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domingo, 17 de janeiro de 2016

SÃO PAULO E SEUS CÓRREGOS DESAPARECIDOS

Rua Taguá e as casinhas, com um intervalo onde possivelmente cruzava um dos córregos. (Google Maps)


Três córregos desaparecidos que encontrei numa pesquisa sobre outro assunto em notícias de jornais de 1929. Não consegui encontrar seus nomes nem nas reportagens, mas, sim, alguma coisa sobre eles.

Um é um córrego que cruzava a rua Caconde nessa época. Extamente onde? Bem, no quarteirão entre a alameda Joaquim Eugênio de Lima e a avenida Brigadeiro Luiz Antonio. Porém, lendo o artigo, sabe-se que rua não era ainda calçada e que nela havia esse córrego. Nas palavras de quem escreveu o artigo, "como todo mundo sabe (menos a Prefeitura), existe alli um córrego de águas sujas, verdadeiro manancial de exhalações fétidas, prejuciaes à saúde". Era, também despejo de esgotos dos moradores (já que não havia esgoto). E queixava-se da Prefeitura, que não tomava providências (embora eles mesmo jogassem o lixo no córrego).

Hoje não há sinal desse córrego. Olhando-se o mapa Sara Brasil de 1929/30, notamos que esse quarteirão da rua Caconde ainda não era mostrado no mapa, então, possivelmente, ele era muito novo ou a própria rua, já traçada, ainda nem guias ou sarjetas tinha... mas é mostrado uma linha azul, reta, na mesma direção da rua Jundiaí. Seria um coletor de águas, feito pelo homem. O córrego desaguaria ali? Não aparece, no entanto, o tal córrego.
Rua Caconde e travessa Leon Berry, hoje (Google Maps).

O mais interessante é que uma prova da existência desse córrego e/ou do coletor é a travessa Leon Berry, que, antigamente, se chamava Vila Canto do Rio (é uma rua sem saída). Uma vila de casinhas, ainda ali hoje, quase centenária, já que teria sido construída em 1929 (e também não está no mapa desse ano). Uma moradora da vila me disse que o nome da vila vinha do fato de ela estar encostada num rio (córrego). Nota: como o córrego atravessava a Caconde, ele devia ser o escoadouro da vala (coletor), pois o nível da rua é inferior ao da vala.

Os outros dois córregos cruzavam a rua Taguá, na Liberdade. Esta é a rua em que, no seu trecho entre a rua Fagundes e a rua São Joaquim, tem, em seu lado ímpar, uma série de várias casinhas muito similares entre si, que são pintadas em cores diferentes e geminadas entre si. Do lado par, o fundo das faculdades FMU.

Os córregos também não têm os nomes citados, mas possivelmente cruzavam a rua no ponto em que as casinhas têm a sequência interrompida por uma escadaria estreita que dá na rua de trás - que tem o nível mais baixo. Possivelmente, na rua Taguá deve ter sido feito um belo aterro antes da canalização e entubação dos dois. E note-se que em 1929 não somente as casinhas não existiam, como nenhuma construção havia sido erigida no lado ímpar da rua. Isto leva a crer que o lado ímpar era um barranco.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

E SÃO PAULO CONTINUA SE AUTODESTRUINDO

Hoje li uma notícia que afirmava que a Prefeitura quer proibir "mega-empreendimentos" de 30.000 metros quadrados ou mais para evitar a construção de conjuntos de edifícios residenciais, de escritórios ou mesmo shopping centers e igrejas (vide Templo de Salomão), por que isso sobrecarrega a infra-estrutura existente nos bairros, fora que está cada vez mais gerando reclamações da população que mora em volta.

Ora, venho falando isso há anos (mas ninguém liga, pois não sou nenhum sujeito famoso. Talvez agora tenha atrapalhado a vida de alguém mais poderoso...) e nada é feito, muito pelo contrário, a situação somente piora.

Eu particularmente duvido que isso vá para a frente. Parece-me mais uma forma de agradar parte da população prejudicada, mentira eleitoral, essas coisas. Afinal de contas, o prefeito que temos em São Paulo é um incompetente de marca maior. Como poderia ele ter uma ideia dessas e ainda por cima, colocá-la como projeto de lei e no final ainda aprová-la? Parece um sonho. E deverá ser um sonho, mesmo.

Enquanto isso, mesmo com a crise na venda e aluguel de imóveis chegando cada vez mais perto, os imóveis mais antigos (e pequenos) continuam indo ao chão, para a construção de edifícios em tudo quanto é bairro, rico ou pobre... ou, principalmente, de classe média.
Foto de 1970: acervo Valeria Bonfim O prédio de 3 andares ao lado também foi demolido.
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O exemplo que pomos aqui não dará surgimento a um "mega-empreendimento", não tem área para tanto, mas já atrapalhará bastante quando estiver em construção e, principalmente, depois de pronto.

Atualmente o local, que demoliu cerca de seis imóveis na esquina da avenida Brigadeiro Luiz Antonio com a rua Caconde, está vazio, cercado por um tapume, aguardando ou um estacionamento provisório ou já o início das obras. Será um prédio e não será baixinho. E a área não é pequena, embora não chegue perto dos 30 mil citados acima.

A fotografia antiga mostra um dos prédio, de dois andares e de esquina, no início dos anos 1970. A outra, tirada por mim, há cerca de um mês, no início da demolição. Como costumo dizer, o prédio, que em 1970 abrigava um bar no andar de baixo, não é nenhuma maravilha arquitetônica, mas abrigava apenas um número reduzido de pessoas por ali.