quarta-feira, 12 de agosto de 2009

PLACAS DE AUTOMÓVEIS

Pesquisando sobre o município de Santana de Parnaíba, encontrei há alguns tempos uma indicação de como seriam as placas de licenças de automóveis nos idos de 1925 e mais para a frente.

Jamais pesquisei a fundo sobre o assunto, mas vale aqui colocar o que achei e as lembranças que tenho de como o sistema evoluiu, pelo menos no Estado de São Paulo.

Em 1926, no registro de um acidente ocorrido em Parnaíba, havia um automóvel Ford nº. placa 31 Parnahyba, um auto-caminhão nº. 3357 São Paulo e um auto Chevrolet nº. 22 Santo Amaro. As placas eram dadas pelos municípios (Santo Amaro era município nessa época), pois a regulamentação do trânsito era municipal. São Paulo tinha bem mais automóveis que as outras duas cidades e o número alto já era justificável. Carro de boi também tinha chapa. Em 1938, registra-se a existência do carro 51 Parnahyba. Seria a numeração seqüencial com a dos veículos automotores?

A mudança para o sistema de números, apenas, para veículos do Estado de São Paulo (e o resto do Brasil) deu-se durante a era Vargas. Cada Estado tinha sua numeração. No final dos anos 1950, quando meu pai comprou um Studebaker 1951 verde, a chapa era 5-99-98. Ou seja, 59.998, mas o número era sempre escrito de dois em dois e os hífens. Não havia, nessa época, carros com numeração superior a 100.000.

Eu e minha irmã ficávamos olhando pela janela do carro de meu pai quando ele nos levava e buscava da escola para ver carros com placas baixas, com um, dois e três números. Não era tão difícil assim achá-los. O número 341, por exemplo, era escrito 3-41. Bom mesmo era encontrar carros com dois ou um algarismo. Dizia-se que o carro nº. 1 era dos Matarazzo. Nunca o vi. Mas vi os carros de nº. 4 e 9. O 4 ficava sempre estacionado numa garagem aberta na esquina de uma ruazinha que saía da rua Alagoas, em frente à FAAP. Já o 9 era encontrado algumas vezes circulando – o que significava que ele deveria ser de alguém que morava no caminho entre minha casa e a escola.

Logo apareceram carros com chapas de 6 algarismos. E, creio, chegou a haver sete, mas foi quando, se não me engano no início dos anos 1970, mudou-se a numeração para a letra S mais o número, para carros da Capital, e para SS mais o número, para o interior do Estado. Não durou muito. Logo veio a numeração, também estadual, de duas letras e quatro algarismos: BQ-3589, por exemplo. O problema era que ela se repetia para os outros Estados, ou seja, poderia haver, com o mesmo número, 23 carros diferentes, somente variava a sigla do Estado com o nome da cidade, da mesma forma que é hoje.

Nos anos 1990 surgiram as placas como são hoje: o sistema é nacional, ou seja, as placas não se repetem, e têm três letras e quatro números. Como o Paraná foi o primeiro Estado a adotar o sistema, a maioria dos carros com a letra A que se encontra são de lá. São Paulo veio em seguida e ficou com a letra B até H, mais ou menos. E assim por diante. Como a placa pertence ao carro (antigamente pertencia à pessoa, que podia leva-la de um carro para o outro quando trocava o veículo), se o carro muda do Paraná para São Paulo, a letra A aparece em São Paulo.

São memórias, sem nenhuma pesquisa mais a fundo. Pode haver algum engano. Mas vale o registro. Na foto, o Citroën de meu avô Hugo, em 1950. A placa era 4-06-22.

3 comentários:

  1. Gosto muito dos artigos de ótima qualidade do seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver nosso Curso de Informática Online. Melissa.

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  2. O Paraná, inicialmente, ficou com as placas A e a primeira metade das placas B (até BL). São Paulo ficou com as placas de BM em diante até a primeira metade do H.

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  3. No Nordeste, as placas atuais demoraram mais para chegar. Estive em Maceió, em 1997, e estranhava haver veículos fabricados após a adoção das placas de 3 letras com placas amarelas de 2 letras, como Corsas e Tempras.

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