Na foto acima, do INFORMATIVO AFPF, o processo de desmonte (roubo) de trilhos segue a todo vapor
Transcrevo abaixo, entre aspas, o EDITORIAL do INFORMATIVO-AFPF de Junho de 2017 - no. 164, que mostra o caos que se instalou já há vários anos nas ferrovias que um dia fizeram parte da RFFSA e da FEPASA. No caso, o artigo versa sobre linhas da antiga rede da Leopoldina e da Rede Mineira de Viação.
É tudo uma vergonha, um descalabro sem fim.
"Editorial: 758 km da malha ferroviária fluminense em bitola métrica está indo pro vinagre!
Duas notícias terríveis confirmam isso: a 1ª revela que 106 km de linhas entre Angra dos Reais e B. Mansa, podem virar ciclovia. A 2ª informa que a ANTT aprovou o IV Termo Aditivo ao Contrato de Concessão com a FCA-Ferrovia Centro Atlântica, referente à devolução de ~3.800 mil km dos chamados trechos operacionais de baixa densidade e rentabilidade (res. ANTT 5.101/16), sendo 758 km no Estado (vide quadro mais abaixo). O fato é que grande parte da indenização pela destruição devida pela FCA deverá será aplicada pela própria concessionária em outras áreas, longe do nosso Estado. Pergunta-se: uma vez a FCA, ANTT e DNIT foram incapazes de preservar e manter em condições de uso a malha concedida, patrimônio do povo brasileiro em terras fluminenses, que deveria estar nas mesmas condições de trafegabilidade quando da Concessão, em 1996, quem vai pagar por isso? Eu quero meus 758 km de volta!
O quadro acima foi elaborado com base na DR-Declaração de Rede 2016 da FCA, um relatório que informa à ANTT a situação da malha em seu poder (INFORMATIVO AFPF)
A malha ferroviária fluminense foi de grande importância histórica para o desenvolvimento de dezenas de cidades e localidades no Estado do Rio, muitas das quais hoje ainda sofrem com a estagnação econômica desde a erradicação dos trilhos, iniciada em 1964. O ERJ, que já teve mais de 2.600km de trilhos em bitola métrica, tem hoje apenas 40 km (5%) operacionais para transporte de calcário para CSN, através da FCA. Sabe-se que certos trechos já foram entregues para algumas prefeituras, que vão arrancar os trilhos e transformar as vias férreas em estradas vicinais ou
ciclovias; poucas pensam em implantar trens turísticos, regionais ou pequenos trens cargueiros (short lines). Erradicar linhas ociosas é de uma burrice incomensurável e pode nos custar muito caro no futuro. Na Europa, antigas linhas foram preservadas e hoje operam muitos trens turísticos, regionais e short lines, gerando emprego e renda.
Vagões têm de ser transportados agora por carretas, por falta de linhas em condições de prover transportes (INFORMATIVO AFPF)
Os trens são sem dúvida alguma o meio de transporte mais seguro, eficiente e de fundamental importância para melhoria da mobilidade urbana, para redução dos acidentes de trânsito e da poluição atmosférica. Nesse momento de crise que vive o ERJ, a implantação de trens turísticos, regionais ou short lines poderia muito contribuir para alavancar o Turismo, o desenvolvimento regional e a geração de emprego e renda, além de proteger o Patrimônio. Será que o povo fluminense - e seus representantes - vão aceitar passivamente a subtração de 758 km, sem exigir nenhuma compensação? O custo médio de implantação de uma nova via férrea oscila entre seis a dez milhões de reais/km.
Portanto, teríamos a receber, considerando uma média de R$ 8 milhões/km, uns R$ 6 bilhões da FCA! Oremos, pois.
Trens na Suiça (INFORMATIVO AFPF)
Enquanto que em terras brasilis vão destruindo antigas ferrovias, na Suíça, antigas linhas inauguradas em 1908 continuam transportando milhares de turistas. Constamos isso em abril quando estivemos por lá explorando as ferrovias desse país montanhoso, cuja malha tem apenas 4.533 km. Fizemos um passeio maravilhoso em um fantástico trem turístico-panorâmico, o Bernina Express, de Chamonix (altitude de 1.774m), passando por Ospizio Bernina, nos Alpes (2.253m), descendo até Tirano na Itália (429m). A ferrovia opera em simples aderência, com rampas de até 7% e muitas curvas sinuosas, lembrando as linhas de bitola métrica do Brasil, as quais expertos tecnocratas querem destruir sob pretexto de serem antigas e antieconômicas. Na Suíça, todos os trens são elétricos e convivem de forma harmoniosa, em linhas obsoletas, com trens de passageios e cargueiros. Não
sei como conseguem ser tão eficientes, pois lá não tem FCA, DNIT, ANTT, Res. 4.131, Medida Prov. 752, PIL-Ferrovias, etc..."
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quinta-feira, 1 de junho de 2017
sábado, 26 de novembro de 2016
1912 - A IMPORTÂNCIA DAS FERROVIAS EM MINAS GERAIS
No dia 16 de novembro de 1912, o jornal O Estado de S. Paulo (que nem é um jornal mineiro) publicou em uma das suas páginas - em uma somente, vejam - 7 (sete!) notícias sobre ferrovias no Estado de Minas Gerais, diretamente ou indiretamente relacionadas com elas.
Isto dá uma ideia da importância das estradas de ferro para o estado e também para o país.
Bem diferente de hoje, quando ela é vista como uma atrapalhação, ao contrário de todos os outros países do mundo, inclusive - e principalmente - dos de Primeiro Mundo. Aliás, pode ser que seja exatamente por isto que eles são Primeiro Mundo.
Vejam as notícias acima. De cima para baixo, da esquerda para a direita:
1) Notícia sobre a construção do que viria a ser o ramal de Jureia (na época, de Tuiuti), da Mogiana. Ele seria entregue em 1914 totalmente pronto e ligado com a que viria a ser a Rede Mineira de Viação, na estação de Tuiuti. O ramal foi extinto em 1966.
2) Notícia publicada na cidade de Oliveira, falando sobre o trem que passaria por ali nos próximos dias. Essa linha ainda existe, mas por ela somente passam trens cargueiros, os de passageiroa acabaram nos anos 1970.
3) Notícia sobre a construção de outro ramal da Mogiana, o ramal de Passos, que ficaria pronto em 1921. Fechou em 1977.
4) Notícia sobre a estação de Retiro, situada na área rural do município de Juiz de Fora. e situada na Linha do Centro da antiga Central do Brasil. A linha ainda existe, somente para cargueiros.
5) Notícia sobre a Estra de Ferro do Piau, que seria anexada à Leopoldina no ano seguinte, transformar-se-ia no ramal de Juiz de Fora (ligava a cidade à estação de Furtado de Campos, na linha de Caratinga da Leopoldina. Ambas estas linhas desapareceram desde os anos 1970 e 80.
6) Notícias do ramal de São Pedro a Uberaba, então da Oeste de Minas e depois da RMV. Este ramal está hoje abandonado pela concessionária.
7) Estações de Pedra do Sino e de Paraibuna, ambas da linha do Centro da antiga Central do Brasil; hoje, linhas cargueira. As estações ainda existem, mas não funcionam como tal há anos. Quanto aos guarda-chaves, somente encontrá-los-emos nos livros de história.
Isto dá uma ideia da importância das estradas de ferro para o estado e também para o país.
Bem diferente de hoje, quando ela é vista como uma atrapalhação, ao contrário de todos os outros países do mundo, inclusive - e principalmente - dos de Primeiro Mundo. Aliás, pode ser que seja exatamente por isto que eles são Primeiro Mundo.
Vejam as notícias acima. De cima para baixo, da esquerda para a direita:
1) Notícia sobre a construção do que viria a ser o ramal de Jureia (na época, de Tuiuti), da Mogiana. Ele seria entregue em 1914 totalmente pronto e ligado com a que viria a ser a Rede Mineira de Viação, na estação de Tuiuti. O ramal foi extinto em 1966.
2) Notícia publicada na cidade de Oliveira, falando sobre o trem que passaria por ali nos próximos dias. Essa linha ainda existe, mas por ela somente passam trens cargueiros, os de passageiroa acabaram nos anos 1970.
3) Notícia sobre a construção de outro ramal da Mogiana, o ramal de Passos, que ficaria pronto em 1921. Fechou em 1977.
4) Notícia sobre a estação de Retiro, situada na área rural do município de Juiz de Fora. e situada na Linha do Centro da antiga Central do Brasil. A linha ainda existe, somente para cargueiros.
5) Notícia sobre a Estra de Ferro do Piau, que seria anexada à Leopoldina no ano seguinte, transformar-se-ia no ramal de Juiz de Fora (ligava a cidade à estação de Furtado de Campos, na linha de Caratinga da Leopoldina. Ambas estas linhas desapareceram desde os anos 1970 e 80.
6) Notícias do ramal de São Pedro a Uberaba, então da Oeste de Minas e depois da RMV. Este ramal está hoje abandonado pela concessionária.
7) Estações de Pedra do Sino e de Paraibuna, ambas da linha do Centro da antiga Central do Brasil; hoje, linhas cargueira. As estações ainda existem, mas não funcionam como tal há anos. Quanto aos guarda-chaves, somente encontrá-los-emos nos livros de história.
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
E. F. LEOPOLDINA: FIM DOS TEMPOS
O Brasil está mesmo num buraco sem fundo. As ferrovias, então, nem se fala, estão todas a caminho do fim. E, infelizmente, se não foram recuperadas até agora, não vai ser no atual momento que o serão.
Tanta gente, tantas instituições gostariam de ter o material das fotografias, mas a RFFSA não o fez nem sequer gerar dinheiro vendendo como sucata.
Os responsáveis, podem ter certeza, jamais serão punidos por isto. Além do mais, o que eles fizeram é crime ambiental.
Enfim: estas fotografias, tiradas por um cidadão de nome Anderson Fuscão (parece que foram tomadas há poucos dias) e postadas no Facebook há dois dias. Mostram vagões que estavam estacionados nos desvios da estação de Barão de Camargo e que teriam sido arrastados para o meio do mato, ou seja, no trecho de linha entre essa estação e a de Sinimbu, que não é utilizada já há pelo mesmo vinte anos.
O trem cargueiro com bauxita trafegou entre Barão de Camargo e Paraíba do Sul até 31 de agosto de 2015. Aí parou e alguém (concessionária?) teria arrastrado o material, tirando-o do pário da estação que fazia o carregamento (era Barão de Camargo) e levando-o para a linha que já estava abandonada.
Os responsáveis, podem ter certeza, jamais serão punidos por isto. Além do mais, o que eles fizeram é crime ambiental.
Enfim: estas fotografias, tiradas por um cidadão de nome Anderson Fuscão (parece que foram tomadas há poucos dias) e postadas no Facebook há dois dias. Mostram vagões que estavam estacionados nos desvios da estação de Barão de Camargo e que teriam sido arrastados para o meio do mato, ou seja, no trecho de linha entre essa estação e a de Sinimbu, que não é utilizada já há pelo mesmo vinte anos.
O trem cargueiro com bauxita trafegou entre Barão de Camargo e Paraíba do Sul até 31 de agosto de 2015. Aí parou e alguém (concessionária?) teria arrastrado o material, tirando-o do pário da estação que fazia o carregamento (era Barão de Camargo) e levando-o para a linha que já estava abandonada.
Por que fez isto? Provavelmente para não ter de pagar pela remoção até algum depósito. Era melhor esconder.
Concordo que o material era antigo, provavelmente já era inservível, etc e tal. Mesmo assim, é muita cara de pau. Mas é assim que hoje funcionam (ou não funcionam) as ferrovias brasileiras (ou melhor, o que restou delas).
Em tempo: a ferrovia original era a da Leopoldina, Linha do Centro, que ligava Ubá a Além Paraíba, passando por Cataguases. Construída em 1877. Abandonada e sem tráfego desde 1996, com exceção do trecho Barão de Camargos-Além Paraíba, que acabou fechado há pouco mais de um ano atrás.
Tire suas conclusões. Veja o resto das fotos.
Em tempo: a ferrovia original era a da Leopoldina, Linha do Centro, que ligava Ubá a Além Paraíba, passando por Cataguases. Construída em 1877. Abandonada e sem tráfego desde 1996, com exceção do trecho Barão de Camargos-Além Paraíba, que acabou fechado há pouco mais de um ano atrás.
Tire suas conclusões. Veja o resto das fotos.
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
ESTADO DO RIO: O ESTRAGO NAS FERROVIAS
As concessões das ferrovias feita pelo governo acabaram com a maior parte do que já existia funcionando.
Sem mais comentários. Mapa enviado por Antonio Pastori.
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segunda-feira, 27 de junho de 2016
ESTAÇÃO DE RIOGRANDINA, LEOPOLDINA, RIO DE JANEIRO
Hoje recebi fotografias de um local onde jamais estive: Estação de Riograndina, na Leopoldina, num ramal que foi chamado de linha do Cantagalo e que, depois de pronto e já com a Leopoldina como dona, funcionou da estação de Porto das Caixas, em Visconde de Itaboraí, até a estação de Portela, às margens do rio Paraíba do Sul. A estação fica no Estado do Rio de Janeiro, no distrito de Riograndina, no município de Nova Friburgo.
As fotos foram enviadas por Nelson Pereira Mendonça Junior, a quem agradeço.
Bom, tudo acabou em 1967. Hoje, a situação é a mesma: antigas estações foram demolidas, outras estão abandonadas, outras têm usos que nada têm a ver com estradas de ferro.
De ferrovia mesmo, somente lembranças.
As fotos de Riograndina, que já se chamou um dia Rio Grande mas teve de mudar de nome, mostram uma situação curiosa: a estação estava praticamente encostada a uma ponte de ferro, o que sugere que qualquer manobra do trem teria de contar com a ponte para fazê-la. Além do mais, um trem mais longo teria de talvez fazer passageiros descerem fora da plataforma de desembarque.
Curiosidades de um Brasil que não existe mais. Hoje, estações de passageiros ativas no Brasil são muito poucas. por que não há mais quase trens de passageiros: as que funcionam são geralmente ou paradas simples (uma simples plataforma com cobertura, ou às vezes até sem) ou prédios completamente diferentes, com arquitetura em concreto, bastante funcionais mas sem a graça de outrora.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
A FERROVIA DE ALÉM PARAÍBA, ACABANDO AOS POUCOS E RAPIDAMENTE
A parte que desabou
fica próxima à agência de veículos Max Car. Os proprietários já foram avisados
de risco de novos desmoronamentos devido às chuvas
As oficinas de Além Paraíba, ex-Central do Brasil, construídas em 1871, estão em ruínas. Nos últimos dias caíram mais algumas paredes.Os trens de bauxita que passavam diariamente pelas ruas da cidade acabaram em fins de julho deste ano.
Os trens de passageiros... vixe... estes já acabaram há trinta e cinco anos.
A estação e escritórios da estação de Porto Novo do Cunha estão abandonados há muito tempo. Também são construções de 1871.
Parece que ninguém está interessado em conservá-las.
Para complicar as coisas, estão querendo demolir as oficinas e não restaurá-las. E há briga pela propriedade.
O artigo reproduzido abaixo saiu pulicado pelo jornal Agora (Agora Jornais, (http://www.agorajornais.com.br/site/component/k2/item/582.html) durante o mês de dezembro.
Leiam-no e vejam o que se faz com a memória ferroviária brasileira.
Domingo, 13 Dezembro 2015 00:00
Cai
mais uma parte do entorno da ‘Rotunda’
FOTOS REPRODUZIDAS NESTA PÁGINA: Marilia
Muniz/Jornal Agora
Mais uma parte da memória ferroviária de Além Paraíba caiu por terra na
manhã deste domingo, dia 13 de dezembro de 2015. Uma parede lateral do entorno
da antiga Rotunda da Estrada de Ferro Leopoldina desabou, levando junto uma
parte do telhado em telhas francesas. Felizmente, o desabamento não atingiu
diretamente a rotunda (parte redonda), que é tombada pelo patrimônio histórico
municipal. A parede que desmoronou faz parte das antigas oficinas da Rede
Ferroviária Federal, no trecho reto, que há anos já vem sendo comercializado
pela igreja católica (Paróquia de São José/Diocese de Leopoldina), que está
transformando o local em imóveis comerciais, como agência de carros,
restaurantes e outros.
A parte que desabou
fica próxima à agência de veículos Max Car. Os proprietários já foram avisados
de risco de novos desmoronamentos devido às chuvas
O desmoronamento de parte da parede lateral e telhado— na Rua Dr. Sobral
Pinto, na Vila Laroca— ocorreu por volta de 10h30m deste domingo. Segundo
moradores da redondeza, o barulho que se ouviu foi semelhante a uma explosão.
Felizmente não houve vítimas. Uma mulher havia acabado de atravessar a calçada
quando os escombros caíram, mas ela não foi atingida.
O coordenador da Defesa Civil de Além Paraíba, Renato Miranda e o Secretário Municipal de Obras, Levindo Dias, estiveram no local, que foi isolado parcialmente até que a Prefeitura retirasse os escombros, os quais atingiram meia pista da Rua Dr. Sobral Pinto, próximo à agência de veículos Max Car.
A área conhecida por “Rotunda”, que integra o trecho das antigas oficinas da extinta Rede Ferroviária Federal em Além Paraíba está sob a posse da Paróquia de São José (Diocese de Leopoldina), desde o ano 2004. Na ocasião, a igreja venceu uma causa judicial contra a RFFSA e tomou posse do terreno e benfeitorias, alegando que a empresa governamental não vinha pagando os devidos aforamentos, já que a área estava sob cessão (desde o Século XIX) primeiramente à Leopoldina Railway e, na sequência, à Rede Ferroviária. Neste período, nenhuma obra de limpeza e escoramento do patrimônio histórico foi feita pelos governos que passaram por Além Paraíba, os quais sempre usaram a justificativa de que o município está impedido legalmente de fazer obra em imóvel particular. No caso, como a posse da área e benfeitorias é da Paróquia de São José, a igreja católica seria a responsável pela conservação dos imóveis ali existentes. Até mesmo a Justiça entende dessa forma. Tanto assim que, em 19 de outubro deste ano, o Juiz de Direito da 2ª Vara Cível de Além Paraíba, Dr. Cláudio Henrique Fuks, atendendo a uma ação civil proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais— representado pelo Dr. José Gustavo Guimarães da Silva, Promotor de Justiça— em defesa do patrimônio público, proferiu decisão que determina que a Paróquia de São José (igreja Católica de Além Paraíba) tome medidas urgentes que minimizem os efeitos de degradação e o risco de ruir o prédio histórico da Rotunda, que se encontra na área das extintas oficinas da RFFSA.
Recentemente, a rotunda e seu entorno vêm sendo alvo de constantes ações judiciais, já que o grupo Bahamas manifestou interesse em comprar ou alugar a área para, ali, fazer uma de suas lojas atacadistas, o “Bahamas Mix”. O presidente do grupo, Jovino Campos, chegou a enviar carta ao prefeito Fernando Lúcio Donzeles, pedindo o destombamento da área, para que ele possa derrubar o telhado redondo, já que o projeto da empresa não prevê a restauração do patrimônio histórico, mas apenas a preservação das paredes laterais. Fernando Lúcio repassou o pedido de Jovino Campos à Câmara Municipal. No último dia 3 de dezembro, a Câmara de Vereadores realizou uma audiência pública para discutir com a comunidade a questão do destombamento. Na ocasião, estiveram presentes representantes da Paróquia de São José, do grupo Bahamas, e da comunidade cultural, além do Promotor de Justiça, Dr. José Gustavo Guimarães da Silva, que falou em nome do Ministério Público. A fala do representante do MP pôs por terra todas as intenções do grupo Bahamas, Paróquia de São José e de alguns vereadores que já haviam acenado positivamente em favor do destombamento da rotunda, tanto assim que, no dia 4 de dezembro seria realizada uma reunião extraordinária para a votação pela Câmara Municipal. Tal reunião acabou sendo suspensa, devido à informação do Dr. José Gustavo Guimarães da Silva. Segundo ele, o grupo Bahamas não poderá fazer qualquer tipo de obra na área da Rotunda já que o espaço encontra-se envolvido em ações judiciais de proteção ao patrimônio histórico.
É importante ressaltar que parede e telhado que caíram na manhã deste dia 13 de dezembro não fazem parte da Rotunda (a área redonda), mas sim da área ao redor dela.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015
SAPUCAIA E O FIM DO TREM DA BAUXITA
Pátio de transbordo de bauxita em Barão de Angra, de bitola métrica da FCA para larga da MRS. Foto de Jorge Alves Ferreira (2007).
Com relação ao fechamento - que já aconteceu, em 31 de julho de 2015 e foi tema de algumas postagens neste blog no mês de julho - do Trem da Bauxita, que fazia o percurso Barão de Camargos (estação em Cataguases, MG) a Barão de Angra, RJ, por bitola estreita da velha E. F. Leopoldina, passando pelas cidades de Cataguases, Recreio, Além-Paraíba, Chiador, Sapucaia, Paraíba do Sul e Três Rios, além de bairros rurais do município de Leopoldina, recebi um comentário neste blog, enviado por um senhor de nome Aloísio, residente em Minas Gerais.
Retransmito o comentário abaixo. Notem o comentário dele sobre o pedágio em Sapucaia. Este fato é somente uma coincidência?
Nota da VLI (FCA) (primeiramente, entre aspas, a transcrição, enviada por ele, de uma notícia sobre o cancelamento do transporte da bauxita de Cataguases por trem, fato que é altamente prejudicial ao transporte por rodovias, especialmente num trecho da BR-116 e da BR-393):
“A VLI, empresa controladora da Ferrovia Centro-Atlântica, informa que o contrato de transporte de bauxita com a atual usuária do trecho entre Cataguases (MG) e Três Rios (RJ) encerrou-se em maio desse ano. Após conversas entre as ambas as partes, optou-se pela não continuidade do contrato e término do transporte do produto, o que acontecerá no mês de julho. A VLI seguirá fazendo a manutenção do trecho em questão e se mantém aberta a novas possibilidades de contrato para transporte na região. Caso não haja demanda, serão realizados estudos para avaliar a possibilidade de devolução para a União. A VLI ressalta que não estão previstas demissões em razão do término desse transporte. Oportunidades de realocação em outras localidades de atuação da empresa serão apresentadas para os empregados.”
A partir daqui, o texto de Aloísio. Tirem suas conclusões.
Mais um golpe na ferrovia. Infelizmente o Brasil não é sério e abandona o transporte mais econômico e viável que é o ferroviário, em troca do transporte rodoviário que polui que mata e que congestiona ruas e estradas.
Precisamos de ferrovias. Algo tem que ser feito para que este trecho não desapareça em breve como aconteceu com o de Cataguases a Ponte Nova e tantos outros país afora. A irresponsabilidade de nossos governantes, da ANTT, da FCA, VLI e dos órgãos que deveriam zelar pela ferrovia chega a ser nojenta. O Brasil está atolado numa crise e é hora de resgatar a ferrovia. Mas não, aqui não. No Brasil desgovernado por corruptos, o que manda são os carteis. O cartel do transporte rodoviário dá as cartas e impõe sua vontade. Chega de caminhões matando nas estradas. Países evoluídos tem o transporte ferroviário em primeiro plano. Sabemos que infelizmente o fim deste trecho entre Cataguases e Barão de Angra (o que sobrou ainda da saudosa Leopoldina em Minas e Rio) tem fim certo: erradicação!
Fica a pergunta: como será feito o transporte da bauxita extraída em Cataguases (Barão de Camargos)? Por caminhões? Pela rodovia que liga Três Rios/RJ a Além Paraíba-Leopoldina-Cataguases? Os mais de 30 vagões de bauxita serão agora substituídos por aproximadamente 60 caminhões de 3 eixos, esburacando as estradas, causando lentidão, acidentes e matando?
É muito curioso, pois recentemente um pedágio nas proximidades de Sapucaia/RJ foi inaugurado. Ora, trem não paga pedágio, mas um caminhão (aliás, 60 caminhões) paga e caro com seus mais de 3 eixos...
Está ai talvez a confirmação da força da rodovia sobre a ferrovia, pois sabemos que muitos são os “beneficiados” com as praças de pedágio, que, aliás, nada tenho contra, pois se bem usado o dinheiro deve ser revertido em obras para melhorias. Só que o Brasil não acorda para o fato de que carga média e pesada deve ser feita por FERROVIA. Devemos deixar as estradas para outras finalidades. Mera constatação do óbvio
Sobre a linha irão brotar em breve novas ruas, estradas, praças e etc. Tudo para favorecer "alguém" e mais uma vez o transporte rodoviário vence. Chega! O Brasil me dá nojo. Ferrovia é a solução, mas infelizmente parece que ninguém enxerga isso. Gente sem cultura, sem noção e sem visão é assim mesmo, troca o trem pelo caminhão.
E assim vamos indo cada dia mais para o buraco, perdendo competitividade no exterior pois não transportamos de forma correta nossa produção. Vejam os grãos, que se perdem estrada afora. Vamos perdendo nosso patrimônio duramente construído pelo povo ao longo de anos. Nossas ferrovias vão sendo aos poucos substituídas por estradas mal conservadas e mal feitas e o país se orgulha de ser um dos maiores do mundo em acidentes nas estradas.
Meus pêsames ao governo federal, à VLI (FCA) e a essa agência chamada ANTT, que mais uma vez se dobra ao domínio da rodovia.
O Brasil acabou!
Com relação ao fechamento - que já aconteceu, em 31 de julho de 2015 e foi tema de algumas postagens neste blog no mês de julho - do Trem da Bauxita, que fazia o percurso Barão de Camargos (estação em Cataguases, MG) a Barão de Angra, RJ, por bitola estreita da velha E. F. Leopoldina, passando pelas cidades de Cataguases, Recreio, Além-Paraíba, Chiador, Sapucaia, Paraíba do Sul e Três Rios, além de bairros rurais do município de Leopoldina, recebi um comentário neste blog, enviado por um senhor de nome Aloísio, residente em Minas Gerais.
Retransmito o comentário abaixo. Notem o comentário dele sobre o pedágio em Sapucaia. Este fato é somente uma coincidência?
Nota da VLI (FCA) (primeiramente, entre aspas, a transcrição, enviada por ele, de uma notícia sobre o cancelamento do transporte da bauxita de Cataguases por trem, fato que é altamente prejudicial ao transporte por rodovias, especialmente num trecho da BR-116 e da BR-393):
“A VLI, empresa controladora da Ferrovia Centro-Atlântica, informa que o contrato de transporte de bauxita com a atual usuária do trecho entre Cataguases (MG) e Três Rios (RJ) encerrou-se em maio desse ano. Após conversas entre as ambas as partes, optou-se pela não continuidade do contrato e término do transporte do produto, o que acontecerá no mês de julho. A VLI seguirá fazendo a manutenção do trecho em questão e se mantém aberta a novas possibilidades de contrato para transporte na região. Caso não haja demanda, serão realizados estudos para avaliar a possibilidade de devolução para a União. A VLI ressalta que não estão previstas demissões em razão do término desse transporte. Oportunidades de realocação em outras localidades de atuação da empresa serão apresentadas para os empregados.”
A partir daqui, o texto de Aloísio. Tirem suas conclusões.
Mais um golpe na ferrovia. Infelizmente o Brasil não é sério e abandona o transporte mais econômico e viável que é o ferroviário, em troca do transporte rodoviário que polui que mata e que congestiona ruas e estradas.
Precisamos de ferrovias. Algo tem que ser feito para que este trecho não desapareça em breve como aconteceu com o de Cataguases a Ponte Nova e tantos outros país afora. A irresponsabilidade de nossos governantes, da ANTT, da FCA, VLI e dos órgãos que deveriam zelar pela ferrovia chega a ser nojenta. O Brasil está atolado numa crise e é hora de resgatar a ferrovia. Mas não, aqui não. No Brasil desgovernado por corruptos, o que manda são os carteis. O cartel do transporte rodoviário dá as cartas e impõe sua vontade. Chega de caminhões matando nas estradas. Países evoluídos tem o transporte ferroviário em primeiro plano. Sabemos que infelizmente o fim deste trecho entre Cataguases e Barão de Angra (o que sobrou ainda da saudosa Leopoldina em Minas e Rio) tem fim certo: erradicação!
Fica a pergunta: como será feito o transporte da bauxita extraída em Cataguases (Barão de Camargos)? Por caminhões? Pela rodovia que liga Três Rios/RJ a Além Paraíba-Leopoldina-Cataguases? Os mais de 30 vagões de bauxita serão agora substituídos por aproximadamente 60 caminhões de 3 eixos, esburacando as estradas, causando lentidão, acidentes e matando?
É muito curioso, pois recentemente um pedágio nas proximidades de Sapucaia/RJ foi inaugurado. Ora, trem não paga pedágio, mas um caminhão (aliás, 60 caminhões) paga e caro com seus mais de 3 eixos...
Está ai talvez a confirmação da força da rodovia sobre a ferrovia, pois sabemos que muitos são os “beneficiados” com as praças de pedágio, que, aliás, nada tenho contra, pois se bem usado o dinheiro deve ser revertido em obras para melhorias. Só que o Brasil não acorda para o fato de que carga média e pesada deve ser feita por FERROVIA. Devemos deixar as estradas para outras finalidades. Mera constatação do óbvio
Sobre a linha irão brotar em breve novas ruas, estradas, praças e etc. Tudo para favorecer "alguém" e mais uma vez o transporte rodoviário vence. Chega! O Brasil me dá nojo. Ferrovia é a solução, mas infelizmente parece que ninguém enxerga isso. Gente sem cultura, sem noção e sem visão é assim mesmo, troca o trem pelo caminhão.
E assim vamos indo cada dia mais para o buraco, perdendo competitividade no exterior pois não transportamos de forma correta nossa produção. Vejam os grãos, que se perdem estrada afora. Vamos perdendo nosso patrimônio duramente construído pelo povo ao longo de anos. Nossas ferrovias vão sendo aos poucos substituídas por estradas mal conservadas e mal feitas e o país se orgulha de ser um dos maiores do mundo em acidentes nas estradas.
Meus pêsames ao governo federal, à VLI (FCA) e a essa agência chamada ANTT, que mais uma vez se dobra ao domínio da rodovia.
O Brasil acabou!
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BR-393,
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Trem da Bauxita
sábado, 25 de julho de 2015
A ROTA DA BAUXITA ACABOU. E AGORA?
Acima, Cataguases, Recreio, Leopoldina, Volta Grande e Além Paraíba. A linha que faz a rota da bauxita corre ao longo da BR-393, depois, em Volta Grande, passa a correr ao lado da rodovia MG-454, depois cruza a BR-116 e vai no sentido de Cataguazes, entrando e saindo do município de Leopoldina (cuja figura em vermelho não mostra o município, mas apenas o distrito da sede). Infelizmente a escala deste mapa não permite ver o traçado da linha férrea. (Google Maps)
Este artigo poderia se chamar, também, LEOPOLDINA E A LEOPOLDINA.
Bem, depois de cerca de seis meses de rumores, a rota da bauxita - agora é oficial - vai acabar no próximo dia 31 de julho, ou seja, a menos de uma semana de hoje.
E agora, qual vai ser a desculpa da prefeitura de Leopoldina, MG, para não colocar ali nessa linha (que rapidamente vai ser abandonada e ter os trilhos arrancados, seja pelo próprio dono deles - a União - como pelos sucateiros de plantão, que não precisam de autorização governamental?) um trem de passageiros, um trem metropolitano, um Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) em vez de construir uma avenida? (Não que a Prefeitura dessa cidade tenha afirmado isso, mas uma lâmpada costuma acender para os prefeitos aqui da terrinha quando uma linha férrea é abandonada, que adoram construir avenidas e pensam que trens são trambolhos que já deram que tinham o que dar no século XIX)
Recreio - uma paisagem pitoresca que vai acabar em poucos dias, bem como o movimento das oficinas da linha, dentro desta cidade. (Foto recebida de terceiros; autor desconhecido)
Bom, avenida ela não vai construir, porque a linha hoje passa pela zona rural do município e a prefeitura não terá ali uma avenida para os munícipes "admirarem". Aliás, uma estrada de terra passa ao longo dos trilhos entre Recreio (que não pertence ao município de Leopoldina) e Volta Grande (que também tem seu próprio município). Se a prefeitura de Leopoldina até hoje não asfaltou essa estrada entre as suas divisas com Recreio e com Volta Grande, é porque ela simplesmente não quis. Os ônibus que servem aos bairros rurais que têm quatro velhas estações - de Recreio para Além Paraíba, as estações de Abaíba, São Martinho, Providência e Trimonte, esta já no município de Volta Grande.
Depois desta última, as estações são: Volta Grande, Fernando Lobo (já em Além Paraíba), Melo Barreto e Além Paraíba.
Há três velhas estações da Leopoldina (aqui, falo da antiga ferrovia, não da cidade) em solo leopoldinense (aqui, o adjetivo refere-se à cidade de Leopoldina), em cerca de vinte quilômetros de trilhos em solo do município. Passando a cidade de Recreio, a linha volta a ficar em solo leopoldinense por mais três estações, também por mais aproximadamente vinte quilômetros (estações de Ribeiro Junqueira, um posto telegráfico sem nome e a estação de Vista Alegre, que era de onde saía a linha da Leopoldina para Leopoldina (da ferrovia para o centro da cidade) entre 1877 e 1964).
Da última estação, Vista Alegre, ela segue para a cidade de Cataguases, passando por mais uma estação antes de chegar à estação central deste último município. E, desta, ainda segue mais além, bem mais além, passando por Barão de Camargos e outra estações menores até chegar a Ubá, seguindo dali para Ponte Nova e para Caratinga.
Porém, prestemos atenção: para lá de Barão de Camargos, muito mato e terra sobre a linha e trechos de linha roubado. Afinal, desde 1997, apesar de ter sido privatizada também, a linha jamais interessou e portanto não foi utilizada pela FCA, atual concessionária; podem chamá-la de VL! (o ponto de interrogação está correto, não é falha de datilografia), se preferirem, seu novo nome já há algum tempo.
Enfim: o que para mim seria razoável restaurar uma linha de passageiros, com trens novos, entre as estações de Cataguazes e de Além Paraíba, que, aliás, é o primeiro município na fronteira sul do de Leopoldina.
Esta linha era parte da chamada Linha do Centro da E. F. Leopoldina. Na verdade, a última que sobrava em tráfego dentro do Estado de Minas Gerais, dentre outras linhas da mesmoa ferrovia e que já foram abandonadas há pelo menos quinze anos (algumas, desde os anos 1960 e 70, tiveram os trilhos retirados ainda dentro do período da RFFSA).
Para começar este empreendimento, o primeiro passo a ser dado seria uma reunião dos prefeitos de Cataguazes, Recreio, Leopoldina, Volta Grande e Além Paraíba. Aqui no Brasil, isso não é fácil. A reunião sim, já decisões conjuntas... Somente após eles quererem o trem, poder-se-ia então pedir isso à União. Isso, se até lá, a linha já não houver sido arrancada. Aí, vem aquelas coisas: licitações, licenças ambientais (como se uma linha que está ali desde 1877 e que funcionou até hoje devesse ter uma licença ambiental para trocar o tipo de trem que a percorre - mas, aqui, sabemos, é Brasil). E isso pode tomar anos. Para se evitar o desgaste, invasão, roubo de trilhos, etc. , o correto seria colocar o mais rápido possível um trem provisório na linha, com carros reformados e uma locomotiva a diesel.
Para se conseguir isto, é necessário ter ao mínimo uma coisa chamada vontade política. Terão estes senhores a vontade política para usar esta linha em prol de sua população?
Finalmente, um esclarecimento. Primeiro, escrevi há três anos um artigo falando desta região e sobre o trem da bauxita, que pode ser lido aqui: As viúvas da Leopoldina. Segundo, sei que há muitos conhecidos meus e que estão no mesmo barco que eu, ou seja, que gostam do assunto trens brasileiros, que discordam de minhas posições com relação à volta dos trens de passageiros.
Porém, eu insisto no assunto e martelo sempre a mesma coisa, porque basicamente acho que a situação hoje para as ferrovias é bastante diferente do que era nos anos 1960 e 1970, quando uma série de linhas brasileiras foram abandonadas pelo trens de passageiros (e até de cargas), sob uma óptica de que trens eram ultrapassados - conceito em que, até hoje, muitos dirigentes acreditam - ao mesmo tempo em que se baseavam em ferrovias que estavam, em grande parte, já obsoletas. Eu creio que hoje temos uma situação diferente, em que, acreditando nelas, teremos resultados bem diferente para as estradas de ferro no Brasil. Há que se renovar.
Quando penso em trens de passageiros, não penso nos trens R da Paulista nem nas porcarias que ainda transportavam passageiros em ramais pequenos ou em ferrovias do Nordeste. Penso em trens e linhas novas e sempre tendo em mente que este é uma medida necessária, como alternativa para ônibus, carros particulares e aviões e que, sem ser uma fábrica de gerar lucros, não precisa ser deficitária.
Este artigo poderia se chamar, também, LEOPOLDINA E A LEOPOLDINA.
Bem, depois de cerca de seis meses de rumores, a rota da bauxita - agora é oficial - vai acabar no próximo dia 31 de julho, ou seja, a menos de uma semana de hoje.
E agora, qual vai ser a desculpa da prefeitura de Leopoldina, MG, para não colocar ali nessa linha (que rapidamente vai ser abandonada e ter os trilhos arrancados, seja pelo próprio dono deles - a União - como pelos sucateiros de plantão, que não precisam de autorização governamental?) um trem de passageiros, um trem metropolitano, um Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) em vez de construir uma avenida? (Não que a Prefeitura dessa cidade tenha afirmado isso, mas uma lâmpada costuma acender para os prefeitos aqui da terrinha quando uma linha férrea é abandonada, que adoram construir avenidas e pensam que trens são trambolhos que já deram que tinham o que dar no século XIX)
Recreio - uma paisagem pitoresca que vai acabar em poucos dias, bem como o movimento das oficinas da linha, dentro desta cidade. (Foto recebida de terceiros; autor desconhecido)
Bom, avenida ela não vai construir, porque a linha hoje passa pela zona rural do município e a prefeitura não terá ali uma avenida para os munícipes "admirarem". Aliás, uma estrada de terra passa ao longo dos trilhos entre Recreio (que não pertence ao município de Leopoldina) e Volta Grande (que também tem seu próprio município). Se a prefeitura de Leopoldina até hoje não asfaltou essa estrada entre as suas divisas com Recreio e com Volta Grande, é porque ela simplesmente não quis. Os ônibus que servem aos bairros rurais que têm quatro velhas estações - de Recreio para Além Paraíba, as estações de Abaíba, São Martinho, Providência e Trimonte, esta já no município de Volta Grande.
Depois desta última, as estações são: Volta Grande, Fernando Lobo (já em Além Paraíba), Melo Barreto e Além Paraíba.
Há três velhas estações da Leopoldina (aqui, falo da antiga ferrovia, não da cidade) em solo leopoldinense (aqui, o adjetivo refere-se à cidade de Leopoldina), em cerca de vinte quilômetros de trilhos em solo do município. Passando a cidade de Recreio, a linha volta a ficar em solo leopoldinense por mais três estações, também por mais aproximadamente vinte quilômetros (estações de Ribeiro Junqueira, um posto telegráfico sem nome e a estação de Vista Alegre, que era de onde saía a linha da Leopoldina para Leopoldina (da ferrovia para o centro da cidade) entre 1877 e 1964).
Da última estação, Vista Alegre, ela segue para a cidade de Cataguases, passando por mais uma estação antes de chegar à estação central deste último município. E, desta, ainda segue mais além, bem mais além, passando por Barão de Camargos e outra estações menores até chegar a Ubá, seguindo dali para Ponte Nova e para Caratinga.
Porém, prestemos atenção: para lá de Barão de Camargos, muito mato e terra sobre a linha e trechos de linha roubado. Afinal, desde 1997, apesar de ter sido privatizada também, a linha jamais interessou e portanto não foi utilizada pela FCA, atual concessionária; podem chamá-la de VL! (o ponto de interrogação está correto, não é falha de datilografia), se preferirem, seu novo nome já há algum tempo.
Enfim: o que para mim seria razoável restaurar uma linha de passageiros, com trens novos, entre as estações de Cataguazes e de Além Paraíba, que, aliás, é o primeiro município na fronteira sul do de Leopoldina.
Esta linha era parte da chamada Linha do Centro da E. F. Leopoldina. Na verdade, a última que sobrava em tráfego dentro do Estado de Minas Gerais, dentre outras linhas da mesmoa ferrovia e que já foram abandonadas há pelo menos quinze anos (algumas, desde os anos 1960 e 70, tiveram os trilhos retirados ainda dentro do período da RFFSA).
Para começar este empreendimento, o primeiro passo a ser dado seria uma reunião dos prefeitos de Cataguazes, Recreio, Leopoldina, Volta Grande e Além Paraíba. Aqui no Brasil, isso não é fácil. A reunião sim, já decisões conjuntas... Somente após eles quererem o trem, poder-se-ia então pedir isso à União. Isso, se até lá, a linha já não houver sido arrancada. Aí, vem aquelas coisas: licitações, licenças ambientais (como se uma linha que está ali desde 1877 e que funcionou até hoje devesse ter uma licença ambiental para trocar o tipo de trem que a percorre - mas, aqui, sabemos, é Brasil). E isso pode tomar anos. Para se evitar o desgaste, invasão, roubo de trilhos, etc. , o correto seria colocar o mais rápido possível um trem provisório na linha, com carros reformados e uma locomotiva a diesel.
Para se conseguir isto, é necessário ter ao mínimo uma coisa chamada vontade política. Terão estes senhores a vontade política para usar esta linha em prol de sua população?
Finalmente, um esclarecimento. Primeiro, escrevi há três anos um artigo falando desta região e sobre o trem da bauxita, que pode ser lido aqui: As viúvas da Leopoldina. Segundo, sei que há muitos conhecidos meus e que estão no mesmo barco que eu, ou seja, que gostam do assunto trens brasileiros, que discordam de minhas posições com relação à volta dos trens de passageiros.
Porém, eu insisto no assunto e martelo sempre a mesma coisa, porque basicamente acho que a situação hoje para as ferrovias é bastante diferente do que era nos anos 1960 e 1970, quando uma série de linhas brasileiras foram abandonadas pelo trens de passageiros (e até de cargas), sob uma óptica de que trens eram ultrapassados - conceito em que, até hoje, muitos dirigentes acreditam - ao mesmo tempo em que se baseavam em ferrovias que estavam, em grande parte, já obsoletas. Eu creio que hoje temos uma situação diferente, em que, acreditando nelas, teremos resultados bem diferente para as estradas de ferro no Brasil. Há que se renovar.
Quando penso em trens de passageiros, não penso nos trens R da Paulista nem nas porcarias que ainda transportavam passageiros em ramais pequenos ou em ferrovias do Nordeste. Penso em trens e linhas novas e sempre tendo em mente que este é uma medida necessária, como alternativa para ônibus, carros particulares e aviões e que, sem ser uma fábrica de gerar lucros, não precisa ser deficitária.
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sexta-feira, 24 de julho de 2015
O GOVERNO (DIZ QUE) QUER DAR LINHAS FÉRREAS EM CONCESSÃO, MAS...
O trem de bauxita em Além Paraíba, foto minha em 2012
Leiam as três notícias abaixo.
Vocês acham que, com notícias como esta, algum empresário quer ter uma concessão neste país?
Na primeira delas, "cem motivos" para você não comprar uma concessão.
Na segunda, tudo é indecisão (dos donos das linhas, o Governo).
Na terceira, prefeituras e ANTT fazem tudo para reduzir velocidades de comboios cargueiros (fora que as velocidades já são baixas por causa do estado das linhas, da grita das cidades contra "o trem perigoso e barulhento", como se caminhões e ônibus nas avenidas também não os fossem, e das favelas pegadas às linhas, que somente o governo pode retirar e nunca o faz), travando os horários e tempos de escoamento de safras e de minérios (que são praticamente as únicas coisas que o Brasil transporta por ferrovias atualmente).
Enquanto isso, trens cargueiros vão desaparecendo... o último foi anunciado nestes dias, o trem de bauxita que corria pela antiga Linha do Centro da Leopoldina e por um trecho da velha Linha Auxiliar da Central.
A ANTT também notificou a concessionária MRS Logística, responsável pelo trecho onde se deu o acidente, para que realize estudo sobre a necessidade de restrição da velocidade máxima autorizada, bem como de adequações operacionais que possam minimizar os riscos de novas colisões. A MRS tem 90 dias para apresentar a análise à autarquia, sob pena de abertura de processo administrativo.
Leiam as três notícias abaixo.
Vocês acham que, com notícias como esta, algum empresário quer ter uma concessão neste país?
Na primeira delas, "cem motivos" para você não comprar uma concessão.
Na segunda, tudo é indecisão (dos donos das linhas, o Governo).
Na terceira, prefeituras e ANTT fazem tudo para reduzir velocidades de comboios cargueiros (fora que as velocidades já são baixas por causa do estado das linhas, da grita das cidades contra "o trem perigoso e barulhento", como se caminhões e ônibus nas avenidas também não os fossem, e das favelas pegadas às linhas, que somente o governo pode retirar e nunca o faz), travando os horários e tempos de escoamento de safras e de minérios (que são praticamente as únicas coisas que o Brasil transporta por ferrovias atualmente).
Enquanto isso, trens cargueiros vão desaparecendo... o último foi anunciado nestes dias, o trem de bauxita que corria pela antiga Linha do Centro da Leopoldina e por um trecho da velha Linha Auxiliar da Central.
Pouca
gente com vontade de entrar no barco
20/07/2015 - Estado de S. Paulo
Com a economia brasileira em franca desaceleração - projeta-se
redução de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano - e os empresários do
País mais preocupados em sobreviver do que em crescer, a presidente Dilma
Rousseff vem se esforçando para atrair investimentos estrangeiros. “Virei uma
espécie de caixeiro-viajante”, disse ela recentemente, entre uma viagem aos
Estados Unidos e outra à Itália.
Os artigos que Dilma tem a oferecer são concessões para a
realização de melhorias em importantes itens de infraestrutura (assim como para
sua administração), incluindo aeroportos, portos, ferrovias e estradas. A
esperança da presidente é atrair R$ 198 bilhões (US$ 69 bilhões) no total, sendo
R$ 70 bilhões até o fim de seu mandato, em 2018.
A infraestrutura brasileira é precária e ruim. O Fórum Econômico
Mundial coloca o Brasil na 120.ª posição, num ranking de 144 países, no quesito
qualidade. As estradas e os aeroportos encontram-se em estado particularmente
deplorável. A extensão da malha ferroviária não chega a um oitavo da existente
nos EUA, país que se compara em tamanho ao Brasil. Com um déficit fiscal
elevado e alto custo de endividamento, o governo brasileiro não está em
condições de ampliar os próprios investimentos. Por isso, Dilma deixou de lado
os instintos esquerdistas e se pôs a cortejar o investimento privado.
Entre os investidores, tanto interna como externamente, o ceticismo
é palpável. O apetite dos estrangeiros por ativos brasileiros é cada vez menor:
o investimento estrangeiro direto (IED), que nos primeiros cinco meses de 2014
foi de US$ 39,3 bilhões, caiu para US$ 25,5 bilhões este ano. E isso não
obstante o enfraquecimento do real, que entre janeiro e julho de 2015 sofreu
desvalorização de 20% ante o dólar, tornando os ativos brasileiros mais baratos
para os estrangeiros. Alberto Ramos, do banco de investimentos Goldman Sachs,
calcula que o IED chegará a apenas US$ 55 bilhões este ano, pouco mais da
metade do total registrado no ano passado.
Há sete trimestres consecutivos vêm caindo os investimentos na
economia, que representam só 19,7% do PIB brasileiro - bem abaixo do nível
observado em outras grandes economias emergentes. Segundo Carlos Rocca, da
escola de administração Ibmec, entre 2010 e 2014 os lucros das empresas não
financeiras recuaram de aproximadamente 5,4% para apenas 1,4% do PIB,
pressionados sobretudo pela elevação dos custos com mão de obra. Acrescente-se
o efeito recessivo da elevação dos juros e dos cortes nos gastos públicos -
necessários para equilibrar o orçamento e evitar um desastroso rebaixamento na
avaliação de crédito do país - e “é difícil ver de que maneira o investimento
vai aumentar”, diz Daniel Leichsenring, do fundo de hedge Verde, de São Paulo.
Da última vez que tentou seduzir o setor privado com concessões, em
2012, o governo brasileiro obteve somente 20% dos R$ 210 bilhões que esperava
arrecadar, e isso só depois de Dilma desistir de tentar controlar as taxas de
retorno. O pior é que as oportunidades mais atraentes, como a operação dos
aeroportos internacionais de São Paulo e do Rio de Janeiro, foram leiloadas
naquela ocasião.
O governo brasileiro não deve ter muito trabalho para encontrar
interessados nas estradas e aeroportos de cidades de médio porte. A maior parte
já está construída e gera receitas, mas precisa ser expandida e administrada
com maior eficiência. Depois de quase dois anos de deliberações, o Tribunal de
Contas da União (TCU) finalmente aprovou a venda de terminais de carga em portos
estatais. Os primeiros leilões devem acontecer ainda este ano.
Mas, como antes, metade dos investimentos esperados se concentra
nas ferrovias. Os planos parecem suspeitos - especialmente um projeto de R$ 40
bilhões que pretende ligar o Brasil ao Pacífico através do Peru, a ser
parcialmente financiado com dinheiro chinês. O fato de que muitas grandes
empreiteiras brasileiras façam parte de conglomerados envolvidos no escândalo
de corrupção que atingiu a Petrobrás não ajuda muito.
Além do mais, para o Brasil, o aperfeiçoamento da infraestrutura
está longe de ser a cura de todos os males. Como observa Dani Rodrik, da
Universidade de Harvard, um país em que o setor de serviços responde por mais
de 70% do PIB não deve imaginar que essas obras impulsionarão o crescimento
como o fariam em países mais industrializados.
Para aumentar a produtividade e promover o crescimento no futuro, o
Brasil precisa de melhores escolas, um sistema tributário mais simples e menos
burocracia, e não apenas mais estradas. Até agora, o governo de Dilma Rousseff
não enfrentou nenhuma dessas questões. Enquanto não o fizer, vai continuar
sendo difícil vender o Brasil - seja dentro ou fora de casa.
Receitas
com concessões devem frustrar governo em 2015
20/07/2015 - Valor Econômico
O governo deve arrecadar neste ano valor bem abaixo dos R$ 18
bilhões originalmente esperados com o item "concessões", que engloba
desde leilões de infraestrutura e petróleo até a planejada transferência da
administração das loterias para a iniciativa privada. A frustração, que deve
ocorrer principalmente devido ao baixo número de lançamento de projetos neste
ano, vai dificultar ainda mais o cumprimento da meta de superávit primário ¬
atualmente em 1,1% do PIB (R$ 55,3 bilhões).
A Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira (COFF) da
Câmara dos Deputados, em nota técnica, afirma que a receita com concessões
chegará a, no máximo, R$ 8,2 bilhões (menos da metade do previsto). A
expectativa da COFF leva em conta principalmente um provável adiamento de leilões
de petróleo, que garantiriam, ao todo, ao menos R$ 7 bilhões em receitas nas
contas do governo. "As razões para o adiamento são o viés de baixa da
cotação internacional do barril de petróleo e sua volatilidade, que reduziriam
os ganhos em potencial da União, assim como as dificuldades da estatal, em fase
de redução dos planos de investimento, de atender ao modelo que determina sua
entrada como operadora e investidora em todos os blocos com participação mínima
de 30%", afirma a nota.
Além disso, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) fixou o preço
mínimo das áreas da próxima rodada de licitação em R$ 990 milhões ¬ menos da
metade do previsto pelo Ministério de Minas e Energia. O mercado acha muito
difícil que haja ágios relevantes.
O governo conta com a contribuição de outros itens para as receitas
de concessões. O secretário do Tesouro, Marcelo Saintive, chegou a afirmar que
a equipe econômica ainda estava contando com "vários projetos [de
concessões] que podem ocorrer em 2015". Em logística, por exemplo, estão
sendo preparadas licitações em quatro modais: rodovias, ferrovias, portos e
aeroportos.
Os problemas para a contribuição ao superávit já começam pelo
modelo de leilão. As estradas, que costumam ter processo de concessão mais
célere, não trarão benefícios ao caixa do Tesouro. Elas serão licitadas não
pelo critério de maior outorga (valor pago pelo vencedor do leilão ao governo),
mas pelo de menor tarifa (ganha quem oferecer a menor cobrança de pedágio).
Também não podem entrar nas contas de 2015 os aeroportos a serem
concedidos (Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza). Apesar de
geralmente proporcionarem volume grande de outorga, os terminais têm previsão
de leilão somente a partir de 2016. No caso das ferrovias, o governo queria um
leilão ainda neste ano, mas não há mais tempo. Na Agência Nacional de
Transportes Terrestres (ANTT), os técnicos trabalham para começar as licitações
em 2016, ou seja, sem impacto nas contas deste ano.
Por isso, se o governo quiser contar com ativos de infraestrutura para
as contas de 2015, só restariam os terminais portuários. O problema é destravar
esses leilões, que estão desde 2012 na agenda e até agora não saíram do papel.
Entre o empresariado, a percepção é que, além da letargia do governo, outro
entrave é o custo para financiar os investimentos ¬ considerado alto no cenário
atual.
Procurada, a assessoria de imprensa do Tesouro Nacional informou
que ainda não há um detalhamento sobre quanto o governo espera arrecadar neste
ano com os leilões de infraestrutura, pelo fato de essas estimativas
"ainda estarem sendo estruturadas".
Além das licitações em logística e petróleo, o governo divulgou que
espera ter receitas com a concessão ao setor privado da operação das loterias
instantâneas, o que estava programado para ocorrer em julho (neste caso, não há
expectativa oficial de receita divulgada). Mas técnicos do governo têm dito que
os estudos sobre as loterias ainda estão em etapas iniciais.
Fábio Klein, economista da Tendências Consultoria Integrada,
acredita que alcançar R$ 18 bilhões em concessões é uma meta pouco factível.
"Estamos em um ambiente ruim [para investimentos]. Então não dá para
contar muito com essa receita", afirma.
Bráulio Borges, economista¬chefe da LCA, afirma que, considerando o
ritmo de arrecadação neste ano, o governo chegaria em dezembro com apenas R$
9,3 bilhões em concessões em 2015 (cerca de metade do previsto). Para alcançar
R$ 18 bilhões, o governo, segundo ele, teria que tomar medidas adicionais, como
novos leilões. Nos cálculos de Borges, o governo tem a possibilidade de chegar,
no total, a R$ 40 bilhões em superávit (contra a meta de R$ 55 bilhões).
ANTT
estuda reduzir velocidade em ferrovia de Cubatão
20/07/2015 - Diário do Litoral
Após recomendação do Ministério Público Federal em Santos, a
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciou estudos para a
redução da velocidade máxima autorizada no trecho de linha férrea onde duas
locomotivas colidiram, em 31 de outubro do ano passado, em frente ao bairro
Vila São José, em Cubatão. O objetivo da medida sugerida pelo MPF é garantir a
segurança do transporte ferroviário. A autarquia tem 180 dias para concluir a
análise e apresentar parecer conclusivo sobre a necessidade e a viabilidade das
mudanças.
Por conta do acidente, a agência já determinou a implantação de
restrição permanente de 30 quilômetros por hora no perímetro urbano de Cubatão
e proibiu que mais de um trem trafeguem no mesmo sentido em uma seção de
bloqueio do trecho, de modo a impossibilitar que ocorra nova colisão.
A ANTT também notificou a concessionária MRS Logística, responsável pelo trecho onde se deu o acidente, para que realize estudo sobre a necessidade de restrição da velocidade máxima autorizada, bem como de adequações operacionais que possam minimizar os riscos de novas colisões. A MRS tem 90 dias para apresentar a análise à autarquia, sob pena de abertura de processo administrativo.
Colisão
O acidente envolveu duas locomotivas da América Latina Logística
(ALL) e ocasionou o descarrilamento de quatro vagões, que carregavam cerca de
80 toneladas de milho e açúcar. Uma das composições colidiu na traseira da
outra, que estava estacionada no mesmo ramal. O choque também provocou o
derramamento de cinco mil a nove mil litros de óleos diesel e hidráulico que
estavam nos tanques de abastecimento das locomotivas.
Segundo relatório da comissão de investigação, antes da colisão, a composição que trafegava pela via férrea chegou a 34 quilômetros por hora. Porém, a velocidade no trecho não deveria exceder os 25 quilômetros por hora, devido à eventual parada junto a outro trem.
Segundo relatório da comissão de investigação, antes da colisão, a composição que trafegava pela via férrea chegou a 34 quilômetros por hora. Porém, a velocidade no trecho não deveria exceder os 25 quilômetros por hora, devido à eventual parada junto a outro trem.
Além das medidas sugeridas à ANTT, o procurador da República Thiago
Lacerda Nobre recomendou à ALL e à MRS Logística S.A. que realizassem avaliação
e atualização de seus maquinistas e controladores de tráfego quanto às normas a
serem seguidas nos casos em que é preciso reduzir a velocidade dos trens. As
duas concessionárias ainda não responderam à Procuradoria. Caso não acatem a
recomendação, o MPF irá avaliar as medidas judiciais e/ou extrajudiciais que
serão tomadas.
Procurada pela Reportagem, a MRS garante que está em contato tanto
com o MPF quanto com a ANTT a respeito destas demandas, trabalhando no tema,
para prestar as informações e esclarecimentos aos órgãos.
“O que podemos informar de antemão, sem prejuízo às demandas do MP,
é que os processos da MRS de treinamento e atualização de controladores e
maquinistas incluem, há vários anos, além de módulos teóricos muito robustos,
práticas de simulação (inclusive de condução de trens, num simulador próprio),
auditorias, programas de observação de tarefas e períodos de operação
supervisionada, entre outros elementos”, afirma. Já a ALL se limitou a dizer
que “a concessionária reforça que cumpre todas as normas estipuladas pela
agência reguladora”.
Transnordestina
entra em etapa de entregas sob pressão da ANTT
20/07/2015 - Valor Econômico
Em obras desde 2006, a ferrovia Transnordestina está prestes a
entrar na aguardada fase das entregas. O cronograma definido no contrato de
concessão prevê entregas de lotes em quase todos os meses entre agosto de 2015
e janeiro de 2017, prazo marcado para a conclusão das obras da estrada de
ferro. Dona do projeto, a Transnordestina Logística SA (TLSA) deveria ter
entregue até agora seis lotes de obras, mas isso não aconteceu. A empresa,
controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), está respondendo a
processos administrativos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT),
que apura o descumprimento dos prazos contratuais.
De acordo com o diretor responsável pela área de ferrovias da ANTT,
Carlos Fernando do Nascimento, os processos visam o esclarecimento de fatos
que, "em tese, descaracterizam a efetiva entrega dos lotes". A ANTT
já confirmou ao Valor atrasos anteriores na obra da ferrovia, mas agora tem
preferido a cautela. Ainda assim, a autarquia não confirma a entrega de nenhum
trecho da Transnordestina.
Nascimento explica que o processo de homologação da entrega é
complexo. Quando a concessionária conclui o trecho, o poder concedente tem de
checar a conformidade técnica dos trabalhos. Quando a obra não é entregue,
debruçase sobre as motivações da empresa para o atraso.
A olho nu, porém, a avaliação é bem mais simples. Chefe de gabinete
da Prefeitura de Aurora, município do sertão cearense, Sebastião Rangel garante
que estão longe de serem concluídos os dois trechos que ligam seu município às
vizinhas Ingazeira e Lavras. As obras, que fazem parte do corredor entre a
cidade de Missão Velha e o porto do Pecém, em Fortaleza, deveriam ter sido
entregues, respectivamente, em abril e junho deste ano.
"Há uma escola no caminho da ferrovia que terá de ser
derrubada, mas ainda está funcionando normalmente", disse Rangel. Também
junho, deveria ter sido entregue um lote da Transnordestina entre a cidade de
Araripina, em Pernambuco, e a divisa com o Piauí. A ANTT ainda está avaliando
se a obra ficou pronta.
"A manifestação desta ANTT quanto ao cumprimento dos prazos
depende do resultado de processo administrativo nos termos da legislação
vigente, garantindo o direito à ampla defesa e contraditório. Desta forma, não
se pode afirmar, neste momento, que houve descumprimento dos prazos, tendo em
vista que o processo administrativo encontra¬se em curso", alegou a
autarquia.
Somente neste ano, estão previstas no contrato as entregas de sete
lotes de ferrovia, que somam centenas de quilômetros de trilhos. O estágio
atual das obras não indica que a meta será cumprida, apesar da cautela
demonstrada pela agência reguladora da ferrovia. Em janeiro, deste ano,
entretanto, a ANTT já havia informado ao Valor a identificação de atrasos nas
obras. A falta de mão de obra suficiente para a fiscalização pode ajudar a
explicar a demora na checagem dos trabalhos da Transnordestina, mas a ANTT não
confirma. A agência aguarda uma posição do Ministério do Planejamento para um
pedido de contratação de 670 novos servidores.
A verdade é que a relação entre concessionária e poder concedente
melhorou substancialmente desde que o ex¬ministro e ex¬governador do Ceará Ciro
Gomes foi contratado pela CSN para cuidar da Transnordestina. Segundo relatos,
ele tem acompanhado pessoalmente o andamento do projeto, tanto participando de
reuniões em Brasília quanto visitando o campo de obras da ferrovia.
Com 1.753 quilômetros de extensão, a Transnordestina vai ligar o
município de Eliseu Martins, no sertão do Piauí, aos portos de Suape, em
Pernambuco, e Pecém, no Ceará. Após alguns aditivos, a obra está orçada
atualmente em R$ 7,5 bilhões, mas dentro da própria TLSA há quem diga que a
estrada de ferro não sai por menos de R$ 11 bilhões. O projeto é praticamente
todo financiado com recursos públicos, principalmente fundos regionais de
desenvolvimento e financiamentos do BNDES. A TLSA foi procurada, mas se negou a
apresentar qualquer informação.
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domingo, 7 de junho de 2015
A LEOPOLDINA NA ÉPOCA DA VENDA PARA OS INGLESES - 1897
O mapa acima foi-me enviado hoje como sendo de 1903. Porém, realmente, não pode ser.
Conferi as linhas e ele, quase certamente, é de 1896/7, portanto, poucos anos antes da venda da então falida Leopoldina para a empresa inglesa que criou a Leopoldina Railway - o que ocorreu em 1897. O fato de o nome Leopoldina Railway - ou L. R. - não aparecer no mapa pode significar que a venda não havia ainda sido efetuada.
A data foi determinada por mim em 1896/97 pelas linhas que estão desenhadas no mapa. A única dúvida é o fato de não aparecer nesse mapa a estação de Alberto Torres, que era a estação seguinte a Areal e, segundo a documentação, foi aberta no mesmo dia que Areal, na linha que mais tarde continuaria até Três Rios (Entre-Rios, no mapa).
Aliás, a falta de ligação entre Areal e Três Rios, que somente foi completada em 1900, fazia com que a chamada Linha do Norte, ou seja, a que ligava o Rio de Janeiro (em Praia Formosa) a Petrópolis, fosse uma linha isolada de todas as outras linhas, tanto da Leopoldina como de outras empresas, como a da Central do Brasil.
Portanto, quem quisesse viajar do Rio de Janeiro à Zona da Mata mineira, indo, por exemplo, a Ubá (mostrada neste mapa como Ubaense) ou a Ponte Nova, precisava seguir por outros caminhos (ver mapa).
Um seria ir a Porto Novo do Cunha pela linha Auxiliar da Central do Brasil e tomar o trem da Leopoldina nesse local, seguindo vi Recreio e Cataguases até Ubá. Também era possível tomar o trem da Central, pela linha do Centro, da estação Dom Pedro II até Entre-Rios (Três Rios) e dali tmar o trem da Leopoldina até Ubá, Ponte Nova e oustras estações menores. A ponta dessa linha era em Saúde (mais tarde chamada de Dom Silverio). Com o prolongamento da linha até Caratinga com uma bifurcação em Ponte Nova a partir dos anos 1910 (essa nova linha atingiu Caratinga somente em 1930), a linha para Saúde passou a ser um ramal.
Ainda havia uma terceira opção: seguir sempre pela Leopoldina a partir de Niterói, depois de atravessar a barca que ligava esta cidade à capital do Brasil e seguir até Porto das Caixas, Nova Friburgo pela linha do Cantagalo (havia a subida da serra, com troca de locomotivas), daí a Melo Barreto (atravessando o rio Paraíba do Sul) pelo ramal de Sumidouro, daí entrando pela linha que passava por Recreio e Cataguases até Ubá etc.
E havia uma quarta opção: seguir pela Central do Brasil do Rio a Juiz de Fora, pegar a E. F. Juiz de Fora ao Piau, baldear para um trem da Leopoldina em Rio Novo e dali seguir para Ubá e outras. Qualquer uma das opções era uma maratona. A abertura da ligação por Três Rios em 1900 facilitou muito as coisas para o passageiro e para os trens cargueiros, claro, que podiam acessar o porto do Rio de Janeiro mais rapidamente.
Olhando o mapa, podemos notar que diversas linhas estavam incompletas. A chamada Linha do Litoral (Niterói a Vitoria, mais tarde) tinha sua extremidade em Mimoso. Sua continuidade até Vitória só foi construída depois da virada do século e a aquisição pela LR da linha do Sul do Espírito Santo pela Leopoldina. Cachoeiro do Itapemirim, por exemplo, foi alcançada em 1903 a partir de Mimoso; Vitória, em 1910.
A E. F. de Campista foi adquirida pela L. R. mais tarde, bem como a linha de Juiz de Fora ao Piau - que ligava Rio Novo a Juiz de Fora.
No mapa, a linha do Manhuaçu ainda não atingia esta cidade, que seria a estação terminal (embora houvesse planos de se a unir nos anos 1920 a Caratinga, encontrando outra linha da LR). O terminal era Santa Luzia (ver mapa), que mais tarde seria Carangola - era Santa Luzia do Carangola.
A cidade de São Paulo, na ponta de um ramal, hoje é Muriaé (São Paulo do Muriaé).
No rio Paraíba do Sul, a cidade de Portela, ponta de linha do ramal de Friburgo, jamais se uniria por ponte à estação de Três Irmãos, mesmo estando frente a frente uma da outra.
Até 1950, ano em que os ingleses venderam de volta a ferrovia, já em más condições, ao Governo brasileiro, a Leopoldina ainda construiria ou compraria mais linhas. O fato é que, hoje em dia, uma parte muito extensa de toda essa rede já desapareceu ou, apesar de ainda ter trilhos, está abandonada.
As linhas mais extensas, como a Rio-Caratinga via Petrópolis, Três Rios, Ubá e Ponte Nova, é uma delas. A Linha do Litoral, Niterói-Campos-Vitória, é outra. Todos os pequenos e médios ramais foram extintos. Apenas ainda está em atividade a linha de subúrbios do Rio (que fazia parte da Linha do Norte, originalmente) que atende aos trens da Supervia da estação Dom Pedro II (desde 2002 não saem mais da estação de Barão de Mauá, sucessora da estação de Praia Formosa) até Vila Inhomerim, e também o trecho entre Cataguases e Além Paraíba, em Porto Novo do Cunha, para transporte de minério de bauxita e que é o um trecho omribundo, que a qualquer hora pode parar as atividades.
Até mesmo a Linha Auxiliar da Central do Brasil, que era uma alternativa em bitola métrica para a subida da serra do Mar entre o Rio e Três Rios e que seguia pelo ramal de Porto Novo do Cunha e que em 1964 foi cedido à Leopoldina para substituir a linha do Norte, fechada nesse ano a partir de Vila Inhomerim, foi abandonada - com exceção do trecho deste ramal citado por último, que serve de linha para o mesmo cargueiro de bauxita. Também é uma questão de pouco tempo para ser desativada - mesmo com a construção de uma ponte novinha sobre o Paraíba no seu percurso, aberto há cerca de três anos apenas, dinheiro jogado fora.
Enfim - uma rede ferroviária de mais de 2 mil quilômetros foi jogada no lixo por um país que diz que é rico, mas na verdade é muito pobre. Muito pobre de espírito.
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quinta-feira, 4 de junho de 2015
A ESTAÇÃO DE AREAL DA LEOPOLDINA
A estação de Areal, tendo à frente uma locomotiva diesel da Leopoldina (Época provável - anos 1960. Autor desconhecido - cessão Rodrigo Martins de Oliveira)
.
A estação de Areal foi inaugurada em 1886 pela E. F. Príncipe do Grão-Pará. Segundo se sabe, o ramal de São José do Rio Preto fazia parte da linha tronco da antiga Grão Pará, que pretendia atingir a cidade de Além Paraíba subindo a margem esquerda do rio Preto até conseguir vencer o vale por ele aberto, mas seus planos foram frustrados por um enorme paredão de pedra na localidade de Serra do Sossego, depois de São José.
Este paredão era intransponível para os recursos da época, levando a Grão Pará a estacionar a linha em São José por alguns anos. Com o compra da empresa pela Leopoldina em 1890, esta preferiu dar prosseguimento na linha via Três Rios e, dali, seguindo o rio Paraíba do Sul, atingir Além Paraíba. Analisando os dois trechos, vemos quão acertada foi a idéia da Leopoldina. O traçado mais difícil já fora vencido entre Petrópolis e Areal. Bastava seguir o rio Piabanha por um bom trecho até as proximidades de Três Rios, abandonando-o na localidade de Alberto Torres e seguindo até Moura Brasil.
A estação de Areal, ao fundo, tendo a seu lado um prédio onde havia um salão de bilhar. Aparentemente este anexo não mais existe (Autor desconhecido - cessão Rodrigo Martins de Oliveira)
.
Daqui, por um corte na pedra, a linha passava para o vale do rio Paraíba do Sul e seguia em demanda de Três Rios, cruzando a bela Ponte das Garças, outrora da Cia. União e Indústria.
Dístico da estação de Areal em 2010 (Foto Jorge Alves Ferreira)
.
Enquanto a linha para Petrópolis dava dinheiro, a Leopoldina seguia para Três Rios passando por Areal. Depois da Segunda Guerra Mundial, a linha começou a se tornar deficitária. Rapidamente se fechou o ramal de São José do Rio Preto (não confundir com a São José do Rio Preto paulista, longe dali e servida desde 1912 pela Estrada de Ferro Araraquara).
Com a formação da RFFSA, que juntou todas as ferrovias brasileiras (com a exceção das ferrovias paulistas), a nova entidade cedeu a linha Auxiliar da Central do Brasil para a Leopoldina, que pôde então aandonar e fechar o trecho que unia Vila Inhomerim, Petrópolis e Três Rios, onde estava a estação de Areal. Tudo isto aconteceu em novembro de 1964.
Na região de Areal, linha da Leopoldina e a locomotiva corriam ao lado da velha estrada União e Indústria (Autor desconhecido, cessão Rodrigo Martins de Oliveira)
.
O prédio da estação de Areal, sem trilhos desde então, estava em 2012 em estado muito ruim, ruindo aos poucos, ao descaso da prefeitura local. Houve uma iniciativa, no ano seguinte, de se reformar a estação.
A ponte sobre o rio Piabanha em 2013 (Foto Fabio Lima)
.
Ontem, Rodrigo Martins de Oliveira entrou em contato comigo e me cedeu algumas fotografias dela ainda em funcionamento. Agradeci muito a colaboração, já que eu jamais havia visto fotografias anteriores a 2000 desta velha estação fechada há já cinquenta anos.
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A estação de Areal foi inaugurada em 1886 pela E. F. Príncipe do Grão-Pará. Segundo se sabe, o ramal de São José do Rio Preto fazia parte da linha tronco da antiga Grão Pará, que pretendia atingir a cidade de Além Paraíba subindo a margem esquerda do rio Preto até conseguir vencer o vale por ele aberto, mas seus planos foram frustrados por um enorme paredão de pedra na localidade de Serra do Sossego, depois de São José.
Este paredão era intransponível para os recursos da época, levando a Grão Pará a estacionar a linha em São José por alguns anos. Com o compra da empresa pela Leopoldina em 1890, esta preferiu dar prosseguimento na linha via Três Rios e, dali, seguindo o rio Paraíba do Sul, atingir Além Paraíba. Analisando os dois trechos, vemos quão acertada foi a idéia da Leopoldina. O traçado mais difícil já fora vencido entre Petrópolis e Areal. Bastava seguir o rio Piabanha por um bom trecho até as proximidades de Três Rios, abandonando-o na localidade de Alberto Torres e seguindo até Moura Brasil.
A estação de Areal, ao fundo, tendo a seu lado um prédio onde havia um salão de bilhar. Aparentemente este anexo não mais existe (Autor desconhecido - cessão Rodrigo Martins de Oliveira)
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Daqui, por um corte na pedra, a linha passava para o vale do rio Paraíba do Sul e seguia em demanda de Três Rios, cruzando a bela Ponte das Garças, outrora da Cia. União e Indústria.
Dístico da estação de Areal em 2010 (Foto Jorge Alves Ferreira)
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Enquanto a linha para Petrópolis dava dinheiro, a Leopoldina seguia para Três Rios passando por Areal. Depois da Segunda Guerra Mundial, a linha começou a se tornar deficitária. Rapidamente se fechou o ramal de São José do Rio Preto (não confundir com a São José do Rio Preto paulista, longe dali e servida desde 1912 pela Estrada de Ferro Araraquara).
Com a formação da RFFSA, que juntou todas as ferrovias brasileiras (com a exceção das ferrovias paulistas), a nova entidade cedeu a linha Auxiliar da Central do Brasil para a Leopoldina, que pôde então aandonar e fechar o trecho que unia Vila Inhomerim, Petrópolis e Três Rios, onde estava a estação de Areal. Tudo isto aconteceu em novembro de 1964.
Na região de Areal, linha da Leopoldina e a locomotiva corriam ao lado da velha estrada União e Indústria (Autor desconhecido, cessão Rodrigo Martins de Oliveira)
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O prédio da estação de Areal, sem trilhos desde então, estava em 2012 em estado muito ruim, ruindo aos poucos, ao descaso da prefeitura local. Houve uma iniciativa, no ano seguinte, de se reformar a estação.
A ponte sobre o rio Piabanha em 2013 (Foto Fabio Lima)
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Ontem, Rodrigo Martins de Oliveira entrou em contato comigo e me cedeu algumas fotografias dela ainda em funcionamento. Agradeci muito a colaboração, já que eu jamais havia visto fotografias anteriores a 2000 desta velha estação fechada há já cinquenta anos.
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