quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

SUJEIRA PAULISTANA

Fotografia tomada do cruzamento em 4/12/2009 por Cristian Araújo, quando a chuva o alagou. O grande volume de sujeira que boiava não aparece: ele está na água junto à calçada embaixo do prédio, for da fotografia. Em primeiro plano, a avenida Faria Lima, com Pinheiros para a esquerda e Itaim para a direita; em segundo, a Rebouças sentido cidade. No canto esquerdo da foto, os carros saindo do vértice formado pela Eusébio Matoso e Rebouças, vindas da Marginal.

São Paulo, pelo tamanho que tem (maior cidade em população da América do Sul), era uma cidade relativamente limpa até alguns anos. Reconheço que não é fácil cuidar da limpeza de detritos e lixo numa cidade complicada como está a Capital do Estado mais rico do Brasil.

Porém, há que se ter vontade e seriedade por parte da Prefeitura. Infelizmente, isto não está ocorrendo, nitidamente. Há inúmeras denúncias na imprensa falada e escrita com relação a contratos de varrição e recolhimento de lixo nos últimos anos e mesmo de falta de seriedade quando se trata deste assunto. Não sei se as denúncias são verdadeiras ou não, mas que há excesso de lixo, isso há – não preciso da imprensa para notá-lo.

No local que frequento quase que diariamente – esquina das avenidas Faria Lima e Eusébio Matoso – a situação está cada vez mais crítica. E nem é um problema somente de limpeza. Antes de falar disto, basta olhar para o fato de que construíram um túnel nesse cruzamento – direção Eusébio-Rebouças – que desemboca em um sinal, o da Pedroso de Moraes, fazendo com que ele viva sempre congestionado. Além disso, mantiveram o sinal da Faria Lima sobre o túnel para os ônibus cruzarem a pista por cima. Só os ônibus – porque os carros têm de sair da Rebouças (ou da Eusébio Matoso, se vierem da Marginal), entrar na Faria Lima e dar a volta lá na frente em retornos com semáforos. Não dá para entender – os faróis para os ônibus atrapalham tanto quanto se fossem também para automóveis. Depois, se há um túnel, porque continua o cruzamento sobre ele? Meu Deus, que engenheiros de tráfego temos. Gastaram uma fortuna com um túnel praticamente inútil.

E a limpeza, ou melhor, a sujeira, em volta desse cruzamento é algo que não condiz com o que eu pensava da cidade há alguns anos atrás. Os pequenos jardins feitos nos canteiros centrais das avenidas e no vértice das avenidas Rebouças e Eusébio Matoso estão sem cuidados e cheios de lixo. Barracas de “ambulantes” aos poucos vão aumentando em número, e com isso o lixo, já que “ambulante” nenhum limpa a sujeira que deixam ele e os clientes.

Motoristas de táxi e motociclistas saem na contra mão da rua Manduri - rua que sai da Faria Lima um quarteirão depois da Rebouças no sentido do Itaim e vai para a Marginal - e não respeitam a faixa de pedestres nessa rua, com grande tráfego de pedestres. Já há uma cobertura feita de lona plástica sobre a calçada para abrigar motoristas do sol, dando um efeito horrível ao visual que já sofre com o lixo e pontas de cigarro que eles deixam por ali.

O cruzamento das avenidas tem inundado a cada chuva que cai, trazendo uma infinidade de lixo de todo o tipo. De onde vem tudo isso? Das calçadas, das sarjetas, dos jardins, dos bueiros e das bocas de lobo... note-se que a única lata de lixo que existe e que fica ao lado da banca de jornais está com a porta lateral aberta e não tem um recipiente para conter o lixo, ou seja, é uma “caixa” de concreto que não serve para nada.

Juntando tudo isso, a microrregião está virando uma maloca. E se eu for descrever tudo o que eu tenho visto no município em termos de lixo, meu blog não falará de outra coisa.

6 comentários:

  1. Olá Sr. Ralph, boa noite.
    Antes de ser um problema político, a questão do lixo é um problema cultural. Nós, brasileiros, temos o costume de querer transferir uma responsabilidade que, antes de tudo é nossa. Como esperar do governo, nesse país? Não sabemos nem votar direito...
    Outro exemplo: A maioria dos pais modernos larga o filho na frente da TV, e espera que ela o eduque. Abçs.

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  2. Ralph. A gestão do lixo (dos resíduos, melhor dizendo) é um assunto que ainda encontrará um dirigente sensível que perceba que esse segmento é uma alavanca para o desenvolvimento da cidadania, para a reinserção de tantos marginalizados por um sistema excludente. Gerir o lixo de forma democrática, includente, e não de forma oligopolística, corporativa. Esse dia não tarda, sob pena de nos afogarmos em misérias de diversas ordens. O importante é nos indignarmos, como você faz, escrevendo. E nos fóruns adequados, propor soluções. Abraço!

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  3. Só vai melhorar quando se entender que tem de punir o governo omisso e também os habitantes, pobres ou ricos, que atiram tudo no chão, rios, bueiros etc. Por enauqnto, não se pune ninguém. Veja a Vila Pantanal. O sujeito inva de a varzea e quando perde tudo, a Prefeutira tem de dar abrigo para ele. Mas ele é irregular! Por outro lado, se é irregular, por que a Prefeitura não o tirou de lá antes? Tudo é difícil neste país.

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  4. Ralph, tenho fotografado a nojeira que se transformou SP e enviado as fotos a pessoas especificas que ocupam cargos nas diversas secretarias da PMSP exigindo providencias. Enfatizo que medidas duras como vigilancia e punição devem ser adotadas com a população e com carrinheiros que teimam em largar detritos/entulho pelas calçadas. Nenhum bairro de SP escapa mais dessa praga.Meus pedidos são olimpicamente ignorados pela Adm.seguramente porque prefeitos e vereadores temem
    repercussão eleitoral nessa atitude.
    A educação por si só não virá nunca, precisa ser imposta, se preciso com multas pesadas.
    Mais facil será ensinar Platão aos porcos que ver o brasileiro mudar de atitude voluntariamente.
    Luiz Carlos Hummel Manzione

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  5. Concordo com você em tudo. Só mesmo com insistencia se conseguirá algo... talvez. Enquanto isso, nos infartamos...

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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