domingo, 15 de agosto de 2010

BACIA DO UBERABA

Debaixo desta servidão passa a galeria do córrego Uberaba, entre as ruas Pinrassilgo e Graúna (esta ao fundo). Foto Ralph M. Giesbrecht em 3 de julho de 2010.

Mais uma vez falo dos córregos desaparecidos da cidade de São Paulo. Do norte para o sul, os córregos que desembocam no rio Pinheiros pela margem leste, a partir do das Corujas, que faz a foz no Pinheiros vindo pela Frederico Hermann Junior, seguem o Verde, que tem a foz junto ao Hebraica, depois o da Várzea, na Prof. Artur Ramos; o próximo é o Uberaba.

Pelo que consegui pesquisar, atualmente ele tem a foz não no rio Pinheiros, mas sim no córrego da Traição, junto à alameda Vicente Pinzon. Não, não espere ver nem um nem outro, está tudo canalizado... ou melhor, entubado mesmo. Só que a foz natural dele era junto à rua Pequetita, no exato ponto em que ela muda de nome para rua Funchal. Você sempre achou que não havia motivo para a rua mudar de nome naquela pequena curva? Historicamente, havia sim: não havia passagem ali, pois o riacho cortava as ruas de terra que, na época, não se encontravam.

O córrego Uberaba vem ali da avenida Ibirapuera, cruza-a entre as avenidas Ibijaú e Rouxinol, continua num trecho sob a Ibijaú, cruza as paralelas à avenida Ibirapuera até a rua Tuim, segue e entra pelo centro da avenida Helio Pelegrino. Dali, segue por ela até o seu fim, onde começa a Faria Lima. Entra pelo meio da Vila Olímpia, segue por dentro desta, até fazer uma curva para o sul junto à Vicente Pinzon e desembocar hoje no Traição, sob a avenida dos Bandeirantes. A mudança deste curso final pode ter ocorrido na época da retificação do Pinheiros, nos anos 1940. Veja na foz antiga que o rio fazia uma curva ali e encostava na rua Pequetita, coisa que não faz hoje.

Seu afluente é o córrego Paraguai, que vem do alto do bairro de São Judas, na avenida Jabaquara, desce hoje entubado debaixo da avenida José Maria Whitaker, cruza a avenida Ibirapuera junto à avenida República do Líbano, entra por Moema, segue até a avenida Juriti junto à Helio Pellegrino e cruza a Diogo Jacome, onde se junta com o Uberaba na esquina da rua Marcos Lopes.

E o Paraguai ainda tem seu afluente: o córrego das Éguas, que nasce na esquina das ruas Botucatu e Onze de Junho, no alto da Vila Clementino, desce até onde hoje está um dos viadutos da Rubem Berta, acompanha esta por um quarteirão, onde se encontra com o córrego Paraguai, este sob a José Maria Whitaker.

Enfim, um festival de rios canalizados e entubados que outrora fizeram parte de uma paisagem rural no meio de São Paulo. Disso tudo, cheguei a ver apenas parte do Uberaba, no cruzamento com a avenida Santo Amaro, a céu aberto por muitos anos debaixo de uma pequena placa escrita: "Avenida Uberaba". Esta era o que se tornou a Helio Pelegrino, na época um pequeno caminho de terra ao lado de um riozinho sujo. Isto até o início dos anos 1990. Também me lembro de pequenas pontes nas ruas que cruzavam o córrego ali na região onde hoje se encontram as avenidas Faria Lima e Helio Pellegrino.

11 comentários:

  1. Tenho uma ligação sentimental com a bacia do Uberaba. Em 1942, meu avô veio com a família para SP tentar a sorte e morou nessa região durante algum tempo - mas as coisas não deram muito certo e eles tiveram de voltar para o interior. Meu pai em contou um pouco sobre suas andanças nesse local; na época a região ainda era muito campestre. Trinta anos depois, estudei durante vários anos na filial da Cultura Inglesa na rua das Fiandeiras, cujos fundos davam para o rio. Na época explorei a região um pouco a pé; ainda se via o rio e alguns de seus afluentes, canalizados aqui e ali, e algumas pinguelas precárias. Apesar das promessas de canalização que já haviam na época, creio que o Uberaba foi o rio que mais resistiu na região; ele só foi aprisionado mais de vinte anos depois, creio que em meados da década de 1990. Dos córregos da avenida Santo Amaro, o primeiro a ser canalizado foi o Traição (1969-1970), depois o Cordeiro (1973-4) e Sapateiro (1974-5). O Águas Espraiadas e Uberaba só foram canalizados bem depois, mais de vinte anos após o Sapateiro; como eu já estava morando fora de São Paulo nessa época não me lembro o ano exato des suas canalizações. Creio que deve ter sido em meados da década de 1970. Em 1997 passei ocasionalmente pela região e constatei que o Uberaba já estava preso.

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  2. E eu me esqueci de colocar na postagem que eu cheguei a ver outro trecho do Uberaba a céu aberto: o final (sem saída) da rua Diogo Jacome. Hoje, a rua continua sem saída, mas não há nem sinal do rio, entubado debaixo da rua, que tem do outro lado do ex-leito o portão de um prédio de apartamentos.

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  3. Eu acho que vi num mapa de SP dos anos 1920, com surpresa, que o Uberaba desembocava originalmente no Traição. O problema é achar a cópia eletrônica do mapa na minha bagunça e confirmar essa minha suspeita.

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  4. Em 1937 desembocava no Pinheiros, do outro lado. Os mapas, no tocante a córregos, não são muito confiáveis. Mas havia um rio realmente na divisa da Pequetita com a Funchal.

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    1. No mapa da Sara Brasil, de 1930 (folha 63), o Uberaba aparece claramente fazendo uma curva para a direita e desaguando no Pinheiros depois de cruzar as ruas Funchal e a Paquetiba (não sei se o nome é que está errado ou se Pequetita é corruptela de Paquetiba). Segundo o mesmo mapa (folha 64) o Ribeirão Uberaba seguia até a atual Av. Prof.Ascendino Reis onde havia o encontro do córrego das Éguas com o Paraguai. O córrego que você chama de Uberaba é o Uberabinha que deságua no Uberaba depois de cruzar o fim da rua Araguari. O Uberabinha deu até nome para o bairro que se formou ali. Aquela servidão da foto fica entre a Pintassilgo e a Araguari. A travessa Jornalista Otávio Muniz que fica entre a Inhambu e a Tuim também foi aberta sobre o córrego Uberabinha.

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  5. Pois eu vi o Paraguai a céu aberto, se bem numa época em que ele já era apenas esgoto, mas a céu aberto, pois nasci e cresci em Mirandopolis, vi a canalização do Paraguai e a construção da Whitaker
    Nas margens do Paraguai havia pés de mamona que faziam a alegria da criançada
    E é fácil entender pq aquela confluência da Whitaker com onze de junho etc.. alaga que é uma beleza.. têm dois rios ali
    Adorei o blog

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  6. Existe uma rua na Vila Nova Conceição, bem pequena e desapercebida, paralela à Rua Diogo Jacome que tem um nome curioso que me intriga: Barra do Peixe. Creio que ali deveria ser um local de pesca ou comércio de pescado. Margem do Uberaba!

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  7. Minha infancia se passou na V.Clementino, na Rua Dr Bacellar, e o campinho de futebol era na beira do corrego Uberaba, iso no final dos anos 50 , e ao longo dos anos 60. Chamama-vos de "corgo", naquela epoca não sabia que se chama-va Uberaba. Alias nome da terra de meus pais meus irmãos, eu fui o unico que nasci em SP, na antiga rua do Tanque hoje R,Estado de Israel, pwrinho da Sena Madureira. O corguinho naquele tempo já era imundo, um esgoto a cêu aberto, muitos ratos, mas nos divertiamos por lá, muitos pés de fruta, um mundo magico pra mim, moleque naquela época, era no que hoje é a Whitaker, entre Bacellar e Leandro Dupré. Lembro-me do Brasil perder a copa do mundo de 1962, lá jogando bola no campinho. Hoje ja era tudo!! Prédios , avenidas, semaforos, transito caótico. São Paulo tem o dom da degradação!!

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  8. Os nomes de córregos se confundem em mapas e épocas. Pode estar certo que, se eu coloquei Uberaba no lugar de Uberabinha em algum trecho foi porque algum mapa de alguma época mostrava isso.

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