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quarta-feira, 6 de julho de 2011

MINISTRO: SEUS PROBLEMAS ACABARAM!

Trem da ALL derruba cobertura abandonada da estação abandonada em um pátio abandonado em Botucatu. Como o ministro vai saber disto rapidamente para poder tomar providências?
A Presidente Dilma Roussef acaba de mandar embora seu ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Ou ele pediu demissão. Tanto faz. O fato é que o escândalo de desvios de verbas e superfaturamente já vinha há alguns dias e diretores já haviam rolado. Não conheço essas pessoas. Não sei se as acusações são verdadeiras ou não. De qualquer forma, dá para perceber que o ministério, a ANIP, o DNIT, a Valec e outros órgãos ligados a transportes de qualquer tipo - inclusive ferroviário - não vinham funcionando.

A impressão que se tem é a de que ninguém sabe nada de nada, estão nos cargos somente para ganhar seu salário e não têm nem o conhecimento básico para terem o cargo que têm - ou tinham.

Não sei quem assumirá, e sinceramente, a esta altura do campeonato, seria surpreendente se fosse alguém que conheça o assunto.

As concessões ferroviárias vão muito mal. As concessionárias fazem o que querem, não respeitam muitas das cláusulas de concessão, só querem mesmo é ganhar dinheiro. Nada contra ganhar dinheiro: eu também quero. Porém, transporte é algo básico para um país, especialmente um com o tamnho do Brasil, mal servido de linhas férreas - aliás, nunca foi bem servido, pelo menos em extensão quilométrica. Se é básico, deveria haver um controle decente sobre ela, ou seja: querem ganhar dinheiro, está bem, mas com serviço bem feito.

Sabe-se que, dos 38 mil quilômetros que existiam em 1960, hoje somente funcionam 16 mil. E olhe lá. Outros 12 mil estão largados ou muito subutilizados. Os 10 mil que sobram foram arrancados, alguns já há dezenas de anos.

No meio de tanta bagunça e descaso e como os integrantes destes órgãos nunca entendem nada mesmo do metiê, venho por esta propor (pena que ninguém vai ler, haja vista que meu blog tem uma quantidade insignificante de leitores em relação à população brasileira e também em relação aos integrantes do governo federal) que os futuros ocupantes dos cargos que tenham relação com nossas abandonadas e indispensáveis ferrovias peçam para entrar nas nossas listas de discussão do assunto.

A primeira delas foi criada por volta do ano 2000. Depois, aos poucos, várias foram sendo criadas, há integrantes que participam de diversas delas. Eu participo de cinco, hoje. Mas o seu número, dizem (não consegui provar) que está perto de cem.

É incrível a quantidade de conhecimento de ferrovias que aparece por dia em cada uma dessas listas. O ministro, por exemplo, podia acompanhá-la(s) e descobriria facilmente onde estão os acidentes, onde estão as linhas abandonadas, onde estão os absurdos, onde estão as locomotivas, carros e vagões abandonados, muita coisa sobre equipamentos, novos e antigos, muita história...

E de graça! Claro, que eliminassem as piadinhas, as brigas (sim, há brigas), os "off-topics", os que versam sobre ferreomodelismo (mas creio que até destes eles poderiam tirar alguma informação válida) e ainda poderiam ver o que os integrantes destas listas toda pensam deles (embora creio que eles não iriam apreciar).

Tudo isto praticamente em tempo real. Quer maior eficiência que essa? E feita por gente que faz por que gosta, não por que é obrigada a fazer. A partir das informações, economizar-se-ia tempo e dinheiro. E poder-se-ia talvez tomar decisões rápidas e melhores.

Ah, mas são um bando de amadores! Pode ser. Mas já deu para perceber que se importam muito mais com as ferrovias do que o governo. A oferta está aí. É pegar ou largar!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

RELÍQUIAS FERROVIÁRIAS

Estação de Bento Quirino - foto de Ely Roberto de Oliveira Jr. em 2001

Hoje soube de uma história bem pitoresca lá no interior.

A Prefeitura de São Simão resolveu reformar a antiga estação ferroviária de Bento Quirino, desativada em 1971, para criar um museu ferroviário. Para isso, solicitou ao DNIT - um dos responsáveis (entre vários) pelo material ferroviário da antiga FEPASA, incorporada pela falida e extinta RFFSA em 1998, a cessão do material que se encontrava guardado na estação de Barracão, em Ribeirão Preto, esta desativada também e desde os anos 1990.

Vai daí, o DNIT teria autorizado. A Prefeitura foi lá e pegou o material, levando-o para Bento Quirino para arrumar e abrir o museu. No meio do caminho, o Ministério Público e a Polícia Federal tiveram uma denúncia de que o material foi subtraído de Barracão sem autorização.

Foram a Bento Quirino e lacraram a estação, fazendo o mesmo com a de Barracão, em Ribeirão. A bagunça foi armada. Há investigação agora sobre o caso.

Pergunta: por que a Prefeitura de São Simão não apresentou a carta que o DNIT teria dado, autorizando a remoção? Supõe-se que exista um documento desse tipo, senão eles não teriam conseguido remover tudo de Barracão, já que a estação estava fechada.

Se não tinham a carta, como conseguiram tirar o material (sei lá o que é esse material) da estação? Por outro lado, se Ribeirão Preto não queria que o material saísse do município, como alguém abriu o prédio para São Simão?

Mais ainda: há suspeitas de que a carta do DNIT não existe, o que existiria seria uma autorização de remoção... dada por Ribeirão Preto.

Ô história mal contada.

Não há jeito mesmo de se preservar material ferroviário no Brasil. Ninguém cuida. Quando alguém quer cuidar e o pega exatamente para cuidar dele, o dono diz: "é meu!". Isto já aconteceu antes. Sorocaba e Campinas têm uma briga com uma locomotiva que estava muito bem cuidada em Campinas e foi "resgatada" na marra por Sorocaba. Agora está enferrujando, exposta ao ar livre num parque.

Os donos de uma locomotiva em Bebedouro, em 2002, resolveram transferir uma locomotiva a vapor que estava meio largada em propriedade deles na cidade havia anos, para Antonina, no Paraná. A prefeitura de Bebedouro, que jamais deu a mínima para ela, barrou a saída da locomotiva da cidade, já na estrada, sobre um caminhão. Só que a locomotiva era particular e quem a estava transferindo era seu dono, que, com medida judicial, conseguiu levá-la para Antonina.

Há outras histórias escabrosas. E o material apodrece por aí.