sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

HISTÓRIAS DE TAMBAÚ, SP

 Na estação de Tambaú-nova, fechada e abandonada, o recado: acabaram os trens (foto minha, de maio de  1999)
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A cidade de Tambaú teve duas estações ferroviárias com seu nome. A primeira, aberta em 1887 e desativada em 1959, existe ainda, com uso completamente diferente, praticamente no centro da cidade. Os trilhos da linha original de Mogiana foram retirados loco depois que a variante Lagoa-Tambaú (a mesma que criou a estação de Casa Branca-nova) começou a funcionar em Tambaú.

A segunda estação, "Tambaú-nova", foi inaugurada em 1959, bem depois de Casa Branca-nova, porque a variante parava na região de Coronel Corrêa por falta de dinheiro para seu término, nos anos 1950, os piores tempos da Mogiana, quando foi estatizada para não ser fechada (1952).

Esta estação ainda existe, e, depois do último trem que por ali passou (1997), teve diversos usos, inclusive tendo ficado semi-abandonada. Ainda está lá com seus trilhos, por onde passam os cargueiros da FCA, concessionária que assumiu a Mogiana em 1999.
A ex-estação de Tambaú-nova, em foto de 2013 (Carlos Roberto de Almeida)
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Rodrigo Cabredo passou muito por lá de trem na época em que era ainda um adolescente vidrado em trens. É dele o relato que foi reproduzido no meu site e no meu livro Um dia o trem passou por aqui, de 2001: Ele fala da importância dessa estação mais nova, que ainda fica nos limites da cidade e servia de ponto de cruzamento de trens de passageiros:

"Os trens PM1 (vindo de Campi-nas) e PM2 (de Araguari) cruzavam lá (em Tambaú-nova) e eu, enquanto esperava o cruzamento, dava uma voltinha a pé pela estação para ver aqueles antigos cofres, os aparelhos de staff, etc.. Na fachada, há um grande logotipo C.M. Perto dali, há o único túnel da linha. Antigamente, eles cruzavam em Ribeirão, Evangelina, São Simão, Cravinhos, Canaã, dependendo do atraso. Hoje, cruzam em lugar nenhum, foram cortados... já sabe, se privatizarem a Fepasa esse trem não volta, porque foi suprimido antes... era simpático. Havia duas composições. Uma tinha dois ou três carrinhos de aço-carbono, construídos pela C.M. em 61, e um restaurante, também desta data, e era também de aço-carbono. O outro trem era de aço-inox, com janelas ovais com dois ou três carros da Mafersa, de 61, e um restaurante. Então, de Campinas saia um dia um trem, e um dia outro. Saía às 9 da manhã de Campinas e no domingo saía às 10, porque era o trem Bandeirante da Refesa, com leitos, etc.. Dava para pegar o PP-1 na Luz e chegar a tempo, porque o Bandeirante só saía quando chegava o PP-1 em Campinas. Eu peguei muito este trem, e descia em Evangelina, onde residem meus parentes. Lembro-me de um dia em que eu estava almoçando no carro-restaurante, quando o trem adentrou a estação de Aguaí. Naquele momento, tive uma premonição: um dia isso vai acabar. Dito e feito. Ultimamente, um carro era reservado para carregar a miséria para cima e para baixo. Mendigos com passe da prefeitura. Que contraste... Começou transportando a esperança de progresso, a riqueza, nossos imigrantes e terminou transportando o fracasso, a pobreza, a falta de perspectiva... O que fizeram com nossas ferrovias? Quando o trem passa pela linha nova, nas imediações de Cerrado e Santos Dumont, é perfeitamente possível ver a linha velha serpenteando paralelamente à nova. Pode-se ver lastro, dormentes e algumas estações antigas, já fora da linha atual. A linha nova cruzou o ramal de 0,60 que ali existia e existe ali uma estação (Cerrado), que fica perto da linha nova. Agora, só passando de carro para ver".

Tristeza, bem brasileira. O relato foi-me feito num e-mail de 1999.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

DESCENDO A REBOUÇAS E PENSANDO

Avenida Rebouças. Data e autor desconhecidos. A pista da esquerda sobe, a da direita desce. A rua que sai em diagonal é a rua Melo Alves
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Não se trata de uma velha música do Ronnie Cord (Alguém se lembra? Alguém conheceu esta figura da Jovem Guarda dos anos 1960?), onde ele cantava: "Subi a rua Augusta a 120 por hora, botei a turma toda do passeio pra fora" e por aí afora.

Trata-se de descer a Rebouças nos anos 2010, mais precisamente, no ano 2014 e, mais especificamente ainda, ontem. E enquanto Ronnie Cord subia (ou descia) a Augusta, a cinco quarteirões da Avenida Rebouças, de carro, eu desci de ônibus. E de dentro dele, em pé, na ladeira entre a rua da Consolação e a Henrique Schaumann, quem corria mais era o ônibus.

A faixa exclusiva, no meio da pista, junto ao canteiro central, feita como deve ser e não como aquelas feitas nas coxas e do lado direito das ruas pelo cidadão que ocupa o Gabinete do Prefeito já há dois anos fazendo bobagens atrás de bobagens - com o nosso dinheiro, claro - , essa faixa permite que os ônibus sejam os únicos que desçam e subam a avenida a uma velocidade decente - talvez próxima de 50 e 60 por hora. 

Deu desespero ver os automóveis nas duas ou três faixas que lhes sobram parados quase todo o tempo, de vez em quando andando a 2-3 km para avançar alguns metros, ou mesmo centímetros. É evidente que a faixa os atrapalha, pois toma-lhes espaço. Porém, essa faixa realmente facilita o tráfego do transporte coletivo. Certamente desci a Rebouças muito mais rápido do que se estivesse de carro e praticamente na mesma velocidade do metrô que passa muito próximo dali, por baixo da terra (linha 4, Luz-Butantan).

No lado contrário da avenida, os ônibus subiam rapidamente também e os automóveis conseguiam ter mais liberdade de ação. Subiam a, digamos, 20 a 30 km/hora, sem grandes paradas, exceto pelos semáforos. De qualquer forma, a situação da Rebouças era triste e posso garantir que na mesma hora (cerca de 4 da tarde), várias outras ruas e avenidas estavam na mesma situação que a pista descendente onde eu estava.

Então, pergunto: o que pensavam o inventor do automóvel, ou os inventores, cem, cento e dez anos atrás, quando os lançaram no mercado? Em glória? No futuro da humanidade com eles? Em dinheiro? Teriam eles certeza de que o automóvel iria ser um sucesso e não um fracasso? Certamente pensavam em glória e em ganhar dinheiro. Tinham eles condições de prever os congestionamentos do futuro? E, se tivessem, preocupar-se-iam com isso? Se se preocupassem (o que, pelo meu modo de pensar, era pouco provável), teriam eles vindo a pensar o que fazer para evitar o caos nas grandes cidades que existe hoje?

Na verdade, embora todos gostem de seu carro e deter um, e de sempre querer ter um melhor, mais novo e, se possível, mais caro e potente, é meio ridículo olhar 'a vota e perceber que a maioria dos automóveis têm apenas uma pessoa dentro, mas ocupa o lugar de pelo menos oito? (embora isso não seja o que aconteça, como cabem duas sobre o capô e mais duas sobre o capô traseiro, podemos pensar nas oito pessoas - quando não nove.)

Se tivermos o mesmo número de pessoas que ocupam um carro - e aí vamos falar no máximo que podem ocupar internamente, o que geralmente são cinco - e pusermos-las na rua, andando, o espaço vai ser menor do que os ocupados pelos carros - e elas vão andar em uma velocidade baixa - no máximo, 5 km por hora sem correr - mas não estarão satisfeitos, porque vão se cansar. Porém, chegarão antes no seu objetivo do que se estivessem dos carros.

O correto seria tentar evitar tudo isso, não se permitindo (de que forma? Sei lá!) que cidades como São Paulo, ou mesmo menores, fossem formadas. A alta concentração de pessoas por metro quadrado, ou por quilômetro quadrado, que seja, já provou não trazer grandes vantagens, pelo menos para a grande maioria das pessoas que nelas vivem.

Seria o ideal que isto houvesse sido previsto e que se estabelecessem determinadas normas que limitariam as cidades a áreas específicas não muito grandes e com no máximo um determinado número de habitantes? (300 mil no máximo?)

Enfim, algo tarde para se pensar - mas as pessoas que vão mudar os próximos cem anos com novas invenções, sejam lá o que for, podiam pelo menos tentar fazer. É extremamente difícil prever o futuro, mesmo o muito próximo, qualquer um sabe disto. Mas pode-se tentar pensar mais em possíveis consequências do que fazemos para "melhorar o mundo".

Seria difícil para nós se subitamente fomos transportados de volta para 1880. Porém, o ambiente era muito menos poluído, em todos os termos que você pode imaginar para poluição. A terra era muito menos impermeabilizada - muito pouco, mesmo, com ruas de terra, casas que nem piso tinham, jardins imensos, fazendas imensas. Havia suas vantagens. Afinal, o ser humano já existe há (é isso mesmo?) milhões de anos e sobreviveu a todas as ameaças.

A avenida Rebouças existia há 400 anos atrás e era a Trilha Tupiniquim, Caminho para Sorocaba, Caminho para Pinheiros. Pense nisso. (Nota: lembre-se que quando falo no velho caminho de Pinheiros, falo da trilha que seguia pela atual Rebouças, entrava pela rua de Pinheiros e seguia pela rua Butantan, cruzando o rio e entrando pela atual Vital Brasil, Corifeu de Azevedo Marques etc. A Rebouças como existe hoje não existia há cem anos atrás. O que existia era apenas o trecho rua da Consolação-rio Verde, ou seja, o cruzamento dela com a rua Henrique Schaumann).

Chega de filosofia barata por hoje.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

HISTÕRIA FERROVIÁRIA: JUNTANDO OS CACOS


Bom, eu já discuti aqui neste blog em diversos artigos a ascensão e decadência das ferrovias brasileiras. Certamente, já fui contraditório em coisas que afirmei. Certamente muitos não concordam com muitas coisas que escrevo e escrevi.

Cada caco que se encontra abre novos pedaços de história quase desconhecido, pelo menos hoje em dia.

Neste artigo há quatro comunicados publicados na imprensa no mesmo jornal (O Estado de S. Paulo), no mesmo dia (1o de agosto de 1968) e na mesma página. Três falam da Mogiana e um da Paulista, numa época em que a formação da FEPASA era uma questão de tempo; até o nome já era utilizado e isso já havia alguns anos.  Isso significa que, embora cada uma das cinco ferrovias que a formariam tivessem suas próprias diretorias (ou três delas, pois a essa altura, a São Paulo-Minas já era administrada pela Mogiana e a E. F. Araraquara, pela Paulista), na prática, as decisões eram tomadas cada vez mais em conjunto por pessoas que já formavam uma espécie de FEPASA, um espectro que pairava sobre as cinco empresas ainda "independentes".

Em todos os quatro anúncios aqui publicados, vê-se uma situação: ganhar dinheiro livrando-se de materiais, serviços, mão de obra e terras supostamente inúteis.

A Companhia Paulista anunciava o fechamento de onze estações em diferentes linhas: a linha-tronco, a linha-tronco Oeste, ramal de Piracicaba, ramal de Descalvado, ramal de Ribeirão Bonito e Ramal de Nova Granada. Estes dois últimos teriam o tráfego extirpado apenas cinco meses mais tarde. Fechar estações significava remover pessoal e o fantasma de demissões ou aposentadorias precoces. Significava também que a manutenção desses prédios e da vila ferroviária iria acabar. Era o começo do abandono de uma estação. Ali, os trens ainda parariam, apenas se houvesse passageiros para embarcar ou desembarcar esperando na plataforma, gente que pagaria pela passagem dentro do trem.

Para ramais pequenos poderia significar o início da morte, rápida para os dois que fechariam em janeiro de 1969. O ramal de Piracicaba e o de Descalvado se arrastaram até o início de 1977 para passageiros. Muitas estações foram fechadas a partir disso em todas as ferrovias paulistas durante os trinta anos seguintes.

Nos anúncios da Mogiana, um deles falava sobre o ramal de Pinhal, fechado já havia então sete anos. O trecho de leito posto à venda em Mogi-Mirim (e o resto do ramal no município de Espírito Santo do Pinhal? Já havia sido negociado?) foi realmente vendido? O que o ramal de Pinhal fechado em 1961 causou para a economia da região? Teria ele tentado ser negociado com alguma companhia pequena que pudesse se interessar? Tudo indica que não. Isoladamente ele não deveria ser mais viável, realmente, era muito curto. Mas e o que girava em volta dele? Os prejuízos, para serem evitados, somente o poderiam mesmo bancados por uma estatal muito bem administrada para ter uma visão global da região que a linha abrangia, o que não era o caso da Fepasa espectral, ou da Mogiana estatal.

Mais um caco: a venda de um terreno em Guará. Estranho isso. Guará era uma estação do ramal de Igarapava. O terreno era no centro da pequena cidade. Aí, precisava-se conhecer bem a cidade. Seria a área de algum triângulo de reversão, ou de que| A estação funcionou por mais dez anos quando então o ramal foi substituído pela variante que funciona até hoje (com cargueiros), a Entroncamento-Amoroso Costa.

Uma pergunta que sempre faço: por que se demorava tanto para se vender ramais e terrnos desativados para terceiros, numa empresa deficitária? E naquele tempo, ainda se vendia. Mais tarde, a venda era postergada de tal forma que até hoje. com a Fepasa tendo sido absorvida pela RFFSA em abril de 1998, esta última até hoje ainda possui inúmeros terrenos em território paulista e não consegue vendê-los - ou não se esforça para isso. Outra vez a pergunta: esse terreno terminou sendo vendido ou não?

E, finalmente, a venda da (aparentemente) esplanada da estação de Santa Teresa, Essa era uma das estações remanescentes da linha original da Mogiana entre Bento Quirino e Entroncamento, que passava por Ribeirão Preto, onde ficava essa estação. Neste caso, a linha que foi substituída pela variante em 1965 - portanto três anos antes - não continuou servindo. E poderia. Passava no centro de Ribeirão, um trem de subúrbios ali seria justificável, ligando São Simão ao rio Pardo. Alguém estudou isso? Duvido. Mas esse terreno foi vendido. Um condomínio fechado de casas foi erigido ali trinta anos depois, em 1998 e - pasmem - manteve a estação, embora com algumas modificações que a descaracterizaram am grande parte.

Juntem os cacos, procurem outros e vão formando um imenso mapa da incompetência dos administradores da infra-estrutura deste país.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A VISÃO DE UMA PESSOA A QUAL NÃO CONHEÇO SOBRE AS FERROVIAS DO BRASIL

Foto IBGE - 1984 - não constava da mensagem transcrita abaixo.

Luiz Nery – não o conheço – mandou-me esta mensagem no Facebook em 6/12/14 e aparentemente, para muito mais gente em cópia.

Reproduzo-a abaixo, ipsis literis. Não mudei parágrafos, português, pontuação, nada. Ele é claramente meu fã (ouviram? Eu tenho um fã!!!). Não tenho o link que ele cita, acho que não veio. Mas não afeta o que ele escreveu.

Aí está o texto por mim recebido:


O Sr. Ralph Mennucci Giesbrecht, e os amigos escreveram tudo, mas tudo o que eu queria ler!!!!, e ele fala com autoridade no assunto, pois possui um site, aliás um BELO SITE ( O ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DO BRASIL) e um EXCELENTE BLOG, acompanho o trabalho deste senhor há mais de 8 anos, e sei o quanto é uma PESSOA SÉRIA, obrigado pelo comentário, senhor RALPH e AMIGOS!!!!, postei este vídeo apenas para as pessoas refletirem sobre nossa realidade atual, mas nem tinha ideia da repercussão que iria dar este pequeno vídeo!!! e isso é bom!!! pelo menos faz as pessoas pararem pelo menos um pouquinho para refletir, tenho 49 anos, estudei apenas 6 anos, sendo 2 como supletivo, sou apenas um metalúrgico aposentado, não sou filiado a partido político nenhum, aliás nunca fui e nem pretendo ser,,,. Mesmo porque, nunca acreditei, não acredito e enquanto a palhaçada continuar nas três esferas do poder, a tendência é esse país continuar "CRESCENDO PARA BAIXO TAL QUAL RABO DE ÉGUA", como dizia meu saudoso pai, a grande realidade na minha modesta opinião, é que eu odeio fazer comentários políticos, pois as vezes muita gente pode se sentir ofendida, e eu jamais desejaria ofender quem quer que seja a pessoa, quando, montei o vídeo jamais tive a intenção de acusar os partidos; A , B, C ou D, fazer militância, levantar bandeira e muito menos fazer proselitismo político, GRAÇAS A DEUS, nunca precisei disso e nunca pertenci a ESQUERDA, nem a DIREITA, nunca militei, nunca fui cabo eleitoral, comecei a trabalhar aos 12 anos de idade em 1.977, COM REGISTRO EM CARTEIRA, (pois na época era permitido, os mais velhos se lembram), trabalhei por 37 anos em uma METALÚRGICA PARTICULAR, TOTALMENTE PRIVADA, COM PATRÕES RÍGIDOS E ENÉRGICOS, (GRAÇAS A DEUS), por isso as vezes sou duro em meus comentários, a realidade é que desde o tempo do IMPÉRIO, este gigante país, nunca teve uma administração SÉRIA, quem conhece um pouco da história do BRASIL, sabe do que estou falando...do ano de 1.988 para cá vivemos sob as leis de uma constituição que se quer tem suas leis respeitadas e ainda pra piorar, em 1.990 criaram o E C A, que pra mim, foi uma das piores coisas que aconteceram neste país, fizeram um conjunto de regras dando QUASE QUE APENAS DIREITOS, E QUASE NENHUM DEVER AOS MENORES DE 18 ANOS, PELO AMOR DE DEUS!!!, isto acabou criando uma geração, com um alto grau de delinquência, EM 30 ANOS, NÃO CONSEGUIRAM MUDAR O CÓDIGO PENAL BRASILEIRO QUE TEM 70 ANOS DE VIGÊNCIA, temos 513 deputados federais, 81 senadores, um CONGRESSO NACIONAL, totalmente "engessado", um país sendo governado através de MEDIDAS PROVISÓRIA E DECRETOS, quando FHC foi eleito, usando como plataforma o PLANO REAL, criado pelo seu antecessor ITAMAR FRANCO, simplesmente seguiu as regras que já estavam estabelecidas, eu não tiro o mérito dele não, ele foi um bom presidente, nos primeiros 4 anos, depois começou a palhaçada da reeleição e foi aí que o país começou a "PATINAR", e está patinando até hoje...as privatizações, em partes deram certo, caso da TELEFONIA, que funciona (as vezes meia boca), mas funciona, o setor elétrico tá "capengando" até os dias de hoje e já foi falado por gente especialista no assunto, que se o BRASIL tivesse crescendo as taxas de 3 a 4 % ao ano, isso aqui já tinha "DADO PAU" há muito tempo, bom aí vamos falar das FATÍDICAS PRIVATIZAÇÕES FERROVIÁRIAS, e é nessa que eu vou "destilar todo o meu veneno", KKKKKKK, na verdade nada, mas nada justificava se sucatear carros de passageiros construidos em aço inoxidável, material caríssimo ( trabalhei muito com esse material na seção de cortes e dobras, na metalúrgica), o que aconteceu com as ferrovias NO BRASIL, ACHO QUE ATÉ NOSSO SENHOR JESUS CRISTO FICOU ADMIRADO E INCONFORMADO!!!! KKKKKKKKKKK, OLHA, COM TODO O RESPEITO A OPINIÃO DO Sr. J Emilio Buzelin , mas aqui ninguém tá de "SAUDOSISMO BARATO NÃO", E NEM ESTAMOS QUESTIONADO; CAPITALISMO, COMUNISMO, PATERNALISMO, É FALTA DE VERGONHA NA CARA MESMO, A SITUAÇÃO FINGE QUE GOVERNA E A OPOSIÇÃO, (aliás diga se de passagem...Ô OPOSIÇÃOZINHA RAQUITICA´E DESNUTRIDA HEIN ..,?,), E AGORA PRA FINALIZAR VAMOS FALAR SOBRE A PETEZADA..., vivIam metendo o pau no FHC, inclusive VOTARAM CONTRA O PLANO REAL, que foi a única coisa que deu mais ou menos certo neste país, que embora já esteja CAPENGANDO TAMBÉM...aí o LULA ficou 8 anos, fazendo lambança, demagogia, populismo barato, COPA DO MUNDO, OLIMPÍADAS, O HOMEM É "MEGALOMANÍACO" e queria trasnformar o BRASIL em um CANADÁ, ESTADOS UNIDOS, NORUEGA, ETC...da noite para o dia!!!!, KKKKKKKKKKKKKKKKKK, QUEBROU A CARA, ALIÁS O POVO QUEBROU A CARA PORQUE ELE ESTÁ RIQUÍSSIMO!!!!, E ELE TEVE TODO O TEMPO E A MAIORIA NO CONGRESSO NACIONAL PARA MUDAR QUASE TODAS AS LEIS E REGRAS QUE TRAVAM ESTE PAÍS A SÉCULOS!!!!, MAS QUE NADA!!!, E O FISIOLOGISMO?, E O CORPORATIVISMO?, E O FAMOSO "TOMA LÁ DÁ CÁ"?, aí pra fechar a tampa do "CAIXÃO" QUEM ENTROU EM CENA: "ELA" A REPRESIDENTA COMO DIZ O REINALDO AZEVEDO, DA RÁDIO JOVEM PAN, (aliás um competente jornalista) E É ISSO AÍ AMIGOS!!!, O QUE NOS RESTA FAZER???, É SÓ LEMBRAR MESMO, SE EU TIVESSE CONDIÇÕES EU "SUMIRIA" DESTE PAÍS, (não pelo povo, que a maioria é de gente honesta), MAS PELO: NOJO, PELO ASCO, SÓ PRA NÃO VER MAIS A CARA DESSES DESGRAÇADOS NA TV, E QUANTO, AS CIAS. FERROVIÁRIAS ESTRANGEIRAS: AMTRAK (AMERICANA), E A VIA RAIL (CANADENSE), SÃO GERIDAS COM PARTICIPAÇÃO DOS GOVERNOS SIM, PORQUE LÁ ,A EXEMPLO DO QUE NÃO FIZERAM COM A FEPASA E COM A RFFSA AQUI, ELES SUBSIDIAM O TRANSPORTE PARA AS PESSOAS TEREM ALTERNATIVAS DE TRANSPORTE DE LONGA DISTÂNCIA E NÃO COMO FOI FEITO AQUI QUE DESGRAÇARAM COM TUDO E O POVO FICOU QUIETINHO E LITERALMENTE A PÉ!!!!!, É ISSO AÍ PESSOAL SIMPLES ASSIM!!!!!kkkkkkK

sábado, 13 de dezembro de 2014

E AS DEMOLIÇÕES SE ACELERAM - ORINDIÚVA

 Orindiúva no chão em 29/9/2014. Foto Luis Fernando Pechiore Bastos.
A estação de Orindiúva, na linha-tronco da antiga Mogiana e hoje linha de passagem de cargueiros da FCA, no município de Casa Branca, SP, foi demolida no último mês de setembro. Desta vez, foi mesmo, depois de alguém levantar a bola há poucos meses atrás e logo em seguida tendo aparecido outro que desmentiu.

Desta vez não há o que desmentir. Está no chão, há várias fotos. E, por elas, até a plataforma, que geralmente é deixada no local por ser mais difícil de destruir, foi também. Só resta remover o entulho - se já não foi removido (se é que um dia o será).
Orindiúva no chão em 29/9/2014. Foto Luis Fernando Pechiore Bastos
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Quem terá sido o autor disto? É sempre difícil de saber. Geralmente, é alguém que conseguiu arrematar o edifício no espólio da RFFSA e não o queria ali, talvez por estar ameaçando cair em cima de, geralmente, drogados ou vagabundos de estrada, e ficar com a culpa. Pode ter sido também a prefeitura - mas duvido que Casa Branca, município decadente há décadas e que tem essa estação como a mais distante de sua sede, se importa a mínima com o prédio e também duvido que fosse ela a dona do mesmo. Concessionária atual do trecho? Pode ser, mas é difícil de saber, pois ela não admitiria - não era dona nem usava o prédio. Finalmente, pessoas que moravam perto e não queriam más companhias, mas a impressão que tenho é que ninguém mora perto dali, local bastante isolado e difícil de chegar de automóvel - aliás, eu visitei o local em 1999 e cheguei lá quase por acaso na época. Nunca mais tive a oportunidade de voltar.

É curioso que em volta dessa estação, assim como a de Miragaia, a estação seguinte no sentido Campinas-Casa Branca, não haja nada em volta. São locais que nunca se desenvolveram? Ou podem ter tido algumas construções na primeira metade do século que desapareceram com o êxodo rural?
A estação em 1999. Foto deste autor.
Pesquisando em jornais, não se encontra absolutamente nada sobre essas duas estações. O nome de Orindiúva, que é também o de um tipo de madeira ou árvore (que provavelmente existia na região em profusão, daí o nome?), é visto quase sempre ou como o da madeira ou, mais ainda, como o de um município paulista homônimo que fica na região ao norte de São José do Rio Preto e muito próximo da antiga linha da E. F. São Paulo-Goiaz, linha esta extinta em 1969. Bem longe dali.
A estação de Miragaia em 26/9/2014. Uma retificação em 1961 tirou-lhe os trilhos. Foto Luis Fernando Pechiore Bastos
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Miragaia, por sua vez, aparece sempre como sobrenome, ou então, como parte de horários de trens, na época em que estes eram publicados em jornais (virada do século XIX parao XX). Aliás, para quem se lembra, Miragaia foi um dos sobrenomes que formou o MMDC, dos 4 estudantes mortos em 23 de maio de 1932 em São Paulo (Martins, Miragaia, Drausio e Camargo). Mas o nome da estação nada tem a ver com este Miragaia. A estação nasceu já com esse nome em 1912. Talvez de alguma família dona das terras próximas.

A estação de Miragaia, menor que a de Orindiúva, ainda está de pé - mas abandonada e com rachaduras que vão terminar com sua queda mais dia menos dia - a não ser que algum demolidor a alcance primeiro.

Mais um pedaço da história ferroviária e de São Paulo que desaparece. Daquia pouco tempo, não haverá mais nada.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

SUBURBIOS DA VELHA LEOPOLDINA

A Noite, 22/4/1935
A história ferroviária brasileira tem inúmeros detalhes. Apesar de as ferrovias hoje não merecerem praticamente nenhuma atenção séria por parte dos governos e serem considerados por muitos incautos como "coisa do passado" e como consequência as linhas existentes estarem abandonadas (mesmo as que estão em uso), um dia houve quase 40 mil quilômetros de estradas de ferro no Brasil e isso gerou uma série de histórias e de detalhes que, se alguém conseguisse juntar tudo para fazer um livro, seria uma enciclopédia com n volumes.

Falando da Leopoldina, entrando em um detalhe de seus trens de passageiros e neles entrarem no detalhes que ela teve trens de subúrbios... bom, hoje eles são chamados de trens metropolitanos que, no Rio de Janeiro, bem ou mal, são operados por uma empresa concessionária privada de nome Supervia.
Guia Levi, 1917 (mês desconhecido)
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A Supervia hoje congrega linhas que foram tanto da Leopoldina como da Central do Brasil. A linha do qual falo aqui neste texto já existia em 1917 e fazia o percurso Barão de Mauá a Duque de Caxias (na verdade, em 1917 era Praia Formosa-Meriti - o mesmo trecho, mas com nomes diferentes Ou seja, Meriti (em 1932) tornou-se Caxias, que se tornou Duque de Caxias mais tarde. Praia Formosa, hoje um pátio destruído, passou a funcionar somente para cargueiros e manobras depois da abertura da estação Barão de Mauá, em 1926, estação que fica a seu lado, Já a Supervia hoje opera um trecho que não sai mais da Barão de Mauá, abandonada desde sua desativação no ano de 2002, passando todos os trens metropolitanos do Rio a sair da estação Dom Pedro II, mais conhecida hoje como estação da Central.

E os trens da Supervia levam hoje mais longe que Duque de Caxias - chegam até Saracuruna. Quando ainda estavam com a Leopoldina, os trens chegavam apenas até Gramacho, pois ali terminava a eletrificação desde 1970. Para seguir em frente, até Raiz da Serra, hoje Vila Inhomerim, uma locomotiva diesel assumia o trem.

A partir de meados de 2005, o trem elétrico passou a chegar até Saracuruna.

Daí para frente, é outra linha, embora ela fosse nos velhos tempos a continuação da linha que seguia para Petrópolis. Como de Vila Inhomerim para frente (ou seja, a partir do início da subida da serra) a linha foi extirpada em 1964, os subúrbios, que já paravam aí sem subir a serra, continuaram a fazer o que já faziam. Hoje em dia, a Supervia faz a linha Central-Saracuruna com trens elétricos e Saracuruna-Vila Inhomerim com locomotivas diesel em menos horários diários.

Os trens de passageiros sempre chegaram a Vila Inhomerim desde 1856; mas, desde 1964, apenas os subúrbios. Porém, quando começaram os subúrbios a chegar a ela, não somente os de longa distância? Isto ocorreu em 1935, com festas. Notem na gravura as manchetes: "Realizando um grande melhoramento - Inaugurado o novo trecho suburbano da Leopoldina".

Como digo, são tantos os detalhes. Só a história deste ramal, desses trens, já daria um livro.

ERROS LAMENTÁVEIS - TRÊS LAGOAS

Eis um artigo que eu jamais quis escrever neste blog.

Faço-o apenas para me desculpar aos leitores que o acompanham. Os erros aconteceram nas postagens de 5 de julho de 2010 e na de ontem, 10 de dezembro de 2010.

Ambas se referem ao problema da construção, ao meu ver desperdício de dinheiro comparado com outras necessidades da cidade, de uma variante fora da cidade de Três Lagoas.

O grande erro, nas duas postagens, foi ter escrito que a cidade possui pouco mais de cinco mil habitantes. Ali diz a fonte, Wikipedia (citada na coluna mais antiga), mas eu não acho que um erro tão grande estivesse escrito ali. Acredito, sim, que eu, em meio a tantos dados que eles colocaram sobre a cidade, tenha lido errado o número de habitantes.

Confesso que fiquei surpreso com esse número, achei-o muito baixo na época, porém, como o Mato Grosso tem em sua maioria cidades bem pequenas, assim como as cidades do oeste paulista que ficam próximas àquele Estado, acabei não reconferindo o número na época, tendo-o mantido no que escrevi ontem.

As duas postagens, que podem ser lidas pelos links no começo deste artigo, foram corrigidas. E para ser sincero, não alteraram meu pensamento. Cem mil habitantes ainda é muito pouco para sofrer prejuízos com uma linha de trem dentro da cidade.

Peço perdão pela informação errônea nos dois casos, e agrade;o ao amigo Carlos Leite pelo aviso do erro.