domingo, 17 de janeiro de 2021

VERGONHA NACIONAL

Foto: monitormercantil.com

O texto abaixo foi escrito por Paulo Skaf. Ele registra, por acaso, tudo que eu penso desta vergonha que está disseminada neste Estado e neste País. 

Como pode um governador, em plena pandemia, aumentar impostos desta forma?

Segue o texto:

GOVERNADOR JOÃO DORIA AUMENTA IMPOSTOS E DESCUMPRE A PALAVRA PUBLICAMENTE EMPENHADA

Os decretos sobre ICMS publicados nesta sexta-feira (15/01) pelo governo de São Paulo são uma decepção para todos os contribuintes do estado. Pressionado pela ameaça de protestos, o governador João Doria havia se comprometido publicamente a rever a alta generalizada de impostos. Chegou a dizer que não permitiria que a “população mais vulnerável” fosse penalizada com o aumento da carga tributária.

Infelizmente, o que o governador Doria fala, não se escreve.

Os três decretos publicados hoje são um tímido recuo diante da ruinosa tragédia fiscal que o governo Doria quer colocar em prática.

Foi anulado de imediato o aumento de impostos de forma integral apenas para quatro operações, dentre as DUZENTAS atingidas pela medida do governo Doria.

As operações de venda de insumos agrícolas, por exemplo, tiveram suspenso o aumento de alíquotas, mas apenas para vendas dentro do estado de São Paulo. Nas vendas das empresas paulistas para todas as outras 26 unidades da federação, a alta de impostos segue valendo — o que gera problemas óbvios de competitividade.

Para algumas operações como venda de carne bovina e eletrônicos, o aumento do tributo permanece, mas há uma previsão de redução do aumento para o dia 1º de abril, popularmente conhecido no Brasil como o dia da mentira. Piada pronta.

As medidas de hoje deixam claro que o governo quer manter o aumento para produtos como DERIVADOS DE LEITE, CARNE, INSUMOS HOSPITALARES (inclusive seringas) e INSUMOS DAS INDÚSTRIAS, entre tantos outros.

Numa época de agravamento da pandemia, forte crescimento dos infectados e mortos pela COVID, e que milhões de pessoas que perderam seus empregos enfrentam dificuldade na obtenção do sustento de sua família, se esse plano seguir em frente, viver em São Paulo ficará mais caro. Produzir em São Paulo ficará mais caro. Gerar empregos em São Paulo ficará mais caro. É dramático que o governo tente impor um plano desses em plena pandemia.

Até agora, a única manifestação pública do governo sobre o assunto limita-se a um infantil jogo de palavras, por meio do qual tenta gritar aos quatro ventos que "aumento de alíquota praticada" ou de "base de arrecadação" é diferente de "aumento de imposto”. Não é diferente. Qualquer um que pague impostos sabe disso, aqui ou em qualquer outra parte do mundo.

Aumentar qualquer imposto é inaceitável. Por isso, a Fiesp luta na Justiça para reverter os aumentos de tributos de todos os setores atingidos, pois ameaçam o consumo das famílias e os empregos de São Paulo. Iremos até o fim contra essa tirania praticada por aqueles que deveriam zelar pelo bem de nosso estado.

Paulo Skaf
Presidente da Fiesp e do Ciesp

 


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

OS ABSURDOS DE SE VIVER NO BRASIL

 


Já houve tempo em que eu me preocupava em escrever um artigo por dia neste blog, criado em 2009.

Nos últimos anos, cheguei a escrever um artigo por mês e olhe lá. 

Tenho tentado recuperar a vontade de escrever, mas não está fácil, por uma série de motivos que não vêm ao caso agora, mas, realmente não está fácil. Especialmente quando o assunto é sério demais. Isto mesmo. Afinal, quem vai mudar de ideia só por que um entre doze milhões de pessoas (exatamente, a população aproximada da cidade de São Paulo)  escreve aqui para dizer que o governo municipal resolveu aprovar outra lei para reajustar os salários em aproximadamente 45% de vereadores, secretários municipais, Prefeito e vice-prefeito de nosso município já estupidamente inchados de pessoas e de despesas, esta última valendo para a dos os contribuintes e para a dos agraciados com o reajuste de salários citado logo acima.

Pois foi isto que a Cãmara Municipal acabou de aprovar, com duas votações efetuadas em apenas dois dias.

Conversando com várias pessoas durante e depois desta votação espúria, todas se declararam estupefatas com tal decisão. Então, se os vereadores votaram em causa própria e ainda estenderam a benesse para o poder executivo sem ter nenhum escrúpulo, o que devemos fazer? Aceitar, pura e ximplesmente? Cercar o prédio da Câmara? Invadir a avenida Paulista com ou sem carros de som? Invadir a Câmara? 

Eu não sei. Se esta decisão de aumento abusiva já seria um acinte em épocas normais, imagine agora em época de pandemia, quando as pessoas estão com medo de sair de casa para não se contaminar com o já famosos e odiado virus COVID-19. Se não fossem tempos de COVID-19, certamente o assunto não seria menos nojento. Há pessoas passando fome nas ruas por falta de emprego e do auxílio emergencial.

Parece que o prefeito Covas não se importou com isto. Quando vetou a lei, anteontem, não fez qualquer comentário justificando o assalto. Nada. Vetar a lei seria o mínimo que ele deveria fazer. Aliás, os jornais e os portais de Internet, bem como a imprensa falada e as rádios, bem como os canais de televisão pouco fizeram para tentar convencer seus ouvintes, assistentes e leitores. Pouco achei sobre o assunto. Alguns minutos por dia, no máximo.

E mais: Se este fosse um assunto isolado, já seria, repito, nojento. Mas parece que somente alguns poucos mortais se importaram com isto.. 

Qual é o motivo para tanta necessidade de aumento? Afinal, o sujeito tenta se eleger, ou reeleger, sabendo que o salário é o que existe hoje. Então, não pode reclamar que ele seria um valor "baixo" para que o elemento sobreviva. Agora, não satisfeitos com o "baixo" salário, aumentaram-no. São ratos, mesmo. 

Enquanto isso, outros acontecimentos continuam a engrossar o célebre mar de lama.

O Congresso Federal tentou passar por cima da Constituição para reeleger seus comandantes (Rodrigo Maia, da Câmara, e Daniel Alcolumbre, do Senado). Na Constituição está claramente escrito que reeleições, só em determinados casos. Este caso não é um deles. Mesmo assim eles tentaram e STF confirmou que não pode. Agora os integrantes das duas casas estão tentando sair do imbroglio que eles mesmos criaram, pois não esperavam o veto do Supremo. 

Mas eu ainda pergunto: vai mudar alguma coisa? Não.

Afinal, o STF ainda está entupido de processos qinda não decididos, alguns de anos e anos atrás. Nem pensam em solucionar todos esses casos.

Alguns prefeitos e vereadores, na eleição de 12 de novembro, foram eleitos, mesmo com "fichas sujas". Muitos estão ao ponto de não conseguirem tomas posse em 1o de janeiro, tentando decisões judiciais que os impeçam de conseguir seus intentos. Alguém acha que eles serão impedidos de tomar posse? Mas, afinal, por que eleitores continuam votando em políticos impedidos de ser votados? Falta de vergonha na cara, suponho. Mas é por causa destes eleitores que todos nós perdemos a confiança neles e nos votados. 

A jogada agora é tentar afirmar que a perda do direito de ser eleito por ter praticado crimes deve ser de 8 anos e este prazo só deveria existir não após a condenação, mas sim após a condenação em todas as instâncias jurídicas. Conhecendo este país como conhecemos e quanto duram os julgamentos, é fácil compreender que a lei será inútil se tivermos de esperar que o suspeito seja inelegível aomente depois da condenação em última intância.

E os condenados e presos da Operação Lava-Jato? Quando serão julgados? Os processos estão todos parados (claro, deve haver exceções, mas com uma lentidão nos processos que faria inveja a Lucifer. 

E os presos que são liberados no Natal, no Dia dos Pais, no dia das Mães etc.etc.etc, alguns com indulto, ou seja, não precisam mais voltar, outros por apenas uma semana ou duas - como se explica isto? Boa parte dos que saem voltam a praticar crimeas nos dias seguintes. E nada acontece, Claro, há os que voltam nos dias marcados. São até uma maioria. Mas a minoria, alguns deles presos perigosos, não volta e fogem - além de praticar crimes. claro.

E aquele chefe de facção que demorou anos depois de fugir para ser recapturado: Quando o foi, foi libertado de novo por uma bobagem qualquer da lei. Logo que foi solto, fugiu. Quem sabe onde ele está?

Caros leitores, existem centenas, talvez milhares, de outros casos que ainda podem ser citados aqui. Mas minha memória não dá para tanto. Ficam estes mesmos para pensarmos em casa.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

SUGESTÕES ABSURDAS PARA UM PAÍS QUE NUNCA FOI SÉRIO

O Brasil já foi um reino. Já foi um império. Já foi uma república. Já foi parlamentarista. Já foi uma ditadura. Já foi uma ditadura militar. Já foi uma república socialista (neste caso, tentou ser mas não deu certo). Já teve golpes de estado. Já teve presidente militar e civil. Já teve presidentes depostos.

Há hoje uma opção: ser governado pela imprensa, ninguém tentou ainda esta opção ridícula, não é verdade? Elejamos então um dos canais de televisão como presidente. Este presidente variaria durante o dia, pois os âncoras de TV mudam, dependendo da ordem do dia. Sugiro a rede Globo. Mas como, dirão vocês, uma tv como governo? E logo a rede Globo, com os seus jornalistas mal-humorados e sonegadores de informação, fornecendo informações inúteis para o povo iletrado deste país? Direi eu: sim, a Globo. Afinal, ela se julga a dona da verdade.

Afinal, outros (presidentes) também se acharam, mas se ferraram, levando sempre o povo para o buraco junto com eles. ´

Não há outras opções? Sim, um jornal. Mas este sempre dará as notícias com atraso, sempre na manhã do dia seguinte, quando tudo já aconteceu e não é mais novidade. E – não é muito diferente de um canal de televisão.

Pronto: o Brasil estará salvo. Resta saber quanto tempo a dona da verdade vai aguentar. Mas, assim, pelo menos já eliminaremos mais um tipo de governo de nossas listas de possibilidade e talvez as emissoras venham a se tornar-se mais humildes e passem a não inventar mais notícias.

E viva o Brasil!

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

PROMESSAS E INTENÇÕES (1893-1908)




ACIMA: Reportagem de O Estado de S. Paulo, 7/9/1893

Em 1893, São Paulo já era um Estado rico, mas que ainda tinha terras desconhecidas em seu território. Entre Bauru e o rio Paraná a oeste e o Paranapanema ao sul, era uma imensa a área que continha apenas alguns pequenos vilarejos, como pode ser visto no mapa (de 1908, 15 anos mais tarde, mostrado mais abaixo.

Muitos dos nomes que nele aparecem podiam - e efetivamente tiveram - ter seus nomes, ou mesmo suas posições, alteradas nos anos seguintes. Eram vilarejos ou mesmo pequenos sítios que muitas vezes estavam nas mãos de posseiros.

Um deles era o já município de Campos Novos, mas havia outros, como Sãnta Cruz do Rio Pardo, ou mesmo Bauru, que em 1893 era praticamente nada, mas que em 1908 já possuía duas ferrovias, como a Sorocabana e a Noroeste.

Até Ourinho aparece como um lugarejo no Estado do Paraná, onde ficava um lugarejo que era ponto de passagem para quem tomava os trens da Sorocabana vindo de Tomazina, Paraná, município a quem pertencia esse Ourinho e que acabou pegando na estação, inaugurada em 1908, mas em São Paulo, com um "s" a mais.

Falar sobre todos os locais que aparecem no mapa de 1908 não é o ponto neste texto, porém. Talvez eu nem tenha dados agora para isto. 

O fato é que em vários dessas cidades, vilas e acampamentos existiam muitas ofertas de terras. Algumas reais, outras, duvidosas. Campos Novos não era uma delas. Embora esta cidade tenha sobrevivido até os dias de hoje, passou por maus bocados tentando obter uma linha de trens para poder embarcar ou desembarcar seus produtos. 

Em 1908 o terreno era mais bem conhecido e explorado que no tempo da notícia de O Estado de S. Paulo de 1893. E até, no mapa, apareciam linhas - todas em planos da Sorocabana - ali, as únicas linhas que estão mostradas como ferrovias já construídas e em funcionamento eram a chamada linha do Tibagy, que chegava próxima a Salto Grande e partia de Bauru e o ramal de Santa Cruz do Rio Pardo. Estão em vermelho cheio.

Campos Novos deveria ter, segundo promessas e intenções, sua própria linha, uma que partiria de Santa Cruz do Rio Pardo e outra que ligaria esse ramal, junto à cidade, até a linha do Tibagy. Esta última foi feita e era o tronco da Sorocabana, terminada em 1922 em Presidente Epitácio. Já a ligação entre esta e a continuação do ramal de Santa Cruz do Rio Pardo nunca foram feitas e Campos Novos ficou sem ferrovia alguma.

Emfim, quem comprou terras em Campos Novos pode até ter se dado bem, mas compraram gato por lebre. Campos Novos nem teve ferrovia e muito menos ficava perto do rio Tibagy ou da linha do Tibagy, que, embora mantendo este nome até os anos 1930, também não chegou na foz do tal rio no Paranapanema.

ACIMA: O mapa da E. F. Sorocabana em 1908 mostra todos os meandros e até cidades que mudaram seus nomes ou o mantiveram até hoje. Linhas em vermelho cheio são as até 1908 estavam construídas. As outras eram, de novo, promessas e intenções. O pedaço desse mapa aqui mostrado mostra linhas da Sorocabana, da Paulista e da Noroeste. Clique sobre ele para vê-lo maior e melhor.




domingo, 27 de setembro de 2020

ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS DE VITORIA (1888)

 

As duas estações de Vitoria (Da esquerda: autor e data não identificados. A da direita: autor, Daniel Gentili em 2011)

Curiosidades das estações ferroviárias do mundo. Duas estações com o mesmo nome (Vitória), ambas inauguradas no ano de 1888. Coincidência?. Uma está em Mumbai, na Índia, e tem o nome derivado da rainha Vitória da Inglaterra, então ainda viva. A outra fica em Botucatu, SP, e seria uma homenagem à vitória brasileira sobre o Paraguai, dezoito anos antes.

A primeira ainda funciona. A segunda foi desativada em 1954, depois de ter mudado de nome para Vitoriana em 1952. A maiorzinha é a da Índia.


sexta-feira, 24 de julho de 2020

INCENDIOS EM ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS BRASILEIRAS (2020)



Da esquerda para a direita: Piraí do Sul, PR, 2014; Arapoti, PR, 2017; Jundiaí Paulista, SP, 2014; Tranqueira, PS, entre 2002 e 2010;Adamantina, SP, 1999; Japeri, RJ, 2020; Rio Pardo, RS; Luz, SP, 2014. Tranqueira, Japeri e Rio Pardo aparecem ainda inteiras, antes dos incêndios.

No final da semana passada, ardeu em chamas mais uma estação ferroviária no Brasil.

Desta vez foi a de Japeri, antiga Belém, estação terminal dos trens de subúrbio fluminenses. O prédio que lá está, agora em ruínas, havia sido inaugurado em 1860 e o prédio, construído na mesma época, no estilo comum das estações dessa época, da E. F. D. Pedro II, depois Central do Brasil.

Há muitos anos ele estava posando como "velha estação", tendo a seu lado uma estação mais nova e mais funcional para os trens metropolitanos da Supervia, ex-CBTU, ex-FEPASA, ex-Central do Brasil, ex-vergonha na cara.. 

O problema é que o velho prédio esteve abandonado por décadas. Há um ano resolveram restaurá-lo todo. Ficou ótimo, pelo menos externamente.

A mentalidade burra e descuidada dos vagabundos de plantão, no entanto, condenou-a a um incêndio do tipo "ninguém-sabe-ninguém-viu" na noite de sábado.

Fiz uma pequena lista das estações desaparecidas com incêndios dos últimos 21 anos. Tenho certeza que há outras que tiveram o mesmo fim, mas, na hora, só me lembrei destas.

De todas essas, apenas uma foi recuperada. A da Luz. Mesmo porque o prédio é operacional. Prédio, aliás, de 1902, com um terceiro andar adicionado a ele em 1946, quando outro incêndio destruiu boa parte do prédio então existente.


terça-feira, 9 de junho de 2020

DE ARARAQUARA A SÃO PAULO DE TREM (1881)


Locomotiva V-8 em Araraquara em 1979 - Foto João Pires Barbosa Filho

Não era fácil a vida sem os trens como transporte a longa distância. 

Em dezembro de 1881, a cidade de Descalvado já tinha trens praticamente diretos para São Paulo. Eram oito horas de trens, com baldeação ou troca de locomotivas em Jundiaí e paradas em todas as estações do percurso.

Araraquara não os tinha. A promessa era receber a linha da Paulista até 1885. As obras acabavam de começar a partir de Rio Claro.

A solução era ir de cavalo, ou troleys ou qualquer carro dos vários tipos que faziam transportes pelas pavorosas etradas da Província.

Era uma viagem de dez horas de Araraquara até Descalvado. Mais as oito horas de trem para a Capital. Um dia e meio.

Hoje, pode-se fazer Araraquara a São Paulo de automóvel, em pouco mais de três horas. Levando multas no radar, consegue-se fazer  em menos de três. 

De trem, a viagem não pode ser feita mais já faz mais de vinte anos (Araraquara - Rio Claro - Campinas - Jundiaí - São Paulo era o caminho mais curto de trem em cerca de seis horas). O ramal de Descalvado fechou há mais tempo, em 1977.