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sexta-feira, 12 de junho de 2015
PISTOIA - ESTRADAS DE FERRO
Enquanto nós, brasileiros que vivem de esperança (se é que essa frase ainda é válida), ficamos choramingando porque as ferrovias estão desaparecendo na mão de aproveitadores e de governos corruptos que não fiscalizam porcaria alguma, na Itália as ferrovias funcionam.
Bilheteria da estação de Pistoia
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A estação de Pistoia, por exemplo, funciona como estação e não como centro cultural, nem está abandonada, nem foi demolida, nem está em ruínas: ela é uma estação de trem, e isto já há cento e setenta anos aproximadamente.
Fachada da estação de Pistoia
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No horário que fotografei hoje, há trens para Lucca, Florença, Porretta, Viareggio, Montevarchi e mais outros, que não aparecem no horário que aqui anexei. Com baldeações, dá para sair de Pistoia para a Europa praticmente inteira.
E em frente a estação, um prédio enorme e novo está sendo terminado. Deterioração na região ZERO
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É isso aí. E nós aqui fotografando estações abandonadas e trilhos no meio do mato.
Este país (ou aquele aí na América do Sul, já que estou na Itália no momento) é uma vergonha.
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quinta-feira, 11 de junho de 2015
PISTOIA
Uma rua de Pistoia, hoje - foto Ana Maria Giesbrecht
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Apesar do fato de ter estudado com muito interesse a história da Europa por muitos anos de minha vida, eu somente estive no Velho Continente três vezes em minha vida, cada uma por cerca de apenas quinze dias. Aliás, a terceira vez é esta, e estou no terceiro dia apenas.
Estou em Pistoia, na Toscana, Itália. Vim com minha esposa (que chegou aqui três semanas antes) para conhecer meu segundo neto, Massimo Pietro, o primeiro filho de minha querida filha Verônica, que aqui vive há quase três anos.
Começo a conhecer a cidade de 120 mil habitantes. Pelas minhas primeiras impressões, é uma cidade antiga — e nem tão antiga, se considerarmos que aqui é a Europa e não o Brasil, uma cidade na qual prédios de apartamentos de seis andares (incluindo o térreo) são raros e com mais andares são moscas brancas (vi um hoje, bem ao longe, quando andava de ônibus, que parecia ter uns oito).
Estive hoje no centro histórico, a Piazza Duomo, local muito simpático, assim com as ruas em volta.
O que mais existe aqui são prédios amarelos, alguns mais claros, outros mais escuros em termos de tonalidade. Difícil estimar a idade deles, pois há muitas reformas e eu estou muito longe de conhecer a arquitetura italiana para saber, com sei em São Paulo, em que década tal prédio foi construído - e aqui se fala não realmente de décadas, mas de séculos.
Fiquei imaginando o Jason Bourne ou o James Bond (é coincidência os dois terem nomes com as iniciais JB?) correndo e perseguindo bandidos sobre os telhados das construções de Pistoia (muitos dirão que elas nada têm a ver com as construções em que eles fizeram isso em alguns filmes, mas não interessa - eu pensei nisso e acabou-se). E também em soldados da Wehrmacht se espremendo pelas estreitas ruas da cidade intramuros atirando ou recebendo tiros dos exércitos americano, inglês e brasileiro (houve batalhas em Pistoia? Eu não fui verificar).
Vi a rua Cavour, de comércio chic no centro histórico e pensei na rua Barão de Itapetininga por causa da harmonia em suas construções, embora provavelmente mais por causa dos postes de iluminação colocados no centro da rua - embora (outra vez!) os postes de uma rua e de outra sejam completamente diferentes. Este escritor é uma piada, mesmo.
Há bicas por toda a cidade velha, algumas esbranquiçadas por causa do acúmulo de calcário causado pela água dura que existe aqui. E embora sejam históricas e a cidade tenha água encanada, as bicas ainda funcionam para quem quer usar.
As construções geralmente têm mais de um andar (dois a três), são caixotes, mas caixotes antigos, quase sempre amarelas, como já disse, com portas duplas de madeira maciça, algumas realmente antigas e outras imitando as antigas, e as janelas em geral são sempre novas e retangulares, com persianas sempre verdes; em alguns prédios pode-se ver arcos e até colunas descascadas de baixo da massa que as cobriu em alguma época - mostrando que as janelas eram originalmente em arco.
As ruas dentro do muro antigo - que ainda sobrevive em quase toda a volta, com pequenos pedaços derrubados - são tortuosas e estreitas. Algumas muito estreitas.
O grande legado, no entanto, é que a cidade não tem uma muralha de edifícios altíssimos, de 20, 30 e 40 andares ou mais, que hoje proliferam em diversas cidades do Brasil, especialmente as maiores e especialmente em São Paulo. É um alívio que consigamos ver o céu bem perto de nós, mesmo nos corredores de ruas entre construções de 3 a 4 andares.
E não pude de deixar de me lembrar de uma reportagem que vi num jornal de TV, em São Paulo, há cerca de um mês e que mostrava o quão idiotas o povo brasileiro e alguns jornalistas estão se tornando. Nela, moradores de uma rua (se não me engano, na zona norte da cidade de São Paulo, mas a região nem interessa tanto), reclamando de que a calçada de tal rua era estreita, que não dava para as pessoas passarem por que havia postes, que a calçada era estreita até para o cadeirante que morava numa das casas, que el somente pode passar no meio da rua pois pela calçada não dá, etc.. Reclamam, reclamam, reclamam.
Citavam os repórteres que a legislação da cidade prevê que há um tamanho mínimo para as calçadas e que lá não foi seguido, que isto é um absurdo, culpa da prefeitura, blá blá e blá blá, sem notarem que nos bairros em que isso acontece, ou as ruas foram loteadas antes de tal legislação, ou surgiram de loteamentos clandestinos onde os moradores construíam de forma a colocar as frentes e os muros próximos a uma rua então sem pavimento e sem calçadas, que foram colocadas depois...
E que agora as únicas soluções são absurdas: ou se aumentam as calçadas diminuindo o leito carroçável da rua a uma largura de forma a que carros não passem, prejudicando quem os guarda em garagens, ou então que botem abaixo as casas e jardins - muitas casas estão à beira da calçada - para se fazerem as calçadas da forma certa.
Ninguém vai fazer isto, claro. Mas as reclamações somente cessarão se um dia a Prefeitura mandar tratores e escavadeiras para lá para fazer valer a lei — o que não fará.
O que tem isso a ver com Pistoia? Tem, que, nesta cidade, a grande maioria das ruas tem calçadas estreitíssimas, algumas vezes nem as tem pois são estreitas demais e ninguém reclama - afinal, a situação ;e assim há centenas de anos. A área nova da cidade, extra-muros, tem calçadas e ruas mais largas. O que passou, passou. Quem mora no centro da cidade velha e não tem o espaço, que se mude ou não reclame.
O Brasil, depois de mais de quinhentos anos, ainda tem muito a aprender com cidades como Pistoia ou com a velha Europa em si.
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Apesar do fato de ter estudado com muito interesse a história da Europa por muitos anos de minha vida, eu somente estive no Velho Continente três vezes em minha vida, cada uma por cerca de apenas quinze dias. Aliás, a terceira vez é esta, e estou no terceiro dia apenas.
Estou em Pistoia, na Toscana, Itália. Vim com minha esposa (que chegou aqui três semanas antes) para conhecer meu segundo neto, Massimo Pietro, o primeiro filho de minha querida filha Verônica, que aqui vive há quase três anos.
Começo a conhecer a cidade de 120 mil habitantes. Pelas minhas primeiras impressões, é uma cidade antiga — e nem tão antiga, se considerarmos que aqui é a Europa e não o Brasil, uma cidade na qual prédios de apartamentos de seis andares (incluindo o térreo) são raros e com mais andares são moscas brancas (vi um hoje, bem ao longe, quando andava de ônibus, que parecia ter uns oito).
Estive hoje no centro histórico, a Piazza Duomo, local muito simpático, assim com as ruas em volta.
O que mais existe aqui são prédios amarelos, alguns mais claros, outros mais escuros em termos de tonalidade. Difícil estimar a idade deles, pois há muitas reformas e eu estou muito longe de conhecer a arquitetura italiana para saber, com sei em São Paulo, em que década tal prédio foi construído - e aqui se fala não realmente de décadas, mas de séculos.
Fiquei imaginando o Jason Bourne ou o James Bond (é coincidência os dois terem nomes com as iniciais JB?) correndo e perseguindo bandidos sobre os telhados das construções de Pistoia (muitos dirão que elas nada têm a ver com as construções em que eles fizeram isso em alguns filmes, mas não interessa - eu pensei nisso e acabou-se). E também em soldados da Wehrmacht se espremendo pelas estreitas ruas da cidade intramuros atirando ou recebendo tiros dos exércitos americano, inglês e brasileiro (houve batalhas em Pistoia? Eu não fui verificar).
Vi a rua Cavour, de comércio chic no centro histórico e pensei na rua Barão de Itapetininga por causa da harmonia em suas construções, embora provavelmente mais por causa dos postes de iluminação colocados no centro da rua - embora (outra vez!) os postes de uma rua e de outra sejam completamente diferentes. Este escritor é uma piada, mesmo.
Há bicas por toda a cidade velha, algumas esbranquiçadas por causa do acúmulo de calcário causado pela água dura que existe aqui. E embora sejam históricas e a cidade tenha água encanada, as bicas ainda funcionam para quem quer usar.
As construções geralmente têm mais de um andar (dois a três), são caixotes, mas caixotes antigos, quase sempre amarelas, como já disse, com portas duplas de madeira maciça, algumas realmente antigas e outras imitando as antigas, e as janelas em geral são sempre novas e retangulares, com persianas sempre verdes; em alguns prédios pode-se ver arcos e até colunas descascadas de baixo da massa que as cobriu em alguma época - mostrando que as janelas eram originalmente em arco.
As ruas dentro do muro antigo - que ainda sobrevive em quase toda a volta, com pequenos pedaços derrubados - são tortuosas e estreitas. Algumas muito estreitas.
O grande legado, no entanto, é que a cidade não tem uma muralha de edifícios altíssimos, de 20, 30 e 40 andares ou mais, que hoje proliferam em diversas cidades do Brasil, especialmente as maiores e especialmente em São Paulo. É um alívio que consigamos ver o céu bem perto de nós, mesmo nos corredores de ruas entre construções de 3 a 4 andares.
E não pude de deixar de me lembrar de uma reportagem que vi num jornal de TV, em São Paulo, há cerca de um mês e que mostrava o quão idiotas o povo brasileiro e alguns jornalistas estão se tornando. Nela, moradores de uma rua (se não me engano, na zona norte da cidade de São Paulo, mas a região nem interessa tanto), reclamando de que a calçada de tal rua era estreita, que não dava para as pessoas passarem por que havia postes, que a calçada era estreita até para o cadeirante que morava numa das casas, que el somente pode passar no meio da rua pois pela calçada não dá, etc.. Reclamam, reclamam, reclamam.
Citavam os repórteres que a legislação da cidade prevê que há um tamanho mínimo para as calçadas e que lá não foi seguido, que isto é um absurdo, culpa da prefeitura, blá blá e blá blá, sem notarem que nos bairros em que isso acontece, ou as ruas foram loteadas antes de tal legislação, ou surgiram de loteamentos clandestinos onde os moradores construíam de forma a colocar as frentes e os muros próximos a uma rua então sem pavimento e sem calçadas, que foram colocadas depois...
E que agora as únicas soluções são absurdas: ou se aumentam as calçadas diminuindo o leito carroçável da rua a uma largura de forma a que carros não passem, prejudicando quem os guarda em garagens, ou então que botem abaixo as casas e jardins - muitas casas estão à beira da calçada - para se fazerem as calçadas da forma certa.
Ninguém vai fazer isto, claro. Mas as reclamações somente cessarão se um dia a Prefeitura mandar tratores e escavadeiras para lá para fazer valer a lei — o que não fará.
O que tem isso a ver com Pistoia? Tem, que, nesta cidade, a grande maioria das ruas tem calçadas estreitíssimas, algumas vezes nem as tem pois são estreitas demais e ninguém reclama - afinal, a situação ;e assim há centenas de anos. A área nova da cidade, extra-muros, tem calçadas e ruas mais largas. O que passou, passou. Quem mora no centro da cidade velha e não tem o espaço, que se mude ou não reclame.
O Brasil, depois de mais de quinhentos anos, ainda tem muito a aprender com cidades como Pistoia ou com a velha Europa em si.
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segunda-feira, 30 de julho de 2012
O RAMAL DE PIRACICABA, O VÔ SUD E A TIA ZIZINHA
A estação terminal de Piracicaba Paulista, assim chamada para diferenciá-la da estação da Sorocabana, que ficava mais para o centro da cidade. Era igual à estação de Jaú - a velha, do ramal - esta demolida em 1973.Pois é, ontem, 29 de julho, foi o octagésimo aniversário do ramal de Piracicaba, construído pela Companhia Paulista de 1917 a 1922, hoje morto, mas não enterrado (pelo menos não totalmente). Ontem, eu li um escrito que o Leandro me mandou e pensei: "puxa, eu sabia disso, mas não me lembrei"! Grande coisa, né? Mas resolvi, com um dia de atraso, escrever algumas linhas sobre ele.
Acontece que Piracicaba foi uma das cidades do interior paulista que conheci ainda pequeno. O Tio Homero e a Tia Zizinha moravam lá e a gente - eu e meus pais - visitamo-los em 1962. Além disso, era a terra natal do vovô Sud, aquele que sempre falo nos meus escritos. Seus pais vieram de Lucca, Toscana, e foram direto para lá, onde meu bisavô Amedeo era marmorista. Dizem que o cemitério tem vários túmulos feitos por ele. Ele, que morreu em São Paulo e foi enterrado no Araçá, em 1930.
Nas minhas pesquisas sobre ferrovias Piracicaba foi uma das primeiras cidades que eu descobri ter tido estrada de ferro. Não somente uma, mas duas. A Ytuana chegou lá em 1877. Comprada pela Sorocabana, sempre foi considerado uma das piores linhas desta ferrovia. Foi por isso que a população da cidade - Piracicaba ocupava uma posição de destaque relativo muito maior do que ocupa hoje no Estado, no final do século XIX e início do XX - cortejava as ideias da Paulista para construir outro ramal para lá. Meu avô, que morou na cidade desde o nascimento em 1892 até 1910, quando saiu para ser professor (voltou a morar lá depois de 1921 a 1925), contava em suas cartas que, para visitar a cidade lá pelos idos de 1915, 1916, ia pela Paulista até Limeira e depois tomava ali um trolei para a cidade, pois não aguentava os trens da Soroca.
A primeira investida da Paulista para construir um novo ramal para lá foi em 1901. Não saiu, mas, em 1917, construíram uma linha que partia de Nova Odessa , da estação de Recanto, até a cidade de Santa Bárbara. E em 1922, chegaram, a 29 de julho, a Piracicaba, com bitola larga. Junto com o ramal de Descalvado, foi um dos dois ramais da Paulista com bitola larga de 1 metro e sessenta. A cidade teria bancado boa parte do investimento da empresa, assim como, anos mais tarde (1941), Jaú pagou para a Paulista para ter a linha-tronco oeste passando pela cidade, em vez de continuar sendo ponta de ramal de bitola métrica.
Meu avô guardou um exemplar da revista "Sala de Espera", editada na cidade, que trazia não somente as fotos da inauguração da estação e do primeiro trem de passageiros a chegar na cidade nessa data de oitenta anos atrás, como também publicou na revista o editorial desse número, onde falava sobre a abertura do ramal de 42 quilômetros. Esperançoso, ele falava dos planos futuros da Paulista, que incluíam chegar a Bauru com o ramal e comisso diminuir a distância de São Paulo e também dar uma alternativa para o tronco da Companhia. Mostrava mapas e tentava provar que havia sido um excelente investimento e que a cidade somente teria a ganhar com a nova linha.
Setenta anos depois, uma revista me pediu para escrever sobre a história das ferrovias e, no final, perguntou-me se eu teria algum artigo antigo que falasse sobre a abertura de alguma linha brasileira, Mas não aquelas que descreviam os convidados da festa e qual as bandinhas que tocaram na inauguração, mas mais do que isso - falasse sobre as vantagens de uma linha recém-aberta para a região. Não era fácil, mas aí, lembrei-me do ramal de Piracicaba, daquele editorial de meu avô: minha esposa Ana Maria comentouq eu "talvez ele tivesse escrito aquilo setenta anos antes para um dia resolver o problema de seu neto e da revista". Será?
Uma vez, conversando com tia Zizinha, que foi a última tia-avó minha a falecer - e olhe que eu tive mais de vinte - perguntei das suas lembranças de viagens pelo ramal. Como era morou algum tempo em São Paulo, era óbvio que ela foi e voltou a Piracicaba diversas vezes de trem. Ela não falou nada de muito interessante sobre a viagem em si, que descrevia como "muito bonita" e que se lembrava das paradas nas estações - Cillos, Santa Barbara, Caiubi, Tupi, Taquaral e Piracicaba - mas o relato valeu, pela enorme saudade que se esparramava de suas palavras. Pouco depois, ela faleceu.
Os oitenta anos do ramal de Piracicaba foram, na realidade, apenas cinquenta e dois - em 1976, os trens de passageiros foram desativados com protestos inúteis de seus usuários. As cargas pouco duraram. Os trilhos foram sendo cobertos com terra a partir do momento em que a FEPASA, sucessora da Paulista, deixou de (pelo menos) andar com seus carros de linha para o mato não crescer muito. Isto foi em 1998. A Ferroban, sua sucessora, jamais quis saber dos trilhos da linha. Hoje, parte enterrados, parte roubados, parte retirados sem autorização dos donos da malha (hoje, a chamada "inventariança da RFFSA"), estão ali como um monumento ao desperdício de dinheiro no Brasil. De suas seis estações, duas (Caiubi e Taquaral) foram demolidas. Uma está abandonada (Cillos) e as outras três têm diferentes funções. Todos belos prédios que mereceram sua preservação. Cillos não tem jeito. Longe de tudo, só lhe resta esperar desabar.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
VERONICA
Veronica, de branco, ao centro: o retrato da felicidadeEstive praticamente ausente deste blog durante os últimos vinte dias. Deve ter, claro, dado para os leitores perceberem. Se não perceberam, é por que este blogueiro é fraco demais.
O motivo da quase parada total foi o casamento de minha filha. A mais nova de meus três filhos e a única mulher. Quatro anos mais nova que meu segundo filho e cinco anos que meu primogênito, a jovem Verônica, com sua voz eterna de criança e seus olhos lindos e tristes conseguiu encontrar seu príncipe encantado.
O rapaz, seis anos mais velho que ela, mora no Rio de Janeiro há seis anos e é italiano. Nasceu e viveu a vida inteira em Pistoia, na Toscana, a vinte quilômetros de Lucca e quarenta de Florença, a bela Firenze.
Enquanto isso, Veronica viveu a vida toda em Santana de Parnaíba, tendo nascido na Pro-Matre de São Paulo. Estudou na Capital e se formou em administração há nove anos. Seu pai - eu - sou paulistano, enquanto sua mãe, Ana Maria, é carioca de Niterói - nasceu na cidade do Rio mas foi registrada do outro lado da baía. Mais para trás, os avôs paternos eram, ele, de Ponta Grossa, PR, neto de alemães, enquanto ela, minha mãe, paulistana. Meu avô, bisavô de Veronica, era de Piracicaba. Seus pais, de Lucca, Toscana. Casaram-se em Pistoia, nos anos 1880. Veronica fecha um ciclo.
Veronica merecia uma festa no seu casamento. Ela foi feita em nossa casa, em Santana de Parnaíba. Ana Maria e sua irmã Daisy transformaram a casa em um salão de festas. Foi um trabalho magnífico, em que as duas irmãs mostraram que são mulheres fantásticas que sabem o que querem e que conseguem chegar a um objetivo: fazer Veronica gostar demais de uma festa da qual se lembrará pelo resto de sua vida.
Muitos amigos e amigas do casal e as famílias. Dele, pai, mãe e uma tia, que vieram de Pistoia e que para isso saíram da Italia pela primeira vez em suas vidas. Saíram de uma cidade de nem cem mil habitantes para uma chamada Grande São Paulo com dezenove milhões. É verdade que Parnaíba tem pouco mais de cem mil, mas quem nota que a cidade, praticamente incorporada hoje à Capital, existe?
Que minha filha seja a mulher mais feliz do mundo. Para mim, será sempre a minha menininha. Para sua mãe também. Veronica viverá na Toscana. Dizem que é a região mais bonita da Italia. Minha filha merece. Serão doze mil quilômetros de distância de seus pais, mas que não a separará de nós.
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