quarta-feira, 28 de outubro de 2009

SOBRE O TAV

Trem rápido alemão, 2008

Uns o chamam de trem-bala. Outros de TGV. Alguns de TAV. Nem vem ao caso o que significa cada abreviatura, mas sim de saber: ele é necessário? Em minha opinião, é, sim (aliás, não confundir TGV com o trem de capina química que a ALL chama de “trem de gestão de vegetação” – ou seja, uma composição que tem pelo menos um vagão de herbicida que à medida que o trem alcança jorra o mesmo pelos trilhos para eliminar mato na linha – e que os funcionários chamam de TGV).

Há diversos artigos circulando quase todos os dias em revistas, jornais e na Internet acerca do TAV, que é o trem que ligaria Campinas ao Rio passando por São Paulo e que vem sendo discutido desde os anos 1970. Já se gastou muito dinheiro com ele, mesmo ele nunca tendo rodado um centímetro por aqui. São os custos dos estudos de viabilidade, que já encheram o bolso de muita gente.

Especialmente nos últimos três ou quatro anos, o trem-bala, com o nome que se quiser dar a ele, voltou às páginas dos jornais. Na verdade, os últimos treze anos, ou seja, desde a privatização das ferrovias, marcaram o ressurgimento da ferrovia no Brasil, embora esse renascimento tenha sido mais no número de linhas escritas do que em fatos reais e quilômetros construídos.

Hoje li um artigo de um professor e consultor sobre o tema. Ele é pessimista e faz várias críticas ao projeto. Ele tem razão em algumas. Mas para mim ele jamais pode dizer algo do tipo “num momento em que há tantos problemas com transporte público no Brasil, quer-se construir um trem de alta velocidade” (não são essas exatamente as palavras dele). Ora, por que não? É a mesma coisa que dizer que não se pode gastar dinheiro num determinado projeto porque há tanta fome no mundo. Há mesmo, mas nem por isso vai-se gastar todo o dinheiro existente para saciar a fome no mundo.

E eu acho o projeto necessário, sim. Se vai sair não sei. Mas que se precisa de uma alternativa aos aviões para ir do Rio a São Paulo, precisa-se. Afinal, carros e ônibus levam mais de 5 horas a velocidades aceitáveis para fazer o percurso. Um TAV leva bem menos. Preço da passagem? Eles – quem ganhar o contrato, se é que um dia alguém o ganhará – que estudem algo que seja viável.

E nós precisamos parar de ser pessimistas com tudo. Não temos experiência com esse trem? Outros têm. Há uma serra entre as duas cidades que dificulta tudo? Que a análise conclua de vez se dá ou não dá para ter um TAV. Certamente não serei eu a dar as respostas, nem tenho pretensão ou conhecimento para tanto. Agora, somente meter o pau não ajuda nada, e desse jeito jamais vamos saber se ele é pelo menos viável para ser construído, o que resultaria numa constante volta ao assunto e mais gastos com o seu projeto... ad eternum, sem que nada saia do papel.

8 comentários:

  1. Boa noite Ralph.

    Falou tudo. Eu particularmente sou muito pessimista quanto ao TAV, inclusive já demonstrei em outros comentários, mas acho que em um determinado momento temos que torcer para que as coisas andem. Aqui no Rj temos muitos problemas com o transporte público, muito se fala e quase nada (ou nada) se faz. Isso faz com que eu tenha alguma restrição com este projeto (por se tratar do governo, seja ele em qual esfera). Mas tomara que ele saia do papel e seja uma boa parte das soluções de nossos problemas.

    Abraços

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  2. Também sou meio pessimista quanto a isso...

    Assim como as obras da Copa e das Olimpiadas, vejo isso como uma forma de maus governantes e politiqueiros de plantão engordarem seus já robustos bolsos.

    Enfim, vamos ver no que dá

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  3. Olha, eu infelizmente já me conformei de que esses fatos lamentáveis ocorrem. Contanto que façam um projeto decente e viável e ele funcione a contento, que se f---. Isto acontece hoje em todos os lugares do mundo, infelizmente, algém sempre ganha com isso sem ter de ganhar. É triste admitir, mas com 57 anos eu já deixei de ter esperança nesse sentido. Eu não teria peito nem cabeça para aceitar ser um dos favorecidos nesse sentido, mas sempre haveá alguém aue tem.

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  4. Olá Ralph, como vai?
    Vc pode nos dizer que artigo é esse que você cita no seu post? Falamos sobre Trem Bala no nosso blog e queríamos muito ter acesso a esse artigo. :)
    Caso vc queira, segue abaixo o end do nosso blog:
    www.nesserioeuqueronavegar.com.br

    um abraço!

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  5. TAV: realidade ou utopia

    28/10/2009 - Valor Econômico - saiu no noticiario diario por e-mail da Revista Ferroviaria de ontem, dia 28

    Abraços

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  6. Ralph,

    O problema não é ser pessimista ou otimista, ou se o preço da passagem será viável ou não. O problema é que o edital coloca muitos riscos (ambientais, sociais, desocupação de solo ...) a cargo do governo.
    Além disso, alguns estudos já mostraram que o custo de implantação de um trem de média velocidade (200km/h em vez de 250km/h) reduziria o custo de 40 a 70%, o que, realmente o tornaria competitivo com o modal rodoviário.
    São muitos os argumentos TÉCNICOS que tornam o projeto desaconselhável e não meras argumentações como você sugeriu.

    Marcos

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  7. Planejar trens de alta velocidade -TAV antes de trem regional de passageiros é colocar a carroça na frente dos bois, e se governar é definir prioridades, entendo ser as prioridades no Brasil para o sistema ferroviário pela ordem;
    1º Trens suburbanos e metrôs domésticos;
    2º Ferroanel com rodoanel integrados com ligação Parelheiros Itanhaém, para cargas e passageiros;
    3º Trens de passageiros regionais;
    4º TAV.
    E com relação ao cenário mundial seria;
    1º Integração Nacional;
    2º Integração Sul Americana;
    3º Integração com o Hemisfério Norte.
    Trens de passageiros regionais são complementares ao futuro TAV, e não concorrentes, pois servem a cidades não contempladas, inclusive Campinas com mais de 1,2 milhões de habitantes e potencial maior do que alguns estados, e muitas capitais do Brasil, portanto comporta as duas opções.
    Pelo proposto as mesmas composições atenderiam de imediato aos trens regionais planejados nas maiores cidades brasileiras ~150 km/h utilizando alimentação elétrica existente em 3,0 kVcc, a curto prazo, já dando a diretriz do Plano Diretor quando fossem utilizadas no TAV, aí utilizando a tensão e corrente elétrica de 25 kVca, com velocidade max. de 250 km/h, uma vez que já foi determinado pela “Halcrow” velocidade média de 209km/h para o percurso Campinas Rio previsto para após o ano de 2020, se não atrasar como a maioria das obras do PAC, ou seja longo prazo, este modelo é inédito no Brasil, porém comum na Europa.
    Para esclarecer; Não se deve confundir os trens regionais de até 150 km/h com os que existiam antigamente no Brasil, que chegavam a no máximo aos 90 km/h por varias razões operacionais, e o fato de trens regionais e TAV serem de operações distintas não justifica que não tenham que se integrar, sendo que para a estação em SP o local sairá em locais paralelo a CPTM entre Mooca e Barra Funda, podendo ser criada a estação Nova Luz, no lado oposto em que se encontra a Júlio Prestes.

    No mínimo três das montadoras instaladas no Brasil além da Embraer tem tecnologia para fornecimento nesta configuração, inclusive os pendulares Acela e Pendolino que possuem uma tecnologia de compensação de suspenção que permite trafegar em curvas mais fechadas com altíssima porcentagem de nacionalização.


    Fala-se de integração ferroviária Sul Americana, e as principais economias após o Brasil são a Argentina, e Chile, e ambos, possuem a bitola de 1,67 m, (Indiana),sendo que só a Argentina possui mais de 23 mil km, o que corresponde, a ~4 vezes mais km que a correspondente brasileira, e km praticamente igual a métrica, e em consulta a técnicos argentinos e chilenos, os mesmos informaram serem infundadas as informações de que circulam no Brasil de que está sendo substituída por 1,43m, e se um dia esta integração ocorrer, ela será feita com a bitola métrica, que já são existentes em outros países, como Bolívia, Colômbia e Uruguai, além dos mencionados, tratando-se portanto de premissas equivocadas plantadas pelos defensores da bitola de 1,43 m.

    Mas, quanto ao TAV (Trem de alta velocidade), hum, este não sei não, teve um ex ministro de nome Bernardo, que no início do ano de 2011, deu a seguinte declaração à mídia; ”Trens regionais de passageiros poderão trafegar nas futuras linhas exclusivas do TAV”, assim como acontece na Europa. Ufa, até que enfim o bom senso prevaleceu! Esta era uma noticia que sempre esperava ouvir, e desde a década de 70 se fala dele e agora a previsão é para após 2020, e poucas coisas estão definidas, como estações, trajeto etc, e o modelo projetado é independente, e bitola divergente dos trens regionais existentes 1,6m e que trafega tanto como Trem regional, ou como TAV, portanto pode se afirmar que embora a intenção seja louvável, existe uma contradição do que se falou, e o que esta sendo planejado, além disto aqui, e as obras deste porte tem até data para começar, mas a sua conclusão, nem a futurologa mãe Dinah consegue prever!

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  8. Eu tenho a opinião que TAV é obra eleitoreira e como você deu a entender muita gente tá enriquecendo com eternos estudos de viabilidade. Trem regional e suburbano, que é o que extingue favelas, ninguém faz.

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