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domingo, 9 de janeiro de 2011

FOTOS RURAIS FERROVIÁRIAS

É incrível como os fotógrafos amadores e profissionais podem obter fotografias ferroviárias rurais interessantes.

Adriano Martins
Na semana passada, consegui uma delas, em Ibirarema, São Paulo. Outra chegou hoje, tomada por Jorge Ferreira, em Chiador, Minas Gerais. Achei outra de Adriano Martins, tomada em Caiubi, São Paulo.

Ralph Giesbrecht
Apenas três amostras. Há muitas mais.

quarta-feira, 24 de março de 2010

UM ANO DE BLOG


Para os 149 leitores que em princípio acompanham o meu blog diariamente (será que fazem isso mesmo? Quem consegue?) e os leitores eventuais (inclusive aqueles que meteram o pau em mim outro dia, fazendo policiamento na minha postagem sobre a greve dos professores), aviso que cheguei - e até passei em dez dias - ao meu primeiro aniversário como blogueiro.

Não consegui postar todos os dias, mas até que cheguei perto. Com a exceção do mês de junho último, quando fiquei o mês inteirinho internado no hospital (e mesmo assim, postei durante alguns dias, enquanto em outros, no período mais agudo da minha internação, meus filhos postaram informações do enfermo aqui), passei de 25 postagens todos os meses.

Não sei se isso é bom ou mau. Afinal, a intenção era postar todos os dias para acostumar eventuais leitores a pelo menos dar uma olhada no blog, posto que todos os dias deveria haver alguma novidade. Por outro lado, acredito que muitas vezes as matérias foram repetitivas. Talvez por algumas vezes até contraditórias... é difícil dizer. Houve até casos (recentes, até) em que eu postei duas vezes a mesma foto e falei do mesmo assunto, sem me lembrar de que já havia falado - tendo descoberto por acaso (foi o caso da fotografia da estação de Chiador, em Minas).

Tentei falar de diversos assuntos e expor o que penso. Tentar fazer as pessoas pensar em determinados assuntos. Há pessoas que comentam bastante, são sempre as mesmas: essas dá para ver que são fiéis. Há gente que parece gostar do que escrevo. Não sei se é sempre que gosta. Falo mais sobre ferrovias, mas houve temas em que o assunto estava longe de estar ligado a elas. Afinal, as críticas são constantes nesse tema, pois a política brasileira para ferrovias sempre foi, no mínimo, ruim, para não dizer desastrosa em diversos períodos.

Houve casos em que desço o pau em tudo que é assunto, e casos em que me emocionei ao escrever sobre gente que conheci, gente da minha família. Houve escritos em que tentei adivinhar o que acontecia há cem, cento e cinquenta anos. Houve até (poucas) histórias fictícias.

Gosto de escrever. Porém, há também dias em que não vem a inspiração para escrever. Em alguns casos, escrevi assim mesmo; em outros, não escrevi nada. E houve ocasiões em que não pude postar por não ter eletricidade para "mover" meu computador (em pleno século 21) ou eu estava em locais onde a Internet era muito ruim ou inexistente. Como viajei muito pouco nesse período, isso ocorreu muito pouco.

Espero continuar escrevendo... e espero que alguém, pelo menos, continue lendo e se divertindo com o que escrevo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

FERROVIAS MINEIRAS

Ruínas da estação de Chiador em 2008. Foto Jorge A. Ferreira

Há alguns anos, num dos eventos anuais da Frateschi (sempre é bom lembrar - o único fabricante de trens elétricos para ferromodelismo na América Latina, com sede em Ribeirão Preto, São Paulo), num desses concursos de perguntas e respostas promovidos durante o evento, perguntatam qual foi a primeira estação ferroviária do Estado de Minas Gerais. Eu respondi Chiador - e somente eu respondi isso. Os outros que responderam disseram que era Serraria. E venceram, pois a resposta que o "perguntador" tinha era esta. Reclamei e provei que era Chiador. No fim, como ninguém (menos eu) tinha certeza de nada, ninguém ganhou o prêmio.

Eu estava certo. A primeira linha ferroviária de Minas Gerais passou a fronteira mineira atravessando o rio Paraíba do Sul em 1869, e a primeira estação construída foi Chiador. Era no ramal de Porto Novo do Cunha, da E. F. D. Pedro II, mais tarde Central do Brasil. Serraria, na linha do Centro que vinha de Entre Rios (Três Rios) ganhou sua estação em 1874, quando a linha cruzou o rio Paraibuna naquele ponto entrando em território mineiro, mas pela segunda vez.

A Mogiana e a Viação Férrea do Leste Brasileiro também entraram com suas linhas em Minas Gerais, em épocas bem diferentes. A primeira em Poços de Caldas em 1886, Jaguara (no município de Sacramento) em 1888, Guaxupé em 1904, Sapucaí em 1908 e Delta em 1914. Quatro linhas. A Leste entrou somente em 1950, vinda do sul da Bahia, para atingir a estação mineira de Monte Azul, na ponta da linha do Sertão da Central.

Enfim, as primeiras linhas mineiras vieram "de fora", mais precisamente do Rio de Janeiro. A única linha genuinamente mineira foi a E. F. Oeste de Minas, que tocou seu primeiro trem em linha de 76 cm de bitola, em 1880, bem depois da E. F. D. Pedro II. E mesmo assim, a Mogiana, a Leste e a Leopoldina também cruzaram suas fronteiras. Esta última cruzou a do Espírito Santo e a do Rio de Janeiro, saindo e entrando dependendo da linha e da época. Na verdade, algumas destas linhas da Leopoldina nem eram originalmente desta ferrovia, mas de outras pequenas depois absorvidas pela maior.

A Leopoldina nasceu com uma linha que ligava as cidades de Cataguazes e de Leopoldina, a partir de Porto Novo do Cunha. Portanto, legitimamente mineira no início. Com as compras de outras linhas menores, sua falência exatamente por isto e sua compra pelos ingleses em 1897, a sede acabou se deslocando para o Rio de Janeiro, deixando de ser uma ferrovia mineira, embora boa parte de suas linhas trafegassem em solo mineiro.

É fato que a Oeste de Minas ultrapassou as fronteiras também, para o Rio e Goiás. Aumentou sua bitola em alguns pontos e teve mais linhas além da original, de Sítio (Antonio Carlos) a São João del Rey. A que mais tarde foi o tronco da Rede Mineira de Viação, formada a partir de linhas do Estado, onde a maior delas era a velha Oeste, ligava Angra dos Reis a Goiandira, em Goiás.

É curioso que o Estado com maior quilometragem de ferrovias no Brasil - pelo menos nas épocas de fausto - tenha tido a maior parte de suas linhas vindas de fora do Estado. Não é muito difícil, no entanto, de se explicar isto: afinal, Minas não tem litoral, consequentemente não tem portos, toda a exportação tem de ir para Vitória, Rio ou Santos. Outras ferrovias mineiras desembocavam em linhas que se ligavam a Santos via Cruzeiro, via Mogiana (ramal de Itapira) e via Vitória, como a Vitória-Minas. Vejam bem, construída a partir de Vitória, esta ferrovia adentrou Minas próximo a 1910.

Quanto a várias destas ferrovias, muitas já desapareceram do mapa há anos. Quanto à primeira estação mineira, Chiador, está em ruínas há anos - e por mais que tentem, ninguém consegue restaurar a sua bela estação numa pequena cidade mineira às margens do rio Paraíba.