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domingo, 2 de agosto de 2015

1875: A ABERTURA DA SOROCABANA, BARUERI, PARNAHYBA E PIRAPORA

A estação de Barueri por volta de 1880. Este prédio durou até 1928, quando foi substituída por um novo, que foi demolido em 1882, quando se construiu o atual, utilizado pela CPTM.
Aberta em 1875, a estação de Barueri foi uma das estações originais da linha São Paulo-Sorocaba. Seu nome derivou não do município ao qual pertencia na época, Parnahyba (hoje Santana de Parnaíba), mas sim da Aldeia de Barueri, núcleo fundado no final do século XVI e que ficava a cerca de 2 km dali. 

Quando esta estação foi aberta em 10 de julho de 1875, já existia um minúsculo povoado ali, formado pelos operários da construção da ferrovia e da estação e por comerciantes que haviam ali se estabelecido, pois Aldeia de Barueri, a Barueri original, ficava longe (ver acima). 

No dia anterior (9/7/2015) à abertura da linha, o jornal A Provincia de S. Paulo atentava para o fato de o acesso à estação ser difícil, tanto para cargas, quanto para passageiros. 

"Da ponte do Baruery, perto da estação (1), é preciso com toda a urgencia o atalho para facilitar a chegada dos passageiros na estação, e mesmo para os carros (2), e cargueiros não darem tamanha volta e sobre perigos de vida, e muitos prejuízos. Muitos passageiros têm perdido o trem (3) por causa da grande volta do caminho para chegar à estação. Pede-se encarecidamente ao bem do público que o governo atenda os reclamos, e a digna directoria da Estrada de Ferro Sorocabana perderá muito, se deixar passar o tempo das festas em Pirapora (4); o commercio tem sofrido difficuldades por não ter a ponte aterro para chegar na estação. Com pouco dinheiro, talvez se faça a ponte e aterro. Espera-se que sejam attendidos os interesses a bem do publico, e do commercio de Parnahyba e Pirapora". 

Notas do autor deste artigo sobre o texto transcrito acima:

(1) nota do autor desta página: tratava-se da ponte sobre o córrego de São João, hoje canalizado em quase todo o seu percurso dentro do atual município de Barueri.

(2) nota do autor: não se tratavam, é claro, de automóveis, e sim de carroças e afins.

(3) nota do autor: isto mostra que, mesmo antes da inauguração da linha em 10 de julho, houve trens provisórios passando por ali e transportando passageiros.

(4) nota do autor: esperava-se que as festas em Pirapora do Bom Jesus, sempre mais no mês de agosto, fossem as grandes beneficiadas com a estação, apesar de ficarem a vinte quilômetros desta; as estradas de São Paulo para lá eram péssimas nesta época.

No dia seguinte ao da nota no jornal, 10 de julho, foi realizada a viagem inaugural do trem da Sorocabana, com a presença do Imperador D. Pedro II. O trem parou em Barueri, onde diversas pessoas da Câmara de Parnahyba estiveram ali presentes. 

Como consequência da abertura oficial da linha, a estrada que ligava Barueri a Parnahyba (sede do município) e Pirapora (então um distrito de Parnahyba, mas que, por causa das festas religiosas, era nesta época considerada mais importante pelos paulistanos do que a sede, então pobre e decadente) foi totalmente reformada, e, em 1922, com algumas retificações efetuadas pelo Governo do Estado, tornou-se a atual Estrada dos Romeiros. Até este ano, era parte da chamada de Estrada de Ytu.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O DIA EM QUE O PREFEITO DE PARNAHYBA FOI PARA A CADEIA

Largo da Matriz em Santana de Parnaíba, em 1966 (Quatro Rodas)

Era um domingo, 6 de agosto de 1928, dia de festa no então distrito de Pirapora, com romaria e tudo o mais. O prefeito do município de Parnahyba, João José de Oliveira, juntamente com seu secretário, aproveitou sua presença no local para, pessoalmente, cobrar as taxas municipais dos veículos estacionados, com placas de outros municípios.

Naquele tempo, a legislação de trânsito era de competência municipal e este tipo de taxa era devida - o estranho foi o prefeito em pessoa fazer isso. Quando os dois - prefeito e secretário - estavam com os blocos nas mãos, aproximou-se do prefeito o comandante do destacamento de Pirapora, um cabo da polícia, que lhe deu voz de prisão. Surpreso com o fato, perguntou ao policial se ele sabia quem ele era. Como o cabo dissesse que não, o prefeito afirmou que, sendo ele quem era, era supostamente uma figura conhecida de todos.

O policial então disse que “se o senhor é o prefeito, a sua Câmara é uma ladra!” e que teria de levá-lo preso. E o prefeito foi realmente recolhido ao xadrez juntamente com o secretário Antonio Branco, que “também pertencia à quadrilha”. O delegado de polícia de Pirapora foi avisado e pediu que os presos fossem escoltados à sua presença na sua residência, no Largo da Matriz (de Pirapora). Depois da ida à delegacia, foram obrigados pelo delegado a devolver todas as multas arrecadadas aos multados!

De acordo com o relato do prefeito à Câmara dois dias depois, “assim foi feito. Escoltado por várias praças e sob a chacota do populacho fomos à casa do Dr. Delegado de Polícia de quem só merecemos audiência depois de espera de mais de um quarto de hora na praça pública. O Dr. Delegado, ao invés de se impressionar com o fato na realidade grave, antes pareceu achar nele pouca importância, por isso que, fugindo à espera de ação a que o obrigava o cargo entrou de fazer crítica à atitude da Prefeitura, discutindo, à força de argumentos jurídicos, a ilegalidade dos impostos que estavam sendo arrecadados. Concluiu, afinal, que as taxas arrecadadas deveriam ser devolvidas às partes! Lamentável porém real incidente!

Entretanto, desacatado em plena praça pública, vilipendiado pelos insultos reiterados de soldados e populares sem educação, e sobretudo convencido da minha nenhuma garantia, diante do ato sobremodo censurável mas indiscutível do chefe da força armada, diante de tudo isso dizemos, só nos restava abandonar os interesses da Câmara (...) Assim fiz, devolvi aos interessados as taxas arrecadadas segundo me fora ordenado pelo Dr. Delegado, retirando-me, em seguida, para a sede do município”.

O delegado de polícia de Pirapora foi avisado e pediu que os presos fossem escoltados à sua presença na sua residência, no Largo da Matriz (de Pirapora). Depois da ida à delegacia, foram obrigados pelo delegado a devolver todas as multas arrecadadas aos multados! A Câmara publicou moção de desagravo ao Prefeito e seu secretário, citando o ocorrido em detalhes, baseando-se no relato do prefeito.

Não é mentira, está tudo nas atas da Câmara Municipal de Santana de Parnaíba. O secretário, Antonio Branco, tornou-se interventor poucos anos mais tarde. Pirapora hoje é o município de Pirapora do Bom Jesus.