Mostrando postagens com marcador Itapevi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Itapevi. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de maio de 2011

NOS CONFINS DA GRANDE SÃO PAULO

Capela do Cururuquara, mais que centenária (a instituição capela, não a construção). No mapa abaixo, é a fotografia 8.
Pois é, o município de São Paulo é hoje ainda um dos maiores municípios do Estado. Até alguns anos atrás, não era: com a expansão da civilização para o Oeste existiam inúmeros municípios enormes, desmembrados mais tarde. Um dos exemplos era o de Araçatuba. O último desses a oeste que sobrou foi o de Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema. Nos anos 1990, sofreu desmembramentos e diminuiu bem.
No mapa do Google, que aqui acima está pequeno (mas que pode aumentar clicando-se sobre ele), os números na estrada que liga o bairro de Santa Rita (1) à capela (8) mostram o local das fotos que tirei hoje pela manhã. A divisa passa por essa estrada, que é a Estrada Velha de Itu. Os nomes no Google das ruas da região estão diferentes na maioria dos casos da placas hoje lá existentes.
Foto 1 - No entroncamento do local Santa Rita, o município é Araçariguama.
Suas divisas com os municípios limítrofes cobrem um perímetro bastante longo. Não, não sei quantos quilômetros essas divisas percorrem. Mas são muitos. Trezentos? Quinhentos quilômetros? Não sei. O fato é que fotografar todas essas divisas seria um trabalho cão. É possível vê-las nos mapas, mas em poucos, pois, geralmente, os mapas viários não cobrem toda a área municipal e não chegam até as divisas.

Hoje estive numa delas. Não foi a primeira vez. Mas é perto de casa, então... bem, cheguei à divisa tripla Santana de Parnaíba-Itapevi-Araçariguama. O ponto exato, ainda tenho dúvidas. Mas estive por ele. É uma divisa seca, ou seja, o que a divisa é o divertium aquarium, o célebre "divisor de águas", ou o contrário dos rios ou junções de rios.
Foto 2 - Estrada do Paiol, saindo para o sul. Esta estrada liga o divisor de águas ao bairro de São João Novo, já em São Roque, onde há uma estação da Sorocabana que não é mais utilizada desde 1998, quando a CPTM deixou de seguir para Mairinque. Reparar também que a estrada velha de Itu, que liga Santa Rita a Coruruquara, tem na placa o nome de Manuel Raimundo de Paula.
A divisa como é hoje começou a ser traçada em 1625, quando Santana de Parnaíba foi desmembrado de São Paulo-município. Depois, com Cotia separando-se de São Paulo e Itapevi de Cotia, enquanto São Roque se emancipava de Parnaíba e Araçariguama de São Roque, estabeleceu-se a divisa tripla de hoje: Santana de Parnaíba-Itapevi-Araçariguama. Ela já existia, por exemplo, em 1930, no mesmo local, mas era Santana de Parnaíba-Cotia-São Roque. Houve várias variações.
Foto 3 - a Estrada Velha de Itu (Manuel Raimundo de Paula, ou ainda nesse trecho Estrada das Palmeiras), sentido Coruruquara. A divisa aparentemente passa nela, ou corcoveanso sobre ela. Neste trecho, no entanto, ela está dentro do município de Araçariguama: mais para a frente, ela vai ter Itapevi à direita (após a estrada do Sabiá) e finalmente, perto da capela, vai encontrar 3 divisas.
O fato é: como é essa divisa? Não é muito clara, sem ter documentações e mapas exatos em mãos. Há poucas construções na área e as ruas são todas não pavimentadas. O ponto mais conhecido ali é a capela do Cururuquara, que está num ponto alto, por estar justamente muitíssimo próxima à divisa. É pequena, antigamente de madeira, hoje em alvenaria e já existia em 1888, quando, segundo reza a história, diversos escravos libertados desceram do morro do Ingaí, perto de onde está Aldeia da Serra, para ir à capela comemorar por três dias e três noites a libertação dos escravos no dia 13. Ou um pouco depois? É sabido que as notícias podiam tomar um ou mais dias para chegar a locais afastados do Rio de Janeiro.
Foto 4 - Para a esquerda, sai a avenida dos Eucaliptos, que, de acordo com a própria placa no cruzamento, já mudou para outro nome. Aqui não dá para saber se Parnaíba já é 'a esquerda, mas se a estrada não estive dividindo, a divisa deve estar próxima. Para a direita, com certeza, Araçariguama, que não pertence à Grande São Paulo.
O fato é que ainda existem ali algumas das palmeiras ali plantadas durante a comemoração. O bairro (ver abaixo) é mais velho, era composto em meados do século XIX como tendo diversas propriedades como "campos de criar" - ou seja, pasto para gado. O nome já havia aparecido também no final do século XIX.
Foto 5 - Outra rua, desta vez saindo para a direita (sul): Adelia Simão. A área é bem rural, apenas algumas chácaras são vistas.
A região onde está essa divisa tripla é chamada de bairro de Cururuquara (ou Coruruquara, ou, como antigamente, também Curuquara). O nome é utilizado pelos três municípios que se encostam ali. Alguns nomes antigos de pequenos bairros que ali existiam são hoje quase desaparecidos, como o Suinanduva. Havia também o nome Taipas de Pedra, por causa do tipo de pedras que existiam no chão da parte mais alta da região, hoje já mais difícil de se ver por causa da terra e pedriscos que vão sendo usados para recobrir os caminhos. E vão desaparecer de vez quando tudo for asfaltado. Outros são nomes de loteamentos recentes que ainda não "pegaram".
Foto 7 - Placa de limite de municípios na avenida Manuel Raimundo de Paula. Entendo que, vindo de Santa Rita (noroeste), aqui a linha divisória cruza a estrada e esta passa a ser a divisa a partir daqui. Mas há de se confirmar. Mais para a frente, num local que infelizmente não deu para fotografar, a estrada do Sabiá sairá para a direita dividindo agora Araçariguama e Itapevi e a Estrada Velha entrará em território parnaibano.

domingo, 7 de novembro de 2010

NOS LIMITES DA METRÓPOLE

Rio Icavetá, sentido foz, fotografado da estrada da Capela Velha (Ralph M. Giesbrecht, 7/11/1910)

Hoje estive nos confins da Grande São Paulo. Ou melhor, em um dos seus confins, visto que o perímetro dele é realmente enorme. Não sei quanto daria em quilômetros, mas... talvez uns 300 quilômetors ou mais. Os confins a que me refiro estão aqui perto de casa: mais precisamente, num junto à divisa tripla entre Santana de Parnaíba, Itapevi e Araçariguama.

Essa divisa remonta ao início do século XIX, quando São Roque separou-se de Parnaíba (1842). Depois, Araçariguama separou-se de São Roque e ficou com essa divisa. Já a divisa Cotia-Parnaíba (hoje, ali é Itapevi-Parnaíba) é mais antiga: ambas eram parte de São Paulo, Capital, até 1625, quando Parnaíba se separou, e de 1856, quando Cotia desmembrou-se também da Capital. Em 1842, portanto, formou-se essa divisa tripla, junto à estrada real de Ytu, que, ali, fica no ponto mais alto, no divisor de águas entre as bacias do rio Tietê e do rio Cotia.

Para chegar ali, eu não fui pela rodovia Castelo Branco, mas pela estrada da Bela Vista, que liga Alphaville ao centro histórico de Santana de Parnaíba; em seguida, tomei a antiga estrada de Araçariguama (que hoje tem nomes como rua Anhembi, estrada do Suru e estrada da Capela Velha) e fui até a rodovia Castelo Branco.


Antes de chegar a ela, noto que a estrada está toda asfaltada; há um ano atrás, não estava. Cerca de um quilômetro antes da Castelo, cruzo um pequeno povoado com algumas casinhas antigas: é o Icavetá, cruzado por um córrego - que tem o mesmo nome - que deságua no Tietê, perto da barragem de Pirapora. Ainda se vê o riozinho, que passa sob uma ponte (foto acima) com corrimãos de metal pintados de amarelo. Aparentemente, o rio barrento não cruza a estrada por aqueles imensos canos de concreto. Não se vê o nome - nem do bairro, nem do rio. Sei que ali ainda é Parnaíba.

Entrei na Castelo, atravessei-a no km 44 e fui no sentido da antiga estrada real de Itu. Lá, chegando, a velha placa azul de metal diz: avenida Manuel Candido de Paula. Em qual município estamos? Ao cruzar a Castelo, em Itapevi. Ao chegar na velha estradinha, pode ser ele ou Araçariguama. Não há placas que digam isso. Se for Itapevi, estamos ainda na região metropolitana. Já se for Araçariguama, estamos no interior. Mas olhando em volta, não há diferença alguma.


Segui à esquerda, sentido Cururuquara (um bairro dividido entre Parnaíba e Itapevi, mais no primeiro) e entrei na primeira estrada à direita. Ah, esqueci de dizer que o asfalto havia acabado logo depois que cruzei a Castelo. Na esquina, duas placas antigas com uma propaganda apagada de uma imobiliária no topo do pau, indicam que a Estrada do Paiol sai à direita, descendo o morro. Embaixo do nome , entre parênteses, "São João Novo". Por que isso? Por que ela leva a essa localidade ou porque está nesse distrito (que fica em São Roque, mas São Roque não chega ali).



Desço a estrada e meço cerca de dez quilômetros no hodômetro (com h ou sem?). Passo por matas, por morros, por pequenos sítios e chego na frente da estação ferroviária de São João Novo, onde começa de novo o asfalto. Na foto acima (de 2007, tomada por Ricardo Koracsony), cheguei pelo outro lado do prédio, vindo da esquerda. O trem da CPTM para uma estação antes, em Amador Bueno; desde 2000, ele não segue mais até Mairinque. A estação, de madeira (uma raridade) é hoje um velório: várias pessoas estavam sentadas em seus bancos do lado de fora das salas. Aqui, estamos em São Roque. Onde foi a divisa? Não tenho a menor ideia. Atavesso o pequeno bairro e chego à rodovia que liga Itapevi a São Roque. Sigo pelo asfalto e volto para casa.

Em zona rural, alguém só sabe em que município está quando um fiscal municipal aparece para cobrar impostos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A CPTM, A FEPASA E A SOROCABANA

Antigo local da estação já demolida de Ambuitá e também o vazio onde existia a segunda linha métrica. Foto Carlos Roberto de Almeida tomada hoje

Desde que a CPTM fechou a linha que liga Itapevi a Amador Bueno, aquele trecho que percorria apenas 4 paradas e que ainda utilizava os Toshiba de 1957, re-re-reformados e velhos, eu não fui mais para aquela região. Portanto, hoje resolvi perguntar ao Carlos, assíduo frequentador daquelas bandas e fotógrafo ferroviário, a quantas andavam as obras. Afinal, haveria mesmo obras para adaptar a linha ao atual padrão CPTM ou era somente papo-furado?

Segundo o Carlos, que me mandou inclusive algumas fotos - uma delas, acima - praticamente toda a segunda linha foi arrancada, mantendo-se a outra para a contínua circulação de cargueiros da ALL, e também todas as quatro paradas foram derrubadas: viraram pó Cimenrita, Santa Rita, Ambuitá e Amador Bueno. Como se sabe, nesse trecho a linha é métrica, vem dos tempos de 1928, quando a Sorocabana duplicou a linha até Iperó e de 1944, quando este trecho todo foi entregue eletrificado. Em princípio, a CPTM deve colocar ali linha dupla de bitola larga, para que seus trens que vêm hoje de Julio Prestes possam chegar até Amador Bueno sem haver baldeação em Itapevi. Se a outra linha vai seguir somente métrica ou em bitola mista, também é algo a se esperar para ver.

Torçamos para que tudo dê certo, para que a população daquela parte do município de Itapevi ganhe um trem melhor até o final do próximo ano. Até 1998, o Toshiba seguia até Mairinque, mas ao que tudo indica este trecho não voltará a ser operado pela CPTM, embora a linha seja dela até esta cidade.

Mas como eram esses trens de subúrbio no começo? A linha original de 1875 era métrica e singela. Após atravessar o rio Pinheiros vinda de São Paulo, a ferrovia passava por uma região quase desabitada pelo vale do Tietê e do rio São João. Nesse trecho São Paulo-São João (hoje a estação é São João Novo, um pouco além e distante de São João "velho"), havia apenas três estações e uma parada (São Paulo, Barueri, Cotia e São João). A parada era a de Cotia, um estribo construído no mesmo ponto onde hoje está a estação de Itapevi. Para se ter uma ideia, a população em volta da estação de Barueri era de, no máximo, cinquenta pessoas, incluindo aí a Aldeia de Barueri, situada a cerca de um quilômetro do acampamento para construção da ferrovia que se montou em volta da estação de Barueri. A parada de Cotia ganhou esse nome porque onde hoje é Itapevi não existia coisa alguma. A existência dessas paradas devia-se à necessidade de alimentação de água e lenha para as locomotivas, além de facilitar o cruzamento de trens numa linha singela que se duplicava apenas nesses pontos, construídos a 27, 36 e 48 km da estação inicial.

Com tudo isso, é evidente que a circulação de trens suburbanos - ou seja, trens que fazem o percurso somente na região em volta da metrópole com muito mais horários que os trens normais que iam até o final da linha e voltavam - somente foi estabelecida muito mais tarde. Estações foram sendo construídas por diversos motivos nesse trecho, como a de Osasco, em 1892, atendendo à pequena usina do italiano Agu, e a da Barra Funda - mas o trem de subúrbio somente foi colocado em funcionamento em 1922. A partir daí, aumentou o número de estações próximas a São Paulo.

Hoje, a CPTM tem 20 estações entre São Paulo e Itapevi.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O "ATÉ LOGO" DO TREM A AMADOR BUENO

Last Train to Clarksville, isto é, Amador Bueno (desculpem a nossa falha). Foto Carlos R. Almeida em 30/4/2010

Neste sábado não foi alarme falso: o "Toshibão", ou, como dizem as más línguas, "Sucatão" fez sua última viagem no trecho Itapevi-Amador Bueno-Itapevi, na linha da velha Sorocabana, hoje CPTM, em São Paulo.
Depois do trem Jurubatuba-Varginha, desativado pela CPTM no final de 2001, somente sobrava este trenzinho, sujo, todo pichado, amassado, que somente não andava de portas abertas porque a CPTM dava a manutenção para isso (meu Deus! A última coisa que a CPTM queria era ser comparada com a Flumitrens, lá nos trechos de Niterói a Itaboraí (este extinto há três anos) e Magé a Guapimirim).

O trecho era gratuito há anos. Quem pegava o trem em Amador ou nas estações de Ambuitá (corruptela de Amador Bueno e Itapevi), Cimenrita e Santa Rita, não pagava passagem. É claro que isto ajudou esse trem a ficar cada vez pior. Com bitola métrica e não larga como é da Júlio Prestes até Itapevi, além da densidade populacional deste trecho não ser grande coisa se comparada com o resto do trecho (a Sorocabana sempre teve bitola estreita, métrica, a linha somente passou a ter bitola mista com a remodelação da linha até Itapevi pela Fepasa em 1979), esse trem já foi ameaçado de desativação várias vezes nos últimos dez anos.

A última delas foi em 10 de outubro passado, quando fui até lá para andar pela última vez (e pela primeira!!!) na linha. Era um sábado e já havia promessas de se fazer a desativação apenas pelo tempo necessário para se reformar a linha (aumento de bitola) e as estações, realmente em estado terminal - são, no duro mesmo, simples paradinhas. Como agora.

Naquele dia, alguém voltou atrás e o trem não acabou. Desta vez, acabou, com direito inclusive a discurso de altos funcionários da CPTM na praça de Amador Bueno ao lado da estação, explicando que um ônibus fará o mesmo percurso durante o ano e meio de interrupção do trenzinho.

Esperamos que ele realmente o trem volte e no prazo estimado. Alguns dizem que será uma continuação operacional - o trem iria de Julio Prestes a Amador Bueno. Outros, que uma composição menor, mas decente, fará o percurso que acabou anteontem - mas com bilhete pago.

É esperar para ver. Realmente, esperamos ver acabado o longo período em que os trens acabaram para dar lugar a linhas de ônibus. Esta provisória vai passar por ruas poeirentas, esburacadas e cheias de lombadas e valetas para atender aos antigos usuários.

(Nota de 26/1/2020: o trem realmente voltou, com estações novas - menos a de Ambuitá - no dia 3 de abril de 2014 e funciona até hoje)