sábado, 1 de outubro de 2011

HISTÓRIAS DA AVENIDA IBIRAPUERA

A avenida Ibirapuera entre o Parque do Ibirapuera e (lá em cima) a rua Joaquim Távora. O prédio que se enxerga ao fundo é o Instituto Biológico. Anos 1950
Estava vendo umas fotografias da avenida Ibirapuera. Lembro-me ainda do tempo em que era uma avenida segmentada: impossível ir do começo ao fim de automóvel, só mesmo de bonde.

A avenida surgiu no início dos anos 1910 coo avenida central de um loteamento que se chamaria Moema, com as ruas paralelas e perpendiculares a ela tendo nomes de pássaros e de tribos indígenas. Curiosamente, os nomes foram modificados em algum momento, porém, mantendo seus motivos.

A avenida Ibirapuera não era precisamente uma avenida: foi construída para receber a linha do tramway de Santo Amaro, eletrificado a partir de 1913 e passando por ela. Casas foram construídas ao longo dela e para serem atingidas com os automóveis que, pouco a pouco, foram surgindo, estes tinham de trafegar em trechos marginais à linha férrea.
Pontilhão sobre o Parque Ibirapuera, nos anos 1950. À direita, Vila Mariana. À esquerda, sentido Santo Amaro.
Na verdade, no início do século havia uma rua que se chamava Jabaquara e que descia do largo Ana Rosa até a rua Tutoia. A Light, dona das linhas de bondes, escolheu esta rua para receber os trilhos que se dirigiriam a Santo Amaro. Com o prolongamento praticamente imediato da linha para Santo Amaro, a fim de substituir a linha de bondes a vapor que desde 1886 seguia pela Domingos de Moraes vinda da Liberdade, a linha nova eletrificada passou a descer pela rampa que correria mais tarde ao lado dos muros do Instituto Biológico, entidade que ali se estabeleceu a partir dos anos 1930 somente.

Essa reta seguia sem parar até a avenida Adolfo Pinheiro, na esquina com a rua da Fraternidade, já no município de Santo Amaro, e na avenida entrava com os trilhos seguindo até o largo Treze de Maio. A divisa municipal ficava sobre o pontilhão sobre o córrego da Traição, hoje entubado debaixo da avenida dos Bandeirantes.

Parada Piraquara, junto ao cruzamento da avenida Rodrigues Alves com a rua Vieira de Moraes
A essa reta, somando-se a ela o trecho da rua Jabaquara com as duas curvas que esta fazia (na esquina com a Tutoia e depois com a rua Joaquim Távora) foi dado o nome de avenida Conselheiro Rodrigues Alves, provavelmente a partir de meados da década de 1910 por causa da morte do Conselheiro no início de 1918. Até 1968, o trecho entre as ruas Joaquim Távora e a avenida Indianópolis não permitia a passagem de automóveis. Era somente a linha férrea.

Não muito tempo depois - não consegui ainda precisar quando - o trecho entre a rua Joaquim Távora e o córrego da Traição deixou de ter esse nome, recebendo o nome atual, avenida Ibirapuera. O trecho após o córrego manteve o nome do Conselheiro, mesmo após a anexação do município por São Paulo em 1935. No início dos anos 1970, esse trecho foi renomeado como Vereador José Diniz. O bonde, por sua vez, acabou em 1968. Com seu fim, a reta inteira foi asfaltada, parte em pista dupla, parte em pista única.

Também vale a pena ressaltar que o trecho entre a avenida dos Eucaliptos e o final da avenida, na rua da Fraternidade, também só tinha tráfego de bondes. Automóveis somente trafegavam nas estreitas marginais onde fosse possível e para entrar nas garagens. Não era possível andar por mais de um quarteirão seguido com o carro. Algumas marginais eram em desnível em relação à linha. Aliás, somente algumas ruas cruzavam o trecho após a avenida dos Eucaliptos, pois a elevação dos trilhos não permitia isso. Uma delas era a rua Vieira de Moraes, outra a Joaquim Nabuco. Uma ou outra mais também permitiam o cruzamento.

Em 1971, foi terminada a construção e entregue ao tráfego a avenida dos Bandeirantes, eliminando o pontilhão. Em 1972, já era possível trafegar na avenida toda com automóveis. Apenas não era possível cruzar o parque do Ibirapuera. Há poucos anos, um viaduto foi construído ali, que permite passar do trecho estreito da rampa entre a rua Joaquim Távora e o parque para o trecho após o parque, onde está o Jardim Lusitânia.

Sob a avenida deveria passar o "ramal de Moema" do metrô, que ligaria a linha Norte-Sul, entreue em 1975, à igreja de Moema. Logo depois, desistiu-se de construir o trecho.

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