quarta-feira, 18 de março de 2009

PRECISAMOS DE TUDO ISSO?

Três notícias aparentemente sem ligação uma com as outras publicadas ontem, dia 17, no caderno Metrópole, do jornal O Estado de S. Paulo, chamaram-me a atenção. A primeira falava sobre um “condomínio que vira bairro privativo”, no Campo Belo. A segunda falava de um prédio da construtora WTorre na Marginal do Pinheiros e suas implicações com o transito da região. O terceiro afirmava que “Conselho estadual barra a ampliação do Porto de Santos”. O que será que as une?

Aparentemente, nada, a não ser o fato de estarem na região da Grande São Paulo – não, a do Porto de Santos realmente não está, mas está perto. Em termos da megalópole que é a Grande São Paulo somada ao porto de Santos, não são tão distantes assim uma da outra. E esse é o problema. Num caos urbano que é a região metropolitana, analisar os problemas que qualquer grande obra – as três a são – causa ao transito e à infraestrutura urbana isoladamente não ajuda em muita coisa.

Já estava na hora de se preparar um planejamento de crescimento urbano para a Região Metropolitana e seu escoamento para o Porto de Santos. Alguém pensou nisso? Acredito que sim, mas ninguém põe as cartas na mesa. Ninguém de peso, pelo menos, ninguém que tenha cacife para ser ouvido. O que quero dizer é que, independentemente de quem tem razão nos três casos citados – se é a Prefeitura, se é a WTorre, se é o Porto de Santos, se é o Conselho Estadual – ninguém observa essas três obras como fazendo parte de um todo, em que os problemas e ou soluções que elas causarão no seu entorno, que, pelos seus tamanhos, serão grandes.

Elas, somadas a diversas outras obras aqui não citadas, mas que já existem ou estão sendo discutidas agora (avenidas diversas, canalizações de córregos, ferroanel, outras ferrovias, construções ou reformas de estádios para a Copa de 2014, e outros muitos mais), causarão modificações bastante significativas a curto prazo. E todos continuam pensando apenas nos mundinhos a seu lado, isoladamente, repito.

A região metropolitana já é grande demais para aguentar todas essas intervenções. Era hora de alguém parar tudo e dizer: “dêem-nos um tempo para fazermos um estudo global e analisar tudo como um problema só”. Claro, muitos vão dizer que isso já existe, referindo-se a Lei de Zoneamento, Planos Diretores, PITUs e outros – mas nós, pobres mortais, sabemos que tudo não passam de papéis arquivados que são riscados e modificados a cada interesse novo particular que apareça.

Das três obras, duas delas, com certeza, não fariam falta alguma a São Paulo. A terceira... bem, é questão de se saber mais sobre a capacidade do porto, etc... é realmente uma questão de se analisar a infraestrutira atual, coisa que não vem ao caso aqui. É realmente triste e preocupante. Serei eu, um dos inúmeros palpiteiros de plantão, o único profeta do caos por aqui?

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