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sábado, 13 de dezembro de 2014

E AS DEMOLIÇÕES SE ACELERAM - ORINDIÚVA

 Orindiúva no chão em 29/9/2014. Foto Luis Fernando Pechiore Bastos.
A estação de Orindiúva, na linha-tronco da antiga Mogiana e hoje linha de passagem de cargueiros da FCA, no município de Casa Branca, SP, foi demolida no último mês de setembro. Desta vez, foi mesmo, depois de alguém levantar a bola há poucos meses atrás e logo em seguida tendo aparecido outro que desmentiu.

Desta vez não há o que desmentir. Está no chão, há várias fotos. E, por elas, até a plataforma, que geralmente é deixada no local por ser mais difícil de destruir, foi também. Só resta remover o entulho - se já não foi removido (se é que um dia o será).
Orindiúva no chão em 29/9/2014. Foto Luis Fernando Pechiore Bastos
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Quem terá sido o autor disto? É sempre difícil de saber. Geralmente, é alguém que conseguiu arrematar o edifício no espólio da RFFSA e não o queria ali, talvez por estar ameaçando cair em cima de, geralmente, drogados ou vagabundos de estrada, e ficar com a culpa. Pode ter sido também a prefeitura - mas duvido que Casa Branca, município decadente há décadas e que tem essa estação como a mais distante de sua sede, se importa a mínima com o prédio e também duvido que fosse ela a dona do mesmo. Concessionária atual do trecho? Pode ser, mas é difícil de saber, pois ela não admitiria - não era dona nem usava o prédio. Finalmente, pessoas que moravam perto e não queriam más companhias, mas a impressão que tenho é que ninguém mora perto dali, local bastante isolado e difícil de chegar de automóvel - aliás, eu visitei o local em 1999 e cheguei lá quase por acaso na época. Nunca mais tive a oportunidade de voltar.

É curioso que em volta dessa estação, assim como a de Miragaia, a estação seguinte no sentido Campinas-Casa Branca, não haja nada em volta. São locais que nunca se desenvolveram? Ou podem ter tido algumas construções na primeira metade do século que desapareceram com o êxodo rural?
A estação em 1999. Foto deste autor.
Pesquisando em jornais, não se encontra absolutamente nada sobre essas duas estações. O nome de Orindiúva, que é também o de um tipo de madeira ou árvore (que provavelmente existia na região em profusão, daí o nome?), é visto quase sempre ou como o da madeira ou, mais ainda, como o de um município paulista homônimo que fica na região ao norte de São José do Rio Preto e muito próximo da antiga linha da E. F. São Paulo-Goiaz, linha esta extinta em 1969. Bem longe dali.
A estação de Miragaia em 26/9/2014. Uma retificação em 1961 tirou-lhe os trilhos. Foto Luis Fernando Pechiore Bastos
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Miragaia, por sua vez, aparece sempre como sobrenome, ou então, como parte de horários de trens, na época em que estes eram publicados em jornais (virada do século XIX parao XX). Aliás, para quem se lembra, Miragaia foi um dos sobrenomes que formou o MMDC, dos 4 estudantes mortos em 23 de maio de 1932 em São Paulo (Martins, Miragaia, Drausio e Camargo). Mas o nome da estação nada tem a ver com este Miragaia. A estação nasceu já com esse nome em 1912. Talvez de alguma família dona das terras próximas.

A estação de Miragaia, menor que a de Orindiúva, ainda está de pé - mas abandonada e com rachaduras que vão terminar com sua queda mais dia menos dia - a não ser que algum demolidor a alcance primeiro.

Mais um pedaço da história ferroviária e de São Paulo que desaparece. Daquia pouco tempo, não haverá mais nada.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

MAIS UMA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA SE VAI

A estação que fotografei em 1999. Esse era o lado da fachada. Os trilhos dese lado já haviam sido retirados, mas se mantinham - e ainda hoje se mantêm - do outro lado
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Hoje fiquei sabendo que recentemente a estação de Orindiúva, uma das poucas estações da arquitetura típica da Mogiana do princípio do século XX, foi demolida.

Porém, logo depois de fazer o upload, recebi uma notícia de que não, ela ainda está de pé. Esteja como estiver, no entanto, a situação é muito precária, como se vê na foto mais abaixo de 2013.
A estação por volta de 1910
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Orindiúva estava abandonada desde a época em que lá estive, no já distante ano de 1999. Ficava na linha-tronco, no único trecho da Mogiana original que nunca foi retificado e portanto ainda mantinha o leito do final do século XIX - o trecho Mato Seco-Lagoa Branca.
A estação nos anos 1990. Foto Wanderley Zago
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Ficava no município de Casa Branca, SP, entre as estações de Engenheiro Mendes e Miragaia. Cargueiros da FCA mantém seu percurso passando por lá até hoje.
A estação em 2013, fotografada por Reginaldo Zimbres
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Quando lá estive, não notei nenhum bairro por perto. O local era bem ermo e cheio de mato. As fotos que dui recebendo durante os anos que foram passando mostravam a sua decadência.

O Brasil perde um pouco mais de sua história. E, afinal, quem demole - ou quer demolir, se ela realmente ainda estiver de pé - estas estações? O dono das terras em volta? A prefeitura? Moradores próximos - se é que os há? A concessionária? Fica o mistério e o descaso.