Campos Novos, hoje, no alto do mapa do Google Maps. Abaixo, quase numa linha reta vertical, sobre o símbolo SP-270, a Raposo Tavares, está a cidade de Ibirarema, ex-Pau D'Alho, que possuía uma estação na linha-tronco da Sorocabana e que tem uma história mais recente que a de Campos Novos, mas ligada a ele, como muitos outros municípios da região, incluindo Marília
.
Começo o décimo capítulo desta série repetindo que meu avô Sud Mennucci escreveu toda a parte referente à região da Alta Paulista e terras à sua volta numa época em que havia ali poucos municípios e terras em grande parte ainda virgens, embora por muitas delas já se plantasse muito café, mesmo com a depressão de 1929 muito recente. Todas as anotações desde a parte IV devem tê-lo feito varar a madrugada no dia 1 de
fevereiro de 1935 com o parecer escrito sobre os municípios da Alta
Paulista. Para compreender melhor o que aqui está escrito, deve-se ler
ou ter lido os capítulos anteriores, V, VI, VII e VIII e IX, especialmente este último. Neste, acaba-se de uma forma ou de outra tendo acesso às outras partes acima citadas.
Na parte de hoje, Sud dá seus últimos dois pareceres, o primeiro, sobre Campos Novos (hoje, Campos Novos Paulista), afirmando que "sempre foi motivo de desassocego das populações da zona, transformado agora em município de Pau D'Alho, fica reduzido a a superficie sufficiente, dentro de limites racionais. Não haverá mais a grita das populações sacrificadas para manter um absurdo geographico,cuja unica justificativa era a possibilidade de obter maior renda para um municipio em franca decadencia."
Campos Novos, que ganhou o sufixo "Paulista" em 1948, quando voltou a ser sede de município depois de quatro anos - em 1944 a sede havia sido transferida para Ibirarema, que era o local da estação antes chamada de Pau D'Alho. É hoje uma cidade pequena, com manos de 5 mil habitantes no recenseamento de 2010.
Ele passa em seguida a São Pedro do Turvo, último dos municipios a ser citado nesta enorme descrição da situação econômica e geográfica de uma região que englobava parte da Paulista, Sorocabana e Noroeste naquela época:
"O municipio prejudicado por esta proposta é o de São Pedro do Turvo. Temos razões para crer, diante das arrecadações de 1931 e 1832, que foram respectivamente, de 51 e 47 contos de reis, que o municipio não supporta o corte, devendo ser supprimido. Aguardamos, entretanto, as informações pedidas ao Departamento de Administração Municipal, quanto ás arrecadações de 1933 e 1934, e referente aos districtos da séde e de Caçador (nota deste autor: hoje, Ubirajara), para firmar opinião.
E o caso de São Pedro ficará para ser liquidado, dentro de algum tempo, juntamente com o estudo da zona da E. F. Sorocabana, no trecho compreendido entre Salto Grande e Avaré, que tambem precisa e urgentemente de reorganização administrativa."
A partir do final do longo parecer, Sud escreveria, antes de emitir seu projeto de decreto que teria, como os outros, enorme influencia nas transformações que seriam feitas nesse distante ano:
"Diante do allegado, a Commissão tem a honra de propor projecto do decreto annexo. A Comissão."
O projeto escrito também seria bastante extenso e será mostrado no próximo capítulo.
Mostrando postagens com marcador ibirarema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ibirarema. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
sexta-feira, 13 de julho de 2012
QUANDO O GOVERNADOR ANDAVA DE TREM
Fevereiro de 1943. Por algum motivo, o interventor no Estado de São Paulo (na época, regime do Estado Novo de Getúlio Vargas, não havia governadores, mas interventores federais nomeados pessoalmente pelo Presidente da República) resolveu visitar algumas cidades da Alta Sorocabana.Ele foi de trem. Não era, realmente, surpresa: as estradas de rodagem nessa região eram péssimas - quando existiam. Mas a vantagem de se viajar de trem (no caso, a Sorocabana) era descer nas estações em bom estado e ser festejado pelo povo que nela se espremia, deixnado à sua frente os puxa-sacos políticos de cada cidade.
As cidades escolhidas para suas visitas foram, além de Sorocaba (logo no início da viagem), as que ficavam realmente na Alta Sorocabana, que na época não tinham nem quarenta anos de idade: Salto Grande, Pau D'Alho (hoje Ibirarema), Palmital e Ipauçu.
Pequenas, com população que rondava os 5 a 10 mil habitantes no máximo naquele tempo, verdadeiras usinas de poeira sem pavimentação de qualquer espécie, Fernando Costa pode ter sido o primeiro governador a visitar esses locais. A festa se dava principalmente pela curiosidade da população e dos próprios políticos em receber tão alta autoridade em suas minúsculas cidades.
E, também, numa região isoladíssima dos grande centros, era motivo de se ter algo diferente para fazer, não interessando aos populares se gostavam ou não do interventor. Já os prefeitos - vereadores não haviam no Estado Novo - eram sempre obrigados ao "beija-mão", pois eram nomeados também pessoalmente pelo interventor. Tudo era motivo para festa numa região de total tédio.
E a Sorocabana, de propriedade do Estado, era o meio de transporte para aquelas paragens, o único meio decente então, com todos os defeitos que pudesse então ter. No entanto, comparando-se com o que viria a se tornar setenta anos depois - ou seja, hoje - uma verdadeira maravilha, com trens de passageiros, hoje apenas uma saudade, e cargueiros indo e vindo para transportar praticamente toda a riqueza daquelas paragens e levar-lhes praticamente toda a subsistência.
Tal quase-monopólio já teria desaparecido vinte anos mais tarde, vitimados pelos automóveis, ônibus, caminhões e até aviões, que competiriam facilmente como abandono cada vez maior dos governos em relação às "velhas" e "obsoletas" ferrovias.
Da reportagem que trazemos (parte) no cabeçalho desta postagem, acima, publicada no jornal Folha da Manhã de 20 de fevereiro de 1943, extraímos pequenas frases, como: "...em Pau D'Alho o sr. interventor federal e os componentes de sua comitiva foram alvo de expressiva homenagem, sendo s. exa. cumprimentado na estação pelo sub-prefeito (...) Deixando a composição especial em que viaja, o sr. Fernando Costa"; "Às 21h 30, o trem especial deixava Sorocaba, prosseguindo o sr. interventor federal e sua comitiva sua viagem com destino à Alta Sorocabana"; "Palmital foi a cidade seguinte, visitada pelo sr. Fernando Costa e sua comitiva, às 10 h 35 o trem especial dava entrada na estação, onde já se encontravam os srs. (...)". "(Em Salto Grande) a chegada do trem especial que conduz o chefe do governo paulista se deu precisamente às 8 h 40, em meio das manifestações de júbilo da enorme massa popular que se comprimia na estação ferroviária local".
E por aí vai. Trem especial, estações ferroviárias cheias, chegas e partidas com horários... há quanto tempo não vemos isto nos jornais? Aliás, provavelmente a maior parte das pessoas vivas de hoje jamais tenham lido isto, pois trens metropolitanos não têm este tipo de coisa: a recepção de uma ou mais pessoas, importantes ou não. Nas estações da CPTM e do metrô, pessoas esperam pelos trens para embarcar; pessoas não esperam mais por pessoas para recepcionar; pessoas não estão lá para acenar para quem deixa a plataforma depois de embarcar...
Marcadores:
E. F. Sorocabana,
estado novo,
fernando costa,
folha da manhã,
Getulio Vargas,
ibirarema,
ipauçu,
palmital,
Salto Grande,
Sorocaba
domingo, 9 de janeiro de 2011
FOTOS RURAIS FERROVIÁRIAS
É incrível como os fotógrafos amadores e profissionais podem obter fotografias ferroviárias rurais interessantes.
Adriano MartinsNa semana passada, consegui uma delas, em Ibirarema, São Paulo. Outra chegou hoje, tomada por Jorge Ferreira, em Chiador, Minas Gerais. Achei outra de Adriano Martins, tomada em Caiubi, São Paulo.
Ralph GiesbrechtApenas três amostras. Há muitas mais.
Marcadores:
Caiubi,
Chiador,
ferrovias,
ibirarema,
santa barbara do oeste
Assinar:
Postagens (Atom)
