Do jornal O Estado de S. Paulo, 1957
A ponte Francisco Sá foi construída pela E. F. Noroeste do Brasil em 1925. Substituía uma pequena balsa que transportava o comboio em partes pelo rio, causando uma demora sensível no transporte de passageiros e cargas para transpor o rio Paraná.
Havia mais carga para transportar do Mato Grosso (na época, um estado somente) para Bauru do que no sentido contrário. Nessa época, além de passageiros, a carga principal era gado. Em boa parte, a Noroeste puxava vagões vazios para coletar o gado nas estações e trazê-lo para Bauru. Mesmo assim, a Noroeste e seu tráfego cresceram após a construção da ponte: nos anos 1950, ficou pronto o ramal de Ponta Porã, que saía de Campo Grande, e a linha-tronco finalmente alcançou Corumbá, depois da construção da ponte Marechal Eurico Gaspar Dutra, sobre o rio Paraguai. Ainda assim, o crescimento foi moroso, em uma zona de baixa densidade demográfica (ainda hoje é assim) e vastas fazendas de gado.
Ponte Francisco Sá - Foto Cristiano Luisão
Além disso, chegaram os caminhões, concorrentes sérios da ferrovia, embora trafegassem nas péssimas estradas da época. No início, era um colaborador, que trazia cargas para as estações; depois, passou a ser realmente concorrente, pois se aventuraram a seguir diretamente para as cidades de desova do gado e outras cargas.
Em outubro de 1956, a própria Noroeste instalou ali uma gôndola motorizada sobre os trilhos da ponte, para transportar caminhões de um lado para outro do Paraná. Decisão difícil: ao mesmo tempo que dificultava sua vida, ela calculava que isto aceleraria o desenvolvimento do Mato Grosso.
Bem antes disso, a Noroeste já havia assoalhado o leito da ponte para facilitar a passagem do gado de um lado para o outro do rio. Porém, os resíduos deixados pelos animais sobre a ponte começaram a comprometer a estrutura da mesma. Em 1930, os militares, durante a revolução, resolveram arrancar o piso, para evitar a passagem de tropas, a pé ou motorizadas.
A ferrovia disso se aproveitou e não permitiu o reassoalhamento. O que aconteceu em consequência disso? todo o trânsito de veículos e de boiada transportou-se para o sul, em Porto Tibiriçá, a 350 quilômetros rio abaixo e a apenas dois quilômetros da estação terminal da Sorocabana, Presidente Epitácio. Ali, a Companhia de Navegação do Prata já fazia um serviço de transporte de gado por barcaças que ligavam Porto Tibiriçá aos portos 15 e 16, do lato mato-grossense.
Ou seja, com as péssimas estradas também do lado paulista naquela época, a Noroeste passou a vilã - simplesmente porque estava protegendo seus interesses. Somente em 1956 isto foi alterado, com a instalação das tais gôndolas. É evidente que nesse tempo já se pensava na construção de uma ponte rodoviária por ali. As pontes acabaram sendo construídas sobre a barragem de Ilha Solteira (pouco acima da ponte da Noroeste) e mais ao norte, na atual cidade de Ilha Solteira.
Enquanto isto, a ferrovia cobrava pelo uso das gôndolas. 400 cruzeiros para automóveis, 700 para caminhões vazios e 1000 reais para caminhões cheios. Pelo visto, essa foi uma boa fonte de renda para a Noroeste durante anos.
Problemas a parte, a Francisco Sá foi a primeira ponte a ser construída sobre o rio. Pontes rodoviárias somente vieram muito depois e a segunda ponte ferroviária (rodo-ferroviária, na verdade) somente foi construída nos anos 1990, para ligar a Ferronorte à antiga Estrada de Ferro Araraquara. Hoje esta tem bom movimento de trens e de automóveis, enquanto a Francisco Sá, metálica, está meio que às moscas, esperando sempre pela viagem do trem de celulose que vem de Três Lagoas, o único que sobrou, depois dos desmontes da Novoeste (com v mesmo), ALL e, finalmente, da Rumo.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015
segunda-feira, 23 de março de 2015
CAMINHÕES E TRENS...
O texto abaixo foi totalmente transcrito por mim, parte de Antonio Pastori, velho lutador da causa dos trens de passageiros no Brasil, e parte de uma reportagem do portal R7, escrita por Diego Junqueira.
Uma tristeza. Tirem suas conclusões.
Rodovias
transportam 3 vezes mais cargas que ferrovias, mas custo é 6 vezes maior
Os protestos de caminhoneiros no início do mês paralisaram estradas em mais de 10 Estados, comprometendo o transporte e o abastecimento de produtos em algumas cidades do País. Os bloqueios evidenciaram a dependência do Brasil do transporte rodoviário, que cresce a cada ano, apesar de ser seis vezes mais caro que as ferrovias.
Uma tristeza. Tirem suas conclusões.
"Sabemos disso há muito tempo
e, até para um leigo, a conclusão óbvia e inevitável é: precisamos de mais
ferrovias.
Contudo, a matéria abaixo não
mostra o lado nebuloso (para não dizer IMORAL) dessa novela logística:
apesar da adição de 913,7 km de trilhos na malha nacional nos
últimos quatro anos, cerca de 4.000 mil km - ou seja, metade da antiga malha da
Leopoldina e da Rede Mineira de Viação nos estados de Minas, Rio de Janeiro e
Bahia - serão erradicados com aval do Governo Federal baseado na nefasta
Resolução 4.131/2013 ANTT, um crime de lesa pátria, sob a alegação de
inviabilidade econômica pelo OPERADOR (a tal FCA da Vale) nesses trechos que
- acredite - FALTA CARGA, dizem!
Outra constatação óbvia: os
decisores das obras, públicos e privados, não simpatizam muito com obras tipo
"meia-sola" para modernizar /revitalizar esses antigos trechos,
cujo custo seria da ordem de R$ 1,5 milhão/km.
As obras
"zero-bala", que custam entre R$ 8 a 10 milhões/km, dão um bom...
"IBOPE" (para não usar uma outra palavra muito na moda nos
noticiários), e assim se "justifica" essa
"preferência", ora pois.
Ilações à vontade.
At//
Pastori"
Rodovias
transportam 3 vezes mais cargas que ferrovias, mas custo é 6 vezes maior
Segundo consultoria
logística, dependência das estradas aumenta ano a ano
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Diego
Junqueira, do R7*
Operários
trabalhavam intensamente em Anápolis (GO), uma semana antes da inauguração da
ferrovia Norte-Sul, no ano passado16.05.2014/DIDA SAMPAIO/Estadão
Conteúdo.
Os protestos de caminhoneiros no início do mês paralisaram estradas em mais de 10 Estados, comprometendo o transporte e o abastecimento de produtos em algumas cidades do País. Os bloqueios evidenciaram a dependência do Brasil do transporte rodoviário, que cresce a cada ano, apesar de ser seis vezes mais caro que as ferrovias.
Em 2012, 67% da carga transportada pelo
Brasil foi movimentada por rodovias (1.064 bilhões de toneladas por
quilômetro), enquanto 18% passaram por ferrovias (298 bilhões de toneladas por
quilômetro). Os dados são da pesquisa ‘Custos Logísticos no Brasil’, divulgada
em 2013 pela empresa de consultoria logística Ilos.
Em 2006, as rodovias respondiam por 65% do
transporte, enquanto as ferrovias tinham mais de 20%.
Segundo especialistas, a dependência das
rodovias é até maior do que os números mostram. “Se você tirar o minério de
ferro do total das cargas transportadas [por ferrovias], então o total
transportado via caminhão vai para 78%”, diz o economista Josef Barat,
ex-diretor da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
— O Brasil é o único país onde predomina o
caminhão.
Dentre os países com dimensões continentais,
o Brasil é o único que decidiu “encurtar as distâncias” por meio das rodovias.
Os Estados Unidos, que, sem considerar o Estado do Alaska, é menor do que o
Brasil, têm uma malha ferroviária sete vezes maior: são 228 mil km contra 29
mil km.
França, Alemanha e Índia, cujas áreas são
menores que a do Brasil, também possuem malha mais desenvolvida. Hoje, o Brasil
tem a mesma quantidade de ferrovias que em 1922 (veja mais ao final).
O estudo do Ilos ainda mostra que, para
transportar mil toneladas de carga em uma ferrovia brasileira, é preciso gastar
R$ 43 por quilômetro. Já nas rodovias esse valor é de R$ 259 (seis vezes mais).
Com isso, os custos com transporte estão
aumentando no Brasil, alcançando 11,5% do PIB em 2012 — considerando gastos com
transporte, estoque, armazenamento e administrativo. Nos EUA, esses custos
equivalem a 8,7% do PIB.
Série de erros
Segundo o diretor-geral do Ilos e professor
aposentado da UFRJ Paulo Fleury, o crescimento da economia nas duas últimas
décadas ampliou os locais de produção, “aumentando o volume e as distâncias do
transporte”. Mas como a malha ferroviária não ampliou sua oferta, a tarefa de
escoar a produção coube ao transporte rodoviário.
— É muito mais fácil e barato construir rodovia
do que ferrovia. Foi o que aconteceu. As ferrovias foram minguando e as
rodovias foram crescendo sem concorrência. Não foi uma questão de escolha. Não
houve escolha nenhuma, foi má gestão.
Fleury lista uma sucessão de erros que
afastou a ferrovia da realidade brasileira, como as privatizações “sem
planejamento” da década de 1990.
— A rede ferroviária era federal [antes das
privatizações], mas dava R$ 1 bilhão de prejuízo. Então a ferrovia minguou com
a falta de investimentos. Em 1994 e 1995, eles quebraram a malha em seis
pedaços e privatizaram a rede. Mas foi uma decisão errada. A rede acabou
ficando sem conexão, se tornaram ilhas isoladas. Foi um erro do planejamento da
privatização.
Hoje, diz, o governo tem garantido
investimentos, mas as obras estão todas atrasadas por problemas de gestão, como
a troca de construtoras, alterações de projeto e dificuldades para se fazer
desapropriações.
— O investimento foi feito, mas foi mal
gerenciado. Atrasou tudo. A ferrovia Norte-Sul [que teve um trecho inaugurado
em 2014] era para ficar pronta há quatro anos. Outros projetos também estão
paralisados.
E daqui para frente?
Entre 2011 e 2014, foram concluídos 913,7 km
de ferrovias, segundo o Ministério dos Transportes. A principal entrega foi a
do trecho da FNS (Ferrovia Norte-Sul) que vai de Palmas (TO) a Anápolis (GO).
Esse pedaço ficou pronto em maio do ano passado, mas começou a operar
comercialmente no fim de fevereiro deste ano.
Iniciadas na década de 1980, as obras foram
retomadas só em 2007, durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. A promessa inicial era entregá-la até 2010.
O outro trecho em construção dessa ferrovia
vai de Ouro Verde (GO) a Estrela D’Oeste (SP), que deveria ter sido entregue no
ano passado, mas tem previsão agora para dezembro de 2015.
A outra ferrovia atualmente em construção é a
FIOL (Ferrovia Integração Oeste-Leste), que tem 1.527 km de extensão em três
trechos, saindo de Ilhéus (BA), passando por Caetité (BA) e Barreiras (BA) até
chegar a Figueirópolis (TO), onde vai se interligar com a FNS. A obra está
prevista para ser entregue até o fim de 2016.
Para o professor de engenharia mecânica da
UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) Fernando Marques, pelo tamanho do
Brasil, é preciso investir ainda mais.
— O governo tem feito alguns investimentos na
área, inclusive com a ferrovia Norte-Sul, a Oeste-Leste, mas ainda é pouco pelo
tamanho do País. Porque não adianta só ter malha, você tem que ter
infraestrutura. É preciso construir terminais adequados. É preciso ter estrutura
para a carga chegar adequadamente e que junte uma quantidade suficiente para o
trem levar.
Marques calcula que a construção de uma
ferrovia seja até 4 vezes mais cara que a de uma rodovia. No entanto, diz, o
investimento vale a pena.
— O custo é mais caro, já que a ferrovia é um
investimento do tipo industrial, os materiais são muito mais sofisticados. Mas
o custo operacional é bem mais barato, principalmente se considerarmos o custo
de cargas de alta densidade que são transportadas em longas distâncias.
* com Victor Labaki, estagiário do R7
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sábado, 12 de novembro de 2011
A ZONA CEREALISTA DE SÃO PAULO
O pátio do Pari nos anos 1950O jornal O Estado de S. Paulo publicou ontem, sexta-feira, uma reportagem intitulada "Caminhões só poderão circular 12 horas por dia na Marginal do Tietê".
Depois de expor em detalhes o plano em reportagem de Bruno Ribeiro e Felipe Frazão, o Sr. Sergio Ejzenberg resolveu fazer uma análise em uma coluna mais abaixo com o título "Melhoria no trânsito não vai durar mais do que seis meses".
Sérgio expõe sua opinião de que a ideia é boa, dizendo por que, ressaltando, no entanto, o fato que deve funcionar... mas não por mais de seis meses, dando como exemplo o que ocorreu na avenida dos Bandeirantes depois da proibição de caminhões e o que ocorre hoje, meses depois. O trânsito de acomoda. Concordo com o Sr. Sergio.
Porém, no seu artigo ele fala também da Zona Cerealista, em que ele propõe mudar essa "zona" para outras áreas e nela estimular "um processo de renovação urbana". Ledo e grande engano da parte dele.
A zona cerealista do Pari nasceu por causa da ferrovia. A São Paulo Railway colocou ali um enorme pátio para recepção de mercadorias (e cereais) que vinham do interior ou do porto, eram ali estocadas, junto ao então centro da cidade e ali também deistribuídas por carroças... e mais tarde, por caminhões.
Com o contínuo processo de desmoralização e de "anacronização forçada" das ferrovias, fato que somente ocorreu na América Latina e no Brasil (antes que me ridicularizem, lembrem-se que só americano considera que o Brasil é parte da América Latina), o Pari foi progressivamente abandonado enquanto caminhões passaram a entrar em São Paulo diretamente de outras cidades para entrega direta ao comércio. Com isso, o trânsito na cidade foi progressivamente tornando-se o caos de hoje (houve outros motivos para o caos, evidente, mas a quantidade de caminhões influiu muito).
A solução não é nada complicada. Que volte a ser o Pari uma central de distribuição, pelo menos em parte da cidade, e que os trens tragam novamente as mercadorias de fora. Não preciso explicar aqui o que isso afetaria positicamente o trânsito. É uma solução que não fazem por que não querem. É claro que teriam de negociar com a CPTM e com a MRS, mas é perfeitamente possível em terras de homens sérios que pensem mais na cidade que em seus empregos (aquie está a parte mais difícil da coisa).
Mãos à obra, e chega de caminhões. Que eles se resumam ao que é necessário, Afinal, é impossível encher uma cidade de trilhos.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
FAIXAS DE PEDESTRES

Nesta semana, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma reportagem sobre a deseducação dos motoristas (e pedestres) com relação às faixas de pedestres.
Realmente, a situação não é nada boa em São Paulo. Pouca gente obedece às faixas nas esquinas e, mais ainda, as que ficam em meio de quarteirão.
Isso somente se resolve com educação maciça, feitas nos locais, por guardas de trânsito treinados para isso. E educação de base, nas escolas, sobre o assunto.
Curioso é que existem cidades no Brasil que, segundo me contam, o problema não existe: pedestres e motoristas respeitam as faixas. Se é verdade não sei, mas contam-me que na região serrana do Rio Grande do Sul isso acontece. Também ocorre em Brasília. Não tenho ideia por que lá sim, aqui não. Mas é bom que haja locais que possam servir como referência. Deve haver mais cidades e regiões também.
Concentrando-me na cidade de São Paulo (e na Grande São Paulo), eu, que ando a pé hoje muitíssimo mais do que há dois anos, comecei a prestar atenção no assunto. E também a prestar mais atenção nisso quando estou dirigindo - hoje dirijo muito menos do que antes, por que o trânsito de São Paulo é broca. Fica mais tempo parado que andando.
E o que vejo nesse tempo todo? Na verdade, a situação não é tão horrorosa assim. Há diversos motoristas que respeitam faixas. Quem não respeita? Taxis, caminhões e ônibus. Não sei se dá para generalizar - mas que os táxis não param em faixas, não param mesmo. Idem com os outros tipos de veículos citados.
Quais seriam os motivos para isto? Motoristas de táxi e de ônibus dirigem o dia inteiro. Devem ser altamente estressados com o trânsito da cidade. Portanto, irritam-se com a "moleza" de quem atravessa a rua. No entanto, embora o fato possa explicar a situação, não pode justificá-la. Já vi táxis buzinando para que o pedestre saia da faixa para ele poder passar. Isso chega a ser até comum.
Motoristas invadem faixas de pedestres passando pela frente ou por trás de pedestres que atravessam. Se o pedestre insiste, alguns jogam o carro em cima para intimidar. Dá pra enfrentar? Dá, se o carro estiver devagar.
Um problema: muitas ruas têm faixas junto à esquina, numa avenida grande. Isto significa que o motorista que está na avenida e vai dobrar na rua menor tem de cruzar a faixa. Se há gente atravessando, o motorista acaba parando (quando para) na avenida, ficando com o "traseiro" na pista e se arrisca a levar uma pancada. Solução: colocar a faixa mais longe da esquina.
Bom, tenho observado muito, o que me ajuda também a dirigir melhor e respeitar a faixa. Mas também percebo que há muita gente gentil, que para quando alguém está esperando para atravessar a rua. Não vou dizer que é a regra. Mas eles existem.
Como tudo na vida, tudo depende de educação, de respeito ao próximo, de se reduzir o estresse. Difícil no mundo atual em que vivemos.
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