domingo, 18 de outubro de 2009

O TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

Ontem, no meio de uma conversa, surgiu a história que o Trópico de Capricórnio passa aqui, perto de minha casa. Realmente, passa: quando vou a “downtown” Santana de Parnaíba, cruzo com ele – há uma placa que mostra o seu ponto de cruzamento na Estrada da Bela Vista (ligação Alphaville-centro de Parnaíba).

Embora a latitude seja exatamente 23° 26′ 22″, a placa mostra 23° 27′ 00″, o que é um erro – arredondar os segundos para cima. A foto dela está aí em cima – foi tirada do site da Wikipedia, pois eu jamais a fotografei, embora tenha passado por ela dezenas de vezes. Uma vez eu parei para um americano que achou o máximo cruzar o trópico. Eu tirei a fotografia dele com a máquina dele e fiquei sem a foto. E foi dos dois lados – quem volta também vê outra placa no sentido contrário.

Ou seja, eu moro na Zona Temperada e o Centro de Parnaíba está na Zona Tórrida – lembram-se do que aprendemos na escola, anos atrás? Até minha filha se lembrava, ela que nao dá muita, ou nenhuma, atenção a esses detalhes. Eu expliquei para ela que toda vez que ela cruza a linha do trópico nos fins de semana, pois ela costuma ir aos restaurantes da Praça 14 de Novembro com o namorado italiano, imediatamente após cruzá-la a temperatura aumenta, pois ela muda para uma zona mais quente. Ela dá risada e diz que eu só falo besteira – o que, nesse caso, é verdade.

Minha empregada fica ouvindo a conversa e nao entende muito bem, especialmente depois que eu falei para eles e para ela que passar de carro pelo Trópico, tudo bem, mas passar a pé, tem de ser feito com cuidado, pois há muitas pessoas que se machucaram, pois tropeçaram na linha e foram de boca no chão.

Mais risadas, até da minha empregada, esta por não entender direito do que se está falando. Mas, afinal, para que serve essa linha? Ela é paralela aos paralelos, mas não é um paralelo de valor “cheio”, ou seja, está entre os paralelos 23 e 24. Ele e seu equivalente no Hemisfério Norte, o Trópico de Câncer, foram traçados porque sobre eles haverá ao menos um momento, num dia por ano, em que o Sol estará em seu completo zênite, ou seja, estará totalmente "a pino", de modo que as sombras dos objetos ficarão exatamente sob os mesmos. Isso ocorre por volta de meio dia, variando essa hora em função da posição relativa do local dentro do seu fuso horário.

E entre os dois trópicos esse momento existirá pelo menos duas vezes por ano. E ao sul do de Capricórnio e ao norte do de Câncer esse momento jamais existirá. E como são linhas imaginárias, é claro que ninguém tropeçará na linha, nem minha empregada.

Eu, na realidade, não me lembrava dessa história do zênite, e por causa disso, não sabia para que serviam os trópicos. Agora sei, pois fui olhar na Wikipédia, o atual “pai dos burros”. Sempre se diz que o município de São Paulo tem o trópico de Capricórnio atravessado por ele; na verdade, ele atravessa o norte da cidade. Em Parnaíba, o sul. Ele também passa por Sorocaba, Londrina, norte da Argentina. Passa por onze países no total. E a estação de Capricórnio, ao norte do município de Mairinque, tem esse nome porque o trópico passa próximo a ela (embora mais longe do que da minha casa).

4 comentários:

  1. Sempre passo por Santana de parnaiba, para ir á casa do meu tio que se localiza em Pirapora do bom Jesus. E minha mãe sempre me dizia que em Santana de Parnaiba passava-se um Trópico mas ela não sabia me dizer qual realmente era. Eu expliquei pra ela que era realemte o Tropico de Capricornio, e tambem expliquei sobre o Trópico de Câncer pois ela confundia os dois.
    Depois disso me interessei bastante pelo assunto e passei uam vez de carro sempre observano as placas pois tinha curiosidade. A partir dai me interessei mais ainda quando vi realemte é muito bom saber dessas coisas geograficas, quando cheguei em casa fui pesquisar sobre o Tropico de Capricornio e queria saber se algo mudava quando atravesso ela. É veradade podemos sentir a temperatura muda quando cruzamos ela. Nunca fui de gostar de nada que incluisse geografia, mas depois me interessei bastante.

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  2. Só agora cheguei ao seu blog para pesquisar sobre o lugar exato da cidade por onde passa o Trópico de Capricórnio.E adorei suas histórias. Parece que conheço o seu sobrenome. Vc por acaso é Gletiano?Se for,temos muito o que conversar. Meu e-mail (não gosto de receber comentários anônimos porque não da para retornar) é vovoneuza@gmail.com

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  3. Meu pai era Glettiano... Ernesto. Eu sou químico da USP também, mas já da Cidade Universitária.

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  4. Ubatuba, no litoral de SP, também é cortada pelo trópico, que divide a área urbana da cidade ao meio.

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