quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
DE BROTAS A DOURADO DE TREM?
A ferrovia jamais foi construída. Já fiz esse trecho (cerca de 30 km) de carro, até hoje é de terra.
Mas não se preocupem, se houvesse sido construída o "ramal", já teria sido, claro, erradicada.
E é, afinal, um abaixo-assinado ao diretor da Rio Claro Railway, que seria comprada pela Comapnhia Paulista dois anos depois, mas que, na época, tinha a posse do ramal de Jahu, onde estava a estação de Brotas.
E olhe - ir de Brotas a Dourado hoje, ou por essa estradinha vagabunda, ou, quando havia trens de passageiros, tínhamos de pegar o trem em Brotas, ir até Itirapina, São Carlos. aí pegar o trem para Ribeirão Bonito e aí o da E. F. do Dourado até Trabiju e mudar outra vez de trem para Dourado. Era duro.
sábado, 14 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
ITAQUERI DA SERRA
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
VISITANDO A ESTAÇÃO DE BROTAS
No último dia 31 de dezembro, estive mais uma vez em Brotas, centro geográfico do Estado de São Paulo. Nunca me canso, realmente. Claro, fui à velha estação, aquela, de 1929, a terceira construída na cidade. Reparem nas fotos.O detalhe da fachada...
A velha escadaria que leva ao alto, onde está a vila ferroviária...domingo, 2 de janeiro de 2011
DOIS CORGO ONTEM
Cheguei do meu "tour" de carro pelas Altas Noroeste, Paulista e Sorocabana na quarta-feira e na quinta já estava dirigindo de volta para a fazenda de meus cunhados em Brotas. O sossego de lá é uma beleza, extremamente relaxante. Sem internet... sem preocupações. Hoje voltamos, eu e minha esposa, debaixo de muita chuva por grande parte do caminho. São 250 quilômetros.
Saí da fazenda apenas duas vezes. Anteontem, fomos a downtown Brotas, visita rápida, e ontem eu e meu filho Alexandre fomos a Dois Córregos, que antigamente era Dous Corregos e hoje é, para muita gente, Dois Corgo. Muita gente que não conhece a cidade deve se lembrar do nome por causa daquele filme do final dos anos 1990 que levava o nome da cidade.
O município é bastante antigo. É de 1874. Quando foi instalado, a Província tinha apenas 45 municípios. Como muitos outros de São Paulo, o progresso veio com o café.
Apesar de ter recebido uma linha da Companhia Rioclarense em 1887 e, doze anos depois, uma bifurcação ali que seguia para Agudos, já aqui com a Companhia Paulista, que havia adquirido a Rioclarense em 1892, a cidade acabou estagnando. Talvez tenha sido "obscurecida" pelo grande crescimento de Jaú, ali perto, mas o fato é que a cidade parou rapidamente de crescer.
Em 1966, perdeu a segunda linha que ia para Agudos e passou a ser somente estação de passagem. Com um prédio grande e muito bonito, provavelmente em grende parte por causa de ter de atender duas linhas, a estação construída em 1912 ganhou fama como sendo cópia da estação ferroviária de Marselha. Papo furado, mas a lenda urbana se perpetuou. No final do século 20, um filme de Carlos Reichembach levou o nome da cidade. Deram um "tapa" na estação, já bem mal cuidada pois os trens de passageiros da Fepasa que ainda passavam por ali já não garantiam coisa alguma e ela apareceu no filme como se fosse nova.
O fato é que infelizmente no ano 2000 ela pegou fogo, já abandonada. E nunca mais ninguém a restaurou. A estação e a vila ferroviária, inclusive a parte construída em 1940 quando da eletrificação da linha e da construção da subestação elétrica, foram totalmente abandonadas pelo Governo Federal (a Fepasa foi entregue à moribunda RFFSA em 1998) e, com um incêndio então, estão hoje jogadas às traças.
O resto da pequena cidade, no entanto, situada entre os dois córregos que lhe deram origem, está muito bem cuidada. Limpa, com os diversos prédios antigos muito bem cuidados e uma praça central (o que antes se chamava de Jardim Público) em excelente estado de manutenção garantem uma vida tranquila e bem bonita para quem lá mora.
É claro que, com a visita que fizemos na manhã de primeiro de janeiro, estava melhor ainda - ninguém praticamente nas ruas, somente uma sorveteria aberta e um bar de esquina com almoço. Longa vida para a simpática Dois Corgo. As fotografias são de Alexandre Giesbrecht.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
O QUE ESCONDEM AS ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS

Fotos Julio Cesar de Paiva, 2005Em 2005, meu amigo Júlio César esteve em Torrinha, provavelmente pela enésima vez, para fotografar a estação e trens, claro. Há cinco anos atrás, os trens que passavam por Torrinha já eram tão raros quanto são hoje, vindos principalmente de Pederneiras e eventualmente de Tupã, cargueiros em sua totalidade, e não tantos quanto passavam até 1998, quando ainda havia trens de passageiros da FEPASA que, pelo menos no papel, eram diários. Iam e voltavam, pelo menos. Torrinha tinha dois trens diários, um vindo e outro voltando. Fora os cargueiros.
Isso acabou. De 1999 a 2001, passavam trens de passageiros eventuais e por obrigação, tocados mal e porcamente pela Ferroban. Já comentei isso aqui. Sem alarde, eles acabaram em março de 2001. Torrinha, uma das raras estações da antiga Paulista que eu vi ainda funcionando em 1998, com móveis e chefe de estação. Ela e Rincão. Poucos meses depois, foram desativadas e abandonadas.
Um belo dia, a estação de Torrinha, que um dia se chamou Santa Maria e que tem um estilo arquitetônico (tipologia) muito parecido com o das estações de Brotas, Leme, Araras e Sumaré, foi limpa e recuperada. Ali se instalou gente do departamento de cultura da cidade.
Quando Júlio passou por lá, já estava assim, Era um dia de semana, então, estava aberta. Ele viu num canto uma pia de cerâmica, daquelas antigas, igual a muitas que ele e varis pessoas já fotografaram por aí. Deve ter sido comprada em “baciada” pela Paulista nos anos 1920, quando todas essas estações citadas e outras mais foram construídas.
Quando ele chegou em casa, reparou que o nome do fabricante estava legível na fotografia: Twyfords, escrito na cerâmica branca sob a velha torneira. Ele foi procurar no Google para ver se o fabricante ainda existia, e ficou surpreso de saber que sim. Mandou um e-mail com a foto relatando o que aconteceu e onde essa pia estava. O fabricante é americano. Não demorou muito para que ele respondesse, mandando a historia de que ele ainda possuía um velhíssimo catálogo, do início do século passado, encontrado dentro de um velho caixote de madeira no porto do Rio de Janeiro e também enviado para ele nos anos 1970.
Esta história contada por Julio está escrita na página da estação de Torrinha, no meu site de estações ferroviárias, desde essa época. O e-mail do fabricante, escrito em inglês, também. E as fotos e o catálogo.
O passado muitas vezes se apresenta a nós de formas estranhas. antiga Paulista que eu vi ainda funcionando em 1998, com m Torrinha, uma das raras estaçs.em sua inauguraçs, servem como
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
CAMINHANDO NO CEMITÉRIO
O cemitério em Brotas. O centro da cidade está para a direita.Literalmente, foi o que eu e meu sobrinho fizemos anteontem pela manhã, em Brotas. O cemitério da cidade é pequeno; afinal, ela não tem nem 25 mil habitantes. Ele fica bem longe do centro histórico, o que é comum nos cemitérios construídos no século XIX, para afastar doenças. Hoje, está englobado pela cidade.
Imagino como devia ser difícil visitar o cemitério ou enterrar uma pessoa, carregar os caixões para ele nos tempos idos. Localizado a cerca de seis ou sete quarteirões da rua principal, para se chegar a ele temos de descer o vale e subi-lo novamente. Com ruas de terra como eram até relativamente pouco tempo, em tempos de chuva e sem automóveis deveria ser uma aventura.
Fernando foi procurar túmulos e dados sobre seus antepassados da cidade, os Piva e os Albuquerque. O túmulo mais velho que encontramos foi justamente o de um tio seu, morto nos anos 1870. Ele ficava ao lado da entrada principal do cemitério, ou seja, quanto mais importante, mais perto da entrada ficava. Ou não? Seria apenas mais caro ficar próximo à entrada, e mais barato longe dela? O fato é que há uma porção do cemitério que somente tem túmulos bem mais novos. Aparentemente, foi uma seção anexada mais tarde. São somente suposições de minha parte. Há muitos túmulos de mármore, antigos e novos. Há túmulos bem simples, há aqueles com fotografias, com placas de bronze, de pedra, de metais, de mármore. Alguns bem cuidados, outros nem tanto.
Afora nós dois, apenas encontramos uma pessoa dentro do cemitério. Era um senhor encostado a um túmulo rezando baixinho. Lá estava enterrada uma mulher, morta em 2007, com a frase “saudades de seu marido”. Ou algo muito parecido com isso. Foi uma cena extremamente comovente de se olhar. Na verdade, eu apenas bati o olho e passei, obviamente não fiquei parado mirando a cena. Mais tarde, conferi o que estava escrito. O silêncio ali dentro é grande, como em qualquer cemitério. Ainda mais se considerarmos que o tráfego de automóveis em volta dos muros é mínimo. Não é como em São Paulo, que há sempre muita gente dentro deles, dada a quantidade de túmulos.
Também é curioso verificar como as famílias dessa cidade sempre eram enterradas lá, mesmo que morressem fora. As tradições do interior podem estar desaparecendo, mas o fato é que isso ocorre muito lentamente, principalmente em uma cidade pequena como Brotas.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
BROTAS
Bela casa em Brotas - foto Ana Maria Linhares GiesbrechtHoje no final da tarde eu e minha esposa chegamos de Brotas, interior de São Paulo. Aliás, bem interior mesmo: a cidade fica praticamente no centro geográfico do Estado. Era ali que Maluf queria construir a “nova capital” durante seu mandato como governador entre 1979 e 1982.
Ficamos na fazenda de meu cunhado, mas na verdade vamos sempre à cidade. São cerca de 10 km de carro pela SP-225. Hoje cedo, aliás, resolvi fazer um percurso maluco, indo para a cidade não pelo asfalto, mas por uma estrada que passa ao sul do asfalto, seguindo “por fora” do curso do Jacaré-Pepira. Ou seja: enquanto o asfalto cruza o rio uma vez, justamente ali na entrada da fazenda de meu cunhado, a estrada “por fora” e de terra não cruza nenhuma vez, a ponte fica somente na entrada da zona urbana, junto à antiga usina de força na parte baixa da cidade.
Com exceção de uma velha fazenda, de cujo nome neste instante não me lembro, onde a estrada passa por dentro dela, todo o resto do caminho dessa “estrada alternativa” não tem nada para se ver, nenhuma casa, pessoas, nada. Ela atravessa canaviais, pastagens e mesmo matas, mas somente bem perto da entrada da cidade é que aparecem as primeiras casas.
A população de Brotas não é das maiores: tem menos de 25 mil habitantes (2009). Porém, na cidade informaram-me (não conferi) que o município seria o quinto do Estado em extensão. É, realmente, grande: a velha linha da Companhia Paulista que cruza o município de leste a sul, passando pelo limite do centro urbano, tem cinco estações ferroviárias na sua área (quer dizer, tem estações abandonadas e duas demolidas). A SP-225, que liga Apiaí a Ourinhos, portanto cruzando boa parte do Estado, tem pelo menos 35 quilômetros dentro do município, de leste a oeste.
A cidade é bonita: foi fundada e se tornou município ainda no século XIX. Quando o trem chegou nela, em 1886, já encontrou uma cidade razoavelmente formada e rica, com café para todos os lados — plantação rara por ali, hoje em dia. Hoje, em matéria de trens, é um município praticamente morto: trens de passageiros não existem há nove anos e os cargueiros passam pouco. A linha, que vem de Itirapina e segue para Panorama, era a segunda em importância para a Paulista, mas hoje é apenas um curto ramal com pouco movimento para a ALL, cujos cargueiros que por lá passam em sua grande maioria vêm de Pederneiras, cidade relativamente próxima a Brotas.
Fora isso, Brotas, hoje, vive também do turismo: jovens enchem a cidade em fins de semana e feriados para andar de botes infláveis por um bom pedaço do rio Jacaré-Pepira, embarcando na cidade, junto à velha usina e desembarcando ali perto da fazenda de meu cunhado. Hotéis, que até 10 anos atrás, quando existiam, eram um lixo, hoje existem em profusão na cidade. São pequenos, mas há vários bons. E há pousadas.
A cidade, basicamente, ainda é aquela do velho esquema português “rua de cima-rua do meio-rua de baixo”, praça com a igreja e uma rua, a Rui Barbosa, que segue para a velha e hoje inútil estação ferroviária. Curiosamente, ainda existem (e são placas relativamente novas) placas de indicação para a “estação ferroviária”, coisa rara hoje em dia, pois as estações estão quase sempre fechadas ou têm outro uso — caso de Brotas.
Do outro lado da linha férrea e da rodovia SP-225, pouca zona urbana. A urbanização foi-se alastrando mais para o outro lado do córrego que corta o vale e também delimitava a cidade antigamente, córrego chamado pelos habitantes de “Pitu-aceso”, ou algo assim.
Casas antigas ainda existem várias, dando aquele charme de cidade de interior. Que não mudem muito as coisas no futuro.
