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domingo, 5 de agosto de 2012

TRENS DE PASSAGEIROS PARA O INTERIOR E AS BOBAGENS QUE SE ESCREVEM

1960: A "Loba" da Sorocabana tracionando muitos carros de passageiros entre São Paulo e Sorocaba
Reportagem da Folha de S. Paulo hoje mostra que o seu redator não entende coisa alguma de trens. Se entendesse, ele não escreveria o que escreveu, apenas comentando alguma nota ou informação que recebeu da CPTM.

Ele comentaria, por exemplo, que a situação atual é muito diferente do que a CPTM lhe passou para fazer a reportagem.

Por exemplo: esse papo da CPTM de fazer trens para o interior vem desde que Alkmin foi governador no seu segundo mandato, e que José Serra, quando assumiu o governo estadual em 2006 como seu sucessor mandou enterrar.

E que somente o retomou, por pressão interna da CPTM, no final do seu mandato, em 2009, e que Alkmin continuou. Porém, com a tradicional indecisão do PSDB, está enrolando desde 2010.

Lendo a reportagem, ele diz que "Ao menos três megaprojetos desenvolvidos pelo governo de São Paulo prometem colocar, novamente, os trens nos trilhos no Estado." Megaprojetos, por que? A distância de São Paulo a Jundiaí é de cerca de 55 km.

A ligação já existe - apenas é dirigida para trens metropolitanos, ou seja, paradores. Não está errada, está boa - porém, para o paulistanos que trabalha e Jundiaí (e os jundiaienses que trabalham na Capital) não serve, pois demora tempo demais. O "megaprojeto" é um trem direto em linha separada.

Depois, ele diz que: "Santos e Sorocaba são outros dois destinos considerados prioritários para o governo por possuírem demandas por transporte público." No último parágrafo, ele diz: "Em 2013, a administração Alckmin deve fazer novos estudos e pode ampliar o número de projetos. Serão estudadas regiões como Campinas e São José dos Campos".

Ora, fazer estudos? Para que? Santos, Sorocaba e São José dos Campos tiveram trens de passageiros clássicos a partir da Capital por mais de 120 anos. Para ser mais específico, foram, respectivamente entre 1867 e 1995, 1875 e 1999 e 1875 e 1991. Quer mais estudos de viabilidade? Comece o projeto já - e já devia ter começado muito antes.

Aliás, sendo mais claro ainda, não deveria era nunca ter acabado com esses trens. Quando eles acabaram (repito: Santos em 1995, Sorocaba em 1999 e São José dos Campos em 1991), São Paulo já tinha gente morando numa cidade e trabalhando em outra havia anos.

Se eles não tinham passageiros, era porque a péssima administração das ferrovias (Santos e São José eram RFFSA e Sorocaba era FEPASA) não quis modernizar as linhas e seu material rodante, além de deixar cair a qualidade de seus serviços e cumprimento de horários alegando baixa frequência de passageiros, quando isto ocorria exatamente por causa disso, num círculo vicioso que tinha origem no favorecimento do transporte rodoviário e especificamente no lobby das empresas de ônibus.

O repórter teria ainda escrevido que em 1995 o tempo de viagem de São Paulo a Santos por trem ainda era inferior devido ao excesso de congestionamentos nas rodovias existentes e que a linha de São Paulo a São José que era utilizada foi retirada ilegalmente já nos anos 2000 pelas prefeituras de São José e de Jacareí para favorecer a construção de avenidas. Ou seja, perdeu-se o leito existente.

E também que a eletrificação existente na linha entre SP e Sorocaba foi eliminada em 1999 depois de 55 anos de uso sem motivo algum, eliminando a facilidade de se continuar com uma linha com trens mais modernos de passageiros.

O que quero dizer é que 120 anos de experiência em trens ligando essas cidades já são estudo suficiente. Mãos a obra e chega de politicagem e enrolação. E que repórteres saibam sobre o que estão escrevendo.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

ALCKMIN E FERROVIAS

Um dia, a E. F. Campos do Jordão apareceu no cinema, no filme Floradas na Serra...
Bem, eu tenho metido o pau no governador Geraldo Alckmin - a quem chamo "carinhosamente" de AiDeMim - por causa das politicagens que ele vem fazendo, dando a entender que seu objetivo de governo é sepultar toda e qualquer coisa que o ex-governador Serra veio a fazer.

Bem, o motivo desta postagem é outro: duas medidas que foram tomadas que me agradaram. O tema é ferrovias, ou seja, algo sobre o qual posso dar pelo menos alguma opinião e talvez falar menos besteiras que em outros assuntos.

Primeiro, a notícia da recuperação da E. F. Campos do Jordão, tendo por trás a CPTM. Ela precisa. Há anos que as notícias dão conta que a manutenção da linha está má, tendo a estrada algumas vezes sofrido interrupção em seu funcionamento. Afinal, AiDeMim é de Pindamonhangaba e deve ter um apreço especial pela velha ferrovia, que chegará a cem anos daqui a três.

A segunda notícia saiu hoje nos jornais: que a linha 5 do metrô vai ter as obras iniciadas, mesmo com as notícias de corrupção na concorrência. Como devem se lembrar, o resultado da licitação foi anunciada no final do ano passado, mas logo em seguida denúncias de manejamento de resultados vieram à tona. O vice-governador em exercício, Alberto Goldman, anunciou a suspenão do início das obras para se averiguar o caso.

Pura bobagem. Tudo neste país é assim. Ora, deixe a obra correr paralelamente com o processo judicial. Do jeito que a justiça anda no Brasil, isto vai tomar uma década. E, se houver alguma punição às empresas que participaram da concorrência, que se a faça, seja em que época for (mas, convenhamos... alguém acredita nisso?)

O que a cidade não pode é sofrer por causa de politicagem e desmandos administrativos. Sinceramente, se formos esperar honestidade neste país para se fazer obras, estagnaremos para sempre. Tenho 59 anos de idade, quase 60, e nenhuma ilusão quanto a isto.

Que venham as críticas dos idealistas... e que saia o metrô da linha 5 o mais rápido possível.

terça-feira, 17 de maio de 2011

CONVERSA AMIGÁVEL, POSSÍVEL E PROVÁVEL

A estação de Pinheiros original, da Sorocabana, era assim no dia de sua inauguração, em 1957: a poucos metros da estação atual, nem cobertura tinha...
A estação Pinheiros do metrô, debaixo (literalmente) da estação Pinheiros da CPTM, foi inaugurada ontem, dia 16. Isso, depois de ter sido prometida para o ano passado e ter sua abertura adiada várias vezes. A sua inauguração pode ser vista neste artigo de Alexandre Giesbrecht aqui.

O fato é que essa demora da operação na linha 4, da abertura de estações, da ampliação do horário curto de hoje, seja qual for o motivo, gera apreensões e preocupações, além de desconforto no público usuário e potencialmente usuário. As más línguas, a rádio-peão, todos já falam que "há alguma coisa de podre no reino da Linha 4".

O motivo, eu não sei. Mas posso imaginar uma conversa entre os mandões do consórcio que a construiu e opera, a Cia. do Metrô e o governador Geraldo Ai-De-Mim. Essa conversa que imagino creio ter sido não somente possível, mas também provável de ter ocorrido de fato. Se eu estiver errado, ok, não vai mudar nada.

A conversa: "Governador, o povo está bravo - não entende os sucessivos adiamentos na operação da linha 4, não entende por que as estações foram prometidas várias vezes pelo Serra e até agora não começaram a funcionar! O que devemos fazer?" Resposta do Ai-De-Mim: "Querem saber? Que se danem! Abre logo essa p**** de estação, e de cara, aumente a operação pela manhã dessa m**** de linha! Assim eles param de encher o saco!" "Mas, governador, o entorno ainda não está pronto! E não dá nem para fazer a integração ainda com a estação da CPTM!" "F***-se! Abre assim mesmo! Eles não querem estações? Dê-lhes uma! E diga que em outubro vamos abrir as outras!" "Vamos mesmo, governador?" "Sei lá! Vocês é que sabem! Ficam enrolando e quem se f**** sou eu!"

E vocês, leitores? Não acham que é bem possível que essa conversa amigável tenha ocorrido?