O Estado de S. Paulo, 24/7/1951
No ano de 1951 a Imobiliária Itaoca lançava no mercado um minúsculo loteamento entre o final da rua Amalia de Noronha e o da rua Henrique Schaumann, no bairro do Sumaré.
Na verdade, ali pode ser também Alto do Sumaré, Cerqueira César, Sumarezinho e até eventualmente Vila Madalena.
Passei durante minha vida muitas vezes por ali. Se venho da avenida Brasil, ou de Vila Madalena, e entro à esquerda na Henrique Schaumann, viro logo depois na rua Asia e em seguida à direita na Lisboa, para chegar à avenida Paulo VI e Sumaré.
Em 1951, seria possível fazer isso? Segundo um mapa da cidade nesse ano, a área do loteamento ainda não existia. Por ele, a rua Amalia de Noronha (que começava e ainda começa na avenida Doutor Arnaldo) seguia até fazer uma curva de 90 graus e encontrar o final da rua João Moura.
Hoje, a rua Asia é continuação da rua João Moura após essa junção (veja que no mapa do loteamento de 1951 o nome ainda está como rua Amalia de Noronha), e a João Moura segue até a rua Heitor Penteado.
O local do loteamento, bem como as atuais ruas Abegoaria, Patapio Silva (que no loteamento aparece em local bem diferente de onde está hoje), a continuação da rua João Moura e mais diversas outras ruas na região da rua Heitor Penteado (na época, estrada do Araçá) não apareciam no mapa, onde uma grande área vazia entre a Vila Madalena, a Vila Pompeia e o Jardim das Bandeiras era mostrada com o nome de Chácara dos Bispos.
Google Maps - mapa invertido, para comparação com o mapa de 1951, mais acima
Posso garantir que, no final dos anos 1960, tudo isso já estava loteado e já havia ruas asfaltadas com residências construídas. Eu mesmo presenciei tudo isso nessa época.
Outras coisas que podem ser vistas no mapa do loteamento, feito em 1951, é que a rua que é a segunda paralela à direita da rua Teodoro Sampaio era reta. Ela começava na Doutor Arnaldo e originalmente terminava na Pedroso de Moraes. Chamava-se Galeno de Almeida, nome dado no final do século XIX. Porém, ela foi seccionada várias vezes. A última vez foi nos anos 1970, quando se construiu a avenida Paulo VI, com a demolição de diversos prédios da região e o corte em duas da Galeno. Ela hoje termina na rua Lisboa. Sua continuação, no loteamento original dos anos 1890, é hoje a rua Inacio Pereira da Rocha, que começa na rua Fidalga (esta, realmente, é uma continuação da rua Mateus Grou, ligação cortada pela várzea do córrego Verde quase um século atrás, córrego hoje canalizado). e termina na Pedroso de Moraes.
O trecho ao lado do cemitério parece ter sido "empurrado" alguns metros além dos muros do Cemitério São Paulo, aberto em 1927 e que mais uma vez cortou a rua Galeno de Almeida, nessa época. No mapa de São Paulo de 1951, a rua Luiz Murat aparece, com seu nome de hoje, mas a Inacio da Rocha aparece ainda com o nome de Galeno de Almeida.
A outra rua do loteamento hoje é a rua Luiz Couty, aberta nessa época, junto com a rua Asia. A rua que sai sem nome no mapa do loteamento é hoje a rua Conde de Sousel, que termina, realmente, na Patapio Silva.
No canto esquerdo do mapa do loteamento, notem que a forma do cruzamento da Rebouças com a Henrique Schauman e Brasil era diferente da de hoje. E era mesmo, lembro-me bem disto. Vínhamos de carro, nos anos 1960, da Vila Mariana para o Sumaré, muitas vezes pela avenida Brasil, e havia mesmo essa curva na Brasil e a outra na Henrique Schauman (note que até hoje existe um prédio na esquina da H. Schauman com a rua de Pinheiros que é "torto" em relação ao leito da avenida). A Henrique Schauman era estreita e tinha mão única no sentido do Sumaré, afunilando o trânsito que vinha da Brasil. Quando alargaram a Henrique Schauman, alargaram também o final da Brasil e aquelas curvas desapareceram.
São lembranças da minha infância.
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segunda-feira, 24 de julho de 2017
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
ALGUMAS SURPRESAS DO PASSADO PAULISTANO
Abertura do viaduto da avenida Indianópolis sobre a avenida Moreira Guimarães (Folha de S. Paulo, 13/9/1965)
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Ler jornais antigos é sempre interessante, especialmente por uma época em que nós já estávamos vivos. Com isto, especialmente se já tínhamos uma razoável ideia da cidade nesse tempo, se vivemos e fomos curiosos nessa "era", começamos a lembrar-nos ou a.tentar lembrar-nos de determinados fatos.
Em meio a isso, vários achados nos surpreendem. No ano de 1965, eu tinha treze anos, tendo completado catorze em novembro. Aqui estão algumas coisas que basicamente me surpreenderam um pouco. É evidente porém, que a importância disso depende do interesse de cada um.
No topo da página, a avenida Indianópolis ganha um viaduto: na verdade, o cruzamento era em mível, a avenida Moreira Guimarães foi rebaixada e o viaduto, construído.
(Folha de S. Paulo, 24/10/1965)
.Acima, em outubro, o anúncio de uma casa (chamada de "a casa colonial") que se tornava um hospital na rua Humaitá, na Bela Vista. Nunca vi essa casa; porém, não costumo andar muito pela rua Humaitá. Portanto, não sei se ainda existe. Pelo Google Maps, não a localizei, o que também não quer dizer muita coisa, pois há vários pontos cegos por causa de árvores, etc. A pergunta é: ela ainda existirá, mesmo que modificada?
(Folha de S. Paulo, 12/11/1965)
A rua Pamplona, em novembro, acabava de ganhar mão única... para cima, sentido Estados Unidos-avenida Paulista. Disso não lembro. Lembro da rua com duas mãos e com bondes. Aliás, uma outra reportagem da mesma época mostra o último bonde passando por essa rua: a introdução da mão única serviu como desculpa para retirar uma das últimas linhas de bonde da cidade, justamente porque ele estaria trafegando, agora, na contra-mão em uma das duas linhas. Porém, a introdução da mão única tinha um segundo objetivo: como estava decidido que a avenida Nove de Julho teria mão única (!!!) sentido bairro, a Pamplona seria a mão de ida para o centro. A operação jamais foi concluída: a avenida jamais foi transformada em mão única. E em algum momento mais tarde, a Pamplona teve sua mão invertida, como o é até os dias de hoje. Os trilhos foram retirados rapidinho.
(Folha de S. Paulo, 24/11/1965)
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Em Santo Amaro, mais precisamente na Granja Julieta, muito próximo de onde hoje existe uma estação da CPTM com este último nome, existiam algumas lagoas em novembro de1965, talvez remanescentes ainda da retificação do rio Pinheiros, que havia sido terminada havia pelo menos quinze a vinte anos. Elas foram todas aterradas e hoje em dia existem ruas e construções grandes e pequenas, que normalmente dão frente para a avenida Marginal direita (Nações Unidas) ou para curtas e estreitas ruas paralelas. Uma dessas lagoas ficava nas imediações das extintas Parada Monark e da fábrica do mesmo nome. Chegavam a ter dez metros de profundidade e eram um perigo para eventuais usuários e também foco de mosquitos e de doenças, e o seu tamaho aumentava por causa da retirada de areia por construtoras da região.
(Folha de S. Paulo, 22/12/1965)
.Em dezembro, a foto acima mostra o abandono de parte da rua Capote Valente, entre as ruas Galeno de Almeida e a pequena Rubião Meira, no alto do Sumaré. Eu diria que essa parte da rua que tem a construção grande e o trecho de terra mais baixo seria por onde nos anos 1970 foi construída a ligação Henrique Schaumann-Av. Sumaré, ali chamada então de avenida Paulo VI. Apesar de morar a cerca de quatro quarteirões dali nessa época, não me lembro claramente dessa situação.
(Folha de S. Paulo, 13/9/1965)
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Finalmente, em janeiro de 1966, uma fotografia da rua Sergio Tomas num dia de inundação, no Bom Retiro, antes de ter sido alargada e transformada em continuação da avenida do Emissário.
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Ler jornais antigos é sempre interessante, especialmente por uma época em que nós já estávamos vivos. Com isto, especialmente se já tínhamos uma razoável ideia da cidade nesse tempo, se vivemos e fomos curiosos nessa "era", começamos a lembrar-nos ou a.tentar lembrar-nos de determinados fatos.
Em meio a isso, vários achados nos surpreendem. No ano de 1965, eu tinha treze anos, tendo completado catorze em novembro. Aqui estão algumas coisas que basicamente me surpreenderam um pouco. É evidente porém, que a importância disso depende do interesse de cada um.
No topo da página, a avenida Indianópolis ganha um viaduto: na verdade, o cruzamento era em mível, a avenida Moreira Guimarães foi rebaixada e o viaduto, construído.
(Folha de S. Paulo, 24/10/1965)
.Acima, em outubro, o anúncio de uma casa (chamada de "a casa colonial") que se tornava um hospital na rua Humaitá, na Bela Vista. Nunca vi essa casa; porém, não costumo andar muito pela rua Humaitá. Portanto, não sei se ainda existe. Pelo Google Maps, não a localizei, o que também não quer dizer muita coisa, pois há vários pontos cegos por causa de árvores, etc. A pergunta é: ela ainda existirá, mesmo que modificada?
(Folha de S. Paulo, 12/11/1965)
A rua Pamplona, em novembro, acabava de ganhar mão única... para cima, sentido Estados Unidos-avenida Paulista. Disso não lembro. Lembro da rua com duas mãos e com bondes. Aliás, uma outra reportagem da mesma época mostra o último bonde passando por essa rua: a introdução da mão única serviu como desculpa para retirar uma das últimas linhas de bonde da cidade, justamente porque ele estaria trafegando, agora, na contra-mão em uma das duas linhas. Porém, a introdução da mão única tinha um segundo objetivo: como estava decidido que a avenida Nove de Julho teria mão única (!!!) sentido bairro, a Pamplona seria a mão de ida para o centro. A operação jamais foi concluída: a avenida jamais foi transformada em mão única. E em algum momento mais tarde, a Pamplona teve sua mão invertida, como o é até os dias de hoje. Os trilhos foram retirados rapidinho.
(Folha de S. Paulo, 24/11/1965)
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Em Santo Amaro, mais precisamente na Granja Julieta, muito próximo de onde hoje existe uma estação da CPTM com este último nome, existiam algumas lagoas em novembro de1965, talvez remanescentes ainda da retificação do rio Pinheiros, que havia sido terminada havia pelo menos quinze a vinte anos. Elas foram todas aterradas e hoje em dia existem ruas e construções grandes e pequenas, que normalmente dão frente para a avenida Marginal direita (Nações Unidas) ou para curtas e estreitas ruas paralelas. Uma dessas lagoas ficava nas imediações das extintas Parada Monark e da fábrica do mesmo nome. Chegavam a ter dez metros de profundidade e eram um perigo para eventuais usuários e também foco de mosquitos e de doenças, e o seu tamaho aumentava por causa da retirada de areia por construtoras da região.
(Folha de S. Paulo, 22/12/1965)
.Em dezembro, a foto acima mostra o abandono de parte da rua Capote Valente, entre as ruas Galeno de Almeida e a pequena Rubião Meira, no alto do Sumaré. Eu diria que essa parte da rua que tem a construção grande e o trecho de terra mais baixo seria por onde nos anos 1970 foi construída a ligação Henrique Schaumann-Av. Sumaré, ali chamada então de avenida Paulo VI. Apesar de morar a cerca de quatro quarteirões dali nessa época, não me lembro claramente dessa situação.
(Folha de S. Paulo, 13/9/1965)
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Finalmente, em janeiro de 1966, uma fotografia da rua Sergio Tomas num dia de inundação, no Bom Retiro, antes de ter sido alargada e transformada em continuação da avenida do Emissário.
domingo, 23 de outubro de 2011
COMPARANDO O MESMO LOCAL EM 72 ANOS
Anúncio de lançamento em 1938No dia 2 de maio de 1938, o jornal paulista Folha da Manhã - atual Folha de S. Paulo - publicou um anúncio de lançamento de um loteamento no atual bairro de Vila Madalena (na época, distrito de Jardim América, como informa o anúncio). O anúncio estsá reproduzido no topo desta postagem.
Há uma série de "retificações" a serem feitas para se compreender exatamente onde ele está situado hoje. Primeiro: a rua com o nome Galeno de Almeida é a atual rua Inácio Pereira da Rocua. A "rua Nova" é a rua Padre João Gonçalves. O córrego que aparece no anúncio é um dos braços do rio Verde, exatamente aquele que passa pela Vila Madalena, tendo seu início na rua Abegoaria, próximo à rua Heitor Penteado, e hoje totalmente canalizado e sob a terra.
Vista do Google Maps do mesmo loteamento em 2011A imagem tomada do Google Maps na data de hoje mostra também que o traçado original do córrego existe até hoje. É uma servidão - digamos assim, uma "calçada interior" a que se tem acesso por um parque infantil com entrada pela rua Inácio Pereira da Rocha epela rua Fradique Coutinho. Às vezes ela não pode ser usada, por estarem seus portões fechados. Já andei por ela.
Pode-se notar também que a rua Nova apresentada uma curva para atingir a Fradique Coutinho. Hoje ela não tem essa curva. Falha no mapa? Assim como se olharmos o alinhamento das casas nos estritos terrenos anunciados veremos que elas não estão da forma em que aparecem no anúncio. Licença poética? Falta de cuidado do desenhista? Ou houve depois alguma retificação nestes terrenos? De qualquer forma, está tudo construído ali hoje.
Uma nota acerca da rua Galeno de Almeida: ela hoje começa na avenida Doutor Arnaldo e termina na rua João Moura. O seu alinhamento é o mesmo da rua Luiz Murat, aquela ladeira estreita que desce atrás do Cemitério São Paulo. Embaixo, exatamente ao cruzar o rio Verde (hoje, como já dito, não mais pode ser visto) ela faz uma curva em S e torna-se então a rua Inácio Pereira da Rocha.
É possível que em mapas da época todas as três ruas citadas tivessem o nome de Galeno de Almeida. Porém, não encontrei evidências disso em mapas antigos. Note-se também que o trecho entre a João Moura e o cemitério jamais existiu (isto dá para se ver nos mapas antigos e novos). E que por causa da construção da avenida Paulo VI nos anos 1970 a rua foi cortada em duas ao redor da rua Cristiano Viana.
domingo, 27 de junho de 2010
A DETERIORAÇÃO DE SÃO PAULO
A deterioração da cidade de São Paulo - e das grandes cidades em geral - segue a passos largos, sem dar sinal de esmorecimento.
Uma reportagem publicada hoje no jornal O Estado de S. Paulo, no caderno Metrópole, dá conta de que em uma quadra do bairro antigamente chamado de Cerqueira César - hoje, Pinheiros, mesmo - mais especificamente, a quadra formada pelas ruas João Moura, Galeno de Almeida, Cristiano Viana e Cardeal Arcoverde, teve alguns de seus imóveis vendidos para a contrução de um prédio de apartamentos (aparentemente, tipo loft, de oito andares - até que não tão alto assim), onde, entendo, terá frente para a rua João Moura e fundos para a rua Cristiano Viana.
Essa quadra ainda é "virgem", ou seja, não tem qualquer edifício construído com mais de dois andares, pelo que me recordo.
O texto tenta explicar como são feitas essas vendas - interesses mais das imobiliárias e das construtoras e incorporadoras do que mesmo dos donos dos imóveis, pelo que se entende. Claro que os donos concordam com a venda, não estão aqui dizendo que houve pressões insuportáveis para a venda - mas são em geral imóveis antigos, geralmente algo deteriorados (não conheço a situação de cada um deles, mas conheço aquela quadra).
O fato é que esta verticalização sem fim tende a deteriorar a cidade, por causa da quantidade de pessoas a mais vivendo por metro quadrado de área projetada, a necessidade de aumento de suprimento de água, energia elétrica, gás, segurança pública e de regulamentação de trânsito local, necessidade esta que nem sempre - ou melhor, quase nunca - é calculada a cada construção de um prédio que arbigará muito mais famílias do que as que atualmente lá vivem.
Também é interessante lembrar que essa quadra é cortada pela galeria do antigo córrego - ou rio - Verde, do qual tanto comentei neste blog em outras postagens. Seria por isso que prédios não foram construídas nela até hoje?
E todos são afetados com isto - tanto os vizinhos, quanto os habitantes da cidade como um todo, mesmo que morem longe do local. Acho que não preciso explicar o por quê desta afirmação. Os políticos se omitem, as construtoras é quem mandam, etc. etc. etc.. Sem pressão, haveria realmente a venda de tantos desses imóveis? Não - geralmente as pessoas procuram vender um imóvel quando precisam do dinheiro ou quando precisam se mudar dali para outro local.
Enfim, enquanto isso, a cidade vai perdendo sua história. Por coincidência, acabei hoje uma página na Internet - uma página, não um site - que mostra em breves pinceladas alguns dos detalhes históricos que ainda conseguem sobreviver na cidade de São Paulo. Para quem está interessado, basta ler (sim, ele está, pelo menos por enauqnto, inserido no site das estações ferroviárias, de minha autoria).
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