quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O MARCO ZERO DA SÉ


O Marco Zero da Praça da Sé em São Paulo foi construído em 1933 em frente da ainda inacabada Catedral de São Paulo. O desenho foi feito por Jean Villain, o tio Jean, grande amigo de minha família na época. Ele marca o ponto zero da quilometragem das estradas de rodagem do Estado. Na época, nenhuma das grandes rodovias que saem da Capital ainda existia: Anchieta, Anhanguera, Imigrantes, Castelo Branco e Ayrton Senna eram no máximo apenas projetos. Mesmo as federais – Dutra, Fernão Dias e Regis Bittencourt eram inexistentes. Os caminhos eram outros, como mostra o marco, fotografado por mim dois dias atrás.

Para ir a Minas Gerais, ele mostra o caminho pela rua Brigadeiro Tobias, avenida Tiradentes e Voluntários da Pátria, depois de cruzar o Tietê pela Ponte Grande, que unia as duas últimas ruas. A avenida da Luz (hoje Prestes Maia), não existia. Depois da Voluntários, ele teria de pegar outra ruas, como a Dr. Zuquim, e seguir até a Estrada de Bragança (hoje Sezefredo Fagundes) para alcançar as cidades do Juqueri (hoje Mairiporã), Atibaia, Bragança e aí cruzar a fronteira.

Para o Paraná e Mato Grosso, o mapa mostra o mesmo caminho: rua da Consolação, Avenida Doutor Arnaldo, Teodoro Sampaio – não seguia pela Rebouças pois era ainda um caminho horroroso–, rua do Butantan até a Vital Brasil, de onde ele tomaria a Estrada de Itu (hoje Corifeu de Azevedo Marques), e, saindo pela estrada de Cotia (hoje Heitor Eiras Garcia) encontraria a Raposo Tavares, seguindo para o Paraná via Itapetininga e Itararé. Se continuasse pela estrada de Itu entraria em Barueri e passaria por Parnaíba, seguindo para Itu pela Marechal Rondon, caminho para o Mato Grosso, na época ainda chamada de Estrada de Rodagem São Paulo-Mato Grosso e aberta em 1922.

Para Santos, o trajeto era pelas ruas Irmã Simpliciana e Tabatinguera até as avenidas do Estado e Dom Pedro I e passar pela rua do Bom Pastor, onde encontrava a Estrada do Vergueiro e depois sua continuação, o Caminho do Mar, única estrada para o litoral então.

Para o Rio de Janeiro, a Rangel Pestana, a Celso Garcia e a Estrada de São Miguel (hoje avenida), até encontrar a São Paulo-Rio (atual Marechal Tito) e segui-la por seus meandros pelo Vale do Paraíba. Finalmente, para Goiás e Triângulo Mineiro, o caminho era pela Lapa, alcançada pela avenida São João, rua das Palmeiras, avenida Água Branca (hoje Francisco Matarazzo), Carlos Vicari, Guaicurus, Clemente Álvares, Gago Coutinho e Estrada de Campinas (hoje avenida Raimundo P. Magalhães).

Detalhes interessantes para uma época que ainda se preocupava com eles. Se fosse hoje, o Marco Zero no máximo mostraria as estradas estaduais e federais saindo direto do centro como isso de fato acontecesse. Cada uma das estradas atuais começa no mínimo a onze quilômetros da Praça da Sé, como a Anhanguera, por exemplo.

Para evitar maiores problemas, no entanto, a maior parte das pessoas viajava mesmo era de trem.

3 comentários:

  1. Olá Sr. Ralph, boa noite.
    Esse "post" me fez lembrar do "AutoTour" e do "Touring Club", este último quem ofereceu o marco zero. Que fim levou esses "clubes"? Os associados pagavam por mês, um carnezinho, e quano viajavam tinham serviços de emergencia (chaveiro, etc) e redução de preço em motéis, quando estes tinham outra conotação (hotéis de beira de estrada, à la Norman Bates). Sei que há alguma coisa do Auto Tour em Serra Negra-SP. Abçs.

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  2. No mais: Um feliz Natal para o Sr. e todos os familiares, repleto de paz, saúde e trabalho.

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  3. Eu acho que o Touring ainda existe, mas não sei como sobrevive.

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