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sábado, 14 de julho de 2012

PREVENDO O FUTURO

Outro dia uma amiga me enviou uma fotografia que mostrava o painel do automóvel DeLian (era assim que se escrevia?) do Michael J. Fox no segundo filme da série "Back to the Future" com a data que ele marcava quando chegava ao futuro: 11 de julho de 2012.

Era hoje! Ou melhor, era aquele dia - que foi a última quarta-feira. Porém, a situação era muito diferente da que o autor previa. Não haviam aqueles skates sem rodas que flutuavam no ar, nem aqueles cinemas que anunciavam filmes com os anúncios externos em animações em três dimensões. Muito menos eliminaram os advogados, o que fae com que o julgamento do "herói" fosse realizado no dia seguinte ao delito. E "otras cositas mas". Minha resposta foi: "quero meu dinheiro de volta, não acontece hoje nada disso".

E daí? E daí, nada! Como sempre, quando se prevê o futuro, acerta-se alguma coisa e erra-se quase tudo. Por que? Bom, não é tão difícil assim responder: a previsão do que vai acontecer sempre se baseia, por mais que o vidente tente fazer de outra forma, na situação atual. Ou seja: as tecnologias evoluem, mas o que as pessoas pensam não. Como isto realmente não acontece, ou seja, a mentalidade das pessoas e a forma de vida sempre se altera - e, hoje em dia, cada vez mais rápido - de forma a que qualquer previsão entra por linhas de tempo de possibilidades cada vez mais infinitas.

Vejamos velhas previsões. Dizem que Julio Verne acertou muitas das tecnologias futurísticas em seus livros, mas reparem: acertou alguns conceitos, pois as coisas em seu entorno pouco se alteravam. Os Jetsons, desenhados nos anos 1960, previram coisas engraçadas, mas que não aconteceram nos cinquenta anos seguintes: casas e não prédios suspensos em alturas enormes por um pilar central e carros voadores, comidas em pílulas, videofones (estes existem hoje, através dos celulares e computadores, mas quantas pessoas usam?). E, reparem - não havia computadores.

O mundo atual como o vivemos tem televisão, rádios, telefones fixos e móveis (celulares), automóveis, trens, ônibus, aviões e computadores. Se olharmos para trás, há cinquenta anos tudo isso já fazia parte de quem vivia uma vida "normal", exceto os telefones celulares e os computadores. Estes últimos, por sua vez, existiam, mas eram restritos a grandes empresas.

Recuemos cem anos - 1912 - e desde aí, sim, as mudanças foram muitas. Havia poucos telefones fixos e poucos automóveis; muitos trens. Porém, as distâncias já podiam ser percorridas em muito menos tempo do que cinquenta anos antes disso (1862).

Lembro-me de ter visto uma figura de previsão da cidade de Paris para 1950, desenhada por volta de 1890. Uma cidade cheia de fios em muitos postes, onde todos ainda se vestiam da mesma forma que em 1890 e havia o perigo de se tropeçar em fios, que cobriam toda a vista das sacadas das casas. Quem reclama da fiarada de São Paulo nos postes (fiação enterrada aqui exste em pouquíssimos bairros e ruas), fica com o consolo de que a Paris do futuro ano de 1950 tinha-os em quantidade muito maior.

Portanto, com a tecnologia evoluindo de forma cada vez mais rápida, com as ideias políticas alterando-se velozmente, a educação indo para o buraco e a criminalidade aumentando junto com a permissividade sexual, com as minorias reivindicando tantos direitos que os preconceitos tendem a aumentar cada vez mais em vez de diminuir, com as ideias de ecologia tentando modificar o mundo onde as pessoas não querem perder as facilidades conquistadas para "salvar o mundo" e os capitalistas não têm interesse nenhum em adotar as teorias "sustentáveis" pois isso significa muito mais gastos, podemos prever que é impossível prever a semana que vem, imaginem os próximos cinquenta anos.

Por isso, sigam meu conselho: não acreditem em previsão alguma de nada" Nem as catastrofistas, nem as de promessas de paraísos, nem em que absolutamente nada mudará. Apenas sentem e, se quiserem, façam suas apostas na bolsa de apostas de Londres, que aceita qualquer coisa. E espere para ganhar ou perder dinheiro daqui a alguns anos quando tudo se abrir para você.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

ECOLOGIA VERSUS SEGURANÇA

Bem, acabou a Rio + 20. Não que eu tenha acompanhado a fundo. Aliás, só acompanhei mesmo as manchetes de jornais e um ou outro comentário nas rádios e internet. Deu no que todo mundo sabia que ia dar, mas, como o Dr. Gregory House sempre falava, "todo mundo mente". Ou: só os hipócritas se dão bem.

Sim, porque ecologia e dinheiro não se dão bem. Li uma frase ontem que dizia que "os catadores de sucata no Brasil fazem bem mais pela ecologia que a Rio + 20". E é verdade, mas o motivo de um fazer mais e outro menos é o mesmo: dinheiro.

Os catadores não são heróis como se apregoa. Pelo menos, não o são pelo motivo que se apregoa. Eles só catam lixo reciclável porque precisam ganhar dinheiro para viver; apenas e tão somente por isso. Se eles não precisassem do vil metal, certamente não iriam catar lixo. Eles são heróis, sim, por conseguirem sobreviver com o que ganham procurando e vendendo latinhas de alumínio.

Já a Rio + 20 teve algum orçamento monstruoso para reunir tanta gente importante num só lugar e promover eventos e festinhas por ali, mas o que menos os interessava era salvar o planeta. Mais ou menos como os supermercados paulistas, que dizem que querem trabalhar pela ecologia, mas o que querem mesmo é economizar dinheiro não comprando saquinhos para distribuir a seus fregueses e muito menos pagar salários de fome aos embaladores de compras que ficavam no caixa, sumariamente demitidos. E não salvam o planeta, porque o consumidor lesado e sem poder fazer grande coisa vai ter de comprar saquinhos tão poluentes quanto os outros para colocar seu lixo para o lixeiro levar, em vez de usar os saquinhos do supermercado.

Em resumo: ecologia não dá lucro para ninguém. Tudo feito de modo ecológico é mais caro e, muitas vezes, apressam o fim de espécies. Não sou contra ecologia. Sou mesmo é contra o desperdício. Nunca desperdicei nada. Não jogo papel e lixo em lugares que não sejam uma lata de lixo. Ensinei meus filhos a fazerem o mesmo. Detesto objetos de plástico, só uso os que não tem jeito mesmo. E por aí afora. O plástico tirou a beleza e a graça dos objetos, mas só o fez porque é mais barato do que o resto.

Enquanto isso, temos de ler nos jornais absurdos piores e ficarmos também sem poder fazer nada quando pessoas matam bandidos que invadem sua casa - para assaltá-lo e talvez matá-lo - para se proteger. O delegado o prende - você, não o bandido - e diz que você abusou de seu poder, que deu mais tiros do que devia, e com palavras arrogantes o enfia numa cela cheia de bandidos estupradores e outros quejandos. O atirador somente é libertado no dia seguinte com a presença de um advogado.

Não vi nenhuma entidade de direitos humanos protestando contra a prisão do dono da casa, que teve de salvar a sua esposa, atirada ao chão, deitada e sob a mira de um revólver de um bandido. É isso que queremos da vida? Discutir ecologia ou discutir a segurança de sua vida? Como disse o sujeito que foi para a cadeia, pois deu cinco tiros e matou o invasor em sua cozinha, "ora, esse delegado acha que eu fico contando os tiros que eu dou para salvar a minha vida e a de minha esposa? O bandido por acaso ia contar os dele?"

Como discutimos bobagens, hoje em dia. O que nos é importante, como ter bons governos, não ter a corrupção sobre nós, viver decentemente e ter segurança é substituído por coisas estúpidas, como discutir direitos humanos para bandidos e se saquinhos plásticos poluem os rios e as bocas de lobo. Ora, dê educação para seus filhos, que eles não jogarão isso nas ruas!

Por falar nisso, o que significa, mesmo educação? Será o cação que o Edu pescou?

terça-feira, 3 de abril de 2012

BERTIOGA APARECEU NO JORNAL DE DOMINGO

Segundo a foto do jornal, esta seria a frente do terreno ameaçado

Eu mal conheço Bertioga, no litoral de São Paulo. Estive lá quando criança, lembro-me vagamente da saída da balsa que era mais ou menos no que era a cidade praticamente inteira. Anos 1960. Depois, cresceu, claro, mas não tanto assim, Depois que foi aberta a ligação por terra com Santos e Guarujá - antes havia de se atravessar por balsa, ou vir pela praia, apanhando muito, desde São Sebastião, descendo a serra antes vindo de São José dos Campos - e a Mogi-Bertioga, lá por 1982, aí sim houve condições para crescimento.

Em 1991 virou município, separando-se de Santos. Aí, a filosofia é sempre crecer, crescer, crescer. Mas a quem interessa crescer? A população ganha o que com isso? Bom, em princípio, ela passa a se suprir na própria cidade em vez de ter de viajar para Santos ou Guarujá - estou falando no caso de Bertioga. Depois, se o dinheiro começa a entrar por arrecadação, seja qual for o motivo, as ruas são asfaltadas, o esgoto chega, o suprimento de água melhora, a eletricidade e a telefonia crescem... mas o dinheiro tem de vir de algum lugar. Em muito municípios que são criados, o dinheiro vem de fundos federais para sustentar uma cidade que não tem indústria, a agricultura é fraca, o comércio também, o turismo não existe...

Em Bertioga sempre existiu turismo, ainda que raquítico até os anos 1980. Afinal, o acesso às praias era somente para aventureiros. Depois, veio a Riviera de São Lourenço, maia afstado do centro, que povoou toda uma praia de pesacadores. Aí, a cidade começou a crescer no sentido dela.

Tudo isto estou falando sobre a reportagem publicada em O Estado de São Paulo de domingo, dia primeiro de abril. Porém, por ela se vê que a população da cidade monta a quase 48 mil pessoas e que, com a possível construção de um empreendimento num dos poucos lugares ainda desertos entre a cidade velha e a Riviera, ela pode até duplicar. E isso me fez pensar: isto é bom ou é ruim?

A construção de um empreendimento desses, um conjunto de prédios que vai arrasar com 25 % de mata nativa junto à praia, mantendo teoricamente os restantes 75%, trará novos habitantes à cidade, tanto os que podem pagar pelos apartamentos, quanto os que vão tentar viver mais modestamente desse aumento de população mais aquinhoada.

Se fosse em São Paulo, a resposta para a pergunta "essa cidade precisa mesmo disso?", a meu ver, seria não, sem maiores análises. Mas em Bertioga, qual é a resposta? Em minha opinião, poderia até ser sim - ou melhor, bom, pode ser bom para Bertioga - mas isto é realmente analisado hoje pela prefeitura local?

Geralmente, prefeitos e vereadores querem que a cidade cresça para terem mais votos e mais dinheiro para dividir para investimentos de infra-estrutura, que realmente são bons para a cidade, e de outras coisas que muitas vezes somente interessam a uma quantidade limitada de investidores. Por isso, investimentos com os desses prédios não são analisados realmente a sério.

A outra pergunta é: se a cidade precisa disso, precisa ser ali onde se quer fazê-lo? As consequências para a ecologia são ruins. O local é bonito e deveria permanecer público e mantido no máximo possível como virgem. Porém, o terreno é particular - pode-se influir nisso sem prejudicar os seus donos? A mata que se manterá depois das construções dará acesso apenas para os moradores do local e não para as pessoas que hoje podem usufruir do lugar, que, aparentemente, permie a passagem de quem quiser.

Conclusão: para realmente se investir no desenvolvimento de uma cidade, há que se analisar muito mais do que a permissão para se construir num lugar vazio. Tudo deveria depender da real previsão de ganho para todos os habitantes. E isso nunca é feito. Apenas se diz que será feito.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

CONFISSÕES DE UM RANHETA

Quantos saquinhos v. vê aqui?

Na história dos saquinhos plásticos descartáveis dos supermercados, quem faz o papel de palhaço é você - ou melhor, todos nós, com exceção, claro, dos familiares dos donos de supermercados e dos fabricantes de sacos plásticos para lixo.

Tomaram uma decisão baseada nos poetas e sabichões que acham que a "ecologia" vai salvar o mundo e ferraram com um monte de gente que faz compras em supermercados. Bom, tem alguém que não faça?

Ora, vamos (eles, os supermercados) deixar de dar sacolinhas grátis (economizando um valor avaliado em no mínimo 200 milhões de reais), enquanto você entra com o dinheiro: passa a comprar sacolas biodegradáveis (em teoria - já viu alguma se biodegradar? Não, por que demora tempo "pra burro").

Não quer comprar sacolas? É desaforo, não é? O lucro dos supermercados aumentou bastante e mais ainda por vender essas porcarias, e você que pague. Alternativas? Peça uma caixa - que geralmente não tem, pois todos as querem e não há caixa que chegue. A maioria das caixas está rasgada ou é fraca demais para o peso das mercadorias. Além do mais, já tem espertinho dizendo que "com caixas usadas há o perigo de contaminação dos produtos comprados. A desculpa vai aumentar cada vez mais e eles não pararão de ceder caixas para "ajudar a sua saúde".

Bom, com poucas caixas, você vai ter de trazer sacos, cestas e carrinhos de feira da sua casa. Claro, se você lembrar. Mas, muitas vezes, você está voltando do serviço ou de qualquer outro lugar e decide ir a um supermercado fazer compras. E não tem nada disso no carro. O que fazer? Jogar as mercadorias na mala do carro depois da compra ou comprar os belos saquinhos "ecológicos".

Ah, não é lei! Fizeram um "acordo" para salvar o mundo! É mesmo? Ninguém me chamou para essa reunião. Claro, eles não chamam os palhaços e trouxas para reuniões. Eles quem? Os supermercados, claro! Ah, mas em Jundiaí, eles fizeram um teste de sei lá quantos meses sem saquinhos e "a população aprovou". Mesmo? Será que em Jundiaí somente tem palhaços?

Bom, aqui na Grande São Paulo, nas duas vezes que fui a supermercados depois da "lei Áurea", discuti com funcionários por causa disso. Eles dizem que "foram ordens de cima" e "que nada podem fazer", mas, naquele momento, eles representam a empresa. Então, têm de ouvir mesmo! Os franceses daquele lixo do Carrefour e o arrogante sr. Diniz não vão querer ouvir nossas "baixarias". Fora os Srs. Wal-Mart e Dias da vida.

No jornal de hoje, anuncia-se que "adiaram o acordo por 2 meses" pois "havia reclamações de clientes que não tinham onde carregar as mercadorias". Puxa! A coisa deve ter sido grave, para terem suspendido provisoriamente o acordo.

(Perguntar não ofende: e as garrafas pet???????)

Que tal chamarem a população para a reunião de discussão do tal acordo? Não adianta chamar ecochato. Estes são poetas - não estão no mundo real. Eu passei a vida inteira economizando papel para usar novamente, idem com plásticos, e ninguém me ensinou isso. Não jogo lixo fora de uma lata de lixo nem a paulada. Colaborei sempre com coletas seletivas. Agora, porém, a vontade que tenho é de recolher todo o lixo da minha casa todos os dias e jogar no Tietê - que, por acaso, fica a 500 metros apenas da minha casa. Chega de ecologia. Ecologia é para poetas... e palhaços.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

TODAS AS CORES DO ESPECTRO VISÍVEL E A REALIDADE

O metrô do futuro...

E não é que hoje no "Estadão" saiu uma reportagem onde o governo do Estado anuncia um plano de construção de "n" linhas do metrô até o ano 2030? Linhas que preenchem todas as cores do espectro - só faltou a linha "fucsia", aquela cor que somente as mulheres enxergam.

Será que realmente o governo conseguiria construir todas essas linhas, que, conforme o mapa que anexo acima, publicado pelo mesmo jornal, além de cruzar a Grande São Paulo (especialmente a capital) ainda a contornaria como um metroanel? Bem, tecnicamente, sim, ele conseguiria, por que não? Só que o histórico da construção de linhas de metrô em São Paulo (e no Brasil como um todo) não é nada animador.

Apesar de as linhas do metrô paulistano terem crescido mais rápido que em outras capitais, ela ainda teve esse crescimento de forma muito lenta - imaginem, então, como foi e continua sendo no Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador (este último parece piada) e outras cidades. Além do mais, os fatores licença ambiental, burocracia, intervenções do Ministério Público, licitações mal feitas, demora nas decisões, falta de verbas, desvio de verbas etc. têm causado enormes atrasos a ponto de inviabilizar, em alguns casos algumas das linhas projetadas. Isto acontece com as ferrovias Brasil afora também: vide Transnordestina, Norte-Sul, Oeste-Leste, Ferrovia do Aço, Ferroeste...

Foi publicada também hoje (li no boletim da Revista Ferroviária na Internet) alguns comentários a respeito do prazo para a construção de linhas ferroviárias no Brasil, feitos pelo presidente do Metrô paulistano, Sergio Avalleda. Algumas muito bem colocadas.

Vamos lá, tentando resumir o que ele falou: "defendeu a criação de um “fast track” para a aprovação ambiental de projetos ferroviários urbanos por conta dos benefícios gerados para o meio ambiente pela construção de linhas de metrô e trens metropolitanos". "Quem faz a conta dos prejuízos ambientais causados pelo aumento na produção de automóveis no Brasil? Por que não existe um reconhecimento explícito das vantagens ambientais das obras ferroviárias?" "a Lei de Licitações a que estamos submetidos é de 1993. Ignora a existência da internet, o que atrasa todos os processos”. "quem faz política de transportes no Brasil não é o ministro dos Transportes, mas o ministro da Fazenda, que reduz o IPI e inunda as ruas de automóveis e caminhões". "Hoje, não faltam recursos para investimento no governo federal e nos governos estaduais. Se não formos mais rápidos nas licitações, na elaboração de projetos e no aproveitamento dos recursos existentes a oportunidade vai passar e vamos continuar diante das mesmas questões. Um país se torna desenvolvido não quando compra mais automóvel e televisão, e sim quando se dota de infraestrutura”.

Alguém discorda? Venho falando disso há anos. Só que a mim, pobre mortal palpiteiro, ninguém escuta. Já Avalleda fala mais alto... será alto o suficiente? Concordo com tudo que ele falou!

Em suma: dá para esperar que em 2030 todas essas linhas estejam prontas? Em tempo: as frases em itálico foram transcritas do texto da RF.

terça-feira, 7 de junho de 2011

AFINAL, QUEREMOS O QUE?

As pessoas acusam o governo de querer construir a usina de Belo Monte de qualquer forma, atropelando as leis etc. Falam a mesma coisa do fato de o mesmo governo querer construir de qualquer maneira a linha do TAV entre Campinas e Rio de Janeiro.

Aqui em Alphaville, apenas duas ou três semanas depois de a população se manifestar e protestar nas ruas contra a construção de prédios em excesso sem qualquer planejamento urbano, o jornal local (Folha de Alphaville) anuncia inúmeras contruções dando hurras para os empreendedores. Ué, não foi o mesmo jornal que noticiou o problema há 20 dias? Foi, mas parece que agora a "oposição" está querendo mostrar quem é que manda.

A prefeitura de Barueri não se manifesta. Tirou algumas lombadas de duas avenidas e foi só. Parece até que isso resolve o problema.

O que se deve tirar de tudo isto é que o governo e os tais empreendedores estão certos: o povo quer isso. Protesta, mas quer tudo isto. Se se constróem prédios enormes é por que haverá compradores. Se se constróem usinas hidrelétricas é por que a energia será consumida, e não somente isso: faltará energia com o desenvolvimento previsto da região norte do país, sem essa usina.

O TAV é uma alternativa para os entupidos aeroportos e aviões. O povo precisa disto.

Vejam: não concordo exatamente com os prédios sendo construídos. Aliás, não concordo nada. Mas as pessoas, mesmo as que reclamam, continuam comprando.

Resumo: somos uns hipócritas. Queremos luz e força mas não queremos que se construam usinas. Queremos viajar melhor mas não queremos que se construa um trem decente porque ele é caro. Não queremos mais prédios, mas os compramos.

Enfim, senhores ecologistas: se decidirmos todos morar em cavernas, faltarão cavernas para todos os interessados.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ECOLOGIA E HIPOCRISIA


Eu já escrevi neste blog acerca deste assunto. Vou escrever de novo. Não, não reli o que sei que escrevi sobre isto há alguns meses. Vamos ver se assim consigo manter o que disse ou se estarei sendo contraditório.

A Sra. Marina Silva conseguiu quase 20% dos votos dos eleitores brasileiros dizendo que quer fazer um governo sustentável. Pode ser que ela acredite nisso. Sinceramente, não acredito que ela acredite. Explicarei por que.

Desde quando uma sociedade que atingiu determinado grau de desenvolvimento tecnológico e de conforto (pelo menos parte de nós) vai querer voltar atrás nos seus prazeres? Ela - nós - não vamos querer abdicar de telefones celulares, casas confortáveis, automóveis e - especialmente - do dinheiro que precisamos ter para conseguir comprar tudo isto. Não, não vamos mesmo. Pode ser que um ou outro aceite isso. Mas a imensa maioria não quererá.

A sociedade, seja ela brasileira ou de algum país da Europa, não vai querer regredir. Ela somente andará para trás, baixando seu nível de conforto, se for obrigada a tal. Enquanto houver petróleo, água, metais necessários para fabricar uma série de aparelhos que tocam nossa vida hoje, madeiras para sustentar nossa construção, a sociedade, seja ela pobre ou rica, vai continuar consumindo tudo isto.

Claro que ela pode sempre reciclar papel, plásticos, vidro ou metais para aumentar a produção. Nos países com maior população de gente pobre, como o Brasil, essa reciclagem será sempre maior, pois os que não têm emprego ou meios para se sustentar vão continuar invadindo desde latas de lixo até lixões urbanos e a se arriscar a contrair uma doença mergulhando nessa pilha de sujeira frequentada também por ratos, baratas e insetos em geral, para coletar o que for reciclável e vender a preços baixíssimos para poder comprar o sanduíche de hoje.

Os cortadores de madeiras nas florestas que devem ser preservadas vão continuar cortando, pois sempre haverá mercado para madeiras nobres. A fiscalização é quase que impossível, principalmente num país onde a corrupção é meio de vida de uma minoria bastante ativa (não, eu não acho que todo brasileiro é corrupto - apenas uma minoria é, mas essa minoria é suficiente para desequilibrar os orçamentos e as políticas).

Enfim, uma consciência voltada para a ecologia somente existirá no mínimo 20 anos depois que a matéria ecologia for dada em escolas desde o jardim de infância de forma séria e sendo acompanhada por atitudes coerentes por parte dos pais. 20 + 20 = 40 anos. Antes disso, qualquer medida é paliativa e principalmente inútil.

Pessimismo de minha parte? Não, realismo. E olhem, é duro reciclar lixo em casa. Embora a prefeitura de Parnaíba tenha carros que recolhem material reciclável de casa em casa para levar para uma cooperativa que trabalha com eles, é duro ver que todo o lixo que v. separa é juntado de novo dentro do caminhão para ser re-separado depois. Parece brincadeira, não?

E ainda oedem para entregar tudo limpo. Limpo, como, se para lavar tudo isso gasta-se água preciosa e detergente que polui os rios? Faz sentido tudo isso? Melhor é não consumir, voltar às garrafas de vidro retornáveis de refrigerantes. Mas, como assim? E ter de carregar todo aquele peso para os supermercados para trocar de novo como se fazia até 20 anos atrás? Eu é que não!!!!

E por aí vemos como estamos dispostos a colaborar com o meio ambiente - ou não. Cara Marina, não perca seu tempo pensando para quem dar seu apoio... é melhor usar algum outro critério. Vai ser difícil, se analisarmos o programa dos candidatos.

domingo, 28 de março de 2010

A DERRUBADA DAS MATAS

O Estado de S. Paulo, 28/3/2010

A reportagem de hoje sobre derrubada das matas na região do Litoral Norte do Estado dá o que pensar, mas não em termos de “oh, meu Deus! A situação está muito ruim! As matas estão desaparecendo no Estado, no País e no mundo, que calamidade”!, e sim de outra forma. Afinal, não é novidade, pelo menos para mim, que isso está acontecendo, e já faz tempo!!!

Dá o que pensar no sentido de que dificilmente isso irá regredir, as matas voltarão a ser o que era antes etc., pois o ser humano, que é o grande devastador, não vai deixar de fazer o que já vem fazendo há pelo menos 500 anos. O fato é que, quanto mais o homem desenvolve o seu conhecimento, quanto mais nós aprendemos a dar conforto aos outros para ganhar dinheiro, quanto mais nós nos convencemos de que vivemos para ganhar dinheiro (claro, existem pessoas que pensam diferente, mas são muito poucas e pouco afetam), mais as matas serão devastadas.

E não adianta fazermos campanha pelo verde, pois ninguém vai abdicar de um conforto já adquirido ou, no mínimo, conhecido, para salvar as matas. Mesmo o sujeito pobre que nunca conseguiu nada na vida e que more em condições miseráveis não vai abdicar de sonhar em melhorar de vida. E, se tiver uma oportunidade, agarrar-se-á a ela com unhas e dentes.

Somos hipócritas nesse sentido. Alguns sabem que são, outros não percebem que são e outros não querem ser, mas são e se sentem mal por sê-lo... e continuam sendo. É falta de opção, mesmo. Ou não: a outra opção é regredir ao tempo das cavernas e esquecer tudo o que aprendemos e vimos durante nossa vida. Quem escapa disso? Os aborígenes, índios, enfim, aqueles que têm pouco ou praticamente nenhum contato com os povos ditos civilizados. E os Amish da Pensilvânia (há também amish em outros locais), claro, que realmente se esforçam para viver sua vida igual a 200 anos atrás. Nada contra, mas deve ser difícil... entretanto, eles vão levando. Mas, notem, não chegam a 200 mil pessoas em todo o mundo.

Fidel Castro pode ser tudo o que nós quisermos: tirano, assassino etc., mas não é nada burro: a frase que ele disse numa entrevista há uns dois anos mostra uma grande verdade — o mundo não aguenta 1 bilhão de chineses vivendo em condições iguais aos quase 300 milhões de americanos vivos. Some-se a isto 1 bilhão de indianos etc. etc. etc.

Uma frase que li hoje, enviada por um amigo, diz que uma determinada pessoa — não me lembro o nome agora nem faz diferença — falou que não se importa de não apagar a luz do quarto que não está usando, ele pouco se importa com o que será o mundo daqui a cem anos. E um professor meu, nos anos 1960, falou uma frase que na época ainda não era condenada pelos “policiadores” que existem hoje: “eu não acho certo que abdiquemos de nosso conforto hoje somente para que nossos descendentes daqui a cem anos as tenham”. É uma frase sincera, mas mostra que, sabendo que não estará vivo daqui a cem anos, pouco se lixa para seus próprios netos. Mas, no fim, não somos todos assim?

A questão é: podemos pensar diferente das pessoas citadas acima, mas adiante, se não desistirmos de nossas confortáveis vidas de hoje e não voltarmos ao século 10 antes de Cristo? Nem digo voltarmos para trezentos anos atrás, pois a população da Terra já cresceu pelo menos seis vezes em relação a essa época. Adianta alguns milhares de ativistas radicais fazerem isso?

Não adianta. Somente uma catástrofe radical faria com que as pessoas voltassem a épocas remotas, não por opção, mas por não ter outra opção. Tudo isto não é motivo para que as pessoas deixem de fazer sacrifícios como são propostos nas propagandas (que já enchem o saco) que infestam a mídia hoje em dia. Nem sou contra. Faço até uma parte e faço há muito tempo, quando, com doze anos de idade no início dos anos 1960, recusava-me a jogar papel escrito de um lado fora, pois achava que tinha de usar o outro lado para não terem de fazer mais papel para mim (o raciocínio era meu e não tirado de alguma propaganda). Mas há vezes em que não dá para fazer isso. E, desgradaçadamente, muito mais vezes do que quando não preciso fazer.

Olhem o mapa acima. A Serra do Mar somente escapa da devastação nesse ponto porque o acesso a vários pontos ali é difícil. Se não fosse, já teria ido para o saco. Não sejamos hipócritas. É só olhar para a faixa clara no eixo da via Dutra e da linha da ex-Central do Brasil que está no mapa, bem clara (nos dois sentidos). Façamos o que pudermos, mas dificilmente reverteremos a situação global... podemos pelo menos tentar manter a situação atual. Mas, acredite, vai ser muito difícil. Queremos manter nosso conforto, certo?