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sábado, 6 de dezembro de 2014

A ABPF E O TRANSPORTE ENTRE PIRATUBA E RIO NEGRINHO, SC

Chegada da locomotiva 301 de Rio Negrinho em Piratuba para substituir a 102
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Cinco fotografias com alguma descrição de detalhes chegaram-me, enviadas por e-mail pelo Paulo Stradiotto - não sei se a autoria é dele mesmo.

De qualquer forma, a ABPF, regional de Santa Catarina, que costumava transportar as locomotivas entre a operação que mantém no sul do Estado, na divisa do Rio Grande do Sul, entre Piratuba e Marcelino Ramos, para a operação de Rio Negrinho, no nordeste do Estado, próxima à divisa com o Paraná, da forma "próprios meios rodando", ou seja, pela linha Itararé-Uruguai até Porto União e dali para leste, pela linha do São Francisco, até Rio Negrinho, esta na descida da serra do Mar entre Mafra e Jaraguá do Sul, agora precisa fazer por caminhões.
O pessoal da ABPF descarrega a locomotiva 301 usando uma "fogueira de dormentes"
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Em Rio Negrinho ficam as oficinas e também uma operação de trem turístico na serra catarinense. Não sei quantas vezes houve este transporte por linha: lembro-me de que eu vi um pedacinho dele, em Porto União, há cerca de oito anos atrás, quando o pessoal estava passando pelo pátio da cidade com uma locomotiva reformada, com três ou quatro carros, para Piratuba pelas linhas citadas.

O trecho catarinense da Itararé-Uruguai, hoje chamado de Ferrovia do Contestado - a linha foi palco de uma guerra civil cujo final completará cem anos em 2017 - já estava abandonado, mas, com acordos com a concessionária para pequenos acertos de linha nos dois trechos acima citados, entre Marcelino Ramos e Mafra (o trecho de Mafra a São Francisco funciona normalmente com cargueiros e um trecho dele é usado nos finais de semana e feriados pela ABPF).
A locomotiva 102 já sobre o caminhão quase pronta para partir para Rio Negrinho
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Este ano, no entanto, uma enorme enchente (enquanto falta água aqui em São Paulo, em Santa Catarina sobra), uma enchente no rio do Peixe, que acompanha uma longa parte da Itararé-Uruguai catarinense, acabou com diversos aterros e trechos de linha na ferrovia.

Talvez até mesmo não desse para ter consertado a linha no curto período entre a enchente e o transporte feito agora pela ABPF, mas o mais provável é que a concessionária pouco se interesse e nada fará para restaurar o trecho como estava antes e torná-lo capaz de transportar pelo menos um auto de linha e um trem de capina de tempos em tempos. Afinal, a ALL jamais teve interesse no trecho.
Amarração da locomotiva 102 sobre o caminhão
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O trecho é realmente tortuoso e sujeito a enchentes - uma das maiores, se não a maior, foi a de 1983, que acabou com os trens de passageiros da RVPSC/RFFSA que ainda rodavam por lá a passo de tartaruga. Aliás, já eram trens mistos, estes cujos horários são altamente dúbios em termos de pontualidade.

É uma vergonha que a ABPF não consiga mais transportar os trens pela linha férrea. É uma vergonha e um crime o que estão fazendo com as ferrovias do Brasil. Daqui a pouco não sobrará nenhuma para contar a história.
Vista da fogueira de dormentes na traseira do caminhão e a locomotiva 102 pronta para partir
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Até a então já decadentíssima RFFSA de 1983 restaurou o trecho e voltou a usá-lo em 1983 (se bem que aí, só para cargueiros). A ALL nunca teve seriedade suficiente para se pensar que vão fazer o restauro, embora a lei de concessões a eles isto obrigue.

Afinal, estamos no Brasil e, atualmente, este á um país em que se faz o que se quer sem qualquer tipo de punição.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

ALGUÉM SE LEMBRA DA LINHA ITARARÉ-URUGUAI?

Fotos atribuídas a Paulo Stradiotto
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Eu tento!

Eu juro que tento!

Mas não consigo - as desgraças e absurdos foram e continuam ocorrendo nas ferrovias brasileiras, ou no que sobra delas.

As chuvas de junho de 2014 acabaram com vários trechos da antiga linha Itararé-Uruguai no Estado de Santa Catarina, onde o trecho é chamado de Ferrovia do Contestado.

É verdade que essa linha, desde sua abertura entre 1906 e 1910, passou por várias inundações nesse trecho, que acompanha de muito perto o rio do Peixe desde a nascente até sua foz no rio Uruguai. Porém, desde a E. F. São Paulo-Rio Grande, passando pela Rede de Viação Paraná-Santa Catarina, até o tempo da RFFSA, bem ou mal, tudo era consertado. E rápido. A partir de 1997, com a concessão dela para a FSA, depois renomeada como ALL, ela, embora conste do contrato de concessão, foi abandonada.

Desde então, apenas passaram uma vez ou outra - não creio que tenha chegado a uma vez por ano - autos de linha e trem de capina da ALL e um ou outro trem da ABPF, transportando material rodante de Piratuba para Rio Negrinho e vice-versa.

Em muitas dessas poucas vezes, havia de se fazer reparos de emergência na linha quando o trem ia passar por determinados trechos. Só que não era mais RFFSA e a linha não foi mais usada comercialmente. Agora, com a inundação de três meses atrás, fala-se na região que o conserto será feito em 2015. Eu particularmente duvido. Por que fariam, se não usam a linha para nada?

A pessoa que me enviou essas fotos - creio ter sido ele mesmo a tê-las tirado - foi o Paulo Stradiotto, há poucos dias atrás. A opinião dele é a mesma.

Será que essa ferrovia, construída com técnica hoje obsoleta, mas que serviu comercialmente durante noventa anos, não serve mesmo mais para nada?

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

VARPA E QUATÁ, A DECADÊNCIA DE UMA REGIÃO

Casas de madeira vazias na fazenda Palma
Há muitos anos atrás li sobre a colônia leta de Varpa, que hoje fica em Tupã. Li também sobre a saga dos imigrantes da Letônia que chegaram ao local em 1921 e desceram na estação de Sapezal, próxima à de Paraguaçu Paulista, e irem de uma forma ou de outra pelo meio da mata de então até chegarem ao local que denominaram com o nome de "espiga", mas em leto, naturalmente.

Sede da fazenda Palma
Em 1960, Varpa já estava semi-abandonada. Os descendentes dos imigrantes começavam a se dispersar e a colônia, com casas de madeira e de alvenaria em estilo leto, foi se esvaziando. Na verdade, são duas Varpas: a mais próxima da estrada Tupã-Quatá, que é um bairro, mesmo, com ruas asfaltadas e algum comércio, e a que fica na fazenda Palmas, particular e cujo dono cuida das casas, estas todas de madeira, que lá ficam, muitas ainda vazias, mas bem cuidadas externamente. Ou seja: alguma coisa mudou em Varpa desde que eu soube de sua existência, numa reportagem de jornal de cerca de 10 anos atrás.

Casa de alvenaria em Varpa
Hoje,Varpa é considerada um ponto turístico. Sempre quis ir ao local. Porém, me decepcionei bastante quando estive lá anteontem. Não que não seja um local agradável e bonito, mas, para algo que se chama de "ponto turístico", falta muito, mesmo. Se v. não vai lá para pescar no rio do Peixe - muito próximo à vila - ou para se banhar na tal cachoeira da fazenda da Palma, não há nada para fazer e pouca coisa para almoçar, por exemplo. Em dez minutos você vê tudo. Ou seja: coisa de turismo brasileiro, sem estrutura alguma. Mas valeu pela revigoração do bairro, que, desde 1921, passou pela administração de diferentes municípios e hoje é subordinada a Tupã, como distrito.

A antiga estação de Quatá: construída nos anos 1950 em lugar da anterior, é muito feia e hoje está totalmente "lacrada" para evitar invasões
Pior mesmo é Quatá: cidade seguinte a Varpa, é bem pequena e acaba na linha da ex-Sorocabana, tem uma estação tipo "caixotinho", feia, construída num dia de pouca inspiração para substituir a velha, menor mas muito mais bonita. Está abandonada, enquanto os armazéns foram restaurados. A cidade é árida e com poucas ruas. Como sede de município, jamais deveria sê-lo. É a farra dos municípios do Brasil. A cidade é claramente estagnada. Poucas construções antigas e razoavelmente bonita: o mais são casas antigas muito descaracterizadas, com o que é muito comum na região: a substituição de janelas de madeira originais e bonitas por janelas de ferro menores, feias e que em nada combinam com a arquitetura original. O resto são casas mais novas sem estilo algum, como em qualquer lugar o é hoje.

Casa em Quatá, uma das poucas que ainda mantém seu aspecto original
Enfim, em Quatá, não foi nada fácil achar alguma coisa para fotografar. De lá peguei de novo a estrada e fui em frente, numa tarde quente deste final de dezembro (mais especificamente, anteontem).

Estádio de futebol de Quatá.

Rio do Peixe, no ponto em que divide os municípios de Quatá e de Tupã