Jesus Cristo pode ser o dono da cidade, mas se esqueceu disso. Foto de minha autoria, hoje.
Nove e meia da manhã. Caminhada até o ponto de ônibus seguida de embarque no ônibus para Novo Horizonte, bairro do qual não tinha a menor ideia de onde ficava. Tomei esse porque precisava chegar à estação de Carapicuíba. No caminho tortuoso, descubro que, depois do centro de Alphaville, o único passageiro sou eu. O ônibus faz voltas dentro do bairro que é quase inacreditável. Seria, se eu não tomasse os coletivos toda semana, uma ou duas vezes.
Com a cobradora e o motorista, descubro que Novo Horizonte fica em Carapicuíba mesmo, perto da famosa Vila Dirce. Esta eu conheço. Finalmente, atravessamos o Tietê imundo como sempre, depois a linha da Sorocabana e o ônibus para no sinal. Ele abre a porta gentilmente para que eu desça, pois o ponto era mais longe ainda da estação. Caminho no meio da imundície das ruas da cidade - a mais suja que conheço no Estado, e de longe - e entro na estação.
A estação quase não tem escadas rolantes. Subo e desço escadas e chego na plataforma e o trem para Julio Prestes aparece em menos de dois minutos. Ele demora um pouco para partir. Finalmente, fecha as portas e imediatamente aparece um engraçadinho metido a vendedor de bugigangas, comuns nos trens da CPTM e, agora, também nos trens do metrô. O sujeito brada: "o perigo passou, a porta fechou, o trem andou e o camelô chegou". E sai vendendo sei lá o que.
Edifício no largo General Osório, no trajeto entre as estações de Julio Prestes e da Luz. Foto de minha autoria, hoje.
Meu destino final: a avenida da Liberdade, num banco próximo à rua São Joaquim. Para chegar ali, deveria fazer como faço normalmente: descer na Barra Funda e tomar o metrô para a Sé e baldear para a linha Norte-Sul até a estação São Joaquim. No trem, mudo de ideia e desço na estação Julio Prestes. Saio e caminho pela alameda Cleveland, rua Mauá e avenida Casper Líbero, onde entro na Estação Luz da linha 4. Pelo corredor subterrâneo, são quase dez minutos de caminhada para chegar s plataformas da estação Luz da linha 1.
Embarco ali e sigo até a São Joaquim. Desço do trem e subo para a avenida da Liberdade. O banco fica em frente à sede do Centro do Professorado Paulista, um prédio dos anos 1970 que substituiu a sede anterior, que ficava num casarão do princípio do século passado que foi totalmente desfigurado pela reforma que meu avô Sud Mennucci fez em 1937 para abrigar o Centro. Faço o que tenho de fazer no banco e volto para a estação.
Casa na avenida Sumaré (trecho que agora é Paulo VI), pouco depois da rua Grajaú, sentido Henrique Schaumann: hoje está à venda. A porta e algumas janelas mostram que é muito antiga, possivelmente dos anos 1920 - no máximo, anos 1930. O loteamento original é de 1928. Foto de minha autoria, hoje.
Pego o metrô e sigo mais para o sul, na estação Paraíso, onde baldeio para a linha 2 e sigo para a estação Sumaré. Desço do trem, subo pelas escada para a avenida Doutor Arnaldo, entro à esquerda na Cardoso de Almeida, desço à esquerda pela rua Veríssimo Glória (ladeirão, que cansei de subir e descer, a pé e de carro, desde os anos 1950) para, em seguida, tomar a avenida Sumaré, e descer até a esquina da rua Vanderlei, onde há outro banco onde tenho de entrar.
Depois de 20 minutos ali, saio e, agora, tenho de subir a avenida Sumaré até a rua Teffé, ali, naquele cruzamento onde passei pouco antes, da avenida com a Veríssimo Glória. Pelo caminho, que fiz pela calçada oposta, encontrei duas casas bem antigas, que foram, com absoluta certeza, construídas nos primórdios do loteamento original do Sumaré (1928). Paro, olho e fotografo.
Entro na rua Teffé. Chego na casa da minha mãe às treze horas em ponto. Fico lá por cerca de duas horas. Saio e sigo a pé de volta à avenida. (Nota: hoje, justamente por andar a pé por ali depois de muitos e muitos anos, descubro que a avenida Paulo VI, construída no final dos anos 1970 - é ela que passa sob a estação Sumaré, esta pendurada sobre ela e debaixo da avenida Doutor Arnaldo -, teve o nome prolongado pela pista da agora ex-Avenida Sumaré até a praça Irmãos Karmann, quase na esquina da rua Professor João Arruda. Agora, trocaram até a numeração: a Paulo VI começa na praça. A avenida Sumaré acaba na praça. Detalhes que são para serem explicados para quem conhece a fundo a região.)
Desta vez sigo a pé pela avenida no sentido da Henrique Schaumann. Na altura da rua Capote Valente, paro num ponto de ônibus, tomo um que segue para o Terminal de Pinheiros e desço ali. Alguns poucos passos e já estou dentro da estação Pinheiros da CPTM. Um trem para Presidente Altino e, daqui, outro para Carapicuíba. Um ônibus e já estou em casa de novo. São quatro horas da tarde. Gosto disso.
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segunda-feira, 18 de julho de 2016
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
UMA RÁPIDA HISTÓRIA DE ALGUMAS AVENIDAS PAULISTANAS
Avenida Rebouças, esquina avenida Brigadeiro Faria Lima. Foto deste autor
Estas, que tanto são citadas na hora de se arrancar trilhos em diversas cidades, podem ter diversas origens - inclusive, a de se aproveitar leitos de ferrovias desfeitas.
As avenidas paulistanas, afinal, que origem tiveram? Vamos dar alguns exemplos. Claro, das que eu conheço.
Avenida Rebouças - o primeiro trecho, da Doutor Arnaldo até a avenida Brasil (no cruzamento com o córrego Verde), era parte do Caminho de Pinheiros; este, por sua vez, existe pelo menos desde 1560. Alguns dizem que era anterior, aberto em tempos imemoriais, com o nome dado peloa portugueses de "Trilha Tupiniquim". Faria parte do lendário Peabiru. Também foi chamado de "Caminho para Sorocaba". Seu percurso original era o seguinte: começava no Piques (hoje Praça da Bandeira), seguia pela atual rua Quirino de Andrade, subia pela atual rua da Consolação, entrava pela atual Rebouças e entrava pela atual rua de Pinheiros - como Caminho de Sorocaba, prosseguia pela rua Butantan e pelas atuais avenidas Vital Brasil e Corifeu de Azevedo Marques. Quanto ao nome da avenida Rebouças, que homenageia o engenheiro, ele vigora desde o final do século XIX. Não há, aparentemente, nenhuma relação do homenageado com a avenida.
Ela foi asfaltada em 1936. Logo depois, ela foi prolongada desde a avenida Brasil até a rua Iguatemi - atual Brigadeiro Faria Lima. Para isso usou-se o leito de duas ruas que já existiam, mas não se encontravam. Uma saía da Iguatemi e outra da avenida Brasil. O trecho que as uniu formou com as outras duas a continuação da Rebouças. Finalmente, nos anos 1940, depois da retificação do rio Pinheiros, ela foi construída sobre o pântano ali existente até a avenida Marginal, que, aliás, nessa época (1947) ainda não existia. Ali termina a avenida.
Avenida Brigadeiro Faria Lima - seu trecho inicial foi entregue no início de 1971, como a duplicação da já existente rua Iguatemi, entre a rua Amauri e a rua Pinheiros, onde a rua Iguatemi terminava. Alguns anos depois, ela foi prolongada até a rua Teodoro Sampaio. Em 1997, a avenida foi prolongada em Pinheiros e no Itaim. Em Pinheiros, a avenida foi esticada até a avenida Pedroso de Moraes, na esquina da rua Padre Carvalho, pela duplicação de ruas existentes no caminho e unidas entre si, como a rua Coropé. Já no lado do Itaim, todo o prolongamento, feito até o atual cruzamento com a rua Nova Cidade, foi aberto no meio do casario existente, com ampla demolição de uma faixa de terreno grande o suficiente para passar a nova avenida.
Avenida Sumaré - A avenida Sumaré original foi aberta em 1928, no lançamento de um grande loteamento que abriu também muitas outras vias locais. Foi construída praticamente toda ela sobre o córrego da Água Branca, desde sua nascente. A avenida, em terra, ia das atuais ruas Tácito de Almeida até a Professor João Arruda. A partir daí, só no mapa do loteamento, até a rua Turiassu. Na primeira metade dos anos 1950, o trecho entre a confluência das ruas Atalaia e Grajaú até a rua Tácito de Almeida recebeu calçamento com paralelepípedos. No final dos anos 1960, a avenida inteira foi asfaltada, com canteiro central entre a confluência das ruas Atalaia e Grajaú e a rua Turiassu, onde o córrego foi canalizado em toda a sua extensão. O trecho que tinha paralelepípedos continuou da mesma forma, até que, no final dos anos 1970, o trecho entre a confluência das ruas Teffé e Pombal e o início do trecho com canteiro central foi duplicado, juntando-se com uma nova avenida aberta entre as ruas Henrique Schaumann e a confluência das ruas Teffé e Pombal, cavada em meio a casas e sob um viaduto construído na avenida Doutor Arnaldo. Este trecho passou a se chamar Paulo VI, Papa morto em 1978.
O trecho entre as ruas Tácito de Almeida e Pombal e a rua Tácito de Almeida, que era o trecho final da avenida, foi renomeado depois como rua Olavo Freire. Já o trecho entre a Pombal/Teffé e a Grajaú/Atalaia passou a fazer parte da avenida Paulo VI. A avenida Sumaré, com isso, passou a ser somente o trecho alargado com canteiros no final dos anos 1960.
Avenida Pacaembu - Esta avenida foi construída sobre o córrego do mesmo nome nos anos 1930, desde sua nascente junto ao estádio do Pacaembu (que é posterior à avenida) até a linha férrea da E. F. Sorocabana, hoje parte da CPTM, na rua da Barra Funda, no local anteriormente conhecido como Largo do Arroz.
Avenida Doutor Arnaldo - Pelo que sei ela foi construída em 1887 para, saindo de um ponto da Estrada de Pinheiros próxima a onde mais tarde (1891) passou a sair a avenida Paulista, servir de acesso para o Cemitério do Araçá. Seu nome original era Estrada do Araçá, continuando além do portão e entrando com esse nome pela atual rua Heitor Penteado. Em 1897, a avenida já se chamava avenida Municipal, pelo menos até o final do cemitério, hoje na esquina da atual rua Cardoso de Almeida. No mapa de 1905, a avenida já aparece continuando até pelo menos o início atual da rua Heitor Penteado. No início dos anos 1930, com a morte do médico Doutor Arnaldo Vieira de Carvalho, um dos professores da Faculdade de Medicina que a partir de 1934 faria parte da Universidade de São Paulo, recebeu o nome de Doutor Arnaldo. Pouco antes, em 1928, a avenida havia sido esticada além da atual rua Heitor Penteado, até a rua Nova York, com a abertura do novo loteamento que deu origem a diversas ruas, inclusive a avenida Sumaré. Este trecho de 1928 até hoje é um trecho estreito em relação à larga avenida que foi duplicada em 1948, entre o seu início e a rua Cardoso de Almeida. Entre 1903 e 1966, a avenida teve trilhos de bondes entre a rua da Consolação e um pouco antea da esquina da rua Cardeal Arcoverde - onde acabavam abruptamente. O bonde retornava de ré.
Continua...
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
A CASA DE MEUS PAIS
Meus pais casaram-se em São Paulo em 1946 e durante quatro anos moraram em pelo menos quatro casas diferentes. Até que, em 1950, mudaram-se para a casa que construíram, na rua Teffé, no bairro do Sumaré, SP.
A casa novinha em 1951. Notar que havia na janela da direita em cima uma varanda. Em baixo, o jardim de inverno era aberto e tinha porta somente do lado da escada de acesso ao portão. Do outro lado havia uma abertura. O jardim não tinha árvores. O enorme muro de arrimo atrás era um matagal. O vizinho "de cá" não existia
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Segundo minha mãe, o terreno era barato, mas lá era longe de tudo, as ruas não eram calçadas - nem a avenida Sumaré (o trecho de dois quarteirões que existia dela - o resto que existe hoje era um córrego intransitável) - e para chegar à faculdade de Medicina, na Doutor Arnaldo,onde minha mãe trabalhava, havia de se subir a pé a ladeira da rua Veríssimo Gloria e o final da rua Cardoso de Almeida e andar mais dois quarteirões pela avenida.
Ainda em 1951, a garagem era em cima e chegava-se a ela por uma rampa. No fundo, o portão para o automóvel. Ao fundo, atrás da casa da frente, o vale da avenida Sumaré
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Eu nasci nessa casa, em 1951. Aliás, não: eu nasci mesmo foi no Pro-Matre, na Joaquim Eugenio de Lima, ao lado da avenida Paulista. Mas meus pais já moravam ali na Tefé havia pelo menos um ano.
Hoje, mal dá para se ver a casa e olhe que a quaresmeira foi aparada recentemente. O muro de pedras cobre a casa do vizinho e parte da nossa. A garagem ao nível da rua substituiu a rampa e a garagem original virou uma edícula de dois cômodos - já em 1959. (A edícula fica no quintal de trás).
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Em 1959, a casa sofreu sua grande reforma, que gerou uma segunda, menor, em 1963.
De novo hoje, a casa vista de frente. O muro baixo continua baixo, mas as grades enfeiam a casa. O jardim de inverno ganhou em 1959 uma janela e mais e uma porta, do lado esquerdo. Em cima, a antiga varanda foi desmanchada, aumentando o tamanho do quarto e ganhando uma janela
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Fotos do aspecto dela original e do aspecto atual, espalhadas neste artigo, mostram as diferenças dela entre 1951 e 2014. Minha mãe e minha irmã ainda moram lá, uma deusa grega (Astrea, minha mãe) e uma fenícia (Astarté, minha irmã).
As modificações são citadas nas legendas das fotografias que têm, entre elas, uma diferença de sessenta e três anos. O tal arrimo atrás da casa - o vizinho de trás está na rua Macaé e a cerca de 20 metros de altura em relação ao nosso quintal traseiro. O muro de arrimo foi cimentado em 1959 até o topo, mas não é visível nas fotos. Uma modificação feita em 1959 e que não aparece nas fotos foi a da cozinha, que fica na parte de trás da casa e foi aumentada. Com isso, houve que se aumentar também um terraço todo aberto que existia sobre ela com porta saindo de um quarto ao fundo.
Só que a emenda da laje gerou um vazamento contínuo na cozinha. Sem conseguir encontrar alguém que resolvesse o problema, que aparecia em cada chuva que caía, meu pai fechou o terraço e transformou-o no quato quarto da casa - e o maior.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O LARGUINHO DO SUMARÉ QUE NÃO EXISTIA
O larguinho que não existe mais, em foto de hoje. Atrás do último carro estacionado, o curto trecho de menos de 20 metros da rua Pombal que sobrou ali. Onde está o primeiro carro estacionado (escuro) é o final da Veríssimo Glória. Ao fundo da foto, para lá das árvores, o enorme leito da atual avenida Sumaré.Hoje fui visitar minha mãe no bairro do Sumaré, em São Paulo. Ela mora desde 1950 na rua Teffé, na mesma casa. Foi lá que nasci e passei minha infância. Morei lá até os 22 anos, quando me casei. Fui lá de metrô. Peguei-o na estação Faria Lima, subi até a Paulista (são 3 minutos e meio) e de lá peguei o outro trem para a estação Sumaré. Desci na avenida Doutor Arnaldo e andei ladeira abaixo até a rua Teffé.
Parte do bairro do Sumaré em 1930 (Sara Brasil). O bairro foi criado dois anos antes. Havia pouquíssimas construções. O larguinho das 4 ruas já existia, pelo menos no mapa. Para quem conhece, duas curiosidades: o trecho entre essa rua Macaé e a rua Cardoso de Almeida não existe hoje (terá existido um dia? No meu tempo não existia). A outra: o segundo trecho dela, em "u", iniciando e terminando na Cardoso, é a atual Tácito de Almeida. Já era quando eu era criança.Lembrei-me que ela saía de um larguinho que não tinha nome, quando eu era jovem. Quatro ruas se cruzavam nesse larguinho: a avenida Sumaré, ainda estreita (embora mais largas que as outras ruas), a rua Pombal, a rua Teffé e a rua Veríssimo Glória, que terminavam ali. Eu cruzava o largo de bicicleta quando ia visitar alguns amigos que moravam no Pacaembu. Eu prestava bastante atenção com o trânsito ali, mas a quantidade de automóveis que ali cruzava ainda era muito pequena.
Em 1966, a tal rua Macaé não mais existia no mapa, mas aparece a Veríssimo Glória. O larguinho das quatro ruas está ainda lá (embaixo do "2") e a Tácito de Almeida tem o nome trocado com a Cardoso (posso garantir que na prática não era assim).Em meados dos anos 1970, passaram ali a ligação da rua Henrique Schaumann com a avenida Sumaré. Desapropriações mil, rasgaram a rua Pombal em duas, alargaram a Sumaré, derrubando todas as casas do lado par entre as ruas Grajaú e Pombal, do lado ímpar entre a Atalaia e a Teffé e, para fazer a Doutor Arnaldo, lá em cima, passar pelo buraco que se criou com a avenida em baixo (nomeada de Paulo VI, que morreu quando estavam terminando a obra em 1978), construíram um enorme viaduto. No final dos anos 1980, debaixo deste, passaram a linha do metrô para a Vila Madalena e construíram a estação Sumaré, ali pendurada.
Todos esses dados de datas e fatos tirei da minha memória.
1997 (hoje é igual): Já não há mais larguinho e uma enorme avenida com viaduto e estação de metrô corta o antigo lugar calmíssimo de outrora. A rua Pombal nem aparece mais no mapa, embora exista num trecho mínimo, junto à Veríssimo Glória.O larguinho desapareceu. Mais ou menos no seu lugar, existe hoje um outro largo bem maior, com o nome de Marcia Mammana. Carros vêm com alta velocidade, um monte deles, só parando num semaforo que há em frente ao final da rua Teffé. Do lado de lá da avenida Sumaré, ou Paulo VI, sei lá, uma encosta enorme sem casas. Ainda existem restos de fundos de fundações de algumas ali. Da rua Pombal sobrou um pedacinho só. O trecho da Sumaré entre a Teffé e o seu final, na Tácito de Almeida, não foi alargado e passou a se chamar Olavo Freire, que, aliás, era o nome primitivo da rua Veríssimo Glória, ladeirão que continua ali inteira.
Tirei uma foto hoje ali, mas, do larguinho antigo que existiu até por volta de 1975, não tenho fotografia alguma, exceto lembranças na minha mente.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
ERROS HISTÓRICOS PAULISTANOS
Capa de um Guia de São Paulo - ano de 1963 (não aparece, mas é). Acervo Ralph M. GiesbrechtConfiar plenamente em mapas de cidades antigos para traçar a história da urbanização não é algo que se recomende. A consulta serve como guia para a pesquisa; porém, todas as consultas que faço e coloco em meus estudos têm sempre a nota: "de acordo com o mapa tal, publicado em...", dado a constantes erros que existem e que nem sempre podem ser detectados.
Nos muitos anos - décadas, já - em que tenho estudado diversos mapas da capital paulista, já constatei erros claros e possíveis erros em diversas oportunidades. Desde nomes de ruas que mudam ao sabor dos mapas (por exemplo, a rua Cardeal Arcoverde se chama Arcoverde e Joaquim Arcoverde em mapas mais antigos, mas este não é um erro tão grave) até ruas traçadas de forma errada ou que, por exemplo, são traçadas de forma correta em relação a hoje, mas não nos dão a certeza de que esta rua já existia em dada época, ou que fosse então apenas um projeto a ser implantado.

Vejamos alguns casos. No mapa acima, a avenida Sumaré aparece com o seu curso terminando na rua Varginha no ano de 1937. Pode ser real. No entanto, vemos ruas tracejadas (devem ser projetos) à direita que não foram implantadas dessa forma.

Já no outro mapa (acima), a avenida aparece no ano de 1963 traçada somente até a rua Professor João Arruda e com uma praça oval no entroncamento das ruas Atalaia e Grajaú. Ora, esta praça jamais existiu (sei pois morei a um quarteirão dali por pelo menos 24 anos); quanto ao final da avenida na rua citada, isto era parcialmente real. Em 1963, a avenida era pavimentada com paralelepípedos, ainda em pista única e mais estreita do que é hoje, entre as ruas Tácito de Almeida e Atalaia/Grajaú. Dali para a frente, sentido Perdizes, era de terra e sem ser mais larga a partir do final da sua pavimentação, até a rua João Arruda, e daí para a frente era um córrego a céu aberto, praticamente sem ter nenhuma construção ao longo dela, até a rua Turiassu, onde hoje termina a avenida.

Vendo um mapa do Braz publicado em 1963 (acima), encontrei a Avenida Alcântara Machado bem mais larga do que as outras ruas na época - ver acima. Porém, uma boa parte dela, mais especificamente o trecho a partir do viaduto sobre a via férrea, sentido leste, é a rua dos Trilhos, que jamais teve essa largura. Erro crasso. Quanto à avenida antes da linha férrea, já seria ela larga nessa época? Pelo mapa, sim.

Voltando às Perdizes, o mapa feito pela empresa SARA BRASIL (acima) a pedido da Prefeitura e publicado em 1930 mostra uma linha de bondes unindo a avenida Doutor Arnaldo ao alto da rua Cardoso de Almeida na rua Caiubi. Até onde se sabe, não encontrei nenhuma referência ao fato de esta linha de ligação (a linha efetivamente existiu do cruzamento da rua Caiubi para o norte e da avenida Doutor Arnaldo, entre a Cardeal Arcoverde e a rua Teodoro Sampaio para o leste) ter em alguma época existido. Teria ela sido feita e depois retirada rapidamente? Era um projeto que a SARA aceitou como real? Este mapa da SARA em teoria é um dos mais confiáveis dos já emitidos. Outra coisa que se nota nesse mapa: para quem conhece bem a região, vai notar que a rua Macaé tinha um traçado muito diferente do que tem hoje e que a rua Veríssimo Glória não aparece. Foi mesmo assim? Ou somente nos primeiros mapas do bairro?
Há muito mais erros. Não dá para mostrar tudo, teria de escrever um livro sobre o assunto e aprofundar-me em muitas pesquisas mais. Sempre lembrando que até em mapas de ruas recém-publicados em São Paulo (e em diversas cidades) existem erros. Mesmo assim, acho o assunto realmente fascinante.
sábado, 12 de junho de 2010
RUAS QUEBRADAS
Belo sobrado na rua Homem de Mello. Foto Ralph Giesbrecht, em fevereiro de 2010.É sabido por muita gente que a confusão nos nomes dos logradouros da cidade de São Paulo (e também em quase todas as cidades do Brasil, mas o caos é pior aqui, pois a cidade é grande demais) é um fator que ajuda a piorar as condições de trânsito, além, claro, do excesso de carros, falta de fiscalização, falta de educação, falta de manutenção dos veículos e das ruas etc. etc. etc.
Há casos curiosos neste assunto. Além de uma mesma rua ter dois ou mais nomes por toda a sua extensão - os exemplos são vários, mas vamos citar aqui somente com as Marginais e com a rua Augusta -, existem as praças minúsculas que têm nome, a falta de placas em algumas esquinas... e outros fatores no mesmo assunto. Para mim, o mais estranho é o das "ruas interrompidas", ou seja, ruas que, de repente, desaparecem - supõe-se que acabem - e depois descobrimos que elas reaparecem, "lá do outro lado".
Existem várias, mas sempre me lembro de três exemplos desta situação: as ruas Monte Alegre e Homem de Mello, nas Perdizes, e a avenida Angélica, em Higienópolis.
A rua Monte Alegre começa (seguindo o sentido da sua numeração) na avenida Francisco Matarazzo e segue até um pouco além da rua Wanderley, onde acaba, de repente. Não no mapa, mas "na vida real". Depois do seu "fim", existe um barranco, o qual somente dá para seguir por uma escadaria lateral na calçada, com a rua reaparecendo no vale, ali embaixo, de um antigo córrego, continuando a sua pavimentação até a rua Ilhéus, quase no Sumaré.
A rua Homem de Mello era contínua originalmente - isto, até 1966, quando começaram as obras da projetada (havia décadas) avenida Sumaré. Como o córrego da Água Branca passava pelo leito da rua Homem de Mello, fizeram a avenida entre a rua Ciro Costa e um ponto mais à frente, onde o córrego saía do alinhamento da antiga rua. Com isso, o último quarteirão da rua Homem de Mello ficou separado do resto, bem como há um enorme hiato na numeração - na verdade, o leito da rua e da avenida se confundem por pouco mais de um quarteirão. Quem mora no último quarteirão deve ter dificuldade para explicar a localização de sua casa para o entregador de pizza.
A avenida Angélica, antiga rua Itatiaia, começa na rua da Barra Funda e acaba na Paulista? Errado. Na verdade, acabava na Doutor Arnaldo, bem no início desta. Quando construíram a ligação rebaixada da avenida Paulista com a Doutor Arnaldo - se não me engano, no final dos anos 1960 - o leito contínuo da avenida Angélica passou a terminar na Paulista, enquanto dois pedaços da rua, um próximo à Paulista e outro, perto da Doutor Arnaldo - desapareceram em meio à demolição necessária. Ficou o trecho do meio, que somente pode ser alcançado hoje por alguém que saia da rua da Consolação, rua à qual o trecho perdido ficou ligado. A numeração e o nome ainda são mantidos como avenida Angélica. Outro problema para o entregador de pizza.
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