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domingo, 21 de dezembro de 2014

BARUERI E PARNAÍBA, 2014 - UMA SENDO ESMAGADA POR PRÉDIOS, OUTRA PELA FALTA DE PREFEITO

Barueri antiga, provavelmente anos 1940 (Wikipedia). Fotografia tomada da plataforma da estação da Soocabana (a antiga, que durou de 1928 a 1982). O largo em frente é o largo São João. O topo do morro ao fundo é onde, hoje, está a Castelo Branco. O largo foi totalmente coberto com uma cobertura sobre um terminal de ônibus que não é suficiente para a cidade. Portanto, o largo desapareceu, assim como a igreja à direita, demolida em 1968 e que hoje está longe dali. A rua que sai ao fundo, subindo o morro, é a Capos Salles
.

Barueri e Santana de Parnaíba, dois municípios um ao lado do outro na zona este da Grande São Paulo. O primeiro foi desvinculado do segundo em 1949. Na época, Parnaíba vivia da mesma forma que durante os duzentos anos anteriores: em decadência e sem praticamente nenhuma importância. Já Barueri, cuja primeira aldeia datava de vinte anos antes (1560) da fundação de Parnaíba (1580), foi, desde a sua transferência de sede para o largo de São João - fato que se deu por causa da construção da segunda estação da Sorocabana no mesmo local em que se encontra hoje (segunda, por que era a primeira parada do trem depois de sua saída de São Paulo, em 1875), apenas um pequeno vilarejo, que, em 1919, quando foi elevdo a distrito de paz, contava com apenas 200 habitantes.

A zona oeste da atual região metropolitana de São Paulo foi a que mais demorou para se desenvolver no século XX. Até os anos 1970, poucos municípios da região tinham importância. Mesmo as estações de trem juntaram durante cem anos vilarejos que se tornaram cidades somente de 70 a 100 anos depois.

Porém, a pressão da cidade de São Paulocontra o oeste foi criando bairros que "entravam" nos municípios vizinhos do Oeste, criando bairros e cidades-dormitórios que, somente a partir do final dos anos 1970, começaram realmente a se desenvolver. Santana de Parnaíba, sem trem, foi uma das últimas. Uma das fontes consultadas em 1968 cita o município - que, na zona Oeste, é um maiores em área - com bem menos de 10 mil habitantes.

Em 1974, foi criado, na área da Fzenda Tamboré, o bairro de Alphaville, trazendo, pela nova rodovia Castelo Branco, muitas indústrias e escritórios para Barueri e também lançando em paralelo condomínios fechados. Com outros nomes e donos, eles se espalharam rapidamente pela área, e as indústrias também. Barueri é hoje um dos municípios mais ricos do Brasil, com mais de 240 mil habitantes em 2010. Parnaíba chega a 110 mil, num crescimento que somente realmente se expandiu fortemente por volta de 1990.

Isso não fez com que os municípios aprendessem muita coisa. Barueri, no entanto, aprendeu bem mais e tinha bem mais dinheiro e aplicou-o bem, limpando a cidade, asfaltando praticamente todas suas ruas e ajardinando praças, colocando esgoto e ampliando a oferta de água, numa sequência de bons governantes desde 1978, com todos os defeitos que possam ter. Parnaíba tinha quase 100 mil em 2010.

Porém, a inundação de edifícios enormes de escritórios que começou com o Alphaville e hoje invade o Tamboré (barueriense e parnaibano), e boa parte dos outros bairros de Barueri (em Parnaíba ainda não), mostra que, como inúmeros outros prefeitos brasileiros (os de São Paulo inclusive), não para, mesmo com boa parte da população manifestando-se contra.

Numa hora em que falta água em São Paulo e municípios adjacentes, é uma temeridade continuar liberando prédios e mais prédios cada vez maiores por toda essa área.
O centro de Barueri, sem nome no Google Maps, está mais ou menos onde está assinalado o "Ginasio Poliesporivo José Correa). A lagoa de Carapicuíba está à direita, facilmente vista
.

Tudo isso acima para criticar o governo municipal de Barueri, que precisa fazer algo com a lagoa de Carapicuíba (que, apesar do nome e da localização, ao lado do centro do município vizinho de Carapicuíba, pertence a Barueri e é uma área inundada que pertencia ao leito do Tietê antes da retificação, virou porto de extração de areia, foi obrigado a parar e encheu-se totalmente de água nos últimos anos, está totalmente poluída (segundo diz a Folha de Alphaville, inclusive com lixo hospitalar) e sendo aterrada aos poucos com terra extraída do canal do rio Tietê, que passa ao lado norte da lagoa.

Alguns vereadores querem transforma'-la em uma lagoa limpa (o que não será fácil e barato, dado o nível de poluição), outros querem drená-la, aterra'-la e fazer edifícios. Parece brincadeira, mas não é. Preciso comentar algo a mais?

Enquanto isso, Parnaíba não tem um prefeito, apenas provisórios, faz dois anos. A justiça não julga o que poderia ser decidido em uma sessão de tribunal. Mas, no Brasil, tudo demora anos. Agora, o atual prefeito provisório - que, curiosamente, é o mesmo que foi eleito e não conseguiu assumir por que era ficha-suja (olhem só - prefeito mesmo ele não pode ser, mas provisório, pode por que é o Presidente da Câmara Municipal), vai perder o cargo porque um novo presidente foi escolhido para a Câmara - e ele assumirá daqui a alguns dias. Liminares para lá e para cá, nada se resolve. Como se governa uma cidade dessa forma?

terça-feira, 3 de abril de 2012

BERTIOGA APARECEU NO JORNAL DE DOMINGO

Segundo a foto do jornal, esta seria a frente do terreno ameaçado

Eu mal conheço Bertioga, no litoral de São Paulo. Estive lá quando criança, lembro-me vagamente da saída da balsa que era mais ou menos no que era a cidade praticamente inteira. Anos 1960. Depois, cresceu, claro, mas não tanto assim, Depois que foi aberta a ligação por terra com Santos e Guarujá - antes havia de se atravessar por balsa, ou vir pela praia, apanhando muito, desde São Sebastião, descendo a serra antes vindo de São José dos Campos - e a Mogi-Bertioga, lá por 1982, aí sim houve condições para crescimento.

Em 1991 virou município, separando-se de Santos. Aí, a filosofia é sempre crecer, crescer, crescer. Mas a quem interessa crescer? A população ganha o que com isso? Bom, em princípio, ela passa a se suprir na própria cidade em vez de ter de viajar para Santos ou Guarujá - estou falando no caso de Bertioga. Depois, se o dinheiro começa a entrar por arrecadação, seja qual for o motivo, as ruas são asfaltadas, o esgoto chega, o suprimento de água melhora, a eletricidade e a telefonia crescem... mas o dinheiro tem de vir de algum lugar. Em muito municípios que são criados, o dinheiro vem de fundos federais para sustentar uma cidade que não tem indústria, a agricultura é fraca, o comércio também, o turismo não existe...

Em Bertioga sempre existiu turismo, ainda que raquítico até os anos 1980. Afinal, o acesso às praias era somente para aventureiros. Depois, veio a Riviera de São Lourenço, maia afstado do centro, que povoou toda uma praia de pesacadores. Aí, a cidade começou a crescer no sentido dela.

Tudo isto estou falando sobre a reportagem publicada em O Estado de São Paulo de domingo, dia primeiro de abril. Porém, por ela se vê que a população da cidade monta a quase 48 mil pessoas e que, com a possível construção de um empreendimento num dos poucos lugares ainda desertos entre a cidade velha e a Riviera, ela pode até duplicar. E isso me fez pensar: isto é bom ou é ruim?

A construção de um empreendimento desses, um conjunto de prédios que vai arrasar com 25 % de mata nativa junto à praia, mantendo teoricamente os restantes 75%, trará novos habitantes à cidade, tanto os que podem pagar pelos apartamentos, quanto os que vão tentar viver mais modestamente desse aumento de população mais aquinhoada.

Se fosse em São Paulo, a resposta para a pergunta "essa cidade precisa mesmo disso?", a meu ver, seria não, sem maiores análises. Mas em Bertioga, qual é a resposta? Em minha opinião, poderia até ser sim - ou melhor, bom, pode ser bom para Bertioga - mas isto é realmente analisado hoje pela prefeitura local?

Geralmente, prefeitos e vereadores querem que a cidade cresça para terem mais votos e mais dinheiro para dividir para investimentos de infra-estrutura, que realmente são bons para a cidade, e de outras coisas que muitas vezes somente interessam a uma quantidade limitada de investidores. Por isso, investimentos com os desses prédios não são analisados realmente a sério.

A outra pergunta é: se a cidade precisa disso, precisa ser ali onde se quer fazê-lo? As consequências para a ecologia são ruins. O local é bonito e deveria permanecer público e mantido no máximo possível como virgem. Porém, o terreno é particular - pode-se influir nisso sem prejudicar os seus donos? A mata que se manterá depois das construções dará acesso apenas para os moradores do local e não para as pessoas que hoje podem usufruir do lugar, que, aparentemente, permie a passagem de quem quiser.

Conclusão: para realmente se investir no desenvolvimento de uma cidade, há que se analisar muito mais do que a permissão para se construir num lugar vazio. Tudo deveria depender da real previsão de ganho para todos os habitantes. E isso nunca é feito. Apenas se diz que será feito.

quarta-feira, 28 de março de 2012

TRAGÉDIA EM POTENCIAL


Nestes dois últimos dias estive em São José dos Campos novamente, a trabalho. Logo no início, visitando um apartamento na manhã de ontem, tirei essa fotografia que aparece no alto desta postagem.

A avenida que aparece embaixo é a Cassiano Ricardo, principal avenida do bairro do Aquarius, hoje o bairro chic da cidade. Ou melhor, é aquele bairro que faz esse ponto de qualquer cidade ficar igual a qualquer outra cidade. Esses bairros não têm identidade. Porém, há alguns edifícios bonitos (dentro do que posso achar bonito em edifícios que detesto). Tudo novo, moderno...

Há vinte anos atrás não existia nada nesse bairro. Aí vieram os condomínios de casas e logo em seguida os edifícios. Os trambolhos. Hoje é já quase uma muralha de prédios. Os nomes deles, assim como o do bairro, são sempre em língua estrangeira. Inglês, francês, italiano, espanhol... até latim (Aquarius, nome que pelo menos em uma placa tem acento agudo no segundo a, absurdo se se pensar que é latim). Nomes em português são minoria. Português é coisa de pobre...

O Aquarius se estende do outro lado da avenida citada acima, também. Menos... menos no ponto em que aparece essa "mancha verde" com árvores, cupinzeiros e vacas (que, nesse dia, estavam láááá do outro lado - dá para ver olhando o tamanho grande da foto). Esse terreno é muito bonito. Antiga fazenda, disseram-me que pertence (não sei se a história é verídica) a um sujeito que desapareceu e, como não acharam o corpo, não podem declará-lo morto e nem abrir investário. O terreno é cobiçadíssimo, mas invendável. Pelo menos por enquanto.

E por enquanto, ele fica aí, virgem. Serve de paisagem para quem olha do décimo-primeiro andar de um apartamento, como era o meu caso. O terreno mais atrás é a várzea do rio Paraíba do Sul. Além dela, o arvoredo esconde o próprio rio. Logo em seguida, o bairro de Urbanova. Lá no fundão, as montanhas que dividem São Paulo de Minas.

Bela paisagem. Vamos mantê-la assim? Como fizeram com o Banhado, uma vista fantástica que se vê do centro de São José? Essa "mancha" é, como diz o título, uma tragédia em potencial.

sábado, 17 de dezembro de 2011

OS ERROS URBANOS DE ALPHAVILLE E BARUERI

Folha de Alphaville

Depois de algum tempo, volto aqui neste blog - no quel não escrevo há cinco dias por absoluta falta de tempo - a falar do Alphaville, cada vez mais cheios de problemas.

Para quem olha de fora, parece um ninho de milionários. Para quem está dentro dos residenciais, ainda sentem um sossego bastante aceitável. Porém, basta você sair deles que os problemas começam.

O jornal local anuncia como se fosse uma maravilha a construção de trinta e dois novos edifícios no bairro. Uma maravilha... para quem os contrói e consegue vender, tendo lucros enormes. Para quem mora por aqui, algo que jamais deveria acontecer se houvesse um mínimo de planejamento da prefeitura local. No caso, a cidade de Barueri, que não controla nada nesse sentido.

Sejamos justos, no entanto, num ponto. O município de Barueri é um dos mais ricos no país. Sua arrecadação é invejada por pelo menos noventa por cento dos outros municípios brasileiros. Os prefeitos dos últimos trinta anos, todos da mesma "turminha" comandada todo esse tempo pro Rubens Furlan, têm feito um trabalho extraordinário no sentido de transformar o vilarejo paupérrimo que a cidade era no final dos anos 1970 em um local onde todas as ruas e praças são asfaltadas, ajardinadas, córregos canalizados (se bem que, neste último caso, não vejo com grande admiração, pois já está mais do que provado que córrego não se canaliza, limpa-se e mantém-se limpo no seu leito original. Mas não é a visão do povo em geral... até que venham as inevitáveis inubdações), bons serviços públicos. A arrecadação por tudo isto vêm de Alphaville e de Tamboré, que têm 90% da arrecadação e correspondem a talvez no máximo 20% da área municipal.

Agora, em matéria de planejamento urbano para a cidade, os prefeitos e vereadores (para que servem os vereadores, mesmo?) apenas aprovam literalmente qualquer coisa, não se preocupam em estudar o impacto que isso tem. Quem mais sofre por enquanto é exatamente Alphaville, por ser a sua área mais rica. Área, pois Alphaville nem distrito é, ao contrário de bairros como Jardim Belval e Jardim Silveira, que o são e não dá para entender por que.

Enquanto se aprovam trinta e dois novos edifícios só na região do Alphaville/Tamboré, não se pensa no problema de impermeabilização do solo, sombreamento excessivo, perda da visão de panorama, no aumento da temperatura, no excesso de concreto... e nem na falta de infraestrutura. No mesmo orgulhoso jornal que fala dos empreendimentos, há a notícia dos apagões da Eletropaulo, constantes em toda a área e sem perspectiva de solução, Esta empresa já mais do que provou que está aqui para ter lucro e não fazer investimento algum, nem se preocupa com manutenção. Enfim, é uma porcaria e assim deve continuar.

A falta de água, que já foi crítica nos anos 1980 e que melhorou muito, vêm cada vez mais voltando a ocorrer. O planejamento urbano deixa a desejar e dificilmente poderá ser solucionado, pois o leito carroçável é pequeno em relação às construções que existem. As alternativas de entrada e saída e de passagem são poucas. As construções, como as da avenida Andrômeda e da avenida Sagitário (acho que é este o nome, já que não tem placa - liga a avenida Alphaville à via parque e aos residenciais Conde) estão cheias de buracos, placas de cimento de misturadoras, interrupções constantes de tráfego por causa de manobras de caminhões de construtoras, caminhões estacionados na mão e na contramão, ou seja, acabadas por causa das obras gigantescas desses prédios grandes demais e - convenhamos - não exatamente necessários.

Cada novo prédio traz mais carros. Alphaville já os têm em excesso. As linhas de ônibus aqui existentes não ajudam. Dão voltas demais dentro do bairro e fora dele. Ou seja, tomar um deles para ir de qualquer ponto do Alphaville para uma estação de trem da CPTM (Barueri, Carapicuíba ou Osasco) toma um tempo realmente muito grande e irritante por causa disso e do tráfego pesado.

Diz o governador - mas estas notícias somente saem por aqui, nunca nos grandes jornais de São Paulo - que a CPTM terá um ramal para o bairro. Sinceramente, eu duvido, embora ache que seja realmente necessário. No entanto, mesmo se eu estiver errado e a intenção seja mesmo essa, somente poderia vir de duas formas: ou pelos VLTs ou de forma subterrânea. No segundo caso, obra cara. Outra obra cara que já deveria ter no mínimo ter começado é o enterramento da fiação. Não é um problema apenas estético: é também, e muito mais por isto, necessário para conter o problema de queda de eletricidade por causa das ventanias e chuvas que derrubam galhos e árvores inteiras num bairro em que a arborização é (graças a Deus) grande.

Enfim: somando os prós e contras, eu acho que o suposto luxo de Alphaville não sobreviverá pelos próximos vinte anos. Eu sinto muito por isto, porque eu realmente não acredito que nossos vorazes governantes estejam querendo sequer pensar em alguma solução para tudo isto.

Ou só eu estou aqui profetizando o caos?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

CERTIDÕES DE NASCIMENTO

Edifício Barão de Jundiaí, hoje; do lado esquerdo, o Edifício Chalita, ambos na rua das Palmeiras
Com os anúncios de lançamentos de três edifícios residenciais em São Paulo, andei pelo bairro de Santa Cecília à procura de como eles estariam hoje. Os três ficam em ruas não muito procuradas hoje para se morar e isto não somente pelo bairro em si.
O Edifício Chalita e do seu lado direito o Barão de Jundiaí. A dificuldade de se fotografar prédios altos em ruas estreitas e com câmaras simples é muita...
Dois deles ficam na rua das Palmeiras, com muito trânsito de automóveis, caminhões e ônibus. O terceiro, na rua Fortunato, com menos trânsito, mas ainda longe demais da badalada Higienópolis. Surpreendeu-me a conservação (pelo menos a externa) desses edifícios, em relativo bom estado depois de mais de cinquenta anos.
Um dos anúncios de lançamento do Edifício Barão de Jundiaí em 1944 (Folha de S. Paulo).
Os dois primeiros são vizinhos; a diferença entre eles foi de treze anos. O mais antigo é o Edifício Barão de Jundiaí (no anúncio; na fachada, hoje, "Barão de Jundiahy"), no número 147, lançado em julho de 1944. O primeiro vendia apartamentos com o prédio já pronto - visto que ele anunciava "posse imediata". Dizia também que o prédio era uma construção"Ramos de Azevedo", assim, entre aspas. O que ele queria dizer com isso? Que apenas o estilo era o mesmo de Ramos ou que era o escritório deste o responsável pelo projeto?
Um dos anúncios de lançamento do Edifício Chalita em 1957 (Folha de S. Paulo)
O outro é o Chalita, no número 145. Ao lado esquerdo do anterior, foi lançado em 1957. Notar que no desenho do anúncio, existe uma constução baixa ao seu lado. Porém, o "Barão de Jundiaí" já estava ali havia 13 anos. Engodo publicitário. Os estilos eram completamente diferentes. Acredito que as cores da fachada também.
Um dos anúncios de lançamento do Edifício Aruanã, na rua Fortunato, em 1957 (Folha de S. Paulo)
Finalmente, a cerca de três quarteirões dali, o edifício Aruanã, na rua Fortunato, não é junto à alameda Barros, como ele afirma, mas sim, à Frederico Steidl, continuação da Barros, que fica um quarteirão depois. Aliás, nem é tão junto assim, mas na metade do quarteirão... é um dos poucos edifícios altos da rua.
O Edifício Aruanã, hoje
São casos de edifícios que (pelo menos externamente) não se degradaram com a vizinhança. Os anúncios de seus lançamentos são como verdadeiras certidões de nascimento dessas construções.

terça-feira, 14 de junho de 2011

CRUZ ALTA, RS, 1930

Rua Mariz de Barros e Praça Marechal Firmino.
As fotografias da cidade de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, foram publicadas em 1930 pela revista Eu Sei Tudo.
Quartel-general da Brigada de Artilharia.
Não conheço a cidade; não tenho a menor ideia de quantos desses prédios ainda existem. Sei, no entanto, que são muito bonitos e que, como muitos outros por todo o Brasil, foram edificados num tempo em que se preocupava em construir prédios que tivessem uma certa beleza, diferente dos quadradões de hoje que abrigam órgãos públicos, teatros e outras instituições.

Sucursal do Banco Pelotense.
Realmente, não gosto da arquitetura "modernosa". Sei que esse tipo de construção mostrada nestas fotos são o horror de muitos arquitetos dos dias de hoje. Não há como se discutir... gosto, enfim, já diz o chavão, não se discute.
Outro banco (não definido na reportagem).
A cidade fica no norte do estado e tem a lhe cruzar uma linha férrea que completou já 117 anos: a linha que ligava a cidade de Marcelino Ramos, na fronteira norte com Santa Catarina, à cidade no centro do estado, Santa Maria.
Igreja Metodista.
De 1930 para hoje já são oitenta anos. Eu não era nascido e minha mãe era ainda uma criança. É inegável, no entanto, que cada um desses prédios representava um orgulho para as pequenas cidades que povoavam o Brasil de então.
Intendência Municipal.
Muitos foram sendo postos abaixo aos poucos, às vezes sem nenhum motivo mais palpável do que o de "acabar com essas velharias". Nessa época, as cidades, no entanto, ainda tinham identidade. Hoje, parecem todas iguais, com exceção do seu centro, e ele é tão mais diferente das outras cidades quanto mais construções clássicas ele contém.
Banco Nacional do Commercio.
É por isso que defendo tanto a manutenção de construções anteriores aos anos 1940 no Brasil. Para mim, o que veio depois disso foram caixotes todos iguais uns aos outros. Edifícios de apartamentos, casas, tudo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

AFINAL, QUEREMOS O QUE?

As pessoas acusam o governo de querer construir a usina de Belo Monte de qualquer forma, atropelando as leis etc. Falam a mesma coisa do fato de o mesmo governo querer construir de qualquer maneira a linha do TAV entre Campinas e Rio de Janeiro.

Aqui em Alphaville, apenas duas ou três semanas depois de a população se manifestar e protestar nas ruas contra a construção de prédios em excesso sem qualquer planejamento urbano, o jornal local (Folha de Alphaville) anuncia inúmeras contruções dando hurras para os empreendedores. Ué, não foi o mesmo jornal que noticiou o problema há 20 dias? Foi, mas parece que agora a "oposição" está querendo mostrar quem é que manda.

A prefeitura de Barueri não se manifesta. Tirou algumas lombadas de duas avenidas e foi só. Parece até que isso resolve o problema.

O que se deve tirar de tudo isto é que o governo e os tais empreendedores estão certos: o povo quer isso. Protesta, mas quer tudo isto. Se se constróem prédios enormes é por que haverá compradores. Se se constróem usinas hidrelétricas é por que a energia será consumida, e não somente isso: faltará energia com o desenvolvimento previsto da região norte do país, sem essa usina.

O TAV é uma alternativa para os entupidos aeroportos e aviões. O povo precisa disto.

Vejam: não concordo exatamente com os prédios sendo construídos. Aliás, não concordo nada. Mas as pessoas, mesmo as que reclamam, continuam comprando.

Resumo: somos uns hipócritas. Queremos luz e força mas não queremos que se construam usinas. Queremos viajar melhor mas não queremos que se construa um trem decente porque ele é caro. Não queremos mais prédios, mas os compramos.

Enfim, senhores ecologistas: se decidirmos todos morar em cavernas, faltarão cavernas para todos os interessados.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

SOMOS UNS PALERMAS MESMO

No meio do jornal, a foto e a manchete: "Três torres e 120 mil m2 de área privada no coração de Alpha". Não é maravilhoso trazer mais tudo isso de gente e automóveis para o meio da confusão, em frente a uma avenida cujo trânsito só anda de madrugada?
Fantástica manchete do jornal Folha de Alphaville na última sexta-feira, dia três: "Alphaville vai dobrar espaços corporativos até 2011". Tudo o que os "alphavilienses" queriam ouvir, depois de protestarem e fazerem campanha contra a construção de novos edifícios no bairro.

E continua a notícia: "O novo estoque de lançamentos corporativos previsto para Alphaville deve saltar de 364,3 mil m2 para 714,7 mil m2. Do total, 80% são de edifícios classe A, dobrando o estoque deste padrão existente hoje no bairro. Esta expansão anima ainda mais os investidores". E segue, mais à frente: "(...) dizem que Alphaville tem tudo para tornar-se a nova Faria Lima ou Berrini, onde há concentração de empreendimentos de alto padrão".

Esqueceram -se de dizer que os empreendedores podem estar animados, mas a população está desanimada. E também não disseram que o trânsito na Faria Lima e na Berrini são caóticos, onde as avenidas e ruas estreitas em volta parecem um estacionamento, pois os carros quase não andam.

É muita cara de pau. Mostra, realmente, o que as pessoas se importam com a qualidade de vida.

Debaixo dessa notícia, uma foto de um prédio que "traz selo verde e spa para descanso". É piada de mau gosto? Como pode um prédio desse tamanho ter selo verde, se ele representa tudo o que nunca poderia ter sido feito num local já entupido de edifícios?

Somos uns idiotas, mesmo. E mais: é claro que a maior parte dos compradores de todos esses imóveis vão ser gente que hoje reclama de Alphaville que não tem mais qualidade de vida. Eu, hein?