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sábado, 13 de novembro de 2010

UM DIA O TREM PASSOU POR AQUI


O título desta postagem é também o de meu segundo livro, o primeiro sobre o assunto ferrovias e escrito e publicado em 2001.

O Brasil teve cerca de 38 mil quilômetros de ferrovias. Hoje tem 28 mil, sendo que boa parte - talvez um terço disso - não está sendo utilizada, estando estes trechos abandonados por falta de interesse das concessionárias. Já os trens de passageiros ocupam hoje menos de três mil quilômetros de toda essa malha.

Pedro Leal Dutra - 2010

Nos dez mil quilômetros arrancados e nos aproximadamente nove mil quilômetros que permanecem em seu lugar, mas que não estão sendo usados, a expressão "um dia o trem passou por aqui" é mais do que válida. Muita gente olha para esses locais, com ou sem trilhos, com construções bem ou mal conservadas, ou mesmo já demolidas, com saudade de um tempo que não era necessariamente melhor do que hoje, mas que, sem dúvida, oferecia uma oportunidade de viagens por locais hoje não mais trafegáveis, no meio de fazendas, em serras de vistas maravilhosas e outros pontos.

Stenio Gimenez - 2010

Trechos como os da Serra de Botucatu, onde trens trafegam - mas não de passageiros - na foto acima, de onde, desta linha da Sorocabana, podia-se ver ao longe o movimento de trens na linha da Paulista, a quilômetros ao norte, em Torrinha.

Pedro Leal Dutra - 2010

Como o da pequena parada de São Marcos, por onde um dia passaram as linhas da Leopoldina em Minas Gerais - foto acima - já sem trilhos.

Ralph Giesbrecht - 2004

Como o da serra de São João, em Santa Catarina, entre Porto União e Caçador - outra foto acima - com trilhos e sem movimento ferroviário.

Nilson Rodrigues - 2008

Como o do trecho de viadutos, num local denominado Viaductos, ao norte do Rio Grande do Sul - com trilhos e sem tráfego nenhum, foto acima.

Ralph Giesbrecht - 2005

Finalmente, para não tornar esta postagem interminável, como em Sítio Novo, lugarzinho paradisíaco no interior baiano, onde mesmo trens cargueiros são raridade hoje em dia, visto acima.

Enfim: um dia, o trem passou por aqui, por ali, por acolá - e nós ficamos somente a ver navios.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O QUE ESCONDEM AS ESTAÇÕES FERROVIÁRIAS


Fotos Julio Cesar de Paiva, 2005

Em 2005, meu amigo Júlio César esteve em Torrinha, provavelmente pela enésima vez, para fotografar a estação e trens, claro. Há cinco anos atrás, os trens que passavam por Torrinha já eram tão raros quanto são hoje, vindos principalmente de Pederneiras e eventualmente de Tupã, cargueiros em sua totalidade, e não tantos quanto passavam até 1998, quando ainda havia trens de passageiros da FEPASA que, pelo menos no papel, eram diários. Iam e voltavam, pelo menos. Torrinha tinha dois trens diários, um vindo e outro voltando. Fora os cargueiros.


Isso acabou. De 1999 a 2001, passavam trens de passageiros eventuais e por obrigação, tocados mal e porcamente pela Ferroban. Já comentei isso aqui. Sem alarde, eles acabaram em março de 2001. Torrinha, uma das raras estações da antiga Paulista que eu vi ainda funcionando em 1998, com móveis e chefe de estação. Ela e Rincão. Poucos meses depois, foram desativadas e abandonadas.


Um belo dia, a estação de Torrinha, que um dia se chamou Santa Maria e que tem um estilo arquitetônico (tipologia) muito parecido com o das estações de Brotas, Leme, Araras e Sumaré, foi limpa e recuperada. Ali se instalou gente do departamento de cultura da cidade.


Quando Júlio passou por lá, já estava assim, Era um dia de semana, então, estava aberta. Ele viu num canto uma pia de cerâmica, daquelas antigas, igual a muitas que ele e varis pessoas já fotografaram por aí. Deve ter sido comprada em “baciada” pela Paulista nos anos 1920, quando todas essas estações citadas e outras mais foram construídas.


Quando ele chegou em casa, reparou que o nome do fabricante estava legível na fotografia: Twyfords, escrito na cerâmica branca sob a velha torneira. Ele foi procurar no Google para ver se o fabricante ainda existia, e ficou surpreso de saber que sim. Mandou um e-mail com a foto relatando o que aconteceu e onde essa pia estava. O fabricante é americano. Não demorou muito para que ele respondesse, mandando a historia de que ele ainda possuía um velhíssimo catálogo, do início do século passado, encontrado dentro de um velho caixote de madeira no porto do Rio de Janeiro e também enviado para ele nos anos 1970.


Esta história contada por Julio está escrita na página da estação de Torrinha, no meu site de estações ferroviárias, desde essa época. O e-mail do fabricante, escrito em inglês, também. E as fotos e o catálogo.


O passado muitas vezes se apresenta a nós de formas estranhas. antiga Paulista que eu vi ainda funcionando em 1998, com m Torrinha, uma das raras estaçs.em sua inauguraçs, servem como