quarta-feira, 3 de junho de 2020

VISITANDO MUSEUS NO BRASIL



Neste museu, eu fui. Mas na época estava em reforma. Reabriu, não muito tempo depois, mas não tive como visitá-lo mais, infelizmente. Faz uns 20 anos. Em São Leopoldo, RS - um dia ele foi a estação ferroviária original da cidade, recuperada há anos para ser um museu.


Nada como visitar museus no Brasil, né?

Aqui (e principalmente nas cidades do interior), museus fecham no fim de semana e também têm duas horas de almoço. Tem que torcer para que a pessoa que tenha a chave chegue de manhã no horário e vá e venha do almoço pontualmente; há de se verificar se o museu não está fechado temporariamente para obras (geralmente na porta fechada não tem o aviso se ele está fechado mesmo), tem de ver se o novo prefeito não o fechou (para sempre) no seu 2º dia de mandato (soube de vários casos de ciumeira partidária).

Checado tudo isso, pode partir para a visita. Aí você entra e não vê ninguém para tirar uma dúvida de algo que você viu e não sabe o que é; às vezes você encontra uma moça varrendo o chão e pergunta se ela trabalha ali, mas ela responde que é só faxineira, não entende nada daquilo e que despediram a moça que ficava atendendo no museu; ou então, uma menina linda, loira de olhos azuis, que está sentada no balcão lendo uma revista (hoje ela estaria no celular) e que lhe responde que ela é funcionária, sim, mas estagiária, que está ali por um acordo com a faculdade, mas não ensinaram nada para ela sobre aquelas coisas empoeiradas que estão por ali.

Se você tiver sorte, chega ao museu e não consegue abrir mesmo no horário de funcionamento, mas tem alguém batendo papo com outro ali perto da porta que diz que conhece quem fica ali e vai pegar a chave com ele para abrir para você. Finalmente, você entra e alguém com um conhecimento razoável e que atende ali é simpático, você bate um papo com ele no museu, sempre vazio de visitantes. Você comenta que os museus no Brasil são sempre assim como eu descrevi mais acima, e ele diz que não! Que no dele há mais de mil visitantes por mês! Aí ele te mostra a lista e é tudo criança de 6 a 10 anos, que visitam como classe da escola local o museu algumas vezes ao ano. Ele também diz que essa criançada não quer saber nada de nada, fica só olhando e alguns têm o celular na mão. E eu penso: se alguma criança, uma que seja, por classe, se interessar com alguma coisa que ali vir, já será um grande lucro.

Mas não vamos generalizar: obviamente conheci ou tentei conhecer apenas uma percentagem bem pequena de todos os museus existentes atualmente no Brasil. E os que visitei se limitaram a uns poucos estados brasileiros, a grande maioria no sul e no sudeste. E vários dos que já visitei não funcionam mais.

Houve museus que estavam fechados, mas alguém se propôs a abri-lo para mim. E na grande maioria fui muito bem tratado, alguns conheciam meus trabalhos na Internet e livros publicados. 

 E é bom lembrar que alguns dos maiores e mais famosos museus do Brasil estão hoje fechados, como o Museu do Ipiranga (desde 2012), o Museu Nacional do Rio (desde 2018). O primeiro por reforma (eterna?) e o segundo, por ter sido destruído por um incêndio.

sábado, 9 de maio de 2020

MEU GATO NA QUARENTENA (2020)


Pois é, estou em casa por causa da quarentena a mim exposta pelo governo brasileiro, para que não peguemos o corona virus.

Não sei se ele se aplica aos gatos, como eu. Afinal, eu só como, bebo, tomo banho de língua e durmo e no que sobra do dia eu descanso. No meio do descanso tem, claro, a minha ronda diurna no quintal da minha casa. À noite, tem a ron da noturna, que, se eu tiver sorte, meu dono abre a porta para eu sair e se eu tiver mais sorte ainda, ele não se esquece que estou fora e vai dormir.

Antes meu dono saía mais de casa e aí era pior, pois eu não somente ficava preso do lado de fora - desde que ele tivesse aberto a porta de manhã - e para piorar não havia a renovação da minha comida pelo dia inteiro.

Agora ele tem ficado mais na frente da televisão, tanto de tarde como de noite, de forma que eu posso pular no colo dele. O problema é ele não para quieto, toda hora se levanta para pegar alguma coisa e eu tenho de sair dali na marra. Quando ele volta, eu já estou no lugar dele e aí ele me tira dali descaradamente.

Mas à noite, é pior, pois tenho de vigiá-lo para que ele não feche a porta do quarto. Detesto portas fechadas. E quando ele fecha as duas portas do quarto, eu reclamo - sabem, miado de siamês é quase uma buzina - e ele acha ruim. Finalmente, ele fecha tudo, mas põe-me para fora.

Aí tenho de achar um lugar para dormir. Tenho vários, mas sempre procuro algum lugar novo. À noite é mais fácil, pois ninguém circula pela casa. Exceto, claro, baratas e lagartixas, que tem o péssimo hábito de correr para o alto das paredes ou sair por algum buraco pelo qual eu não consigo passar.

Enfim, a vida de gato é muito difícil.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

FAROESTE NA MOGIANA (1891)


Carta publicada em 11/1/1891 no jornal O Estado de S. Paulo:

"Anteontem 70 praças que em direção a Goyaz desembarcaram em Campinas para tomar o trem da Mogyana fizeram grandes desturbios ameaçando as pessoas presentes na gare e desrespeitando ao proprio commandante, que para manter a ordem, foi obrigado a ameaçal-os com um revolver.

Alguns viajantes receiosos de outras desordens durante a viagem deixaram de embarcar. As praças, mesmo depois de estarem dentro dos vagões ainda cometteram trepolias tomando dos vendedores as fructas e doces que lhe estavam em alcance das mãos.

Proximo à estação de Jaguary uma das praças disparou um tiro em direção a machina, não attingindo porem pessoa alguma.

Ao chegar á estação da Ressaca um dos mais exaltados attirou-se contra a janela ignorando até agora o destino que levou.

As praças parece que se achavam embriagadas, mas cumpre notar que não é essa a primeira vez se verifica um facto desta ordem".

A questão continuava 2 dias mais tarde, em outra carta publicada em 13/1/1891 no mesmo jornal.

"A respeito do facto por nós noticiado de disturbios provocados pelas praças que embarcaram ha dias na Estrada de Ferro Mogiana, em direcção a Goyaz, sabemos que as desordens continuaram em quasi todo o trajecto, disparando os soldados tiros nas pessoas que viam pela estrada e ameaçando-se mesmo reciprocamente.

Na estação de Jaguary insultaram todas as pessoas que se achavam na gare.

Ao partir o trem d'aquella estação uma das praças deixou-se ficar, tendo depois sendo presa e remettida para Mogy Mirim em virtude de desordens que alli praticou.

A imprensa do Interior notticiando esses factos commenta-os, pedindo energicas providencias contra aquelles que deviam ser os primeiros a manter a ordem."

Bom, algumas curiosidades: (1) A estação de Jaguary é hoje a de Jaguariúna. (2) A escrita foi feita em português da época, com poucos acentos e letras duplas, por exemplo. (3) A estação de Ressaca é hoje a de Posse da Ressaca. (4)"Praças", na época, eram soldados e curiosamente era um substantivo feminino e não masculino, sabe-se Deus por que, já que, se havia mulheres na função, eram bem poucas.

Finalmente, imaginem os leitores fazer uma viagem dessas com a polícia armada e bêbada por todo o percurso, já que esse trem deveria seguir até Casa Branca, onde, nessa época, trocava-se de trem para seguir até Ribeirão Preto. Notem que até Jaguary somente um deles foi detido. O que aconteceu com os outros? Seceram em Jaguary e fugiram?

domingo, 19 de abril de 2020

O PROBLEMA DOS NOMES NA HISTÓRIA DAS FERROVIAS BRASILEIRAS (2020)


Acima: estação de Guaiaúna em 1924, durante a revolução desse ano (O Malho).

Um dos maiores problemas no estudo da história das ferrovias e estações  (e também das cidades, municípios, distritos, vilas, bairros, ruas) no Brasil é a constante mudança de nomes nas localidades durante o passado.

Para piorar o cenário, os jornais e mesmo relatórios, principalmente no século XIX e por metade do século XX, é a citação de nomes de sem que sejam indicadas as suas localizações.

No caso das estradas de ferro, vamos fazer uma relação de lugares e de suas mudanças de nomes, nesta primeiro artigo, das estações da velha Central do Brasil no Estado de São Paulo para termos uma ideia de como localizá-las em artigos publicados na imprensa, principalmente. Vamos lá.

A Central teve diversas linhas no Estado paulista: o ramal de São Paulo, que ligava o Rio a São Paulo, parte dele (de Estudantes ao Braz) hoje linha 11 da CPTM - o resto dela (Estudantes-Queluz-Japeri, esta no Rio), linha cargueira. No Estado do Rio, o trecho Pedro II-Japeri também se tornou linha de subúrbios; a variante de Poá, toda ela hoje linha 12 da CPTM; os ramais da Penha, de Piquete e de Bananal, hoje desaparecidos.

Vamos analisar hoje o trecho paulista do ramal de São Paulo, estação por estação. Partindo de São Paulo:

Braz - Já foi Estação do Norte (da E. F. do Norte, que ligava São Paulo a Cachoeira), depois Roosevelt a partir de 1945; desde o advento da CPTM voltou ao nome de Braz e fundida com linha do Metrô e a da ex-Santos-Jundiaí, esta também do Metrô.

Engenheiro São Paulo (entre a Segunda e a Terceira Paradas), do engenheiro da Central. Desaparecida, inicialmente era chamada de Norte-cargas.

As seis paradas (Primeira a Sexta) - todas desaparecidas. As duas únicas que adotaram novos nomes foram a Quarta Parada, que virou Clemente Falcão (diretor de diversas ferrovias) nos anos 1940, e a Sexta Parada, que virou Engenheiro Sebastião Gualberto (engenheiro da Central), ambas desaparecidas também.

Carlos de Campos - Era Guaiaúna até os anos 1960. O Presidente do Estado de S. Paulo (governador) Carlos de Campos usou-a como quartel-general em 1924.

Vila Matilde - Sempre teve este nome até ser suprimida em 2000. Nome do bairro a que atendia.

Patriarca - no seu início, nos anos 1920, era "km 488". Nome do bairro Cidade Patriarca.

Artur Alvim - No início, Engenheiro Artur Alvim, engenheiro da Central.

Itaquera - até mais ou menos 1900 chamava-se São Miguel, nome do bairro a que atendia. Quando o povoado de Itaquera ficou mais habitado, passou ao nome deste. Hoje a estação e a linha da atual CPTM foram transferidas para a estação do Metrô, mais ao sul.

XV de Novembro - Também era chamada de Parada 15. O nome deriva de homenagem ao dia da proclamação da República. Depois a estação nomeou um dos bairros próximos (Parada 15).

Guaianazes - No início era Lageado, depois passou a Carvalho Araújo (diretor da Central) em 1924. Lageado era o nome do bairro em 1875. Em 1946 passou a se chamar Guaianazes, nome novo do bairro.

Gianetti - Foi aberta já no tempo da CPTM (1998), com o nome de Lageado, lembrança do bairro antigo. Logo mudou para Antonio Gianetti Neto.

Ferraz de Vasconcellos - O nome do chefe de distrito da Central substituiu já na sua construção em 1928 o nome do bairro, Romanópolis.

Poá - O nome sempre foi Poá.

Calmon Vianna - O nome do diretor da Central nunca foi alterado.

Suzano - Chamou-se Piedade (1875), depois Guaió (1890), depois o atual (1907), nome de um diretor da Central. Há quem diga que também se chamou Campos da Mirambava e também Concordia.

Jundiapeba - Aberta em 1914 como Santo Ângelo, nome de um hospital aberto na mesma época. Nos anos 1940 passou a se chamar pelo nome atual.

Braz Cubas - A dúvida aqui é o ano de abertura da estação (1914, 1928 ou 1929), que sempre teve o mesmo nome. O homenageado fundou Mogi das Cruzes e também Santos.

Mogi das Cruzes - Um dos municípios mais antigos do planalto, somente São Paulo é mais antigo. A estação nunca mudou de nome.

Estudantes - Estação fundada já na época da RFFSA. Atende a duas universidades da cidade de Mogy, daí o nome.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

ANEL VIÁRIO DE SÃO PAULO (1891)

Google Maps - desenho livre sobre mapa de 2020

Em junho de 1891 (faz tempo!), foi anunciado nos jornais paulistanos o projeto de uma ferrovia de bitola métrica que circundaria a parte central e mais populosa da cidade de São Paulo.

Tentei com as indicações fazer um mapa para essa região imprecisa (falava em Anhangabaú, Braz, Campos Elisios e Consolação, além de cruzamentos com as ferrovias da época (Estrada de Ferro do Norte, Sorocabana, São Paulo Railway e o Tramway de Santo Amaro.

Não foi fácil, com os dados imprecisos da reportagem, mas saiu esse mapa aí de cima.

Estranho, não? Porém, a interpretação pode ser de cada um que o lê e tenha um mapa de São Paulo na cabeça ou na escrivaninha.

Ali dizia que a ferrovia tinha de sair do vale do Anhangabaú e retornar a ele. Por isso aquela penetração da linha para a região do vale. 

Mesmo assim, basta pensar numa ferrovia que circundaria o Anhangabaú, passando pela periferia dos bairros citados mais acima.

De qualquer forma, não saiu anel ferroviário nenhum e os engenheiros, que "já se achavam nesta capital" iriam fazer um tour pelo roteiro da linha futura-que-nunca-foi.

Mais de cem anos se passaram e outros anéis foram sugeridos e não projetados, que, embora algumas partes tenham sido construídas durante os anos em pontos bem mais distantes do centro da Capital, jamais se "fecharam". 

sábado, 28 de março de 2020

UM POUCO DE FERROVIAS, E NÃO CORONAVIRUS (1887)


Inicio do artigo do jornal citado abaixo

nterrompendo um pouco o assunto coronavirus, falarei um instante sobre ferrovias paulistas (sim, um dia elas existiram! kkkk).

Um artigo do jornal A Provincia de São Paulo de 1887 (hoje, o Estadão), no remoto dia de 15 de fevereiro, o jornal havia publicado uma reportagem sobre a inauguração do ramal de Jahu (Jaú), que deveria ser inaugurado o trecho final do chamado Ramal de Jahu.

Este chegava ao seu ponto final, partindo da estação de Mineiros (Mineiros do Tietê - , que logo em seguida foi renomeada como D. Pedro II). Os trechos anteriores haviam sido abertos alguns meses antes. Aliás, o nome voltaria a ser Mineiros em 1890, já que o homenageado havia sido covardemente deposto e exilado do País menos de um ano antes. E, para esticar um pouco mais, era a estação que sofreu as mudanças de nome, não a cidade, que continuava se chamando Mineiros. Esta constante mudanças de nomes de cidades, estações, ruas, praças,avenidas etc. em nosso País sempre atrapalhou as pesquisas históricas de quem gosta do assunto.

Quem havia realizado a proeza fora a Companhia Rio-Clarense, ferrovia que existiu de 1880 a 1892, empresa nacional por alguns anos e em 1889 vendida para ingleses, que, em 1892, a venderam para a Companhia Paulista.

Como na briga, da mesma época, da Cia. Ytuana, que aberta como uma reação à E. F. Sorocabana, passou a desafiar a força desta última. O que aconteceu? Foi engolida pela última depois de anos de discussões e embargos.

Mas o que me chamou a atenção no artigo d'a Provincia foi um comentário do colunista sobre os trens de passageiros. Naquela época, não tinha jeito: se você tinha uma concessão para trens cargueiros, você era obrigado a ter transporte de gente, caso contrário, a quantidade de protestos do povo, que necessitava viajar de uma cidade a outra a pé, a cavalo, ou pagando uma fábula pelos transportes tipo carroças, tílburis e outros, seria - e era - um inferno.

Atender ao povo ou às exigências do contrato de concessão das linhas não significava que o serviço ia ser necessariamente bem feito. E já que o transporte por trem era muito melhor do que as alternativas - em 1887, automóveis eram ainda sonhos - a procura era grande. Basicamente, o que os donos das concessões (neste caso, o Visconde do Pinhal, homem riquíssimo) queriam era transportar café e outros gêneros que lhes desse lucro. Passageiros davam pouco lucro, quando davam, e reclamavam demais.

Neste trem, que passava por Dois Córregos, Brotas e chegavam a Rio Claro (com uma parada em Morro Pellado (Itirapina), você podia pegar outro trem, que seguia para São Carlos e Araraquara, então ponto final. A linha era toda ela em bitola métrica.

Mas, se você queria ir à Capital, você chegava a Rio Claro e tinha de trocar de trem, pois a linha Rio Claro-São Paulo era uma linha de 1 metro e sessenta. Cargas e passageiros tinham de se sujeitar a uma baldeação, o que tomava tempo. A Rio Clarense e a Paulista pouco se importavam com o tempo que os passageiros perderiam com uma baldeação, principalmente os passageiros, que andavam sozinhos para o outro trem, o que era ótimo para as ferrovias, claro. E também os trens que saíam das estações que obrigavam à baldeação, ou seja, Rio Claro.

E passageiros começavam a reclamar (eita povinho chato), menos de uma semana depois de eles receberem um presente que mudaria a vida de todos para sempre.

Curioso: o artigo findava com um comentário do articulista: "logo as companhias conseguirão chegar a um acordo". Era o que hoje se chama, no metrô e na CPTM, de "integração", mas com trens que tinham apenas um a dois horários diários.

E o mundo gira - por enquanto o coronavirus segue atacando. Naquela época, o flagelo eram a febre amarela e a malária - além da syphilis.

sexta-feira, 20 de março de 2020

FIM DO MUNDO (2020)


Terra arrasada em Rancharia, SP. Foto João Francisco Cunha em 2020

Pois é.

Passamos pelo menos 15 anos sendo roubados por uma quadrilha, prendemos o líder e o soltamos, desalojamos uma presidente que mal sabia falar.

Porém, não conseguimos fazer com que os tribunais, as Assembléias Legislativas, a Câmara Federal e o Senado cortassem seus absurdos salários, verbas de manutenção e número de assessores "aspones" que, em grande parte, não fazem nada.

Aprovamos (o Congresso) uma lei que dá um fundo eleitoral para os candidatos para as eleições no valor de uma baba de dinheiro. Por que eu e o resto do povo deveríamos financiar a campanha eleitoral de qualquer candidato? Se eu quiser fazê-lo, faço-o por que acho que alguns candidatos mereçam e, no caso, entro para um partido no qual eu me interesse financiar.

Quando começamops a falar sobre suspender esse fundo eleitoral e passar o seu valor para a emergência atual, que é de muito mais relevância para os doentes com o coronavírus, os deputados et caterva nem se importam, fingem que não veem isso. Cortar os salários pela metade, ou terça-parte, então, eles não pensam.

Agora, quando tentamos fazer com que o Brasil volte aos patamares econômicos de 2011 (que sabemos ser insuficiente para os dias de hoje), cai sobre nós (e o resto do mundo) uma epidemia de coronavírus que, segundo o que dizem especialistas e palpiteiros, dar-nos-á um futuro a curto e médio prazo nada agradável.

Partindo de uma visão municipal, nossas ruas estão com o asfalto pela hora da morte; as calçadas são armadilhas para crianças, adultos e idosos, e ninguém as conserta.

Em termos estaduais, as estradas (fora as de São Paulo) estão em péssimo estado, mesmo com pedágio sendo cobrados de algumas. As ferrovias foram jogadas no lixo. Praticamente 21 mil quilômetros viraram sucata, como a Sorocabana, da qual falei há algumas semanas.

A saúde, educação e segurança pública estão em péssimas condições de serviços) (Graças a Deus, existem algumas exceções).

E agora, os governos acabam de decretar o fechamento e paralisação de lojas, shopping centers, viagens, hoteis etc. Excursões e viagens de turismo foram canceladas. Fomos proibidos de sair de casa.

Fica a pergunta: como será nossa vida daqui a um mês? Ou daqui a dois anos? As medidas tomadas vão acabar com os mercados. Milhões será postos na rua e não haverá dinheiro para custear as obras necessárias e os desempregados.

Se eu tenho a solução? Claro que não. Mas tenho medo que as mortes que possam ser evitadas nos próximos meses sejam compensadas por efeitos maléficos da caça ao vírus. E chega.