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Mais tarde, com a expansão e modificação dessas linhas, a estação passou a ser parte da linha-tronco oeste da Paulista (1941), mantendo-se a bifurcação ali com um trem de bitola métrica saindo para um curto ramal, chamado de Campos Salles e que ia até o simpático vilarejo de Iguatemi, na zona rural de Jaú. Por sua vez, a linha principal seguia, a partir de 1961, quando foi completada em toda a sua extensão, até a cidade de Panorama, na barranca do rio Paraná. Nesse mesmo ano, a Paulista foi estatizada pelo Governo paulista, o que causou uma queda quase que imediata nos serviços prestados a seus clientes. Em 1966, o ramal de Campos Salles fechou. Mais cinco anos e a Fepasa surgiu, juntando as ferrovias estaduais, entre as quais a carismática Paulista.
Os serviços foram piorando. Estações foram sendo fechadas e no inicio da década de 1990 apenas sobreviviam as linhas-tronco da antiga Paulista: São Paulo-Barretos e São Paulo-Panorama. Foi a vez do fechamento da estação de Dois Córregos, já mal cuidada e parcialmente abandonada, às vésperas da entrega da Fepasa à malfadada e falida RFFSA. Um ano antes disso (1997), surge nas telas o filme “Dois Córregos”, de Carlos Reichenbach, rodado na cidade em 1992 tendo a estação como pano de fundo, tendo recebido ali algum trato para parecer que ainda estava no início dos anos 1970. Foi a última “reforma”, ela, que havia recebido uma maior em 1985, escolhida entre poucas na Fepasa para ser conservada dada a sua beleza. Alguns na cidade dizem que ela seria cópia da estação ferroviária de Marselha, na França. Não é verdade, mas é assim que os moradores da cidade vendem o peixe. Fechada, estava ainda relativamente em bom estado em 2000. A deterioração, entretanto, foi rápida: quando começaram no ano seguinte os projetos de restauro do prédio, já havia portas arrancadas e queimadas e vidros partidos. Só que, alguns dias depois, a estação, num dia de semana em 12 de julho, ardeu em chamas. Pouco se pôde fazer.
Sonhos destruídos, avaliou-se logo depois do incêndio o restauro em cerca de 8oo mil reais. Até hoje, ninguém se apresentou para pagar a conta. A estação de “Marselha” agora se parece com a maioria das estações que sobraram: jogada às traças. Muito triste. Enquanto isso, os trens continuam a passar por ali, vagarosos, sem ligar para os fantasmas do passado esperando o trem puxado pela máquina a vapor com a inscrição: “Jaú”. Ah, e por que parte 2? Porque a parte 1 foi escrita por mim, logo depois do incêndio, lamentando o acidente, mas ainda confiante que a estação seria logo recuperada. Infelizmente, eu estava errado.
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