quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

DE OURINHOS A IPAUÇU

Chavantes - casas antigas não há muitas lá. Esta foi bonita um dia, mas muito terá de ser feito se quisermos recuperá-la

Cheguei em Ourinhos no final da tarde do último dia 28 de dezembro, uma terça-feira. Já a conhecia, de uns 6 anos atrás. É interessante - tem um grande pátio ferroviário, mas, quando a linha chega de São Paulo, entra pelo meio dos quarteirões do centro da cidade para chegar à estação. As porteiras estão abertas quase sempre, já que não há trens regulares (cargueiros, claro). Os carros aguardam os semáforos em cima da linha. Se surgir um trem buzinando ao longe, deve ser um escarcéu.
Rio Paranapanema visto no sentido foz, da ponte sobre ele entre os municípios de Ourinhos e de Jacarezinho, na BR-153.

Fiquei por lá mesmo nessa noite, num hotel novo e pequeno, bastante agradável, perto da saída para a ponte sobre o Paranapanema. Pela manhã do dia 29, peguei o carro e saí. Cheguei à rodovia e não havia sinalização indicando coisa alguma. Tomei a direita e segui. Não sabia qual estrada era nem aonde levava. Somente encontrei placas de retorno nos cerca de 2 quilômetros por onde dirigi. De repente cheguei à ponte sobre o Paranapanema. Ou seja, tive de entrar no Paraná, sem querer. Atravessei a ponte e do outro lado, já no estado vizinho, havia uma rotatória pequena. Em frente, dois pedágios: a rodovia se bifurcava ali, à direita para Londrina, à esquerda para Jacarezinho. Cada uma tinha suas cabines. É fogo! Atravessei de novo a ponte e fui no sentido contrário, onde acabei finalmente encontrando a saída para Ipauçu.

Em Canitar, uma das casas de madeira

No meio do caminho para essa cidade, encontrei Canitar, a antiga Fortuna, e entrei. É município, embora seja pequeníssima. Nasceu em 1923, com a estação. O censo recente registrou menos de 4.400 habitantes. Nem praça central tem. Casas velhas, poucas: a maioria são casas pequenas, algumas modernas, outras sem estilo algum e várias de madeira - estas, as mais antigas. A igreja fica numa esquina e a antiga estação da Sorocabana é a sede da Prefeitura. Entre esta e a rua principal, um campo mal cuidado e estreito. Realmente, o critério de se emancipar municípios no Brasil é estranho. Do outro lado da Prefeitura, a linha férrea, ainda com um desvio. Do outro lado dela, campo apenas. A cidade acaba ali. São poucos quarteirões urbanizados, realmente.

Esta casa, ao lado da estação ferroviária de Canitar, deve ter sido da ferrovia, possivelmente a acasa do agente da estação. Do outro lado, a cobertura do ginásio de esportes. Ou seja, a área ferroviária desapareceu...

Deixei Canitar e segui para Chavantes. A cidade é maior e cresceu para os dois lados da linha. Estava com muito movimento nas estreitas ruas centrais que correm ao longo da linha, como em Ourinhos, mas havia muitos carros estacionados. Com as passagens de nível, era tudo uma bagunça. Acho que proporcionalmente a cidade tem um dos piores trânsitos do Estado...
Armazéns ferroviários em Chavantes. Há outros prédios iguais e provavelmente a construção demolida ao lado deles (em primeiro plano) teria sido igual

Em Chavantes há uma porção de armazéns ferroviários ao longo das ruas. É possível que tenham existido vários desvios que as cruzassem... alguns depósitos parecem abandonados, outros estão ocupados por negócios vários. A conservação não é das melhores. Há algumas casas interessantes na cidade. A estação está ocupada por uma pequena loja de artesanato e tem o estilo neocolonial, como Assis, mas com apenas um andar. Certamente não é o prédio original.

Bela casa numa esquina da cidade antiga em Ipauçu

Parei o carro, tirei algumas fotografias e saí no sentido, agora sim, de Ipauçu. Esta, antiga Ilha Grande, tem o pátio ferroviário fora da zona urbana mais antiga. Para chegar nela, há de passar pelo centro da cidade e pelo lago que ali existe, com pelo menos um hotel para turistas, aparentemente tipo balneário. Aí chegamos ao pátio e vemos que a estação, enorme, construção dos anos 1960, está em ruínas. É do tipo da atual de Ourinhos, "modernosa", toda de concreto, mas em ruínas. O armazém ao lado e as diversas casas de ferroviários estão em mau estado, com exceção de uma ou outra.
Esta casa da ferrovia em Ipauçu parece bem, é bonita. Porém, não está tão bem cuidada assim e há diversas descaracterizações

A área ferroviária de Ipauçu parece um cemitério. Uma pena, mesmo. Eu já havia passado por lá cerca de 10 anos antes. Parece que muita coisa foi demolida desde então e outras coisas sofreram bastante a ação do tempo. Reformando e restaurando tudo aquilo daria um local muito agradável... até mesmo como um hotel ao ar livre, ao lado da linha hoje com pouco movimento. Era perto das onze da manhã quando deixei a cidade, seguindo para São Paulo. Porém, havia ainda uma ou outra parada por fazer.

2 comentários:

  1. Apesar de ser bicho metropolitano, pequenas cidades me encantam. Mas o que leva uma cidade chamada Fortuna a mudar seu nome para Canitar?? E no belo mapa do estado que acompanha o guia Mapograf 2011, está escrito Ipaussu... Abraço!

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  2. Pela ortografia, desde os anos 1940 palavras indígenas têm de ser com ç e não ss. Concordo que Ipaussu com 2 ss é mais legal. Pirassununga não aceitou e escreve com 2 ss. Já Canitar, o nome é de 1944, quando da lei dos nomes repetidos. Escolheram Canitar... fazer o que?

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