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sábado, 3 de fevereiro de 2018
MEMÓRIA BRASILEIRA NO LIXO
Em Ouro Preto, as normas do IPHAN vêm sendo desrespeitadas, com as vistas grossas das autoridades (Fotos Paulo Clarindo)
Algumas fotografias por mim recebidas nos últimos dias dão conta de como o patrimônio histórico brasileiro vem sendo cuidado.
Mal, infelizmente. Muito mal.
No Rio de Janeiro, os trilhos já mais que cinquentenários vão ser arrancados sem dó, depois de redescobertos durante as obras do VLT. Vão sobrar somente as fotografias. (Fotos Paulo Clarindo)
Afinal, com a crise política que se arrasta há anos sem que o nosso (des)governo se importe em resolvê-la, com a corrupção que teima em continuar sendi incentivada, com a impunidade geral por crimes de toda natureza, quem vai se preocupar com velharias, não é mesmo?
Em Piramboia, antiga estação da linha-tronco da Sorocabana no município de Anhembi, SP, carros de passageiros pré-Fepasa se estragam em desvios mortos da linha (Foto Antonio Carlos Cardoso).
Bom, eu me preocupo. E sei que há uma quantidade razoável de pessoas que fazem o mesmo. Pena que não possamos resolver os problemas sozinhos.
Afinal, para aqueles que pensam que "afinal, preservar memória para que?", nunca é demais lembrá-los que a memória de um povo é que forma uma nação. Mesmo em tempos de crise e penúria.
Em Três Lagoas, MS, trilhos abandonados da Noroeste há mais de dois anos (é a linha original, que, na cidade, foi abandonada por causa de uma variante construída em redor da área urbana) vai acabar sendo arrancada pela prefeitura ou mesmo roubada por sucateiros sem que se a preserve como patrimônio da época da fundação da cidade, cem anos atrás (Foto Elias Soares.
Ao longo desta narrativa, postei alguns itens que me chamaram a atenção, como os quatro casos que reproduzi aqui.
Reflitam.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
E SÃO PAULO CONTINUA SE AUTODESTRUINDO
Hoje li uma notícia que afirmava que a Prefeitura quer proibir "mega-empreendimentos" de 30.000 metros quadrados ou mais para evitar a construção de conjuntos de edifícios residenciais, de escritórios ou mesmo shopping centers e igrejas (vide Templo de Salomão), por que isso sobrecarrega a infra-estrutura existente nos bairros, fora que está cada vez mais gerando reclamações da população que mora em volta.
Ora, venho falando isso há anos (mas ninguém liga, pois não sou nenhum sujeito famoso. Talvez agora tenha atrapalhado a vida de alguém mais poderoso...) e nada é feito, muito pelo contrário, a situação somente piora.
Eu particularmente duvido que isso vá para a frente. Parece-me mais uma forma de agradar parte da população prejudicada, mentira eleitoral, essas coisas. Afinal de contas, o prefeito que temos em São Paulo é um incompetente de marca maior. Como poderia ele ter uma ideia dessas e ainda por cima, colocá-la como projeto de lei e no final ainda aprová-la? Parece um sonho. E deverá ser um sonho, mesmo.
Enquanto isso, mesmo com a crise na venda e aluguel de imóveis chegando cada vez mais perto, os imóveis mais antigos (e pequenos) continuam indo ao chão, para a construção de edifícios em tudo quanto é bairro, rico ou pobre... ou, principalmente, de classe média.
Foto de 1970: acervo Valeria Bonfim O prédio de 3 andares ao lado também foi demolido.
.
O exemplo que pomos aqui não dará surgimento a um "mega-empreendimento", não tem área para tanto, mas já atrapalhará bastante quando estiver em construção e, principalmente, depois de pronto.
Atualmente o local, que demoliu cerca de seis imóveis na esquina da avenida Brigadeiro Luiz Antonio com a rua Caconde, está vazio, cercado por um tapume, aguardando ou um estacionamento provisório ou já o início das obras. Será um prédio e não será baixinho. E a área não é pequena, embora não chegue perto dos 30 mil citados acima.
A fotografia antiga mostra um dos prédio, de dois andares e de esquina, no início dos anos 1970. A outra, tirada por mim, há cerca de um mês, no início da demolição. Como costumo dizer, o prédio, que em 1970 abrigava um bar no andar de baixo, não é nenhuma maravilha arquitetônica, mas abrigava apenas um número reduzido de pessoas por ali.
Ora, venho falando isso há anos (mas ninguém liga, pois não sou nenhum sujeito famoso. Talvez agora tenha atrapalhado a vida de alguém mais poderoso...) e nada é feito, muito pelo contrário, a situação somente piora.
Eu particularmente duvido que isso vá para a frente. Parece-me mais uma forma de agradar parte da população prejudicada, mentira eleitoral, essas coisas. Afinal de contas, o prefeito que temos em São Paulo é um incompetente de marca maior. Como poderia ele ter uma ideia dessas e ainda por cima, colocá-la como projeto de lei e no final ainda aprová-la? Parece um sonho. E deverá ser um sonho, mesmo.
Enquanto isso, mesmo com a crise na venda e aluguel de imóveis chegando cada vez mais perto, os imóveis mais antigos (e pequenos) continuam indo ao chão, para a construção de edifícios em tudo quanto é bairro, rico ou pobre... ou, principalmente, de classe média.
Foto de 1970: acervo Valeria Bonfim O prédio de 3 andares ao lado também foi demolido.
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O exemplo que pomos aqui não dará surgimento a um "mega-empreendimento", não tem área para tanto, mas já atrapalhará bastante quando estiver em construção e, principalmente, depois de pronto.
Atualmente o local, que demoliu cerca de seis imóveis na esquina da avenida Brigadeiro Luiz Antonio com a rua Caconde, está vazio, cercado por um tapume, aguardando ou um estacionamento provisório ou já o início das obras. Será um prédio e não será baixinho. E a área não é pequena, embora não chegue perto dos 30 mil citados acima.
A fotografia antiga mostra um dos prédio, de dois andares e de esquina, no início dos anos 1970. A outra, tirada por mim, há cerca de um mês, no início da demolição. Como costumo dizer, o prédio, que em 1970 abrigava um bar no andar de baixo, não é nenhuma maravilha arquitetônica, mas abrigava apenas um número reduzido de pessoas por ali.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
O VELHO RECIFE, PERNAMBUCO - 1975
Casarão - 1975 - VEJA
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Fui ao Recife apenas três vezes em minha vida. As duas últimas foram visitas curtas, de 1 a 2 dias, a trabalho. Isto nos anos 1990. Não deu para ver nada que havia visto em 1965, quando fiquei, com meus pais e meus 13 anos de idade, hospedado no centro da cidade, que ainda tinha o comércio vivo e os melhores hotéis.
Mas apesar disso, pouco me recordo. Lembro-me de que sempre que íamos ao local em que meu pai estava dando aulas nesse tempo, pegávamos uma avenida comprida e reta, a avenida Caxangá. Não me lembro se a cidade ainda tinha bondes, mas recordo-me do Capiberibe e de suas pontes. E de que alguns dias íamos à praia, que não eram tão próximas. Uma era a da Boa Viagem.
Casarão - 1975 - VEJA
.
No nosso hotel estavam também hospedados as delegações do São Paulo e do Corinthians, que participavam, naquele mês de janeiro, de um torneio pentagonal de futebol com o Náutico, Santa Cruz e Sport Recife na cidade. Fomos assistir a uma rodada dupla numa noite no estádio dos Aflitos. Uma vez encontramos na praia alguns jogadores do Corinthians da época. Eles saíram da água e nos viram jogando futebol. E quiseram participar do jogo - imaginem vocês. Foi muito, digamos, interessante.
Teatro Apolo - 1975 - VEJA
.
Entre esse longínquo 1965 e o não tão próximo 1990, descobri nos meus arquivos algumas fotos, publicadas numa edição da revista VEJA de 1975 - 2 de março, mais especialmente, que mostram uma Recife que talvez, pelo menos em parte, não exista mais. Sei que o forte e a velha estação de Brum, esta desativada já antes da minha primeira visita à cidade, ainda existem - porém, os outros prédios, muito bonitos e em más condições nas fotos, muito provavelmente não mais sejam parte da cidade, conforme previsto na revista de 1975.
Forte Brum - 1975 - VEJA
.
O Brasil inteiro vem perdendo sua história já há muito tempo. Especialmente nessa época, onde apenas se começava a falar em preservação, ou seja, começava a se achar que manter construções antigas e bonitas era coisa de louco: tudo deveria ser renovado e o velho deveria ser posto abaixo.
Estação ferroviária de Brum, 1975 - VEJA
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Enfim, apreciem as fotografias e se alguém souber se algum dos dois casarões e o teatro conseguiram sobreviver, que me avisem.
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Fui ao Recife apenas três vezes em minha vida. As duas últimas foram visitas curtas, de 1 a 2 dias, a trabalho. Isto nos anos 1990. Não deu para ver nada que havia visto em 1965, quando fiquei, com meus pais e meus 13 anos de idade, hospedado no centro da cidade, que ainda tinha o comércio vivo e os melhores hotéis.
Mas apesar disso, pouco me recordo. Lembro-me de que sempre que íamos ao local em que meu pai estava dando aulas nesse tempo, pegávamos uma avenida comprida e reta, a avenida Caxangá. Não me lembro se a cidade ainda tinha bondes, mas recordo-me do Capiberibe e de suas pontes. E de que alguns dias íamos à praia, que não eram tão próximas. Uma era a da Boa Viagem.
Casarão - 1975 - VEJA
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No nosso hotel estavam também hospedados as delegações do São Paulo e do Corinthians, que participavam, naquele mês de janeiro, de um torneio pentagonal de futebol com o Náutico, Santa Cruz e Sport Recife na cidade. Fomos assistir a uma rodada dupla numa noite no estádio dos Aflitos. Uma vez encontramos na praia alguns jogadores do Corinthians da época. Eles saíram da água e nos viram jogando futebol. E quiseram participar do jogo - imaginem vocês. Foi muito, digamos, interessante.
Teatro Apolo - 1975 - VEJA
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Entre esse longínquo 1965 e o não tão próximo 1990, descobri nos meus arquivos algumas fotos, publicadas numa edição da revista VEJA de 1975 - 2 de março, mais especialmente, que mostram uma Recife que talvez, pelo menos em parte, não exista mais. Sei que o forte e a velha estação de Brum, esta desativada já antes da minha primeira visita à cidade, ainda existem - porém, os outros prédios, muito bonitos e em más condições nas fotos, muito provavelmente não mais sejam parte da cidade, conforme previsto na revista de 1975.
Forte Brum - 1975 - VEJA
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O Brasil inteiro vem perdendo sua história já há muito tempo. Especialmente nessa época, onde apenas se começava a falar em preservação, ou seja, começava a se achar que manter construções antigas e bonitas era coisa de louco: tudo deveria ser renovado e o velho deveria ser posto abaixo.
Estação ferroviária de Brum, 1975 - VEJA
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Enfim, apreciem as fotografias e se alguém souber se algum dos dois casarões e o teatro conseguiram sobreviver, que me avisem.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2014
MAIS UMA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA SE VAI
A estação que fotografei em 1999. Esse era o lado da fachada. Os trilhos dese lado já haviam sido retirados, mas se mantinham - e ainda hoje se mantêm - do outro lado
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Hoje fiquei sabendo que recentemente a estação de Orindiúva, uma das poucas estações da arquitetura típica da Mogiana do princípio do século XX, foi demolida.
Porém, logo depois de fazer o upload, recebi uma notícia de que não, ela ainda está de pé. Esteja como estiver, no entanto, a situação é muito precária, como se vê na foto mais abaixo de 2013.
A estação por volta de 1910
.
Orindiúva estava abandonada desde a época em que lá estive, no já distante ano de 1999. Ficava na linha-tronco, no único trecho da Mogiana original que nunca foi retificado e portanto ainda mantinha o leito do final do século XIX - o trecho Mato Seco-Lagoa Branca.
A estação nos anos 1990. Foto Wanderley Zago
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Ficava no município de Casa Branca, SP, entre as estações de Engenheiro Mendes e Miragaia. Cargueiros da FCA mantém seu percurso passando por lá até hoje.
A estação em 2013, fotografada por Reginaldo Zimbres
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Quando lá estive, não notei nenhum bairro por perto. O local era bem ermo e cheio de mato. As fotos que dui recebendo durante os anos que foram passando mostravam a sua decadência.
O Brasil perde um pouco mais de sua história. E, afinal, quem demole - ou quer demolir, se ela realmente ainda estiver de pé - estas estações? O dono das terras em volta? A prefeitura? Moradores próximos - se é que os há? A concessionária? Fica o mistério e o descaso.
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Hoje fiquei sabendo que recentemente a estação de Orindiúva, uma das poucas estações da arquitetura típica da Mogiana do princípio do século XX, foi demolida.
Porém, logo depois de fazer o upload, recebi uma notícia de que não, ela ainda está de pé. Esteja como estiver, no entanto, a situação é muito precária, como se vê na foto mais abaixo de 2013.
A estação por volta de 1910
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Orindiúva estava abandonada desde a época em que lá estive, no já distante ano de 1999. Ficava na linha-tronco, no único trecho da Mogiana original que nunca foi retificado e portanto ainda mantinha o leito do final do século XIX - o trecho Mato Seco-Lagoa Branca.
A estação nos anos 1990. Foto Wanderley Zago
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Ficava no município de Casa Branca, SP, entre as estações de Engenheiro Mendes e Miragaia. Cargueiros da FCA mantém seu percurso passando por lá até hoje.
A estação em 2013, fotografada por Reginaldo Zimbres
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Quando lá estive, não notei nenhum bairro por perto. O local era bem ermo e cheio de mato. As fotos que dui recebendo durante os anos que foram passando mostravam a sua decadência.
O Brasil perde um pouco mais de sua história. E, afinal, quem demole - ou quer demolir, se ela realmente ainda estiver de pé - estas estações? O dono das terras em volta? A prefeitura? Moradores próximos - se é que os há? A concessionária? Fica o mistério e o descaso.
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terça-feira, 26 de junho de 2012
RIBEIRÃO PRETO E OS ERROS DE SEMPRE: A HISTÓRIA SE REPETE
Em frente à antiga estação da Mogiana, na rua General Osório e perto da antiga cervejaria, o belo prédio espera a reforma ou a morte. A história não pe sobre ele, mas ao seu redor. Foto Ralph Giesbrecht, 2007O que se fala hoje em Ribeirão Preto é a demolição da antiga cervejaria da Antártica para se construir um shopping center no local. O quarteirão é enorme, e fica junto ao centro comercial da cidade, num local hoje deteriorado como o são quase todos os centros de cidades grandes.
A construção de um horrendo shopping ali pode levar à revigoração (como as prefeituras vêem isso) da área ou não. Pode inclusive acabar com o comércio popular do centro, o que seria péssimo para muita gente, mas poderia também acabar deteriorando o próprio shopping.
Nos anos 1960, insistiu-se para demolir a estação ferroviária de Ribeirão Preto, um prédio então de mais de sessenta anos, para se construir uma rodoviária. Embora tenha demorado bastante para isso acontecer, efetivamente ocorreu. Hoje, trinta e seis anos depois da inauguração da rodoviária em 1976, o local está mais deteriorado do que nunca.
Embora os comerciantes dissessem que isso traria a revigoração do local e todos sairiam ganhando, não foi exatamente o que ocorreu. A região que na época estava em início de decadência, hoje está bastante deteriorada, por causa da horrenda rodoviária que substituiu todo um complexo ferroviário que deveria ter se tornado um imenso parque central (para quem não sabe, as linhas ali deixaram de ter função com a remoção das linhas da Mogiana para o outro lado da cidade e a desativação de fdois ramais que dali saíam). Imaginem os senhores todas as casas antigas e históricas da Mogiana mantidas, estação, oficinas, galpões, casas e a rotunda, com seus trilhos e um imenso gramado com árvores no local.
A experiência corre o risco de se repetir. Nunca vi um povo como o brasileiro que goste tanto de derrubar a história para construir avenidas e shopping centers. Haja shoppings, realmente. Deixa-se de caminhar ao ar livre para entrar no ar condicionado de túneis como os dos centros comerciais. Eu nunca gostei, mas certamente sou exceção.
Enquanto isso, ali ao lado da rodoviária, que fica ao lado dos prédios da cervejaria, está também há anos uma locomotiva a vapor que simboliza, segundo moradores do bairro da Vila Tibério e outros de fora dele, uma das únicas lembranças da Mogiana que ali estava em tempos de outrora. O fato é que a máquina jamais pertenceu à Mogiana e jamais rodou em Ribeirão Preto. Pertencia a uma ferrovia de uma fazenda particular desativada em Santa Rosa do Viterbo no final dos anos 1960... ora, se é para ter história, que seja a história correta. Isso, fora o fato de a locomotiva estar a se estragar ao relento. Como é de ferro, obviamente enferruja e serve de depósito de sujeira de pombos e mal-tratos de transeuntes.
A Prefeitura conseguiu verba para pintá-la novamente, etc. Sempre em vésperas de eleições. De qua adiante pin tar? Se ela fosse conservada em ambiente interno, seria muito melhor. Poderia também colocá-la não ali, mas ao lado do sempre prometido e nunca entregue Museu Ferroviário da cidade, na estação do Barracão, que ainda tem seus trilhos mas está fechada há anos e não tão longe dali. Mas isso significaria tirar a máquina da Vila Tibério. Estrague, mas fique ali...
Finalmente, os prédios mais antigos da cervejaria poderiam eles ser o shopping. São pequenos para tanto? Bom, que se os deixe em meio a outras construções. O problema é que shoppings ultimamente têm sido construídos ocupando quase toda a área disponível - e neste caso é uma área grande - e aí, tornam-se monstrngos que parecem dar a impressão de que vão desabar sobre os passantes, de tão próximos que ficam das calçadas. E as construções que sobrevivessem ficariam bastante escondidas, infelizmente. Os automóveis, como sempre, não caberão nos estacionamentos construídos e tudo piorará. E por aí vai, a série de erros de sempre. E a memória da cidade se esvaindo por falte de planejamento, interesse, vergonha, mas não por falta de dinheiro, como sempre.
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
ROMANTISMO E REALIDADE

Quando escrevi o livro Um Dia o Trem Passou por Aqui, em 2001, eu o fiz com um primeiro capítulo chamado "A Ferrovia Romântica". Era para ser o quarto capítulo, mas minha esposa me convenceu a colocá-lo primeiro, antes dos outros, como "gancho" para a leitura. Foi ótimo.
No fim das contas, o livro todo puxa para uma ferrovia romântica do passado, que existe mais na memória e na saudade das pessoas do que na realidade em que ela existiu.
Isso é um caso comum: a lembrança dos pedaços sempre bons de nossa vida. "Os bons tempos"... quais seriam os bons tempos, seriam aqueles em que nós sempre vivemos ou será que eles eram bons apenas porque éramos mais jovens? É difícil definir os bons tempos, "o velho e bom professor Tal"...
Qual seria a realidade, afinal? A realidade é mais cruel, muitas vezes muito mais cruel do que pensamos. Há pouco tempo, a irmã mais velha de um amigo meu, ela alemã e nascida na guerra de 1939, contava-me sobre os horrores que seus olhos de criança de 4 anos ainda se lembrava de aviões passando sobre sua cabeça na Turingia e do incêndio do Jardim Zoológico em Berlim causado por bombardeio. Como isso marca.
Quantas pessoas não se deliciam com imagens da guerra, uma guerra que a maioria das pessoas vivas hoje não presenciou ao vivo? Ou mesmo pelos jornais? O "romantismo" do afundamento do Bismarck no Mar do Norte e do Graf von Spee nas costas uruguaias, em 1939 e 1940, onde centenas de soldados morreram? Ou do Dia D, ou da retirada de Dunquerque, na França? Da invasão da Russia por Napoleão e mais de cem anos depois por Hitler? Quantas pessoas não foram assassinadas ou morreram de fome e de frio neste episódio?
E da Revolução de 1932, das quais São Paulo tanto se orgulha? Realmente, foi uma guerra onde o entusiasmo inicial da ida para os campos de batalha realmente existiu! Porém, em poucas semanas, assim como os trens das tropas alemãs, francesas e inglesas partindo para o fronte em 1914, de lugares como seus próprios países e de locais tão distantes como a estação da Luz em São Paulo, todo esse entusiasmo se transformaria em desespero.
Que romantismo é esse que tanto enaltecemos? Mesmo assim, continuamos a nos lembrar com saudades de coisas que nem presenciamos. Como podemos ter saudades do que não vivemos? Faz sentido isso? Ainda assim, continuamos nos emocionando ao ler velhos relatos de tempos passados...
Quantas pessoas não morreram em acidentes ferroviários no Brasil e no mundo inteiro? E mesmo assim, continuamos nos lembrando de ferrovias como algo bom em nossas vidas, apesar de criticarmos o que ainda existe hoje para nós aqui em São Paulo, como o metrô e a CPTM, muito, mas muito melhores dos que os trens de subúrbio de antigamente?
Era tão melhor assim a nossa infância? Claro - salvo exceções - mas, afinal, éramos muito mais jovens, a responsabilidade era mínima, nossos pais faziam tudo por nós - quando podiam, claro. A vida era mais calma, também, Meus pais, que ambos trabalhavam fora, vinham almoçar em casa todos os dias, dava tempo! Isto, em São Paulo, que na época já tinha dois milhões de habitantes!
Não nos lembramos, ou não fazemos questão de lembrar, no entanto, dos maus tempos. Preferimos a antiga vida calma e jovem. Enfim, somos contraditórios. Choramos às vezes simplesmente por lembrar. De nada em especial, somente de... lembrar. Pois o que lembramos não voltará mais.
sábado, 15 de outubro de 2011
A GRANDE ITAQUERA DE SARNEY
Assembleia Legislativa do Maranhão - Foto Edilson M/PanoramioAh, o Maranhão... pensei que jamais chegaria a conhecê-lo. Bom, de fato, conheci um pouquinho da cidade de São Luís. Não me impressionou nem um pouquinho, a não ser pelo Centro Histórico, realmente muito bonito, mas, para ser tombado como Patrimônio da Humanidade, como o foi há poucos anos, está em mau estado. Não vou dizer péssimo, porque na verdade há edifícios muito bem conservados, todos recentemente restaurados, como o Palácio do Governo (Palácio dos Leões), o Teatro Arthur de Azevedo, de 1817 e outros prédios também bastante antigos que visitei.
No meio destes, no entanto, existem vários dos quais somente restam as paredes externas, outro com a conservação bastante precária, para não dizer nenhuma, outros em reforma eterna (segundo testemunhas)... a maioria dessas construções, muitas com 100, 200 e 300 anos e muitas janelas, eram casas residenciais e hoje naõ o são mais, estando ou fechadas ou como escritórios, a maioria do governo. Dá a impressão que há um número relativamente pequeno de moradores na área.
Um dos prédios é ocupado pela Assembleia Legislativa do estado. Fica na rua do Egito, num prédio cuja idade não sei, mas que está na área tombada. Está em mau estado, pelo menos externamente - até árvores crescem no alto de sua fachada. Parece que os deputados não estão contentes com isso, pois há um projeto de mudança dali, com a construção de um outro prédio na região mais nova de São Luís. Li um artigo em um jornal da capital que critica duramente a mudança e a construção nova, que sairia pelos olhos da cara, como sempre. Infelizmente, no momento em que li - e muito rapidamente, muito mais rápido do que eu queria - não tive como ficar com a reportagem, nem como anotar o nome do repórter que a escreveu, nem o jornal.
Na reportagem publicada anteontem, o reporter falava sobre o absurdo de se mudar dali, dando os deputados como desculpa a má conservação do prédio (ora bolas, por que não o restauram? Dinheiro, pelo visto, não falta), o trânsito ruim do centro histórico (eles não conhecem São Paulo, pelo visto, para falar de trânsito caótico)... o escritor fala que, na França - e ele usou este exemplo, pois vários prédios do centro histórico têm influência dos franceses que fundaram a cidade em 1612 - os órgãos estaduais estão em prédios e locais antigos e nem por isso se pensa em sair de lá para ir para outro local "mais bonito" ou "mais novo".
Na verdade, a saída da Assembleia para outro local, seja qual for, não fará com que se ponha abaixo o prédio, pois ele é tombado. Porém, a ausência dos deputados e seus (sempre) inúmeros assessores e seus puxa-sacos em número maior ainda no local vai deixar o imóvel vazio - precisar-se-á arranjar outro uso para ele. Mas sempre foi a Assembleia, vai ser o que então? Esvaziar ainda mais o centro histórico de gente é uma péssima opção. E nesse caso a debandada vai ser grande. Onde esses caras estão com a cabeça, meu Deus? Daqui a pouco o reconhecimento mundial vai ser cassado e aí será o fim de tudo...
Segundo um conhecido meu que já está na cidade há pelo menos um ano e meio e que sempre visita o centro - porque gosta dele - desde que a cidade ganhou o título de patrimônio mundial, parou praticamente com as restaurações e reformas, bem como com a limpeza. Ou seja, deita sobre os louros e não faz mais nada. Péssimo para São Luís.
Mas, afinal, o que se esperar de um estado cujos políticos não fazem nada mais do que puxar o saco do Sarney, fundar municípios (há 126 projetos de municípios no estado mais pobre da federação! - veja aqui), fazer surubas em Brasília quando para lá vão (é verdade!!! - veja aqui)? No caso dos municípios, transcrevendo o nome de alguns que estão na fila para serem aprovados, olhem os nomes: Deputado João Evangelista, Chega Tudo, Achuí, Presidente Lula, Creoli do Joviniano, Deputado Mercial Arruda, Deputado Waldir Filho, Madragoa, Manoel Milhomem, Portugal do Maranhão, Senador João Alberto e Socorro do Maranhão.
Os nomes de deputados acima não são os proponentes, não: são os nomes para os municípios. Presidente Lula a rigor não pode ser dado: o cara está vivo ainda. Aliás, o Maranhão tem 5 municípios com nome de presidentes, entre os quais o Sarney (que ainda está vivo), Médici, Getúlio Vargas e mais dois. Bom, não custa lembrar que São Paulo tem um monte, mas é de gente que já morreu há muito tempo, como Prudente, Venceslau, Epitácio, (Rodrigues) Alves, Bernardes... De qualquer forma, a impressão que se tem no Maranhão é que os deputados querem criar novos municípioas para homenagear pessoas e não para realmente servirem para desenvolver os locais. Aliás, vale lembrar de novo que os vinte municípios mais pobres do Brasil estão no Maranhão. O próprio município de Presidente Sarney é uma penúria só.
Agora, investir em saneamento, nem pensar, né? E depois, com tudo isso, ninguém sabe por que o estado é o mais pobre do Brasil. Afinal, a impressão que tive da Capital, São Luís, pode ser resumida nisto: uma grande Itaquera, com um centro histórico de 300 anos em mau estado e dois bairros que querem ser chics mas que para isso falta muito: Ponda da Areia e Renascença. Aliás, claramente construídos nos últimos 20/30 anos e que levaram muito da mata que existia no local, elevando ainda mais já a tórida temperatura da cidade...
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sábado, 27 de agosto de 2011
CASARÕES DE ARARAQUARA
Av. Brasil (rua da Estação)
Alguns dos casarões de Araraquara, fotografados hoje.
Av. Brasil (rua da Estação). Pode ser do tempo do Império, pelo monograma no frontão.
Há muitos mais.
Rua Nove de Julho (rua 2).
Hotel Municipal - Rua São Bento (rua 3).
O mais bonito aqui é o do Hotel Municipal, que ainda funciona, foi recentemente restaurado e é muito bom.
Rua Nove de Julho (rua 2)
Avenida Brasil (rua de Estação)
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010
QUE CIDADE ERA ESSA?

Há algum tempo, visitando uma fundação ligada ao governo do Estado de São Paulo, alguns pesquisadores que lá trabalhavam comentaram comigo que estavam tendo dificuldades em identificar determinados dados e fotografias de cidades do começo do século XX, pois os nomes não eram conhecidos. Eu disse que talvez pudesse ajudar.
Elas me mostraram uma listagem com exatamente 99 nomes de cidades e vilas da época. Identifiquei 98. Elas ficaram surpresas e agradeceram muito, pois pouparam muito tempo de pesquisas para tentar achar esses locais. Não sou nenhum gênio no assunto, mas, pesquisando história ferroviária e do próprio Estado já havia, na época, cerca de 10 anos, acabei aprendendo velhos nomes e gravando-os. Como exigir que essas pesquisadores soubessem tudo isso?
É realmente inacreditável como os nomes de localidades e logradouros mudam no Brasil com tanta facilidade e por tantos motivos. Já postei neste blog outras vezes este assunto. Mas, afinal, por que mudaram tanto os nomes? A última "onda" ocorreu no final de 1943, quando diversas cidades, municípios, estações ferroviárias e distritos foram obrigados por lei federal a mudarem nomes que eram coincidentes, para "não causar confusão". Note-se que os CEPs não existiam nessa época. Com eles, isso tudo não seria necessário.

Nesta "leva", o problema foi, primeiro, arranjar novos nomes. Em alguns casos, eles foram forçados pelas autoridades e não agradaram aos habitantes. Neste caso, muitas cidades, estações e distritos tiveram nomes novamente alterados, em agluns casos retornando ao que eram com a adição de sufixos "do sul", "do norte", "do oeste", "de São Paulo", "de Minas", "da Sorocabana", etc.
Porém, houve muitas mudanças anteriormente. No final do século XIX e início do XX, cidades mudaram porque quiseram, embarcando na "moda" de trocarem os nomes para indígenas, assanhados pela onde de nacionalismo após a proclamação da República. Morro Pellado virou Itirapina, Penha do Rio do Peixe virou Itapira e Bica de Pedra virou Itapuí - são apenas alguns exemplos da época. Enquanto isso, já desde meados do século XIX havia localidades que alteravam seus nomes por motivos os mais estranhos possíveis, ou mesmo, aparentmente, sem motivo. A Central do Brasil era mestra em alterar nomes tradicionais de suas estações para homenagear funcionários seus muitas vezes totalmente desconhecidos, por exemplo.

No meio de toda essa confusão, quem é que sabe onde ficavam nomes como Santa Cruz dos Enforcados, Faxina, Morro Pellado, Santo Antonio do Campestre, Rio Novo, Três Ranchos, Pau D'Alho, Espírito Santo da Fortaleza, Hector Legru, Rocinha, Pombal, Rebouças, Jacuba, Cascavel, Caçador, José Teodoro, Água Fria, Santa Rita do Paraíso e muitíssimos outros, para citar somente alguns nomes no Estado de São Paulo? Afinal, a memória vai desaparecendo, documentos vão sendo destruídos e perdidos etc.
Para quem não sabe, os nomes acima são hoje, pela ordem: Piratininga, Itapeva, Itirapina, Lins, Avaré, Cerqueira César, Ibirarema, Piatan, Promissão, Vinhedo, Nova Odessa, Sumaré, Hortolândia, Aguaí, Ubirajara, Martinópolis, Cajamar e Igarapava.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
MEMÓRIA FERROVIÁRIA
Pois é, que não digam que não avisamos. Há cerca de um ano atrás, as locomotivas elétricas da antiga FEPASA que estavam em Sorocaba foram transportadas em um comboio para o pátio-cemitério de Triagem, em Bauru.
Nesse pátio já pereceram diversas V-8, Russas e LEW, além de outroas locomotivas diesel e carros de passageiros durante os últimos anos. Nada evitaria que esse lote vindo de Sorocaba não fosse sofrer o mesmo destino. O pátio é totalmente devassável: embora a ALL diga que lá existem guardas, entra lá quem quer.
Agora, chegou a confirmação: as locomotivas "Loba" da antiga Sorocabana e mais outras estão em processo de desmonte. Processo criminoso? Realmente, não sei. Não vi autorizações para que isso ocorresse, mas o fato é que ninguém viu. Ninguém, pelo menos, dos acompanhantes de ferrovias de Bauru e de outras cidades paulistas.
Realmente, isso não significa que o processo seja ilegal, que as locomotivas tenham tido autorização dos órgãos (in)competentes para serem desemontadas e revendidas como sucata. No entanto, repito, ninguém viu esses papéis. Por outro lado, o desmonte de todas elas é uma perda para a memória nacional: pelo menos um exemplar de cada tipo deveria ter sido colocado à disposição em local seguro para serem expostos em algum museu ferroviário ou não.
Não foi por falta de pedidos de entidades que isso não ocorreu.
De qualquer forma, criminosa ou não, o desmonte está ocorrendo. Uma pena, realmente. A memória do Brasil sentirá muita falta no futuro. E nós, amantes das ferrovias e de sua história, ficaremos mais uma vez a ver navios.
As fotografias desta postagem foram tiradas pelo bauruense Ricardo Frontera durante a semana passada.
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sexta-feira, 2 de julho de 2010
TUDO COMO DANTES

O ano da reportagem acima, da Revista da Semana, é 1922. Sua leitura fala por esta postagem. O que surpreende é que, mesmo há 88 anos atrás, o cuidado pela memória do País já era pouco. Como neste caso da destruição do paquete Alagoas, o que levou Dom Pedro II para o exílio em 1889.
Teria neste caso sido mais uma vingança da República contra a monarquia? Mas exatamente no ano de 1922, quando o Conde D'Eu foi convidado a visitar o País pela primeira vez desde 1889 e o pai de Dom Pedro II, Pedro I, estava sendo homenageado pelo centenário da Independência?
Muito estranho. Recomendo clicarem sobre a imagem e tentarem entender. O que está escrito e mostrado nela é a postagem de hoje... para mim, um fato deveras estranho.
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
MEMÓRIA DESAPARECE À FORÇA
Palacete Lotaif, demolido em 1982 (Foto Irmo Celso, revista Veja, 30/6/1982) na avenida Paulista, na esquina com a alameda Joaquim Eugenio de LimaÉ sabido que diversas construções, principalmente casas, são colocadas abaixo e o terreno vendido ou transformado em estacionamento não somente porque vale muito, mas também porque alguns proprietários não têm dinheiro para arcar com as despesas de manutenção e/ou de impostos altos do imóvel. O tombamento de um bem pelo IPHAN, CONDEPHAAT ou pelo município, isso em São Paulo – sempre lembrando que existem outros órgãos da União – não leva necessariamente à sua preservação.
Vemos em São Paulo diversos casos, como a casa do Itaim-Bibi, cujas ruínas estão tombadas (neste caso as ruínas são praticamente somente as fundações) e uma capela no Barro Branco, tombada, mas posta abaixo mesmo assim há alguns anos. O tombamento de um imóvel deveria no mínimo prover incentivos de impostos e para manutenção do imóvel para que este possa ser conservado de uma forma mínima que seja. Diversos imóveis tombados estão se deteriorando pelo Brasil afora.
Lembro-me das demolições da avenida Paulista, nos anos 1980, que eram feitas durante a noite, para impedir protestos da população. Os donos não queriam continuar arcando com impostos altíssimos e ainda por cima com construtoras acenando com quantias “indecentes” para comprar o terreno e nele levantar mais um edifício com “n” andares. Quem pode condenar um proprietário de deixar de lucrar com um imóvel mesmo que o valor sentimental dele seja grande para os donos?
Uma das soluções seria que a Prefeitura transferisse para os proprietários de imóveis tombados terrenos em outras regiões que tivessem a mesma valia. Não é fácil, mas já houve casos onde o acordo aconteceu. Outra forma seria permitir a demolição de imóveis que não fossem considerados de valor arquitetônico (um caso simplesmente de opinião, pois mesmo arquitetos discordam entre si), mas com a ordem de serem mantidas algumas partes, como a fachada ou outras partes (como foi feita no caso da casa das caldeiras e a chaminé da Matarazzo) ou mesmo o imóvel inteiro, liberando o amplo terreno atrás dele – quando isto for possível, é claro. Não é solução ideal, mas algo se preserva.
Há meses, postei neste blog uma história que poucos sabem, sobre a “chácara da Vila Mariana”, que foi desmanchada em suas construções do grande jardim que tinha uma miniatura de castelo, uma piscina, fontes, pontes e outros artefatos em pedra e cimento. Disse que isso ocorrera nos anos 1970. Não foi. Foi no início dos anos 1990. Também fiquei sabendo que o jardim foi obra de um arquiteto italiano no início do século e que o local originalmente foi chamado de Chácara Flora – nada a ver com o bairro de Santo Amaro. E fiquei sabendo também da triste notícia: como a casa que dava frente para a rua Domingos de Moraes foi vendida sem os jardins, para a construção de um conjunto de prédios no final dos anos 1960, estes ficaram ali, sendo cuidados por pessoas da família que moravam em casas atrás dele. A Prefeita Luiza Erundina, num relance de total desconhecimento das consequências que isso traria (ou de pouco se importar), taxou o imenso terreno como se fosse um terreno baldio, triplicando o valor de seu imposto territorial. Resultado: a família vendeu-o para uma construtora. Esta derrubou tudo e construiu edifícios de apartamentos.
A memória dum lugar único em São Paulo se foi, em nome da impermeabilização do solo, do adensamento populacional, tudo de ruim, enfim. Mais uma das tristes histórias de uma cidade que está se tornando inviável.
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