No prédio da prefeitura de Barra Mansa, a faixa - ridícula - de "expulsão" do trem. Se é bão - e é - porque enxotá-lo? Haja demagogia... ô políticos ignorantes.Uma das últimas notícias que li sobre retirada de trilhos do centro da cidade foi tema de uma postagem neste blog há cerca de um mês: foi quando Barra Mansa anunciou com festas a retirada dos trilhos do centro da cidade. Na verdade, a reportagem que li não era nada clara, e, agora, sei que o que irão retirar será o pátio de manobras, deixando a linha para os trens continuarem a passar por onde sempre passaram: apenas vão aproveitar a ampla área do pátio para outros usos.
O pátio, segundo levantei, deverá ser transferido para a estação de Anísio Braz (ou Vista Alegre, sim, a estaçãozinha tem dois nomes), na linha antiga da Rede Mineira que liga Angra dos Reis a Goiás e que passa por Barra Mansa, assim como a linha da Central do Brasil. Menos mal - será que agora olharão para a linha como algo que pode ajudar o transporte por VLTs, por exemplo?
A verdade é que é sempre o trem que paga o pato. Quando alguém tem de ceder, á a ferrovia. Só ela atrapalha o trânsito, faz barulho, desvaloriza os imóveis em volta. As avenidas, ônibus e caminhões, estes não (talvez por terem um lobby violento). Há tantps exemplos! Vamos lembrar de alguns:
Os trens de passageiros das linhas férreas do Paraná e de Santa Catarina pararam em 1983, logo após a grande inundação desse ano, que inundou cidades inteiras e, por consequência, pátios ferroviários. A desculpa foi essa. O ramal Tubarão-Lauro Müller, da E. F. Dona Tereza Cristina, em SC, deixou de operar em 1974 por causa também de uma grande inundação nessa região.
Em 1937 (vejam bem! Mil novecentos e trinta e sete, apenas 37 anos depois da instalação do primeiro bonde elétrico na cidade de São Paulo!), o Prefeito Fábio Prado começou a pressionar a Light para que removesse algumas linhas de bonde na Capital porque "estavam atrapalhando o trânsito".
Em 1956, a construção da via Anhanguera entre Cravinhos e Ribeirão Preto fez com que se eliminasse o ramal de Cravinhos (linha Cravinhos-Serrana) da Mogiana, de 60 cm de bitola, por que a rodovia passaria sobre os seus trilhos (entretanto, a linha-tronco da Mogiana, que cortava a Anhanguera em Tibiriçá, poucos quilômetros antes, foi mantida, com a construção de um viaduto sobre ela).
Com a desculpa de economia de combustível (no caso, diesel), diversas linhas de passageiros foram eliminadas em 1976 e 1977 pelo Governo estadual paulista e governo federal (mas não proibiram os automóveis de circular). A mesma coisa ocorreu em 1991, na Guerra do Golfo, quando suspenderam o trem de subúrbio de Curitiba e o trem Santa Cruz, entre São Paulo e Rio, entre outros - poucos, pois nessa época já pouca coisa restava.
Enfim: quem paga o pato é sempre a ferrovia - e, se esses erros não tivessem sido cometidos, hoje em dia não teríamos toda essa grita que existe para a construção de inúmeras novas linhas cargueiras, de metrô, de trens metropolitanos e de VLTs. E olhe, que, mesmo com a grita atual, fala-se muito mais do que se realiza: aqui, repito outra vez, em termos de ferrovias é o país do "vai ser feito", não o do "já fizemos".
Quem perde somos todos nós.