, nada é verdade. Ficamos todos com cara de trouxas.
Fulano é acusado de desviar dinheiro numa determinada área do governo. Ele se afasta do cargo para que, honradamente, se possa investigar e, caso seja provada sua inocência, ele volta? O seu superior hierárquico o demite ou o afasta, se o protagonista não se afastar por conta própria? Também não. Enfim, deixe o galinheiro com o lobo.
Aqui em São Paulo, o prefeito loteia uma área municipal recheada de entidades públicas, para que se construam edifícios privados. Do outro lado, age como uma perfeita toupeira, querendo construir túneis para as linhas férreas, túneis para uma determinada avenida conseguir chegar à rodovia tal, como uma toupeira, que prefere andar soba aterra cavando-a constantemente.
As obras de melhorias na Marginal do Tietê, iniciadas há cerca de 2 anos, custaram até agora - pois ainda não acabaram - 75% mais do que o custo do projeto inicial. Quem controla isto? Ninguém. E eu pensava que jamais haveria um prefeito pior do que o sr. Celso Pitta. Kassab está chegando lá.
E pra quem acha que eu estou criticando o PT, partido mandatário no governo federal, engana-se: estou criticando todos, independentemente de partidos. Está difícil. Muito difícil. Chato de escrever...
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
SOMOS UNS PALERMAS MESMO
No meio do jornal, a foto e a manchete: "Três torres e 120 mil m2 de área privada no coração de Alpha". Não é maravilhoso trazer mais tudo isso de gente e automóveis para o meio da confusão, em frente a uma avenida cujo trânsito só anda de madrugada?Fantástica manchete do jornal Folha de Alphaville na última sexta-feira, dia três: "Alphaville vai dobrar espaços corporativos até 2011". Tudo o que os "alphavilienses" queriam ouvir, depois de protestarem e fazerem campanha contra a construção de novos edifícios no bairro.
E continua a notícia: "O novo estoque de lançamentos corporativos previsto para Alphaville deve saltar de 364,3 mil m2 para 714,7 mil m2. Do total, 80% são de edifícios classe A, dobrando o estoque deste padrão existente hoje no bairro. Esta expansão anima ainda mais os investidores". E segue, mais à frente: "(...) dizem que Alphaville tem tudo para tornar-se a nova Faria Lima ou Berrini, onde há concentração de empreendimentos de alto padrão".
Esqueceram -se de dizer que os empreendedores podem estar animados, mas a população está desanimada. E também não disseram que o trânsito na Faria Lima e na Berrini são caóticos, onde as avenidas e ruas estreitas em volta parecem um estacionamento, pois os carros quase não andam.
É muita cara de pau. Mostra, realmente, o que as pessoas se importam com a qualidade de vida.
Debaixo dessa notícia, uma foto de um prédio que "traz selo verde e spa para descanso". É piada de mau gosto? Como pode um prédio desse tamanho ter selo verde, se ele representa tudo o que nunca poderia ter sido feito num local já entupido de edifícios?
Somos uns idiotas, mesmo. E mais: é claro que a maior parte dos compradores de todos esses imóveis vão ser gente que hoje reclama de Alphaville que não tem mais qualidade de vida. Eu, hein?
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domingo, 1 de maio de 2011
NOS CONFINS DA GRANDE SÃO PAULO
Pois é, o município de São Paulo é hoje ainda um dos maiores municípios do Estado. Até alguns anos atrás, não era: com a expansão da civilização para o Oeste existiam inúmeros municípios enormes, desmembrados mais tarde. Um dos exemplos era o de Araçatuba. O último desses a oeste que sobrou foi o de Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema. Nos anos 1990, sofreu desmembramentos e diminuiu bem.
No mapa do Google, que aqui acima está pequeno (mas que pode aumentar clicando-se sobre ele), os números na estrada que liga o bairro de Santa Rita (1) à capela (8) mostram o local das fotos que tirei hoje pela manhã. A divisa passa por essa estrada, que é a Estrada Velha de Itu. Os nomes no Google das ruas da região estão diferentes na maioria dos casos da placas hoje lá existentes.Suas divisas com os municípios limítrofes cobrem um perímetro bastante longo. Não, não sei quantos quilômetros essas divisas percorrem. Mas são muitos. Trezentos? Quinhentos quilômetros? Não sei. O fato é que fotografar todas essas divisas seria um trabalho cão. É possível vê-las nos mapas, mas em poucos, pois, geralmente, os mapas viários não cobrem toda a área municipal e não chegam até as divisas.
Hoje estive numa delas. Não foi a primeira vez. Mas é perto de casa, então... bem, cheguei à divisa tripla Santana de Parnaíba-Itapevi-Araçariguama. O ponto exato, ainda tenho dúvidas. Mas estive por ele. É uma divisa seca, ou seja, o que a divisa é o divertium aquarium, o célebre "divisor de águas", ou o contrário dos rios ou junções de rios.
A divisa como é hoje começou a ser traçada em 1625, quando Santana de Parnaíba foi desmembrado de São Paulo-município. Depois, com Cotia separando-se de São Paulo e Itapevi de Cotia, enquanto São Roque se emancipava de Parnaíba e Araçariguama de São Roque, estabeleceu-se a divisa tripla de hoje: Santana de Parnaíba-Itapevi-Araçariguama. Ela já existia, por exemplo, em 1930, no mesmo local, mas era Santana de Parnaíba-Cotia-São Roque. Houve várias variações.
O fato é: como é essa divisa? Não é muito clara, sem ter documentações e mapas exatos em mãos. Há poucas construções na área e as ruas são todas não pavimentadas. O ponto mais conhecido ali é a capela do Cururuquara, que está num ponto alto, por estar justamente muitíssimo próxima à divisa. É pequena, antigamente de madeira, hoje em alvenaria e já existia em 1888, quando, segundo reza a história, diversos escravos libertados desceram do morro do Ingaí, perto de onde está Aldeia da Serra, para ir à capela comemorar por três dias e três noites a libertação dos escravos no dia 13. Ou um pouco depois? É sabido que as notícias podiam tomar um ou mais dias para chegar a locais afastados do Rio de Janeiro.
O fato é que ainda existem ali algumas das palmeiras ali plantadas durante a comemoração. O bairro (ver abaixo) é mais velho, era composto em meados do século XIX como tendo diversas propriedades como "campos de criar" - ou seja, pasto para gado. O nome já havia aparecido também no final do século XIX.
A região onde está essa divisa tripla é chamada de bairro de Cururuquara (ou Coruruquara, ou, como antigamente, também Curuquara). O nome é utilizado pelos três municípios que se encostam ali. Alguns nomes antigos de pequenos bairros que ali existiam são hoje quase desaparecidos, como o Suinanduva. Havia também o nome Taipas de Pedra, por causa do tipo de pedras que existiam no chão da parte mais alta da região, hoje já mais difícil de se ver por causa da terra e pedriscos que vão sendo usados para recobrir os caminhos. E vão desaparecer de vez quando tudo for asfaltado. Outros são nomes de loteamentos recentes que ainda não "pegaram".
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sábado, 30 de abril de 2011
JUNTANDO OS CACOS DE ALPHAVILLE
Mapa do Alphaville barueriense publicado ontem no Jornal de Alphaville.Um morador do bairro de Alphaville resolveu montar um grupo no Facebook para disdutir e buscar soluções para o caótico trânsito do bairro, especialmente no que tange ao lado de Barueri. Lembrar sempre que Parnaíba tem o problema também, mas ocorrem em trechos menores e o caos ainda não atingiu as proporções do que ocorre no município vizinho. Se o Silvio Pecciolli (prefeito) não abrir os olhos, a cidade vai chegar lá também. O problema é que, para se chegar aos Alphavilles parnaibanos, há que se passar pelo centro do bairro em território barueriense.
Enquanto o trânsito se esboroa pelas ruas, o Shopping Iguatemi é inaugurado e certamente piorará mais as coisas. Não muito longe dele, seu concorrente no Tamboré se expande.O Jornal do Alphaville de ontem (ele é semanal e sai às sextas-feiras) publicou várrias reportagens espalhadas por suas páginas sobre o assunto. Citou o grupo do Facebook e também o problema dos semáforos, que estão atrapalhando muito mais do que ajudando. Como é um jornal, ele escreve notícias diversas, E aí vêm as contradições, que não são necessariamente culpa do jornal: a inauguração do Shopping Iguatemi e da 7a (sétima!!!) expansão do Shopping Tamboré, o lançamento de novos prédios (meu Deus! Mais?)...
Moradores ensaiam protestos (mas têm eles a experiência de protestos dos moradores de favelas, muito melhores para essas coisas?)Saí hoje por Alphaville vi que, além dos dois edifícios da Via Parque que estão em final de acabamento, do monstrengo na divisa Barueri/Parnaíba ao lado do corrego do Garcia e do Alphaville 3 e do edifício na entrada da avenida Copacabana (ao lado do Burger King) que deverá ser entregue em agosto, há pelo menos mais um prédio sendo anunciado com placas, este na alameda Mamoré, ao lado do América.

Propaganda da prefeitura de Barueri tentando convencer o motorista de Alphaville que ela é competente... mas somente o desse carro parece acreditar, pois, pela foto, está circulando no abirro Às sete da manhã de um domingo...Ouvi também falar (não sei se a notícia é real) que um novo edifício, inclusive com um shopping embaixo, vai ser construído onde hoje é o estacionamento da Laville, na Rio Negro.
O Jornal publica seu editorial sobre o assunto, mas, em minha opinião, não chega nem perto do cerne do problema...Nesta postagem, reproduzo diversas reportagens (ou parte delas), anúncios e fotografias publicadas no Jornal de Alphaville ontem.
A reportagem sobre os semáforos apresenta-os como solução... ou não!Que Deus tenha piedade de nós. Que faça baixar o bom senso na cabeça dos políticos da região. A esta altura, as possíveis ssoluções para tentar amenizar o problema passam por pelo menos três providências, que, já sei, são impossíveis de ser feitas, pelo menos a curto prazo: o pessoal vai me chamar de louco, mesmo sem provavelmente terem qualquer outra alternativa.
Empreendedores que confiam na falta de pesquisa sobre o assunto pelos prováveis compradores anunciam mais prédios, este na avenida Copacabana (chamado ali erroneamente de 18 do Forte).
Outro prédio tem o lançamento previsto para amanhã... (hoje, já que o jornal é de ontem)Quais são elas? 1) A imediata paralização de qualquer obra em andamento, excetuando-se a de casas dentro dos loteamentos fechados, independentemente do ponto em que estiverem e no estado em que estiverem para longa e posterior reavaliação; 2) Suspender toda e qualquer licença para novos empreendimentos, inclusive as que estiverem já com licenças obtidas mas ainda não tiverem iniciado as obras; 3) A imediata colocação de transporte sobre trilhos - de preferência VLTs (Veículo Leve Sobre Trilhos, ou seja, bonde modernos) - em todas os canteiros centrais das principais vias do bairro, sendo que todos se ligarão às estações ferroviárias da CPTM em Carapicuíba, Santa Teresinha, Barueri e Antonio João.
Não é muito difícil prever que logo, logo, os canteiros centrais desaparecerão e se tornarão faixas de trânsito para automóveis (em vez de serem adaptados para receber trilhos).Ah, mas o Ralph é doido! Pode ser. Aguardo alternativas melhores. Porém, como sei que nenhuma das propostas que acabo de fazer serão aceitas, decidirei se continuarei morando aqui assim que tiver para onde me mudar.
A quantidade inacreditável de carros a mais para o bairro todos os dias é notícia...Para onde? Ora, não para São Paulo... eu diria, para no mínimo 150 km de distância da Capital paulista...
E, para terminar, uma fantástica visão do Monstrengo de Alphaville. À frente dele, a avenida Sagitário, atrás deles, os infelizes moradores do Alphaville 3 e, sentado na placa, um sujeito sorridente dá a impressão que está chamando de idiotas os possíveis interessados em comprar unidades por ali...Finalmente, para arejar a mente, o link para o Onde era, onde é, de hoje.
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