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domingo, 28 de novembro de 2010

A DEVOLUÇÃO DO ESTADÃO AOS MESQUITA EM 1945

O jornal do grupo Folha de 29/11/45 mostra otimismo com a devolução do jornal concorrente

No final de novembro do ano de 1945, o Presidente Getúlio Vargas foi deposto, mesmo tendo prometido eleições presidenciais para 1946 e com isso ele mesmo decretar o fim do Estado Novo, este implantado por ele mesmo em novembro de 1937.

O Estado de S. Paulo de 29 de novembro noticia o pedido de demissão de meu avô e de outros dois diretores do jornal

Uma das diversas consequências desta deposição foi a imediata discussão sobre o tema da devolução do jornal paulista O Estado de S. Paulo aos seus donos originais, no caso, a família Mesquita. A intervenção havia sido decretada em 1940 por ordem de Adhemar de Barros, então interventor federal no estado. Não muito tempo depois, Adhemar foi "deposto" por Vargas, mas a intervenção no jornal seguiu em frente.

Um jornal de Belém do Pará mostra a luta dos jornais independentes em favor do jornal paulista

Em 1943, meu avô Sud Mennucci, que havia trabalhado como redator no jornal de 1925 a 1931 a convite dos Julio de Mesquita pai e filho, foi convidado para ser diretor do jornal sob intervenção e aceitou. Ficou no cargo até o dia 29 de novembro de 1945, quando, diante das circunstâncias, pediu demissão.

Em 4 de dezembro, o próprio "O Estado" publica argumentação contra a devolução do jornal aos Mesquita - a segunda parte está mais abaixo

Infelizmente, este cargo aceito deu origem a uma briga entre ele e os Mesquita. Pode até ter sido não pelo fato de ter aceitado ser diretor (há uma frase dita por minha mãe, filha dele, que diz que Julio de Mesquita Filho teria dito a ele em certa ocasião, "melhor o jornal nas mãos dele - meu avô - que de outro"), mas porque Sud teria (teria mesmo?) defendido a manutenção do jornal nas mãos do estado paulista.

A segunda parte da reportagem de 4 de dezembro

Durante os dias entre a deposição de Vargas e a retomada do jornal pelos Mesquita, um mês e pouco (29 de outubro a 6 de dezembro de 1945), houve uma batalha nos jornais de todo o país acerca de ser correta ou não a devolução do jornal. O próprio jornal O Estado de S. Paulo chegou a publicar opiniões contrárias à devolução para a família Mesquita, e isto apenas dois dias antes da efetiva devolução.

A última parte da reportagem de 4 de dezembro

Algumas notícias sobre esta discussão são publicadas aqui. Num país ainda sob censura, notícias de jornais não são, isoladamente, motivos para conclusões. Mas algumas delas são mostradas acima.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

HISTÓRIA DE CERQUEIRA CESAR: EM BUSCA DOS PEDAÇOS

Detalhe do mapa feito pelo Eng. Gomes Cardim para a Prefeitura de São Paulo em 1897

Em continuação à minha postagem do dia 23 de fevereiro deste ano sobre o bairro de Cerqueira Cesar, na capital paulista, tornei a investigar alguma coisa sobre a região, tentando descobrir por que razão o nome do bairro mudou de lugar, de um lado para o outro da avenida Rebouças. Não consegui achar a resposta ainda, mas há alguns fatos novos.

Achei várias informações sobre o bairro, mas sempre se referindo ao local onde ele é atualmente, ou seja: a Villa America original teve o nome alterado para Cerqueira Cesar. E sem dizer que o nome "migrou". Também consta que o bairro atual existe como subdistrito da Capital desde 1938. Não consegui conferir esta informação. O fato é que, em 1951, a rua Lisboa ficava no bairro mas ainda com o nome dele do lado esquerdo da Rebouças. Para iso, basta ver a figura na postagem de 23 de fevereiro. O subdistrito de 1938 seria localizado já onde está hoje? Ou teria sido implantado com este nome ainda no local antigo?

É interessante, também, confirmar o nome inteiro de homenageado: José Alves de Cerqueira Cesar, Vice-Presidente da Província de São Paulo e diretor do jornal O Estado de S. Paulo e também sogro de quem lhe sucedeu neste cargo, Julio de Mesquita. A razão pela qual o bairro recebeu seu nome fica ainda sem resposta: simples puxa-saquismo ao vice-presidente ou ele tinha terras ali?

Finalmente: o bairro foi formado por volta de 1897. O mapa da Prefeitura desse ano prova isto, ver acima. O interessante é que em 1897 o arruamento já existia, pelo menos no papel e os nomes de praticamente todas as ruas já eram os atuais (exceto a rua Lisboa e a Oscar Freire). Em 1890, sete anos antes, o mapa oficial não mostrava o bairro. Também, se confiarmos no mapa, as entradas eram apenas pela Rebouças, rua que, então, era um caminho de tropas e bem ruim. O limite sul e oeste do bairro era um dos dois braços do córrego Verde (este braço era também chamado de Água Branca), onde as ruas simplesmente terminavam.

Entre a avenida Doutor Arnaldo (avenida Municipal) e as que desciam no sentido Pinheiros (Galeno de Almeida, Amalia de Noronha, Cardeal Arcoverde, Teodoro Sampaio e Arthur Azevedo) não havia ligações, possivelmente por serem "pirambeiras". Deveria ser um inferno, uma lameira morar ali. Lembrar que o outro braço do córrego Verde nascia junto à esquina da Amalia com a São José e provavelmente ainda estava a céu aberto, passando também na baixada onde é a esquina da João Moura com a Cardeal.

É a história de São Paulo tentando ser entendida com perguntas, erros e respostas.