terça-feira, 8 de março de 2011

O FIM DO VELHO BUTANTAN

Fotografia de 2006, mostrando as simpáticas casinhas que existiam na rua Henrique da Cunha sendo demolidas para ampliação da loja da Tok Stok (Foto Alexandre Giesbrecht)
A destruição do velho Butantan segue a passos largos em São Paulo. Com ajuda da Prefeitura, um dos últimos rincões de sossego já virou um inferno faz vários anos. A falta de um acesso decente da Marginal Direita do rio Pinheiros à ponte da Eusébio Matoso fez com que a Prefeitura aproveitasse as ruas Bento Frias e Pero Leão para isso. Resultado: o tráfego de automóveis, caminhões e ônibus nessas duas pequenas ruas encostadas às cocheiras do Joquei Clube se tornasse insuportável durante boas partes do dia.
Em 7/3/2011, fotografia do mesmo local da foto acima com a loja da Tok Stok recém-terminada (Foto Alexandre Giesbrecht)
Com isto, a pressão da loja Tok Stok para a ampliação de sua loja nem deve necessariamente ter sido muito forte. Em 2006, casinhas simpáticas da rua Henrique da Cunha (nome do acesso da avenida Eusebio Matoso para a Marginal Direita) já estavam sendo demolidas (vide foto daquela época). Hoje, março de 2011, a enorme loja com estacionamentos já está pronta e um novo monstrengo compõe a paisagem urbaníssima do local.
Atrás do monstrengo, outro bombardeio: nos últimos dois-três meses, sumiram diversas - sobraram somente três - casinhas geminadas de 10 metros de frente que ficavam entre as ruas Bento Frias e Pero Leão. Segundo informações de pessoas que moram na extremidade da Pero Leão e não foram afetadas pela destruição, apenas uma das casas resiste à pressão dos construtores de um prédio de escritórios, mas já se tonou uma ilha a esta altura. As outras duas apenas aguardam o momento de se mudar.
O "octógono irregular" em vermelho mostra a série da casinhas geminadas, todas provavelmente dos anos 1950/60, que foram demolidas - o Google Maps ainda estava desatualizado em 8/3/2011 - apenas três ainda estão em pé.
Neste "quarteirão-ilha" entre as duas ruas (a Pero Leão começa e termina na Bento Frias, depois de ambas fazerem curvas de noventa graus), apenas os dois extremos não deverão cair desta vez. O lado que fica em frente às cocheiras, onde há uma velha construção que já foi o Colégio Equipe e depois uma unidade do Pentágono (hoje está abandonada) e também uma casa que serve hoje de escola de música, e o outro lado, onde há dois escritórios e um restaurante. O resto é hoje um buraco com restos de demolição.
Vistos da rua Bento Frias, os fundos das três casas que ainda estão de pá na Pero Leão (Foto Alexandre Giesbrecht)
Em termos de trânsito e infraestrutura, há de se reconhecer que o aumento da loja da Tok Stok não vai mudar muita coisa - inclusive, o estacionamento tem entrada agora pela Henrique da Cunha e não na Pero Leão. Porém, um prédio de escritórios ali na "ilha" vai sem dúvida trazer muito mais movimento a um acesso já bastante congestionado. Será que a Prefeitura não percebe isso? Como ela autoriza um prédio desses ali? Para que serve, afinal, a Prefeitura?
Resta saber se, na hora de se demolir as casas do outro lado da Pero Leão e que ainda estão todas de pé (quem será que vai patrocinar sua compra e demolição?) e os galpões que existem do outro lado da Bento Frias, o que farão nossos responsáveis administradores para piorar ainda mais as condições de tráfego e de infraestrutura da região.
Finalmente: até quando aguentarão as casas que ficam na Marginal, pertencentes ao Joquei (ver foto acima)?

segunda-feira, 7 de março de 2011

A DIVISA MUNICIPAL ENTRE SÃO PAULO E SANTANA DE PARNAÍBA

Na imagem do Google Maps, na parte de baixo vemos em amarelo o túnel do Rodoanel seguindo dali para nordeste. A estrada da fazenda Itaiê acompanha o córrego do Itaim e segue para noroeste - essa é parte da divisa atual dos dois municípios
Eu gostaria de fazer um levantamento das divisas atuais do município de São Paulo com os limítrofes. Haja tempo. Por enquanto, fico com o que está mais perto.

A divisa da Capital com o município de Santana de Parnaíba, a antiga Parnahyba, data de 1625. Porém, desde essa época, muita coisa se alterou nessa divisa. Por exemplo, o que é hoje o município de Barueri pertencia a São Paulo e somente em 1809 foi anexado a Parnahyba.
O relatório acima mostra as divisas dos dois municípios em 1908. Hoje é muito menor
Enfim, se considerarmos as divisas de 1908 - cem anos depois da anexação de Barueri por Parnahyba -, veremos que naquela época a divisa entre os dois municípios era muito maior. Os desmembramentos posteriores de Osasco, Barueri, Carapicuíba e Cajamar reduziram bastante essa divisa. Em 1908, ela começava junto ao quertel de Quitaúna e dali subia o Tietê, entrava pelo córrego Vermelho até suas cabeceiras (este córrego hoje divide Barueri e Osasco passando por duas ruas: Diretriz e Alagoinhas. Das cabeceiras seguia até o topo do morro Catanumi (também chamado de Jaraguá-Mirim), onde nasce o córrego do Garcia, que segue para oeste e hoje divide Barueri de Santana de Parnaíba. Sob esse morro passa um dos túneis do Rodoanel.
Aqui, a divisa continua no córrego Itaim, difícil de ser identificado na imagem, mas à direita do bairro que aparece no quarto esquerdo baixo da imagem do Google Maps, mais ou menos no centro da imagem de sul a norte
Aí começa hoje a divisa atual dos dois municípios, seguindo para noroeste acompanhando tanto o córrego Itaim quanto a estrada da Fazenda Itaiê. A divisa toda está na mata, descendo a enconta do Catanumi. Por aí descia (em 1908) até o desague do rio córrego no rio Juqueri. Hoje, o final da divisa se dá antes: mais precisamente, onde o córrego do Paiol Velho se encontra com o do Itaim, fazendo uma divisa tripla Santana de Parnaíba-São Paulo-Cajamar.
Aqui, dois córregos fazendo a divisa tripla citada no texto. O tubo é o Itaim entubado, e ele continua no sentido da curva do canal. Em primeiro plano, a chegada do rio Paiol Velho. Na foto, à direita do muro branco e também o automóvel estão em São Paulo. À esquerda do córrego do Paiol Velho, em primeiro plano, é Cajamar; à direita do mesmo, até o tubo, é Santana de Parnaíba, bairro de Colinas da Anhanguera.
Nesse ponto, a área urbana já chegou (o bairro ali pertence a Parnaíba e se chama Colinas do Anhanguera), mas é um trecho curto. Boa parte da divisa aqui em quetão corre dentro da Fazenda Itaiê em áreas de mata ou rurais.

sábado, 5 de março de 2011

ORIGEM E FINAL DE UM LIVRO SOBRE TRENS

A estação de Itatingui, em Pederneiras, SP: origem do nome do livro "Um dia o trem passou por aqui", em 2001
Meu livro UM DIA O TREM PASSOU POR AQUI foi lançado em novembro de 2001, quase há dez anos atrás. Foi meu segundo livro, o primeiro sobre ferrovias. Graças a Deus foi muito bem recebido. Recebi muitos comentários desde então e os dois abaixo foram os que mais me emocionaram.

Pouca gente sabe, mas o nome teve origem na estação de Itatingui, uma pequena estação ferroviária situada na área rural de Pederneiras, perto de Jaú, no Estado de São Paulo. Eu havia visitado e fotografado a estação em 2001 enquanto estava escrevendo o livro. Gostei muito do local e do prédio. Postei as fotografias que tirei aquele dia numa lista de discussões da Internet e chamei o e-mail de "Um dia o trem passou por aqui", referindo-me ao fato de ali não haver mais trilhos: a estação está no meio do nada, e achei fantástica aquela cena de imaginar que um dia, há muitos anos atrás, trens passavam por ali. Alguém comentou na lista que gostou do título e me chamou a atenção para ele. Eu então o coloquei como nome do meu livro.

Primeiro comentário: Recebi o seu livro. Estou maravilhado. Tinha grande curiosidade pela obra, mas, com sinceridade, não esperava algo tão sensacional. O livro é extremamente belo. Extremamente belo. O capítulo sobre os trens da Alta Sorocabana, com aquela fotografia da estação de Martinópolis, ainda tão cheia de gente, certos detalhes simplesmente inacreditáveis (a famosa curva depois de Martinópolis, em que o trem parece que quer, vamos dizer, atropelar-se, e em que se tem a sensação de que ele está indo para qualquer lugar, menos na direção de Presidente Prudente) - por que não dizê-lo? - comoveram-me até às lágrimas, literalmente. É por isso, caro Ralph, que o trem me desperta muito a curiosidade e a paixão: porque, exatamente como nas fotografias que abrem os capítulos 1 e 6, ou como no agradável texto de Sud Mennucci, ele lembra o povo da nossa terra. Acabou-se o trem, porque acabaram, antes de tudo, as pessoas que gostavam de acenar-lhe quando passava, que se emocionavam por vê-lo chegar, que se preocupavam em empregá-lo simplesmente porque demorava mais, é verdade, mas era mais alegre e permitia que se sentisse o cheiro do mato. Pequenos gestos que, para mim, significavam uma outra visão de mundo, menos brutal que a nossa, nos dias que correm. Por outras palavras: nos nossos dias, em que as coisas do espírito passam por um velado mas persistente desprezo, o trem iria mesmo acabar-se. Não sou crítico literário, não sou entendido em ferrovias, mas, pelo menos para mim, você escreveu um livro fantástico. (Josué Modesto Passos)

Segundo comentário: "Um dia o trem passou por aqui" é um livro que faz recordar, refletir, sentir saudades e angústia. E que dá uma baita bronca contra os mandões que foram acabando com o trem de passageiros. O autor, um paulistano de 51 anos, conta histórias de trem. Descreve as alegrias e tristezas de uma viagem, percorre a história brasileira exemplificada na fase áurea do café, reproduz depoimentos, recupera artigos publicados há quase um século pelo seu próprio avô, o educador Sud Mennucci - e tudo isso é muito bom. O lado triste, que amargura, é a constatação no capítulo 13, cujo título é O fim dos trens de passageiros no Estado. Uma foto que abre este capítulo sintetiza todo o drama registrado pelo autor. Diz a legenda: "O último trem da linha Itirapina-São José do Rio Preto estacionado, com míseros dois carros de passageiros, em 14 de março de 2001, no segundo trilho junto à plataforma de Itirapina. Ele aguardava a chegada da composição que vinha de Campinas para Bauru, que pararia na primeira linha. A melancólica última viagem determinava também que, se o trem de Campinas chegasse atrasado, o outro partiria assim mesmo". Fiel à realidade, minucioso nas datas - há um mapa cronológico das linhas das ferrovias no Estado de São Paulo que focaliza, ano a ano, de 1867 a 2001, tudo o que aconteceu na ferrovia paulista - Ralph nos oferece um retrato perfeito do tema. O texto fascina. "Rio Claro!" gritou o ajudante do trem. Daí a pouco, a plataforma da estação regurgitava de viajantes apressados, carregando malas, segurando crianças, ensurdecidos pelos berros dos carregadores, do bufar insistente das caldeiras das máquinas, apitos dos guarda-chaves e rolar de carros em manobras. Um vai-vem, um vozerio sem fim" (trecho que abre o capítulo 1, A ferrovia romântica). "Desde 1865, a São Paulo Railway transportava passageiros gratuitamente entre Santos e São Paulo, em algumas ocasiões, para divulgar a maravilha que seria a viagem quando tudo estivesse definitivamente pronto" (trecho do capítulo 2, Um pouco de História). "A estação de trem é o lugar mais bonito e movimentado da vila (de Guariba, em 1906), e o carro restaurante é a coisa mais deslumbrante da estação de trem. Foi só uma vez que deu certo de chegarmos lá na hora que o trem vinha vindo, batendo o sino, e parando e parando até chegar bem na nossa frente" (trecho do capítulo 3, O trem se incorpora à vida do interior). A coluna sugere a compra deste livro belíssimo. (Ademir Medici, jornalista, da Coluna "Memória" do Diário do Grande ABC, de 18/11/2002)

Escrevo isto pois no momento meu livro só tem dois exemplares sobrando para venda. O estoque acabou, depois de quase dez anos. Em termos de vendas, foi um desastre: mil exemplares levaram mais de nove anos para serem vendidos. Claro, não tenho qualquer fama como escritor. Os livros foram vendidos pelo site e "de boca".

Mas valeu muito a pena tê-lo escrito. Eu também gosto muito dele.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A FARSA DOS TRENS TURÍSTICOS

A estação de Herval do Oeste, em Santa Catarina, em 1983: inundação da linha causou a supressão definitiva dos trens de passageiros (Autor desconhecido)

Recebi ontem da vereadora Onira Betioli Cibtek, da cidade paulista de Peruíbe, um e-mail com notícias e fotografias da re-inauguração (com hífen? Sem? Sinceramente, não tenho mais paciência de ver o que a quingentésima e inútil reforma ortográfica diz a respeito) da estação ferroviária da cidade. Recebi e agradeço a lembrança. Provavelmente ela me enviou pensando em que eu possa atualizar a página referente a esta estação em meu site Estações Ferroviárias do Brasil - o que farei. Houve uma cerimônia em 17 de fevereiro à qual compareceram diversas pessoas do município.

Também chegou-me ontem, enviado por João Paulo Lemisz, da região da antiga E. F. São Paulo-Rio Grande no trecho em que ela acompanha o rio do Peixe em Santa Catarina, trecho conhecido hoje por lá como "Ferrovia do Contestado", uma notícia publicada em 28 de fevereiro último em jornal não identificado e também da região. Por ela, soube que vereadores da cidade de Herval d´Oeste rejeitaram um projeto de reativação da ferrovia no município para fins turísticos.
Estação de Rio Acima em 2003, já sem movimento de trens, mas bem conservada (Foto Gutierrez L. Coelho)
E hoje chega uma outra notícia sobre a possibilidade de implantação de um trem turístico entre as estações mineiras de Rio Acima e Honório Bicalho, na região de Belo Horizonte. Esta foi a única notícia sobre o assunto, das três aqui citadas, que não veio especificamente para mim.

Bom, e o que é que eu achei dos três casos? Qual a minha opinião sobre tudo isso? Na verdade, restauração ou reforma de velhas estações que não têm mais essa função e implantação de trens turísticos são notícias comuns nos últimos, talvez, vinte anos. Apesar de existirem alguns poucos trens turísticos regulares hoje em dia no Brasil - não estou aqui contando os que já existiram e foram extintos - e que são bem-sucedidos, sou, sinceramente, contra a implantação de novos desses trens, a não ser em casos muito específicos.

Não vou aqui neste artigo comentar sobre os existentes (somente como exemplo, uns dos que aprovo são os da CPTM e os da ABPF, por motivos diversos). Atualmente, depois de analisar por 15 anos a situação das ferrovias em geral no Brasil, afirmo que trem turístico, em geral, é uma enganação. É uma enganação, por exemplo, implantar-se trens turísticos em Rio Acima e em Herval d´Oeste. Não sei qual foram os motivos que levaram os vereadores desta última cidade a recusar esse projeto, mas eles estão certos na recusa. Um deles, aliás, chega a dizer algo que, em resumo, ou se implanta um trem decente que atenda as necessidades da população, ou não se implanta nada.

Afinal, trens de passageiros regulares, bem ou mal, atenderam a região do Contestado por 73 anos - acabaram ali em 1983 - e foram extintos por absoluta falta de interesse da RFFSA em sua operação - interesse que não era necessariamente o da população local, que se utilizava ainda do trem quando de sua extinção. E deveria continuar existindo. Os últimos trens dessa linha eram trens regionais. Ninguém, em sã consciência, devido ao mau serviço, utilizava-se deles para ir, por exemplo, de Itararé a Marcelino Ramos (início e fim da linha da São Paulo-Rio Grande). Nos últimos anos de operação, composições curtas e provavelmente deficitárias serviam a passageiros que como trens regionais, deles utilizando-se por pequenas distâncias. Eram deficitários porque a RFFSA jamais pensou neles como trens regionais ou metropolitanos. Seus dirigentes foram totalmente cegos neste sentido, sabe Deus o por quê. E a população ficou sem o trem.

Em Rio Acima, a Rede encerrou as atividades de um trem suburbano que cortava Belo Horizonte de leste a oeste até aquela cidade no ano de 1996, sem desculpa alguma, privando a cidade da área metropolitana de BH desse trem e não dando nada em troca. Inclusive, abandonou a linha, hoje em frangalhos e já sem uso já há pelo menos dez anos, não servindo nem para cargueiros. Agora vão fazer trens turísticos para que? Para que uma pequena parte da população mate a saudade uma vez por semana ou por mês num trem a vapor? Ora, por favor! Isso é colocar um nariz de palhaço nos habitantes locais.
Estação de Peruíbe, em início de reforma em 2009 (Foto Alex Pisciotano)
Finalmente, Peruíbe: ali não se fala hoje em trem turístico, mas basta lermos alguns trechos da reportagem ("Emoção marca entrega da restauração da Estação - Numa cerimônia cheia de emoção, foi entregue à comunidade (...) a restauração da Estação Ferroviária de Peruíbe e nela inaugurado o Arquivo Municipal da Cidade (...) Com a presença da prefeita (...), da vereadora Onira Betioli e (de) outras autoridades, a solenidade contou com a presença de famílias tradicionais da Cidade, em especial dos antigos ferroviários, que foram homenageados com um quadro alusivo à data (...)"), para notarmos que, se há saudade dos velhos tempos, há também saudades do transporte por trem. E deve haver moesmo, pois o litoral sul sempre - e até hoje - tem más opções de estradas e de transporte. O trem desenvolveu a região a partir de 1915 e foi desativado pela FEPASA no final de 1997 ainda com alta ocupação. É uma vergonha, portanto, que se tenha abandonado uma estação que tinha bom movimento até 14 anos atrás para somente hoje ser re-inaugurada com uso completamente diverso porque durante todo esse tempo ninguém teve o que seria a melhor das ideias: trazer o trem Santos-Juquiá de volta. Ele ainda é necessário.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A SERIEDADE ÀS VEZES É UMA PIADA


Há cerca de 32 anos - não me lembro se o ano era 1979 ou 1980 - li uma pérola na Gazeta Mercantil, jornal que hoje já não mais existe. Foi naquelas notas curtas, tipo "notas e informações" do jornal O Estado de S. Paulo como era há algumas décadas (hoje a mesma sessão é bem diferente).

A notícia: "Os Estados Unidos vão deixar de vender máquinas de tortura para países que não respeitam os direitos humanos". Deu para entender? Quem respeitava comprava, mas quem não respeitava, não... Em tempo: a notícia era séria, não era, pelo menos não tinha a intenção de ser, uma piada.

Pois hoje acabo de ouvir outra, no Jornal Nacional da TV Globo: O presidente americano Barack Obama afirmou que a violência na Líbia tem de acabar. Para isso o país terá de ser bombardeado. Fantástico!!!!

Por hoje é só, acho que já foi bobagem demais...

quarta-feira, 2 de março de 2011

NAUFRÁGIO NO RIO PINHEIROS

Carl Barks, "O Drama do Tio Patinhas", O Pato Donald #149 (1954)
As inundações em São Paulo são um enorme transtorno e não raro dão origem a tragédias, mas o que vi ontem de manhã quando cruzei de carro a ponte da Cidade Jardim no sentido centro foi algo bastante pitoresco.

Uma daquelas chatas que vivem navegando no rio Pinheiros com dragas estava encalhada na margem direita do rio. Torta, com parte afundada na água e parte apoiada na margem imunda, era a própria imagem de um navio encalhado na praia. A imaginação já me levou a lembrar um daqueles navios-pirata que tanto aparecem em files, ou mesmo um barco antigo abandonado depois de uma tormenta.

A tormenta, afinal, existiu no dia anterior. Como eu estive na noite anterior em São Paulo - fato raro - percebi que o rio estava bastante alto, quase a ponto de transbordar para dentro das avenidas Marginais.

Suponho que essa chata tenha sido deixada com a "maré" alta próxima à margem. Quando as águas baixaram durante a noite (de manhã, quando por ali passei, o nível da água estava praticamente normal), a chata encalhou na margem e ali ficou.

Infelizmente o trânsito sobre a ponte estava fluindo rapidamente e eu não tive como fotografar aquela curiosa imagem. Nem pude voltar para fazê-lo, pois começou de novo a chover e eu, depois, fiquei sem o carro.

Vai ficar na minha memória, apenas.

terça-feira, 1 de março de 2011

KASSAB: GOVERNE, PÔ!!!

Chove copiosamente na Praça do Patriarca às 11 e meia da manhã de segunda-feira, 28 de fevereiro. O que parece neblina na foto é um chuvão.
O prefeito Gilberto Kassab está muito preocupado em fazer política, decidir se sai do DEM, se monta um novo partido, se fica no DEM, se vai para algum partido que já existe e outras decisões que somente interessam a ele. Enquanto isso, a cidade de São Paulo fica à deriva.

O lixo nas ruas e córregos existe hoje numa quantidade que nunca existiu no passado recente. As inundações são frequentes. É certo que ele não é o único responsável por elas. Todo esse problema já vem de um passado distante. Mas é certo também que ele não faz nem o mínimo do que podia fazer. O que, afinal, ele pode fazer? Por exemplo, dar manutenção às bombas nos túneis do Anhangabaú, que sempre inunda com qualquer chuva. Dar manutenção nos piscinões, que, sim, são insuficientes, mas que precisam de manutenção constante.

Precisa limpar ruas e limpar bueiros. Que diabo, faça as empresas de limpeza contratadas trabalharem direito! Dar vassouras para garis que limpam as ruas não adianta: a quantidade deles e o tempo que se dedica a esta limpeza é claramente insuficiente. Hoje eles limpam, amanhã está sujo e assim fica até eles voltarem. A única solução é obrigar os proprietários de terrenos, casas e edifícios a se responsabilizar pela limpeza de suas próprias calçadas e bocas de lobo sob pena de pesadas multas se tal não for feito. Mas o Sr. Kassab está preocupado com outras coisas hoje.

É realmente uma piada ler o que o jornal O Estado de S. Paulo escreve hoje como manchete na primeira página do caderno Metrópole: algo como (não estou com o jornal aqui no momento): "O problema das enchentes somente será resolvida daqui a 40 anos em São Paulo". Na verdade, o jornal apenas reproduz o que alguém do governo lhe falou.

Ora: já vimos essa notíci no passado. Muda a quantidade de anos, apenas. Não é difícil que, trinta anos atrás, algum prefeito ou secretário tenha dito a mesma coisa, falando que somente em 2010 o problema estaria resolvido. Assim como Maluf disse que os piscinões resolveriam o problema. Claro - desde que fossem construídos em tamanho suficiente e a eles fosse dada manutenção contínua.

E enquanto isso, continua a construção indiscriminada de prédios altíssimos, concretagem de terrenos acima do esperado, falta de infraestrutura, e por aí vai. Não temos prefeito. Temos penas um sujeito no cargo que fica olhando e contornando os problemas, dando entrevistas e falando nada que seja aproveitável. Uma pena. E não, não espere o problema das enchentes resolvido daqui a 40 anos. Aliás, quem de nós pode imaginar o que será esta cidade daqui a 40 anos? Alguém arrisca um palpite?