sábado, 12 de dezembro de 2009

O ARRUAMENTO DA VILA OLÍMPIA


Acima, mapa de 1966. Em baixo, mapa de hoje, publicado no Estado de S. Paulo.

Não é por acaso que a cidade de São Paulo tem congestionamentos homéricos. Um bom exemplo disso é o bairro da Vila Olímpia, que em 1966 ainda tinha somente casas e pequenas chácaras e hoje tem edifícios em número suficiente para que o trânsito de automóveis ali seja impraticável.

Dá para se notar claramente que entre as ruas Ramos Batista e Funchal houve pelo menos dois loteamentos originais. No mapa de 1966, as ruas que saem da Ramos Batista não se encontram com as ruas que saem da rua Funchal, além do que as ruas Pequetita e Funchal são uma continuação da outra, mas mudam de nome no meio do caminho sem que haja um divisor: uma rua ou alguma ponte.

As ruas foram loteadas com largura muito pequena e com quarteirões muito longos, o que, com pequenas casas, terrenos vazios e eventualmente um ou outro comércio, não fazia diferença. Hoje, no entanto, com prédios de apartamento e escritórios, shopping center (este, recém-inaugurado) e todos os terrenos praticamente ocupados (o que faz com que não haja espaço para estacionamentos particulares), ali vire o caos. Caos que já ocorria antes da abertura do shopping.

A duplicação da rua Olimpíadas no meio de uma região loteada sem qualquer planejamento e que na época a Prefeitura também pouco se importou, não vai resolver nada. Notem também que em 1966 não existia ainda a avenida Juscelino (que é o prolongamento da rua Eduardo de Souza Aranha, por cima de cujo leito passou) e muito menos a Faria Lima (que apareceria, no mapa antigo, no canto direito superior do segmento reproduzido).

Hoje, com o bairro pequeno e sem estrutura, que continua com as ruas estreitas e com a união das ruas que não se encontravam em 1966, mas ainda com os nomes diferentes dependendo do trecho – os mesmos nomes daquele ano -, o bairro ainda teve de absorver os carros que entram das duas avenidas citadas. Não há quem aguente.

Uma coisa que simplesmente não entendo é por que neste caso não foi feito pela engenharia de tráfego um acerto nas junções das ruas que não atravessam a Ramos Batista, mas deviam atravessar (no loteamento ninguém pensou nisso, claro). Bastava ajustar os leitos do final de uma e começo de outra de forma que uma passasse a ser a continuação da outra (rua Joaquim F. Lobo com rua do Rocio – e não do Rócio, como está escrito –, por exemplo). Claro que haveria desapropriações, mas o trânsito com certeza fluiria melhor. É o mínimo que se deveria ter feito depois de terem autorizado num bairro com ruas estreitas a montanha de prédios e o shopping que agora existe ali. Ainda há tempo para se fazer. Mas farão?

Comparar os dois mapas é ter uma ideia da total falta de planejamento da Prefeitura durante o século que passou. Deus salve a Vila Olímpia.

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