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sexta-feira, 18 de março de 2016

METRÔ DE SÃO PAULO E TRANSNORDESTINA: EM QUE ESTAS DUAS FERROVIAS SE PARECEM?

Metrô de SP: A linha 4 é a linha amarela que, hoje, já funciona entre as estações Luz e Butantan (à esquerda da estação de Pinheiros e fora do mapa. Ela se prolonga além da estação Butantan até a Vila Sônia, mas este trecho jamais foi inaugurado por falta de estações prontas (Mapa: metrô-SP)

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo suspendeu a licitação do Metrô no final de 2015 para contratar a empresa que vai concluir a Linha 4-Amarela do Metrô. A obra inclui a conclusão das estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire e as três da extensão e até Vila Sonia e a implantação de 2 quilômetros de túnel de ligação com este pátio.

A sessão pública de recebimento e abertura de propostas, marcada para as 10h desta quinta-feira (17), foi cancelada e poderá ser remarcada para nova data caso a licitação seja retomada.

A decisão cita duas manifestações enviadas ao tribunal com possíveis erros em relação à apresentação de garantias a serem dadas pelas empresas. O Metrô informou que irá prestar os esclarecimentos solicitados no prazo determinado na decisão liminar: 48 horas.

As obras são orçadas em R$ 1,3 bilhão e têm financiamento do Banco Mundial.

Na mesma decisão, uma multa de R$ 23,5 milhões aplicada pela paralisação das obras foi suspensa (leia mais abaixo). O governo de São Paulo recorreu.

A expectativa era que as estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire e São Paulo-Morumbi deveriam ser entregues em 2017, três anos após a primeira estimativa feita pelo Metrô para a conclusão das obras: 2014.
Já a Vila Sônia (incluindo terminal de ônibus e pátio), ficaria pronta em 2019. Agora, sabe-se Deus quando.
Como sempre, caímos na seguinte dúvida (a qual já citei anteriormente em outras postagens neste blog): ou se dá ao Tribunal de Contas (e/ou Ministério Público) o dever de escrever as licitações ou se oferece um curso intensivo de como se escrevem esses editais.

As obras, como sempre, estão atrasadas e vão atrasar mais ainda. E certamente ficarão mais caras ainda. Temos dinheiro a rodo ou alguém está ganhando com tudo isto?

Notem então os senhores outro fato recente, também sobre ferrovias brasileiras: o orçamento da construção da ferrovia Nova Transnordestina deve sofrer aumento de quase 50% devido à inflação do real, é o que diz o presidente da Valec. O orçamento inicial estava previsto em R$ 7,5 bilhões em 2013 e agora poderá chegar a R$ 11 bilhões.

A Nova Transnordestina liga o Porto de Pecém, no Ceará, ao Porto de Suape, em Pernambuco, além de um ramal para o sul do Piauí, num total de 1.753 km.

56% da obra já estão concluídos, porém, já foram aplicados 80% do capital inicial. O custo para a construção de 1 km de ferrovia está orçado em R$ 6 milhões, o que elevará o custo do projeto para aproximadamente R$ 10,5 bilhões. Será necessário um novo aporte para quitar o reajuste, um acréscimo. Ele afirmou que, devido a parcerias e acordos feitos pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), o aporte inicial da Valec que era de R$ 230 milhões, subiu para R$ 980 milhões. A previsão é que, depois de concluída, a ferrovia possa transportar 30 milhões de toneladas por ano.

Dá para notar que aumentar custos é sempre causado por incompetência de nossos governos, estadual e federal, donos eles de obras como as duas citadas acima.


O texto acima foi resumido de dois textos publicados pela G1 São Paulo e Jornal Floripa em 17/03/2016.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

MINISTRO: SEUS PROBLEMAS ACABARAM!

Trem da ALL derruba cobertura abandonada da estação abandonada em um pátio abandonado em Botucatu. Como o ministro vai saber disto rapidamente para poder tomar providências?
A Presidente Dilma Roussef acaba de mandar embora seu ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Ou ele pediu demissão. Tanto faz. O fato é que o escândalo de desvios de verbas e superfaturamente já vinha há alguns dias e diretores já haviam rolado. Não conheço essas pessoas. Não sei se as acusações são verdadeiras ou não. De qualquer forma, dá para perceber que o ministério, a ANIP, o DNIT, a Valec e outros órgãos ligados a transportes de qualquer tipo - inclusive ferroviário - não vinham funcionando.

A impressão que se tem é a de que ninguém sabe nada de nada, estão nos cargos somente para ganhar seu salário e não têm nem o conhecimento básico para terem o cargo que têm - ou tinham.

Não sei quem assumirá, e sinceramente, a esta altura do campeonato, seria surpreendente se fosse alguém que conheça o assunto.

As concessões ferroviárias vão muito mal. As concessionárias fazem o que querem, não respeitam muitas das cláusulas de concessão, só querem mesmo é ganhar dinheiro. Nada contra ganhar dinheiro: eu também quero. Porém, transporte é algo básico para um país, especialmente um com o tamnho do Brasil, mal servido de linhas férreas - aliás, nunca foi bem servido, pelo menos em extensão quilométrica. Se é básico, deveria haver um controle decente sobre ela, ou seja: querem ganhar dinheiro, está bem, mas com serviço bem feito.

Sabe-se que, dos 38 mil quilômetros que existiam em 1960, hoje somente funcionam 16 mil. E olhe lá. Outros 12 mil estão largados ou muito subutilizados. Os 10 mil que sobram foram arrancados, alguns já há dezenas de anos.

No meio de tanta bagunça e descaso e como os integrantes destes órgãos nunca entendem nada mesmo do metiê, venho por esta propor (pena que ninguém vai ler, haja vista que meu blog tem uma quantidade insignificante de leitores em relação à população brasileira e também em relação aos integrantes do governo federal) que os futuros ocupantes dos cargos que tenham relação com nossas abandonadas e indispensáveis ferrovias peçam para entrar nas nossas listas de discussão do assunto.

A primeira delas foi criada por volta do ano 2000. Depois, aos poucos, várias foram sendo criadas, há integrantes que participam de diversas delas. Eu participo de cinco, hoje. Mas o seu número, dizem (não consegui provar) que está perto de cem.

É incrível a quantidade de conhecimento de ferrovias que aparece por dia em cada uma dessas listas. O ministro, por exemplo, podia acompanhá-la(s) e descobriria facilmente onde estão os acidentes, onde estão as linhas abandonadas, onde estão os absurdos, onde estão as locomotivas, carros e vagões abandonados, muita coisa sobre equipamentos, novos e antigos, muita história...

E de graça! Claro, que eliminassem as piadinhas, as brigas (sim, há brigas), os "off-topics", os que versam sobre ferreomodelismo (mas creio que até destes eles poderiam tirar alguma informação válida) e ainda poderiam ver o que os integrantes destas listas toda pensam deles (embora creio que eles não iriam apreciar).

Tudo isto praticamente em tempo real. Quer maior eficiência que essa? E feita por gente que faz por que gosta, não por que é obrigada a fazer. A partir das informações, economizar-se-ia tempo e dinheiro. E poder-se-ia talvez tomar decisões rápidas e melhores.

Ah, mas são um bando de amadores! Pode ser. Mas já deu para perceber que se importam muito mais com as ferrovias do que o governo. A oferta está aí. É pegar ou largar!