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sábado, 12 de junho de 2010

RUAS QUEBRADAS

Belo sobrado na rua Homem de Mello. Foto Ralph Giesbrecht, em fevereiro de 2010.

É sabido por muita gente que a confusão nos nomes dos logradouros da cidade de São Paulo (e também em quase todas as cidades do Brasil, mas o caos é pior aqui, pois a cidade é grande demais) é um fator que ajuda a piorar as condições de trânsito, além, claro, do excesso de carros, falta de fiscalização, falta de educação, falta de manutenção dos veículos e das ruas etc. etc. etc.

Há casos curiosos neste assunto. Além de uma mesma rua ter dois ou mais nomes por toda a sua extensão - os exemplos são vários, mas vamos citar aqui somente com as Marginais e com a rua Augusta -, existem as praças minúsculas que têm nome, a falta de placas em algumas esquinas... e outros fatores no mesmo assunto. Para mim, o mais estranho é o das "ruas interrompidas", ou seja, ruas que, de repente, desaparecem - supõe-se que acabem - e depois descobrimos que elas reaparecem, "lá do outro lado".

Existem várias, mas sempre me lembro de três exemplos desta situação: as ruas Monte Alegre e Homem de Mello, nas Perdizes, e a avenida Angélica, em Higienópolis.

A rua Monte Alegre começa (seguindo o sentido da sua numeração) na avenida Francisco Matarazzo e segue até um pouco além da rua Wanderley, onde acaba, de repente. Não no mapa, mas "na vida real". Depois do seu "fim", existe um barranco, o qual somente dá para seguir por uma escadaria lateral na calçada, com a rua reaparecendo no vale, ali embaixo, de um antigo córrego, continuando a sua pavimentação até a rua Ilhéus, quase no Sumaré.

A rua Homem de Mello era contínua originalmente - isto, até 1966, quando começaram as obras da projetada (havia décadas) avenida Sumaré. Como o córrego da Água Branca passava pelo leito da rua Homem de Mello, fizeram a avenida entre a rua Ciro Costa e um ponto mais à frente, onde o córrego saía do alinhamento da antiga rua. Com isso, o último quarteirão da rua Homem de Mello ficou separado do resto, bem como há um enorme hiato na numeração - na verdade, o leito da rua e da avenida se confundem por pouco mais de um quarteirão. Quem mora no último quarteirão deve ter dificuldade para explicar a localização de sua casa para o entregador de pizza.

A avenida Angélica, antiga rua Itatiaia, começa na rua da Barra Funda e acaba na Paulista? Errado. Na verdade, acabava na Doutor Arnaldo, bem no início desta. Quando construíram a ligação rebaixada da avenida Paulista com a Doutor Arnaldo - se não me engano, no final dos anos 1960 - o leito contínuo da avenida Angélica passou a terminar na Paulista, enquanto dois pedaços da rua, um próximo à Paulista e outro, perto da Doutor Arnaldo - desapareceram em meio à demolição necessária. Ficou o trecho do meio, que somente pode ser alcançado hoje por alguém que saia da rua da Consolação, rua à qual o trecho perdido ficou ligado. A numeração e o nome ainda são mantidos como avenida Angélica. Outro problema para o entregador de pizza.