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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A PONTE SOBRE O RIO TIETÊ EM SANTANA DE PARNAÍBA

A ponte de madeira em 1919 - Acervo Zezinho Scarpa

No município de Santana de Parnaíba, situado a 40 quilômetros da Praça da Sé, somente existe uma ponte sobre o rio Tietê.

A atual foi construída em 1955, quando a Light terminou as obras da segunda retificação do rio neste município, quando transformou a usina hidrelétrica da cidade - a primeira do Estado - em barragem.

Antes, havia outra ponte - de madeira. Por ela passavam pessoas e automóveis. Quando esta foi construída, não se sabe exatamente, O que se sabe é que já existia uma ponte no início do século XIX.

Não existem muitas fotografias desta antiga ponte. Uma dessas fotos é de 1919, segundo a pessoa que a tem. Outro fato: a ponte não ficava no mesmo lugar em que a atual está situada, ou seja, no final da rua Padre Luiz Alves de Siqueira Castro, rua que foi construída nos anos 1950 exatamente para dar acesso à nova ponte.
Em vermelho: local da antiga ponte de madeira. Ao norte desta, a ponte atual.

O local da antiga ponte, ao que se pôde concluir, ficava no final da rua Meatinga. Com a retificação do rio nos anos 1950, a rua Meatinga teve sua parte final destruída e parte dela foi submergida. A nova ponte seria, então, construída alguns metros a jusante do Tietê.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

VELHAS PONTES SOBRE O TIETÊ

Foto da ponte de madeira sobre o rio Tietê. Do outro lado, o bairro dos Remédios. Citada como sendo em 1968. Acervo Eliana Belo Silva

Para quem como nós, moradores de São Paulo há tantos anos, que estamos acostumados a ver tantas pontes de concreto altas sobre o rio Tietê hoje em dia, pontes que são mais viadutos do que outra coisa, visto saírem de bem antes das margens do rio sobre as avenidas Marginais...

Pois então, poucos de nós chegamos a ver ou nos lembramos das pontes antigas de madeira ou mesmo de concreto saindo das margens do rio e não "lá de trás".

Hoje numa lista de discussão discutíamos sobre algumas delas, pelo fato de ter aparecido a fotografia de uma datada de 1968.

Aliás, essa data parece não ser correta, possivelmente é de alguns poucos anos antes, justamente por estar ela sobre o rio Tietê entre a atual barragem do Retiro (na fos do Pinheiros no Tietê) e o obelisco da rodovia Castelo Branco. Ela foi certamente destruída na época da construção da então rodovia do Oeste, que foi inaugurada justamente em 1968.

Além dessa ponte, comentou-se de velhas pontes de madeira e de concreto que cruzavam o rio, como uma na Vila Guilherme. Houve quem se lembrasse de mais duas em Osasco (uma na vila Castanhal). Mas existiam outras em São Paulo, que foram desaparecendo à medida que se retificava o rio (anos 1930 a 1970). E de mais uma no Itaim Paulista, que desapareceu e não foi mais reconstruída depois de uma enchente no final de 1976. Esta deve ter sido uma das últimas.

Note-se que essa ponte e mais outras tinham boias para sustentação sobre a água, em vez de pilares.

terça-feira, 12 de julho de 2011

LIMITES PAULISTANOS

Fotografia tomada em 10/7/2010 - blog http://peruspirapora.blogspot.com/

Dentre os inúmeros pontos de divisa do município de São Paulo com os municípios vizinhos, este é um deles: na divisa com Cajamar, a ponte ferroviária sobre o rio Santa Fé, não muito longe do quilômetro 30 da rodovia Anhanguera.

Este ponto é inalcançável por automóvel. Só mesmo pelo trólei da E. F. Perus-Pirapora. Sobre a ponte metálica, os trilhos foram roubados. As pessoas que aparecem na foografia estão do lado de Cajamar. Para cá, São Paulo.

O trólei atualmente vai até a beira da ponte no lado paulistano e cruza-se a ponte a pé.

Esta divisa tem quase 400 anos de existência. Originalmente foi estabelecida em 1625, quando o município de Parnahyba - hoje Santanade Parnaíba - separou-se do de São Paulo. Em 1959, com a autonomia de Cajamar, desmembrado de Santana de Parnaíba, a divisa passou a ser São Paulo-Cajamar.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

VELHA PIRACICABA DE MEU AVÔ

Estive hoje em Piracicaba, depois de alguns anos. Gosto de lá; é a terra de meu avô Sud. Fui lá somente a serviço e muito rápido; mas o dia estava bonito e, como fui à Vila Rezende, tive de atravessar o rio na antiga ponte da Sorocabana. Aliás, estão construindo uma nova de concreto ao lado dela. Será que vão derrubar a velha ponte?

Logo a jusante da ponte, fica o salto do rio Piracicaba. O "sarto", como dizem por lá. Ao voltar e cruzá-la novamente, entrei na rua que acompanha o rio e cheguei ao mesmo ponto, a montante do salto, onde estive com meus pais em 1960. Nesse dia, eu, com 8 anos, estava com o Studebaker deles; eles pararam sobre o campo entre as árvores à beira do rio. Meu pai acabou perdendo a chave do carro e foi um carnaval para conseguir abri-lo de novo. Hoje não é possível parar no mesmo local, há que se parar na rua.

Tirei rapidamente algumas fotos ali. O salto é realmente bonito.
O rio tem um grande arvoredo que o acompanha por toda a sua passagem pela cidade. Isso ocorre porque, ao contrário da maioria dos rios que cruzam a zona urbana das cidades, o Piracicaba jamais foi canalizado, retificado e muito menos entubado. É muito bonita a vista do rio, de qualquer lugar que se olhe.
Algumas casas mais antigas ainda são encontradas nas imediações do rio. Também e vários pontos se divisa o Engenho Central, hoje palco de exposições, quando as há.
Para sair de Piracicaba, temos de cruzar a área central. Ao sul do rio, há um morro que se tem de subir e descer, para cruzar a antiga linha da Sorocabana (vale do córrego Itapeva e hoje avenida Armando de Salles Oliveira). Dali, subimos de novo até chegar à avenida Guidotti, que leva para a saída para a estrada que segue para Santa Bárbara e Americana. E a rodovia dos Bandeirantes, que leva para São Paulo.
Piracicaba é uma cidade com poucas avenidas e muitas ruas estreitas. A cidade velha é quadriculada e hoje está praticamente toda ocupada por lojas, comércio e serviços; poucas residências. Mesmo assim, muito do casario antigo se conserva.
O córrego que divide claramente a cidade da área rural é o Piracicamirim, que cruzamos quando chegamos à cidade vindo de São Paulo pela rodovia dos Bandeirantes ou pela Anhanguera. O marco que cerca a cidade pelo lado leste é a famosa Escola de Agricultura Luiz de Queiroz, hoje da USP.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

PONTES QUE DURAM UMA VIDA


A linha da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro iniciou sua construção nos anos 1870. Em 1875 abriu seus dois primeiros trechos: Campinas a Mogi-Mirim e Jaguari (Jaguariúna) a Amparo.

Em 1878, a linha foi prolongada de Mogi-Mirim até Casa Branca. Nesse trecho aberto, foi construída uma ponte sobre o rio Mogi-Guaçu, cruzando-o na cidade homônima. Esta ponte foi utilizada até 1904; neste ano, a Mogiana entregou uma nova para substituir a anterior, agora em ferro importado. A própria ponte já deve ter chegado pronta do fabricante, geralmente norte-americanos.
Detalhe com a pedra mostrando a data.
As bases, como se costumava fazer, eram de pedra. Uma obra de arte, mesmo. Numa das pedras, foi colocada uma inscrição com a data de finalização.

A ponte hoje, asfaltada. Cortesia Luiz Souza
Em 1979, a ponte foi abandonada pela ferrovia, pois a variante que foi construída passando por fora da cidade exigiu uma nova, em outro ponto do rio, além de uma nova estação. Ponte e estação antigas deixaram de ter funções ferroviárias.

Hoje a velha ponte centenária serve para o tráfego rodoviário. Conservaram-se as bases de pedra e a estrutura em ferro. No lugar dos trilhos e dormentes, retirados, o asfalto cobre hoje seu leito, da mesma forma que cobre o velho leito da linha que cruzava a cidade. O trem passa por fora.
A ponte hoje. Cortesia Luiz Souza
As fotos mostram o passado e o presente da velha ponte da Mogiana.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

AS PONTES DE TRÊS RIOS

Ponte das Garças - a original, sem data. Ficava entre Três Rios e Petrópolis.

A Central do Brasil, em sua linha do Centro, ou seja, sua linha mais longa, que ligava o Rio de Janeiro a Monte Azul, norte de Minas (embora com quebra de bitola), costeava o rio Paraíba do Sul e o rio Paraibuna durante uma boa distância, na divisa Rio de Janeiro-Minas. Cruzava os rios para lá e para cá para aproveitar o terreno e não ter de fazer cortes e túneis demais. Preferia as pontes.

Próximo a ela, a Leopoldina também passava pela região, misturando-se com a linha da Central em alguns lugares. O município de Entre Rios, a partir de 1943 chamado de Três Rios, era um deles.

Em Três Rios cruzavam diversas linhas. Pelo pátio ferroviário dessa cidade passavam a linha do Centro, vinda de Barra do Piraí e seguindo para Juiz de Fora, a linha da Leopoldina que vinha de Petrópolis e seguia para Ubá e a linha Auxiliar, que vinha de Paraíba do Sul e seguia para Porto Novo do Cunha. E haja pontes na região.

As pontes da Central eram as mais bonitas. As da Leopoldina, nem tanto. Porém, havia uma desta última que era bem bonita. Ela ficava sobre o rio Paraíba do Sul, na linha que ligava Três Rios a Petrópolis. Era a ponte das Garças. Certamente havia por ali muitas dessas aves. A que existe hoje não é a que foi fotografada acima (foto enviada por Jorge Alves Ferreira Jr.): ela foi desmontada e substituída por uma mais recente, de aço. Esta última está lá até hoje, mas não é tão bonita quanto a original. Hoje, sem trilhos, é uma ponte somente para pedestres: está em zona urbana.

A Leopoldina seguia também para o norte, acompanhando o rio Paraibuna, afluente do Paraíba, e cruzando-o em Praia Perdida: aqui estava - e ainda está, também sem trilhos e abandonada - a Ponte dos Ingleses. Ou seja, a maior parte dessas pontes tinha nomes, oficiais ou, como na maioria das vezes, populares.

A citação da Ponte das Garças vem hoje à minha mente pois há alguns dias recebi uma fotografia dela - da original - que mostrava um carro cruzando-a, sobre os trilhos. Era um Ford Victoria, de posse do avô de uma conhecida, a que mandou a foto. Em seguida, ao vê-la, Jorge mandou outra foto da ponte, com fotos da ponte atual e também da ponte dos Ingleses.