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terça-feira, 30 de setembro de 2014
ONTEM E HOJE NO JARDIM PAULISTA (SÃO PAULO, 1966-2014)
A comparação em um mapa publicado na Folha de S. Paulo de 22 de dezembro de 1966 (reproduzido logo acima deste parágrafo) com um mapa extraído do Google Maps no dia de hoje mostra modificações entre a Brigadeiro Luiz Antonio e a 23 de Maio, no Jardim Paulista.
Apesar de estarem distantes apenas quarenta e oito anos, o mapa de 1966 - feito sem muita escala e preocupações com as ruas mais distantes dali, o que não invalida na comparação - mostra o porque do projeto de união das ruas Estados Unidos por uma rua que viria a ser a rua Stenio de Albuquerque Lima.
Quando o nome foi dado à rua aberta e quando ela foi efetivamente aberta ao tráfego, não sei. Nem consegui saber quem foi o Marechal (ele era marechal). Ele deve ter morrido nessa época, anos 1960-70. Encontrei breves referências a ele no Google, único lugar onde procurei. Sei que foi promovido a general em 1958, por exemplo. Portanto, já tinha alguma idade quando a rua foi aberta - ou já estava morto.
Olhando no texto sob o mapa de 1966, é interessante saber que a rua "passaria sobre" um boliche, divertimento bem popular na época. E ela é bem mais larga que a rua Estados Unidos. Vejam pelo mapa abaixo (do Google de hoje) que ela forma uma praça ao lado do Ginásio do Ibirapuera e depois se une à rua Curitiba, que manteve o nome.
Vejam que a 23 de Maio ainda não estava aberta naquele trecho entre o viaduto sob a av. Bernardino de Campos e o Parque Ibirapuera. Essa abertura arrasou vários quarteirões de ruas ali no bairro do Paraíso, na época. Eu me lembro vagamente disso - na verdade, eu passava pela rua Cubatão muitas vezes a caminho da casa de minha avó, mas ela mudou-se da Vila Mariana no início das obras, de forma que as obras da 23 de Maio naquele trecho estavam apenas começando então.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
VISÕES DO PARAÍSO E DO INFERNO
Alameda Glette, São Paulo, 1900. Uma cidade francesa, harmônica em sua arquitetura com prédios baixos - casas, na verdade. Acervo LightTodo dia eu venho para o escritório trabalhar e fico olhando pela janela (quando não estou olhando para a tela do computador). Não gosto muito do que vejo: além de uma persiana que fica meio aberta meio fechada — e a parte que fica meio fechada só me deixa ver fora com uma porção de linhas na frente — do lado de fora dois terços são de prédios do outro lado da avenida (detesto prédios) e um terço mostra na frente, os Jardins, com suas casas e suas árvores, e, ao fundo, a Vila América, com aquela muralha de prédios ao longe, além da rua Estados Unidos.
Daqui essa rua parece muito próxima, mas, na prática, deve ser o equivalente a uns quinze quarteirões, mais ou menos. Se abro a janela, o ruído é ensurdecedor. A poeira e a fumaça você sente nos olhos. Chegando mais perto da janela, vê-se a Faria Lima e a Rebouças, com ônibus a dar com pau, automóveis, caminhões e calçadas nada limpas.
Se esses dois prédios aqui em frente fossem demolidos — um é o que tem o Safra, na esquina das duas avenidas, e outro, o que tem o Júlio Abe como arquiteto, creio — a vista seria muito melhor. Atrás deles só há pequenas casas do Jardim Paulistano, casas que dão frente, num primeiro plano, para a Rebouças e a rua Sampaio Vidal. É difícil para mim imaginar que haja pessoas que adoram estar cercada de edifícios altos. Por mais bonito que seja o edifício, é uma agressão.
O antigo escritório onde eu trabalhei por alguns anos ficava na Marginal do Pinheiros, na rua Hungria, no quarteirão que o Clube Pinheiros não conseguiu chegar no rio. A vista do escritório era para o Joquei Clube. Além dele, casas no morro que dá para o Morumbi. Linda vista. Rara em São Paulo, está a ponto de sucumbir, já que o Jóquei está louco para transformar a pequena vila de casinhas que ele tem junto à ponte da Eusébio Matoso em "empreendimentos imobiliários" que, claro, significam torres enormes de apartamentos com nomes estrangeiros. Não sei exatamente qual é a função da vila, se era residencial, parcialmente residencial, ou sei lá o que, mas são sobrados modestos que datam da implementação do clube em 1941 naquele local.
Não conheço Paris. Apenas vi diversas fotografias da cidade. As que mais vejo mostram fotos tiradas de lugares altos mostrando o rio Sena, com suas margens tendo casarões bonitos e antigos. Isso, casarões, no máximo 3 ou 4 andares, pequenos prédios, como seja — dão uma harmonia visual esplêndida. Por que não isso por aqui?
Só conheço uma avenida na cidade com esse tipo de construções: é a avenida Professor Fonseca Rodrigues, no Alto de Pinheiros. Ela é extremamente arborizada, nas calças e no canteiro central, e tem casas e prédios desse tipo — além de terrenos ainda vazios. No seu trecho final, do lado esquerdo, o Parque Villa Lobos.
Daqui essa rua parece muito próxima, mas, na prática, deve ser o equivalente a uns quinze quarteirões, mais ou menos. Se abro a janela, o ruído é ensurdecedor. A poeira e a fumaça você sente nos olhos. Chegando mais perto da janela, vê-se a Faria Lima e a Rebouças, com ônibus a dar com pau, automóveis, caminhões e calçadas nada limpas.
Se esses dois prédios aqui em frente fossem demolidos — um é o que tem o Safra, na esquina das duas avenidas, e outro, o que tem o Júlio Abe como arquiteto, creio — a vista seria muito melhor. Atrás deles só há pequenas casas do Jardim Paulistano, casas que dão frente, num primeiro plano, para a Rebouças e a rua Sampaio Vidal. É difícil para mim imaginar que haja pessoas que adoram estar cercada de edifícios altos. Por mais bonito que seja o edifício, é uma agressão.
O antigo escritório onde eu trabalhei por alguns anos ficava na Marginal do Pinheiros, na rua Hungria, no quarteirão que o Clube Pinheiros não conseguiu chegar no rio. A vista do escritório era para o Joquei Clube. Além dele, casas no morro que dá para o Morumbi. Linda vista. Rara em São Paulo, está a ponto de sucumbir, já que o Jóquei está louco para transformar a pequena vila de casinhas que ele tem junto à ponte da Eusébio Matoso em "empreendimentos imobiliários" que, claro, significam torres enormes de apartamentos com nomes estrangeiros. Não sei exatamente qual é a função da vila, se era residencial, parcialmente residencial, ou sei lá o que, mas são sobrados modestos que datam da implementação do clube em 1941 naquele local.
Não conheço Paris. Apenas vi diversas fotografias da cidade. As que mais vejo mostram fotos tiradas de lugares altos mostrando o rio Sena, com suas margens tendo casarões bonitos e antigos. Isso, casarões, no máximo 3 ou 4 andares, pequenos prédios, como seja — dão uma harmonia visual esplêndida. Por que não isso por aqui?
Só conheço uma avenida na cidade com esse tipo de construções: é a avenida Professor Fonseca Rodrigues, no Alto de Pinheiros. Ela é extremamente arborizada, nas calças e no canteiro central, e tem casas e prédios desse tipo — além de terrenos ainda vazios. No seu trecho final, do lado esquerdo, o Parque Villa Lobos.
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