Pátio de Avaré em 25/11/1938 - Foto O Estado de S. Paulo
... um temporal encheu de granizo o pátio da estação ferroviária de Avaré
... os comerciantes reclamavam que faltavam vagões em Mogy-Guassu para transporte de seus produtos pela Mogiana
... o Pouso de Paranapiacaba, casarão inaugurado em 1922 na Estrada Velha do Mar, já estava em mau estado e a comida ali servida era ruim
... o Gran Circo Record funcionava à frente da estação ferroviária da Douradense em Itápolis
... sugeria-se que o Estado de Israel deveria ser instalado em Angola, colônia portuguesa na África
... o ramal de Buri, na Sorocabana, estava em construção
... um descarrilamento no trem da Central NP-3 teve descarrilado o carro-dormitório e causou pânico nos passageiros. Colocado no lugar, partiu logo depois para São Paulo
... Um anúncio no jornal colocava à venda um palacete em estilo "bretão-francez" na avenida Rebouças, "futura avenida São Paulo"
... a velha estação de madeira da Noroeste em Bauru estava sendo derrubada e a nova somente entraria em funcionamento no ano seguinte
... os trens noturnos da São Paulo-Minas estavam sendo restabelecidos, depois de anos sem funcionar
... houve outros acidentes na Central do Brasil, como em Cedofeita, em Visconde de Caeté, em Rodeador, MG, na estação de Marítima, RJ
... A avenida Adolfo Pinto, "aberta com o fim exclusivo de ligar a estação e armazens da Sorocabana com os bairros de Perdizes, Lapa e Departamento da Industria Animal", estava sem calçamento, sem esgotos e sem iluminação.
... um dos carros-correio da Sorocabana do trem N-4 incendiou-se e queimou 13 malas postaes
... a Paulista colocou carros especiais nos trens de carreira entre São Carlos e Araraquara para uma excursão da Confraria do Rosário à primeira cidade.
... a Sorocabana anunciava novos horários para seus trens, quando da inauguração do trem Ouro Verde (ver anúncio acima).
... por causa dos novos horários da Sorocabana, os trens da E. F. São Paul-Paraná também anunciam a alteração dos seus trens que partem de Ourinhos
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sábado, 22 de abril de 2017
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
UMA RÁPIDA HISTÓRIA DE ALGUMAS AVENIDAS PAULISTANAS
Avenida Rebouças, esquina avenida Brigadeiro Faria Lima. Foto deste autor
Estas, que tanto são citadas na hora de se arrancar trilhos em diversas cidades, podem ter diversas origens - inclusive, a de se aproveitar leitos de ferrovias desfeitas.
As avenidas paulistanas, afinal, que origem tiveram? Vamos dar alguns exemplos. Claro, das que eu conheço.
Avenida Rebouças - o primeiro trecho, da Doutor Arnaldo até a avenida Brasil (no cruzamento com o córrego Verde), era parte do Caminho de Pinheiros; este, por sua vez, existe pelo menos desde 1560. Alguns dizem que era anterior, aberto em tempos imemoriais, com o nome dado peloa portugueses de "Trilha Tupiniquim". Faria parte do lendário Peabiru. Também foi chamado de "Caminho para Sorocaba". Seu percurso original era o seguinte: começava no Piques (hoje Praça da Bandeira), seguia pela atual rua Quirino de Andrade, subia pela atual rua da Consolação, entrava pela atual Rebouças e entrava pela atual rua de Pinheiros - como Caminho de Sorocaba, prosseguia pela rua Butantan e pelas atuais avenidas Vital Brasil e Corifeu de Azevedo Marques. Quanto ao nome da avenida Rebouças, que homenageia o engenheiro, ele vigora desde o final do século XIX. Não há, aparentemente, nenhuma relação do homenageado com a avenida.
Ela foi asfaltada em 1936. Logo depois, ela foi prolongada desde a avenida Brasil até a rua Iguatemi - atual Brigadeiro Faria Lima. Para isso usou-se o leito de duas ruas que já existiam, mas não se encontravam. Uma saía da Iguatemi e outra da avenida Brasil. O trecho que as uniu formou com as outras duas a continuação da Rebouças. Finalmente, nos anos 1940, depois da retificação do rio Pinheiros, ela foi construída sobre o pântano ali existente até a avenida Marginal, que, aliás, nessa época (1947) ainda não existia. Ali termina a avenida.
Avenida Brigadeiro Faria Lima - seu trecho inicial foi entregue no início de 1971, como a duplicação da já existente rua Iguatemi, entre a rua Amauri e a rua Pinheiros, onde a rua Iguatemi terminava. Alguns anos depois, ela foi prolongada até a rua Teodoro Sampaio. Em 1997, a avenida foi prolongada em Pinheiros e no Itaim. Em Pinheiros, a avenida foi esticada até a avenida Pedroso de Moraes, na esquina da rua Padre Carvalho, pela duplicação de ruas existentes no caminho e unidas entre si, como a rua Coropé. Já no lado do Itaim, todo o prolongamento, feito até o atual cruzamento com a rua Nova Cidade, foi aberto no meio do casario existente, com ampla demolição de uma faixa de terreno grande o suficiente para passar a nova avenida.
Avenida Sumaré - A avenida Sumaré original foi aberta em 1928, no lançamento de um grande loteamento que abriu também muitas outras vias locais. Foi construída praticamente toda ela sobre o córrego da Água Branca, desde sua nascente. A avenida, em terra, ia das atuais ruas Tácito de Almeida até a Professor João Arruda. A partir daí, só no mapa do loteamento, até a rua Turiassu. Na primeira metade dos anos 1950, o trecho entre a confluência das ruas Atalaia e Grajaú até a rua Tácito de Almeida recebeu calçamento com paralelepípedos. No final dos anos 1960, a avenida inteira foi asfaltada, com canteiro central entre a confluência das ruas Atalaia e Grajaú e a rua Turiassu, onde o córrego foi canalizado em toda a sua extensão. O trecho que tinha paralelepípedos continuou da mesma forma, até que, no final dos anos 1970, o trecho entre a confluência das ruas Teffé e Pombal e o início do trecho com canteiro central foi duplicado, juntando-se com uma nova avenida aberta entre as ruas Henrique Schaumann e a confluência das ruas Teffé e Pombal, cavada em meio a casas e sob um viaduto construído na avenida Doutor Arnaldo. Este trecho passou a se chamar Paulo VI, Papa morto em 1978.
O trecho entre as ruas Tácito de Almeida e Pombal e a rua Tácito de Almeida, que era o trecho final da avenida, foi renomeado depois como rua Olavo Freire. Já o trecho entre a Pombal/Teffé e a Grajaú/Atalaia passou a fazer parte da avenida Paulo VI. A avenida Sumaré, com isso, passou a ser somente o trecho alargado com canteiros no final dos anos 1960.
Avenida Pacaembu - Esta avenida foi construída sobre o córrego do mesmo nome nos anos 1930, desde sua nascente junto ao estádio do Pacaembu (que é posterior à avenida) até a linha férrea da E. F. Sorocabana, hoje parte da CPTM, na rua da Barra Funda, no local anteriormente conhecido como Largo do Arroz.
Avenida Doutor Arnaldo - Pelo que sei ela foi construída em 1887 para, saindo de um ponto da Estrada de Pinheiros próxima a onde mais tarde (1891) passou a sair a avenida Paulista, servir de acesso para o Cemitério do Araçá. Seu nome original era Estrada do Araçá, continuando além do portão e entrando com esse nome pela atual rua Heitor Penteado. Em 1897, a avenida já se chamava avenida Municipal, pelo menos até o final do cemitério, hoje na esquina da atual rua Cardoso de Almeida. No mapa de 1905, a avenida já aparece continuando até pelo menos o início atual da rua Heitor Penteado. No início dos anos 1930, com a morte do médico Doutor Arnaldo Vieira de Carvalho, um dos professores da Faculdade de Medicina que a partir de 1934 faria parte da Universidade de São Paulo, recebeu o nome de Doutor Arnaldo. Pouco antes, em 1928, a avenida havia sido esticada além da atual rua Heitor Penteado, até a rua Nova York, com a abertura do novo loteamento que deu origem a diversas ruas, inclusive a avenida Sumaré. Este trecho de 1928 até hoje é um trecho estreito em relação à larga avenida que foi duplicada em 1948, entre o seu início e a rua Cardoso de Almeida. Entre 1903 e 1966, a avenida teve trilhos de bondes entre a rua da Consolação e um pouco antea da esquina da rua Cardeal Arcoverde - onde acabavam abruptamente. O bonde retornava de ré.
Continua...
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
DESCENDO A REBOUÇAS E PENSANDO
Avenida Rebouças. Data e autor desconhecidos. A pista da esquerda sobe, a da direita desce. A rua que sai em diagonal é a rua Melo Alves
.
Não se trata de uma velha música do Ronnie Cord (Alguém se lembra? Alguém conheceu esta figura da Jovem Guarda dos anos 1960?), onde ele cantava: "Subi a rua Augusta a 120 por hora, botei a turma toda do passeio pra fora" e por aí afora..
Trata-se de descer a Rebouças nos anos 2010, mais precisamente, no ano 2014 e, mais especificamente ainda, ontem. E enquanto Ronnie Cord subia (ou descia) a Augusta, a cinco quarteirões da Avenida Rebouças, de carro, eu desci de ônibus. E de dentro dele, em pé, na ladeira entre a rua da Consolação e a Henrique Schaumann, quem corria mais era o ônibus.
A faixa exclusiva, no meio da pista, junto ao canteiro central, feita como deve ser e não como aquelas feitas nas coxas e do lado direito das ruas pelo cidadão que ocupa o Gabinete do Prefeito já há dois anos fazendo bobagens atrás de bobagens - com o nosso dinheiro, claro - , essa faixa permite que os ônibus sejam os únicos que desçam e subam a avenida a uma velocidade decente - talvez próxima de 50 e 60 por hora.
Deu desespero ver os automóveis nas duas ou três faixas que lhes sobram parados quase todo o tempo, de vez em quando andando a 2-3 km para avançar alguns metros, ou mesmo centímetros. É evidente que a faixa os atrapalha, pois toma-lhes espaço. Porém, essa faixa realmente facilita o tráfego do transporte coletivo. Certamente desci a Rebouças muito mais rápido do que se estivesse de carro e praticamente na mesma velocidade do metrô que passa muito próximo dali, por baixo da terra (linha 4, Luz-Butantan).
No lado contrário da avenida, os ônibus subiam rapidamente também e os automóveis conseguiam ter mais liberdade de ação. Subiam a, digamos, 20 a 30 km/hora, sem grandes paradas, exceto pelos semáforos. De qualquer forma, a situação da Rebouças era triste e posso garantir que na mesma hora (cerca de 4 da tarde), várias outras ruas e avenidas estavam na mesma situação que a pista descendente onde eu estava.
Então, pergunto: o que pensavam o inventor do automóvel, ou os inventores, cem, cento e dez anos atrás, quando os lançaram no mercado? Em glória? No futuro da humanidade com eles? Em dinheiro? Teriam eles certeza de que o automóvel iria ser um sucesso e não um fracasso? Certamente pensavam em glória e em ganhar dinheiro. Tinham eles condições de prever os congestionamentos do futuro? E, se tivessem, preocupar-se-iam com isso? Se se preocupassem (o que, pelo meu modo de pensar, era pouco provável), teriam eles vindo a pensar o que fazer para evitar o caos nas grandes cidades que existe hoje?
Na verdade, embora todos gostem de seu carro e deter um, e de sempre querer ter um melhor, mais novo e, se possível, mais caro e potente, é meio ridículo olhar 'a vota e perceber que a maioria dos automóveis têm apenas uma pessoa dentro, mas ocupa o lugar de pelo menos oito? (embora isso não seja o que aconteça, como cabem duas sobre o capô e mais duas sobre o capô traseiro, podemos pensar nas oito pessoas - quando não nove.)
Se tivermos o mesmo número de pessoas que ocupam um carro - e aí vamos falar no máximo que podem ocupar internamente, o que geralmente são cinco - e pusermos-las na rua, andando, o espaço vai ser menor do que os ocupados pelos carros - e elas vão andar em uma velocidade baixa - no máximo, 5 km por hora sem correr - mas não estarão satisfeitos, porque vão se cansar. Porém, chegarão antes no seu objetivo do que se estivessem dos carros.
O correto seria tentar evitar tudo isso, não se permitindo (de que forma? Sei lá!) que cidades como São Paulo, ou mesmo menores, fossem formadas. A alta concentração de pessoas por metro quadrado, ou por quilômetro quadrado, que seja, já provou não trazer grandes vantagens, pelo menos para a grande maioria das pessoas que nelas vivem.
Seria o ideal que isto houvesse sido previsto e que se estabelecessem determinadas normas que limitariam as cidades a áreas específicas não muito grandes e com no máximo um determinado número de habitantes? (300 mil no máximo?)
Enfim, algo tarde para se pensar - mas as pessoas que vão mudar os próximos cem anos com novas invenções, sejam lá o que for, podiam pelo menos tentar fazer. É extremamente difícil prever o futuro, mesmo o muito próximo, qualquer um sabe disto. Mas pode-se tentar pensar mais em possíveis consequências do que fazemos para "melhorar o mundo".
Seria difícil para nós se subitamente fomos transportados de volta para 1880. Porém, o ambiente era muito menos poluído, em todos os termos que você pode imaginar para poluição. A terra era muito menos impermeabilizada - muito pouco, mesmo, com ruas de terra, casas que nem piso tinham, jardins imensos, fazendas imensas. Havia suas vantagens. Afinal, o ser humano já existe há (é isso mesmo?) milhões de anos e sobreviveu a todas as ameaças.
A avenida Rebouças existia há 400 anos atrás e era a Trilha Tupiniquim, Caminho para Sorocaba, Caminho para Pinheiros. Pense nisso. (Nota: lembre-se que quando falo no velho caminho de Pinheiros, falo da trilha que seguia pela atual Rebouças, entrava pela rua de Pinheiros e seguia pela rua Butantan, cruzando o rio e entrando pela atual Vital Brasil, Corifeu de Azevedo Marques etc. A Rebouças como existe hoje não existia há cem anos atrás. O que existia era apenas o trecho rua da Consolação-rio Verde, ou seja, o cruzamento dela com a rua Henrique Schaumann).
Chega de filosofia barata por hoje.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
COMO ERA SÃO PAULO EM 1378 D.C.?
Eu estava aqui, pensando... sempre lendo sobre o Brasil, a Europa (principalmente) e ainda outros lugares, continentes, países...
A Europa sempre me impressionou, li e leio muito sobre ela, mas quantas vezes estive lá? Tenho sessenta e dois anos e fui à Europa apenas duas vezes em minha vida, onde passei não mais do que duas semanas por vez. Os países em que mais tempo estive, pela ordem, foram Itália, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Austria e Espanha. Nenhum outro. Em média, foram 2,7 dias em cada país.
É pouquíssimo, considerando a área da Europa, pouco maior do que a do Brasil, e o número de países que a formam. Fui muito mais aos Estados Unidos, mas não me impressiono tanto com a história deles.
A última vez que estive nos Estados Unidos foi em 1994. Na Europa, em 1995 e neste caso sempre a serviço.
Depois disso, por uma série de fatores, não saí mais do Brasil. Meu passaporte expirou em 1993 e somente renovei-o na semana passada. Foram onze anos sem precisar de passaporte. Porém, agora, tenho uma filha morando na Itália, então... falta só o dinheiro e tempo para ir.
Não saindo mais do Brasil a partir de 1995, comecei a viajar por ele, a serviço ou não. Ainda estou longe de conhecer todo o Brasil e provavelmente nunca o conhecerei. Mas posso dizer que gostei da maioria dos locais que conheci nestes últimos dezenove anos.
O que me impressiona na Europa é a civilização, bem antiga. Há inúmeras cidades que são mais do que centenárias, até milenares.
E por aqui? As cidades mais antigas têm pouco mais de 500 anos e mesmo assim há dúvidas sobre essas datas. (Itanhaém, Cananeia, São Francisco, em Santa Catarina, por exemplo). O primeiro município brasileiro criado pelo governo português tem menos de 500 anos. É São Vicente, em São Paulo, de 1532. A cidade já existia antes. E olhe - como se caracteriza uma cidade, vila ou povoado? Difícil, não?
E é nisto que eu "estava aqui, pensando"... São Paulo foi fundada em 1554. Foi mesmo? Os jesuítas chegaram aqui no planalto em 1554. Há quem diga, burocraticamente, que São Paulo foi fundada mesmo em 1553. Como? Ora, em 1553 João Ramalho, aquele português que andava com os índios do litoral havia décadas foi quem resolveu subir a serra e fundar Santo André da Borda do Campo (nada a ver com a atual Santo André)..Só que, em 1560, a sede do município (caracterizada pela forca e pelo pelourinho) foi mudada de Santo André para São Paulo (municípios nessa época eram chamados de villas).
Ora - o raciocínio é "lógico": se São Paulo passou a ser a sede de uma vila fundada em 1553, então ele teria um ano a mais! Está bem, vamos aceitar a teoria. Mas, podemos?
São Paulo estava num ponto estratégico, no alto de uma colina de onde se via o rio Tamanduateí e até, ao longe, o Tietê. Tinha-se uma boa vista da planície por onde chegavam os inimigos - outros índios. Daí o nome da rua da Boa Vista, que somente tinha casas do lado esquerdo de quem seguia do Colégio para a aldeia do Cacique Tibiriçá (Largo de São Bento). A partir da hora em que começaram a construir casas do lado direito, e mais recentemente, prédios encostados um nos outros, a Boa Vista acabou - ficou o nome da rua. Milagrosamente não o trocaram, como fizeram com tantas ruas mais do que centenárias de São Paulo.
Os meus pensamentos, no entanto, vão mais além - Tibiriçá não era nenhum mocinho quando foi encontrado ali em sua taba. Já estava ali havia um bom tempo. Ele também estava na parta alta, olhando o rio Anhangabaú lá em baixo, esperando os inimigos. Quantos deles Tibiriçá terá derrotado? Ou nenhum, por que eles talvez nunca tenham aparecido?
Se a taba de Tibiriçá não estava isolada, e não deveria estar, aquilo não poderia ser considerado um povoado, uma cidade? Teria um nome? Piratininga, talvez? Há quanto tempo estavam ali a família, os antepassados de Tibiriçá? Dois anos? Trinta anos? Cem? Quinhentos? Os guaianazes, chefiados por Tibiriçá, eram nômades? Ou já havia povoações ali faria tanto tempo quanto as havia nas cidades europeias?
O modo de vida era completamente diferente de um europeu e de um guaianá, mas a verdade era que ambos eram seres humanos e ambos precisavam de um teto para se proteger do frio, do calor, da chuva.
Sabe-se que a rua da Consolação passou a ser o caminho para Pinheiros a partir da época em que esta aldeia foi fundada, em 1560. Depois, para Sorocaba, pois ia-se por ali também. Mas a trilha Tupiniquim, parte da rede de estradas chamada Peabiru, já existia desde... quando? A Trilha Tupiniquim, dizem historiadores, era a própria rua da Consolação - sem a largura de hoje, sem as construções de hoje, sem os trilhos de bondes que vieram e foram embora, sem canteiro central. Depois, o caminho seguia pela atual Rebouças, depois pela rua de Pinheiros, depois pela rua Butantan, Vital Brasil, Corifeu e depois estrada de Itu, que depois se bifurcava para Cotia e Sorocaba... e para o Paraguai, para o Peru.
Não tirei o que escrevi aqui da minha imaginação. Tirei de literatura que li durante décadas. Podem estar corretas ou não - mas não podem estar tão erradas.
Então, nós, que hoje levamos a pé umas duas horas para ir do centro a Pinheiros, mas não fazemos isso porque temos de subir uma enorme ladeira na ida e porque temos automóveis e preferimos ficar parados no trânsito - talvez até em mais de duas horas, dependendo do dia, de qual é o protesto do dia - nós, que hoje podemos pegar o metrô, que segue o Peabiru até a igreja de Pinheiros, ou o corredor de ônibus da Rebouças e Consolação, que a partir do rio Verde (esquina da Rebouças com a Brasil), deixa de seguir o Peabiru, pois não segue pela rua de Pinheiros, nós, que precisamos percorrer hoje uma cidade monstruosa que tem doze milhões de habitantes e que, se existisse no ano 1000 (será que não existiria?) teria quantos habitantes?
Impossível calcular. Quantas aldeias desaparecidas podem ter ocupado a área entre o ano 1000 e 1554? Quantas respostas jamais teremos? É até frustrante, mas nada podemos fazer, a não ser que alguma surpresa apareça de forma surpreendente (juntamos aqui duas surpresas) e nos revele como era São Paulo na primeira metade do segundo milênio depois de Cristo.
sábado, 16 de junho de 2012
A ARBORIZAÇÃO DE SÃO PAULO
Pois é. Visto de cima, parece que o local da foto acima mostra um parque em plena cidade de São Paulo. Não que a cidade não tenha parques. Para dizer a verdade, a zona oeste de São Paulo até que é bastante arborizada hoje em dia - sem contar a arborização de áreas como os Parques Siqueira Campos e Ibirapuera, por exemplo.E é por isso que a área dá a impressão de ser um bosque, vista de cima. Não é. À direita, a avenida que aparece é a Eusébio Matoso, que liga a Faria Lima com a Marginal do Pinheiros e com a ponte sobre o rio. Já no canto superior esquerdo, a pequena fileira de árvores que aparece mostra as que esstão no leito da rua Manduri, que também liga a Faria Lima com a avenida Marginal do Pinheiros.
E o bosque entre elas não é um bosque, mas sim as árvores que crescem dois dois lados do trecho final da avenida Rebouças, naquele quarteirão em que ninguém sabe que ela tem esse nome, entre as avenidas Eusebio Matoso e outra vez a Marginal. Um pequeno trecho dela pode ser visto na mesma foto, próximo ao canto inferior direito.
Para se ter uma ideia de como está a avenida hoje, vejam as outras duas fotografias, tiradas na Rebouças no quarteirão entre a Faria Lima e a rua Ibiapinópolis. Este é o quarteirão que não tem a entrada do Shopping Eldorado, que toma todo o último quarteirão da avenida.
A zona oeste da Capital e boa parte da Zona Sul (aqui não contado, lógico, toda a área rural próxima à divisa com o município de Itanhaém), além de boa parte da Zona Norte (não levando em conta a floresta da Cantareira) são bastante arborizadas. Já a Zona Leste não. Local onde fica boa parte dos bairros mais pobres da Capital, ruas arborizadas são raras. E que não se culpe somente a Prefeitura por isso. Na verdade, o povo que mora nas áreas mais carentes costuma não colaborar para que as mudas cresçam.As fotografias desta postagem foram tiradas por mim, ontem, 15 de junho de 2012.
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
UM TÚNEL ABSOLUTAMENTE INÚTIL
Um quadro da situação hoje às 9:25 da manhã, hora sem muito tráfego no cruzamento da Rebouças (seguindo para o centro no alto da foto) com a Faria Lima (à esquerda seguindo para Pinheiros, à direita, para o Itaim). Vê-se a saída do túnel em cima à, direita, sentido centro) e táxis cruzando a Faria Lima no corredor de ônibus. Vê-se também um ponto de ônibus.
Cada vez que eu estou em meu escritório na Faria Lima (todos os dias, na verdade), ao lado do túnel da Rebouças/Eusébio Matoso sob a avenida Faria Lima, eu me convenço mais ainda de que ele é totalmente inútil. Dona Marta e seus assessores avaliaram a situação muito mal.
Um dos maiores problemas é o fato de que o túnel foi feito, mas não eliminou o cruzamento sobre ele: o sinal continua existindo. Além do mais, a Rebouças é muito estreita e não comporta o volume de tráfego que passa por ela, ainda mais quando já há um bom tempo, antes de existir o túnel inclusive, há um corredor de ônibus ocupando uma das três faixas existentes.
Sou (muito) a favor desse corredor, que funciona bem. O volume de automóveis e caminhões na avenida, no entanto, não há como ser reduzido, a não ser oferecendo alternativas de tráfego em ruas paralelas. A única que existe - e mesmo assim, só durante parte do percurso da pista bairro-centro - tem mão inversa e tráfego quase nulo. E é uma rua residencial. Do outro lado (centro-bairro) é a rua de Pinheiros, mas que também tem a mão invertida e também chega somente à avenida Brasil.
Além do mais, o semáforo no cruzamento da Rebouças com a Pedroso de Morais, na saída do túnel para quem vem do Butantan, segura todo o trânsito que sai do túnel. Ou seja: fizeram um túnel com um semáforo numa das bocas. Isso não funciona.
Voltando ao cruzamento que não foi eliminado, ele existe por dois motivos: um , para que os ônibus do corredor o cruzem. Ora, se há um cruzamento para ônibus, por que não para o resto do tráfego? O semáforo está ali, mesmo... além do mais, os carros que vêm do lado da ponte sobre o Pinheiros são obrigados a entrar à direita na Faria Lima, fazer um retorno no meio desta poucos metros à frente e voltar para a Rebouças, caso queiram entrar nela. Mas que ideia de jerico!!!
Soluções? Uma, seria eliminar o túnel inútil, mas, se ele já está ali, que o deixe, agora. Vamos gastar mais dinheiro para voltar ao que era - mas o que era, era a mesma coisa... Outra solução seria eliminar o semáforo da Pedroso de Morais. Porém, neste caso, o que fazer com quem vem por ela e quer subir para a cidade? Fazer outro túnel sob a Rebouças (ou um viaduto sobre) para eliminar o cruzamento? Pelamordedeus... A terceira sugestão seria acabar com o túnel existente para fazer outro mais longo e mais largo que o atual, de forma a que ele passasse também debaixo do cruzamento da Pedroso e tivesse a boca mais à frente. E também faria com que o corredor passasse por dentro dele (pontos de ônibus subterrânesos? Por que não?). E, claro, permitir tráfego livre para a Faria Lima sobre ele, acabando com o cruzamento de vez. Mas e os pedestres? Um sinal para eles faria outra vez "ressurgir" o cruzamento. Passarelas e passagens subterrâneas têm os problemas que conhecemos.
Análise lógica: fazer o túnel foi um enorme desperdício de dinheiro. Ele não serviu para nada. Só que já está aí. Agora fica sem resolver nada. Senhores governantes: esqueçam túneis e viadutos. Melhorem urgente o transporte público. Urgente. Ontem. Anteontem. Sem isso, não há solução.
Ou há? Bomba atômica na cidade? Fujamos todos antes disso acontecer!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
SOLIDÃO
Fotos Ralph M. Giesbrecht tomadas hoje na rua Sampaio Vidal, Jardim Paulistano, São PauloHoje, como faço alguns dias, andei a pé duas vezes pela rua Sampaio Vidal, no Jardim Paulistano. Mis precisamente, no trecho da rua entre a Faria Lima e a Capitão Antonio Rosa. O Jardim Paulistano é um dos poucos bairros de classe média que ainda mantém suas casas na maioria como residenciais, entre ruas estreitas e com pouco movimento. A Sampaio Vidal é uma delas, aliás, uma das ruas mais largas.
Apesar de ser paralela à congestionada avenida Rebouças, a adoção de mão única no sentido atual fez com que o tráfego de veículos caísse muito em relação ao que era.
É interessante como, mesmo nessa região de gente mais abastada, a manutenção das calçadas não é grande coisa. A limpeza até que é razoável: não há muito lixo, bem pouco, aliás, comparando com outros lugares de São Paulo, na calçada. Porém, as calçadas estão, em boa parte, mal conservadas.
Quando eu era menor, as calçadas das ruas de área residenciais eram bem mais limpas e conservadas. Acho que era por que os moradores se preocupavam em mostrar sua casa com um jardim na frente, muro baixo e uma calçada bem mantida.
Depois, com o aumento de invasões de residências e escritórios e falta de segurança geral, os muros foram se levantando. A maioria das casas, sejam residências ou escritórios, não se vêem mais da calçada. Agora, a impressão que dá - estarei correto? - é que, como o morador não vê mais a calçada de dentro de casa ou de seu quintal, ele não liga mais para a calçada. O tradicional jardim que costumava existir nelas, ou seja, grama com árvores e plantas cortadas no centro por uma calçada mais estreita, virou um cimentado único, sem jardim algum. Dá menos trabalho, mas fica muito mais feio.
Resolvi fotografar com meu celular alguns desses pontos. Reparem as rachaduras, buracos, lixo (em poucos locais, mas há). Num muro alto feito recentemente, quem fez não se preocupou com as raízes de uma árvore que está no quintal e suas raízes espalhadas ficaram debaixo do muro e do passeio. A limpeza do cimento usado no muro e que caiu na calçada também foi mal feita. Claro que no futuro a raiz vai derrubar o muro. As bancas de jornais ocupam quase toda a calçada, fazendo com que as pessoas praticamente tenham de andar na rua.
Enfim: as pessoas, com ou sem dinheiro, não ligam mais para nada. Havia honrosas exceções, sim. Muitíssimo poucas. Ninguém mais anda pela rua somente por andar, como acontecia antigamente. Não há mais nada belo para se ver na cidade. As pessoas se tornaram solitárias. Pena.
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
FUMANTES

Hoje pela manhã ouvi no rádio pelo menos duas vezes sobre o projeto de lei de um deputado estadual paulista (acho que era isso) para proibir o fumo em praças, praias, ou seja, locais abertos.
Não fumo, nunca fumei, não gosto nem sinto nenhuma falta de fumar. Não gosto de cheiro de cigarros e detesto quando em algum lugar alguém joga fumaça de cigarro na minha cara. Porém, o que estão fazendo com os fumantes beira o ridículo.
Sabe-se, pelo menos alardeia-se, que é muito difícil deixar o vício de fumar. Diz-se também que o fumo causa câncer, principalmente de pulmão. O saudoso Stanislaw Ponte Preta disse uma vez que ouviu um político anti-fumo (já nos idos dos anos 1960) dizer que "todo fumante morre de câncer a não ser que outra doença o mate primeiro" (brilhante!). E também me lembro de um filme de Woody Allen, que assisti nos anos 1970, o "Bananas", onde ele vai para o futuro (em tempo: achei o filme uma enorme porcaria), onde os conhecidos dele, em algum ano no século XXI (que é hoje!!!) ou XXII, lhe dizem algo como isto: "olhe só o cara fumando, que legal! Imagine que no século XX todos diziam que fumar fazia mal à saúde, imagine só!".
Como ainda estamos no início do século XXI e ainda ninguém desmentiu o fato que fumar causa câncer - apesar que não é todo fumante que morre ou tem essa doença, realmente - as leis antifumo começaram a proliferar já faz algum tempo. Não se pode mais, pelo menos em São Paulo e outras cidades do Brasil, fumar em ambientes fechados, como bares, restaurantes, cinemas, hoteis, shoppings, escritórios, consultórios, etc. Agora, querem proibir fumar do lado de fora. Onde o fumante vai fumar, então? Só em casa!!
Não era preferível, então, mandar matar todos os fumantes? Não, seria muita dor, sangue e sofrimento, mesmo para quem não fuma. Então, que tal proibir de vez a fabricação de cigarros? O que adianta permitir, afinal, sua fabricação e depois dizer nos maços que cigarro causa câncer e que eu se fosse o cara que está segurando o maço não fumaria nunca mais! Não, isso também não pode, pois a economia nacional sofreria um grande baque.
Então, fazer o que? Tem um fumante que quer largar o cigarro, mas parece que isso é muito mais difícil do que se apregoa, pelo menos pelo que ouço de inúmeros amigos e conhecidos que fumam. Fumar só em casa? Mas e no trabalho, como ele vai fazer? Agora ele pode sair para a calçada e fumar, mas com a nova lei que deve ser aprovada, babau.
Bom, pelo menos vamos nos livrar das bitucas de cigarros, então. Que porcos, esses fumantes que - todos eles, pelo que as pessoas dizem - jogam bituca na rua. Ainda bem que quem não fuma não joga garrafas PET e latinhas de refrigerante, além de papel velho e embalagens de comida na rua também. Eliminando-se o fumo, a sujeira nas ruas desaparecerá.
Hoje caiu um temporal na zona oeste paulistana que alagou vários pontos. Um deles foi a esquina da Brigadeiro Faria Lima com a Rebouças e a Eusébio Matoso, em Pinheiros. Devo assumir, então, que todo o lixo que eu vi no alagamento que pude presenciar do oitavo andar do prédio onde tenho escritório, na Faria Lima, que toda aquele monte de sujeira boiando na água suja eram bitucas de cigarro, bem como aquela capa quase sólida e que pareciam garrafas PET, sobre o rio Pinheiros, eram também bitucas.
Emfim, parece que os fumantes são a fonte de todo o mal. Já os fabricantes de cigarros alavancam a economia nacional. Não é isso?
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
UMA PRAÇA QUE (COMO OUTRAS) NÃO EXISTE
Passei hoje no final da tarde de ônibus pela praça Clemente Ferreira. Como? Onde é esta praça? Ora, é uma das inúmeras praças de São Paulo que tem nome, mas não são praças, são somente um jardinzinho um pouco mais largo do que outros de calçadas ou de canteiros centrais de avenidas. Somente me lembro do nome porque, de repente, bati com os olhos na placa azul.Esta, no entanto, tem este nome desde tempos mais antigos, quando ela era efetivamente uma pracinha. Eu me lembro dela, ainda sem aquele viaduto em cima, que efetivamente, deixou apenas um mini-jardim ao lado de uma enorme coluna de concreto. Este logradouro fica entre as avenidas Rebouças e Doutor Arnaldo, no local exato em que elas começam, pouco antes do Hospital das Clínicas, para quem vem da rua da Consolação.
Em 1930, a praça Clemente Ferreira não tinha nome nem tinha o canteiro triangular que nos anos 1960 possuía. Ela está na bifurcação das avenidas Rebouças e Doutor Arnaldo; não confundir com a outra pracinha ao lado, entre a Rebouças e a Consolação, com a alameda SantosAté 1967-68, quando começaram as obras para se fazer o túnel que hoje liga a avenida Rebouças com a avenida Doutor Arnaldo e rua Major Natanael (aquela ladeira que sai da frente do Instituto Emílio Ribas e desce para o Estádio do Pacaembu), essa pracinha - que, como disse, já tinha esse nome - era em "campo aberto" e triangular. Funcionava como uma espécie de "rotunda" ou "balão", como nós paulistanos a chamamos.
Quem vinha da rua da Consolação (ainda estreita na época) para a Doutor Arnaldo seguia para esta costeando a praça pela direita, na parte alta. Os trilhos do bonde acompanhavam esse caminho. Nesse início da Doutor Arnaldo, a rua era pista simples. Para esses carros que vinham do centro e queriam descer a Rebouças, eles entravam à esquerda no lado menor da pracinha triangular, na época, reto e não em arco como é hoje e entravam à direita na pista que descia a Rebouças.
Para quem vinha da Rebouças de Pinheiros, bastava seguir reto pela hipotenusa da praça (que era a continuação da Rebouças e tinha duas pistas com um canteirinho central, como o resto desta avenida) e entrar na Consolação direto para o centro. As duas pistas tinham a mesma mão, para cima, já que ali já era a Rebouças, em desnível com a Doutor Arnaldo.
As obras dilapidaram tudo isso. A Rebouças manteve suas duas pistas, agora rebaixadas e a que segue para Pinheiros é acessada por um túnel que tem as outras bocas na Paulista e na Consolação. A praça, como escrevi, praticamente sumiu, mas manteve o nome, de forma a atrapalhar quem quer se localizar. O túnel foi mal feito, de forma que uma curva muito fechada para a direita na saída da Major Natanael tornou-se, e o é até hoje, uma curva perigosíssima, onde as marcas de raspagens de automóveis na parede esquerda do túnel após a bifurcação interna são sempre visíveis.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
HISTÓRIA DE CERQUEIRA CESAR: EM BUSCA DOS PEDAÇOS
Detalhe do mapa feito pelo Eng. Gomes Cardim para a Prefeitura de São Paulo em 1897Em continuação à minha postagem do dia 23 de fevereiro deste ano sobre o bairro de Cerqueira Cesar, na capital paulista, tornei a investigar alguma coisa sobre a região, tentando descobrir por que razão o nome do bairro mudou de lugar, de um lado para o outro da avenida Rebouças. Não consegui achar a resposta ainda, mas há alguns fatos novos.
É interessante, também, confirmar o nome inteiro de homenageado: José Alves de Cerqueira Cesar, Vice-Presidente da Província de São Paulo e diretor do jornal O Estado de S. Paulo e também sogro de quem lhe sucedeu neste cargo, Julio de Mesquita. A razão pela qual o bairro recebeu seu nome fica ainda sem resposta: simples puxa-saquismo ao vice-presidente ou ele tinha terras ali?
Entre a avenida Doutor Arnaldo (avenida Municipal) e as que desciam no sentido Pinheiros (Galeno de Almeida, Amalia de Noronha, Cardeal Arcoverde, Teodoro Sampaio e Arthur Azevedo) não havia ligações, possivelmente por serem "pirambeiras". Deveria ser um inferno, uma lameira morar ali. Lembrar que o outro braço do córrego Verde nascia junto à esquina da Amalia com a São José e provavelmente ainda estava a céu aberto, passando também na baixada onde é a esquina da João Moura com a Cardeal.
É a história de São Paulo tentando ser entendida com perguntas, erros e respostas.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
VISÕES DO PARAÍSO E DO INFERNO
Alameda Glette, São Paulo, 1900. Uma cidade francesa, harmônica em sua arquitetura com prédios baixos - casas, na verdade. Acervo LightTodo dia eu venho para o escritório trabalhar e fico olhando pela janela (quando não estou olhando para a tela do computador). Não gosto muito do que vejo: além de uma persiana que fica meio aberta meio fechada — e a parte que fica meio fechada só me deixa ver fora com uma porção de linhas na frente — do lado de fora dois terços são de prédios do outro lado da avenida (detesto prédios) e um terço mostra na frente, os Jardins, com suas casas e suas árvores, e, ao fundo, a Vila América, com aquela muralha de prédios ao longe, além da rua Estados Unidos.
Daqui essa rua parece muito próxima, mas, na prática, deve ser o equivalente a uns quinze quarteirões, mais ou menos. Se abro a janela, o ruído é ensurdecedor. A poeira e a fumaça você sente nos olhos. Chegando mais perto da janela, vê-se a Faria Lima e a Rebouças, com ônibus a dar com pau, automóveis, caminhões e calçadas nada limpas.
Se esses dois prédios aqui em frente fossem demolidos — um é o que tem o Safra, na esquina das duas avenidas, e outro, o que tem o Júlio Abe como arquiteto, creio — a vista seria muito melhor. Atrás deles só há pequenas casas do Jardim Paulistano, casas que dão frente, num primeiro plano, para a Rebouças e a rua Sampaio Vidal. É difícil para mim imaginar que haja pessoas que adoram estar cercada de edifícios altos. Por mais bonito que seja o edifício, é uma agressão.
O antigo escritório onde eu trabalhei por alguns anos ficava na Marginal do Pinheiros, na rua Hungria, no quarteirão que o Clube Pinheiros não conseguiu chegar no rio. A vista do escritório era para o Joquei Clube. Além dele, casas no morro que dá para o Morumbi. Linda vista. Rara em São Paulo, está a ponto de sucumbir, já que o Jóquei está louco para transformar a pequena vila de casinhas que ele tem junto à ponte da Eusébio Matoso em "empreendimentos imobiliários" que, claro, significam torres enormes de apartamentos com nomes estrangeiros. Não sei exatamente qual é a função da vila, se era residencial, parcialmente residencial, ou sei lá o que, mas são sobrados modestos que datam da implementação do clube em 1941 naquele local.
Não conheço Paris. Apenas vi diversas fotografias da cidade. As que mais vejo mostram fotos tiradas de lugares altos mostrando o rio Sena, com suas margens tendo casarões bonitos e antigos. Isso, casarões, no máximo 3 ou 4 andares, pequenos prédios, como seja — dão uma harmonia visual esplêndida. Por que não isso por aqui?
Só conheço uma avenida na cidade com esse tipo de construções: é a avenida Professor Fonseca Rodrigues, no Alto de Pinheiros. Ela é extremamente arborizada, nas calças e no canteiro central, e tem casas e prédios desse tipo — além de terrenos ainda vazios. No seu trecho final, do lado esquerdo, o Parque Villa Lobos.
Daqui essa rua parece muito próxima, mas, na prática, deve ser o equivalente a uns quinze quarteirões, mais ou menos. Se abro a janela, o ruído é ensurdecedor. A poeira e a fumaça você sente nos olhos. Chegando mais perto da janela, vê-se a Faria Lima e a Rebouças, com ônibus a dar com pau, automóveis, caminhões e calçadas nada limpas.
Se esses dois prédios aqui em frente fossem demolidos — um é o que tem o Safra, na esquina das duas avenidas, e outro, o que tem o Júlio Abe como arquiteto, creio — a vista seria muito melhor. Atrás deles só há pequenas casas do Jardim Paulistano, casas que dão frente, num primeiro plano, para a Rebouças e a rua Sampaio Vidal. É difícil para mim imaginar que haja pessoas que adoram estar cercada de edifícios altos. Por mais bonito que seja o edifício, é uma agressão.
O antigo escritório onde eu trabalhei por alguns anos ficava na Marginal do Pinheiros, na rua Hungria, no quarteirão que o Clube Pinheiros não conseguiu chegar no rio. A vista do escritório era para o Joquei Clube. Além dele, casas no morro que dá para o Morumbi. Linda vista. Rara em São Paulo, está a ponto de sucumbir, já que o Jóquei está louco para transformar a pequena vila de casinhas que ele tem junto à ponte da Eusébio Matoso em "empreendimentos imobiliários" que, claro, significam torres enormes de apartamentos com nomes estrangeiros. Não sei exatamente qual é a função da vila, se era residencial, parcialmente residencial, ou sei lá o que, mas são sobrados modestos que datam da implementação do clube em 1941 naquele local.
Não conheço Paris. Apenas vi diversas fotografias da cidade. As que mais vejo mostram fotos tiradas de lugares altos mostrando o rio Sena, com suas margens tendo casarões bonitos e antigos. Isso, casarões, no máximo 3 ou 4 andares, pequenos prédios, como seja — dão uma harmonia visual esplêndida. Por que não isso por aqui?
Só conheço uma avenida na cidade com esse tipo de construções: é a avenida Professor Fonseca Rodrigues, no Alto de Pinheiros. Ela é extremamente arborizada, nas calças e no canteiro central, e tem casas e prédios desse tipo — além de terrenos ainda vazios. No seu trecho final, do lado esquerdo, o Parque Villa Lobos.
terça-feira, 6 de abril de 2010
DELENDA SÃO PAULO
Moro em Santana de Parnaíba, mas trabalho no Jardim Paulistano, em frente ao bairro de Pinheiros (ou seja, na esquina da Faria Lima depois da Rebouças, e não antes — para quem vem de Pinheiros). Daqui se vê a Rebouças eternamente congestionada no sentido centro. Com túnel passando debaixo da Faria Lima e tudo.
O túnel é inútil. Está sempre congestionado, exatamente porque tem um sinal na sua boca norte (Pedroso de Moraes). Do lado da Eusébio Matoso, sentido sul, geralmente o trânsito é mais tranquilo. Quem quer seguir de carro para o centro passa pelo túnel e pega a Rebouças. Quem vem de ônibus espera o sinal da Faria Lima e cruza por cima do túnel.
Para que então um túnel, se não eliminou cruzamento algum? Dinheiro jogado fora, literalmente. E para atrapalhar bem, quem vem de carro pela Eusébio tem de entrar à direita na Faria, fazer um retorno dois quarteirões depois, voltar e entrear à direita na Rebouças. Ora, se os ônibus cruzam a Faria com sinal, por que não os carros? O que resolveu? Nada.
Da Rebouças da minha infância não sobrou nada. Não existe (se existe, é um número desprezível) uma casa servindo de moradia nela. Nem na Eusébio Matoso. A única coisa louvável nas duas avenidas é que elas são umas das pouquíssimas ruas em São Paulo sem fiação exposta — elas são subterrâneas. De resto, as casas viraram escritórios, lojas, postos de gasolina e estacionamentos. Constantemente, nas duas avenidas, casas são demolidas para que os terrenos virem estacionamentos. Uma pena.
Uma pena, não porque essas casas mereçam ser preservadas ou não como patrimônio histórico, mas sim porque eliminam-se as casas para se jogar ali carros e mais carros, com o solo totalmente impermeabilizado onde até há pouco ainda poderiam existir jardins - se bem que eles haviam sido eliminados também para estacionamento das casas comerciais que elas já eram. Ninguém quer morar em ruas com muito tráfego. E isto está acabando com São Paulo.
Domingo li uma reportagem sobre o abandono de casas na avenida Brasil. O motivo: o mesmo. Só que lá não existem (que eu me lembre) estacionamentos; as casas são largadas à própria sorte e, ainda por cima, pagam altíssimos impostos prediais. Não sei por quê, pois a rua está se deteriorando. Há casas tombadas que ninguém aluga — para colocar lojas ou escritórios, claro —, pois não podem mexer na estrutura interna da casa — além de um altíssimo IPTU.
A prefeitura não liga para isso. Quer arrecadar, para ela tanto faz o que se faça nas casas. Estacionamento, escritório, loja, casa abandonada e cheia de lixo, não importa. Pague seu IPTU e tudo está bem. A beleza da cidade que se dane. É uma pena que essa mentalidade mesquinha leve a tudo isso. Seria necessária uma mudança radical de costumes para que tudo isso fosse alterado. Isso não vai ocorrer — pelo menos não a curto e médio prazo. Até lá, a tendência dessas ruas com muito movimento é se deteriorar mais ainda. E bastante.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
O BAIRRO DE CERQUEIRA CÉSAR
Diário de São Paulo, 11/1/1948Este bairro hoje aparece em todos os mapas como sendo aquele que fica ali logo abaixo da Paulista, entre esta avenida e a rua Estados Unidos e entre a avenida Rebouças e a Brigadeiro Luiz Antonio. É cortado pela rua Augusta e pela avenida Nove de Julho, por exemplo.
Pouca gente o chama assim. O mais normal é chamá-lo de “Jardins”, ou mesmo “Paulista”, visto que ele fica logo abaixo dela e encosta na própria. Tem uma sequência enorme de edifícios de apartamentos e de escritórios, hotéis, etc. Tem até casas, que em sua enorme maioria tornaram-se lojas ou escritórios, bares ou restaurantes.
É um dos bairros totalmente “quadriculados” de São Paulo, que, numa cidade de muitos morros, subidas e descidas, é raro. Até o final do século XIX, era, pelo menos em sua parte ao redor da rua Augusta, parte da Chácara do Capão, onde não havia ruas, apenas caminhos internos, e tinha até um pomar de jabuticabeiras, mais ou menos onde hoje estão as alamedas Lorena e Rocha Azevedo e ruas Oscar Freire e Padre João Manuel. Eu cheguei a ver uma delas, no quintal dos fundos de um amigo meu que morou numa casa na Rocha Azevedo, entre a Lorena e a Oscar Freire até os anos 1970. A casa foi demolida e a jabuticabeira, cortada.
O que pouca gente sabe é que o bairro não era ali. Até pelo menos o início dos anos 1950, o nome do bairro era Vila América. Cerqueira César era o bairro que ficava entre as avenidas Rebouças e Sumaré – na época, esta não existia – e a avenida Doutor Arnaldo e a rua Henrique Schaumann. Este bairro, também quadriculado, era Cerqueira César. Basta ver os mapas dessa época e os anúncios de terrenos e casas na região, como o que está acima, na rua Lisboa, anuncio de 1948.
Curioso – quem terá mudado o nome? E por que? O bairro original de Cerqueira Cesar hoje é chamado de Sumarezinho, ou mesmo de Pinheiros, embora esteja longe de Pinheiros: nem a rua de Pinheiros passa por ali, ela começa depois da rua Henrique Schaumann.
O fato é que o bairro migrou por alguma razão. Aliás, quem foi Cerqueira César? Pelo que sei, foi um dos acionistas originais do jornal O Estado de São Paulo. Eram vários. Cerqueira César, pelo que vi, era de — ou morava em — Rio Claro.
Seu genro era Julio de Mesquita que, com a morte de seu sogro, tornou-se acionista, um dos principais, já que vários outros deixaram a sociedade no início do século XX.
Por que o seu nome estava no bairro citado, não sei. Ainda não pesquisei para obter a resposta certa. Talvez possuísse terras naquele bairro. Ou não, já que a enorme quantidade de logradouros públicos em São Paulo e no Brasil nada tem a ver com as pessoas que lhes dão nome.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
SÃO PAULO: PERGUNTAS SEM RESPOSTA
Todo mundo vê que existe uma favela cada dia maior debaixo da ponte do Jaguaré, sendo vista pelos motoristas que passam pela Marginal do Pinheiros no sentido do Cebolão. Por que somente as autoridades não vêem isso? Por que não a retiram de lá?
Todo mundo que sai da Castelo Branco e entra na Marginal do Pinheiros vê logo no início e debaixo da ponte ferroviária da antiga FEPASA uma enorme favela que avança por pequenos pedaços do asfalto da avenida logo depois de uma curva fechada. Logo depois dela, uma enorme quantidade de lixo e de entulho se acumula na calçada. Também é vista com facilidade. Por que somente as autoridades não vêem isso? Por que não retiram a favela e o lixo?
Todo mundo que anda a pé pelas calçadas que formam as esquinas da avenida Brigadeiro Faria Lima com as avenidas Rebouças e Eusébio Matoso vê ali uma quantidade de lixo e de mato, ambas muito grandes, nos pequenos canteiros e nas calçadas. Por que somente as autoridades não vêem isso? Por que não limpam o mato e o lixo?
Todos que andam pelas calçadas da mesma Faria Lima vêem os buracos enormes nas calçadas e os camelôs vendendo produtos pirateados e falsificados em pequenas tendas e mesmo espalhadas pelas calçadas em pequenos lençóis. Por que somente as autoridades não vêem isso? Por que não retiram os camelôs e apreendem as mercadorias?
Todos os motoristas que trafegam pelas ruas de São Paulo vêem inúmeras placas de "proibido estacionar" e, em meio a elas, pontos de táxis colocados ali pela Prefeitura. Porém, o estacionamento proibido tem a função de deixar mais espaço para o trânsito de veículos. Quer dizer, então, que táxis estacionados não atravancam o fluxo? E, se não atravancam, por que não se libera o estacionamento de veículos no resto do quarteirão?
O túnel que passa por debaixo da Faria Lima e que une as avenidas Eusébio Matoso e Rebouças foi construído para que não houvesse mais esse cruzamento, Porém, o semáforo foi mantido na Rebouças e na Eusébio, pois, de outra forma, os ônibus que passam por cima não poderiam cruzar a avenida Faria Lima. Então, que me respondam: para que fizeram o túnel, gastando milhões de reais? E por que os carros particulares que vêm tanto pela Rebouças quanto pela Eusébio Matoso não podem cruzar pelo sinal, tendo que dar uma volta de mais de um quarteirão fazendo os retornos na própria Faria Lima para chegarem ao outro lado do cruzamento, atrapalhando mais ainda o tráfego da Faria Lima?
Até quando estas perguntas ficarão sem respostas? E que sejam coerentes?
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