quinta-feira, 3 de setembro de 2009

MEU BISAVÔ E PRUDENTE DE MORAIS


Meu bisavô Amedeo Mennucci chegou de Lucca, saindo do porto de Genova, em Santos no final de junho de 1888. Trouxe a esposa, a família (esposa e uma filha) e foi para Piracicaba. Sua filha, a mais velha das irmãs de meu avô Sud, chamava-se Brasilina. Estranho nome para uma italiana, mas creio que demonstrava a vontade e a determinação que meu bisavô deve ter tido para emigrar para o Brasil.

Em Piracicaba, jamais teve vida fácil. Até onde sei, era marmorista. O cemitério de Piracicaba tem muitas obras feitas por ele em túmulos. Não sei para quem mais ele trabalhava. Sei que recebeu um diploma por ter um trabalho exposto na Exposição do Centenário da Abertura dos Portos em 1908, no Rio de Janeiro. Sei também que, nessa época, Sud, já então com 16 anos, não pôde vir para São Paulo para a Escola Politécnica pois seu pai não tinha dinheiro para mantê-lo na Capital.

Foi então que Sud resolveu pegar seu diploma de professor, formado que foi na Escola Normal da cidade, e rumar para... Cravinhos. Mas essa é outra história.

O fato é que Amedeo e seus filhos (teve, além de Brasilina, mais seis) moravam de aluguel. Cem anos depois, uma caderneta de anotação de pagamentos de aluguel veio parar em minhas mãos, cobrindo o período de 1896 até 1913. Amedeo deve ter ficado em Piracicaba mais alguns anos, pois ele veio para a Capital quando uma de suas filhas casou e veio morar aqui.

Na caderneta, o aluguel era inicialmente (1896) pago para um tal Joaquim Eugenio de Amaral Pinto: 50 mil réis. Depois passou, ainda a 50 mil réis (pagos de dois em dois ou de três em três meses, conforme a primeira imagem acima), a ser pago para a Casa Bancária Pedro Alexandrino de Almeida. O próprio Pedro assinava e carimbava com o nome da casa bancária. A partir de junho de 1899, o aluguel passou a ser pago para o “Dr. Prudente de Moraes” ou somente “Prudente de Moraes”. Era o próprio.

Prudente de Moraes havia deixado a Presidência do País a 15 de novembro de 1908 e pelo visto voltado para Piracicaba, já que ele mesmo assinava a caderneta todos os meses. E, realmente, minha avó sempre dizia que Sud e sua família haviam morado na rua do Commercio, numa casas de esquina que pertencia ao ex-Presidente. A rua do Commercio hoje se chama Governador Pedro de Toledo. Eram 100 mil réis todos os meses. A casa não existe mais, mas ao lado do terreno fica o Museu Prudente de Moraes.

Mais tarde, em 1903, a letra muda e quem assina é Júlia Prudente de Moraes. Sua filha? Pelo visto, Amedeo ficou lá até janeiro de 1906. A partir daí, quem assina como senhorio era um tal de Antonio Gaspar Fessel. Seria a casa da rua Voluntários da Pátria, onde Sud também morou?

Enfim, são apenas notas curiosas acerca de meu avô, que milagrosamente passaram pelo tempo e chegaram até minhas mãos. Acima, duas páginas da caderneta com assinaturas da Casa Bancária e de Prudente de Moraes, e mais um detalhe de outra página, com a assinatura de Prudente sobre selos de taxas da época.

5 comentários:

  1. Assim como você também sou descendente de Italianos, e o mais curioso é que tanto a família do meu pai (Sperandelli - corruptela de Sperandeo) e a da minha mãe (Iozzi) chegaram ao porto de Santos em 1888.

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  2. Meu bisavô também veio de Lucca, só que desembarcou no Rio de Janeiro, oito anos mais tarde (1896). Seu primeiro filho nasceu aqui no Brasil, em Neves, município de São Gonçalo em 1898. Meu avô mudou-se para Itaboraí e algum tempo depois foi trabalhar como carvoeiro na região de Bananal-SP entre o final dos anos 1930 e meados dos anos 1950, quando retornou para Itaboraí. Infelizmente não tive a oportunidade de conhece-lo.

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  3. Ralph, o "tal Antonio Gaspar Fessel" era meu bisavô, e amigo daquele que solenemente era chamado "doutor Prudente" por minha avó Elisa Fessel(morreu em 2000, aos 96)e por suas irmãs mais velhas. Note que a rua se chamava Voluntários de PIRACICABA, e não "da Pátria".
    Antonio Gaspar fessel era filho de bávaros, e morreu em 1940, aos 84 anos. Sérgio Guardado

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    1. Oi Sergio aqui é a M.Helena sua prima, filha da Helena e bisneta do Antonio Gaspar Fessel. Outro dia convrsei com o Ciro pra saber melhor tanto sobre nosdo bisavô como sobre seus pais bavaros. Parece que eram Gaspar Fessel e acho que Christine. Vc descobriu algo mais ? Eu queria saber mais ! Grande abraço.

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  4. Sérgio, obrigado pelas notícias. Quanto ao nome da rua, uma vergonha - eu sabia que era de "de Piracicaba" e escrevi "da Pátria", desculpe. Muito bom saber de seu bisavô. Abraços

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