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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CHICLETES, LIXO, ODORES E SAÚDE

A fotografia foi tirada por mim há sete meses atrás, mas esta calçada no antigo largo da Batata é hoje uma das mais sujas de São Paulo.
Hoje, pouco depois do almoço, saí do escritório e fui a pé até a rua do Sumidouro, em Pinheiros. Tudo conforme esperado: um monte de gente nas calçadas, muito trânsito nas ruas, calçadas semi-destruídas e com muito lixo.

Mas, muito lixo, mesmo. Entre a Eusébio Matoso e a rua de Pinheiros, andando pela Faria Lima, as calçadas estão com buracos de todos os tipos e tamanhos, fora as manchas pretas. Estas manchas são os chicletes que as pessoas cospem no chão e que, com tantas pisadas, se juntam com a poeira preta e vão se assentando no piso, tornando-se manchas negras. São feias e dão uma impressão de sujeira muito grande, mas ruim mesmo é para os primeiros que pisam nelas, que levam metade do material gosmento com eles e vão espalhando-o durante os passos seguintes (e não há o que fazer).

Atravessando a rua dos Pinheiros e logo depois a Teodoro Sampaio, onde hoje está a entrada da estação Faria Lima do metrô, cruza-se logo em seguida a Cardeal Arcoverde. A partir daí, a calçada vira um lixão. Depois que elas foram destruídas e não reconstruídas pelas obras do metrô, ainda por cima recebem todo tipo de lixo: bitucas de cigarro, papel, plásticos, restos de comida... que vem não somente dos pedestres que passam por lá, mas também dos bares que existem no trecho, que é o remanescente do antigo largo da Batata.

Estes bares simplesmente varrem a sujeira do chão e jogam sobre a calçada, ou espalhando tudo ou fazendo um montinho. Num dia muito quente como foi hoje, o cheiro torna-se insuportável. Ainda por cima, entra de volta nos bares, lojas e cabeleireiros que permanecem, claro, de portas escancaradas. O cheiro é nauseante, pude senti-lo hoje.

A prefeitura não limpa coisa alguma, pelo visto. Se limpa, fá-lo mal feito com um antiquado sistema de vassourinhas e funcionários totalmente desmotivados. O negócio, enfim, é: ou se cria uma lei que obriga os estabelecimentos, prédios e casas a limparem as calçadas (e fiscalizando, claro) ou se compram aquelas máquinas que aspiram a sujeira num instante.

Porém, o fato é que se o próprio povo pouco se importa com o lixo que está espalhado e causando mau cheiro e ainda por cima ainda contribui jogando-o nas ruas, então por que a Prefeitura deveria se importar em limpá-lo?

No fim, é exatamente o que acontece. Alguns poucos Ralph vão seguir reclamando da vida e os outros continuam vivendo como na idade média. Haja saúde.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

ERROS HISTÓRICOS PAULISTANOS

Capa de um Guia de São Paulo - ano de 1963 (não aparece, mas é). Acervo Ralph M. Giesbrecht

Confiar plenamente em mapas de cidades antigos para traçar a história da urbanização não é algo que se recomende. A consulta serve como guia para a pesquisa; porém, todas as consultas que faço e coloco em meus estudos têm sempre a nota: "de acordo com o mapa tal, publicado em...", dado a constantes erros que existem e que nem sempre podem ser detectados.

Nos muitos anos - décadas, já - em que tenho estudado diversos mapas da capital paulista, já constatei erros claros e possíveis erros em diversas oportunidades. Desde nomes de ruas que mudam ao sabor dos mapas (por exemplo, a rua Cardeal Arcoverde se chama Arcoverde e Joaquim Arcoverde em mapas mais antigos, mas este não é um erro tão grave) até ruas traçadas de forma errada ou que, por exemplo, são traçadas de forma correta em relação a hoje, mas não nos dão a certeza de que esta rua já existia em dada época, ou que fosse então apenas um projeto a ser implantado.


Vejamos alguns casos. No mapa acima, a avenida Sumaré aparece com o seu curso terminando na rua Varginha no ano de 1937. Pode ser real. No entanto, vemos ruas tracejadas (devem ser projetos) à direita que não foram implantadas dessa forma.


Já no outro mapa (acima), a avenida aparece no ano de 1963 traçada somente até a rua Professor João Arruda e com uma praça oval no entroncamento das ruas Atalaia e Grajaú. Ora, esta praça jamais existiu (sei pois morei a um quarteirão dali por pelo menos 24 anos); quanto ao final da avenida na rua citada, isto era parcialmente real. Em 1963, a avenida era pavimentada com paralelepípedos, ainda em pista única e mais estreita do que é hoje, entre as ruas Tácito de Almeida e Atalaia/Grajaú. Dali para a frente, sentido Perdizes, era de terra e sem ser mais larga a partir do final da sua pavimentação, até a rua João Arruda, e daí para a frente era um córrego a céu aberto, praticamente sem ter nenhuma construção ao longo dela, até a rua Turiassu, onde hoje termina a avenida.


Vendo um mapa do Braz publicado em 1963 (acima), encontrei a Avenida Alcântara Machado bem mais larga do que as outras ruas na época - ver acima. Porém, uma boa parte dela, mais especificamente o trecho a partir do viaduto sobre a via férrea, sentido leste, é a rua dos Trilhos, que jamais teve essa largura. Erro crasso. Quanto à avenida antes da linha férrea, já seria ela larga nessa época? Pelo mapa, sim.


Voltando às Perdizes, o mapa feito pela empresa SARA BRASIL (acima) a pedido da Prefeitura e publicado em 1930 mostra uma linha de bondes unindo a avenida Doutor Arnaldo ao alto da rua Cardoso de Almeida na rua Caiubi. Até onde se sabe, não encontrei nenhuma referência ao fato de esta linha de ligação (a linha efetivamente existiu do cruzamento da rua Caiubi para o norte e da avenida Doutor Arnaldo, entre a Cardeal Arcoverde e a rua Teodoro Sampaio para o leste) ter em alguma época existido. Teria ela sido feita e depois retirada rapidamente? Era um projeto que a SARA aceitou como real? Este mapa da SARA em teoria é um dos mais confiáveis dos já emitidos. Outra coisa que se nota nesse mapa: para quem conhece bem a região, vai notar que a rua Macaé tinha um traçado muito diferente do que tem hoje e que a rua Veríssimo Glória não aparece. Foi mesmo assim? Ou somente nos primeiros mapas do bairro?

Há muito mais erros. Não dá para mostrar tudo, teria de escrever um livro sobre o assunto e aprofundar-me em muitas pesquisas mais. Sempre lembrando que até em mapas de ruas recém-publicados em São Paulo (e em diversas cidades) existem erros. Mesmo assim, acho o assunto realmente fascinante.

domingo, 10 de outubro de 2010

O FIM DE UMA RUA PAULISTANA

Uma das casinhas que ainda sobra na rua Cardeal Arcoverde, na altura da rua Alves Guimarães

A rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, era uma rua relativamente calma até os anos 1960, pelo que me lembro dela. Afinal, eu morava a apenas três quarteirões do seu início na avenida Doutor Arnaldo. No final dessa década, o trânsito que descia a rua Teodoro Sampaio - então com duas mãos e bondes - foi transferido para a Cardeal. Esta passou a ter mão única no sentido Pinheiros e a Teodoro ficou com a mão inversa.

Como sempre acontece, o enorme afluxo de trânsito de automóveis e principalmente de ônibus começou a afugentar os seus moradores. As muitas casinhas que existiam na rua começaram a ser substituídas ou fortemente descaracterizadas para a instalação de estabelecimentos comerciais. Alguns prédios chegaram a ser construídos, mas o trânsito também não era muito receptivo para eles.

De qualquer forma, até cerca de um ano atrás, você poderia dirigir do início ao fim dessa rua com seu carro. Congestionamento constante, mas era possível. No final do ano passado (2009), a rua foi seccionada em sua parte baixa na região do centro do bairro de Pinheiros. Na rua Cunha Gago, a rua seguia com uma curva para a esquerda, cruzando depois a avenida Brigadeiro Faria Lima e depois a Teodoro Sampaio para atingir o seu final na avenida Eusébio Matoso. A partir do fechamento do quarteirão entre a Cunha Gago e a Faria Lima, seu trânsito foi desviado para a rua que seguia em frente quando ela virava para a esquerda e depois entrou pelo meio do bairro depois da Faria Lima.

Quando abriram novamente o trecho fechado, verificou-se que a rua foi seccionada. Quam entra pelo antigo trecho é obrigado a entrar em uma pequena rua à esquerda num terminal de ônibus que começa agora a funcionar. Ou seja, de carro, não é mais possível chegar à Faria Lima pela velha rua.

Pode-se pegá-la novamente a partir da Faria Lima até a Eusébio Matoso - mas esse é o trecho mais deteriorado de toda a artéria. Está bem, em termos de trânsito, isso são contingências. Porém, espero que no futuro o trecho seccionado não venha a ter seu nome tradicional alterado.

Além do mais, diversas das poucas casas que ainda sobrevivem na parte mais alta da rua, ainda no antigo bairro de Cerqueira César, começam a ser demolidas. Quatro delas o foram na semana passada;neste sábado, já estavam em ruínas com uma placa de uma construtora que diz que vai aumentar a sua qualidade de vida demolindo as velhas casinhas. Para mim, isso é um verdadeiro despropósito. Seja o que for construído ali, prédio ou estacionamento, isso apenas deteriorará mais ainda a velha rua.

Seu trecho mais alto, para quem não sabe, é registrado em um mapa pela primeira vez em 1897, seguindo até a altura de onde ela cruza um dos braços do rio Verde, na rua João Moura. O nome era apenas Arcoverde, em outros mapas, Joaquim Arcoverde, e, mais tarde, nos anos 1910-20, começa a aparecer Cardeal Arcoverde. Esperamos que, dado a religiosidade do nome, Deus não se esqueça desta rua.

domingo, 27 de junho de 2010

A DETERIORAÇÃO DE SÃO PAULO

Casa na rua João Moura, não muito longe das casas que já estão sendo demolidas para o prédio citado abaixo, em foto do ano passado, tirada por mim. Na mesma quadra.

A deterioração da cidade de São Paulo - e das grandes cidades em geral - segue a passos largos, sem dar sinal de esmorecimento.

Uma reportagem publicada hoje no jornal O Estado de S. Paulo, no caderno Metrópole, dá conta de que em uma quadra do bairro antigamente chamado de Cerqueira César - hoje, Pinheiros, mesmo - mais especificamente, a quadra formada pelas ruas João Moura, Galeno de Almeida, Cristiano Viana e Cardeal Arcoverde, teve alguns de seus imóveis vendidos para a contrução de um prédio de apartamentos (aparentemente, tipo loft, de oito andares - até que não tão alto assim), onde, entendo, terá frente para a rua João Moura e fundos para a rua Cristiano Viana.

Essa quadra ainda é "virgem", ou seja, não tem qualquer edifício construído com mais de dois andares, pelo que me recordo.

O texto tenta explicar como são feitas essas vendas - interesses mais das imobiliárias e das construtoras e incorporadoras do que mesmo dos donos dos imóveis, pelo que se entende. Claro que os donos concordam com a venda, não estão aqui dizendo que houve pressões insuportáveis para a venda - mas são em geral imóveis antigos, geralmente algo deteriorados (não conheço a situação de cada um deles, mas conheço aquela quadra).

O fato é que esta verticalização sem fim tende a deteriorar a cidade, por causa da quantidade de pessoas a mais vivendo por metro quadrado de área projetada, a necessidade de aumento de suprimento de água, energia elétrica, gás, segurança pública e de regulamentação de trânsito local, necessidade esta que nem sempre - ou melhor, quase nunca - é calculada a cada construção de um prédio que arbigará muito mais famílias do que as que atualmente lá vivem.

Também é interessante lembrar que essa quadra é cortada pela galeria do antigo córrego - ou rio - Verde, do qual tanto comentei neste blog em outras postagens. Seria por isso que prédios não foram construídas nela até hoje?

E todos são afetados com isto - tanto os vizinhos, quanto os habitantes da cidade como um todo, mesmo que morem longe do local. Acho que não preciso explicar o por quê desta afirmação. Os políticos se omitem, as construtoras é quem mandam, etc. etc. etc.. Sem pressão, haveria realmente a venda de tantos desses imóveis? Não - geralmente as pessoas procuram vender um imóvel quando precisam do dinheiro ou quando precisam se mudar dali para outro local.

Enfim, enquanto isso, a cidade vai perdendo sua história. Por coincidência, acabei hoje uma página na Internet - uma página, não um site - que mostra em breves pinceladas alguns dos detalhes históricos que ainda conseguem sobreviver na cidade de São Paulo. Para quem está interessado, basta ler (sim, ele está, pelo menos por enauqnto, inserido no site das estações ferroviárias, de minha autoria).

sábado, 8 de maio de 2010

KASSAB DELIRA 2: O LIXO NA CIDADE

Visto do parabrisas do meu carro, o lixo na Marginal do Pinheiros logo após a ponte da Sorocabana está lá, aumentando todos os dias e nada se faz quanto a isso.

Ainda sobre o caso da demolição do Minhocão, o jornal O Estado de S. Paulo publicou hoje uma estimativa de custos para se fazer a demolição e as mudanças para compensá-la: avenidas, linha da CPTM subterrânea, pátios alterados etc., e chega à conclusão que tudo seria estimado em mais de 2 bilhões de reais, SEM CONTAR o que é impossível de ser cotizado no momento, como quanto custaria a modificação da linha do metrô já existente que passa pela Barra Funda, a terceira linha para cargas, relocação de fiação e galerias subterrâneas, etc.

Realmente, não é coisa para se brincar. Por outro lado, embora concorde que o Minhocão nunca deveria ter sido feito, que em 1969 era mais fácil se construir algo melhor como ligação Leste-Oeste, que o elevado é horrível e provocou - isso era previsível na época, mas ninguém se importou - uma degradação das avenidas Amaral Gurgel, São João e General Olimpio da Silveira, hoje ele existe, está lá e, embora sempre congestionado, não tem substituto a custo razoável.

Então, senhores que vivem nos prédios ao lado dele, que lutem por seus direitos: peçam incentivos do poder público para diminuir o nível de ruído, como vedações de janelas e policiamento decente e manutenção da parte "coberta" pelas pistas de forma no mínimo decente. Isto porque, em minha modesta opinião, o Minhocão nunca vai sair dali.

Por outro lado, seria melhor gastar todo esse dinheiro - que, segundo o próprio prefeito, São Paulo não tem, de acordo com o que ele falou alguns dias antes, citado em minha postagem de ontem - em outras coisas mais importantes. Vou dar meu palpite: limpar a cidade. Ontem mesmo, eu estava esperando um ônibus num ponto na Cardeal Arcoverde, quase na esquina com a rua Cunha Gago, em Pinheiros. Ô sujeira. Dirão que o povo não tem educação. Realmente, parte dele não se importa nem um pouco com a sujeira, mas é verdade também que naquele local não há uma única lata de lixo à vista. A solução: Além de colocar o cesto, colocar um funcionário de limpeza para fazê-la constantemente, de forma que, aos poucos, as pessoas que se utilizam do ponto se acostumariam em vê-lo limpo e pensariam duas vezes antes de jogar cigarros etc no chão.

Curioso que há um bar bem na frente do ponto. O bar é imundo. Parece que nem seus usuários nem o seu dono se preocupam com a sujeira nem na calçada em frente a ele nem em seus degraus de entrada. Fica realmente difícil dessa forma. Mas, como eu ando mais de ônibus nos últimos tempos, vejo também mais a sujeira da cidade, vendo-a "do alto" das janelas do coletivo. Está muito suja, e parece que só eu me importo... mas não é verdade, a situação não pode continuar assim.